quinta-feira, 2 de julho de 2026

Deus e Jesus no apocalipse.

Neste estudo, analisaremos o livro do Apocalipse para determinar se ele ensina ou apoia, de alguma forma, a doutrina da Trindade e a divindade de Jesus. Veremos todos os versículos que descrevem tanto Deus, quanto a Jesus e que mostram uma distinção clara entre Eles. E também, examinaremos todos os versos do livro do Apocalipse, tipicamente usados como apoio a Trindade ou a divindade de Cristo.

O livro do apocalipse, usa diversas designações específicas para Deus que o diferenciam claramente de Jesus. Em todos os casos em que a palavra Deus (em grego, theos) é usada no Apocalipse, ela é acompanhada pelo artigo definido (em grego, ho) ho theos. (O Deus). Essa era a maneira típica pela qual os autores do N T. diferenciavam o uso de theos em referência ao Deus verdadeiro do seu uso em referência a outro Deus que não o verdadeiro.

Quando os autores do NT. todos judeus, falam de ho theos, eles se referem ao Deus de seus pais, Abraão, Isaque e Jacó. A primeira ocorrência de ho theos no Apocalipse está no versículo um e distingue clara e explicitamente o Deus de Jesus, Ap. 1. 1 “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.”

Aqui vemos que Deus deu uma revelação a alguém, e esse alguém foi Jesus Cristo. É aqui que o apologista trinitário vai lhe pregar uma peça. Embora o trinitário acredite que Deus é um ser trino, ele raramente, ou nunca, reconhecerá que qualquer ocorrência de "ho theos" no Novo Testamento seja de fato uma referência a esse ser trino. Em vez disso, insistirá que quase todas as ocorrências de "ho theos" são, na verdade, referências a apenas uma das três pessoas, ou seja, o Pai. Por quê? Porque interpretar "ho theos" como a própria Trindade, resultaria na maioria dos casos, em uma leitura insatisfatória do texto.

Considere o verso acima, por exemplo. Se "ho theos" fosse interpretado como sendo a Trindade, a leitura do verso deveria ser: Revelação de Jesus Cristo, que o Deus Triúno lhe deu... Isso seria inaceitável, mesmo para um trinitário, já que, em sua visão, Jesus deveria ser um membro do Deus Trino, e este verso estaria distinguindo Jesus como um ser completamente diferente do Deus Triúno. Portanto, o trinitário é forçado a entender "ho theos" como algo diferente da Trindade.

Como "ho theos" neste versículo é distinguido de Jesus Cristo, então só podem existir dois outros candidatos para quem "ho theos" ou o Deus, poderia ser: o Pai ou o Espírito Santo. Ora, por alguma razão, os trinitários nunca parecem insistir que "ho theos" se refira ao Espírito Santo. Assim, ficamos com a conclusão de que "ho theos" se refere apenas ao Pai, em quase todas as ocorrências.

Concordo que "ho theos", em quase todas as suas ocorrências, é de fato uma referência ao Pai, e isso está explicitamente declarado no Novo Testamento, por exemplo... João 17. 3 “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” 1ª Co. 8. 6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e em quem estamos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.”

Ef. 4. 6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” Jo. 20. 17 “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” Além disso, cada carta de Paulo contém uma saudação que anuncia uma bênção sobre a igreja vinda de “Deus, nosso Pai” ou “Deus, o Pai”. Por isso, entendo que Deus em Apocalipse 1.1 é o Pai, e que esse Deus, que é o Pai, é um ser distinto de Jesus Cristo, a quem esse Deus dá a revelação.

Agora vemos por que o trinitário precisa considerar Deus apenas como sendo o Pai, distinto das outras pessoas da Trindade, porque há uma distinção muito clara sendo feita no versículo entre Deus e Jesus Cristo. A próxima forma pela qual Deus é identificado neste livro é pela frase, encontrada pela primeira vez em Ap. 1. 4 “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono.”

Essa frase identificadora aparece mais quatro vezes neste livro, com variações, em Ap. 1. 8 “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Ap. 4. 8 “E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.”

Ap. 11. 17 “Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste.” Ap. 16. 5 e 7 “ E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e hás de ser, porque julgaste estas coisas. E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.

Em cada uma de suas ocorrências, exceto em 1. 4, ela é usada em conjunto com outra designação para Deus, a saber, “O Senhor Deus Todo-Poderoso”. Portanto, se 'aquele que é, e que era, e o que há de vir' for interpretado como uma reafirmação do nome de Deus, então devemos entender que Ele sempre foi, é e sempre será o que as promessas da aliança exigem que Ele seja. Vejamos uma distinção clara entre este e Jesus Cristo e aquele que era que é e que há de vir: Ap. 1. 5 “E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados.”

É evidente que Jesus Cristo não é "aquele que é...", mas é distinto deste. Ap. 4. 8 “E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.”

A maioria dos comentaristas, seguindo a linha dos primeiros pais da igreja, tem o costume de ver o triplo “santo” de Isaías. 6. 3 como uma alusão do Antigo Testamento à Trindade, mas os mesmos comentaristas aparentemente relutam em tirar a mesma conclusão de Ap 4. 8. Como o Apocalipse distingue tão claramente o Senhor Deus Todo Poderoso de Jesus Cristo, o trinitarismo não consegue tirar proveito do título tríplice e da repetição de "santo".

Existem traduções de Apocalipse 1. 8 que levam o leitor a interpretá-las como sendo as palavras de Jesus Cristo. Mas, isso está completamente errado, como demonstra o verso 4. Na verdade, o próprio versículo nos diz quem proferiu as palavras: “Eu sou o Alfa e o Ômega ”. percebemos que as palavras não identificam o orador como Jesus Cristo, mas como “O Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso”.


Baseado no excelente livro: God and Jesus in Revelation.