sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O problema da verdade presente defendida por instituições religiosas.

Algumas instituições religiosas cristãs desde o seu fundamento, mantém uma postura de porta voz de Deus. Ensinam em seus pulpitos, que a verdade bíblica é derivada apenas de suas mensagens. Estão certos nessas afirmativas? A palavra de Deus é subordinada a essas denominações? A verdade bíblica como um todo, pertence apenas a um grupo de pessoas? Na realidade essa afirmação por parte dessas instituições carecem não só de apoio bíblico como vai também contra a lógica.

Vejamos algumas declarações de E. G. W. Sobre a verdade. (Nós temos a verdade. Nós a conhecemos. Louvado seja o Senhor. Carta 18, 1850.) (Há muitas verdades preciosas contidas na Palavra de Deus, mas é a “verdade presente” que o rebanho necessita agora.) (Temos a verdade é um fato e devemos manter firmemente as posições e não podem ser abaladas; mas não devemos olhar com suspeitas sobre qualquer nova luz que Deus possa enviar. OP. 231)

Jo. 14. 6 “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” No que concerne a vida espiritual, Jesus foi claro nas suas palavras; Ele é o meio pelo qual nós podemos nos achegar a Deus. E baseado ainda nesse verso, aquele que anda por esse caminho, tem conhecimento da verdade. Jo. 16. 13 “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

A promessa de Jesus para os seus, foi que a verdade faria parte de suas vidas, Ele não disse que as pessoas deveriam se filiar a denominação A ou B para ter acesso a verdade contida na bíblia. E com relação a lógica é a mesma coisa, Ef. 1. 13 “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.”

De uma forma espiritual, o verso a cima nos diz que o evangelho está intimamente relacionado com a verdade, Mt. 24. 14 “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” “E este evangelho do reino... ”Percebemos também Jesus mencionando as suas palavras, dizendo ser o evangelho do reino, que apareceria no futuro? De forma nenhuma! Ele disse: (este evangelho) ou seja, dos seus dias.

Portanto, pela lógica, o evangelho bíblico genuíno é foi e sempre será uma verdade presente, diferentemente dessas denominações religiosas as quais dizem ser portadoras da verdade, que introduzem sempre uma suposta verdade presente. Diminuindo com isso a verdade presente dita por Cristo, a mais de dois mil anos. Todos os versos a cima confirmam que os seguidores tem a verdade, eles não precisam de se filiar a uma instituição que se intitula como sendo possuidora da verdade, pelo fato da verdade bíblica ser atual.

Qual o real perigo dessas “verdades presentes” instituídas por determinadas denominações? Primeiro, pelo fato de diminuírem a verdade estabelecida pelo evangelho, e depois tais “verdades presentes” nem sempre se configuram uma verdade de fato. Tomemos por exemplo a verdade presente do ensino adventista da porta fechada. Muitos dirão: - mas eles não ensinam isso. De fato, não ensinam. Mas ensinavam.

O ensino da porta fechada entre os adventistas surgiu devido ao fato de Jesus não ter voltado em 1844, como eles ensinavam e esperavam. Vejam uma declaração de Tiago White “Creio que veremos claramente que não pode haver outro lugar para a porta fechada senão no outono de 1844... Quando chegamos a esse ponto, toda a nossa compaixão, preocupação e orações pelos pecadores cessaram; e o sentimento e testemunho unânimes era de que nossa obra para o mundo estava terminada para sempre...” (Revista verdade presente, maio de 1850.)

E. G. W também disse que o assunto sobre a porta fechada foi uma verdade presente recebida por visão. No mesmo periódico de agosto de 1849 nas páginas 21-22 ela diz: "Ali me foi mostrado que os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, referentes à porta fechada, não podiam ser separados". E ela continua dizendo: "Vi que os sinais e maravilhas misteriosos e as falsas reformas aumentariam e se espalhariam. As reformas que me foram mostradas não eram reformas do erro para a verdade, mas do mal para o pior; pois aqueles que professavam uma mudança de coração apenas se envolviam em vestes religiosas, que encobriam a iniquidade de um coração perverso.”

Alguns pareciam ter se convertido de verdade, a fim de enganar o povo de Deus; mas se seus corações pudessem ser vistos, pareceriam tão negros como sempre. Meu anjo da guarda me ordenou que procurasse o sofrimento da alma dos pecadores, como costumava acontecer. Procurei, mas não pude vê-lo, pois o tempo para a salvação deles já havia passado."

O fato de Jesus não ter voltado na data marcada por Guilherme Miller e os outros que creram na mensagem, trouxe um problema grave para eles. Estariam eles errados na data para o retorno de Jesus? Se admitissem o erro como mais tarde o fez Miller, a ignomínia seria maior, então eles redesenharam a interpretação profética, disseram que a questão da data estava certa, o que estava errado era o fato de que Jesus não veio à terra, mas ele saiu do lado santo, no santuário celeste e adentrou no lugar santíssimo.

Segundo essa interpretação nesse período a porta da salvação estava fechada. Sim, os que rejeitaram a mensagem do advento não tinham mais chance de se salvarem. Essa interpretação é baseada na parábola das dez virgens encontrada no evangelho de Mateus 25. segundo o adventismo aquelas pessoas que não mais poderiam ser salvas são as virgens loucas, Mt. 25. 8-10 “E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

Em resumo, para os adventistas as virgens prudentes são eles mesmos; as loucas são aqueles que ouviram a mensagem e a rejeitou. O fechar da porta pelo noivo (Jesus) é o desprovimento de salvação para aqueles que rejeitaram a mensagem. Percebe-se o grande problema dessas mensagens que se intitulam de verdade presente. Até quando os adventistas erroneamente ensinaram sobre a porta fechada? Isso será visto em outra ocasião.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A bíblia nos recomenda o vegetarianismo?

   Os adventistas do sétimo dia são conhecidos há muito tempo como defensores de uma dieta vegetariana. A voz primária a promover o vegetarianismo na Igreja Adventista do Sétimo Dia foi Ellen G. White, que afirmou ter recebido uma visão sobre o assunto em 1863. As declarações sobre saúde ditas por E. G. W se encontram geralmente nos seus livros, conselhos sobre saúde, temperança e conselhos sobre o regime alimentar.

"Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, em 6 de junho de 1863, que o grande assunto da reforma da saúde foi aberto diante de mim em visão. ...O Senhor apresentou um plano geral diante de mim. Foi-me mostrado que Deus daria ao Seu povo que guarda os mandamentos uma dieta de reforma.

Nos anos seguintes à "visão", o casal White e outros líderes ASD introduziram várias reformas de saúde na igreja ASD. Em vez de serem "inovadores", eles apenas introduziram aos seus seguidores versões requintadas das mesmas reformas de saúde populares que estavam sendo ensinadas por não adventistas, como o Dr. James Jackson , John Wesley, Sylvester Graham e o “profeta” mórmon Joseph Smith .

Desde o final da década de 1860, os Adventistas do 7° dia vem defendendo uma dieta vegetariana. Como não existe apoio bíblico para uma dieta vegetariana, os adventistas recorrem à profetisa Ellen White em busca de inspiração. Em 1938, a igreja compilou os escritos de Ellen White sobre saúde, em um livro intitulado Conselho sobre o regime alimentar e as citações a seguir foram tiradas desse livro:

De modo geral, o Senhor não forneceu carne ao Seu povo no deserto, porque sabia que o uso dessa dieta criaria doenças e insubordinação.” (p. 375) "Vegetais, frutas e grãos devem compor nossa dieta. Nem uma grama de carne deve entrar em nossos estômagos. Comer carne não é natural. Devemos retornar ao propósito original de Deus na criação do homem." (p. 380)

Foi-me claramente apresentado que o povo de Deus deve tomar uma posição firme contra o consumo de carne.” (p. 383) "A dieta de carne é uma questão séria. Os seres humanos devem viver da carne de animais mortos? A resposta, da luz que Deus deu, é: Não, decididamente Não." (p. 388)

"Uma vida religiosa pode ser mais bem-sucedida se a carne for descartada, pois esta dieta estimula a atividade intensa de propensões lascivas e enfraquece a natureza moral e espiritual." (p. 389) "Mas dizemos que a carne não é o alimento certo para o povo de Deus. Ela animaliza os seres humanos." (p. 390)

E. G. W. Diz que o vegetarianismo está associado a saúde física, mental e espiritual. Neste assunto iremos tratar apenas da questão religiosa ou mais propriamente bíblica. Mc. 7. 18-19 “E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?”

Começaremos a ver contradições entre o que a bíblia ensina sobre o regime alimentar e aquilo que E. G. W diz ter recebido como visão. Gn. 18. 1, 7-8 “Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia. E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la. E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram.” 

Ellen White insistiu que os seus seguidores devem dispensar o alimento cárneo para ter a "companhia dos anjos celestiais", e ainda assim a bíblia nos mostra seres celestiais comendo "carne" com Abraão. Esta teria sido a oportunidade ideal para que os anjos tivessem repreendido Abraão por servir comida que despertaria suas "paixões animais", mas nada foi dito.

Ex. 29. 31-32 “E tomarás o carneiro das consagrações e cozerás a sua carne no lugar santo; E Arão e seus filhos comerão a carne deste carneiro, e o pão que está no cesto, à porta da tenda da congregação.” Nm. 18. 17-18 “Mas o primogênito de vaca, ou primogênito de ovelha, ou primogênito de cabra, não resgatarás, santos são; o seu sangue espargirás sobre o altar, e a sua gordura queimarás em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor. E a carne deles será tua; assim como o peito da oferta de movimento, e o ombro direito, teus serão.”

Por que Deus instruiu os sacerdotes a comerem alimentos que diminuiriam sua força moral? Certamente Deus poderia ter ordenado que comessem espinafre e uvas em vez de carne! Dt. 12. 15 “Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, matarás e comerás carne, dentro das tuas portas, segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá em todas as tuas portas; o imundo e o limpo dela comerá, como do corço e do veado.

Observe que os animais são chamados de "bênção do Senhor". Como a carne poderia ser descrita como uma "bênção" se ela destruía a natureza física, mental e espiritual do homem? 1ª Rs. 17. 5-6 “Foi, pois, e fez conforme a palavra do Senhor; porque foi, e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã; como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.

Não seria estranho Deus destruir a saúde física, mental e espiritual de Seu profeta alimentando-o com carne? Deus não poderia ter facilmente ordenado aos corvos que trouxessem vegetais para Elias? Na palavra de Deus não pode haver contradições, a bíblia diz que algo é assim, a profetiza deveria seguir pelo mesmo caminho não contradizer a verdade, 1ª Rs. 4. 22-23 “Era, pois, o provimento de Salomão cada dia, trinta coros de flor de farinha, e sessenta coros de farinha; Dez bois cevados, e vinte bois de pasto, e cem carneiros; afora os veados e as cabras montesas, e os corços, e aves cevadas.”

Ellen White afirmou também que João Batista era completamente vegetariano. No entanto, a Bíblia diz que ele comia "gafanhotos". Os gafanhotos uma espécie de inseto voador, muito bons para alimentação e considerados limpos, segundo a lei levítica, eles exigiam pouco tempero, eram leves e fáceis de digerir.










segunda-feira, 3 de novembro de 2025

É bíblico a ressurreição da carne no último dia?

Em outro assunto, https://evandro-blogdoevandro.blogspot.com/2025/09/ezequiel-37-apoia-ressurreicao-da-carne.html Vimos que Ezequiel 37 não ensina a ressurreição da carne na sua forma física ou mais propriamente literal. E qual é a posição da bíblia como um todo sobre esse assunto? Ela ensina sobre a ressurreição da carne no último dia, na volta de Jesus? É conhecido por todos os cristãos que o credo católico o qual diz: (creio na ressurreição da carne na vida eterna...) foi estabelecido nos concílios de Niceia e de Constantinopla nos respectivos anos 325 e 381 dC.

Para a igreja o corpo mortal, isto é a carne, deve ressuscitar e se unir a alma. Mas, voltemos a pergunta feita a cima. Qual é a informação bíblica sobre o assunto? Antes porém, devemos fixar o ensinamento bíblico sobre a ressurreição, Lc. 24. 5-6 “E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galileia”.

Ao começar por Jesus nos evangelhos, todas as cartas até o último livro que retrata o apocalipse, todos eles testificam sobre a ressurreição, porém quantos versos confirmam a ressurreição da carne? Um episódio que trata da ressurreição do corpo se encontra em Jo. 11. 43-44 “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o que fora defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.”

E o outro episódio foi a ausência do corpo do próprio Jesus, após sua ressurreição. Quais foram as semelhanças dos fatos ocorridos? Ambos tiveram poucos dias nos seus respectivos sepulcros. Não que Eu esteja limitando o poder de Deus, não é isso, Deus pode se quiser ressuscitar qualquer um, mesmo em um estagio de morte longínquo. Outro fato também foi que ambos tiveram como objetivo mostrar o poder de Deus.

Jo. 11. 4 “E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” Assim, Jesus mostrou para aqueles que o seguiam que Deus era com Ele. O mesmo ocorrido se deu na sua ressurreição. Ou seja, um testemunho do poder de Deus, de algo diferente daquilo que a humanidade conhece. Rm. 1. 4 “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.”

Esses episódios das duas ressurreições tem como objetivo nos revelar: o poder de Deus, nos mostrando que a vida não termina com a morte. Por outro lado, não ensina que haverá uma ressurreição do corpo carnal. Lazaro foi ressuscitado, mas morreu novamente, confirmando que o fato de ter sido trazido da morte, foi para demonstrar que Deus é capaz. Será que após a ressurreição o corpo de Jesus foi matéria?

Antes porém, será necessário vermos mais um verso, Jo. 5. 28 “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.” - Isso por si só não confirma a ressurreição da carne? Não necessariamente, o verso não dá nenhuma informação de que haverá uma restauração do corpo carnal antes da ressurreição, diz que os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

Lembrando também que toda a estrutura material para poder ouvir, não mais existe, tudo foi para o pó. Outra questão de suma importância está em aprendermos a enxergar quem somos na verdade. Quem sou Eu? Sou somente esse corpo que está se movendo? Ou esse corpo se move por algo que Eu não vejo? O que é a nossa consciência? Não é aquilo que a bíblia chama de homem interior? Zc. 12. 1 “Peso da palavra do Senhor sobre Israel: Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.” Jó. 32. 8 “Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso o faz entendido.”

A palavra espírito ( Ruach) no hebraico tem vários significados, como sopro, vento, fôlego, vida, refere-se também à força vital, e à mente. Isso claro, depende do contexto. O que a bíblia diz e devemos atentar é que nós vamos além da matéria, esse é o problema do mundo secularizado, quanto mais se distancia de Deus, mais se apega a matéria e tudo passa a girar em torno dela. O que seria o folego de vida, ou mais propriamente o espírito de vida?

Seria o oxigênio que rodeia a todos, inclusive os mortos? Não seria. Como também não é o vento, o sopro e o folego. Assim como também não é a mente, a mente só é o meio de materializar o nosso verdadeiro eu. E esse verdadeiro “eu” é o que nós somos de fato, é o que despertará na ocasião do retorno de Cristo.

…“Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.” Essas palavras de Jesus significa ressurreição, não quer dizer pura e simplesmente que os “corpos” que ali estão sairão. Ou seja, a ênfase está na ressurreição não no corpo em si, isso pode ser confirmado pelo fato de que nem todos os mortos estão ou estarão nos sepulcros, Ap. 20. 13 “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.” Reparem que não só da sepultura ressurgirá os mortos.

Voltemos então à pergunta feita a cima. Em que corpo Jesus ressurgiu? Lc. 24. 30-31 “E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.” Mesmo a aparência do Jesus ressuscitado parece que diferenciava do Jesus, antes da crucifixão, o não reconhecimento dos seus discípulos, nos indica isso. E também um corpo físico, não desaparece assim do nada.

Jo. 20. 26 “E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco.” Vejamos novamente algumas questões importantes nesses episódios: “Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram”. Na verdade foi um meio de retratar que a aparência de Jesus não era a mesma. Jesus desapareceu como num passe de mágica, demonstrando com isso que ele não estava em um corpo físico. É impossível também para um corpo físico atravessar portas e paredes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

A bíblia não ensina a trindade. 5

A doutrina da trindade suporta o ensino bíblico? Não, não suporta! Algumas questões podem até parecer dar suporte a trindade. Por exemplo: quando a bíblia diz que Deus enviou Jesus alegam os defensores da doutrina que esse envio foi do céu. Mas, seria assim mesmo? A bíblia é clara em dizer que por milênios Deus enviou inúmeras pessoas, 2ª Cr. 24. 19 “Porém enviou profetas entre eles, para os reconduzir ao Senhor, os quais protestaram contra eles; mas eles não deram ouvidos.”

Jr. 7. 25 “²Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito, até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias madrugando e enviando-os.” Será que João Batista estava no céu junto de Deus? Jo. 1. 6 “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.” Claro que não, do mesmo modo que João foi enviado também o foi Jesus, Lc. 10. 16 “Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” Jo. 7. 16 “Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.”

Aqui é claro o ensino de que o enviar não significa ter saído do céu, mas ir a determinado lugar. O fato de Deus "ter sido enviado" Jesus, na verdade argumenta contra a Trindade, porque se a Trindade fosse verdadeira, então o Pai não precisava "enviar" Jesus, ele teria vindo por conta própria. O Antigo Testamento se referia ao Messias como o servo de Deus, Is. 52. 13 “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime.”

Percebemos uma contradição entre o ensino da trindade e a bíblia. A doutrina trinitária ensina que Jesus é Deus, por outro lado a bíblia diz que Jesus é servo de Deus. Quando os discípulos oraram em Atos, eles chamaram o rei Davi de "servo" de Deus, At. 4. 25 “Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs?” Pouco depois de que eles chamaram a Jesus? At. 4. 30 Na Almeida Revista e Atualizada está assim:

Enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.” Os discípulos equipararam o Messias como um servo de Deus, assim como Davi era, em vez de se referir a Jesus como se ele fosse o próprio Deus. E isso não é um texto isolado, Mt. 12.18 “Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios.”

At. 3. 26 “Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades”. Percebemos então, que Jesus não é Deus, mas o servo de Deus, assim como a Bíblia diz. Além disso, muitos versículos indicam que o poder e a autoridade de Jesus lhe foram dados pelo Pai. Se Jesus fosse o Deus eterno, então não necessitaria de todas essas coisas terem sido dadas a Ele.

Mt. 28. 18 “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Jo. 10. 29 “Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.” Ef. 1. 20-22 “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja.” Reparem, Deus ressuscitou a Cristo, o nomeou acima de todas as potestades, e o constituiu cabeça da igreja, em suma, Deus operou tudas as coisas. Fl. 2. 9 “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.”

Sendo assim, esses versículos e outros semelhantes, não fariam sentido se Cristo fosse "co-igual" ao Pai. A bíblia mostra claramente que Jesus é um homem aprovado por Deus. Quando Jesus foi chamado de bom, qual foi a sua reação? Lc. 18. 19 “Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus.” Se é verdade que Jesus ensinava as pessoas que era Deus, por que não elogiou esse jovem homem por chamá-lo de "bom"?

O fato de Jesus ter repreendido o homem com brandura e dito que ninguém era bom, exceto "Deus" é evidência de que Jesus não estava ensinando às pessoas que ele era Deus. Jesus foi muito rápido em fazer a distinção entre si mesmo e Deus e, ao fazê-lo, afirmou o que esse judeu já teria acreditado: que existe um só Deus, e Jesus certamente não era esse Deus. Lc. 2. 52 “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.”

Se realmente Jesus fosse Deus e parte da Trindade, ele não poderia crescer em graça diante de si mesmo, do Pai e do Espírito Santo. O amor mútuo e a bênção entre os membros da Trindade teriam sido eternos e imutáveis. Jesus só poderia crescer em graça diante de Deus se ele próprio não fosse Deus. O mesmo é dito na atribuição de posições de autoridade no vindouro Reino de Cristo.

Mt. 20. 23 “Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.” Ora, Se Jesus fosse Deus e co-igual ao Pai, essas posições de autoridade seriam dele para serem dadas.

Apesar da popularidade do termo "Divindade de Cristo", a frase nunca aparece na Bíblia, nem Cristo jamais é chamado de "Divindade" na Bíblia. "Divindade" vem do latim e significa "Deus", e a expressão "a Divindade de Cristo", como é popularmente usada (mas não é bíblica) que dizer que Jesus é Deus. Cl. 2. 9 “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

Esse versículo não afirma que Jesus é Deus, mas Deus (a Divindade) colocou toda a Sua plenitude em Cristo, o que é bem diferente de dizer que o próprio Cristo é uma Divindade. E isso é confirmado em Cl. 1. 19 “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude.” Isso é verdade. Mas o fato de Cristo ter "toda a plenitude" de Deus não o torna Deus. Ef. 3. 19 “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. No entanto, isso não significa que os cristãos se tornarão Deus de alguma forma.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Ezequiel 37 apoia a ressurreição da carne?

 O cristianismo quase que na sua totalidade, acredita e ensina que o capítulo 37 de Ezequiel apoia a ideia da ressurreição da carne. Está mesmo o profeta ensinando isso mesmo? O capítulo em si, confirma esse pensamento? Ez. 37. 1-2 “Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos.”

Israel nessa época estava submetido ao cativeiro babilônico, e nesse período Ezequiel teve essa visão. Na verdade quando olhamos mais atentamente para o capítulo 37 percebemos que a visão obtida por Ezequiel, não ensina uma ressurreição da carne, muito menos de todas as gentes. Primeiro devemos atentar para o fato de que Israel nesse época estava podemos dizer “sem vida”.

De baixo de um cativeiro e distante de Deus, esse distanciamento na realidade causou a sua subjugação não só moral, mais também e principalmente espiritual. Longe da sua terra, sem o templo e os seus ritos, rejeitados naquele período por Deus, culminou com sua queda e morte, Portanto, o vale de ossos secos de Ezequiel representa Israel nos dias do seu cativeiro físico e espiritual.

Os versos quatro ao dez de Ezequiel 37 descrevem a “ressurreição” de uma forma simples e bastante clara, ou seja, os nervos e a carne cobrindo os ossos a força animadora que é o espírito dando vida. Ou seja, uma forma humana para descrever a ressurreição do povo, Ez. 37. 11 “Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados.”

O verso resume o que acabei de dizer, o profeta estava tratando de um assunto espiritual usando contudo, de palavras literais e contextuais. Vejamos mais dois versos, Ez. 37. 12 “Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.” A primeira impressão parece realmente que o verso está tratando de uma forma física (o subir da sepultura) induz esse pensamento, no entanto não é assim.

Ez. 37. 14 “E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o Senhor, disse isto, e o fiz, diz o Senhor.” Ora, se os ossos estavam secos, significa que estavam mortos em suas sepulturas, mas como pode o morto reclamar algo? Os mortos nesse contexto era a casa de Israel que estava em cativeiro, “a morte” foi todo o trâmite ocorrido e suportado pelos judeus.

Isso fica evidente vendo os versos 11 e 14. Eles argumentam de que os próprios ossos ressecaram, (os mortos não falam) e no verso 14 Deus prometeu o seu Espírito, não o espírito do homem, isso significa que eles seriam restaurados espiritualmente e voltariam à sua terra. Sendo assim, não há evidência de que Ezequiel 37 apoie a ressurreição da carne.

O desenrolar do capítulo 37 nos mostra a restauração espiritual de Israel, ainda que as palavras do profeta se desenrole de uma forma contextual. Ez. 37. 21- 22 “Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre os gentios, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra. E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles, e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.” O secar dos ossos na sepultura, significa o cativeiro entre os povos devido a transgressão por eles cometida, ao passo que ser tirado das nações e ser reintroduzido na sua terra, representa o despertar o ressuscitar da nação, isso ainda se dará.

Esse episódio ainda não aconteceu, apesar de em 1948 Israel ter sido nomeado como uma nação, não é apenas isso que o capítulo 37 de Ezequiel está tratando, na verdade está se falando nesse contexto de algo superior, isto é, espiritual. Essa profecia se cumprirá no reino vindouro onde “Davi” será rei. Na realidade o profeta cita Davi como rei, valendo-se apenas da linguagem contemporânea, sabemos no entanto, que o descendente de Davi reinará.

Os dois versos a seguir contribuem grandemente para o que estou dizendo: Ez. 37. 26-27 “E farei com eles uma aliança de paz; e será uma aliança perpétua. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. O NT. Nos dá essa informação, onde no final do reino messiânico, Deus estabelecerá o seu tabernáculo no nosso meio.

Ap. 21. 3 “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” O tabernáculo o qual o NT. Se refere é a própria cidade santa, Ap. 21. 2-3 “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como uma esposa adornada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.”

Em resumo, Ezequiel 37 não apoia literalmente a ideia da ressurreição da carne, usa sim de uma linguagem de fácil entendimento, relacionado com as questões humanas, vida, morte, cativeiro e etc. Contudo, o mesmo capítulo trata sim da instauração do reino de Deus, regido a princípio pelo Messias descendente de Davi. Fala também da necessidade da ressurreição espiritual a qual dará acesso ao reino de Deus.

Mas, todas as figuras utilizadas, como sendo nervos, peles, respiração tomando posse dos ossos secos, representam na verdade a ressurreição do incorruptível, tem até mesmo o fato de que a ressurreição do corpo carnal seria temporário, necessitar-se-ia de uma nova ressurreição e assim sucessivamente.

domingo, 3 de agosto de 2025

Os demônios são apenas os ídolos dos povos.

 Na sua primeira carta aos Coríntios, Paulo explica por que os cristãos não devem adorar os ídolos, ou mesmo acreditar em tais coisas. Nos tempos bíblicos, as pessoas acreditavam que os demônios eram deuses menores os quais regiam as coisas no mundo, por isso a criação de ídolos em todas as suas espécies eram fabricados para que pudessem ser adorados, tendo como principal objetivo aplacar a ira desse deuses. 

Portanto, eles fizeram vários modelos de demônios, que eram o mesmo que ídolos e os adoraram. Isso explica por que Paulo usa as palavras "demônios" e "ídolos" quase alternadamente em sua carta. 1ª Co. 10. 19-20 “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.”

Assim, ídolos e demônios são efetivamente o mesmo. Observe como Paulo diz que eles, os gentios,  sacrificam "para os ídolos e não para Deus." Segundo o ensino bíblico genuíno, apesar de existirem vários deuses segundo a mentalidade dos povos, para o crente na bíblia há um só Deus, o Pai. Paulo joga por terra a teoria de que os demônios são seres superpoderosos, ele desmistifica com a seguinte pergunta: o ídolo é alguma coisa? segue-se então, que os demônios não têm nenhum poder real, eles não são deuses. 

Gl. 4. 8-9 “Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” Paulo desafia os convertidos de Gálatas a não se escravizarem mentalmente com coisas inúteis; e entre elas os deuses ou os ídolos dos povos.

Outra prova de que no NT. ensina que os demônios eram ídolos ou 'deuses' é encontrado em Atos 17. 16 e 18 “ E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.”

Os versos nos mostram como os ídolos predominavam em Atenas. Depois de ouvir Paulo pregar o evangelho, as pessoas diziam: "Parece ser um proclamador de deuses estranhos, na verdade ele havia pregado sobre Jesus e a ressurreição "Assim, as pessoas pensavam que Jesus e a ressurreição eram demônios ou novos ídolos, percebemos a relação direta entre ídolos e deuses, ou mais propriamente demônios.                              

No A T.  há mais evidências de que os "demônios" são os mesmos ídolos, Dt. 32. 17 “Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais.” Sl. 106. 35-37 “Antes, se misturaram com as nações e aprenderam as suas obras.” E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios.” 

Dt. 28. 64 “E o Senhor vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra; e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; servirás à madeira e à pedra”. Servir a outros deuses é o mesmo que servir aos ídolos ou aos demônios, algo considerado pela bíblia como transgressão dos mandamentos de Deus. Contudo, o NT. relaciona os demônios com a doença e não com o pecado. A Bíblia fala de pessoas que têm um demônio (doença), ao invés de dizer que os demônios causavam doenças. É significativo que a versão grega do Antigo Testamento (a Septuaginta) usa a palavra daimon ao invés de "ídolo" e daimon traduzido como "diabo" no Novo Testamento. 

Sl. 96. 5 “Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor, porém, fez os céus”. A tradução dos 70 ou a Septuaginta, traduz os ídolos como demônios. E o mesmo ocorre com Isaías 65. 11 “Mas quanto a vocês que se afastam do Senhor, que se esquecem do meu santo monte, que preparam uma mesa para a deusa Fortuna e misturam vinho para o deus Destino.” Esses deuses são traduzidos como demônios.

Sl. 106. 39 “Assim se contaminaram com as suas obras e se prostituíram nos seus feitos”. Esse verso descreve os erros de Israel, com os ídolos de Canaã, e esses ídolos são chamados de demônios, muito claramente, os demônios são apenas outro nome para os ídolos. Deus descreve a adoração de ídolos por Israel como um culto de suas próprias obras.

A crença por parte de Israel em demônios foi o resultado da imaginação humana, ao criarem os ídolos eles criaram suas próprias obras. Portanto, aqueles que hoje acreditam em demônios estão acreditando em coisas que foram imaginadas por homens, uma criação dos homens, ao invés daquilo que Deus nos ensinou. A palavra que é usada para ídolos literalmente significa "nada", salientando que eles não têm existência no mundo real, apenas nas mentes de pessoas que acreditam neles.

Dt. 32. 16-17 “Com deuses estranhos eles provocaram ciúmes, com abominações o irritaram. Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus; sacrificaram a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, diante dos quais os seus pais não tremeram”.  1ª Sm. 12. 10 e 21 “Eles clamaram ao Senhor e disseram: “Pecamos, pois deixamos o Senhor e servimos os baalins e astarotes. Mas agora livra-nos das mãos de nossos inimigos, e te serviremos. Não se desviem, pois vocês estariam seguindo coisas vãs, que nada aproveitam e que não os podem livrar, porque são vaidade”. 

Percebemos então que a crença em demônios mostra uma tremenda falta de fé no Deus criador. Os comentários de Paulo em 1ª Coríntios 10:19-20 mostram isso, na verdade quando a bíblia fala de demônios ela se refere a um termo funcional e não a pessoas reais, afinal de contas, Paulo disse taxativamente que os ídolos são "nada. 

terça-feira, 1 de julho de 2025

A bíblia não ensina a trindade. 4

  A formula ortodoxa da trindade ensina que o Pai o Filho e o Espírito Santo são co-iguais. Sabemos pelo relato bíblico, que Jesus é a segunda pessoas mais importante, no entanto, não existe apoio dentro da mesma dizendo que eles são equiparados em tudo. Pelo contrário, vejamos o que o próprio Jesus disse Jo. 14. 28 “Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amásseis, certamente exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu”. Jesus complementa essa informação em Jo. 10. 29 “Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.

Surge então a simples pergunta: em quem devemos acreditar? Nos concílios eclesiásticos, ou em Jesus? A bíblia continua dizendo que Deus é maior do que todos e pertencemos a Ele, 1ª Co. 3. 23 “E vós de Cristo, e Cristo de Deus”. Quando a Bíblia diz "nós somos de Cristo", está dizendo "vocês pertencem a Cristo", e muitas versões mesmo em português dizem isso ( NAA, NVT, NTLH, VC, NVI.). Portanto, o versículo está dizendo: "e vocês pertencem a Cristo; e Cristo pertence a Deus". Parece evidente que Jesus não pode ser Deus e pertencer a Deus ao mesmo tempo.

1ª Co 11. 3 “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo”. A explicação trinitária deste versículo é que Deus era a cabeça de Cristo somente no contexto terreno, mas a Bíblia nunca diz isso. De fato, a Bíblia nos mostra o oposto: Deus ainda é a cabeça de Cristo e o dirige mesmo depois que ele ascendeu ao céu, e assim será por toda a eternidade.

E essa diferenciação continua sendo mostrada no NT. Ap 1. 1 “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo”. A revelação que João recebeu veio de Jesus, mas foi Deus que lhe deu.

Mesmo no AT. Aquelas profecias que apontavam para o Messias nos revelam a superioridade de Deus sobre o Cristo, Sl. 2. 2 “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido”. O SENHOR refere-se a Deus e o ungido ao Messias, Sl. 2. 6 “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião”. Reparem que o Messias não está sendo mostrado como um governante co-igual a Deus, mas um subgovernante de Deus.

E o NT. Continua confirmando a superioridade de Deus, At. 2. 36 “Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Para fazer de Jesus Senhor, Deus precisa ter autoridade superior a de Jesus. Além disso, se Cristo era Deus, então ele já era “Senhor”, nesse caso, Deus não precisaria “fazê-lo” Senhor e Cristo.

A cristandade ensina também sobre o fato de Jesus ser chamado de "Senhor", ele naturalmente deve ser Deus. Mas "Senhor" (a palavra grega kurios) é um título masculino de respeito e nobreza, e muitos outros além de Deus e Jesus, são chamados de "Senhor". Os donos de propriedades são chamados Senhor (kurios é “dono”. Os versos a seguir na NVI nos mostram isso. 

Mt. 20. 8 “Ao cair da tarde, o dono da vinha disse a seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando com os últimos contratados e terminando nos primeiros”. Os chefes de família eram chamados de Senhor (dono = kurios). Mc. 13. 35 “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer”. Os donos de escravos eram chamados de Senhor (mestre = kurios) Mt. 10. 24 “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor”.

Os maridos eram chamados de senhor, (mestre = kurios). 1ª Pe. 3. 6 “Como Sara, que obedecia a Abraão e lhe chamava senhor. Dela vocês serão filhas, se praticarem o bem e não derem lugar ao medo”. O imperador romano era chamado de Senhor (Sua Majestade = kurios) At. 25. 26 “No entanto, não tenho nada definido a respeito dele para escrever a Sua Majestade. Por isso, eu o trouxe diante dos senhores, e especialmente diante de ti, rei Agripa, de forma que, feita esta investigação, eu tenha algo para escrever.

Os cristãos tomam Jesus como seu “Senhor”, mas isso não é o mesmo que dizer que ele é “Deus”. 1ª Co. 15. 28 “Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. Se Jesus estiver sujeito ao Pai no futuro eterno, então, parece que o ensinamento de que os dois são “coiguais” está errado, e a teoria de que a função entre pai e filho foi só no contexto terrestre está errada.

Jo. 10. 36 “Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” Jesus foi consagrado (santificado) por Deus. O fato de Jesus ter sido consagrado, ou como é traduzido em outras versões, “santificado”, por Deus mostra que ele não é Deus, porque Deus não precisa ser santificado.

Fp. 2. 9 “⁹ Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. O verso diz que Jesus foi exaltado por Deus, ele e não buscou igualdade com Deus. Mas, se Jesus fosse Deus, ele não precisaria buscar igualdade com Deus, seria algo natural a acontecer.

Aquilo que Jesus fez e ensinou, não o fez por si mesmo, mas recebeu sua direção e sua doutrina do Pai. Em Jo. 5. 19 “Jesus lhes deu esta resposta: "Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz”. Com relação a receber autoridade de Deus é repetido pelo próprio Cristo várias vezes nesse evangelho.

Jo. 5. 30 “Por mim mesmo, nada posso fazer; eu julgo apenas conforme ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou". Jo. 7. 16 “Jesus respondeu: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou”. Jo. 8. 28 “Então Jesus disse: "Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou”.

Jo. 12. 49 “Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Se Jesus fosse Deus, coigual e co-eterno com o Pai, então ele não precisaria ser orientado por seu Pai. Fica demonstrado através dos textos bíblicos a falácia da doutrina da trindade.