quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Jesus, enteado ou filho de José? 2ª parte.

A palavra genealogia vem do grego genea (origem, nascimento) e logos (estudo, conhecimento). Ela significa o estudo científico ou histórico que investiga a origem, a ancestralidade e a linha de descendência de uma pessoa ou de uma família. Lc. 3. 23 “E este mesmo Jesus estava como que começando os trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli.”

Percebe-se que a genealogia de Jesus encontrada no evangelho de Lucas é diferente e oposta à descrita por Mateus. Lucas mostra de uma forma positiva que Jesus era o filho de José. Caso o evangelista Lucas tivesse a intenção de contrariar esta situação, deveria ter escrito o seguinte: .."não sendo o que se pensava ser – o filho de José”. Se José não foi o pai de Jesus, como pode então ser Ele descendência de Davi?

Algumas passagens relevantes escritas pelo evangelista Lucas são totalmente incompatíveis com a ideia de uma concepção virginal: Lc. 2. 26-27 “E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei.”

Vamos ler Lucas 2. 33, a primeira leitura Será feita pela ACF*. “E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam.” A segunda será feita pela ARA*, ambas em português. Lc. 2. 33 “E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia.” A diferença da tradução nos mostra uma tendência em ocultar para os fiéis de que José é o pai de Jesus. Novamente iremos nos valer de das duas traduções ACF e depois a ARA.

Lc. 2 41-43 “Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa. E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Lc. 2. 41-43 “Ora, anualmente iam seus pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Quando ele atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Em uma tradução diz José e sua mãe, em outra, os seus pais, tirem suas conclusões.

Lc. 2. 48 “E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.” Lc. 4. 22 “E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José?” Como explicar, por exemplo, a admiração de José e Maria às palavras de Simeão, sob a ótica da concepção virginal? Por que José e Maria deveriam se admirar, se sabiam que Jesus teve origem sobrenatural? 

O que o próprio Jesus disse de sua origem? Ap. 22. 16 “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã. E, ainda segundo a cristandade, o fato de Jesus ter sua origem divina, necessitou de uma mãe imaculada, ou seja, que não tivesse conhecido nenhum homem, Maria, a escolhida deveria então ser virgem, Mt. 1. 23 “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco. 

Surge uma pergunta: “Virgem ou jovem mulher? Esse verso de Mateus foi usado a versão septuaginta grega, com intuito de se interpretar o nome simbólico EMANUEL como sendo um indicador da natureza sobre-humana do filho, que deveria nascer de uma concepção miraculosa. Há um fator importante a ser considerado. Essa ideia pressupõe que uma leitura não judaica estava sendo considerada. Os judeus criam que o nome EMANUEL (Deus está conosco) significava não a encarnação de Deus em forma humana, mas uma promessa de ajuda divina em favor do povo.

Esse verso de Mateus é tirado de Isaías 7. 14 para provar a sua tese. No entanto, os judeus que estavam familiarizados com o profeta Isaías ficariam perplexos com o argumento do evangelista Mateus, porque a palavra usada pelo profeta Isaías foi JOVEM MULHER, do hebraico (ALMAH) e não “virgem”, cuja palavra em hebraico seria BETHULAH. É certo que o entendimento de uma jovem engravidando não é a mesma coisa que uma concepção virginal.

Essa mudança ocorreu nas traduções gregas posteriores, por volta do 1º e 2º séculos. Todas essas traduções substituíram o termo JOVEM MULHER pela palavra VIRGEM, na versão septuaginta. Além disso, o texto de Isaías 7. 14 não tem nenhuma conotação messiânica. O contexto histórico precisa ser analisado: Judá, sob o reinado de Acaz, estava prestes a ser invadida pelos seus vizinhos do norte: ISRAEL (também chamada de Efraim) e SÍRIA (também chamada de Aram Damasco). Porém, Deus ordena o profeta Isaías que assegure ao rei Acaz que o próprio Deus destruirá os inimigos de Judá

Is. 7. 14-16 “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis.” Onde isso se encaixa na história de Jesus? Esperaria a comunidade judaica o nascimento virginal do Messias? Claro que não. O Messias era esperado de uma intervenção divina, mas sem que isso significasse necessariamente uma interrupção na descendência de Davi.

As profecias sobre o Messias mostram que ele deveria ser da SEMENTE DE DAVI ou DESCENDÊNCIA DE DAVI. É através da palavra profética que se sabe identificar com segurança quem de fato se qualificaria para ser o Messias prometido e é por meio dela também que a concepção virginal se torna um paradoxo. Em toda a extensa literatura hebraica e no contexto das profecias bíblicas, não há uma única passagem que possa justificar a ideia de que o Messias prometido devia ser milagrosamente concebido.