terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O que é uma pessoa?

A bíblia diz que os anjos são espíritos. E diz também que os anjos são seres pessoais. Portanto ao aplicar-se o termo “espírito” (ruach e pneuma) aos anjos, de maneira nenhuma estamos dizendo que eles sejam fôlego, vento, sopro, mas sim pessoas, seres vivos, inteligentes, que agem, reagem, pensam, decidem. Realmente a bíblia diz que os anjos são espíritos e são pessoas conforme nos é dito em 1ª Cr. 21. 15 “E Deus mandou um anjo a Jerusalém para a destruir; e, destruindo-a ele, o SENHOR olhou, e se arrependeu daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do SENHOR estava junto à eira de Ornã, o jebuseu.”         

Hb. 1. 4 e 14. “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.” “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” Por outro lado, devemos entender que o fato de um ser espiritual ser chamado de espírito, não significa que todas as palavras na bíblia que dizem espírito, (ruach e pneuma) referem-se a seres pessoais. Em muitos casos elas aplicam-se literalmente a ventos, tempestades, fôlego, sopro e etc.   

Com tudo, a bíblia chama alguns seres pessoais de espírito; além dos anjos, Deus também é chamado de (espírito pneuma) Jo. 4. 24 “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” Jesus Cristo também é chamado de (espírito pneuma) 2ª Co. 3. 17 “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”  além deles a bíblia diz ainda que os que nascem do espíritos são chamados de (espírito pneuma), Jo. 3.6 “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”        

Quando a bíblia diz que Deus é espírito, o Senhor dizendo de Jesus, é espírito, e que os anjos são espíritos, ela simplesmente está se referindo ao fato de todos estes serem ou no caso de Jesus, possuir natureza espiritual, após ressurreição. Não podemos confundir esta aplicação direta do termo pneuma a seres espirituais com a menção do espírito de alguém ou de algo. Por exemplo: não podemos dizer que são seres espirituais, o espírito do homem ou mesmo o espírito do mundo, o espírito do erro, e o espírito do anticristo.

Isto mostra que nem tudo o que a bíblia chama de espírito é um ser pessoal, como visto acima. Um problema que poderia surgir é o fato do original bíblico não distinguir as palavras ruach no AT. E pneuma no NT. Com relação a que essas palavras se referem. Em meio a isto, como fazer para distinguir quando a bíblia refere-se a um ser espiritual ou algo abstrato como vento, folego e etc?  Para sabermos quando a bíblia refere-se a um ser espiritual basta seguir a lógica, e atualmente hoje nós temos a bíblia traduzida e, portanto não temos mais dificuldades para entender se ela está se referindo aos Anjos ao invés de ventos.

Seguindo a lógica bíblica também saberemos distinguir com facilidades esta questão, por exemplo: O que a bíblia diz dos seres espirituais? Diz que todos eles (exceto Deus tem um corpo). A exceção do corpo de Deus analisada dentro da ótica humana limitada, se dá devido ao entendimento que temos de Deus ser imensurável, infinito, portanto não há nenhuma lógica em querer criar um corpo para Deus.

Já os outros entes citados, podemos considera-los como tendo um corpo, por exemplo, Jesus Cristo. A bíblia diz que Cristo tem corpo e também tem espírito Mt. 27.50 “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito”.  Jo. 19.30 “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.” Naturalmente quando a bíblia diz que Jesus entregou o espírito está se referindo a duas questões: (1) cessou de respirar visto esta palavra significar espírito e (2) perder sua consciência, isto é, sua consciência a mesma que foi dotada ao homem no inicio Gn. 2. 7 “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.”

Com relação a Cristo não podemos esquecer o fato de que se tornou corpo espiritual após a ressurreição, 1ª Co. 15. 44 “Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Lembrando também que este ocorrido se deu após sua vida terrestre, não antes, 1ª Co. 15. 46 “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. Paulo está dizendo para não invertermos os acontecimentos, ou seja, primeiro é o homem é terreno, após isso se torna espiritual.

A bíblia diz também que Deus apesar de não ser restrito por um corpo, Ele é espírito, Sl. 139. 7 “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?”  1ª Ts. 4. 8 “Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo”. Quando a bíblia fala do Espírito Santo ou Espírito de Deus, ela se refere ao próprio Deus, são expressões humanas legitimas para tentar fazer entender um ser que não pode ser escrutado.

Naturalmente quando a bíblia diz Espírito de Deus, devemos entender que se trata apenas de uma questão de linguagem, algo que torne compreensiva o entendimento humano, lembrando sempre que a bíblia foi escrita para o próprio. De maneira nenhuma ela está tentando dizer que Deus que é Espírito possua um Espírito, torna-se estranho. Do mesmo modo seria estranho se admitirmos a existência de outro ente, como trindade, por exemplo, e disséssemos: o Espírito Santo é Deus, mas não o pai.

Dois problemas surgem com esta questão: a primeira é que teríamos dois ou mais deuses e a segunda é que estaríamos dizendo que o pai não é santo, somente o Espírito seria Santo, mas não é isso, não existe outro ser aparte de Deus e Deus é Espírito e também Santo. E as palavras ruach e pneuma com relação ao ser humano? Podemos aplicar a mesma questão que foi aplicada para Cristo, respiramos o oxigênio que é traduzido como espírito, temos o folego ou o espírito de vida que na verdade é a nossa consciência aquela mesma que foi implantada em Gênesis 2. 7.

E também seremos corpos espirituais após o retorno de Jesus, 1ª Co. 15. 35 e 42 “Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção.”




terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O que é o espírito?

Igualmente como acontece com a definição da alma, o meio “cristão” interpreta erroneamente a definição do espírito, tanto no que diz respeito ao espírito do homem, como também o espírito de Deus. Por que isso acontece? Como foi tratado no assunto anterior, a doutrina da imortalidade da alma foi extraída e fundamentada sobre a filosofia grega e não sobre o que os autores bíblicos falaram. Portanto para uma interpretação segura do assunto devemos nos valer unicamente da bíblia. Qual é a nossa interpretação quando ouvimos a palavra espírito, imaginamos uma força desencarnada se movendo independente do corpo? Ou temos em mente o que ensinaram os apóstolos e os profetas? No “velho testamento” escrito em hebraico o original da palavra espírito é ruach,( pronuncia-se,ruar ) e significa: fôlego, vento, sopro, e respiração, hálito e esta palavra se aplica tanto ao espírito dos homens, dos animais, espíritos malignos e ao espírito de Deus. Espírito do homem. Jó 32:8, Salmo 31:5, 146:4. Ecle. 12:7, Zac 12:1. O interessante é que em todos os versos citados aparece no original a palavra ruach, por exemplo: Jó 27:3 diz: Em quanto em mim estiver a minha vida, e o sopro= (ruach) de Deus nos meus narizes... ou seja, todas as vezes que lemos o “antigo testamento” e deparamos com as palavras, fôlego, vento, sopro, respiração, hálito, espírito tanto de homens, animais, ou mesmo o espírito de Deus, a palavra no original hebraico é ruach. Falando sobre a natureza humana nós lemos: Jó 19:17, Salmo 104:29. Percebemos então que a palavra ruach significa fôlego de vida, cuja fonte é Deus, e não uma entidade desencarnada como muitos pensam. No original hebraico o espírito de Deus também é chamado de ruach, palavra esta que significa vento, sopro, hálito e respiração. Gen 6:3 , 41: 38. Em ambos os versos a palavra espírito é = ruach relacionado ao espírito de Deus. Jó comparou o espírito de Deus com o seu sopro, Jó 33: 4 , 34: 14 e 15. Em outras ocasiões a palavra ruach de Deus não é traduzida como espírito, mas sim como sopro ou respiração, Salmo 33:6 Isaías 30:28. É interessante notar que os animais também possuem ruach, mas para diferenciar dos seres humanos e de Deus, na maioria das vezes o ruach dos animais é traduzido como fôlego de vida. Esta forma de traduzir também está de acordo com o sentido original da palavra. Eis alguns exemplos: Gen 6: 17, 7:15, Ecle. 3:19. A palavra ruach aparece 379 vezes em 348 versos no “velho testamento”e embora seja traduzido como espírito em vários textos, ruach também é traduzido como fôlego de vida, vento, sopro e ar. Este é realmente o significado original da palavra ruach. Outros versos que se encontram a palavra ruach: Gen 8:1, Jó 4:9, 7:7, 41:16, Ecle. 1:14. Em algumas traduções a palavra ruach é traduzida como mente ou animo. Nos próximos dois versos o tradutor entendeu que a palavra ruach foi utilizada originalmente num sentido amplo, abrangente, figurado, simbólico e, portanto, não deveria ser traduzida ao pé da letra como espírito, vento ou fôlego. ICron. 28: 11 e 12 e IICron. 21:16. O sentido amplo da palavra espírito foi usado por Paulo ao transcrever um texto de Isaías. O apóstolo reconheceu que o espírito de Deus é de modo figurado a sua mente. Comparando a transcrição feita por Paulo com o verso original seremos capazes de verificar qual o conceito que o apostolo Paulo tinha a respeito do espírito de Deus. Veja os versos: Isaías 40:13, Rom. 11: 34, ICor 2: 16. Nestes versos Paulo chamou de “mente” o que Isaías havia chamado de espírito. Ao reescrever o texto usando a palavra mente, Paulo deixa claro qual era a sua compreensão a respeito do espírito do Senhor era a própria mente do Senhor. Se não fosse esta a interpretação de Paulo, ele jamais teria reescrito o verso de Isaías da forma como fez em duas ocasiões. Depois desta breve análise do “antigo testamento” concluímos que a palavra espírito em todas as suas aplicações, tanto do homem como dos animais e até mesmo o espírito de Deus é ruach, ou seja, fôlego, sopro, ar e até mesmo a mente de Deus, e não uma entidade desencarnada como é ensinado no meio cristão e muito menos uma suposta terceira pessoa da trindade. No “novo testamento” escrito originalmente em grego, o termo traduzido como espírito é pneuma. Esta palavra grega tem o mesmo significado de ruach no hebraico, ou seja, é um sinônimo de espírito, fôlego, vento, sopro, ar. É da palavra pneuma que derivam algumas palavras da língua portuguesa, tais como pneu, pneumático, pneumonia, todas relacionadas à respiração ou ao ar. No novo testamento a palavra pneuma é aplicada para o espírito de Deus e também para o espírito do homem, eis alguns versos que nos mostram isso. Rom. 8:14 e 16, ICor. 2:11 e 12, a palavra espírito descritas nos versos mencionados tanto do homem como de Deus no original grego é pneuma. Alguns versos que falam do (espírito pneuma) do homem: Lucas 8:55 ICor. 16:18, Tiago 2:26, ITessal. 5:23. Podemos entender que o homem é formado do pó (corpo físico) mais espírito (fôlego de vida) proveniente de Deus, resultando em uma alma vivente. Não podemos nos influenciar pelo conceito popular achando que o homem é uma pessoa e o seu espírito é outra pessoa, uma entidade independente que subsiste fora do corpo. O pneuma do homem é parte integrante do seu ser. Da mesma forma o pneuma de Deus é parte integrante de Deus não uma outra pessoa, vale salientar também que os manuscritos mais antigos do novo testamento foram escritos em uncial, um padrão baseado apenas em letras maiúsculas. Portanto, não havia distinção entre a letra maiúscula e minúscula, isso significa que a palavra espírito no original era escrito desta forma “ESPÍRITO” não importava se tal espírito era do homem ou de Deus, e ambas eram pneuma, ou seja, espírito, vento, fôlego sopro, ar. A palavra pneuma aparece 385 vezes no novo testamento, e na maioria das vezes é traduzida como espírito. Mas assim como ruach, há outras traduções possíveis como sopro, fôlego e vento. Os versos a seguir nos mostram isso: João 3:8, IITessal. 2:8, Heb.1:7, Apoc. 13:15. o objetivo proposto deste assunto é fazer entender que, tanto espírito do homem como o espírito de Deus tem o mesmo significado ruach, no antigo testamento, e pneuma no novo testamento, ambos querem dizer a mesma coisa. Quanto à questão da escrita com caracteres apenas maiúsculos podemos dizer que este padrão foi empregado nos pergaminhos até o XI século quando a escrita minúscula começou a ser adotada. Fica claro que escrever Espírito Santo com iniciais maiúsculas é uma convenção adotada posteriormente pelos tradutores da bíblia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O que é a alma?

As conotações que o termo "alma" geralmente transmite à mente da maioria das pessoas provêm primariamente, não do uso dos escritores bíblicos, mas da antiga filosofia grega. Os antigos escritores gregos aplicavam psy.khé (alma) de vários modos, e não eram coerentes, com a realidade bíblica. O termo hebraico para alma é né.fesh. Num sentido literal, exprime a idéia de um "ser que respira" e cuja vida é sustentada pelo sangue.

Os termos das línguas originais hebraico: né·fesh, e grego: psy·khé, segundo usados nas Escrituras, mostram que a “alma” é a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui. As conotações que a palavra portuguesa “alma” geralmente transmite à mente da maioria das pessoas não estão de acordo com o significado das palavras hebraica e grega usadas pelos inspirados escritores bíblicos.

A Bíblia não diz que temos uma alma. ‘Nefesh’ é a própria pessoa, o próprio sangue nas suas veias, seu ser. ”A dificuldade reside em que os significados popularmente atribuídos à palavra portuguesa “alma” provêm primariamente, não das Escrituras Hebraicas ou das Gregas Cristãs, mas da antiga filosofia grega, na realidade, do pensamento religioso pagão.

Platão, o filósofo grego, por exemplo, cita Sócrates dizendo: “A alma”. Se ela partir pura, não arrastando consigo nada do corpo. . . parte para o que é como ela mesma, para o invisível, divino, imortal e sábio, e quando chega ali, ela é feliz, liberta do erro, e da tolice, e do medo... e de todos os outros males humanos, e... vive em verdade por todo o porvir com os deuses.” — Phaedo (Fédon), 80, 81.

A palavra psychê significa entendimento e força. Em contraste direto com o ensino filosófico grego sobre a psy·khé (alma) como imaterial, intangível, invisível e imortal, as Escrituras mostram que tanto psy·khé como né·fesh, conforme usadas com referência as criaturas terrestres, referem-se àquilo que é material, tangível, visível e mortal. A bíblia nos ensina que alma significa vida. Gn. 2. 7Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.  

Ex. 21. 23 Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida.” Lv. 17. 11 Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.” Ez. 18. 4Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.” A palavra no AT. para designar alma é nephesh e tem o mesmo significado da palavra  psy·khé encontrada no NT.

Rm. 11. 3 Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida.” 1ª Co. 15. 45 Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante”. Assim a palavra alma em toda a bíblia significa não só um ser vivente, mas também suas várias manifestações vitais tais como: respiração Gn. 35. 18 Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni; mas seu pai lhe chamou Benjamim.”
            
O sangue Gn. 9. 4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” fonte da vontade e ação moral. Dt. 4. 29 De lá, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.” Desejo, 2ª Sam 3. 21 Então, disse Abner a Davi: Levantar-me-ei e irei para ajuntar todo o Israel ao rei, meu senhor, para fazerem aliança contigo; tu reinarás sobre tudo que desejar a tua alma. Assim, despediu Davi a Abner, e ele se foi em paz.” 

Sl. 25. 1 A ti, Senhor, elevo a minha alma.” A alma no Antigo Testamento significa não uma parte do homem, mas o homem como um todo. Refere-se às emoções: Jó.  30. 25 Acaso, não chorei sobre aquele que atravessava dias difíceis ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?” Sl. 86. 4 Alegra a alma do teu servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma.
       
Refere-se também a fonte do apetite físico, Nm. 21. 5 E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil.” Igualmente, no Novo Testamento significa vida humana: a vida d’uma entidade individual, consciente. Lc. 12. 22 A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir.” Jo. 10. 11 “  Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” A palavra vida destes versos é alma.

Hb. 10. 39Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.Devemos ter em mente que quando a bíblia diz, ‘salvar a alma’ Não significa salvar alguma parte ‘espiritual’ do homem, em contraste com o seu ‘corpo’ (no sentido platônico), mas sim a inteira pessoa. Já o termo hebraico Né·fesh significa “respirar”, e, no sentido literal, né·fesh poderia ser traduzido como alguém que respira a substância respiradora, que torna o homem e os animais seres viventes Gn. 1. 20 Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.”

Algo estritamente distinta da noção grega da alma, cuja sede é o sangue alma = ser vivente, indivíduo, pessoa. Lamentavelmente não é isso que temos aprendido; é ensinado que alma é algo que ao morrer um indivíduo, esta deixa o seu corpo e passa a vaguear por todos os lugares. Não é este o ensinamento que temos ouvido e aprendido no meio “cristão”? Em vista de tal incoerência dos escritos não-bíblicos, é essencial deixar que as Escrituras falem por si, mostrando o que os escritores inspirados queriam dizer ao usarem o termo psy·khé, bem como né·fesh.

Um exame mostra que, embora o sentido destes termos seja amplo, entre os escritores bíblicos não havia nenhuma incoerência, confusão ou desarmonia quanto à natureza do homem, tal como a existente entre os filósofos gregos e o “cristianismo” atual. Infelizmente o mundo religioso formulou as suas doutrinas copiando-as da filosofia grega. Em Gênesis 2. 7 diz que o homem veio a ser [e não ter] uma alma vivente." Segundo a Enciclopédia Judaica, "a crença na imortalidade da alma chegou aos judeus através do contato com o pensamento grego e principalmente através da filosofia de Platão (427-347 a.C.), seu principal expoente.

A partir de meados do segundo Século d.C. os primitivos filósofos cristãos adotaram o conceito grego da imortalidade da alma. A palavra psychê no grego clássico indicava o aspecto do homem que pode se separar do corpo, de onde veio à tona o conceito de imortalidade da alma comumente utilizada pelo meio cristão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O fundamento do adventismo.

O fundamento adventista está baseado na doutrina das 2300 tardes e manhãs, ela foi o alicerce em que a denominação adventista foi fundamentada, e sem dúvida ainda hoje a denominação adventista depende de tal ensinamento, caso contrário os mais de 160 anos de denominação e tudo o que ela ensinou caem em descrédito.
No livro o Grande Conflito, pág. 488 – 43ª edição, Ellen White diz: O assunto do santuário e do juízo de investigação deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus.
A doutrina dos 2300 anos como é ensinado no meio adventista diz que, após sua ascensão Jesus Cristo ficou por mais de 1800 anos ministrando no lugar santo do santuário celestial.
Segundo esta doutrina somente depois de 22 de outubro de 1844 foi que Jesus deixou o lugar santo e passou para o lugar santíssimo do santuário celeste, ficando desta forma junto a Deus, para isso, segundo o ensinamento adventista, Jesus transpôs o véu que divide o santuário.
Heb. 10: 19 e 20 estes versos nos mostram que por meio de Cristo nós podemos transpor o véu, pôs Jesus já fez isso, fica então a pergunta: que véu foi este que Jesus transpôs, após a sua ascensão? Segundo E. G. W. o véu que Jesus transpôs não foi o véu que separa o santo lugar do santíssimo, mas sim o véu que separa o santo lugar do pátio. O Grande conflito pág.420.
É bem verdade que a bíblia nos diz que existem dois véus, Heb. 9: 2 e 3 é verdade também que a bíblia não dá margem para crer que o véu que Jesus transpôs após a sua ascensão seja o véu exterior.
Êxodo 26: 33 a 35. 27: 21. 30: 6. 40: 20 a 22 e 26. Qual era o significado do véu que separava o santo lugar do santíssimo? Significava que Deus estava sobre a arca símbolo do seu trono, e o véu era uma barreira natural que impedia o povo comum de ter acesso a Deus.
O que aconteceu com o véu após a morte de Jesus? Mat. 27: 50 e 51 este véu que foi rasgado foi o véu interior, ou o véu que separa o santo lugar do santíssimo, e isso significa que sem o véu nós com santo temor e por meio de Cristo, podemos nos achegar a Deus, pois não mais existe o “véu” ou a barreira natural que era a nossa inimizado para com Deus, pois por meio de Cristo houve a reconciliação. II Cor. 5; 18 e 19. Heb. 6: 18 a 20.
Estes versos de hebreus jogam por terra a doutrina das 2300 terdes e manhãs segundo a interpretação adventista, pois nos é dito que Cristo entrou no interior do véu, e que ele é sumo sacerdote, ora o trabalho do sacerdote se limitava antes do véu, porém o do sumo sacerdote se estendia em todo o santuário inclusive além do véu, ou no interior do véu. Com a morte e ressurreição de Cristo o que nós podemos fazer? Heb. 10: 19 a 21 à bíblia nos diz que podemos ousar entrar no santo dos santos por meio do sangue de Cristo.
Se a interpretação adventista está correta, ao dizer que Cristo ficou por mais de 1800 anos ministrando no lugar santo do santuário, para somente depois de 22 de outubro de 1844 transpor do lado santo para o santíssimo, para aí sim estar próximo de Deus, o que fazer com os versos bíblicos que dizem ao contrário?
E entre eles estão: Heb. 8: 1. 9: 11 e 12 e 24. 10: 12. O escritor diz que Jesus se assentou à destra da majestade... entrou de uma vez por todas no santos dos santos... e já nos seus dias,(do apóstolo) Cristo comparecia perante a face de Deus.
Devemos perguntar: Qual o objetivo de Cristo ficar por mais de 1800 anos confinado ao compartimento santo do santuário celestial? Existe algum texto bíblico que confirma este pensamento? Ao contrário, o que temos visto pela bíblia é o oposto disso.
O grande Conflito pág. 400 (mesma edição) E. G. W. diz: “o décimo dia do sétimo mês, o grande dia da expiação, tempo da purificação do santuário, que no ano de 1844 caía no dia 22 de outubro”...
Quando analisamos esta informação por meio de um conversor de calendários, nós percebemos que não foi bem assim. Acesse este site: www.jewishgen.org/jos/josdates.htm na segunda linha de datas, ou seja, na linha de baixo, digite em day 10, em month: 7 tishri, em year 5600, e em the civil date should be computer for: digite 6 e clique em convert dates.
Neste conversor de calendários que é completamente neutro em questões religiosas, nós veremos que ao contrário do que disse E. G. W. o dia 10 do sétimo mês de 1844 não foi em 22 de outubro, mais sim 2ª feira 23 de setembro de 1844.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Reino milenar de Cristo.

O capítulo catorze do livro de Jó, no verso um diz assim: O homem, nascido de mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietação. Inúmeros são os motivos que causam inquietação ao gênero humano, e dentre eles está a injustiça, infelizmente vivemos em um planeta onde a injustiça é suprema e reinante. Porque isso acontece? lamentavelmente não podemos responder ao senso de justiça pelo simples fato de sermos todos injustos, respondendo esta afirmação o apóstolo Paulo nos diz: ROM. 3:10 Não há um justo, nem um sequer. Qual é a promessa bíblica a cerca da justiça, onde e quando ela será executada? antes porém devemos perguntar: Deus já instituiu o seu reino? de forma nenhuma! pois como vimos anteriormente vivemos em um mundo completamente injusto, ao passo que o reino de Deus será de justiça. A bíblia nos revela que o reino de Deus será estabelecido por meio de Jesus Cristo aqui na terra, não será em nenhum outro lugar como ensinam as denominações cristãs. Para termos uma melhor compreensão de onde será estabelecido o reino messiânico, basta vermos o que a bíblia diz. O homem foi feito para habitar aonde? Salmo 10:18 aqui nos é dito que o homem é da terra. Salmo 37: 8, 22 e 29 Mateus 5:5 Estes versos taxativamente nos dizem que os salvos herdarão a terra. Prov. 2:21 e 22 Este verso está relacionando o futuro reino milenar de Cristo, pelo fato de que os perversos ainda não foram arrancados e exterminados da terra. Isaías 65: 8 e 9 A promessa é que os mansos e os justos herdarão a terra, e aqui não diz que será após um período de estada no céu; ao contrário, a bíblia nos diz que Jesus estabelecerá o seu reino por mil anos e reinará sobre a terra. As denominações "cristãs" insistem em dizer que o reino de Cristo será no céu, será isso verdade, o que a bíblia nos diz? Gên. 49: 8 A 10 Esta profecia muito antiga nos revela que Deus irá instituir o seu reino por meio de um descendente dos filhos de Israel, e o nome deste filho foi Judá, como foi o desenrolar desta profecia? Salmo 89: 35 a 37 O fato de Deus dizer que a descendência do rei Davi duraria para sempre significa que o Messias viria de sua linhagem. Salmo 132: 11 Apesar de Davi ter tido vários filhos, esta promessa foi feita para o Messias. Jer. 23: 5 Aqui nos é dito que este rei que descende de Davi, reinará e praticará a justiça na terra. Não existe nenhuma profecia bíblica que indique que o reino de Cristo será no céu, ao passo várias delas nos informa que será aqui na terra. Dan 2: 34 e 35 Aqui nos é dito que no final do reino deste mundo virá o reino do Messias, simbolizado pela pedra que foi lançada sem mãos, é dito também que a pedra se tornou um grande monte e encheu a terra. Dan. 2:44 Naturalmente este é o reino messiânico que encherá toda a terra. Dan. 7:13,14 e 27 Aqui a bíblia nos informa que o reino debaixo de todo o céu... debaixo de todo o céu só pode ser sobre a terra. O que acontecerá no reino milenar de Cristo? Prov. 2:21 e 22 e Prov. 10:30 Deve ficar claro que estes versos só terão um verdadeiro significado quando aplicado ao futuro reino de Cristo, e eles estão em perfeita sintonia com o que está registrado em Mat. 13:36 a 43 Outros versos nos dizem que Jesus reinará sobre a terra, e em qual trono ele se assentará? Lucas 1:30 a 33 Aqui existem pelo menos duas declarações que devemos atentar, declarações estas que foram feitas pelo anjo: ele o Messias se assentará no trono de Davi. Onde está o trono de Davi? o Messias já assentou no trono de Davi para reinar? estas perguntas foram feitas pelos discípulos de Jesus. Atos 1:6 e 7 É interessante notarmos que a resposta de Jesus não foi contrário ao pensamento messiânico que imperava na mente dos seus discípulos, ao contrário, Deus é quem vai dizer quando o reino será estabelecido; esta foi a resposta de Jesus. Mesmo depois que receberam o espírito santo, no pentecostes, o pensamento dos discípulos sobre o reino messiânico continuou. Atos 2:29 a 35 Por quanto tempo Jesus Cristo há de reinar? Apoc 20:4 a 6 A bíblia diz que os salvos reinarão com Cristo por mil anos e serão sacerdotes. Em que lugar se dará isso? Apoc 5: 9 e 10. Sabemos que a função do sacerdote é ser mediador e ensinar o povo, os versos anteriores nos diz que reinaremos com Cristo aqui na terra. Falando sobre a igreja que pré-figuradamente trouxe Jesus a existência, significando que Jesus veio do povo que lhe aguardava, isto é Israel. O que nos é dito que Cristo há de fazer? Apoc. 12: 5 e 19: 15 A pergunta que nos temos que fazer é: COMO E PARA QUE, JESUS IRÁ REGER COM VARA DE FERRO OS SALVOS? Se já estão salvos não são mais desobedientes? Qual é o objetivo disso: ICor. 15:24 a 28 O verso 24 claramente nos mostra que Jesus reinará com o objetivo de aniquilar os impérios e as forças, e quando ele aniquilar as potestades em um percurso de mil anos, então Jesus entregará o reino a Deus, o pai, existem vários textos do antigo testamento que nos dizem a mesma coisa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vamos morar no céu?

Quando se pergunta: onde os salvos irão morar? a resposta geralmente é, no céu, ou, não importa onde seja, quer seja no céu ou mesmo na terra, o importante é ser salvo. Para a questão da salvação esta afirmativa é uma realidade, porém, para a questão bíblica doutrinária e para o cumprimento profético faz muita diferença. O objetivo deste estudo é fazermos desapaixonadamente uma análise dos textos bíblicos que parecem confirmar a morada no céu. E dentre eles estão: João. 14:1 a 3. Será que Jesus quis dizer que iria para o céu preparar um lugar para que possamos futuramente ir morar? se contrastarmos esta declaração com o que está escrito em hebreus. 11:16. nós veremos que Deus já preparou este lugar ou esta cidade, o fato é que nós é que precisamos ser preparados para adentrarmos nesta cidade, e não a cidade ser preparada para nos receber. Outro fato importante é que Jesus em momento algum disse que nos levaria para o céu, Jesus disse: voltarei e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver, estejais vós também. A interpretação de que Jesus nos levará para o céu é completamente tendenciosa. I Tessal. 4:15 a 17. O fato da bíblia dizer que após a ressurreição dos salvos encontraremos com Jesus nos ares, não significa que iremos para o céu, pelo contrário a bíblia diz que Jesus descerá do céu, não diz que ele voltará ou subirá com os salvos para o céu. Fil. 3:20. Este é um outro texto que os teólogos adoram utilizar para dar suporte a doutrina da morada no céu, só que ao analisarmos o texto, claramente veremos que não existe nenhum apoio bíblico para tal afirmação, ao contrário, diz que nós aguardamos a cidade, assim como aguardamos a Cristo, pois ambos virão do céu. Heb. 11:13 a 16. Uma coisa é dizer que a cidade, o reino de Cristo, a pátria celestial que os heróis da fé almejavam e que nós almejamos é de origem celeste, outra bem diferente é dizer o que a bíblia não diz, que todos os salvos irão para o céu habitar nesta cidade. Apoc. 7: 9 a 11. Vivemos em um mundo ausente da face de Deus e do próprio Cristo, quando lemos estes versos logo associamos que tal acontecimento se dará no céu, pois para a nossa mente finita não conseguimos assimilar Deus habitando conosco literalmente neste planeta. Nós nunca perguntamos: o céu é um lugar, ou um estado de existência? na verdade nós nos esquecemos que a bíblia afirma que Deus e Cristo habitarão conosco aqui nesta terra e estes versos nos confirma isto. Mat.5:8. Apoc. 21:3. E Enoque não está no céu? Gên. 5:21 a 24. Apesar dos textos bíblicos dizerem esta verdade nada diz do lugar para onde ele foi, ou seja, diz que Deus o tomou para si, no verso 23 diz que os dias que Enoque viveu foram 365 anos. Igualmente aconteceu no episódio de Elias. Não nos é dito o lugar para onde eles foram, a teologia foi que se encarregou de coloca-los no céu. ( Sobre onde estão: Enoque, Moisés, e Elias, Falaremos mais detalhadamente em um outro assunto, aguardem.) Mat. 17: 1 a 13. Será que Moisés e Elias apareceram literalmente no monte da transfiguração, ou foi apenas uma visão que tiveram os discípulos? se apareceram literalmente, por que Enoque esteve ausente? será que este fato ocorrido, ou seja, a transfiguração de Jesus não seria uma representação do reino messiânico de Cristo, confirmando o que ele havia dito uma semana antes? Marcos. 9: 2 a 8. O verso seis nos diz que os discípulos não sabiam que estavam dizendo. Judas verso 9. Se crermos que o Diabo estava disputando o corpo de Moisés para levá-lo naquele instante, nós teremos que aceitar a "doutrina" do tormento eterno, pois para onde Moisés seria levado? ele estavam disputando não para levá-lo instantaneamente, mais sim como aquisição. Outro fato que nós devemos de atentar: Jesus sempre falou no reino dos céus, disse que os salvos possuirão o reino dos céus, porém, nós devemos de entender que possuir o reino dos céus é completamente diferente de possuir o reino no céu. Que o reino que em breve será implantado é de origem celestial isso é ponto pacífico. 

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Imortalidade da alma e moradas no céu.



A maioria das denominações cristãs creem e ensinam sobre a morada no céu, existem várias interpretações que são dadas pelas denominações cristãs com respeito a este assunto, por exemplo: a igreja católica ensina que a alma é imortal. Esta crença é descrita da seguinte maneira. Depois da morte do justo, a alma é separada do corpo, ela é julgada por Deus e goza de sua presença até o fim do mundo, quando será reunida ao corpo agora ressuscitado, para então ficar eternamente com Deus.

Na realidade, este não é um pensamento somente da igreja católica romana, mais sim de quase todas as denominações cristãs oriundas da reforma protestante, este pensamento é comummente chamado de imortalidade da alma e morada no céu. Poucas são as denominações cristãs que não creem na imortalidade natural do ser humano, porém para não destoar muito do pensamento cristão ortodoxo, algumas denominações ensinam que o homem irá para o céu somente no retorno de Cristo e lá com ele ficara por mil anos, outras ensinam que ficara no céu por três anos e meio outras ensinam que serão sete anos e outras que ficarão no céu por toda a eternidade.

Essas denominações negam a imortalidade da alma, porém, aceitam a morada no céu. De onde surgiu este ensinamento, será ele genuinamente bíblico? A doutrina da imortalidade da alma não é bíblica, pelo contrário contraria grandemente as declarações bíblicas, e entre elas estão: Ec. 9. 5-6 e 10 “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.

Ec. 12. 7 “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Este verso é amplamente utilizado como intuito de consolidar a crença da imortalidade da alma, só que a palavra espírito deste verso tem o mesmo significado do verso encontrado em Ec. 3. 19 – 21 "Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”

Esta palavra é Ruach que é a mesma palavra encontrada em Gn. 2. 7 “ E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” A palavra espírito destes versos significa vento, fôlego, sopro, hálito, e mente, não está se referindo aqui a uma entidade desencarnada. O que volta para Deus é a vida que está no homem, vida esta que pode ser resumida como aquilo que nos conscientiza,
algo que é de propriedade de Deus e que naturalmente volta para Ele.

Quando a teoria da imortalidade da alma teve início? Gn. 3. 4 “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.” Percebe-se por este verso que a tendência e a vocação de viver eternamente sempre esteve presente na história humana, os povos antigos sempre acreditaram na vida após a morte, mas a influência sobre os judeus só tomou vulto a partir do domínio grego. 

Após disseminação da cultura helênica, alguns judeus passaram a crer na imortalidade da alma, tanto que nos dias de Jesus os próprios discípulos já estavam contaminados com essa teoria. Mt. 14. 25-26 “ Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando
por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.” Reparem que eles tiveram medo de fantasmas, os fantasmas só causam pavor em quem acredita neles e só se acredita em fantasmas aqueles
que são influenciados por tradições e crendices.

Lc. 24. 36-37 “E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito.” Percebe-se a influência das tradições e crenças gregas no meio judaico. Segundo o ensinamento cristão pós 4º século parte do ser humano sobrevive a morte, mas o que os textos bíblicos nos dizem: Mc. 12. 25 “Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos
céus.”

Baseado no ensinamento cristão, não seria mais preciso o verso dizer que aqueles que se encontram no céu são como Anjos? O problema para se sustentar este dogma se encontra em dizer que isso se dará após a ressurreição, não existe uma declaração na bíblia dizendo que o corpo está morto e de que a alma esteja viva no céu, são apenas conceitos e dogmas. Jo. 5. 28 “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.” 

O verso nos mostra que Jesus cria e ensinava a ressurreição dos mortos, segundo o ensinamento das escrituras, isto é dos livros que perfazem o AT. e não na imortalidade da alma segundo a filosofia grega. O que ensinou o apostolo Paulo? 1ª Co. 15. 51-52 “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” 

Segundo a enciclopédia britânica, a partir do segundo século os cristãos que tinham conhecimento da filosofia grega, passaram a sentir necessidade de expressar sua fé por meio da filosofia, tanto para sua satisfação pessoal, como para converter pagãos instruídos. A filosofia que mais lhes atraía era o platonismo, e em meio a isso os pais da igreja que na sua grande maioria tinham um grande conhecimento da filosofia grega, também criam e ensinavam a crença da imortalidade da alma. 

No segundo século Irineu de Lion, diferenciou o paraíso do céu, disse ele: somente os dignos de valores herdariam o céu, enquanto que outros habitariam o paraíso, e os demais viveriam na Jerusalém restaurada. Este pensamento da imortalidade da alma que não é bíblico, deu margem para a doutrina da morada no céu, tanto é assim que dentro da própria doutrina da morada no céu existem divergências no seu aspecto teológico.

Por exemplo: algumas denominações religiosas ensinam que após a morte a alma vai para o céu, é o ensinamento da imortalidade da alma, outras denominações ensinam que no retorno de Cristo os salvos ressuscitarão e irão para o céu e lá viverão com Cristo por três anos e meio, outras ensinam que por sete anos, outras por mil anos e por fim outras ensinam que viverão por toda a eternidade. A doutrina da imortalidade da alma não tem apoio bíblico, e a doutrina da morada no céu só foi possível graças a doutrina da imortalidade da alma, e para ambas as doutrinas são utilizados textos bíblicos isolados com o objetivo de dar corpo as
doutrinas. 

2ª Co. 5.1-2 “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu.” Estes versos além de serem utilizados para dar suporte a doutrina da imortalidade da alma, é utilizado também para dar suporte a doutrina da morada no céu, porém, não apoiam nem um nem a outro, são mal interpretados. O que Paulo estava dizendo é sobre a vida que vem do céu, mais especificamente de Deus, que será dado aos vencedores.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Quem é o outro Consolador?

Para o mundo cristão, Deus o pai, Jesus Cristo, e o Espírito Santo representam o Deus da bíblia, porém, para muitos cristãos a doutrina da trindade é um tanto contraditória, no entanto isso não significa que tais cristãos não crêem no Espírito Santo, pelo contrário, o Espírito Santo é uma realidade bíblica que não pode ser negada, o que é negado é o método de interpretação de como se concebe o Espírito Santo, ou seja, uma pessoa separada do pai e do filho, isso sim é negado.

A cristandade não tem medido esforços com o objetivo de tentar provar a personalidade do Espírito Santo, pessoalidade esta diferente do pai e do filho. Para isso utilizam-se de versos bíblicos, os quais subjetivamente dão entender que o Espírito Santo é uma terceira pessoa, os teólogos trinitarianos lançam mão desses versos com o objetivo de dar consistência a esse ensinamento. Infelizmente falta para o povo o andar (investigar) por si próprio.

Os versos mais utilizados para tentar provar a pessoalidade do Espírito Santo são os capítulos 14. 16 e 26. 15. 26. e 16. 7 e 13. do evangelho de João, que trata mais diretamente do consolador, a quem os trinitarianos atribuem como sendo a terceira pessoa da trindade, vamos aos versos. Jo. 14. 16 e 26 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco.” “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.”

Jo. 15. 26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim.”  Jo. 16. 7 e 13 “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.” “Quando vier, porém o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.”

O objetivo deste estudo é analisarmos estes versos. Antes porém, iremos ver dois versos bíblicos que nos mostram que o Espírito Santo não é uma pessoa separada do pai e do filho. Nm. 11. 25 e 29 “  Então, o Senhor desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais.” “Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!”

At. 2. 33Exaltado, pois, à destra de Deus tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” Como pode uma pessoa ser Deus e ser derramada pelo próprio Deus? como pode uma pessoa ser repartida? como pode uma pessoa ser distribuída e ser chamada de isto? O consolador de João capítulo 14. Jesus nestes dois textos disse: "E eu rogarei ao pai, e ele vos dará outro consolador... A palavra outro é o ponto chave para os trinitarianos, acreditam ser a 3ª pessoa da trindade.

Antes de tudo devemos analisar o contexto que está inserido o assunto, qual era a preocupação de Jesus? a sua ausência, com relação aos seus discípulos. Jesus estava dizendo que apesar de sua partida eles não ficariam órfãos, pois ele mesmo (Jesus) voltaria para os seus, de uma forma espiritual. O objetivo de Jesus não foi falar de uma outra pessoa mas sim que o consolador não estaria sujeito ao tempo, como ele estava. João 14. 18 descreve com detalhes quem é o consolador. "Não vos deixarei órfãos, voltarei para vos outros."

Quem é que até aquele momento estava com os discípulos? Jesus é claro. Dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os discípulos é uma pessoa diferente de Jesus, é contradizer as escrituras. Mt. 18. 20 "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles." Mt. 28. 20 "Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." Quem disse isso foi o próprio Jesus.

Para os trinitarianos, o Espírito Santo seria uma outra pessoa que após à ascensão de Jesus viria para os discípulos, só que o verso 17 de João 14. Nos diz que o Espírito Santo já era uma realidade nos dias dos discípulos, Jo. 14. 17 O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” Para entendermos esta aparente dificuldade nós primeiramente devemos entender como Jesus levou avante a sua missão, será que ele agiu sozinho?  Jo. 5. 19 Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer o Filho também semelhantemente o faz.”  Jo. 10. 38Mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.”

Jesus realizou os milagres pelo poder do Espírito Santo, ou seja, Deus por meio de Cristo em atuavam no homem, atualmente não é diferente. Jo. 14. 23 “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem a bíblia diz que viria habitar conosco? a bíblia é clara em dizer, Deus e Cristo, ou seja, o Espírito Santo. Espírito de Deus, ou Espírito de Cristo? é uma questão fácil de se entender, Jesus disse que ele rogaria ao pai e ele daria outro consolador, isso significa que o consolador o Espírito seria concedido por Deus, em João 14. 26 lemos esta questão, onde diz: "Mas o consolador, o Espírito Santo, a quem o pai enviará em meu nome..."

Continuando esta confirmação vimos em João 15. 26 que diz: "Quando, porém vier o consolador, que eu enviarei da parte do pai, o Espírito da verdade que dele procede..." Em toda bíblia se diz, Espírito de Deus, se é de Deus, o Espírito, só pode proceder mesmo de Deus, a palavra proceder no grego é ekporeumai, significa sair ou partir de dentro. O fato do NT. ora dizer, Espírito de Deus, Espírito de Cristo e Espírito Santo. Não significa uma comprovação da trindade.

Jo. 10. 30; 38Eu e o Pai somos um.Mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.” Jo. 14. 8-11 Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.”

Mais sim uma sincronia espiritual entre Deus e Cristo. Foi o próprio Jesus quem confirmou isso em Jo. 14. 20 "Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu pai, e vós em mim, e eu, em vós. Jesus estava se referindo ao pentecostes, e é importante notar que Jesus não menciona uma 3ª pessoa só ele e o pai. Resta uma pergunta, porque Jesus ao mencionar o consolador ele o fez na 3ª pessoa do singular (ele)? Nos dias de Jesus era comum a pessoa se referir a si próprio na 3ª pessoa do singular, eis alguns exemplos.

Jo. 4. 10 Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” Jo. 10. 2Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas.” Quando Jesus proferiu o discurso na 3ª pessoa do singular, falando sobre a água viva, e o bom pastor o consolador e outros símbolos, na verdade ele estava falando de si mesmo. E o que dizer da palavra outro? A palavra outro pode ter um sentido figurado. E igualmente o pronome pessoal ele, a palavra outro era usado nos dias bíblicos para falar de si mesmo.

 1ª Sm. 10. 6 O Espírito do Senhor se apossará de ti, e profetizarás com eles e tu serás mudado em outro homem.” Será que Saul se transformou literalmente em outro homem? Não! Saul passou a agir de outra forma, neste sentido ele passou a ser outro. Usando a palavra outro, para designar a si próprio Jo. 18: 15-16 Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. Sendo este discípulo conhecido do sumo sacerdote, entrou para o pátio deste com Jesus. Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta. Saindo, pois, o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou com a encarregada da porta e levou a Pedro para dentro.”
         
Nestes versos vemos que o apóstolo João se referiu a si mesmo como outro. O mesmo aconteceu com relação ao consolador, nos dias da sua missão, Deus agiu por meio de Cristo, atualmente Jesus comprou o direito para que por meio dele, Deus possa agir no meio humano. Na bíblia existem apenas cinco versos que mencionam a palavra consolador, que é traduzido do grego como parakletos que significa ajudador, confortador, e conselheiro, Jesus disse a palavra consolador em quatro versos no evangelho de João. O quinto verso foi dito pelo Próprio João, em sua primeira carta 1ª Jo. 2. 1 Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.”
 
Neste verso a palavra grega parakletos é advogado, será que existem dois parakletos? tudo indica que não. Se isso fosse possível então teríamos dois consoladores e consequentemente dois advogados, Jesus e a 3ª pessoa da trindade. Porém o texto chave para compreendermos esta questão se encontra em 1ª Tm. 2. 5 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” E este verso enfatiza duas coisas interessantes: 1º Há um só Deus, 2º um só mediador entre Deus e os homens, não dois como querem os trinitarianos, e este mediador é Jesus Cristo, homem.


Outro fato interessante se estabelece por uma simples pergunta? Por que quanto os versos bíblicos parecem identificar o Espírito Santo como sedo uma 3ª pessoa eles devem ser entendidos literalmente? Mas quando estes mesmos versos dizem que Deus é um devem ser avaliados como sendo figurados? 

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O batismo de Jesus.

Para tentar provar a doutrina da trindade, os teólogos trinitarianos utilizam textos fora de contexto e adaptam o mesmo com o intuito de fazer valer o seu objetivo. E um destes contextos é o batismo de Jesus, os teólogos trinitarianos argumentam que este foi um momento raro na dissertação bíblica, onde segundo eles, a trindade se fez presente. Os textos bíblicos que narram o batismo de Jesus realizado por João Batista estão inseridos nos quatro evangelhos.

Mt. 3. 16 e 17 Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele.” No relato de Mateus nos é dito que ao sair da água o Espírito de Deus desceu sobre Jesus em forma de uma pomba. Devemos perguntar: O Espírito é Deus, ou o Espírito é de Deus? Ou seja, pertencente a Deus? Existe uma grande diferença. Mc. 1. 9-10 Naqueles dias veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão. Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele.”
                .
Aqui é dito que o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba. Já em Lc. 3. 21- 22 E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” De igual modo é dito que o Espírito Santo em forma de uma pomba desceu sobre Jesus.

As únicas diferenças entre os evangelistas são: um disse Espírito de Deus, o outro Espírito, e o outro Espírito Santo, existe alguma contradição nestes relatos? de maneira nenhuma. Duas coisas devem ficar bem claras. Primeiro: O Espírito de Deus é santo, segundo o Espírito de Deus é Espírito. O fato dos evangelistas citarem, Espírito de Deus, Espírito e Espírito Santo, está em conformidade com toda a bíblia, pois como vimos, o Espírito de Deus é Espírito e é Santo.

O objetivo desta análise é esclarecer três questões. Primeiro: O que é o Espírito que desceu sobre Jesus, logo após o seu batismo? É o Espírito de Deus, ou a terceira pessoa da trindade? Segundo: qual é a posição bíblica sobre fazer uma imagem de Deus? Terceiro: para quem e para que foi manifestado aquela forma de pomba? A primeira questão: Caso o Espírito que desceu sobre Jesus após o seu batismo fosse a "3ª pessoa da trindade" como querem os trinitarianos, não poderia estar relatado como está em Mateus. 3. 16. Que diz que o Espírito de Deus desceu... Teria que está ao contrário, assim: E saindo da água o Deus Espírito desceu sobre Jesus... Somente assim enfatizava o Espírito como sendo uma pessoa, porém não é este o caso.

Vários outros versos bíblicos vêm confirmar que o Espírito pertence a Deus, por exemplo: Lc. 4. 18 O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos.” Se este Espírito que ungiu a Jesus é uma pessoa como querem os trinitarianos, logo Jesus deveria ter dito: O Senhor do Senhor está sobre mim... Mas não é este o caso.

Outros versos que comprovam que o Espírito é de Deus e não uma suposta 3ª pessoa. Lc. 24. 49 Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” Jesus diz que Deus fez uma promessa, que promessa seria esta? At. 1. 4-5 E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.” Deus prometeu o seu Espírito, é bom lembrarmos que esta promessa foi feita lá no AT. Jl. 2. 28-29 E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.”
   
Deus disse que derramaria do seu Espírito, e não uma terceira pessoa. Após terem recebido o Espírito Santo, qual foi o discurso do apóstolo Pedro? At. 2. 33 Exaltado, pois, à destra de Deus tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” O próprio Pedro confirmou que a promessa de Deus era derramar o seu Espírito At. 2. 38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.”

O que seria e quem concedeu o dom do Espírito Santo? At. 11. 17 Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus? O dom foi uma dádiva do próprio Deus. Atos 15. 8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera.” 1ª Co. 2. 12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.”

Este verso enfaticamente confirma que Deus é quem dá o seu Espírito Santo, outro verso que confirma esta realidade 1ª Ts. 4. 8 “Dessarte, quem rejeita estas coisas não rejeita ao homem, e sim a Deus, que também vos dá o seu Espírito Santo.”  Este Espírito é o mesmo Espírito que foi dado a Jesus, na ocasião do seu batismo. Sobre a segunda questão: Segundo a teologia trinitariana, a 3ª pessoa da trindade se manifestou na ocasião do batismo de Jesus representado por uma pomba, desde então o emblema bíblico da pomba está diretamente associado ao Espírito Santo.

Mediante isto entendemos que ainda que seja de uma forma figurada (representativa) os trinitarianos criaram uma imagem para Deus, pois para a teologia trinitariana a 3ª pessoa da trindade também é Deus. O que a bíblia nos diz sobre isso? Dt. 4. 15-17 "Guardai, pois, cuidadosamente , a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher, semelhança de algum animal que há na terra, semelhança de algum volátil que voa pelos céus."

 Percebemos então que ao dizer que "Deus" se tornou manifesto e foi representado por uma pomba (animal volátil) fere a palavra de Deus vai completamente contra os ensinamentos bíblicos, não é dito que Deus desceu sobre uma forma de pomba, mas o dom de Deus. A terceira questão: A manifestação do Espírito de Deus sobre Jesus logo após o seu batismo teve dois objetivos. (1) Testemunhar para todos os cristãos das eras as subsequente que Jesus é o filho de Deus, que recebeu a plenitude do espírito e que diferentemente de João Batista iria batizar com o Espírito Santo.


(2) Tal manifestação foi para testemunhar, principalmente para João Batista de que Jesus era o Cristo o Messias, qual a necessidade disso? A bíblia nos diz que apesar de serem primos João e Jesus não se conheciam Jo. 1. 31-32 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel vim, por isso, batizando com água. E João testemunhou, dizendo Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele.” Naqueles dias João batizava no rio Jordão, e muitos iam ter com ele, como saber então quem era o Messias? O que Deus disse para João, e que sinal ele lhe deu? Jo. 1. 33 "E eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito Santo e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo." E o interessante que no verso 32 do mesmo capítulo João Batista diz que ele viu o Espírito descer sobre Jesus, não disse que todos os que estavam em derredor viram. Na verdade, este foi um sinal identificador para João Batista e não para o povo, sinal este que mostrava que Jesus era o Cristo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Você Pode Está Perdido.

Alguma vez em sua vida, você já foi abordado por alguém que lhe disse: Você precisa aceitar a Jesus pois, você está perdido(a) ele é o único que pode te salvar... Geralmente quando isto acontece nós nunca interrogamos a pessoa que nos abordou, na realidade a nossa reação deveria ser: em que eu estou perdido? eu preciso de um salvador para que? somente assim nós seriamos informados devidamente em que estamos perdidos, e por outro lado a mensagem teria sentido e o mensageiro cumpriria a sua função. O fato é que, independente de nossa classe social, cor, sexo ou etnia e quer queiramos, aceitamos ou não, todos os que rejeitam a mensagem apresentada pelo evangelho estão irremediavelmente perdidos. A bíblia nos diz isso em. Atos 4: 12. "E em nenhum outro nome há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos."O oposto de salvação é perdição, logo se precisamos de um salvador é porque estamos perdidos. Segundo a linguagem bíblica o que é estar perdido? Muitas das vezes nós ouvimos: - Eu não mato, não roubo, não cometo nenhum agravo contra a sociedade, portanto posso me considerar uma pessoa boa...O que o próprio Jesus nos disse sobre isso? "Respondeu-lhe Jesus: porque me chamas bom? ninguém é bom senão um só que é Deus." Mar.10:18. Na verdade, o género humano sem Jesus Cristo está perdido não por aquilo que ele faz, mas sim por aquilo que ele é. As mazelas, as neuroses, o egoísmo, o mal comportamento humano, as doenças, e até mesmo a morte, têm sua causa no amortecimento espiritual humano. O que causou tal perdição? O que de fato aconteceu? antes porém, devemos lembrar que devido a espiritualidade humana estar morta, o género humano busca para sua existência aquilo que está ligado ao físico, ou seja, a sua realidade está vinculada no palpável somente naquilo que se vê, o que importa para ele é o abstrato, esquece ou não têm a menor ideia que existe uma realidade bem mais profunda, que é a realidade espiritual. Qual é o conselho bíblico para nós? IICor. 4:18. Segundo o relato bíblico um ser que abaixo de Cristo e de Deus, perverteu a ordem estipulada, disseminou o engano entre os seres espirituais e também para os nossos primeiros pais. Infelizmente este engano têm lugar até os dias de hoje, não excluindo nenhum lugar onde ele não esteja. Qual é o método usado para o engano? IICor 4:4 e IITessal. 2: 10 a 12. Qual foi o método utilizado pelo inimigo de Deus e do homem, para enganar nossos primeiros pais? Gên. 2: 15 a 17. Percebemos nestes versos que Deus propôs para o homem a vida, e a vida seria consequência da obediência. Qual foi a proposta do Diabo? Gên. 3:1 a 5. Foi contrário a proposta de Deus, após isso ocorreu um conflito na mente dos nossos primeiros pais, principalmente na mente de nossa primeira mãe, de um lado Deus recomendando que eles não comessem do fruto, do outro lado a serpente (ver apoc. 20: 2) instigando-os a desobediência. O problema de nossas escolhas é que elas são influenciadas por fatores externos sendo consumadas devido as nossas tendências. Vejamos o que aconteceu. Gên. 3:6. Percebemos que na maioria das vezes as nossas ações são idênticas a ação praticada por Eva, não medimos as consequências visamos o imediato e pagamos por isso. Em sua ação desmedida, Eva introduziu a desobediência a ordem dada por Deus. Muitos perguntam: O que eu tenho haver com uma ação realizada em um passado tão distante? ROM. 5:12. Nos responde. Na verdade, o pecado ou o estado que nós nos encontramos em todas as suas esferas, física, mental e espiritual é apenas um reflexo do que aconteceu com a mente dos nossos primeiros pais, e consequentemente foi passado através da genética a cada um de nós. O ato de desobediência realizado lá no éden aniquilou ou matou a espiritualidade humana, podemos dizer que o género humano sem Deus está espiritualmente morto. Efésios 2:1 a 5. O fato é que Jesus disse: necessário vos é nascer de novo. João 3: 3 a 5. É lógico que o nascimento aqui deve ser entendido como um nascimento espiritual. Segundo a bíblia qual é o destino do pecador impenitente? ROM. 6: 23. Quantos estão debaixo desta condenação? ROM. 3: 19. Devemos salientar também, que a vida humana mesmo no éden só se perpetuou devido a misericórdia divina, apesar da natureza espiritual humana ter sofrido uma ruptura Deus poupou o homem preservando assim a sua natureza humana, com o único objetivo que ele reconheça a sua condição e entre no pacto estabelecido por Deus. Visto que o salário do pecado é a morte, mesmo no jardim do éden, Deus fez recair o salário devidos ao ser humano, em um substituto. Gên. 3:21. O fato de ter feito uma vestimenta de peles, significa que alguém foi morto no lugar do homem pagando provisoriamente a sua culpa, isso é comprovado pelos sacrifícios e ofertas de animais limpos exigido por Deus em todo a antiga aliança Geralmente o animal requerido era um cordeiro. Na verdade este cordeiro representava ao filho de Deus, que viria a este mundo e receberia o salário devido ao homem, e pagaria para sempre as suas culpas ver. Isaías 53: 4 a 12. João 1: 29, 35 e 36. Espiritualmente falando, o estar perdido não é estar em um país ou em uma cidade diferente, é estar em débito é estar em desarmonia com a vontade de Deus, desarmonia esta que é causada pelo pecado, em ROM 3:10 diz que não há um justo. E em meio a isto o estar perdido segundo a linguagem bíblica é viver este breve período da vida humana que conhecemos e nada mais. Ao passo que o homem foi criado para viver eternamente, não esta vida cheia de tribulações que conhecemos, mais sim o propósito original que Deus têm proposto, porém para isso é necessário nascermos de novo. Qual é o primeiro passo para a ressurreição espiritual? João 17: 3. Vemos neste verso, que o primeiro passo para se nascer de novo é conhecermos a Deus, e a seu filho Jesus Cristo, somente assim nós conheceremos a verdade e ela nos libertará. João 8: 32. Somente assim conheceremos o grande resgate que Deus por meio de Cristo efetuou em nosso favor. I Pedro 1: 18 a 20. Sabendo que não foi com coisas corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós.

domingo, 19 de abril de 2009

Eu e o pai somos um.

Muitas confusões tem surgido na interpretação do texto bíblico declarado por Jesus, que está registrado em João 10:30. Que diz: Eu e o pai somos um. O que quis dizer Jesus com estas palavras? várias são as interpretações que os teólogos dão para esta declaração e entre elas estão: Que Jesus é o Deus eterno, que esta declaração de Jesus reforça o conceito trinitariano, logo se Jesus não fosse Deus ele não poderia dizer que era um com o pai e etc. Na verdade nós sabemos que estas declarações são tendenciosas e inclinadas a apoiar um ponto de vista pré-estabelecido e sem apoio bíblico. E podemos facilmente contradizer este pensamento e reduzi-lo a uma falácia. Apesar de Jesus ter dito, eu e o pai somos um ele não disse. Eu e o pai somos um Deus. Ainda que esta fosse a intenção de Jesus, o que dizer do Espírito Santo? ele não faz parte da trindade? Estas palavras de maneira nenhuma testificam a favor do dogma trinitariano. Algo natural que todos devemos fazer é ler o contexto em que o texto está inserido, neste caso nós devemos ler o capítulo dez de João do verso 22 ao verso 38. Somente assim saberemos o que Jesus quis de fato dizer. Percebemos neste contexto, que quando Jesus afirmou a sua unidade com o pai, os judeus entenderam o mesmo que os trinitarianos entendem atualmente, verso 33. Porém, no verso anterior 32, Jesus começa a ensinar a questão da unidade existente entre ele e Deus. Percebemos também que quando Jesus fazia as obras ele não as fazia sozinho, Deus operava por meio de Cristo, Jesus foi o meio que tornou conhecido os atos de Deus. O fato de Jesus dizer que Deus estava e operava por meio dele revela claramente a questão da unidade declarada em João 10:30. O interessante é que o próprio Jesus para refutar a interpretação errónea por parte dos judeus concernente a sua filiação e unidade com Deus, Jesus simplesmente disse no verso 36 - vocês dizem que eu blasfemo só por que disse sou filho de Deus? Pergunto: se Jesus é o Deus eterno como querem os trinitarianos, por que ele refutou as declarações dos judeus? ficou com medo de represálias? infelizmente é o homem chamando o filho de Deus de mentiroso, no mínimo dizendo o que o próprio Cristo não disse. Percebemos também que mesmo Jesus tendo negado que era Deus os judeus ainda assim queriam prende-lo. Verso 39. Quanto a questão da unidade declarada por Jesus em João 10:30 concernente as obras realizadas por ele é facilmente compreendida sem malabarismos no verso 38 do mesmo capítulo, que diz: Mas se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o pai está em mim, e eu estou no pai. Com isso Jesus passou para os seus opositores que a sua origem era e é celestial, divina e por causa disso Deus era com ele, ou seja, Deus realizou as obras por meio de Cristo, ao passo que Cristo realizou as obras pelo poder de Deus, e isso está em acordo com todos os escritos principalmente do novo testamento. Por exemplo: João 8:29. E aquele que está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. A bíblia explica-se a si mesmo, mesmo no contexto diferente, mas com o mesmo sentido a questão da unidade fica bem esclarecida. João 14:6 a 13. É o mesmo caso de João 10:30. resumirei este contexto. Filipe um dos seus discípulos perguntou no verso 8: - mostra nos o pai, e isso nos basta. Qual foi a resposta de Jesus? Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me tens conhecido? se encerrasse-mos a leitura deste verso, teríamos que admitir que Jesus é o seu próprio pai, porém não é este o caso Jesus continua ainda no verso 9 e 10 de João 14: - Quem me vê a mim vê o pai; como dizes tu: mostra-nos o pai? verso 10. Não crês que eu estou no pai e o pai está em mim? As palavras que eu digo não as digo por mim mesmo; mas o pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Outros versos que tratam da unidade do pai com o filho são: Atos 2:22, Atos 10:38 Col. 2:9 e por último II Cor. 5:19 que diz: Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós o mistério da reconciliação. Este verso nos mostra claramente a questão da unidade, ou seja, Deus estava em Cristo. Entendemos e aceitamos que entre Deus e Jesus Cristo, existe uma unidade isso é ponto pacifico, agora usar versos bíblicos fora de contexto para tentar dizer que tal unidade declarada na bíblia significa que os dois formam um único Deus, é um atentado contra a lógica. Até porque dois nunca será um. Portanto quando Jesus disse, Eu e o pai somos um, significa que Deus estava atuando em Cristo e Cristo estava revelando a Deus. Em João 8:29 está escrito: E aquele que me enviou está comigo; o pai não tem me deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

sábado, 4 de abril de 2009

Como Entender Hebreus 1:6 ?

Hb. 1. 6  "E, novamente ao introduzir o primogênito no mundo diz: e todos os anjos de Deus o adorem." Os que sustentam a doutrina da trindade e isso são quase todas as denominações cristãs, contra argumentam quando se deparam com assuntos contrários ao seu pensamentos doutrinários, e com relação a esta doutrina eles argumentam: Se Jesus não é o Deus eterno, como pode os anjos de Deus o adorarem? não seria isso um tipo de idolatria? 

Seriam essas duas perguntas um empasse para a questão anti trinitariana? Não! E isso por questões bem simples; e resumo essas questões em duas. A primeira é que a citação da qual foi extraído  o capítulo um de hebreus é o salmos capítulo dois, onde acertadamente o autor da carta interpretou como sendo uma citação profética que encontrou seu cumprimento em Jesus, alias, várias citações que tiveram seu cumprimento profético em Cristo tiveram seu cumprimento literal e local nas pessoas que viveram no AT. Mais propriamente nos reis de Israel, entre eles se destacaram Davi e Salomão.

Bem, analisando assim percebemos uma questão importante: seriam essas pessoas deuses? Todos nós diremos, de maneira nenhuma! Ora, se não foram, por que se intitularam como tais? Na verdade eles não se intitularam, isso fazia parte da cultura; a bíblia classifica o Messias, os reis, os juízes, os governantes como sendo elohim, ou deus, veremos apenas um verso que demonstra de maneira clara o que estou dizendo, Zc.  12. 8 "Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do Senhor diante deles".

Em outro assunto nós veremos essa questão de uma forma mais ampliada. Por ora eu quero destacar, nem sempre quando se refere a elohim ou Deus a bíblia está se referindo ao Deus eterno a quem a bíblia classifica como sendo o pai, e também se realmente Jesus fosse o Deus eterno como querem os trinitarianos qual o motivo haveria se ordenar algo óbvio, como registrado no verso seis de hebreus um? Os anjos não deveriam adora-lo naturalmente? 

A segunda questão que resume bem o que o autor de hebreus está nos dizendo, está no significado original da palavra hebraica adorar, assim também no significado original grego. A palavra adorar em hebraico é shahháh e a palavra original grega é proskynéo. Por exemplo: 1ª Sm. 24. 8 "Depois também Davi se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detrás de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou".

Nos é dito que Davi inclinou-se com o rosto em terra em reverencia ao rei Saul, e a palavra inclinou-se é shahháh.  Vejamos outros episódios nos quais as pessoas adoraram (shahháh) as outras, 2ª Sm. 24. 20 "E olhou Araúna, e viu que vinham para ele o rei e os seus servos; saiu, pois, Araúna e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra". Gn. 27. 29 "Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem".

A bíblia nos diz também que os homens curvaram-se diante dos anjos, Js. 5. 13 -14 "E sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada nua; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos? E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?

Neste verso é destacado a palavra adorar juntamente com o prostrar, no entanto, é preciso levar em consideração o contexto para saber se shahháh e proskynéo estão se referindo a prestar homenagens apenas na forma de profundo respeito por alguém que é superior, no caso: Anjos, Messias, Reis, governantes ou se a adoração era uma forma religiosa ou uma prestação de culto a falsos deuses, ou ao Deus verdadeiro. 

Os israelitas sabiam distinguir  o prostrar para alguém superior em forma de respeito; quanto aos falsos deuses lhes era proibido, Dt. 8. 19 "Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do Senhor teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis".

A palavra hebraica shahháh no sentido de adoração só poderia ser aplicado para o Deus verdadeiro, Sl. 95. 6 -7 "Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz". O mesmo sentido é aplicado no NT. usando a palavra grega proskynéo. Jo. 4. 24 "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade". 

Vale lembrar que neste verso Jesus não procurou adoração para si como querem os trinitarianos, pelo contrário, quais foram as palavras de Jesus no monte da tentação? Mt. 4. 8-10 "Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles. E disse-lhe: tudo isto te darei se prostrado, me adorares. Então disse-lhe Jesus: vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus adorarás e só a ele servirás". 

Assim como a palavra hebraica shahháh, a palavra grega proskynéo não se restringe a adoração no sentido religioso o prestar culto ao criador do universo, o verso a seguir percebemos os soldados romanos agindo com escarnio Mc. 15. 18-19 "E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus! E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram". Embora a palavra proskyneo signifique adoração, sabemos no entanto, que não foi esta a verdadeira intenção dos soldados romanos. 

Um outro caso de proskynéo, mas que não é adoração a Deus é utilizado na parábola do credor incompassivo. Mt. 18. 28 -29 " Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei".         

Como vimos então, as palavras shahháh e proskynéo não estão limitadas ao ato de adoração ou prestação de culto ao Deus verdadeiro, dentro do contexto bíblico ela era bastante abrangente; o que não podemos fazer é utilizar o pensamento que permeia a nossa cultura para tentar dar suporte a uma doutrina ou mesmo uma tendência que desejamos que seja validada.