sábado, 1 de junho de 2019

O Satanás do livro de Jó, outras considerações.

Jó 1. 6 “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”. Existem muitas possibilidades que o Satanás descrito no verso acima seja é um irmão de fé, que congregava juntamente com Jó e sua família. Ao analisarmos os versos anteriores percebemos alguma verdade nisso. Jó 1. 4 “ Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles”.

Após as festanças oferecidas pelos filhos, jó como homem temente a Deus se preocupava em oferecer sacrifícios em prol de algum possível deslize cometido pelos filhos, reparem no contexto que a presença de Satanás se dá justamente na reunião religiosa, reunião essa ocorrida logo após as festas de seus filhos. Naturalmente a reunião de adoração fazia com que todos os crentes fossem a presença de Deus, mas isso no céu? Não! Na reunião organizada pelo líder da localidade, e tudo indica que esse líder era o próprio Jó.

Mas como as pessoas se reuniam perante o Senhor? Dt. 19. 17 “Então, os dois homens que tiverem a demanda se apresentarão perante o SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias”. Nos dias bíblicos o comparecer perante o Senhor bastava se apresentar ao seu representante, um sacerdote, ou outro representante, provavelmente em um lugar devidamente preparado para esse fim, Sl. 42. 2 “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”

Como todos os crentes foram a presença de Deus, Satanás foi também entre eles. Nem todos residem próximo de uma igreja, nos dias de Jó era assim também, muitos possivelmente viajavam por longos percursos, inclusive a pé para poderem chegar ao lugar da reunião. Jó. 1. 7 “Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela.”

Quando lemos este verso, imaginamos um ser espiritual rodeando toda a a terra, isso se dá devido ao condicionamento religioso que tivemos, mas, por outro lado a bíblia em vários textos nos mostra que o percorrer a terra, pode muito bem ser entendido como percorrer um determinado lugar, Gn. 4. 13-14, 16 “Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará; Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden".

Caim foi condenado a ser um andarilho sobre a terra por causa do crime cometido contra o seu irmão, crime este instigado pelo ciume. Neste mesmo pensamento, Satanás pode ter sido algum crente que em algum sentido nutria inveja de Jó e de tudo o que ele possuía e mesmo assim, participou da reunião dos crentes e lá expressou a sua inveja. A referência para os filhos de Deus que vieram juntos em adoração diante de um sacerdote ou um altar ocorre imediatamente após o relato sobre os filhos de Jó que fizeram suas festas bastantes picantes.

Por que disse anteriormente que Satanás pode ter sido algum “crente” contemporâneo de Jó? Pelo simples fato da palavra Satanás significar adversário e não um inimigo sobre humano, ou algum ser espiritual e o verdadeiro adversário de Jó eram seus "amigos". Sem subestimar a aflição física de Jó, seu oponente real eram seus irmãos de fé. O próprio Jó comentou como seus amigos tinham se tornado seus adversários, Jó. 19.19 “Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim". 

Vejamos as seguintes provas que seus amigos tinham, na verdade se tornado os Satanás, ou mais propriamente os adversários de Jó. Há algumas passagens bíblicas que nos mostram como os amigos de Jó foram acusados por ele pela perseguição física a ele dirigida, Jó. 19. 21-22 “Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu. Por que me perseguis como Deus me persegue e não cessais de devorar a minha carne?"

Não estaria Jó falando das calamidades humanas dos primeiros capítulos, que são atribuídas a Satanás? Por exemplo: Jó 1. 13-15 “Sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa do irmão primogênito,que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;de repente, deram sobre eles os sabeus, e os levaram, e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.”

O interessante também é que Satanás no capítulo 1 quer de todas as formas contradizer a Deus ou aquele que o representa, Jó. 1. 8-10 “Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra".

A contradição se dá quando Deus ou aquele que o representava disse que Jó era integro e reto, o adversário movido por inveja não poderia admitir tal elogio, e a mesma disposição para denegrir a Jó teve o seu “amigo” Jó 8. 5-6 “Mas, se tu buscares a Deus e ao Todo- Poderoso pedires misericórdia,se fores puro e reto, ele, sem demora, despertará em teu favor e restaurará a justiça da tua morada".

Ora, Deus havia dito que Jó era reto, mas o seu “amigo” não acreditava. O que ele disse na verdade foi :"Se você realmente fosse puro e reto, certamente mesmo agora Deus se levantava em seu favor". A bíblia não diz qual dos “amigos” de Jó foi o seu Satanás, ou o seu adversário, ou inimigo, pode ter sido um dos três, como pode também ser outra pessoa que não apareceu. Porém, o fato foi que as palavras e ações dos amigos de Jó não agradaram a Deus, Jó. 42. 7 “Tendo o SENHOR falado estas palavras a Jó, o SENHOR disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.”

O fato é que as calamidades ocorridas na vida de Jó aconteceram de duas maneiras: Pela mão de Deus, Jó. 2. 4-5 “Então, Satanás respondeu ao SENHOR: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.Estende, porém, a mão, toca-lhe nos ossos e na carne e verás se não blasfema contra ti na tua face". Ou pela mão do homem:

Jó. 1. 8 “Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR”. Jó 16. 9-13 "Homens abrem contra mim a boca, com desprezo me esbofeteiam, e contra mim todos se ajuntam.Deus me entrega ao ímpio e nas mãos dos perversos me faz cair. Em paz eu vivia, porém ele me quebrantou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; pôs-me por seu alvo. Cercam-me as suas flechas, atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama na terra".

quarta-feira, 1 de maio de 2019

A importância do simbolismo da ceia.

Jo. 6. 3-4 “E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos. E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima”. A páscoa conforme registrada no AT. já no NT. Deu lugar para a ceia do Senhor. Mediante, isso várias são as interpretações no meio religioso cristão acerca do significado da mesma. O catolicismo romano talvez seja a denominação religiosa que mais retrata a questão da ceia do Senhor como sendo algo puramente literal, o ensinamento católico romano diz que o pão literalmente se transformou no corpo de Cristo. 

A base bíblica para este pensamento se encontra em Jo. 6. 51, 54 “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. Falava Jesus realmente de uma forma literal? Absolutamente! Não existe um ensinamento em toda a bíblia que confirme a prática do canibalismo, portanto Jesus falou de uma forma metafórica, algo corriqueiro para o mundo judaico de então.

Veremos dois exemplos claros disso encontrados no evangelho de João: Jo. 10. 9 “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens”. Jo. 15. 1 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador”. Fato é que Jesus não disse literalmente que era uma porta e nem mesmo que era uma videira e muito menos que Deus seja literalmente um agricultor; como disse acima a linguagem bíblica é assim, metáforas, prosopopeias e figuras de linguagens, linguagem comum nos dias bíblicos.

 1ª Co. 11. 26 “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha”. Este é o objetivo da ceia do Senhor, testificar. Mas, testificar o que? Bem, podemos enumerar alguns acontecimentos importantes que merecem serem relembrados; e entre eles estão: o fim dos sacrifícios, os quais representavam a páscoa, a inserção da nova aliança, o cumprimento da promessa representada pelo cordeiro sacrificado, o prenuncio da ressurreição e por fim a instauração do reino de Deus. 

Portanto, estes são alguns objetivos da ceia do Senhor, naturalmente para aqueles que creem, lógico. Ou seja, todos os acontecimentos relacionados acima só terão lugar na mente daqueles que creem. Cito também a presença espiritual na ceia, não no pão, o pão é apenas um simbolo, algo que trás a memória, é certo também que a presença espiritual do Cristo ressuscitado não se dá apenas no momento da ceia, pelo contrário, Mt. 28. 20 Ensinados a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. 

1ª Co. 11. 24 “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”. A confusão acontece quando o verso e outros paralelos dizem: isto é o meu corpo... seria desnecessário Jesus ter dito assim... este ato representa o meu sacrifício... é sabido por todos que a ceia judaica não era só realizada com pão e vinho, era a páscoa, portanto eles também comiam do sacrifício das ovelhas, mas o verso parece aludir ao pão. 

Seria ele mais especial ou representava mais taxativamente o sacrifício de Cristo? Jo. 1. 29 “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Em termos de representatividade e baseado no contexto direto que era a páscoa, o cordeiro representava melhor a Cristo, acredito que o pão figurou naquele momento pelo fato de ser melhor manipulado, ou seja, o ato de reparti-lo seria mais fácil com o pão do que com o cordeiro. 

Assim sendo, o pão não é o corpo de Cristo, representa-o. A palavra memória encontrada em 1ª corintios 11. 24, em grego é anmnésis e significa trazer a memória, recordar, relembrar, portanto, este é o objetivo da ceia, recordar relembrar manter viva a esperança do novo reino, dizer que o pão é literalmente o corpo de Cristo, é texto fora de contexto, é o mesmo que dizer que ele Jesus na ceia com os doze, comeu do seu próprio corpo, não tem lógica.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A casa do pai, analisada pelo contexto bíblico

Jo. 14. 1-3 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vô-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também".

Quando lemos ou ouvimos estas palavras ditas por Jesus, somos automaticamente levados a imaginar que tal declaração refere-se a um lugar no céu, as ditas moradas celestiais, isso acontece devido ao fato de sermos doutrinados desde sempre a pensar assim. Mas, será que isso realmente procede? Estaria Jesus dando aos seus discípulos esta informação?

Primeiramente nós devemos ter em mente, que as declarações ditas por Jesus teve como público-alvo os seus discípulos e posteriormente aqueles que fariam parte do seu aprisco, logo os versos de João 14. 1-3 são palavras ditas por um judeu e para os judeus. As interpretações teológicas referente a esses versos os quais tem nos influenciados, à acreditarmos nas moradas celestes, são produtos da igreja ao longo dos séculos.

Jesus disse: Na casa de meu pai... o crente atual rejubila dizendo, a casa do pai fica no céu, logo, vamos morar no céu. No entanto, qual era o conceito de casa de Deus nos dias bíblicos? Estariam os discípulos com a mente direcionada a acreditar (como ensinam certas denominações) em mansões celestiais? 1ª Cr. 22. 10 “Ele edificará uma casa ao meu nome, e me será por filho, e eu lhe serei por pai, e confirmarei o trono de seu reino sobre Israel, para sempre”.

Era comum no pensamento judaico ter Deus como pai, Sl. 89. 26 “Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação”. Mesmo aqueles que não creram em Jesus tinham Deus por pai, era uma questão cultural, Jo. 8. 41 “Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus". Jo. 20. 17 “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.

Baseado nestes poucos versos, fica fácil perceber que ter Deus como pai, fazia e faz parte da religiosidade judaica. E quanto a casa de Deus? Ao Jesus dizer as palavras: “na casa de meu pai” foram os discípulos levados a pensar em um lugar no céu? Bem, se seguirmos o ensinamento cristão ortodoxo a resposta é um sim, mas devemos analisar a bíblia baseado em seu contexto histórico, isto é, analisar pelas lentes daqueles homens que viveram nos dias de Jesus e levando sempre em consideração o que eles criam.

Primeiramente eles não criam ou teriam sido ensinados a acreditarem em uma morada no céu, pelo contrário, a perspectiva que eles nutriam era de aguardarem a instauração do reino de Deus sobre a terra, Mt. 19. 28 “E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel”Lc. 22. 29-30 “E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou, Para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel”. 

Ao ouvirem as palavras de Jesus dizendo, na casa de meu pai há muitas moradas naturalmente não pensaram que seria fora da terra. Pelo contrário, ao ouvirem estas palavras eles os discípulos, associaram logo que a casa de Deus era aquela que eles sempre ouviram dizer. Ou seja, o templo de Jerusalém, 1ª Rs. 6. 5- 6 “E edificou câmaras junto ao muro da casa, contra as paredes da casa, em redor, tanto do templo como do oráculo; e assim lhe fez câmaras laterais em redor. A câmara de baixo era de cinco côvados de largura, e a do meio de seis côvados de largura, e a terceira de sete côvados de largura; porque pela parte de fora da casa, em redor, fizera encostos, para que as vigas não se apoiassem nas paredes da casa”.

O Templo de Jerusalém é uma estrutura muito grande, mais ou menos retangular, de cerca de quinhentos metros de comprimento por trezentos de largura e está situado no monte Moriá a leste da cidade santa. Naturalmente a compreensão dos discípulos sobre a casa de meu pai anteriormente dita por Jesus levou os seus pensamentos para o templo de Jerusalém, Jr. 7. 4 “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este”.

Eis a mentalidade judaica, templo do Senhor, sinônimo de casa do Senhor. Mesmo a ideia de se morar na casa do Senhor é desde o tempo do AT. Sl. 27. 4 “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo”. Portanto, não existe uma só descrição na bíblia onde literalmente afirme que a casa do Senhor que é o mesmo que a casa do pai seja a nova Jerusalém descrita em apocalipse; ou seja, Jesus não disse que os salvos terão que subir ao céu para depois descer, são interpretações teológicas que criaram esse corpo doutrinário e haja vista, que essa interpretação sofre mudanças dependendo do ramo denominacional.

A despeito do NT. Ou mais propriamente o livro do apocalipse tratar a questão do templo de Deus de uma forma espiritual ou em outra dimensão, a mentalidade judaica ou a que mais interessava a Jesus naqueles dias que eram os discípulos, e estes interpretavam embasados na sua compreensão teológica e sobre tudo corroborados pelo próprio Cristo, de que a casa do pai era o templo de Jerusalém, Mt. 23. 21 “E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita”.

Muitos irão dizer: mas a bíblia diz que o trono de Deus está no céu... é verdade, diz, contudo diz também que Deus habitava o templo, caso contrário Jesus não poderia ter dito as palavras acima, associando o templo sendo habitado pela presença de Deus, 2ª Cr. 7. 2 “E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor”.

Esta era a realidade, este era o ensinamento e sobre tudo, este era o pensamento que permeava a mentalidade dos discípulos. A casa do pai logo era associada ao templo, Jo. 2. 14-16 “E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda”.

Nesta ocasião Jesus chamou o templo de Jerusalém de a casa do meu pai, e os discípulos entenderam isso, o verso 17 nos confirma o que eu digo, “E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou”. Será que em outra ocasião as palavras de Jesus concernente “a casa do meu pai” teve outra dimensão? Deveriam os discípulos esquecerem-se os ensinamentos contidos em toda a bíblia e voltarem-se suas mentes para uma nova realidade a qual eles não compreendiam? 

Jo. 14. 3 “E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Resumindo: “E quando eu for” digamos que a interpretação seja realmente a ida de Jesus para o céu; só não nos é dito que os discípulos e os salvos iriam para o céu com ele, ao invés disso é dito: “virei outra vez”. “E vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” Naturalmente estas palavras ficam subentendidas, pois de nenhuma forma assegura uma ida ao céu, cabendo aqui as diversas interpretações existentes no meio cristão.

Acredito que de uma forma literal Jesus estava falando do estabelecimento do reino de Deus, tendo os discípulos como seus ministros, por isso a menção a casa do pai, local simbolo da soberania do povo judeu. De uma forma espiritual tenho também uma interpretação bíblia, interpretação esta que não é as moradas no céu, contudo, fica para uma outra ocasião.

sábado, 16 de março de 2019

O Deus de Hebreus. 1. 8, é o rei do salmo 45.

Vimos em outro assunto https://evandro-blogdoevandro.blogspot.com/2019/02/analisando-o-titulo-deus-em-hb-1-8.html que apesar dos teólogos trinitarianos assegurarem que o texto está se referindo diretamente a Jesus, contrasta com a declaração da bíblia em seu contexto que nos afirma que tal declaração de hebreus 1. 8 é uma clara alusão ao rei de Israel. Lembrando sempre que a palavra Deus ou deuses é Eloim.

Passemos então a analisar o contexto histórico do Salmo 45. 6-7, podemos perceber que, este salmo  como dito acima é dirigido a um monarca de israel, e que profeticamente e somente profeticamente aponta para Cristo, mas, perceba, o aponta como monarca, conforme o salmo, e não como o Deus Eterno. O restante do Salmo, normalmente e deixado de lado por muitos, no entanto, dá informações importantes sobre essa realidade.

Sl. 45. 1-2 “O meu coração ferve com palavras boas, falo do que tenho feito no tocante ao Rei. A minha língua é a pena de um destro escritor. Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre”. Vemos nestes dois versos que o escritor descreve a pessoa do Rei, a quem chama de o mais formoso entre os filhos dos homens e que Deus o abençoou.

(Verso 7) “ Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Diz, que esse rei foi escolhido dentre outros companheiros.

(Verso 9) “As filhas dos reis estavam entre as tuas ilustres mulheres; à tua direita estava a rainha ornada de finíssimo ouro de Ofir". diz também que esse rei que foi chamado de “Deus” tem donzelas a sua disposição e já tem uma rainha, inclusive filhas.

Ao invés de imaginarmos o Salmo 45. 6 como um versículo isolado, como se este fosse um complemento no texto bíblico que foi usado em Hebreus, precisamos vê-lo como parte de um maravilhoso contexto, não somente do restante do próprio Salmo, mas de toda a Bíblia e entendê-lo como todo aquele que se preocupa em ler a Bíblia por completo entenderia; que a palavra “Deus” no verso 6 não é atribuição de deidade, mas reconhecimento de poderio e da origem do trono daquele monarca e nesse sentido, com caráter profético, aplicado em Hebreus.

Se só lermos Hb.1. 8, isoladamente, buscando uma solução trinitária, deveríamos antes parar para meditar: Se o texto diz que Deus, o Deus de “Deus”, o ungiu, não só teríamos um subordinacionismo ontológico, que é rejeitado pelos trinitarianos por negar a co-igualdade entre as hipóstases, como também “Deus” fora de Deus, cuja possibilidade é negada em Is. 44. 6, Ou seja, um Deus ungindo um outro co-igual é algo não permitido e nem ensinado na Bíblia.

Os versos não dizem que Deus está se auto-ungindo. Portanto se o texto se referir a primeira ocorrência da palavra Deus como Deidade absoluta, temos, por via de consequência dois “Deus(es)”; o ungido e aquele que o unge. Agora, se o entendemos como um texto que foi dirigido, como o próprio nome da epístola diz, aos HEBREUS, e nos lembrarmos que eles estavam familiarizados com os usos do termo “Deus” (Elohim) nas escrituras Hebraicas e o lia agora em grego, então, tudo se harmoniza.

Pois como regente da casa de Davi, Jesus assentará no trono eterno de Deus como o fez Salomão; será juiz (Cetro de Equidade), como o foram Jafé e muitos outros, e por consequência “Elohim” (Deus), mas não no mesmo sentido que o Pai é. Os hebreus não estranhavam quando alguém era chamado de “Elohim” (Deus) quando o contexto nitidamente apontava para aquele que fora designado por Deus e tinha o poder de reger e julgar o povo escolhido. Assim Hb. 1. 8, longe de atribuir deidade a Cristo, o reconhece, nos moldes Bíblicos, como Governante: O Messias que como rei regerá o seu povo.

domingo, 3 de março de 2019

A crença no Deus criador está baseada somente na fé?

Um dos objetivos principais dos naturalistas, (naturalismo é a crença de que somente explicações naturais devem ser consideradas.) é tentar segundo eles, esclarecer a mentalidade do homem (gênero) introduzindo um ensinamento baseado na ciência moderna a qual segundo eles, tem como pilar a razão em detrimento da fá, e assim remover o pensamento criacionista tão defendido e divulgado em épocas passadas. Antes porém, faz-se necessário observar que a despeito da dita ciência divulgar que a fé não é embasada na razão ou mesmo na lógica, não torna tal divulgação uma realidade.

Sl. 139. 14-16 “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.”

Naturalmente esta declaração do salmista soa estranho para os defensores da teoria da evolução, ao passo, para o crente (me refiro ao não cético) é uma realidade sem disfarces. Sustentar que um ser inteligente e sobre humano, não só criou, mas arquitetou toda a criação é algo transparente e sem equívocos. Naturalmente a bíblia foi escrita por e para o homem, por isso a linguagem humana se faz presente e é necessária, no entanto, não só a razão e mesmo a lógica baseada na necessidade de um criador é absolutamente compreensível.

Ou acreditamos em um Criador já há muito revelado e o tenhamos por Deus, ou instituímos por "deus" o acaso, o qual após uma explosão ocorrida a 13. 5 bilhões de anos surgiu a matéria e após o resfriamento da mesma surgiu a vida no mar primitivo. Bem, como eu disse a cima a bíblia foi escrita em uma linguagem humana, suponhamos que a descrição do livro de gênesis foi feita assim, devido ao fato de ter sido escrito por seres humanos restrito ao tempo.

Digamos também que a teoria da evolução esteja certa sobre o Big bang e o posterior resfriamento para que com isso originasse a vida na terra, surge então algumas perguntas e elas são: existia matéria antes do Big bang? Se sim, podemos concluir que não foi o Big bang quem provocou o surgimento da mesma, se não, quem foi que provocou a combinação de gases para o surgimento do mesmo? Os gases não poderiam existir a parte da matéria, visto serem eles algo físico, mesmo o espaço vazio que podemos imaginar não perfaz a realidade do nada absoluto existente antes do universo aparecer.

Em suma, a inercia absoluta não produz movimento, assim como a soma do nada absoluto é igual nada absoluto, portanto, faz-se necessário a existência de um ser anterior a matéria, com inteligência absoluta, para não só arquitetar, mas trazer a existência todas as coisas. E o escritor da carta aos hebreus sabiamente nos diz isso Hb. 11. 3 “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.”

Sl. 33. 6, 8-9 “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em depósitos.Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu.” Como disse a cima, seja como for o resultado da ordem expressa de Deus não o torna isento de sua criação, ou seja, se após a ordem expressa de Deus ocorreu uma explosão e com isso o surgimento da matéria não faz diferença; sempre lembrando que Deus é espiritual e a sua criação material,

portanto, nada mais natural acontecer causas e efeitos, tanto no tempo como no espaço. Assim sendo, a fé em um Deus criador está bem embasada, devido a vários fatores, e entre eles estão: a perfeita interdependência entre a própria criação o acaso não poderia criar essa perfeita interação, segundo, as leis que regem o nosso planeta descreve um legislador sábio e onipotente, terceiro, o acaso por ser simplesmente uma palavra utilizada para dar contornos aquilo que desconhecemos não é capaz de criar algo do nada e muito menos descrever uma ordem dos acontecimentos.

Por exemplo: a célula responsável pelo olho não fabricará as peles do corpo, e mesmo o olho estará sempre na face, e nunca no dedão do pé, em outras palavras o acaso além de não ser capaz de dar a vida ele não é inteligente para designar os meios da mesma, isso pelo simples fato de o acaso não existir. Mas mesmo assim existe essa “luta” ferrenha em tentar propagar a não existência de Deus e consequentemente do seu ato criador.

Por que é assim? Existem alguns fatores que corroboram com tal incredulidade, e podemos defini-lá em dois estágios. Espiritual é material, ou carnal como queiram. Naturalmente as questões últimas ou as consequências dos acontecimentos tem lugar primeiro na esfera espiritual, por exemplo, o ato de crer o não em Deus dá, nos-à impressão de que seja uma atitude puramente de escolha humana, em termos físicos sim, mas a realidade é outra 2ª Ts. 3. 2 “E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos.”

Jo. 10. 26 “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.” Mc 4. 12 “Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.” Os versos bíblicos vem nos comprovar que a essência que induz a rejeição na palavra de Deus NÃO é de cunho intelectual, mas sim espiritual. Muitos teólogos tem utilizado o termo ajuste preciso, para demonstrar um criador inteligente e ordenado.

Para que a vida na terra tenha sido trazida por acaso, é o mesmo que uma pessoa com um revolver na mão, pudesse visualizar o outro lado do universo e visse nesse outro lado um alvo com uma polega de diâmetro e assim com um único tiro acertasse esse alvo, algo estritamente impossível, o mesmo se dá com a ordenação da vida pelo acaso, vimos como um pequeno exemplo que o olho não foi localizado na face de forma aleatória. A verdade é que se não houver o fator rejeição já fixado de ante mão na mente do indivíduo a própria biologia comprovará a existência do Deus criador, e que ela a criação, será comprovada racionalmente.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Analisando o título Deus em Hb. 1. 8.

Hb. 1. 8 “Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino.” A tradição religiosa condicionou os crentes atuais a acharem que sempre que aparece a palavra “Deus” na bíblia esta se refira ao Deus Eterno, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e por consequência o próprio Cristo. Isso gerou e tem gerado dificuldades para várias pessoas, não só no entendimento de muitas passagens bíblicas, mas, também, a própria rejeição inconsciente da contextualização histórica do uso do termo “deus” dentro da Bíblia.

Vale ressaltar que nos originais da Bíblia, seja hebraico, aramaico ou grego não havia distinção nos caracteres, ou seja, todas as letras eram escritas do mesmo tamanho, assim, a tradução para as nossas Bíblias da palavra elohim, por exemplo, por “Deus” ou “deus” ou ainda “deuses” vai depender da compreensão que o tradutor tem de determinada passagem. Para se ter uma ideia o termo “elohim” (deus) aparece em torno de 2.500 vezes no Antigo Testamento hebraico, sendo que nada menos que umas 240 ocorrências não se referem ao Deus Criador. 

Em alguns casos vemos que o termo é aplicado individualmente a falsos deuses pagãos em pelo menos, 19 ocorrências: A Baal, 5 vezes (Jz. 6. 31; 1ª Rs. 18. 24,25,27; Jz. 8. 33); a Quemós, 2 vezes (Jz. 11. 24; 1ª Rs. 11. 33); a Milcom, 1 vez (1ª Rs. 11. 33); a Dagom, 5 vezes (Jz. 16. 23-24; 1ª Sm. 5. 7); a Baal Zebube, 4 vezes (2ª Rs. 1. 2- 3,6,16); a Nisroque, 2 vezes (2ª Rs. 19. 37; Is. 37. 38).

O próprio Bezerro de ouro que era "um" único, feito por Arão, foi chamado de “elohim” em Ex. 32. 4. Aqui se poderia questionar a legitimidade dessas falsas divindades serem chamadas de “deus” e, de fato, dentro do contexto bíblico, baseado em Gl. 4. 8, eles não têm legitimidade, mas o uso da palavra aplicada a elas, por si só, já descarta a reivindicação da existência implícita da trindade em “elohim”; uma suposta pluralidade de pessoas na palavra, pois cada uma dessas falsas divindades não são uma trindade por serem chamadas de elohim.

O Bezerro de Ouro, por exemplo, não era mais de um em nenhum aspecto. Destaque-se que quem os classificavam de elohim não eram os povos pagãos, eles tinham os seus termos nas línguas nativas para os definir, mas os próprios escritores sagrados que falavam e escreviam hebraico. Essa palavra se não tomada em sentido singular não pode significar “pessoas” na deidade, pois em seu sentido plural significa literalmente “deuses”, não pessoas, e nenhum trinitário afirmará que Pai, Filho e Espírito Santo sejam três deuses.

Vale ressaltar que tal termo também é aplicado a homens. Quando lemos a palavra “juízes” em nossas Bíblias, por exemplo, em Ex. 21. 6 “Então seu senhor o levará perante os juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.” ou Ex. 22. 28 “Aos juízes não maldirás, nem amaldiçoarás ao governador do teu povo”. Se lêssemos em uma Bíblia hebraica estaríamos lendo “elohim”, ou seja “deus” ou “deuses” ao invés de “juízes”, como ocorre no conhecido Salmo citado por Jesus, Sl. 82. 6 “Eu disse: Vós sois deuses (elohim), e filhos do Altíssimo, todos vós”. Devemos relembrar que tal Salmo não é a única ocorrência do termo “deus”.

Para o povo hebreu não seria algo esdrúxulo ou blasfemo um “juiz” ou “rei” de Israel ser chamado de “deus”, pois o são por concessão de quem o pode conceder e não em essência. Aliás, é esse tipo de pensamento contextual judaico que permite um israelita recitar esse salmo sem crise de consciência e sem ver nele contradição alguma com Is. 45. 5 “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus.”

O verso de Hb. 1. 8 lido a cima é referência de Sl 45. 6-7, e, a esse respeito a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB), elaborada por Católicos e Protestantes, da Editora Loyola, assim comenta o Salmo: “Deus, palavra que por vezes é aplicada a homens (cf. Ex. 4.16), parece aqui designar o rei. Segundo as versões, o v. 7 se dirige a Deus. Contudo, Hb. 1.8-9 o aplica ao Filho. Os modernos muitas vezes têm interpretado ‘teu trono é (o) de Deus’ (cf. I Cr. 29.23), ou então ‘teu trono é (como o de) Deus’”.

Perceba que o comentarista mesmo trinitário reconhece que o pensamento de atribuição desse verso ao Deus Eterno se dá nas versões, ou seja, não é o texto ou o contexto hebraico, por si só, que força esse entendimento, pelo contrário, se formos ler o texto só olhando para o hebraico o entendimento natural seria “Teu trono é de Deus” ou que a palavra “Deus” ali represente o monarca e não um ente Divino.

Isto pode ser constatado também na Bíblia de Jerusalém que traduz o Salmo a partir do hebraico assim: “Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente! O cetro do teu reino é cetro de retidão!”, ainda em nota de rodapé na mesma Bíblia se encontra: “O grego traduz: ‘Teu trono, ó Deus…’, vendo no termo elohim um vocativo qualificando o rei; este título protocolar é de fato aplicado ao Messias (Is.9. 5), assim como aos chefes e aos juízes (Ex. 22.6, Sl. 82.6), a Moisés (Ex. 4.16; 7.1) e à casa de Davi (Zc. 12. 8).

Aqui da mesma forma os comentaristas trinitários, reconhecem que o termo “elohim” nessa passagem é um “título protocolar”, que pode ser aplicado tanto a governante (chefes) e juízes, ou seja, não é uma atribuição de deidade a quem foi dirigido o Salmo. A Bíblia do Peregrino preferiu traduzir “Teu trono, como o de um Deus.” e parece ter respeitado o sentido bíblico do uso do termo aplicado a monarcas e juízes de Israel.

E nesse sentido aponta para a dinastia davídica 1 ª Cr. 29. 23 “Assim Salomão se assentou no trono de Yahweh, como rei em lugar de seu pai Davi, e prosperou; e todo o Israel lhe prestou obediência”. A promessa do trono eterno, para a casa de Davi, já é vista desde 2ª Sm. 7. 12-13 “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino".

Analisando o contexto histórico do Salmo 45. 6-7, podemos perceber que, conforme reconhecem os próprios comentarista trinitarianos, trata-se de um salmo dirigido a um monarca de israel, e que profeticamente aponta para Cristo, mas, perceba, o aponta como monarca, conforme o salmo, e não como o Deus Eterno. O restante do Salmo, normalmente deixado de lado por muitos, dá informações importantes sobre essa realidade.

Sl. 45. 2, 7, 9 Já no segundo verso vemos o escritor falar que dirige seus versos ao Rei, a quem chama de o mais formoso entre os filhos dos homens e que Deus o abençoou. Se diz, também, que esse rei foi escolhido dentre outros companheiros; e diz que aquele que foi chamado de “Deus” tem donzelas a sua disposição e já tem uma rainha, inclusive uma filha, e filhos que ficaram no lugar de seus pais. 

Então, ao invés de imaginarmos o Salmo 45. 6 como um versículo isolado, como se este fosse um adendo no texto bíblico que foi usado em Hebreus, precisamos vê-lo como parte de um maravilhoso contexto, não somente do restante do próprio Salmo, mas de toda a Bíblia e entendê-lo como todo aquele que se preocupa em ler a Bíblia por completo entenderia; que a palavra “Deus” no verso 6 não é atribuição de deidade, mas reconhecimento de poderio e da origem do trono daquele monarca e nesse sentido, com caráter profético, aplicado em Hebreus.

Se só lermos Hb.1. 8, isoladamente, buscando uma solução trinitária, deveríamos antes parar para meditar: Se o texto diz que Deus, o Deus de “Deus”, o ungiu, não só teríamos um subordinacionismo ontológico, que é rejeitado pelos trinitarianos por negar a co-igualdade entre as hipóstases, como também “Deus” fora de Deus, cuja possibilidade é negada em Is. 44. 6, Ou seja, um Deus ungindo um outro co-igual é algo não permitido e nem ensinado na Bíblia.

Os versos não dizem que Deus está se auto-ungindo. Portanto se o texto se referir a primeira ocorrência da palavra Deus como Deidade absoluta, temos, por via de consequência dois “Deus(es)”; o ungido e aquele que o unge. Agora, se o entendemos como um texto que foi dirigido, como o próprio nome da epístola diz, aos HEBREUS, e nos lembrarmos que eles estavam familiarizados com os usos do termo “Deus” (Elohim) nas escrituras Hebraicas e o lia agora em grego, então, tudo se harmoniza.

Pois como regente da casa de Davi, Jesus assentará no trono eterno de Deus como o fez Salomão; será juiz (Cetro de Equidade), como o foram Jafé e muitos outros, e por consequência “Elohim” (Deus), mas não no mesmo sentido que o Pai é. Os hebreus não estranhavam quando alguém era chamado de “Elohim” (Deus) quando o contexto nitidamente apontava para aquele que fora designado por Deus e tinha o poder de reger e julgar o povo escolhido. Os fariseus ilegitimamente censuraram Jesus porque não o reconheciam como Regente da parte de Deus. Assim Hb. 1. 8, longe de atribuir deidade a Cristo, o reconhece, nos moldes Bíblicos, como Governante: O Messias que como rei regerá o seu povo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O conceito bíblico de inferno.

O conceito popular de inferno ensinado pelas denominações cristãs é um lugar de punição para as "almas imortais" dos maus imediatamente após a morte, ou o lugar de tormento para aqueles que são rejeitados no julgamento. No entanto, Bíblia ensina que o inferno é a sepultura, onde todos os homens são levados ao morrer. A palavra original hebraica "sheol", traduzido em versões mais antigas da Bíblia como "inferno" significa "um lugar coberto."

A crença de que alguém jamais poderá sair do inferno não é encontrada na bíblia, um homem justo pode ir para o inferno (a sepultura) e depois voltar. Os. 13.14 " Eu os remirei da mão do inferno, e os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua perdição? O arrependimento está escondido de meus olhos”. Da mão do Seol [inferno que é o mesmo que sepultura] Deus vai redimir o seu povo.

Esta passagem é citada por Paulo em 1ª Co. 15. 55 “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” E aplica-se a ressurreição na volta de Cristo. Além disso, tendo em vista a segunda ressurreição "Morte e Hades [grego para" inferno "] entregaram os mortos que neles havia" (Apocalipse 20:13). Observe o paralelo entre a morte, ou seja, da sepultura e do inferno, Sl. 6. 5 “Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?”

1ª Sm. 2. 6 “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.” Estas palavras são muito claras, o Senhor mata e da a vida [através da ressurreição]. Ele faz descer à sepultura [inferno, sepultura], e faz subir. Desde o princípio a bíblia propagou a esperança de que os justos serão salvos do inferno, ou da sepultura e isso da através da ressurreição para a vida eterna. Contrariando o ensinamento da cristandade, é possível entrar no "inferno" ou túmulo, e de lá ressurgir através da ressurreição. O exemplo do que estou dizendo foi Jesus, conforme nos diz At. 2. 31 “ Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.”

Observe o paralelo entre a "alma" de Cristo e sua "carne" ou corpo. Que o seu corpo "não foi deixada no Hades" indica que ele estava lá por um período de tempo, ou seja, os três dias quando seu corpo esteve na sepultura. Cristo foi para o "inferno" deveria ser prova suficiente de que não é exatamente um lugar de tormento eterno. As pessoas boas e más vão para o "inferno", ou seja, para o túmulo. E ainda falando sobre Jesus, Is. 53. 9 “E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.” Há outros exemplos na bíblia de homens justos que foram para o inferno, isto é, para o túmulo.

Um dos princípios do castigo de Deus para o pecado é a morte Rm. 6. 23 “ Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Rm. 8. 13 “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” Tg. 1. 15 “ Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” 

Sabemos pela bíblia que a morte é um estado de completa inconsciência, o pecado resulta em destruição total, não em tormento eterno Tg. 4. 12 “Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?” Salvar ou destruir, não é dito salvar e atormentar. Lc. 17. 26-29 “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.”

Nos fatos ocorridos contados por Jesus, os pecadores morreram e que foram e foram destruídos, não nos é dito que eles foram atormentados para sempre. Portanto, não há relato bíblico literal dizendo que os ímpios serão punidos para a eternidade de tormento consciente. Ap. 20. 13-15 “ E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”

É neste sentido que o castigo para o pecado é " eterno" no sentido de que não haverá fim para a morte, inclusive para a própria morte, porém vimos que mesmo o inferno será destruído, isto é sepultura. O Cristianismo associa o "inferno" com a ideia de fogo e tormento. Isto está em nítido contraste com o ensino bíblico sobre o inferno (a sepultura). Sl. 49. 14 “ Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles.”

Significa que a sepultura é um lugar de esquecimento. Apesar da alma, ou corpo de Cristo ter ido ao inferno [sepultura] e não ter visto a corrupção, isso teria sido impossível se o inferno fosse um lugar de fogo. Ez. 32. 26-28 “Ali estão Meseque, Tubal e toda a sua multidão; ao redor deles estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, e mortos à espada, porquanto causaram terror na terra dos viventes. Porém não jazerão com os poderosos que caíram dos incircuncisos, os quais desceram ao inferno com as suas armas de guerra e puseram as suas espadas debaixo das suas cabeças; e a sua iniquidade está sobre os seus ossos, porquanto eram o terror dos fortes na terra dos viventes. Também tu serás quebrado no meio dos incircuncisos, e jazerás com os que foram mortos à espada.”

Estes versos dá uma descrição dos poderosos guerreiros das nações vizinhas, que estavam deitados em seus túmulos. Se refere ao costume de enterrar os guerreiros com as suas armas e a cabeça repousando sobre a espada. No entanto, esta é uma descrição do "inferno", o túmulo. Esses homens poderosos deitados no inferno (ou seja, em suas sepulturas), dificilmente dá-nos a ideia de que o inferno possa ser um lugar de fogo. Ainda mais quando encontramos relatos de aparatos físicos como por exemplo, espadas; irem para o "inferno" mesmo tendo todo um do meio cristão onde é ensinamento de que o inferno é um lugar de tormento espiritual, não faz sentido.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O que seria a falsa ciência?

1ª Tm. 6. 20 “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência.” Em que sentido a ciência está sendo considerada falsa por Paulo? No que diz respeito a negação da criação e por fim, do próprio Deus, não está se tratando aqui dos erros e acertos da ciência em outros campos que não seja o teológico.

Podemos afirmar sem medo de errar, que o período em que vivemos é o mais propenso a oposição estimulada, principalmente pela doutrina veiculada da chamada falsa ciência. Porque tem isso acontecido? Pelo fato de vivermos em uma época onde os seres humanos querem de todas as formas se tornarem autônomos, (com relação a Deus) tornando-se autônomos, acaba-se a obrigação de prestação de obediências e por fim a prestação de contas e isso tem se tornado muito atrativo para as novas gerações.

A igreja errou? Sim errou. Mas atuar buscando com isso descredibilizar as pessoas sobre a existência de Deus, não está certo. Por exemplo: dizer que as doenças são causadas por demônios foi um erro da igreja desde o seu nascimento, mas a questão é que a igreja sempre foi composta de pessoas, pessoas estas que viveram o seu contexto e tiveram as suas influências, assim sendo, o simples fato de serem crentes (quando digo crente não me refiro aos suposto protestantes, mas todos aqueles que creem.) 

Sim, o simples fato de terem crido, não os livrou de suas tradições o seu contexto e principalmente daquilo que lhes era encoberto, como as doenças por exemplo. E quanto as catástrofes naturais? Ou melhor, seriam elas uma punição contra as mazelas realizadas pelos homens? Ora, aos olhos da geração atual isso é um pensamento da idade média, mas eu como sou crente ( lembrando sempre a distinção de se crer dos pseudos protestantes da atualidade) tenho a minha interpretação particular, em outras palavras acredito sim que os desastres naturais são uma punição para o mundo pecador.

Bem, eu como crente ainda devo acreditar na existência do pecado, e por falar nisso a bíblia é clara em dizer, Rm. 3. 23 “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Aqui é dito que todos, indistintamente são pecadores, isso quer nos dizer que não existe injustiça por parte de Deus quando uma catástrofe atinge uma determinada região, é verdade existem aqueles que não cometem barbaridades, mas isso não os isentam de serem pecadores, Rm. 3. 10 “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer".

Naturalmente este é um pensamento que vai contra a modernidade contra o pensamento da atribuída ciência, mas o problema da referida ciência está em um fato muito simples: como sabemos o que vale como realidade última para a ciência é a comprovação palpável dos fatos, assim sendo fica impossível para a dita ciência querer interferir naquilo que eles não podem penetrar, ou seja, na questão espiritual ou teológica. Como eles podem dizer que Deus não existe se eles não acreditam naquilo que é extra físico? 

Em outras palavras, a ciência só pode comprovar aquilo que pertence a matéria. É fato de que o que causa os desastres naturais são questões pertencentes a realidade física, como por exemplo: esquentou demais, logo é possível ocorrer uma grande precipitação d'água, sim devemos acreditar que existe uma lei ordenada que move essa realidade, mas as leis não surgem do nada e o nada absoluto não pode formular leis, assim Sendo a causa da precipitação da chuva apesar de obedecer uma lei natural não teve um surgimento espontâneo. 

Sl. 14. 1 “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem”. Realmente, a corrupção humana está baseada em cima da negação de Deus. O homem contemporâneo não acredita que o mar vermelho foi aberto pelo poder de Deus, nem mesmo que Jesus operou pelo poder de de Deus a multiplicação dos pães e dos peixes, o argumento é que tal intendimento é fruto somente da fé e portanto, de mentes pertencentes a idade média, para eles o que importa é a evolução trazida pela ciência.

E por falar em evolução e ciência o que podemos entender da teoria da evolução das espécies? Podemos realmente crer na evolução das espécies sem precisarmos ter fé? Na verdade, não temos visto anfíbio se transformar em réptil e nem mesmo macaco se transformar em homem, no entanto os defensores da teoria da evolução dirão que isso nós não veremos acontecer, visto ser um processo que leva milhões de ano. A pergunta a ser feita é: se nós não podemos ver tal processo de transformação das espécies, quem foi então que viu esse acontecimento para garantir a sua ocorrência? 

Quem marcou a sua data com exatidão e coerência? O fato de ocorrerem adaptações na natureza não significa uma evolução propositada do próprio organismo, mas sim uma lei pré estabelecida pelo próprio Deus. Portanto, podemos dizer que a evolução das espécies não é um acontecimento que possa ser demonstrado pela ciência, visto que a ciência só estuda assuntos relacionados ao aspecto físico, e não a questões subjetivas como eles mesmos afirmam.

Sustentar a teoria de que o próprio organismo se auto programou para evoluir não é científico, ao invés disso o ideal seria dizer que uma célula foi programada com o objetivo de ocorrerem certas adaptações, não evoluções tais como anfíbio se transformando em réptil a cerca de 320 milhões de anos na era paleozoica Não existe registro dessa época confirmando tal suposição, particularmente acredito que as palavras de Paulo em sua carta aos romanos descreve a realidade desta teoria, Rm. 1. 22 “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”.

Em resumo, apesar do iluminismo ter conseguido “retirar” Deus do centro de todas as coisas e introduzir em seu lugar o ego humano e suas tendências pecaminosas, não conseguiu com isso sanar as mazelas que afligem a raça humana, mazelas essas em todas as suas formas e espécie, ao contrário, eliminando o Senhorio absoluto de Deus e estipulando a autonomia humana, criou-se um vazio existencial muito grande, criando com isso inúmeras catástrofes na sociedade. Ao menos uma coisa permaneceu, a "fé" ainda que na evolução das espécies.