sábado, 1 de agosto de 2026

Deus e Jesus no apocalipse. Parte 2.

No capítulo quatro, o Apocalipse identifica ainda mais o Deus, aquele que era, que é e que há de vir, por meio de outra expressão distintiva. Ap. 4. 2-3 “E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda.”

João também vê outros seres ao redor do trono Ap. 4. 8 “E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.”

Aqui vemos que aquele que se assenta no trono é identificado como 'ho theos, aquele que era.. O uso de kurios (Senhor) em conexão com ho theos, neste verso provavelmente significa que kurios está sendo usado como um substituto para o tetragrama, YHWH. Portanto, temos aquele que se assenta no trono identificado como Yahweh, o Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.

Uma descrição adicional a respeito deste que se assenta no trono, identificado como Deus, Yahweh são encontrados em Ap. 4. 9-11 “E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre. Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.”

Assim, vamos obtendo um retrato mais completo deste ser à medida que o livro avança. Agora sabemos que este é o Criador de todas as coisas, aquele que se assenta no trono. Vamos acompanhar essa descrição em suas aparições subsequentes, que mostrarão claramente a distinção entre este e Jesus Cristo. Ap. 5. 1 “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.”

Nos é dito nos versos seguintes que ninguém e em nenhum lugar foi capaz de tomar o livro e abri-lo. Contudo, o verso cinco nos diz algo interessante, Ap. 5. 5-6 “E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.”

Que o cordeiro apresentado no apocalipse refere-se a Jesus Cristo, não é questionado por nenhum comentarista ou apologista trinitário. Agora que estabelecemos que Jesus Cristo é aquele apresentado sob a imagem do cordeiro, vejamos como ele é apresentado em relação àquele que está assentado no trono, Ap. 5. 7 “E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

O cordeiro vem até aquele que está assentado no trono e toma o livro da sua mão direita, demonstrando com isso que as duas figuras são seres separados e distintos. Ap. 5. 9 “ E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação.” 

Nos é dito que o cordeiro comprou homens para Deus com seu sangue, portanto, se Ele comprou para Deus, logo ele não pode ser Deus. Ap. 5. 13 “E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizendo: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.”

O cordeiro é novamente diferenciado daquele que se assenta no trono. Ap. 6. 16 “E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro.” O cordeiro é diferente daquele que está assentado no trono. Ap. 7. 10 “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.

O cordeiro se distingue daquele que está sobre o trono. Devemos também observar um fato que parece ter escapado a atenção de muitos leitores do Apocalipse, especificamente, que em nenhum lugar do livro Jesus Cristo, também conhecido como o Cordeiro, é descrito como aquele que se assenta no trono. Como mostram as passagens acima, ele é sempre alguém diferente daquele que "se assenta no trono".

Outras passagens do livro continuam a mostrar uma diferenciação entre Deus e Jesus. Ap. 11. 15 “E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.” (isto é, Deus e Jesus).

O reino do mundo tornou-se de duas pessoas: Deus, e o seu Cristo, = ungido no hebraico. Isso nos remete ao precedente do Antigo Testamento de que o reino de Deus era governado por Deus, o Rei supremo, por meio de seu ungido, o governante humano designado para representá-lo no trono de Israel. O Salmo 2 e o Salmo 45 nos diz exatamente isso, outras passagens são: Sl. 89. 20-29.

1ª Cr. 28. 5-7 “E, de todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o Senhor), escolheu ele o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre Israel. E me disse: Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios; porque o escolhi para filho, e eu lhe serei por pai.” A linguagem é clara: o rei ungido (isto é, o mashiach) pertencia a Deus e, como seu servo, governava segundo a vontade de Deus.

Sl. 2.2 e 6 “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.” Observem o pronome possessivo pessoal (seu ungido; meu rei). É instrutivo observar como os apóstolos entendiam esse conceito de Jesus como o Messias do Senhor.

At. 4.24-28 “E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.”

Nessa oração, após citarem o Salmo 2. 1-2, eles falam de “teu santo servo Jesus, a quem ungiste”. O fato de Jesus pertencer a Deus como seu servo certamente comunica a existência de uma clara distinção numérica entre eles. Vários outros versos estabelecem uma distinção clara entre Deus e Jesus.