segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Outra análise de João 17: 5.

 

Jo. 17. 5 “E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo”. Os trinitarianos acreditam que essas palavras de Jesus encontradas no Evangelho de João mostram que Jesus já existia. Como em qualquer passagem bíblica difícil, devemos considerar o contexto da declaração, e nesse caso não pode ser diferente, vejamos dois versos anteriores, Jo. 17. 1 “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti”

Jo. 17. 3 “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Nestes versos, percebemos que a oração de Jesus é direcionada ao "Pai". No Novo Testamento, o Pai de Jesus é sinônimo de "Deus". Quando Jesus diz: "Pai", ele significa "Deus". No entanto, os trinitarianos olham para esta oração e veem "Deus Filho" fazendo um apelo a Deus Pai, para retribuir a glória que ele, "Deus Filho" tinha antes em uma existência pré-humana. Mas essa interpretação define erroneamente a Paternidade de Deus na Bíblia.

Na Bíblia, a Paternidade de Deus é uma metáfora que descreve a relação de Deus com a humanidade, Ex. 4. 22 “Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito”. Is. 63. 16 “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade”.

Mt. 5. 45 “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. Jo. 20. 17 “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.

Biblicamente, a Paternidade de Deus não descreva uma relação metafísica de uma pessoa da "divindade" para outra. Além disso, a Bíblia não descreve a glória destinada ao Messias à direita do Deus Todo-Poderoso como algo que o Messias já teve, que desistiu e foi devolvido. Antes, a exaltação e a glória do Messias foram preditas no Antigo Testamento e depois cumpridas em Jesus, Lc. 24. 25-26 “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”

Na verdade, a bíblia fala de coisas que ainda não existem, como se existissem, por isso a interpretação trinitária de João 17. 5 falha em entender que Deus, por meio de Seus profetas, falam de coisas predestinadas (e pessoas) como se elas já existissem . Observem as palavras de Jesus nesta mesma oração de Jesus, Jo. 17. 20-22 “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos”. 

Jesus disse que já tinha recebido a glória que lhe fora destinada. Mas sua glória não havia sido dada literalmente, pelo fado de que ele ainda não havia morrido, ressuscitado e exaltado à “mão” direita do Deus Todo-Poderoso, conforme registrado em Lucas 24. Jesus usou a linguagem do passado em sua oração porque sabia que Deus havia prometido a glória. A concessão da glória é tão “certa quanto feita”, para que Jesus pudesse falar dela como se já a possuísse. E Jesus também podia falar da glória que ele havia dado as pessoas que ainda não eram crentes nele . Algumas dessas pessoas a quem Jesus já deu glória nem existiam quando Jesus falou essas palavras. 

Assim como Deus deu ao Messias a glória antes que o Messias existisse literalmente. Um princípio básico de interpretação das Escrituras é pegar as palavras em seu contexto, e é exatamente isso que o contexto do capítulo 17 nos faz entender, neste contexto Jesus usou a linguagem "dar glória" e "ter glória" antes da existência literal. A glória que Deus planejou para o Messias, Jesus falou no passado, assim como falou no passado da glória que daria aos futuros crentes.

As coisas predestinadas são mencionadas como já existentes, porque são uma realidade aos olhos de Deus. Na Bíblia, uma pessoa pode "ter" algo antes mesmo de tê-lo, ou mesmo antes de existir literalmente, por exemplo: Mt. 5. 10 “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. Mesmo que essas pessoas ainda não possuam o reino dos céus, dentro da ótica bíblica elas já possuem. Paulo disse que aqueles que creem no Deus único e verdadeiro e em Jesus como o Messias, foram chamados e salvos, antes mesmo de existirem. 2ª Tm. 1. 9 “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

Quando Abrão era velho e sem filhos, Deus lhe disse: "Eu te fiz pai de muitas nações". Abrão, era velho e sem filhos, como poderia ser pai de muitas nações? Isso ocorre porque Deus fala de coisas que ainda não existem como se elas já existissem, Rm. 4. 17 “Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí. ), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem”.

Assim sendo, com uma interpretação literal e fora de contexto, os trinitarianos criam enormes problemas para sua própria teologia, eles dizem que Jesus está lembrando sua própria pré-existência literal e glória em João 17. 5,na verdade Jesus não reivindica a divindade neste verso, muito menos que faz parte de uma divindade de três pessoas. Jesus também não disse que tinha glória com Deus desde a eternidade passada, apenas antes de o mundo existir, o que é uma maneira estranha de descrever uma glória compartilhada de duas pessoas divinas eternamente existentes.

A doutrina trinitária, ensina que "Deus, o Filho", não abandonou sua natureza divina quando assumiu a natureza humana na encarnação, isto é, ele continuou a ser "totalmente Deus e plenamente homem". A natureza humana de Jesus não tinha glória divina "antes que o mundo existisse", o próprio Jesus pediu para Deus o glorificá-lo. Mas pode "Deus, o Filho", ser totalmente Deus sem a Sua glória?

Deus, o Filho”, deixou de ser Deus renunciando à sua glória divina, ou não deixou de ser Deus e manteve a sua glória? Se ele manteve sua glória e continuou sendo Deus, por que ele está pedindo sua glória de volta? Se ele não mantinha sua glória e a pedia de volta, ele deixou de ser Deus e abandonou sua natureza divina?



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Os dez mandamentos foram impostos no Éden?

 Um dos argumentos utilizados pelos sabatistas com o objetivo em fundamentar a guarda do sábado, está baseado nos versos bíblicos a seguir: Gn. 2. 1-3 “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera.”

Nos versos lidos acima, nós percebemos algumas questões que realmente procedem e algumas questões que realmente não procedem. Aquilo que procede nós entendemos como sendo: a criação feita por Deus, a santificação do dia pós criação, ou seja, o sétimo e sua benção sobre ele, designando neste sentido o cessar do seu poder criador. As questões que realmente não procedem estão exemplificadas nas palavras de E.G. W.

Vejamos o que Ela disse: (No Éden, Deus estabeleceu o memorial de Sua obra da criação, depondo a Sua bênção sobre o sétimo dia. O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. (Patriarcas e profetas pg. 48) (Santificado pelo descanso e bênção do Criador, o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; por Adão, depois de caído mas arrependido, quando expulso de sua feliz morada. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até o justo Noé, até Abraão, Jacó. (O grande Conflito pg. 453).

Ela continua dizendo: (Adão e Eva, ao serem criados, tinham conhecimento da lei de Deus; estavam familiarizados com os reclamos da mesma relativamente a si; seus preceitos estavam escritos em seu coração. Quando o homem caiu pela transgressão, a lei não foi mudada, mas estabelecido um plano que remediasse a situação trazendo novamente o homem à obediência. (Patriarcas e profetas pg. 363.)

Baseado em que, posso afirmar que essas questões não procedem? Utilizando o argumento bíblico. O fato dela mencionar o sétimo dia como tendo sido santificado por Deus após sua ação criadora, nada diz sobre pesar sobre nós uma obrigatoriedade em guardá-lo, não diz nem mesmo que o casal no Éden foi obrigado a observá-lo, nada diz também que os descendentes próximos de Adão tiveram como uma lei imposta. Não existe apoio bíblico para tentar impor uma doutrina como essa baseado no contexto do Éden, é pura dedução e inserção doutrinária.

Apesar de viverem um período em um estado de inocência no Éden, sobre o casal foi imposto normas e restrições, existia sim uma lei instituída por Deus, que os proibia de comerem da árvore da ciência do bem e do mal, após a remoção deles do jardim devido a transgressão a lei imposta por Deus para eles foi removida, que lei foi essa? Gn. 2. 15-17 “E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Essa foi a ordem dada por Deus a Adão, não houve uma obrigatoriedade para o casal em observar os dez mandamentos e isso por uma questão muito lógica, Segundo o relato bíblico Adão foi criado no sexto dia, como então, ele poderia descansar no dia seguinte? Caso fizesse estaria ele agindo contra o próprio mandamento o qual diz para se trabalhar seis dias. Por outro lado, Se Adão guardou o sábado, Moisés poderia muito bem ter mostrado isso de modo claro, tomando-o como exemplo de que este mandamento foi realmente observado desde a criação para toda a raça humana.

Relembrando também que gênesis cita Deus descansando no sétimo dia, nada diz sobre um mandamento imposto para todas as pessoas, nem mesmo para o casal no jardim. Alguns versos que nos confirmam que a única lei dada para Adão no Éden foi a árvore do conhecimento, Gn. 3. 9, 11, 17 “E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.”

Adão realmente transgrediu a lei de Deus, o verso nos confirma isso (Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?) A lei de Deus neste contexto não significa os dez mandamentos, como afirma E.G.W. Estaria o casal no Éden sujeito aos dez mandamentos? Não! Seria descabido exigir que o casal obedecesse os seguintes mandamentos: como dito a cima, o sábado seria um deles, visto ter sido criado na sexta-feira naturalmente ele não cultivou o jardim por seis dias, sendo assim o mandamento do sábado é descabido.

O Honra teu pai e tua mãe também não faz sentido, eles não tiveram pai e mãe. O não adulterarás também é ilógico, só existiam os dois no jardim. Não furtarás também não pode ser, naquele contexto eles tinham de tudo, e por outro lado não existia ninguém que eles pudesse furtar. E do mesmo jeito não cobiçar a casa ou a mulher ou o marido do próximo não servia para eles, no jardim quem era o próximo deles?

Assim sendo, vê-se claramente que a única lei de Deus dada ao casal no Éden foi o não comer do fruto da árvore do conhecimento, insistir como fez E.GW. De que a lei de Deus ou mais propriamente os dez mandamentos era de conhecimento de Adão, carece de apoio bíblico. E sustentar que o sábado foi guardado por Adão e os seus descendentes é novamente ir contra o que está escrito, ou seja, em qual parte da bíblica diz que Adão e os seus descendentes guardaram o sábado?

Existe como contra argumentar contra essa teoria? Sim, utilizando a própria bíblia. Dt. 5. 1- 3 “E chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir. O Senhor, nosso Deus, fez conosco concerto, em Horebe. Não foi com nossos pais que fez o Senhor este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos.”

Vemos nos versos ao menos duas questões interessantes: (1º) Moisés instruindo o povo de Israel, a não só ouvir, mas aprender a guardar a lei de Deus, ora, se os seus predecessores já conheciam e observavam a lei, qual o intuito da argumentação de Moisés então? Desnecessário seria Israel aprender aquilo que já sabiam. (2º) Moisés é enfático, não foi com os nossos pais que foi feito o concerto, essa declaração define por completo o fato de que nem Adão nem os seus sucessores receberam os dez mandamentos.

Hb. 8. 9 “Não segundo o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor.” Em que sentido o verso nos esclarece? ...concerto que fiz com seus pais... isso prova que ele não foi feito antes, nem com Adão nem com os seus descendentes. E quando foi feito esse concerto? ... no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito... pronto, questão comprovada pela bíblia, não foi com Adão no Éden que foi feito a antiga aliança incluindo o sábado, foi com Israel, após o êxodo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A mensagem do 3º Anjo trás consigo mensagens de saúde?

Os adventistas do sétimo dia são conhecidos como os defensores da dieta vegetariana. Isso acontece devido ao fato de E.G.W a profetisa dos adventistas ter promovido o vegetarianismo na sua Igreja, afirmando ter recebido uma visão sobre o assunto em 1863, ela disse: Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, a 6 de junho de 1863, que me foi exposto em visão o grande tema da reforma de saúde. (1).

Em 10 de dezembro de 1871 foi-me mostrado novamente que a reforma de saúde é um ramo da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. Ela se acha tão ligada à terceira mensagem angélica, como as mãos o estão com o corpo. (2). Aqui começamos a perceber algo interessante, ou ao menos contraditório.

Ap. 14. 9-10 “E os seguiu o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber o sinal na testa ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”

Os versos apresentados fazem menção ao sinal, a marca da besta, nem mesmo de forma implícita vemos alusões referentes à reforma de saúde, como pode então a mensagem do terceiro Anjo andar de mãos dadas com vegetarianismo? Uma mensagem não ter nada a ver com a outra, digo isso baseado no fato da mensagem do terceiro Anjo ser bíblica e consequentemente ser revelada por Jesus Cristo, Ap. 1. 1 “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo.” Já mensagem em prol do vegetarianismo teve sua origem no homem, apesar de sua boa intenção.

Baseado em que digo isso? Os Whites e outros líderes, introduziram várias reformas de saúde na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em vez de serem "inovadores", os Whites meramente apresentaram aos seus seguidores muitas das reformas populares de saúde daquela época que estavam sendo ensinadas por não-adventistas, como por exemplo o Dr. James Jackson; o fundador do metodismo John Wesley, Sylvester Graham, e o profeta Mórmon Joseph Smith.

Sendo assim, desde o final da década de 1860, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem defendido uma dieta vegetariana. No entanto, por falta de apoio bíblico para uma dieta vegetariana, os adventistas colocaram a autoridade deste assunto sobre a profetisa Ellen White. Em 1938, a Igreja Adventista do Sétimo Dia compilou os escritos de Ellen White sobre saúde, em um livro intitulado Conselhos sobre o regime alimentar, e as seguintes citações foram tiradas desse livro:  

Disse ela: Manteiga e carne são estimulantes. Isto tem danificado o estômago e pervertido o gosto. Os nervos sensitivos do cérebro são entorpecidos, e o apetite animal fortalecido às custas das faculdades morais e intelectuais. (3) … Não devemos pôr carne diante de nossos filhos. Sua influência é estimular e fortalecer as mais baixas paixões, e têm a tendência de amortecer as faculdades morais. (4)... Alimentos cárneos, manteiga, queijo, ricas massas, alimentos temperados e condimentos são usados livremente, por adultos e jovens. Esses artigos fazem sua obra em perturbar o estômago, estimulando os nervos e enfraquecendo o intelecto. (5) …

Fui instruída quanto a ter o uso do alimento cárneo a tendência de animalizar a natureza, e subtrair homens e mulheres do amor e simpatia que devem sentir uns pelos outros. (6). Existem muitas outras declarações, as quais não iremos mencionar. 

Antes porém, veremos uma declaração do apóstolo Paulo 1ª Co. 8. 8 “Ora, o manjar não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais, e, se não comemos, nada nos falta.” O argumento contrário diz que Ele está se referindo aos ídolos, sim está, no entanto, ninguém se alimenta de ídolos, portanto, Paulo está argumentando que o alimento não nos faz agradáveis a Deus.

Já E. G. W diz que as paixões, ou a natureza humana pervertida ou “carnal” é um resultado direto do consumo de carnes, A base disso não é encontrada em nenhuma evidência bíblica ou científica. Em vez disso, a noção de que as paixões animais eram despertadas pela ingestão do consumo de carne foi popularizada em 1800 pelo reformador da saúde Sylvester Graham. Graham ensinou que o "uso da carne" despertaria o "desejo sexual" e prejudicaria as "faculdades intelectuais e morais" (7)

Comer carnes causam doenças? O Dr. Stephen Byrnes, um médico naturalista, escreveu dizendo: "Muitas vezes, veganos e vegetarianos tentam assustar as pessoas, para que deixem de comer alimentos e gorduras de origem animal, alegando que as dietas vegetarianas oferecem proteção contra certas doenças crônicas [osteoporose, doença renal, doença cardíaca e câncer]. Essas afirmações, no entanto, são difíceis de conciliar com os fatos históricos e antropológicos. Todas as doenças mencionadas são principalmente ocorrências do século 20, mas as pessoas têm comido carne e gordura animal por muitos milhares de anos.

Além disso, muitas outras pesquisas revelam que existem vários povos nativos em todo o mundo cujas dietas tradicionais são muito ricas em produtos de origem animal, que, no entanto, não sofrem das doenças mencionadas acima. Outros estudos confirmaram o fato de que os Massais um grupo étnico da África, apesar de serem quase que exclusivamente comedores de carne, tinham pouca ou nenhuma incidência de doenças cardíacas ou outras doenças crônicas. Isso prova que outros fatores, além dos alimentos de origem animal, atuam na causa dessas doenças.

Existem muitas outras questões referentes aos benefícios proporcionados pela ingestão do alimento cárneo, mas ficará para uma próxima abordagem. Com relação a mensagem do terceiro Anjo, percebemos que não existe nenhuma ligação entre a mensagem produzida pelo Anjo e o ensino sobre saúde, Ap. 14. 11 “E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua imagem e aquele que receber o sinal do seu nome.”

Reparem que as palavras de condenação emitida pelo terceiro Anjo é direcionada aos adoradores da besta em todas as suas formas, nada diz que as pessoas serão condenadas por não serem vegetarianas, assim sendo, não existe o ensinamento bíblico de que a mensagem de saúde esteja acoplada a mensagem do terceiro Anjo, é simplesmente um ensinamento sem base bíblica.

Conselhos sobre o regime alimentar. Pgs.

(1) 481.

(2) 69.

(3) 48.

(4) 64.

(5) 236.

(6) 390

(7) Sylvester Graham, Uma palestra para jovens sobre castidade.

domingo, 1 de novembro de 2020

O nome de Deus.

Quase todos os cristão que são frequentadores assíduos em suas variadas denominações, já orou, rezou ou ouviu alguém orar para algum membro da trindade. Ou seja, muitas das vezes ouvimos pessoas direcionando a sua oração para o Espírito Santo, outras vezes, para Jesus, ou para Deus , o pai. No entanto, todos sem exceção temos um nome. Deus teve muitos problemas para revelar Seu Nome Pessoal, mas, Cerca de 6.828 vezes, o único Deus da Bíblia é chamado de Yahweh.

Na Bíblia Hebraica original, Yahweh é escrito usando as quatro consoantes YHWH. Não há vogais escritas no texto hebraico. Essas quatro consoantes são chamadas de Tetragrammaton, que significa 'quatro letras'. Os judeus pararam de pronunciar o Nome por medo de blasfemar inadvertidamente, hoje há algum debate sobre como pronunciar YHWH. a Enciclopédia Judaica afirma que a pronúncia original era Yahweh e nunca foi perdida.

Pelo contrário, o Seu povo era instruído a dar graças utilizando o seu nome, Is. 12. 4 “Direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome”. Assim sendo, o nome de Deus é um poderoso testemunho da identidade do Deus da Bíblia. Yahweh é a pessoa central e mais importante da Bíblia.

Is. 42. 1 “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios”. O hebraico nephesh aqui traduzida 'alma' é usada de forma consistente para significar um indivíduo, ou seja, um único ser, seja animal, humano ou o próprio Deus. Yahweh se descreve como uma única alma individual, um "Eu".

Este fato é verificado milhares de vezes em toda a Bíblia, não apenas pelo uso de Seu Nome Pessoal, mas também por pronomes pessoais. Sempre que Deus fala de Si mesmo ou é dirigido ou referido por outros, são usados pronomes pessoais no singular. Eu, Meu, minha. Quando outros se dirigem a Deus é dito: Ele, Tu, teu, seu, Ti.

Sl. 95. 6 “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou”. Aqui somos convidados a nos prostrarmos perante o Deus criador, e devemos perguntar: esse Deus criador é um Deus pessoal ou uma substância? O próprio nome de Deus e o pronome Ele nos demonstra não uma essência ou uma substância impessoal. Ex. 3. 14 “Disse Deus a Moisés: Eu Sou o Que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros.”

Nossas Bíblias traduzem Yahweh de uma forma estática como, EU SOU O QUE SOU. Esta é uma tradução infeliz do que é um verbo singular e sem gênero que se projeta no futuro, A Septuaginta (a tradução do grego do hebraico iniciada em 250 a.C. por estudiosos do hebraico) traduz o nome de Deus como: “EU SOU O ETERNO”. O Existente. Em outras palavras, Yahweh, o Deus da Bíblia é o Deus vivo, que é eterno e sem causa.

E o NT. Confirma essa realidade, Ap. 1. 8 “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Estas verdades reveladas estão em forte contraste com o Deus da cristandade adora hoje ... um Deus trinitário que tem nenhum nome! Hoje o Cristianismo adora a “Divindade” em três pessoas. Deus não é mais um Eu Individual com um Nome. Esse Deus é mais do que um Ser Individual, pois Ele é três Pessoas em 'Uma Essência'. E quando essa mudança começou a ocorrer? 

A mudança começou desde quando os judeus foram levados por Nabucodonosor, rei da Babilônia, para o exílio em 586 AC. Eles sabiam que haviam transgredido muito e que a causa do cativeiro era justamente por isso. Quando voltaram para sua terra natal, eles nunca mais quiseram blasfemar o verdadeiro nome de Deus, então eles começaram uma nova prática de se referir a Yahweh como “o Senhor” (Hebraico Adonai ). Yahweh agora é “o Senhor”. Um nome pessoal agora é um título!

É importante relembrar que o próprio Deus não ordenou esta mudança de Seu nome pessoal. De maneira crítica, essa prática logo se incorporou ao que conhecemos hoje como Septuaginta (LXX que são usados como abreviatura para esta tradução grega). A Septuaginta se tornou uma fonte vital para citar o Antigo Testamento quando os apóstolos estavam escrevendo o Novo Testamento, nessa época, o grego era a língua comum do mundo romano. Na verdade, estima-se que 75% de todas as citações do Antigo Testamento no Novo Testamento são da LXX e não do hebraico.

A partir disso, onde quer que o nome de Yahweh aparecesse no hebraico original, o grego agora lhe dava o título de “o Senhor” algumas traduções tentam preservar onde essa mudança ocorreu, traduzindo o nome verdadeiro de Deus com todas as letras maiúsculas como SENHOR. Quando o nome de Deus foi traduzido para a Septuaginta, tornou-se um título e não mais um nome pessoal! Yahweh agora se tornou 'o Senhor'. E, por que isso é um problema?

Os judeus sabiam que quando liam “O SENHOR”, estava se referindo ao Deus Individual de Israel, A equivalência do nome Yahweh com “o Senhor” não era difícil para eles. Eles sabiam que o título grego 'Senhor' (kyrios) foi genérico e dependendo do contexto pode se referir a qualquer pessoa com posição ou autoridade que não seja o Senhor. No entanto, na Bíblia hebraica dos judeus tinham uma palavra para 'o Senhor' (Adonai) e outra palavra para designar um senhor humano e essa palavra é (adoni).

Mas os gentios não tinham esse conhecimento e portanto, ficaram susceptível a essa confusão, pelo fato de haver “muitos deuses e muitos senhores” (para citar as palavras precisas de Paulo aos Coríntios, que vinham daquela cultura, 1ª Co. 8. 5 “Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores”.

Portanto, a questão é: Quando os apóstolos começaram a confessar “Jesus Cristo é o Senhor” eles estavam dizendo que Jesus era o Senhor, o Deus do Antigo Testamento (Adonai), ou eles entenderam que Jesus era Senhor no sentido (adoni)? At. 2. 36 “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”

Quando Pedro fez esse discurso no Dia de Pentecoste ele estava aplicando o título senhor, a duas pessoas que são Deus? Seria Jesus, o Messias crucificado, mas agora glorificado, Senhor no mesmo sentido em que Deus? Não! Já vimos que o título “Senhor” é um termo amplo que pode se referir a outras pessoas além de Deus, o pai.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Se o domingo é a marca da besta, por que os sabatistas o tem como lazer?


 Mt. 5. 37 “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”. Com essas palavras, Jesus está orientando os seus seguidores a terem uma atitude definida, e uma atitude definida não é o mesmo que um comportamento conveniente. No que concerne ao tema religiosa, ou mais propriamente a questão bíblica, nós não podemos adotar um ensinamento somente quando essa doutrina ou instrução, nos é favorável.

Este assunto está baseado no que é demonstrado pelos Adventistas do 7º dia. E para pegarmos o fio da meada é importante atentarmos para a declaração da profetisa adventista E. G. W. Ela diz: (Só poderá haver duas classes. Cada participante é assinalado distintamente, ou com o selo do Deus vivo, ou com o sinal da besta ou de sua imagem. Eventos F. pg. 215)

Em outro livro Ela continua dizendo: (O sinal, ou selo, de Deus é revelado na observância do sábado do sétimo dia - o memorial divino da criação... ...O sábado é aí claramente apresentado como um sinal entre Deus e Seu povo. A marca da besta é o oposto disso - a observância do primeiro dia da semana. Essa marca distingue dos que reconhecem a supremacia da autoridade papal, os que aceitam a autoridade de Deus. TS. V. 3. pg. 232)

Em outros assuntos vimos que não existe respaldo bíblico para sustentar o domingo como sendo a marca da besta, no entanto, os adventistas acreditam piamente que o domingo é a marca da besta. Vemos na declaração acima onde Ela diz que aceitar o domingo como sendo o dia de guarda cristão é o mesmo que está apto a receber a marca da besta. Bem, vamos supor que realmente o domingo fosse o dia de guarda obrigatório no meio cristão, todos que respeitassem esse dia como sendo uma orientação direta de Deus naturalmente estaria comprometido com o mandamento.

Mas, e se alguém que não acreditasse nesse dia como sendo um dia obrigatório para se observar, mais mesmo assim desfrutasse dos benefícios tais como: (folga, descanso, lazer) proporcionado por esse dia, não estaria tal indivíduo incorrendo nas práticas incitadas por aqueles que observam esse dia? Irão dizer que isso não tem nada a ver, visto que eles não aceitam o domingo como sendo o dia de guarda. É bom atentarmos para as palavras de Jesus, “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não”.

Se Eu acredito em algo que me proporciona algum tipo de mau, isso mesmo, algo oposto aquilo que é bom para minha vida, é certo que irei rejeitar esse algo e todas as suas formas. Em se tratando de questão religiosa, ou mais propriamente espiritual, e se acredito que o domingo é a marca da besta, então todos os benefícios (ditos a cima) advindos desse dia, terei que rejeitar. Caso contrário, a minha palavra não é um sim, sim, não, não, mas um sim e não quando me convêm.

Principalmente quando essa ação compromete o mandamento tido como estando em vigor em nossos dias, Ex. 20. 8-9 “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Apesar da questão não ser discutida no meio religioso cristão, existe uma transgressão por parte dos sabatistas, e por todos aqueles que separam um dia de guarda e o tem como dia santo; a bíblia diz claramente: “ Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”.

Isso está inserido no mandamento e portanto, faz parte do mesmo. Tendo os sabatistas como exemplo, eles argumentam que o mandamento é “guardar” o sábado, sim está escrito, no entanto, não só está implícito, mas muito bem explícito, a outra parte do mandamento, onde diz para se trabalhar não somente cinco dias, o texto diz claramente para se trabalhar seis dias, faz parte do mandamento, e se essa parte do mandamento não é cumprida, logo existe transgressão, principalmente quando não se trabalha no dia que segundo eles, é a marca da besta.

O argumento vem também com as seguintes palavras: --Nós guardamos o sábado seguindo a orientação de Deus, logo, se Ele sendo Deus guardou, devemos seguir e dar exemplo. A réplica também é baseada no mandamento, Ex. 20. 11 “Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”.

Ou seja, se seguir o exemplo deixando de trabalhar no sábado por ser mandamento, naturalmente devem dar o exemplo trabalhando os seis dias restantes, visto a questão estar inserida no mesmo mandamento conforme dito acima. Uma objeção pode ocorrer da seguinte forma: --Nós não trabalhamos os seis dias conforme o mandamento explícito, devido ao fato de vivermos em uma sociedade, onde a maioria dos empregadores não aceitam a mensagem do sábado...

bem, este raciocínio se torna inválido, devido ao fato da exigência feita pela denominação sabatista, quando pressiona um membro recém adentrado para as suas fileiras, estes são coagidos a negociar com os seus patrões a guarda do sábado, muitos são até mesmo aconselhados a deixarem o seu emprego quando não conseguem barganhar com o empregador.

Baseado nessa consideração destaco duas questões importantes: (1) porque alguém luta para não trabalhar no sétimo dia e não peleja para trabalhar os seis dias? (2) Quanto ao trabalhar em uma sociedade onde na sua maioria o empregador não entende e não aceita a questão do sábado, isso é uma realidade. Esta verdade se dá devido ao fato do mandamento estipulado por Deus não ter sido direcionado aos gentios, em outras palavras o mandamento do sábado foi feito para, e com Israel.

Sl. 147. 19-20 “Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!” Dt. 5. 2-3 “O Senhor, nosso Deus, fez aliança conosco em Horebe. Não foi com nossos pais que fez o Senhor esta aliança, e sim conosco, todos os que, hoje, aqui estamos vivos”. Nos é dito nestes versos com quem a primeira aliança foi feita, dizer que a guarda do sábado se estende a todos os povos, é forçar o que está escrito.

Ex. 20. 10 “Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro”.

Surge uma questão interessante: “das tuas portas para dentro” o que significa isso? Naturalmente o judeu não podia transportar nenhum tipo de carga, mesmo dentro de sua casa, visto que sua casa estava estabelecida dentro de Jerusalém. No entanto, esse mandamento não se aplica a nós outros, não estamos dentro dos muros de Jerusalém. Notem o fato de estarem dentro dos seus muros, implicava com a guarda do sábado, Jr. 17. 19-21 “Assim me disse o Senhor: Vai, põe-te à porta dos filhos do povo, pela qual entram e saem os reis de Judá, como também a todas as portas de Jerusalém, e dize-lhes: Ouvi a palavra do Senhor, vós, reis de Judá, e todo o Judá, e todos os moradores de Jerusalém que entrais por estas portas. Assim diz o Senhor: Guardai-vos por amor da vossa alma, não carregueis cargas no dia de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém”

Apesar do judeu ficar impossibilitado pelo mandamento de transportar qualquer tipo de carga e em qualquer lugar, o significado de tuas portas para dentro, resume o fato da aliança ser feita com Israel, Jr. 7. 27 “Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará”.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Jesus morreu para o homem ou para Deus?

 A cristandade com pouquíssimas exceções, tem um ensinamento fragmentado acerca da morte de Jesus, e consequentemente sobre a justiça de Deus. É ensinado no meio religioso cristão, que Jesus morreu para o homem, e que a justiça de Deus refere-se a justiça que torna alguém justo. Pergunto: é somente isso que a bíblia está dizendo? Aparentemente sim, mas será que este é o ponto principal ensinado pela bíblia, principalmente nas páginas do NT? Rm. 3. 21 “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas.”

A questão da morte de Jesus está relacionada com a justiça de Deus. Primeiramente a justiça de Deus deve ser entendida de duas formas distintas, a saber: justiça que condena, e justiça aplicada, aquela que torna alguém justo. Analisando o verso lido acima, podemos destacar o fato de que o “agora sem lei” refere-se ao momento em que a proposta de Deus não estava vinculada somente ao plano material, a Jerusalém, e aos judeus propriamente ditos, a obediência a lei serviu de base para eles permanecerem ou não na terra da promessa.

Mas, agora já não seria assim, era algo mais abrangente, tanto que Paulo começou a descrever a incapacidade não só do judeu, mas também do gentil, Rm. 3. 9 “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado.” Paulo, também nos diz que a justiça de Deus foi testemunhada pela lei e pelos profetas, de que forma foi ela testemunhada? E, qual justiça foi testemunhada, a que condena, ou a que torna justo?

Naturalmente a lei foi o período de Moisés, e de todos aqueles que perfizeram a época do pentateuco, ou mais propriamente o período que os israelitas vagavam pelo deserto, Lv. 18. 5 “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles. Eu sou o Senhor.” E neste sentido, o período dos profetas foi todo o momento que os próprios testificavam e repreendiam o povo devido as suas transgressões, Ez. 20. 11 “Dei-lhes os meus estatutos e lhes fiz conhecer os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles.”

E onde se encontra a justiça de Deus nestes versos? “os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles.” Um descumprimento do mesmo, implicaria em aniquilação do meio do povo, Nm. 15. 30-31 “Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor; tal pessoa será eliminada do meio do seu povo, pois desprezou a palavra do Senhor e violou o seu mandamento; será eliminada essa pessoa, e a sua iniquidade será sobre ela.”

A eliminação devido a desobediência, era uma manifestação da justiça de Deus no AT. Isso pode ser confirmado com as palavras de Paulo, Rm. 6. 23 “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Em outras palavras, o preço da transgressão é paga com a morte, e isso de comum acordo, nos dois testamentos. Portanto, à justiça aqui referida, é a que condena.

Assim sendo, à justiça de Deus era e será aplicada por causa da transgressão, “o que significa era é será aplicada?” No AT. Para o povo permanecer na terra da promessa, deveria viver por meio da lei, qualquer deslize que ocorresse, era necessário ser aplicada à justiça de Deus, no futuro a promessa bíblica é de que todos os que não se submeterem a Cristo para serem participantes da justiça que torna a pessoa justa, sofrerá a justiça que condena, Rm. 5. 10 “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Se, os que estão em Cristo estão isentos da justiça punitiva de Deus, fica claro então, que Cristo sofreu essa justiça, sim, e é exatamente isso que a bíblia nos diz, Rm. 3. 25-26 “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.”

Isso deixa claro ao menos duas questões: que o pecador que se converte deveria receber a sua paga, e o meio que Deus utilizou para isso, foi fazer recair sobre cristo a sua justiça, ou seja, a justiça que paga a transgressão, a fm de que a justiça que salva pudesse ser transmitida para os regenerados por meio de Cristo. Hc. 1. 13 “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?”

A palavra justiça implica em ser justo, logo a justiça pela transgressão deve ser revertida para o transgressor, naturalmente se entende em primeira instancia, que se trata da justiça punitiva, essa que o NT. Nos diz que recaiu sobre Cristo e livrou os escolhidos, neste sentido podemos concordar com a cristandade quando ela afirma que Cristo morreu para o gênero humano, ou mais propriamente para os seus, 2ª Tm. 2. 19 “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.”

No entanto, o que a cristandade não ensina, foi que Cristo morreu primeiramente para Deus. Sim, a justiça de Deus deveria se manifestar, e para Deus equilibrar a equação, pecado versos justiça, ou melhor, para que a sua justiça que é um dos seus atributos pudesse sobressair sobre o pecado, o pecador deveria sofrer a penalidade, foi assim que Jesus primariamente não morreu para o homem, mas sim para Deus. Rm. 4. 25 “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.”

Em suma, o que a cristandade ensina sobre morte de Jesus e justiça de Deus, são pontos secundários da teologia, ou seja, de que Jesus morreu para o homem e que a justiça por meio de Cristo torna o gênero humano justo perante Deus, isso são questões verdadeiras, mas falhas do ponto de vista teológico, o ponto principal nesta questão, diz que Jesus morreu primeiramente para Deus, com o intuito de equilibrar e harmonizar a ordem no universo, recebendo com efeito a justiça punitiva de Deus, a fim de que as suas criaturas, os seus escolhidos pudessem viver para sempre.

domingo, 2 de agosto de 2020

Cumpriu o adventismo a profecia de Ap. 14. 6?

O que da base para o adventismo se auto declarar a denominação cristã verdadeira? Essa pergunta pode ser respondida com duas respostas apenas: (1) Afirmam ter uma profetisa que estabeleceu e abalizou o movimento, (2) as profecias bíblicas, sobre tudo Daniel e apocalipse, convergem para essa realidade. Essas são palavras de todos aqueles que abraçam a denominação adventista.

Mas, seriam essas palavras defendidas pelos adventistas uma realidade? As profecias bíblicas apoiam o surgimento e o estabelecimento do adventismo? Uma das muitas profecias bíblicas utilizadas pelos adventistas para tentarem provar o surgimento da denominação é apocalipse capítulo 14, esse capítulo foi utilizado por E. G. W com o objetivo de demonstrar o surgimento profético da denominação.

Ap. 14 . 6 “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo.” O verso está nos dizendo literalmente que esse Anjo tem como objetivo em ir a toda nação, tribo, língua e povo, a fim de pregar o evangelho eterno. Em outros assuntos nós vimos que o evangelho bíblico é diferente daquele evangelho pregado pelas denominações cristã.

A diferença entre o evangelho bíblico e aquele pregado pelas denominações, está a questão do mercantilismo, da “fé” emotiva, e o exclusivismo denominacional, o evangelho bíblico não trás consigo essas características, mas voltando ao verso lido a cima, a ideia denominacional de pregar o evangelho parece nobre, porém a mensagem não pode assumir um aspecto diferente do evangelho e nem mesmo pode ser exclusivista.

Então, aqui entra ao menos três questões pertinentes com relação a veracidade do adventismo, a primeira questão é: pregou ou prega o adventismo o evangelho bíblico sem inserções de doutrinas desnecessárias a salvação? É o adventismo exclusivista em sua mensagem religiosa? E, se não E. G. W pode ser considerada uma profetisa verdadeira? Vejamos as suas declarações:

(Anjos de Deus acompanhavam Guilherme Miller em sua missão. Ele era firme e ousado, proclamando destemidamente a mensagem a ele confiada. Um mundo que permanecia na impiedade, e uma igreja fria e mundana eram bastante para instigar à atividade todas as suas energias, e levá-lo voluntariamente a suportar trabalhos, privações e sofrimento. Embora a ele se opusessem cristãos professos e o mundo, e rudemente o atacassem Satanás e os seus anjos, não cessou de pregar o evangelho eterno às multidões, onde quer que era convidado, fazendo repercutir longe e perto o clamor: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, porque vinda é a hora do Seu juízo." Apoc. 14:7. Primeiros Escritos pg. 232.)

Na realidade o adventismo é exclusivista, vemos isso nessa declaração, onde Ela diz que a igreja dos seus dias era fria e mundana, e que os cristãos daqueles dias eram apenas professos, e todos necessitavam ouvir a mensagem do primeiro Anjo, dizendo isso Ela estava dando exclusividade para a pregação adventista, a despeito se existia ou não pessoas sinceras naqueles dias.

Sabemos que o adventismo inseriu doutrinas desnecessárias a salvação, isso podemos ver em um assunto posterior, mas o fato que para o adventismo a morte e a ressurreição de Jesus não são suficientes para a salvação, E. G. W diz isso: (Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna. Testemunhos Seletos V. 3, pg. 23.) Na verdade o que veremos a seguir, não só demonstra que E. G. W não preenche os requisitos de uma verdadeira profetisa, como o próprio surgimento do adventismo não está abalizado sobre uma profecia bíblica, algo defendido por eles.

Vejamos outras declarações encontradas no livro primeiros escrito, pg 232. (Anjos de Deus acompanhavam Guilherme Miller em sua missão. Ele era firme e ousado, proclamando destemidamente a mensagem a ele confiada...) (...Vi que Deus estava na proclamação do tempo em 1843. Era Seu desígnio suscitar o povo, e trazê-los a uma condição em que seriam provados, na qual decidiriam ou pró ou contra a verdade...) (...Alguns deixaram seus campos para fazer soar a mensagem, enquanto outros eram chamados da indústria e do comércio. E mesmo alguns profissionais foram compelidos a deixar suas profissões a fim de se empenharem na obra impopular de proclamar a mensagem do primeiro anjo.)

Claramente nos é dito que a mensagem do 1º Anjo de apocalipse 14 foi pregada no ano de 1843, essa formulação da data para os adventistas, tem como base o seu surgimento profético, ou seja, se a mensagem foi proclamada conclui-se que o movimento foi posto por Deus, surge então uma pergunta: e se a mensagem não foi proclamada conforme os ditames da profecia? Pode-se afirmar então, sem medo de errar que o movimento não foi posto por Deus, a conclusão é lógica.

Por exemplo: voltemos a apocalipse 14. 6 “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo.” Vemos claramente no verso que as mensagens angélicas de Apocalipse 14 deveriam ser proclamadas a cada nação, e tribo, e língua, e povo.

A mensagem milerita da breve volta de Cristo foi entregue a todas as nações, tribos, línguas e pessoas em 1844? Não de acordo com Joshua V. Himes. Ao lado de William Miller, Joshua Himes foi o principal líder do movimento de 1844. Ninguém estava em melhor posição para avaliar o progresso do movimento de 1844 do que Himes. Observe com atenção o que Himes escreveu após a Grande Desilusão.

"o choro do sétimo mês foi local e parcial . Estava confinado a este país." Himes continuou no artigo dizendo que o "choro" não produziu efeito algum na Europa . Himes sabia do que estava falando. Ele dirigiu esse movimento. Ele havia viajado por todo o nordeste dos Estados Unidos promovendo o movimento. Ele estava em contato com a Inglaterra. Se alguém estava em posição de avaliar o progresso do movimento, era Himes. (Joshua V. Himes, The Morning Watch, 20 de fevereiro de 1845.)

Os fatos históricos mostram que o movimento milerita estava em grande parte confinado ao nordeste dos Estados Unidos . Há poucas evidências de que alguma vez tenha penetrado muito no sul ou no oeste dos Estados Unidos, e muito menos no mundo inteiro! Havia um pequeno interesse na mensagem no sudeste do Canadá e talvez entre 2.000 e 3.000 seguidores na Grã-Bretanha. Havia um punhado de crentes em alguns lugares dispersos na Europa, mas a mensagem realmente só pegou no nordeste dos Estados Unidos, onde recebeu talvez 50.000 adeptos.

Embora a mensagem tenha sido levada a algumas estações missionárias, é uma falsidade completa afirmar que essa foi uma mensagem mundial que foi enviada a todas as nações, línguas e pessoas! Em 1844, havia aproximadamente 1.250.000.000 de pessoas vivendo na terra. Há pouca ou nenhuma evidência de que essa mensagem tenha chegado aos seguintes povos:

  • 17 milhões no sul dos EUA e oeste dos EUA / Canadá

  • 110 milhões na África (isso foi antes de David Livingstone abrir a África)

  • 36 milhões na América Latina e no Caribe

  • 800 milhões na China, Japão, Filipinas, Sudeste Asiático, Índia, Paquistão e Oriente Médio

  • 275 milhões na Rússia e no resto da Europa

Das 1,25 bilhão de pessoas no mundo, apenas aproximadamente 12 milhões no nordeste dos Estados Unidos, sudeste do Canadá e Londres tiveram a oportunidade de ouvir a pregação milerita e não há como dizer quantas delas realmente ouviram a mensagem. Portanto, menos de 1% da população mundial teve chance de ouvir a mensagem de Miller - quase todos que falavam inglês!

Mesmo no ano de 2020, a mensagem do evangelho ainda não penetrou em todos os grupos de idiomas do mundo. Como uma mensagem que alcançou menos de um por cento da população mundial - principalmente falantes de inglês - pode ser o cumprimento de uma profecia que deveria ser "aplicada a todas as nações, tribos, línguas e pessoas?

O Movimento de 1844 não poderia ter cumprido as mensagens do primeiro e do segundo anjos de Apocalipse 14, que descrevem uma mensagem mundial que atinge todas as nações, todas as línguas e todos os grupos étnicos! Assim sendo, a ideia de um movimento religioso surgindo em 1844 por vontade de Deus, se configura apenas como massa de manobra. A própria evidência testifica isso, sim, a mensagem deve ser levada a todos os povos e não 1% dos povos. Portanto, se o grupo profético não é uma realidade bíblica, muito menos seria a sua profetiza. Mt. 24. 14 “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.