terça-feira, 1 de abril de 2025

Outro assunto controverso.

   Um outro assunto bastante controverso no meio cristão, é aquele que trata da lei de Deus. De um lado existe o partido que defende a abolição da lei como um todo, para esse grupo, o regime da lei deixou de existir com a primeira vinda de Cristo. Argumentam que estamos vivendo no período da graça e isso somente. Irei denominar esse partido como sendo o grupo (A). De outro lado, encontra-se o partido que defende a vigência da lei como um todo (isto é) como parte de um todo, segundo esse ensinamento a lei se resume nos dez mandamentos incluindo o sábado encontrado no quarto mandamento. Esse grupo é o partido (B).

Iremos analisar cada um dos partidos referidos acima, utilizando para isso a bíblia e também a lógica, lembrando sempre que Deus é um Deus lógico, o qual não atua com contradições. Antes porém, devo ressaltar que dentro do grupo B, existem as denominações que defendem e ensinam uma mudança no dia do Senhor, para eles o mandamento do sábado passou a ser o mandamento do domingo, algo contraditório e sem apoio bíblico.

Ambos os partidos se valem da bíblia para embasarem os seus ensinamentos, por exemplo: vejamos exemplos utilizados pelo lado A. Lc. 16. 16 “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.” Rm. 3. 21 “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas.” Rm. 10. 4 “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Olhando esse textos isoladamente dá-nos impressão realmente da abolição total da lei, no entanto não podemos tirar conclusões precipitadas.

Iremos utilizar não só a bíblia, mas também a lógica. A lei de Deus foi prescrita pelo próprio, sendo a norma em que todos os indivíduos tem a obrigação de se submeter, sob pena de sanções. O partido A irá questionar dizendo que a lei de Deus foi dada exclusivamente para Israel, em primeira instância isso é uma realidade, contudo as obrigações contidas na lei não foram exigidas somente de Israel, vejamos: Rm. 2. 14-16 “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.”

É nítido nesses versos, a base para o juízo de Deus é a lei. Que lei seria essa? Rm. 2. 21-23 “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? O capitulo dois de romanos descreve não só sobre os judeus, mas também dos povos.

O fato é que não mais vivemos sobre a dependência da lei para o nosso aperfeiçoamento espiritual, neste sentido o partido A tem razão. Porém, a proposta do NT. É que a lei de Deus fosse fixada nos nossos corações, Rm. 2. 13 “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.” O praticar segundo Paulo, não é ser legalista, mas sim ter a lei de forma espiritual no coração. E como se dá isso? Se eu resisto as práticas contrárias as ordens de Deus, significa que a lei está escrita no meu coração, isto é mente.

Outro texto que confirma isso Hb. 8. 10 “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo.” O contra argumento utilizado pelo partido A é que o contexto do relato refere-se a Israel, o próprio verso assim o diz.

Se aceitarmos essa hipótese seremos obrigados a aceitar também, que somente os judeus “crentes” terão as suas iniquidades esquecidas por Deus, o verso 12 diz assim: “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas iniquidades não me lembrarei mais.” Ou Deus irá se lembrar dos pecados dos convertidos fora do circulo de Israel, isto é, os gentios? Não é isso que o NT. Propõe. Vimos em romanos capítulo dois referente aos gentios convertidos, que eles tem a lei em seus corações.

Outra vez Paulo faz alusão a essa lei espiritual na nova aliança, Rm. 3. 31 “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” Naturalmente não há contradição nas palavras de Paulo quando ele diz que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas sim pela fé. Precisamos aprender a separar as obras da lei, exigida no AT que foi escrita em tábuas de pedra. De lei espiritual do NT, escrita nos nossos corações pelo próprio Deus.

O partido B aqueles mesmos que defendem a vigência da lei como um todo, dirão que estão com a razão e que sendo assim, a guarda do sábado também é obrigatória, visto ser ele parte integrante da lei. No entanto, o mesmo argumento utilizado para o partido A deve ser utilizado para o partido B. A lei é espiritual isto é, isenta de obras, a guarda real do sábado instituída no AT. estava acompanhada de obras. Ou seja, não falar assuntos fora do circulo religioso, não sair de casa, não colher nem mesmo para se saciar e muito menos acender fogo, portanto, a guarda do sábado era realizada por meio de obras.

Hb. 10. 16-17 “Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.” Quando compreendemos esse verso, fica fácil entendermos porque muitas questões envolvidas na lei não estão mais vigentes, inclusive o sábado. Reparem o verso: “ Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos”.

Se os convertidos, os tementes a Deus tem a sua lei escrita na mente e isso referente não só aos judeus mas, aos povos em geral, surge então uma pergunta: porque os povos precisam ser doutrinados com relação a guarda do sábado? Não deveria o mandamento está escrito também junto com os demais? Isto é, não matar, não roubar, temer a Deus... qualquer pessoa sabe que roubar é errado e pecado, mas dificilmente alguém compreende que trabalhar no sábado também o é.

Isso se dá pelo fato de que a lei do sábado e muitas outras não foram estipuladas para nós observarmos, não foram espiritualmente escritas na nossa mente, por isso não causa desconforto mental e espiritual, e porque não foi escrita? Pelo fato de não ser exigido como mandamento para os povos sobre a terra, exceto os judeus.

domingo, 2 de março de 2025

Fé, milagre e propósito de Deus.

 Uma das razões pelas quais existem muitos incrédulos e ateus, se dá pelo fato de não compreenderem o plano e propósito de Deus para as suas criaturas. O fato da bíblia dizer que Deus é bom e onipotente, atrai as pessoas a depositarem as suas esperanças e expectativas que possam vir sanar as suas necessidades e aflições. Contudo, quando essas mesmas expectativas e necessidades são frustradas, surge a revolta e o amargor de espírito. Tentar compreender quem é Deus e como Ele age, nos livrará de abalos e comprometimentos na fé.

Porém, não significa que ficaremos para sempre inabaláveis. A nossa fragilidade, quer seja: mental, emocional e mesmo espiritual, contribui para as indagações concernentes ao propósito de Deus, ao “buscarmos” conhecê-lo, ficaremos mais estabilizados em nossas emoções. Uma premissa básica a qual devemos entender se encontra em Nm. 23. 19 “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?

O resumo do verso para esse assunto é: (Deus não é homem para que minta... Falaria e não o confirmaria?) Isso significa que Deus está além, está sobre a jurisdição humana. A incredulidade e mesmo o abalo espiritual acontece, devido ao pensamento e mesmo o ensinamento errôneo acerca de Deus. Os povos aderiram a cultura pagã no que diz respeito a adoração, fazem promessas, oferendas, buscando com isso angariar algum benefício oriundo de Deus, os pagãos faziam isso, sacrificavam, ofereciam se mutilavam, tentavam com essas práticas, agradar ou mesmo aplacar a ira dos seus deuses.

O nosso discernimento deve ser outro. Portanto, as nossas expectativas relacionadas a vontade de Deus deve ser outra, ou seja, racional e de acordo com o que ensina a escritura. Em resumo, não é a nossa “crença” que determina o milagre, e o não entendimento dessa realidade bíblica contribui para as queixas e apostasias. Assim, o que determina o milagre em nosso mundo, é a vontade de Deus. Dn. 3. 17-18 “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste.

Esses versos são interessantes, esclarece muito o milagre baseado na vontade de Deus. O perigo de morte era iminente, e a resposta para o rei foi: “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; cheios de fé depositaram a esperança, ...“ele nos livrará da fornalha de fogo ardente”. No entanto, existia um impasse “...se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses.” Os três hebreus possuíam fé na providência, contudo o que definiria o livramento ou não, seria a vontade de Deus.

O argumento geralmente utilizado para a rejeição de Deus é que existem contradições em seus ensinamentos, por exemplo: alegam em seus argumentos que se Deus é bom e poderoso, logo ele pode realizar um milagre, e se ele não realiza, existem contradições nesses ensinamentos. Na verdade não existem contradições, mas sim uma visão distorcida da vontade e agir de Deus. Lembrando sempre que nós fomos ensinados a “visualizar” um Deus mordomo, ou um Deus gênio da lâmpada. Jesus expressou a maneira correta de se acreditar em Deus, Mc. 14. 36 “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”

Na sua aflição Jesus fez um apelo, sabendo que Deus era poderoso para livrá-lo. Porém, não dependia apenas de sua oração, mas sim do plano e vontade de Deus. Deus só age com propósitos. Mesmo os milagres realizados por Deus, não fogem a ordem da lógica, vejamos: Ex. 14. 21-22 “Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.”

Nesse episódio, qual era o plano de Deus? Libertar os israelitas. Qual foi o seu propósito? Ex. 14. 17. 18 “E eis que endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles; e eu serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros, E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavaleiros.”

Portanto, os planos e propósitos de Deus seguem uma ordem e uma lógica. Vejamos um outro exemplo: imaginem alguém com uma idade bastante avançada fique acometido de uma doente mortal. Naturalmente os seus entes irão orar, buscar e confiar que Deus pode restabelecê-lo, mas para isso um milagre deverá ser operado, visto que a lógica indica dois fatores a serem superados, a idade bastante avançada e a doença mortal. Neste caso, como nos milagres relatados acima, deve existir para essa pessoa um plano especial e um propósito específico, para que Deus possa contrariar a lógica natural.

Compreendendo isso entendemos que Deus não contraria a ordem natural, a menos que exista algo implicado em tal contexto. Isso nós dá uma segurança de que Deus não é impotente em meio aos acontecimentos, principalmente naqueles que não saem do jeito que queremos. Isso muitas das vezes ocorre pelo fato de termos uma visão quase que totalmente baseado nesse mundo, por outro lado, Deus opera ou não o milagre, baseado não só na perspectiva material, mas sim espiritual.

No episódio em que Jesus clamou para que o seu sofrimento passasse, e isso materialmente não aconteceu, qualquer outro ficaria decepcionado é teria sua fé mais do que abalada, contudo, sabemos que Deus tinha outro propósito para a vida e morte de Cristo, primeiro o seu aperfeiçoamento, e depois ser o meio da salvação espiritual dos escolhidos Hb. 5. 7-9 “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem.”

O verso sete diz que Jesus foi ouvido, mas como? Possivelmente ele não foi ouvido naquilo o qual ele estava clamando, mas o propósito de Deus para Jesus era melhor e mais abrangente, referia-se a esfera espiritual. Portanto, nunca devemos desanimar, oremos para que aquilo que temos proposto em nossos corações, possam ser algo lógico, para que acima de tudo segundo a vontade de Deus, Ele possa operar.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A igreja verdadeira, deve ensinar toda a verdade...

As instituições religiosas, sobretudo as cristãs, transmitem a ideia de pertencerem a igreja de Cristo sobre a terra, e algumas vão além, ensinam em seus púlpitos, que são a igreja verdadeira sobre a terra. O que dizer de tal afirmativa? Acredito que o método simples e objetivo para tal afirmação, é analisar os ensinamentos doutrinários dessas instituições. Por exemplo: qual é a postura dessas igrejas que se intitulam verdadeiras, referente a vontade suprema de Deus?

Penso Eu, que a maioria dessas instituições religiosas, acreditam que Deus controla os grandes cursos da história, no entanto, falham em reconhecer que para isso é necessário o controle de todas as coisas, inclusive das ações individuais humanas. E aí está o problema, quando se nega o controle absoluto de Deus sobre todas as coisas, logo nega-se a verdade encontrada na bíblia, e isso contradiz a ideia de igreja verdadeira.

Vejamos o que a bíblia ensina sobre isso: Dt. 2. 30 “Mas Siom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto o Senhor teu Deus endurecera o seu espírito, e fizera obstinado o seu coração para to dar na tua mão, como hoje se vê.” Geralmente a resposta dada para esse verso é que Deus não causou essa decisão, mas permitiu que isso acontecesse.

Essa ideia pressupõe que exista uma força aleatória à parte de Deus, faz entender que Deus pode ou não, controlar essa força, essa força aleatória que “age” à parte de Deus é comumente conhecida inclusive no meio cristão como obra do acaso. De outra forma, quando rejeitamos o controle absoluto de Deus, instituímos automaticamente o acaso como sendo uma força não só desvinculada de Deus, mas um igual, ao próprio Deus.

Dn. 11. 36 “E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito.” A ideologia cristã contrária a autoridade total de Deus irá dizer que o verso de Daniel não diz que foi Deus quem determinou essa ação, mas, se não foi Ele, quem foi? Farão o mesmo com Is. 46. 10 “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”

Argumentarão que o verso ensina que Deus faz a sua vontade, mas não está dizendo que Ele faz tudo, o mesmo se dá em Jó 23. 13-14 “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.” Questionarão dizendo que o verso faz alusão a um indivíduo, ou seja, “o que está ordenado a meu respeito”. Mas, se o verso for colocado no contexto de todos os indivíduos, apoiará claramente que Deus controla todos os eventos.

A dificuldade para alguns cristão consiste no fato de pensarem que Deus pode causar o mal, isso é tremendamente terrível para eles. Alguns cristão acreditam que mesmo os bons eventos não é Deus quem causa, um exemplo do que digo é a questão da livre escolha do evangelho, acreditam esses cristãos que nem mesmo Deus pode “atropelar o livre arbítrio”, sendo assim a escolha da salvação depende única e exclusivamente da vontade do homem.

Porém, o que mas perturba os cristãos é a ideia de Deus causar eventos maus. Vimos em deuteronômio a bíblia dizendo que Deus endureceu o coração de Siom, rei de Hesbom. Outros versos nos mostra Deus endurecendo o coração de faraó. Muitos cristãos os quais acreditam pertencerem a igreja verdadeira, admitem que a bíblia diz exatamente isso, vejamos: Ex. 7. 3 “Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó, e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.” Contudo, os cristãos mudam rapidamente de opinião após verem o verso a seguir, Ex. 7. 13. “Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha falado.”

Eles argumentam que a bíblia também diz que faraó foi quem endureceu o próprio coração, no entanto, essa não é uma boa resposta, pelo fato de Deus inúmeras vezes agir por meio da instrumentalidade humana; a pergunta a se fazer é se Deus é ou não a causa desses instrumentos. O livro de êxodo o endurecimento do coração de faraó é mencionado dezoito vezes. Naturalmente faraó endureceu o seu próprio coração. Mas, Deus frequentemente usa a instrumentalidade humana em certas situações, no entanto, a causa última, original e primária é Deus.

Após esse paralelo com faraó, podemos retornar ao rei de Hesbom, o interessante no caso de Siom é que não existe uma declaração dizendo que ele próprio endureceu o seu coração, portanto, a conclusão é que o endurecimento do coração humano depende da atividade divina. As denominações “verdadeiras” tentam ser advogados de Deus, dizendo que o Deus de amor possa utilizar de meios para endurecer o coração de alguém. Agindo assim, eles advogam contrariando a verdade encontrada na bíblia, tentam defender a Deus, mas acabam negando a sua onipotência e soberania.

1ª Rs. 22. 20-23 “E disse o Senhor: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe disse: Com quê? E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora, pois, eis que o Senhor pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o Senhor falou o mal contra ti.”

Essa passagem afirma que Deus queria que Acabe atacasse Ramote Gileade e lá fosse assassinado. 1ª Rs. 22. 34 “Então um homem armou o arco, e atirou a esmo, e feriu o rei de Israel por entre as fivelas e as couraças; então ele disse ao seu carreteiro: Dá volta, e tira-me do exército, porque estou gravemente ferido.” Acabe não pode resistir o que Deus havia decretado, foi fácil para Deus controlar a decisão de Acabe assim como a flecha sem rumo.

Em resumo, a igreja verdadeira deve naturalmente pregar a verdade, sem contradições e embaraços. A bíblia diz que Deus causa todas as coisas, muitas denominações cristãs dizem que não, defendem o livre arbítrio como sendo uma imposição do próprio Deus, assim sendo, alegam defenderem a verdade, mas não professam a verdade como ensinado na bíblia.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Babel, ontem e hoje.

Gn. 11. 7-9 “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.”

Vemos por esses versos que o resultado desse acontecimento foi falta de entendimento entre aqueles que estavam presentes, por isso foi chamado de Babel que tem o mesmo significado de confusão. Gn. 10. 6, 8 “E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra.” Por esses versos vemos que Ninrode era descendente de Cão filho de Noé.

E qual o problema disso? Segundo o relato bíblico, o mundo sempre foi e será dividido em duas linhagens; falando de uma forma figurada, uma linhagem seria a linhagem da mulher e a outra seria da serpente, completamente semelhantes na condição humana, isso incluindo a natureza caída, ou pecadora inclinada para o mal. Porém, uma linhagem é propensa para o chamado de Deus e a outra não.

É dito também que Ninrod começou a ser poderoso na terra, Gn. 10. 9-10 “E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. E o princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.” Babel ou Babilônia foi onde começaram a erigir a torre, o objetivo dele era instituir um reino único, contrariando a ordem de Deus de se povoar toda a terra.

Mediante isso sempre existiu as guerras relacionadas aos descendentes de Sem e de Cão ou Cam, Sl. 75. 51 “E feriu a todo primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cão.” Recorrendo aos dois testamentos, percebemos o fato de que não é bom estarmos ligados, filiados ou dependentes de Babilônia, naqueles dias na torre, houve uma reprovação aqueles que aderiram ao reinado de Ninrod. Atualmente existe uma reprovação espiritual para aqueles que da mesma forma estão: ligados, filiados ou dependentes de Babilônia.

É importante também atentarmos para o fato de que nos dias de Babel com Ninrod, houve uma mobilização para convergir todos os povos a serem um, assim também será nos dias atuais e também no futuro, Babilônia tentará agregar tantos quantos possíveis para o seu lado, o objetivo será o mesmo dos dias passados, criar um governo rebelde na terra. Ap. 17. 3 “E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres.”

Do ponto de vista espiritual essa interpretação é muito interessante, percebemos uma mulher prostituta unida com uma besta. Sabemos que a besta é o corpo do governo mundial, assim diz o capítulo 18 de apocalipse. Já a prostituta “cuida da parte espiritual” dos habitantes da terra, tanto é assim que o verso 4 de apocalipse 17 a descreve com um cálice na mão, simbolizando o ato de “intoxicar” as nações com sua doutrina. Ap. 17. 4 “E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação.”

De uma forma física de se descrever é impossível não estar em “Babilônia”. Sim, todos os viventes do mundo dependem de Babilônia, uns usufruem mais, outros menos, alguns vivem na opulência, outros na miséria, contudo, todos estão participando de Babilônia. Conforme registrado em Apocalipse 18, existem aqueles que amam Babilônia, porém há outros que exultarão com sua queda. O livro de Apocalipse retrata Babilônia de uma forma figurada, em outras palavras, o profeta está dizendo que o mundo do NT. é uma tremenda confusão, e esse estado confuso, deu lugar as ideologias a qual trouxe consigo a rebeldia e por fim a negação ao Deus criador. É a mesma disposição de espírito dos dias de Ninrod.

E isso é confirmado pela bíblia? Sim. Ap. 18. 4-5 “Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra fornicaram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.”

Vimos também em apocalipse 17. 3 a prostituta a qual representa a parte espiritual do reino dos homens. Ela está unida fortemente com a besta, essa por sua vez, representa o conjunto sociopolítico-econômico, essa comunhão entre a besta e a prostituta, representa a unidade de governo que será estabelecido. Surge então uma questão: qual é a religião de Babilônia? A religião oficial de Babilônia é aquela que é contrário aos ensinamentos bíblicos.

Porque defendo essa ideia? Pelo fato de crer na bíblia? Sim. Mas, não só por isso. Todas as outras religiões mundo afora não tem como contrastar com uma Babilônia espiritual, isso só acontece com a religião derivada da bíblia, devido ao fato de ser algo instruído por ela. Isso significa que todos os seguimentos oriundos do cristianismo estão isentos de Babilônia?

Absolutamente. Eu disse anteriormente que a religião oficial de Babilônia é aquela que é contrário aos ensinamentos bíblicos. Eu não disse aos ensinamentos denominacionais, pelo contrário, todas, e isso quase sem exceção, estão servindo Babilônia, todas elas se contaminaram com um sincretismo religioso camuflado de verdade bíblica. Por exemplo: Já vi e ouvi pregadores religiosos cristãos acusando pessoas que não acreditam na trindade de pertencerem à seitas religiosas.

Segundo esses homens, a trindade e outros dogmas e doutrinas religiosas cristãs, pertencentes ao período pós bíblico. Ou seja, que não foram embasadas pelos escritores bíblicos, mas foram formuladas no 4º século da era cristã são inspiradas. Na verdade, elas são um produto de um sincretismo religioso, carentes de lógica e de base bíblica. 2ª Tm. 3. 16 “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.”

Toda a escritura refere-se sobretudo ao AT. Não nos é dito que os ensinos dos líderes religiosos que sucederam os apóstolos são inspirados, não diz que seria necessário estipular uma doutrina sobre quem é o Deus criador, algo que já há muito era definido. A Inspiração não diz que Jesus é o Deus filho. Portanto, devemos cuidar para não sermos intoxicados com o vinho de Babilônia.







domingo, 1 de dezembro de 2024

1844 e o santuário, algumas considerações.

Acredito que as mobílias e todos os elementos os quais compunham o santuário celestial descrito principalmente nos livros de hebreus e apocalipse, são alegóricos. ou seja, são representativos, esboçam uma imagem finita para a compreensão humana. Os adventistas do sétimo dia ensinam o seguinte sobre o Santuário: O santuário terrestre do Antigo Testamento é uma réplica do santuário celestial. As atividades que foram realizadas no santuário terrestre pelos sacerdotes israelitas, estão agora sendo realizadas por Cristo no santuário celestial desde Sua ascensão ao céu. Antes de 22 de outubro de 1844, o trono de Deus está no Lugar Santo. Não há evidência bíblica disso. Ellen White viu isso em uma visão.1

Quando Cristo ascendeu ao céu, Ele entrou no primeiro compartimento do santuário celestial, o Lugar Santo, e permaneceu ali realizando um trabalho semelhante ao dos sacerdotes terrestres no Lugar Santo do templo terrestre. Cristo permaneceu no Lugar Santo até 22 de outubro de 1844, quando Ele (e o Pai) se mudaram do Lugar Santo para o segundo compartimento do santuário celestial, o Lugar Santíssimo, para começar a purificar o santuário celestial (Dn 8:14) realizando o Julgamento Investigativo do antitípico Dia da Expiação.

Assim como os pecados dos israelitas eram colocados sobre o cordeiro sacrificial, levados para o templo pelo sangue do cordeiro e aspergidos no véu pelo sacerdote, assim os pecados confessados dos cristãos são transferidos para o santuário celestial pelo sangue de Jesus. Como os pecados se acumularam no santuário celestial, ele se tornou "contaminado" e necessita de limpeza.

O santuário terrestre era purificado no Dia da Expiação quando o sumo sacerdote levava sangue para o Lugar Santíssimo e o aspergia no propiciatório. Da mesma forma, os ASDs dizem que o mesmo processo ocorre no santuário celestial que se tornou contaminado pela confissão dos pecados dos crentes. Eles ensinam que o sangue de Jesus levou esses pecados para o santuário celestial:

Assim como antigamente os pecados do povo eram colocados pela fé sobre a oferta pelo pecado e, por meio de seu sangue, transferidos, em figura, para o santuário terrestre, assim também na nova aliança os pecados dos arrependidos são colocados pela fé sobre Cristo e transferidos, de fato, para o santuário celestial.2” Em resumo, em 1844, Cristo se mudou para o Lugar Santíssimo e começou o processo do Dia da Expiação no céu para purificar o santuário. Este processo continuará até pouco antes de Seu retorno à Terra.

Aqui estão alguns problemas com os ensinamentos da IASD sobre o santuário. Cristo entrou no Lugar Santíssimo em Sua ascensão, não em 1844 - Ao comparar a evidência bíblica encontrada na descrição do Antigo Testamento do Dia da Expiação (Lv 16) com a descrição do Novo Testamento do Dia da Expiação (Hb 9), a localização de Jesus no templo celestial pode ser determinada exatamente: Hb 9. 24 “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus.”

Quando Hebreus foi escrito, Jesus estava aparecendo na presença de Deus. Quando Apocalipse foi escrito, Ele estava sentado com Seu Pai no trono de Deus, Ap 3. 21 “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” Portanto, Jesus estava no Lugar Santíssimo durante o primeiro século. No antigo templo, o propiciatório sobre a Arca da Aliança simbolizava o trono de Deus, vigiado por dois querubins. A Arca estava no Lugar Santíssimo do templo. Lv 16. 2 “Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu aparecerei na nuvem sobre o propiciatório. O lugar da presença do Senhor no tabernáculo do Antigo Testamento era sobre o propiciatório no Lugar Santíssimo.

Para que Cristo entrasse na "presença de Deus", Ele deve ter entrado no Lugar Santíssimo para aparecer diante do propiciatório. Isso é ainda mais validado pelo fato de que os autores do Novo Testamento repetidamente se referem a Jesus como sentado ou de pé à direita de Deus. Ele nunca é retratado em uma sala separada de Deus, Mc. 16.19 “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.

Rm. 8. 34 “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” Hb. 8. 1 “Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Vemos então, que o ensino dos adventistas sobre a ida de Jesus à presença de Deus somente após 1844 não tem suporte bíblico. Jesus abriu a porta do Lugar Santíssimo em Sua ascensão.

Assim sendo, Jesus, por Sua morte sacrificial, abriu o caminho para que entrássemos no Lugar Santíssimo para que pudéssemos levar nossas petições diretamente ao "trono da graça". O "trono da graça" não poderia ser nada além do Propiciatório no Lugar Santíssimo, onde a "presença de Deus" habita. O caminho para o Lugar Santíssimo foi aberto desde a ascensão de Cristo. Antes de 1844, como humanos pecadores poderiam ter acesso ao Santíssimo se o próprio Cristo não estivesse ministrando lá? E como os cristãos do primeiro século, a quem o livro de Hebreus foi endereçado, poderiam se aproximar do trono da graça no Santíssimo se a porta para o Santíssimo não foi aberta antes 1844?

Jesus é o véu, todos os itens no tabernáculo do Antigo Testamento apontavam para o ministério de Cristo no santuário celestial. O "véu" no santuário terrestre que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo era um símbolo usado para representar a obra de Jesus. Hb. 10. 19-20 “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.”

A Bíblia não ensina que há um pedaço de pano pendurado no céu entre os apartamentos do Santuário, mas sim que Jesus Cristo é o próprio "véu!" Mc. 15. 37-38 “Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O rasgar do véu indicou que Cristo havia aberto o caminho para o Lugar Santíssimo.

O próprio Cristo “é o véu que foi rasgado". Assim como o sacerdócio levítico ministrava no tabernáculo terrestre, o "sacerdócio real da nova aliança” tem acesso ao tabernáculo celestial. Ao contrário do sacerdócio levítico, no entanto, esse sacerdócio tem acesso direto ao "trono da graça" através do "novo e vivo caminho" que Cristo abriu para nós através do véu, que é Seu corpo. Portanto, desde o primeiro século o acesso ao Lugar Santíssimo é permitido através de Cristo.

1. Ellen White,Primeiros Escritos, 55. 2. Ellen G. White, O Grande Conflito, 421.

domingo, 3 de novembro de 2024

A bíblia não ensina a trindade 3.

Em outros assuntos vimos que Jesus não é Deus no sentido estrito, a bíblia assim o diz. Adão, o primeiro homem, era totalmente humano e por seu ato de desobediência trouxe o pecado ao mundo. Jesus é chamado de “último Adão” 1ª Co. 15. 45 “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.” Essa designação não seria apropriada se Jesus não fosse totalmente humano da mesma forma que Adão. Além disso, Adão é chamado de “tipo” de Jesus Cristo.

Rm. 5. 14 “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” Em outras versões a palavra é “tipo” tupos em grego (#5179 τύπος), que pode ser definida como “um tipo, padrão, modelo ou exemplo de outra coisa”. Embora outras versões traduza tupos como “figura”, a maioria das versões diz “padrão” “protótipo” ou “tipo”. Adão era um tipo, protótipo ou padrão de Cristo porque ele era totalmente humano.

Mas se Jesus era cem por cento homem e cem por cento Deus, então Adão não poderia ser um “tipo” de Cristo, porque Adão não tinha uma “natureza divina”. A Bíblia diz em muitos versículos que há apenas um Deus, e “Deus” não tem um Deus. Is. 44. 6 “Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus.” Ef. 4. 6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” Esse verso identifica o único Deus com sendo o Pai. Em contraste com “Deus”, que sozinho é Deus e não tem um Deus, Jesus tem um Deus.

Mesmo antes de Jesus nascer, havia uma profecia de que ele teria um Deus, Mq. 5. 4 “E ele permanecerá, e apascentará ao povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.” E a partir dai, os acontecimentos se deram exatamente dessa forma, vejamos.

Mt 27. 46 “E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Muitos irão dizer, isso é devido ao contexto, ou seja, Jesus viveu como homem. Mas, mesmo após a ressurreição ele continuou dizendo que tinha um Deus, Jo 20. 17 “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”

E o interessante é que a bíblia nos informa também, que mesmo após sua ascensão ao céu, Jesus continuou a ter um Deus, Ap. 3. 12 “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.”

Além disso, há muitos outros versos no Novo Testamento que falam claramente de “Deus” sendo o “Deus” de Jesus Cristo, veremos apenas dois, Rm. 15. 6 “Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” 2ª Co. 1. 3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.”

Vimos então, que Jesus tem um Deus. Diferentemente de Jesus, tanto a bíblia quanto o próprio Jesus testificam que o pai não tem um Deus. Ou seja, não existe o Deus de Deus pai, pelo contrário, Jesus chamou Deus de “o único Deus verdadeiro”, Jo. 5. 44 “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único? A leitura direta deste versículo é que Jesus não pensava em si mesmo como Deus. Vejamos outro verso, Jo. 17. 3 “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” Pareceria hipocrisia, ou pelo menos confuso, que Jesus se referisse a Deus como “o único Deus verdadeiro” se soubesse que tanto ele quanto “o Espírito Santo” também eram “Pessoas” em um Deus trino, e que o Pai compartilhava Sua posição como “Deus” com eles.

É muito mais provável que Jesus tenha falado a verdade simples, quando chamou seu Pai de “o único Deus verdadeiro”. De que mais Jesus chamou Deus? Lc. 10. 21 “Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve.

Jesus chamou Deus de Senhor do céu e da terra. Essas não poderiam ser palavras ditas por Jesus, se realmente a Trindade fosse verdadeira. Não é assim que os iguais se dirigem uns aos outros. Além disso, se o Espírito Santo fosse um terceiro membro da Trindade e, portanto, também “Senhor do céu e da terra”, parece que Jesus não o teria deixado de fora de sua oração.

Além disso existem inúmeros versos bíblicos onde diz que Deus é o pai, por exemplo: 1ª Co. 8. 6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai,” … O verso começa dizendo: “para nós há um só Deus”, se a doutrina da Trindade fosse verdadeira, esperaríamos que ela nomeasse quem é Deus de uma forma tipicamente trinitária, como sendo “o Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Certamente não esperaríamos que ela nomeasse apenas o Pai como Deus. Sendo assim, podemos dizer que não existe uma trindade de Deus na bíblia.


terça-feira, 1 de outubro de 2024

Analisando 2 Pedro 2. 4 e Judas verso 6.

2ª Pedro 2. 4 "Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo." Judas 6 “E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia.”

O cristianismo com sua Interpretação Popular ensina que os versos lidos provam de que os anjos pecaram no céu, unidos na rebelião com Lúcifer e por isso merecem aguardam a sua punição. Em outros assuntos nós já vimos, segundo os relatos bíblicos que os Anjos não podem pecar e nem morrer, Lc. 20. 36 “Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.”

Se a declaração sobre os Anjos caídos for mesmo literal, existe uma contradição nos ensinos bíblicos. Uma das contradições seria as palavras ditas por Jesus em Lucas 20. 36. E também é ensinado pelo cristianismo popular que os Anjos caídos são os instigadores, que levam as pessoas a pecar. Se isso se refere a anjos literais, então eles não vão levar as pessoas ao pecado, porque eles estão acorrentados em um lugar seguro, portanto estão sem liberdade para agir.

O contexto sugere que Judas 6 é uma referência a um fato bem conhecido: vale relembrar também que não há registro em qualquer outro lugar na Bíblia sobre os anjos que pecaram, como então os apóstolos poderiam lembrar estes cristãos sobre essas coisas? Os exemplos citados, Judas e Pedro são tirados do A T. que eram bem conhecidos.

Não há outras indicações de que estas coisas aconteceram, exceto no livro de Enoc. Fora desse livro, não há menção de anjos que pecaram, ou que foram imediatamente acorrentados na escuridão. Pelo contrário, Jó 38. 7 “Quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus? Possivelmente (estrelas da alva) são uma referência aos Anjos. Gn. 1. 31 “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.” Por esse verso percebe-se claramente a ausência do pecado.

A palavra "anjos" também pode se referir aos homens. Vejamos: Mt. 25. 41 “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” Então, os "anjos" serão julgados no "grande dia" na segunda vinda. No contexto de Mateus capítulo 25 O castigo é direcionado aos homens indignos, os quais serão completamente destruídos.

Pelo que lemos em Lucas 20. 36 os Anjos não podem morrer ou mesmo ser destruídos, Dn. 3. 27-28 “Ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores e conselheiros do rei e viram que o fogo não teve poder algum sobre os corpos destes homens; nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem os seus mantos se mudaram, nem cheiro de fogo passara sobre eles. Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.”

Um anjo andava com três amigos de Daniel na fornalha ardente. Outro episódio de um Anjo no meio do fogo se encontra em Jz. 13. 20 “Sucedeu que, subindo para o céu a chama que saiu do altar, o Anjo do Senhor subiu nela; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram com o rosto em terra.” Sl. 104. 4 “Deus "faz seus anjos espíritos e dos seus ministros um fogo abrasador". Portanto, esses "anjos" que estavam sendo condenados em Mateus 25 são seres humanos, porque o fogo não pode destruir os anjos.

Judas 7 “Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.” O verso diz que Sodoma e Gomorra também "foram definidos como exemplos daqueles que irão sofrer a vingança do fogo eterno" (ou seja, destruição total após o julgamento.

Isto implica que os anjos que pecaram tornaram-se um exemplo público (como Sodoma) do que aconteceria ao desobedecer a Deus? No entanto, não há evidência bíblica sobre Anjos que pecaram no céu ou no Éden, sendo assim, como esses anjos do verso 6 "foram tomados como um exemplo"? Não há indicação de que mesmo Adão e Eva viram a punição de alguém a não ser serpente. Vale lembrar que o pecado entrou no mundo "por um homem", Adão e não por um Anjo pecador, Rm. 5. 12 “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”

2ª Pe. 2. 9-11 “É porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor.”

Nesses versos percebemos que esses Anjos não são literalmente Anjos, isso é demonstrado pelo fato de que eles falam mal de pessoas, enquanto os Anjos não fazem isso. Outro fato é que o verso nada diz sobre Anjos bons e Anjos maus, só diz que os Anjos são seres superiores e promovem o bem. .

O que significa “algemas eternas ou cadeias da escuridão", relacionado ao verso 6 de Judas? Representa a morte em
Jó. 3. 18 “ Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem a voz do exator.” A bíblia compara a morte com uma prisão, muitas das vezes, diz que os mortos estão presos, enlaçados conforme Pv. 13. 14 “A doutrina do sábio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte.” Assim, os Anjos, isto é, os mensageiros estão mortos. Eles estão "reservados" para o dia do juízo.