sexta-feira, 16 de março de 2018

Impureza cerimonial ou leis de saúde?

   Dias atrás estava assistindo um programa na TV. Novo Tempo, se não me falha a memória o programa chama-se evidências, nele o apresentador estava destacando a localidade habitada pelos judeus e os filisteus, o apresentador fazia questão de enfatizar que no local da habitação dos judeus não foram encontradas ossadas de porco, sugerindo com isso que o povo de Deus deve se abster de tal carne, por ser considerada na bíblia ou mais propriamente no AT. Como sendo uma carne imunda.
   
   Que a localidade residida pelos judeus dos dias do AT. Não fosse encontradas ossadas de porcos é mais do que natural, visto que a lei proibia aos judeus de utilizarem de tal carne, mas sugerir que os cristãos da atualidade devem fazer o mesmo, pelo fato de não ter sido encontrado vestígio de carne de porco no arraial judaico é forçar um pouco a doutrina da denominação. Os que conhecem a bíblia sabem que entre os regulamentos que Deus deu aos antigos israelitas havia várias leis sobre limpeza e impureza. No entanto, o que não foi dito pelo apresentador e não é dito pelas denominações que ensinam tal doutrina é que essas leis não foram instituídas com o objetivo de evidenciar a higiene e nem mesmo com a questão da saúde, mas sim com o status puramente religioso, cerimonial. 

   Assim sendo as pessoas que não eram consideradas puras ou limpas não podiam participar das cerimônias religiosas. Baseado nisso pergunto: Essas leis se aplicam aos cristãos? Examinemos a evidência nos livros de Moisés e algumas passagens do Novo Testamento. Para obter um contexto para o conceito de alimentos limpos e sujos, discutiremos primeiro os outros tipos de impurezas. Isso pode parecer tedioso, mas nos ajudará a entender melhor o conceito de impureza do Antigo Testamento.

   Pureza religiosa: a palavra "limpo" ( tahôr ) também pode ser traduzida como "pura", como vemos em vários lugares no Êxodo. Os móveis e utensílios do tabernáculo tinham que ser feitos com ouro puro, por exemplo: Ex. 25. 11E cobri-la-á de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma coroa de ouro ao redor”.

   O mesmo ocorreu em um episódio anterior ao êxodo, com Jacó e sua família, Gn. 35. 2 “Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.” Jacó disse a sua casa para se livrar de seus ídolos e se "purificar" e mudar suas vestes, Não nos é dito como eles se purificaram, mas parece ter sido relacionado à adoração. Mais tarde, os levitas foram purificados com "a água da purificação"

   Nm. 8. 6-7 “Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão as suas vestes, e se purificarão”. De igual modo as partes de uma oferta para o pecado tinham que ser queimadas fora do acampamento em um lugar limpo, Lv. 4.12 “Enfim, o novilho todo levará fora do arraial a um lugar limpo, onde se lança a cinza, e o queimará com fogo sobre a lenha; onde se lança a cinza se queimará”. Mesmo as cinzas das ofertas tinham que ser levadas também para um lugar limpo, Lv. 6. 11 “Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza fora do arraial para um lugar limpo”.

   Os sacerdotes também deveriam comer a carne sacrificada em um lugar limpo Lv. 10.14 “Também o peito da oferta movida e a espádua da oferta alçada, comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos e tuas filhas contigo; porque foram dados por tua porção, e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos filhos de Israel”. Os sacerdotes jamais poderiam ministrar o seu trabalho estando imundo, Lv. 22. 3 “Dize-lhes: Todo o homem, que entre as vossas gerações, de toda a vossa descendência, se chegar às coisas santas que os filhos de Israel santificam ao Senhor, tendo sobre si a sua imundícia, aquela alma será extirpada de diante da minha face. Eu sou o Senhor”.

   De igual modo eles só poderiam comer a oferta que lhes era designada se estivessem limpos. Lv. 22. 4-5 “Ninguém da descendência de Arão, que for leproso, ou tiver fluxo, comerá das coisas santas, até que seja limpo; como também o que tocar alguma coisa imunda de cadáver, ou aquele de que sair sêmen da cópula, Ou qualquer que tocar a algum réptil, pelo qual se fez imundo, ou a algum homem, pelo qual se fez imundo, segundo toda a sua imundícia”.

   No entanto, pessoas impuras poderiam comer carne que não fazia parte de um sacrifício Dt. 12. 15 “Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, matarás e comerás carne, dentro das tuas portas, segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá em todas as tuas portas; o imundo e o limpo dela comerá, como do corço e do veado”. Fica evidente que a questão do puro e do impuro se restringia apenas para fins religiosos, em relação ao sistema levítico e sacrificial do antigo Israel.

   No sistema levítico a impureza era tida como contagiosa: "Qualquer coisa que um indivíduo impuro toque torna-se impura, e qualquer um que a toca fica impuro até a tarde" Nm. 19. 22 “E tudo o que tocar o imundo também será imundo; e a pessoa que o tocar será imunda até à tarde. Se as pessoas entrassem em uma casa em quarentena, eles seriam impuros. Mesmo que as pessoas tocassem acidentalmente qualquer coisa que os tornasse impuros, eles eram "culpados". Lv. 5. 2 “Ou, quando alguma pessoa tocar em alguma coisa imunda, seja corpo morto de fera imunda, seja corpo morto de animal imundo, seja corpo morto de réptil imundo, ainda que não soubesse, contudo será ele imundo e culpado.

   Não há qualquer verso bíblico dos quais foram lidos acima que trate da questão de saúde, não se fala de doenças, percebe-se claramente a questão cerimonial, ou seja, algo relacionado aos sacrifícios e ofertas. Se as impurezas relacionadas fossem tidas como algo contagioso, então as palavras “imundo até a tarde” deveriam ser suprimidas dos versos, no entanto, as mesmas palavras tem conotações de ritualismo. Assim sendo, aquilo que deveria ser dedicado a Deus, (as ofertas e ofertantes) não poderiam ser considerados como sendo impuros ou imundos. Dizer que os versos relacionados acima estão prevenindo alguém contra doenças, é um tanto demais.

quinta-feira, 1 de março de 2018

O capitalismo e sua influência no meio religioso.

O mundo contemporâneo com o seu modelo capitalista, tem influenciado a todos indistintamente, as instituições religiosas mais propriamente dita à cristã, tem sorvido dessa cisterna rota padronizada pelo mundo. Atualmente o sistema denominacional se vale do modelo capitalista, não só para atrair aos que a ela se achegam, como também para manter os seus que lhes são filiados. Em outras palavras existe uma propaganda enganosa no meio denominacional o qual estimulam os membros a barganharem com Deus.

Assim sendo, percebe-se uma explosão muito grande de adeptos com o intuito de se favorecerem, principalmente na concorrência secular; é o materialismo ditando as regras. Mas, o que dizer de tal pensamento e atitude? Com relação a este modelo “cristão” de auto-ajuda pode-se dizer que isso não passa de uma tática vazia, com o único intuito em angariar membros e consequentemente redundar em lucro financeiro aos líderes da instituição, ou a própria instituição em si, isto é conseguido por meio de dízimos, ofertas e doações.

A lógica dos números diz que, quanto maior o número de adeptos maior o caixa da instituição. Com relação ao povo leigo que em muitos casos são conduzidos devido à falta de informação e mesmo pela propaganda que vai de encontro a sua necessidade e tendência, pode-se dizer que cedo ou tarde a decepção lhe baterá na porta, Deus não faz barganhas. Alias, se o objetivo de alguém ao se filiar a alguma instituição que professa a Deus e a sua palavra for tentar obter lucro de alguma forma, tal pessoa está perdendo tempo.

Quando digo perda de tempo estou dizendo em duplo sentido, (1) você não irá prosperar em todos os sentidos em sua vida, visto esta não ser a promessa encontrada na bíblia, pelo contrário Fl. 4. 12 “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.  (2) se este for o intuito, a espiritualidade é zero, isto só confirma a perda de tempo.

O próprio Jesus nos diz isso em dois versos, o primeiro se encontra em Jo. 16. 33 “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E o outro se encontra no mesmo evangelho, Jo. 18. 36 “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.

Jesus estava dizendo a Pilatos, vocês os romanos estão se preocupando a toa, o fato de eu ser rei não significa que irei reinar neste momento, ou mesmo dar sequencia ao império. O termo (deste mundo) significa o atual sistema existente, o reino dos homens. Assim sendo, se nem mesmo o próprio Cristo lutou ou mesmo estimulou alguém para conquistar o reino dos homens, fica uma pergunta, alias duas: por que os líderes religiosos ensinam diferente? Por que as pessoas acreditam que irão prosperar, apenas por se dizer cristão?

O reino de Deus é algo diferente, o ter ou o não ter, não é o termômetro da espiritualidade de ninguém, quando digo espiritualidade estou me referindo a lei da atração, atração esta descrita pela bíblia, 1ª Jo. 4. 19 “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro”. Quando digo lei da atração me refiro ao fato de ir a Deus, só irei verdadeiramente buscar a Deus sem nenhum interesse mundano, se o próprio Deus me buscar primeiro, está é a regra bíblica, tudo o mais é invencionice para atrair os incautos com segundas intenções. Jo. 6. 44 “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. 

Como devemos entender o chamado de Deus para as nossas vidas? Algo como uma apólice de seguro? Algo como uma blindagem contra a enfermidade e mazelas da vida? Se este for o nosso entendimento, então estamos equivocados, se esta for a nossa intenção, então estamos fadados ao completo fracasso. O verdadeiro evangelho não promete glórias para esta vida, ao contrário, Lc. 9. 23 “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” Deve ficar entendido que tomar a cruz não significa uma vida só de lucros.

Assim sendo, quando presenciamos na mídia principalmente na televisiva o evangelho da prosperidade, estamos nos deparando com uma aberração camuflada de evangelho, e porque esses templos estão todos cheios de adeptos? Fruto do capitalismo, que tem promovido o materialismo, o qual tem publicado a viva voz que este trás felicidades. A despeito de muitos não saberem o real significado da palavra felicidade, confundem felicidade com tranquilidade o qual o dinheiro proporciona, no entanto a tranquilidade gerada pelo dinheiro não pode promover a felicidade duradoura em todas as suas formas.

Não que eu esteja propagandeando ou mesmo que seja adepto do ascetismo, (O ascetismo é uma prática da abstenção de prazeres e até do conforto material). Não é isto que estou dizendo, na verdade o que eu insisto segundo o ensino bíblico é que: Quando Deus chama alguém, o objetivo é puramente espiritual, não existem promessas para este período em que vivemos, se vamos a Deus com o objetivo puramente material significa que não fomos chamados por Ele.

E, a condição financeira de um indivíduo de um grupo ou mesmo de uma empresa, quer seja na bonança ou no revés, não é o resultado de ser ou não cristão, de crer ou não em Deus. Uma das maiores mazelas como dito acima é o evangelho da prosperidade esse “evangelho” distorcido, corrompido e manipulador, tem confundido a muitos, tem levados tantos outros a fazerem comparações; a falsificação apresentada pelos líderes no que se refere aos bens materiais que o adepto fiel consegue adquirir, quando digo fiel me refiro a $.

Portanto, ninguém que realmente foi chamado por Deus se deixe levar por propagandas estranha e principalmente enganosas, Deus não faz barganhas, não podemos comprar a Deus, Deus não precisa de dinheiro, fala-se dízimo e ofertas, o chamado de Deus não se refere a ter ou possuir algo nesta vida, Lc. 12. 15 “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”.