sábado, 1 de abril de 2023

Para Deus, tudo é possível.

O que nos dá garantias de que a morte não é o fim absoluto? Essa pergunta é feita frequentemente por muitos, outros, pelo estilo de vida estão dizendo: comamos e bebamos que amanhã morreremos, não estão nem um pouco preocupados com um possível acerto de contas. Voltemos então à pergunta: a garantia de que a morte não trás consigo o fim eterno está no fato de que nada do que percebemos é obra do acaso. Na verdade o acaso é só uma palavra utilizada por pessoas que não sabem explicar algo, em outras palavras o acaso não existe.

O que nos dá garantias de que a morte não é o fim, reside no fato de existir um ser superior, o qual mantém todas as coisas, At. 17. 24-25 “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.”

Seria essa resposta inválida, por carecer de base científica? Na realidade os objetores nunca dão uma resposta embasada cientificamente sobre a não existência de um ser espiritual e superior, isso pelo fato desse ser o qual chamo de Deus criador, não poder ser mensurado. Assim sendo, não podemos provar a existência de Deus por meio de laboratórios, no entanto essa mesma ciência tem visto e demonstrado a existência de Deus.

Parece um paradoxo mas não é, o que estou dizendo é que Deus é intangível, por isso não pode ser medido por meios materiais, contudo, a ciência pode comprovar as obras de Deus. Na atualidade à ciência tem tentado validar os acontecimentos bíblicos, são assuntos aceitos e tratados no meio cientifico, por exemplo, o diluvio as pragas no Egito, no entanto, eles se valem dos meios físicos para realizarem isso, tais como: as convulsões em outros planetas e os cometas*.

Esse artifício é um meio de negarem a Deus, Rm. 1. 19- 20 “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”. E por que negam a Deus? Negando a Deus criaram a ilusão da não obediência, sim, se Ele não existe, logo a sua vontade e mandamentos também não existem.

Por outro lado vemos o verso dizer que tais pessoas são indesculpáveis. Voltemos então, questão da morte não ser o final de tudo; Hb. 11. 3 “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.” O autor da carta aos hebreus diz que pela fé nós entendemos... no entanto, digo que não só pela fé, mas a própria lógica nos mostra isso, a profundidade de todo o universo, tanto na questão macro como microscópica demonstra que o nada ou o acaso, não pode trazer a existência organismos complexos e regidos por leis.

Impossível, que amebas, sopa primordial, organismos unicelulares e cometas, tenham por sí só vindo a existência, da mesma forma não existe a possibilidade da matéria desinteligente criar inteligência. No contexto em que vivemos precisamos sim “lutar” pela sobrevivência, porém, nenhum esforço fizemos para estarmos aqui, a nossa estada foi unicamente pela vontade e poder de Deus, Ap. 4. 11 “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.”

Outra questão a qual devemos estar atentos, refere-se a impotência da ciência quando o assunto retrata a morte, apesar da medicina ter trazido benefícios, alivio e remediado várias doenças, nada foi feito para devolver a vida de alguém, não que haja má vontade, o que existe na verdade é incapacidade, sim o homem (gênero) é limitado pela vontade de Deus, por que a ciência é incapaz de ressuscitar alguém? (isso no verdadeiro sentido da palavra) Hb. 9. 27 “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo.”

Sim, a morte é algo ordenado por Deus, assim como é a vida, ao contrário do não fazer nenhum esforço para nascer, faz-se um tremendo esforço para não morrer. Porém, é tudo em vão, Jó 14. 5 “Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.” Neste sentido acredito que a lógica está embasada na fé e vice versa, por isso acredito piamente no poder de Deus quanto a ressurreição dos mortos.

Entendemos então, que a vida em seu estagio original é algo muito complexo, distante da engenhosidade humana, se é impossível trazer de volta a vida, muito menos se pode criá-la em seu estágio original e inicial em laboratórios, Mt. 19. 26 “E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” A Deus tudo é possível, naturalmente aquilo que é lógico e não contraditório.

O verso 11 de apocalipse 4 nos diz que pela vontade e poder de Deus, todas as coisas foram criadas e assim será quanto a ressurreição dos mortos, seria isso contraditório e ilógico? Não, basta analisarmos a nossa chegada a este mundo, estamos aqui por nossa vontade? Quanto laboramos para isso? A nossa existência é produto exclusivo da vontade de Deus, e o mesmo Deus que trará os mortos de volta, 1ª Co 15. 51-52 “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”

Muitos dirão que isso é um apelo irracional da fé, na realidade isso não é um apelo, quanto a fé ela deve existir, porém neste caso, a fé não é uma palavra mágica que fará acontecer a ressurreição dos mortos, a fé aqui é a certeza de um cumprimento lógico e não irracional, pelo contrário, a razão aqui apela para o fato de termos a certeza de que existe alguém inteligente e superior o qual tem domínio sobre a vida e a morte e esse alguém é o Deus criador.






*Documentário reproduzido no History2.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Os adversários de Jó.

É muito comum o uso de figuras de linguagens no AT. E interpretá-las diretamente como algo literal ou real, foi causa de várias doutrinas equivocadas dentro do circulo cristão. Jó. 1. 7 “Então, o Senhor disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.” O cristianismo popular interpreta esse verso como sendo um Anjo, o qual literalmente caminha por toda à terra, sempre a espreita intentando “tragar” alguém.

No entanto, se basearmos a interpretação do verso segundo a linguagem da época e apoiado com outros versos bíblicos, teremos uma interpretação diferente e não popular do texto, Gn. 4. 12-14 “Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás na terra. Então, disse Caim ao Senhor : É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada.

Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará. Nesse contexto Caim está condenado a ser um andarilho “passear” sobre a terra, isso pelo fato de ter sido um adversário “satanás” do seu irmão.

Jó. 1. 6 “E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.” Ao ler esse esse verso a cristandade o tem interpretado como sendo um encontro entre Deus e Satanás no céu, a bíblia não apoia tal ideia dentro do contexto bíblico o que é se apresentar ao Senhor? Dt. 19. 17 “Então, aqueles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias.” Sl. 42. 2 “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?”

Apresentar-se perante o Senhor era comparecer para um de seus representantes; nunca esquecendo o método de linguagem utilizado pela bíblia “comparecer perante o SENHOR.” 1ª Tm. 6. 16 “Aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém!” Nos é dito que homem algum jamais viu a Deus, mas, e os Anjos? A bíblia diz que eles incessantemente veem a face de Deus. Não podemos penetrar no mundo espiritual, contudo, a mesma bíblia diz que Deus não tem uma forma definida.

No entanto, a bíblia também nos diz que Deus não tolera o mal, Sl. 5. 4 “Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal.” Alguém dirá, Satanás não habitou, ele esteve na presença de Deus, 3ª Jo. 1. 11 “Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz bem é de Deus; mas quem faz mal não tem visto a Deus.” Se, conforme é ensinado pela cristandade, Satanás é um ser espiritual do mal, logo como pode ele ter estado na presença de Deus?

Jó. 1. 4-5 “E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.”

Parece que esses banquetes (cada um no seu dia) era uma festa de aniversário, A referência para os filhos de Deus que vieram juntos em adoração diante de um sacerdote ou um altar ocorre imediatamente após o relato sobre os filhos de Jó os quais faziam essas festas, parecendo bastante transgressoras, e Jó oferecia sacrifícios para eles. mas logo depois disso em que os filhos de Deus vieram para celebrar uma festa ao Senhor. Ligando esses dois acontecimentos eles chegaram juntos na festa e se reuniram para sacrificar suas ofertas, e nesse contexto Satanás veio entre eles.

O relato “os filhos de Deus” refere-se a seres espirituais? Não há nenhum apontamento que abalize tal ideia, Mt. 5. 9 “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” 1ª Jo. 3. 1 “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele.”

Há outros indícios que os filhos de Deus são aqueles “nascidos de novo”. Quem então seria o Satanás que veio perante o Senhor “sacerdote” o qual representava o Senhor nas reuniões? Lembrando que Caim foi condenado a percorrer a terra, Deus não era estranho para Caim, assim, Satanás pode ter sido algum invejoso o qual participava das reuniões religiosas com o objetivo de levantar suspeitas de Jó, o verdadeiro adversário de Jó (Satanás no hebraico) estava entre os seus “amigos”.

Jó. 19. 19 e 22 “Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne vos não fartais?” Vemos nesse verso o homem perseguindo a Jó, e não outro ser qualquer. É interessante observar também que a palavra Satanás ou adversário não aparece mais nos capítulos posteriores, os acusadores de Jó notadamente são os seus “amigos”.

É fato também que a indignação de Deus não foi contra um ser espiritual, Jó. 42. 7-8 “Sucedeu, pois, que, acabando o Senhor de dizer a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.”

Os amigos de Jó não aceitavam o fato dele ser justo, por isso ele sofreu perseguição e calunia, Jó. 34. 35-36 “Jó falou sem ciência; e às suas palavras falta prudência. Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.” Jó 1. 1 “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.” A declaração é que Jó era reto ou justo, no entanto os “amigos” invejosos não acreditaram em tal informação.

Ao contrário, disseram que Jó era ímpio, Jó. 8. 6 “Se fores puro e reto, certamente, logo despertará por ti e restaurará a morada da tua justiça.” Por isso, no capítulo 42 de Jó, Deus disse que Elifaz o “amigo” adversário de Jó deturpou as afirmações que Deus havia feito.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

O Messias não é Deus.

At. 2. 36 “Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” Será que os espectadores, sim os seguidores que estavam ali pensaram: “Temos um segundo membro da Divindade, afinal, o tempo todo realmente havia dois deuses”. De jeito nenhum. Eles sabiam que Jesus era o Senhor messiânico e não o próprio Deus. Eles sabiam que quando as Escrituras chamam alguém de Senhor, isso não significa que ela seja o verdadeiro Deus.

Em várias passagens os apóstolos usam a fórmula, “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Observe como Deus não é apenas o Deus de Cristo, mas que Ele é “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo”. Como o Senhor Messias, Jesus reconhece Deus não apenas como seu Pai, mas também como seu Deus, Jo. 20, 17 “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”

Assim, é claramente evidente que o título de Senhor e Messias não deve ser confundido com o título de Senhor Deus. Em nenhum lugar das Escrituras Jesus é chamado de 'Senhor Deus'. Jesus não é identificado como Deus, mas está sendo distinguido, diferenciado de Deus. Somente com base nessa fórmula, o Senhor Jesus não pode ser Deus o pai. Jesus é o Cristo ou o ungido de Deus. Sim, há dois Senhores na Bíblia, mas apenas um é o Senhor Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

E como é ensinado no NT. em termos de funcionalidade Jesus é como Deus para nós, Cl. 2. 9 “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” 2ª Co. 4. 6 “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo, Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.”

Assim, segundo o NT. ver Jesus e ouvir Jesus é ver e ouvir o Pai, como o próprio Jesus disse. Obedecer a Jesus é obedecer a Deus. Deixar de ouvir Jesus é deixar de acreditar em Deus. Isso porque Jesus representa perfeitamente e está perfeitamente autorizado por Deus, para ser Seu agente e agir plenamente em Seu nome.

No entanto, o NT. não atribui os milagres e maravilhas e sinais poderosos de Jesus à sua suposta divindade. O próprio Jesus testificou que suas palavras e obras não eram suas, mas de Deus por meio dele, os apóstolos entenderam isso claramente, tanto que ele disseram em At. 2. 22 “Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis.”

At. 10. 38 “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” Sim, os milagres e sinais de Jesus eram uma classe própria. Nenhum homem jamais falou como este homem e nenhum homem jamais fez o que este homem fez. Mas, tudo é atribuído ao poder e à unção de Deus, o Pai, não ao fato de Jesus ser Deus.

Da mesma forma, ninguém argumenta o fato de Moisés e Elias terem realizados grandes milagres e sinais, nem por isso são considerados Divindades. At. 2. 43 “Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.” Da mesma forma ninguém insiste defendendo a divindade dos apóstolos, isso pelo fato de que a fonte dos milagres, sinais e maravilhas de todos eles, inclusive Jesus, é atribuída à unção de Deus sobre eles.

Dito isso e considerando que o nome de Deus Yahweh encontrado nas páginas do AT. não aparece nos textos do NT, assim sendo, como podemos identificá-lo? O fato é que quando chegamos ao NT a palavra “Deus” em grego (theos) quase sempre com o artigo definido - é usado para se referir ao Pai sozinho. Cerca de 1325 vezes no NT “Deus” é o pai. Jesus é chamado de 'deus' em dois textos com certeza e estes devem ser examinados em seus próprios contextos, para mais uma vez ver se a exceção quebra a regra.

Aqui está a grande diferença no uso da palavra 'Deus' no NT. o cristão de hoje pensa que Deus são Três Pessoas mas, repito, no NT. 1325 vezes Deus é o Pai sozinho. Outro fato notável é que o próprio Jesus confirmou o monoteísmo unitário de sua herança judaica. Jesus endossou a confissão profética que Deus é “aquele por si só” Jo. 17. 3 “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

Ao longo de todos os seus ditos e discursos registrados, Jesus apenas referiu a palavra 'Deus' somente ao Pai nunca a si mesmo. Jesus sabia que existe apenas um Deus individual, os próprios apóstolos concordaram com a crença monoteísta unitária de Jesus. Paulo, por exemplo, diz: “há um só Deus, o Pai de quem são todas as coisas” e então ele continua a dizer que há “um só Senhor Jesus, o Messias” e ele continua, Ef. 4. 5-6 Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos.”

sábado, 7 de janeiro de 2023

A porta que só se abre por dentro.

Ap. 3. 20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.” Este verso é muito utilizado, sobretudo pelas igrejas evangelicas em suas campanhas evangelisticas. E nessas campanhas eles criam certas imagens representativas, nesse caso, eles criaram um Jesus batendo em uma porta, contudo, essa porta só tem maçaneta por dentro.

Dando com isso a entender que, caso o homem não se mova para abrir a porta, Jesus fica impossibilitado de abri-la. Essa imagem representando a porta é o coração humano, a tranca por dentro, significa o livre arbítrio do gênero humano. Campanhas evangelísticas devem sim serem feitas, no entanto, acredito que a bíblia deve ser utilizada em sua forma real e racional, de nada adiantará o lado emocional da pregação.

Duas questões básicas nos mostrará que os evangélicos que utilizam dessas imagens representativas e se valem da pregação emocional estão equivocados, primeiro pelo fato de distorcerem o ensino bíblico relacionado a conversão e salvação, depois o verso de apocalipse foi direcionado primeiro para os convertidos da cidade de Laodiceia e ainda que se aplique para nós hoje, não pode ser aplicado para todos indistintamente.

Vamos ver esse versículo sob dois aspectos, primeiro de forma isolada e depois em seu contexto e veremos se o mesmo ensina o que os evangélicos alegam ensinar. O versículo de forma isolada não ensina o livre arbítrio. O versículo coloca Jesus à porta, batendo e falando para que a abram. O que leva alguém abrir a porta é o ouvir a voz dele.

Uma vez aberta a porta, Ele entra na casa e faz uma refeição com quem abriu a porta. Mais longe que isso não se pode ir na interpretação isolada dessa passagem. É importante notar que palavras como livre arbítrio, vontade, querer e escolha sequer aparece no texto, embora fique implícito que há duas possibilidade: abrir e não abrir. Mas não há uma declaração positiva a respeito do livre arbítrio nem uma interpretação natural e necessária que requeira isso.

Voltando ao ato condicionante do abrir a porta: o ouvir a voz de Cristo. O texto bíblico não diz "ao ouvir" mas "se ouvir", deixando claro que nem todos ouvem. Na pregação do Evangelho, o ouvir é fator determinante: Is. 55. 3 “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei um concerto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências de Davi.”

Rm. 10. 14-17 “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

O fato é que embora o Evangelho seja pregado a todos, sem distinção, nem todos ouvem o Evangelho, no sentido bíblico do termo, Is. 6. 10 “Engorda o coração deste povo, e enderece-lhes os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o seu coração, e a converter-se, e a ser sarado.” Jo. 10. 16 “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.” 

Das palavras acima fica claro que nem todos ouvem a voz de Jesus, e aqueles que ouvem é porque são as suas ovelhas e que aqueles que não ouvem, não ouvem porque não "sois das minhas ovelhas" e "não sois de Deus". Como o ouvir não é uma ação autônoma do homem, mas algo operado por Deus nele, fica claro que Ap 3. 20, visto isoladamente, não ensina o livre arbítrio.

Mas estudar uma texto de forma isolada não é uma boa prática de interpretação, todo texto deve ser lido e entendido à luz de seu contexto. E quando colocamos o texto em questão dentro de seu contexto percebemos claramente que o mesmo não é dirigido a não crentes e, portanto, não é uma passagem evangelística. O versículo em seu contexto não se refere ao evangelismo.

O que o contexto de apocalipse 3 está dizendo? Ap. 3. 14-21 “E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.”

A série de sete cartas são dirigidas não a descrentes, mas aos crentes das igrejas estabelecidas na Ásia: Apocalipse. Todo o texto contido nas cartas apocalípticas se dirigem e se referem à igreja, portanto a crentes. Não é um texto evangelístico no sentido que está falando a pecadores não crentes que precisam abrir a porta de seus corações a Jesus.

Se bem que é verdade que as pessoas devem ser instadas a crerem na mensagem do Evangelho e a aceitarem a Jesus, mas o texto em apreço não é um apelo dirigido a quem ainda não se converteu. A carta em que Jesus diz estar batendo à porta é dirigida ao "anjo da igreja" de Laodicéia, Com isso, a mensagem é dirigida a todos os crentes laodicenses.

Jesus é direto ao dizer "conheço as tuas obras" e ao taxá-los de mornos. Eram crentes autoconfiantes, visto não sentirem falta de coisa alguma, sem perceberem a sua realidade de pobreza espiritual. Apesar disso Jesus os exorta ao arrependimento. Todas essas palavras deixam claro que Jesus está se dirigindo a crentes e não a descrentes.

Somente as obras de crentes tem valor gradual, a dos descrentes não tem valor algum, somente os filhos são disciplinados e somente crentes podem ser ter zelo com as coisas de Deus. Após dirigir essas duras palavras, e no mesmo fôlego, Jesus diz "eis que estou à porta e bato". Não há nada no texto que sugira, nem de longe, que Jesus mudou os destinatário de suas palavras.

Ele continua falando com crentes, o que fica claro por dizer em seguida "ao vencedor", título somente atribuído aos feitos vencedores por Cristo e pelo aviso solene para ouvir o que o Espírito diz "às igrejas". A conclusão é que Apocalipse 3:20 não é dirigido a descrentes, mas a uma igreja que confiante em seus próprios recursos torna-se independente de Jesus, negando o Seu senhorio e, na prática, deixando-o de fora de seus assuntos.

É uma igreja em que Jesus bate à porta, querendo assumir a posição de centralidade que lhe é de direito, como aquele que é o cabeça da igreja. Concluir que Jesus está batendo à porta do coração de pecadores é fazer uma aplicação com demasiada liberdade de um texto fora de seu contexto. Um texto deve ser compreendido à luz de seu contexto, apoiado sempre por passagens paralelas e em conformidade com o ensino geral das Escrituras, tendo em mente que a revelação bíblica é progressiva.

Mesmo analisado de forma isolada, Apocalipse 3:20 não ensina nem dá apoio à filosofia humanista do livre arbítrio. E quando iluminado pelo contexto, tal passagem sequer está se referindo ou dirigindo a não crentes, mas a crentes mornos que negligenciaram o senhorio de Cristo e desenvolveram um falso senso de autossuficiência.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Deus unigênito ou filho unigênito?

João 1. 18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. (Almeida Corrigida Fiel.) Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”. ( Almeida Revista e Atualizada.) Essa variação entre Deus unigênito e filho unigênito se dá devido a alguns teólogos que acreditam que o texto original diz “ho monogenes theos” = “o Deus único ou unigênito”, enquanto outros teólogos acreditam que o texto original era “ho monogenes huios” = “o Filho unigênito”.

Os textos gregos variam, mas há boas razões para acreditar que a leitura original é representada em versões como a Almeida Corrigida Fiel. Embora seja verdade que os manuscritos gregos mais antigos contêm a leitura “theos”, “Deus” cada um desses textos é do tipo de texto alexandrino. Praticamente todas as outras leituras das outras tradições textuais, incluindo os textos ocidentais, bizantinos e alexandrinos secundários, dizem huios, “filho”.

Um grande número de Padres da Igreja, como Irineu, Clemente e Tertuliano, citou o versículo com “Filho” e não “Deus”. Isso é especialmente importante quando se considera que Tertuliano defendeu agressivamente a encarnação e é creditado como aquele que desenvolveu o conceito de “um Deus em três pessoas”.

Se Tertuliano tivesse um texto que lesse “Deus” em João 1. 18, ele certamente o teria citado, mas em vez disso ele sempre citou textos que diziam “Filho”. E além disso é muito difícil conceber o que “Deus unigênito” significaria na cultura judaica. Não há uso da frase em nenhum outro lugar da Bíblia. Em contraste, a frase “Filho unigênito” é usada outras três vezes por João.

Jo. 3. 16 e 18 “ Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. “ Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. 1ª Jo. 4. 9 “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele”.

Para um judeu, qualquer referência a um “Deus único” geralmente se referia ao Pai. Embora os judeus da época de João tivessem problemas com o “Deus unigênito”, os cristãos do segundo século em diante, com sua compreensão cada vez mais incoerente da cristologia e da natureza de Deus, teriam sido muito mais facilmente capazes de aceitar tal doutrina. Outra razão para favorecer “Filho” em vez de “Deus” é que o versículo é sobre Deus sendo revelado por Jesus.

Como vimos, o verso 18 de João 1 começa com a frase, que ninguém jamais viu “Deus”, chamar Jesus nesse contexto de “o Deus unigênito” (ou o “Deus único”) estabeleceria uma contradição inerente. Se você não pode ver Deus, como você pode ver “o único Deus?” A resposta simples no versículo é que o Filho não é Deus e, portanto, embora não possamos ver a Deus, podemos ver o Filho unigênito que tornou Deus conhecido.

A razão pela qual o texto provavelmente foi mudado de “Filho” para “Deus” foi para fornecer “evidência extra” para a existência da Trindade. No segundo século, um intenso debate sobre se Jesus era ou não Deus, ocorreu em Alexandria, no Egito, o lugar onde todos os textos que dizem “Deus” se originaram. As apostas eram altas nesses debates, e excomunhões, banimentos ou algo pior poderia ser o destino do “perdedor”. Mudar um ou dois textos para “ajudar” em um debate foi uma tática comprovadamente ocorrida. 

Um exame de todas as evidências mostra que é provável que “o filho unigênito” seja a leitura original de João 1. 18. Mesmo que o texto original leia “Deus” e não “Filho”, isso ainda não prova a Trindade. A palavra “Deus” tem uma aplicação mais ampla em hebraico, aramaico e grego do que em português.

Pode ser usado para homens que têm autoridade divina, Jo. 10. 33 “Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Hb. 1. 8 “Mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino”. Em outros assuntos já foi dito que o título Deus pode ser usado em um sentido amplo quando não está se referindo ao único Deus, o pai. Portanto, não há nenhuma “Fórmula Trinitária” neste versículo que force uma interpretação de um Deus em três pessoas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A salvação espiritual não depende de meios.

Independente do que fazemos no decorrer da semana, todos nós gostamos de cessar as atividades no final da mesma. No meio cristão as denominações religiosas, se preocupam em dedicar um dia para o serviço religioso, tais denominações em suas grandes maiorias, ensinam que devemos dedicar o dia de domingo para o Senhor, lembrando sempre, que o título Senhor refere-se a Jesus ou mesmo a trindade o qual é deus para elas. Outras denominações no circulo cristãos em sua minoria, defendem o sábado como sendo o dia dedicado a trindade o qual para elas é deus.

Paulo aborda essa questão em sua carta aos romanos, Rm. 14. 6 “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” O grande problema dessas denominações quer seja em sua maioria ou não, é que elas defendem a obrigatoriedade de um dia de guarda dedicado a trindade, e caso isso não ocorra a salvação espiritual do indivíduo será perdida.

Entre elas, as denominações, é tido como transgressão do mandamento caso alguém não dedique um dia para a trindade, uma vertente do sabatismo defende essa tese, observem só as suas palavras: “Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna.” essas palavras encontram-se no livro Testemunhos Seletos, volume 3, na página 23, (Ellen G, White a profetisa dos adventistas).

Vários problemas teológicos são encontrados nessa declaração. Antes porém, é preciso enfatizar também o erro teológico daquelas denominações religiosas que defendem o dia de domingo como sendo o dia do senhor, primeiro: não existe um verso bíblico no NT. Indicando que o domingo é o dia do senhor, a tradição cristã se encarregou em santificar o dia de domingo, pelo fato da ressurreição ter acontecido nesse dia.

Mas não existe um mandamento escrito que indique isso. Outro erro grosseiro é dizer que o sábado judaico agora é o domingo cristão, não existe apoio bíblico que ensine assim, isso na verdade mais se parece com briga de grupos rivais. Quanto a questão do sabatismo defendido pelos adventistas onde é dito que o sábado é base para salvação, tal ensinamento não procede; é fraco o argumento. Alguns pontos os quais podemos destacar que enfraquece tal ensinamento são:

Ef. 2. 8-9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Esse é o principal argumento, além de ser bíblico, ele nos mostra que a salvação espiritual não pode ser barganhada. Não há poder em nós para operarmos a salvação, não podemos agradar a Deus esperando uma recompensa por esse agrado, o verso é enfático, a salvação espiritual não vem devido as nossas obras e, é um dom de Deus.

O cristianismo, acredito que em todas as suas vertentes sustentam a ideia de que a salvação encontrada no NT. Se consumou por meio de Jesus Cristo, logo qualquer outro agente que esteja entre Deus e a salvação espiritual deve ser considerado como algo pagão e herético, At. 4. 12 “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”

Ainda sobre a declaração de se guardar o sábado para angariar a salvação, continuamos a perceber os pontos fracos dessa declaração: ou seja, isso implicaria que todos os salvos deverão guardar o sábado, contrariando o verso o qual diz: (não por obras...) isso também tornaria a salvação espiritual dependente não de uma (crer em Cristo) mas de duas exigências; crer em Cristo e ser guardador do sábado, bem, o crer e m Cristo é um dom de Deus, o qual recebemos por meio da fé, essa por sua vez também vem de Deus, por isso é um dom.

Já a segunda condição seria algo aleatório, sim, alguém pode ou não ouvir sobre o sábado, sendo assim, não seria um dom de Deus, mas uma imposição da própria denominação, aliás denominação religiosa são iguais times de futebol, cada qual quer ser melhor, querem se destacar; as muitas variantes dentro do cristianismo, reformulam seus credos, suas doutrinas, suas exigências, variando cada qual querem se destacar no meio da multidão para no final poder dizer: você precisa vir para cá para ser salvo, eu sou a igreja verdadeira...

Isso na verdade são métodos utilizados, objetivando angariar uma maior quantidade de pessoas, as intenções variam, fazem isso por partidarismo e também por lucro. Esquecem das lições encontradas no NT. As quais dizem que a salvação espiritual é Cristo está em nós ou nós estarmos em Cristo, se estamos em Cristo, somos alvo do amor de Deus, Rm. 8. 38-39 “Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”

Que interessante! Nos é dito que nada e ninguém neste mundo ou mesmo fora dele, pode nos roubar a salvação espiritual. Como dito anteriormente, não posso tentar fazer algo para com isso tentar agradar a Deus e ser retribuído por ele, a salvação não pode ser comprada e isso por dois motivos: primeiro que o preço é alto demais, segundo, nós só compramos aquilo que nos interessa, isto é, nós não podemos agradar a Deus para depois adquirirmos a salvação, se dependesse de nós, nunca nos interessaríamos por ela, somos primeiramente conhecidos por Deus, por isso somos salvos, Gl. 4. 9 “Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?”

No que concerne ao NT. deve ficar claro que os salvos, apesar de pecadores não tem prazer na prática do pecado, ao menos essa é a afirmação bíblica. Então, alguém pode objetar dizendo: - (Ora, se não aceito o sábado, logo devo ser considerado um transgressor e consequentemente não estou salvo). Replico dizendo: apesar de estar contido nos dez mandamentos, o sábado não foi direcionado aos gentios em forma de obrigatoriedade e muito menos como sendo uma base para salvação.


sábado, 1 de outubro de 2022

A carta aos hebreus e a antiga aliança.

A carta aos hebreus destaca por excelência o fim da antiga aliança, e dentro desse contexto estão inseridos: o fim do sacerdócio levítico, o fim da lei no que diz respeito a salvação, e o fim do sistema de culto prestado na antiga aliança. Hb. 5. 1-4 “Porque todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E, por esta causa, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.”

Começamos a perceber a fragilidade do sacerdócio levítico, essa fragilidade é encontrada no fato de um pecador interceder por outros pecadores, um sumo sacerdote rodeado de fraquezas e que também necessitava de um sacrifício para “absolvê-lo” do pecado, assim sendo, seria impossível a manutenção desse sacerdócio.

Hb. 7. 11 “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? O fato da não permanência do sacerdócio levítico demonstra a sua fragilidade. Hb. 8. 7 “Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo.” Fica claro por esses poucos versos, que o sacerdócio levítico realmente passou.

H. 8. 13 “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar.” O que a bíblia define como sendo concerto? Geralmente são os contratos, as alianças feitas entre Deus e algumas pessoas, Lv. 26. 42 “Também eu me lembrarei do meu concerto com Jacó, e também do meu concerto com Isaque, e também do meu concerto com Abraão me lembrarei, e da terra me lembrarei.”

Sl. 89. 3 “Fiz um concerto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi.” Vimos então, algumas pessoas com as quais Deus fez um concerto ou uma aliança. 1ª Rs. 8. 9 “Na arca, nada havia, senão só as duas tábuas de pedra que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, saindo eles da terra do Egito.” Dt. 4. 13 “Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.”

Percebemos aqui o termo sinônimo, ora aliança e ora concerto, o significado são os mesmos. Outro fato interessante é que os dez mandamentos também são chamados de concerto, assim como também e chamado de concerto a arca da aliança, arca essa que transportava as duas tábuas dos dez mandamentos. Dt. 31. 25-26 “Deu ordem Moisés aos levitas que levavam a arca do concerto do Senhor, dizendo: tomai este livro da Lei e ponde-o ao lado da arca do concerto do Senhor , vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti.”

Isso vem nos mostrar que a lei, como termo de salvação findou, mas podemos questionar perguntando: então, vivemos em uma aliança baseada na anarquia? Não, absolutamente. Vejamos um verso esclarecedor, Rm. 10. 4 “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Devemos atentar no seguinte, o fim da lei é Cristo, mas e se não tiver o Cristo? Logo permanece a lei. O fim da lei é Cristo para serem justo, todos? Não, somente aqueles que creem.

1ª Tm. 1. 9 “Sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas.” A nova aliança não foi feita sem justiça, nem mesmo sem sangue, ela não está baseada na anarquia ou na imoralidade. Portanto, o fim da lei acontece para todo aquele que acredita de um modo prático no sacrifício de Cristo, quando isso acontece passamos a ser justos perante Deus, Rm. 8. 1 “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.”

Porém, devemos atentar para o fato de que a lei vigorante na nova aliança e a lei que trata da moralidade entre o gênero humano e Deus e entre homem e homem, toda aquela lei que apenas representava o Cristo e mesmo aquela que estava baseada no cerimonial, passaram, vejamos o que nos diz hebreus.

Hb. 9. 1-5 “Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre. Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário. Mas, depois do segundo véu, estava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, que tinha o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto; e sobre a arca, os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente.

Percebemos uma descrição detalhada do santuário como um todo e aqui devemos de atentar para o fato das mobílias encontradas no santo dos santos, as quais são: o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, os Querubins e as tábuas do concerto. Atentamos para o fato da inclusão das tábuas do concerto, ou os dez mandamentos.

O verso 1 de hebreus 9 nos diz claramente que o primeiro tinha ordenanças de culto divino, o primeiro deve ficar entendido que é o primeiro testamento ou a antiga aliança, atentemos também para o fato da palavra (tinha) significando que não tem mais, e isso é confirmado pelos seguintes versos: Hb. 8. 13 “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar. 10. 9 “Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo.”

Assim sendo, estão descartadas todas as ordenanças baseadas no cerimonialismo encontradas na antiga aliança, pelo fato da salvação espiritual não depender de ritos e cerimônias, em resumo não depende de nossas obras, Hb. 9. 15 “E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.”