Um outro assunto bastante controverso no meio cristão, é aquele que trata da lei de Deus. De um lado existe o partido que defende a abolição da lei como um todo, para esse grupo, o regime da lei deixou de existir com a primeira vinda de Cristo. Argumentam que estamos vivendo no período da graça e isso somente. Irei denominar esse partido como sendo o grupo (A). De outro lado, encontra-se o partido que defende a vigência da lei como um todo (isto é) como parte de um todo, segundo esse ensinamento a lei se resume nos dez mandamentos incluindo o sábado encontrado no quarto mandamento. Esse grupo é o partido (B).
Iremos analisar cada um dos partidos referidos acima, utilizando para isso a bíblia e também a lógica, lembrando sempre que Deus é um Deus lógico, o qual não atua com contradições. Antes porém, devo ressaltar que dentro do grupo B, existem as denominações que defendem e ensinam uma mudança no dia do Senhor, para eles o mandamento do sábado passou a ser o mandamento do domingo, algo contraditório e sem apoio bíblico.
Ambos os partidos se valem da bíblia para embasarem os seus ensinamentos, por exemplo: vejamos exemplos utilizados pelo lado A. Lc. 16. 16 “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.” Rm. 3. 21 “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas.” Rm. 10. 4 “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Olhando esse textos isoladamente dá-nos impressão realmente da abolição total da lei, no entanto não podemos tirar conclusões precipitadas.
Iremos utilizar não só a bíblia, mas também a lógica. A lei de Deus foi prescrita pelo próprio, sendo a norma em que todos os indivíduos tem a obrigação de se submeter, sob pena de sanções. O partido A irá questionar dizendo que a lei de Deus foi dada exclusivamente para Israel, em primeira instância isso é uma realidade, contudo as obrigações contidas na lei não foram exigidas somente de Israel, vejamos: Rm. 2. 14-16 “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.”
É nítido nesses versos, a base para o juízo de Deus é a lei. Que lei seria essa? Rm. 2. 21-23 “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? O capitulo dois de romanos descreve não só sobre os judeus, mas também dos povos.
O fato é que não mais vivemos sobre a dependência da lei para o nosso aperfeiçoamento espiritual, neste sentido o partido A tem razão. Porém, a proposta do NT. É que a lei de Deus fosse fixada nos nossos corações, Rm. 2. 13 “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.” O praticar segundo Paulo, não é ser legalista, mas sim ter a lei de forma espiritual no coração. E como se dá isso? Se eu resisto as práticas contrárias as ordens de Deus, significa que a lei está escrita no meu coração, isto é mente.
Outro texto que confirma isso Hb. 8. 10 “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo.” O contra argumento utilizado pelo partido A é que o contexto do relato refere-se a Israel, o próprio verso assim o diz.
Se aceitarmos essa hipótese seremos obrigados a aceitar também, que somente os judeus “crentes” terão as suas iniquidades esquecidas por Deus, o verso 12 diz assim: “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas iniquidades não me lembrarei mais.” Ou Deus irá se lembrar dos pecados dos convertidos fora do circulo de Israel, isto é, os gentios? Não é isso que o NT. Propõe. Vimos em romanos capítulo dois referente aos gentios convertidos, que eles tem a lei em seus corações.
Outra vez Paulo faz alusão a essa lei espiritual na nova aliança, Rm. 3. 31 “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” Naturalmente não há contradição nas palavras de Paulo quando ele diz que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas sim pela fé. Precisamos aprender a separar as obras da lei, exigida no AT que foi escrita em tábuas de pedra. De lei espiritual do NT, escrita nos nossos corações pelo próprio Deus.
O partido B aqueles mesmos que defendem a vigência da lei como um todo, dirão que estão com a razão e que sendo assim, a guarda do sábado também é obrigatória, visto ser ele parte integrante da lei. No entanto, o mesmo argumento utilizado para o partido A deve ser utilizado para o partido B. A lei é espiritual isto é, isenta de obras, a guarda real do sábado instituída no AT. estava acompanhada de obras. Ou seja, não falar assuntos fora do circulo religioso, não sair de casa, não colher nem mesmo para se saciar e muito menos acender fogo, portanto, a guarda do sábado era realizada por meio de obras.
Hb. 10. 16-17 “Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.” Quando compreendemos esse verso, fica fácil entendermos porque muitas questões envolvidas na lei não estão mais vigentes, inclusive o sábado. Reparem o verso: “ Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos”.
Se os convertidos, os tementes a Deus tem a sua lei escrita na mente e isso referente não só aos judeus mas, aos povos em geral, surge então uma pergunta: porque os povos precisam ser doutrinados com relação a guarda do sábado? Não deveria o mandamento está escrito também junto com os demais? Isto é, não matar, não roubar, temer a Deus... qualquer pessoa sabe que roubar é errado e pecado, mas dificilmente alguém compreende que trabalhar no sábado também o é.
Isso se dá pelo fato de que a lei do sábado e muitas outras não foram estipuladas para nós observarmos, não foram espiritualmente escritas na nossa mente, por isso não causa desconforto mental e espiritual, e porque não foi escrita? Pelo fato de não ser exigido como mandamento para os povos sobre a terra, exceto os judeus.