domingo, 2 de janeiro de 2022

Estão certos os adventistas sobre a segunda besta do apocalipse?

 Ap. 13. 11 “E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão.” Os adventistas do 7º dia, por meio da profetiza Elen G. White, a qual é identificada pelos mesmos como sendo a porta-voz de Deus identificam a primeira besta encontrada no livro do apocalipse, como sendo o papado. Qual é então, a interpretação dada por eles, referente a segunda besta?

No livro o Grande Conflito na página 440 nós temos a resposta: (Mas a besta de chifres semelhantes aos do cordeiro foi vista a "subir da terra". Em vez de subverter outras potências para estabelecer-se, a nação assim representada deve surgir em território anteriormente desocupado, crescendo gradual e pacificamente. Não poderia, pois, surgir entre as nacionalidades populosas e agitadas do Velho Mundo - esse mar turbulento de "povos, e multidões, e nações, e línguas". Deve ser procurada no Ocidente).

Percebe-se então, que a interpretação dada pelos adventistas, que terra em profecias significa lugar desabitado; e no mesmo livro e na mesma página ela continua dizendo: (Que nação do Novo Mundo se achava em 1798 ascendendo ao poder, apresentando indícios de força e grandeza, e atraindo a atenção do mundo? A aplicação do símbolo não admite dúvidas. Uma nação, e apenas uma, satisfaz às especificações desta profecia; esta aponta insofismavelmente para os Estados Unidos da América do Norte.)

Qual é a base bíblica que é utilizada para descrever a terra como sendo um lugar deserto? Na verdade eles utilizam textos soltos, adaptando-os a sua maneira, por exemplo: Jó 38. 26 “Para chover sobre uma terra onde não há ninguém e no deserto, em que não há gente.” Jr. 51. 43 “Tornaram-se as suas cidades em assolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela filho de homem.”

Assim sendo, para os adventistas, a segunda besta do livro do apocalipse é os EUA. A base para essa interpretação sugerida pelos adventistas como sendo a realidade última é o fato da bíblia dizer que essa besta sobe da terra e que tem dois chifres, semelhantes aos de um cordeiro, mas que fala como dragão. Para eles terra em profecias, significa lugar desabitado e ter dois chifres semelhantes, não torna esse animal um cordeiro, a sua verdadeira identidade é de um dragão.

Encontramos um resumo desse pensamento no livro compilado, publicado pelos ADS. Seminário - revelações do apocalipse. É dito: "... As água simboliza áreas do mundo que têm uma grande população. 'As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas' (Apocalipse 17:15). Portanto, a terra representa o oposto. Significa que essa nova nação surgiria em uma área do mundo que estava virtualmente despovoada antes do final do século XVIII."

E continua: "...Os chifres representam reis e reinos ou governos. Neste caso, eles representam os dois princípios de governo da América: a liberdade civil e religiosa. Esses dois princípios de governo também foram rotulados de 'republicanismo' (um governo sem um rei) e 'Protestantismo' (uma igreja sem um papa). E finaliza dizendo: “...O capítulo 13 do Apocalipse é claro. Duas superpotências surgirão no tempo do fim: os Estados Unidos da América e o papado.

"...Os EUA se tornarão uma potência perseguidora que forçará as pessoas a irem contra suas Consciências, como fez Roma papal … Os Estados Unidos liderarão as nações do mundo ao forçar a adoração e fidelidade ao Anticristo papal. … Jesus rotula a América protestante do tempo do fim como um "falso profeta" (Apocalipse 19:20; 20:10) porque parecerá espiritual e confiável, mas em vez disso, será satânico em sua conduta … Os Estados Unidos farão uma imagem à besta, legislando a prática religiosa.

Ela aprovará leis que exigem adoração e forçará as pessoas a obedecê-las ou enfrentar a morte. ...Os EUA combinarão o governo civil e o protestantismo apóstata em um "casamento" que apoiará o papado. Isso influenciará todas as nações do mundo a seguirem o exemplo dela. Assim, o papado obterá apoio mundial. …Os Estados Unidos , como chefe desse movimento internacional, influenciarão em seguida as nações do mundo a impor uma sentença de morte universal a todos os que se recusarem a adorar a besta ou a sua imagem.

Essas declarações são compilações dos livros de EGW. É bastante temerário dizer que em profecias “terra” significa lugar deserto ou desabitado, o próprio livro do apocalipse descreve as pessoas vivendo sobre a terra, não significando com tudo um lugar deserto. Ap. 13. 3 e 12 “E vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.” “E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada”.

Comprovamos que em profecias, terra pode descrever lugar habitado. A segunda questão que arremata de vez com relação ao equívoco dos ADS é que o continente americano não estava de forma nenhuma vazio, antes da chegada dos europeus. Um estudo que retrata a história dos nativos da América mostrou que os índios estavam na América do Norte há muitos anos antes da chegada de Colombo, a terra estava repleta de numerosas e populosas civilizações indígenas de costa a costa, em todas as regiões da América do Norte*.

Dn. 7. 24 “ E, quanto às dez pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis.” Ap. 17. 12 “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão o poder como reis por uma hora, juntamente com a besta.” Os ADS dizem também que os dois chifres semelhantes ao de cordeiro representam a forma de governo dos EUA, eles representam os dois princípios de governo da América: a liberdade civil e religiosa.

A bíblia diz que chifres representam reis e percebemos outra incoerência nessa afirmação, ora eles dizem que os chifres representam reis ou reino e no mesmo momento para adaptar o seu pensamento eles dizem que os dois chifres representam formas de governo

Qual a probabilidade de uma nação ateísta aprovar uma lei impondo a adoração dominical? A Índia, como a China, tem uma população de mais de um bilhão de pessoas e, como a China, a vasta maioria não é cristã. Como à China, a Índia possui armas nucleares. Qual é a probabilidade de que a Índia hindu vá obedecer à ordem dos Estados Unidos de matar os cristãos que guardam o sábado?

Na Europa, a tendência está longe da pena de morte, que é vista como arcaica, desumana e ineficaz por muitas nações europeia. Além disso, a Europa é principalmente pós-cristã e dá pouca atenção aos desejos do papado. A União Europeia tem uma economia que mais do que rivaliza com a dos Estados Unidos, e muitas nações na Europa, como Rússia, França e Reino Unido, têm militares bem equipados e muitas armas nucleares.

As nações da Europa não serão intimidadas pelos Estados Unidos a aprovar qualquer lei que exija a pena de morte. O Paquistão é outra nação com armas nucleares. É extremamente duvidoso que esta nação muçulmana tenha qualquer interesse em fazer cumprir uma lei cristã em seu país, e é improvável que eles sejam intimidados a fazê-lo. Na verdade, é improvável que qualquer uma das nações muçulmanas, representando bem mais de um bilhão de pessoas, aprovasse tal lei.

Finalmente, não menos importante, o país de Israel é uma nação de observadores do sábado. Há rumores de que Israel não possui apenas armas nucleares, mas também uma sofisticada tecnologia de mísseis. Parece extremamente improvável que os Estados Unidos possam coagir Israel a matar os observadores do sábado, uma vez que eles teriam que matar um grande segmento de sua população.

Na verdade os adventistas do sétimo dia interpretam grande parte do livro de Apocalipse como uma revelação sobre sua própria igreja, frequentemente retratada como a vítima inocente dos poderes da besta maligna. Portanto, não deve ser surpresa que a "sentença de morte universal" é a pena imposta aos adventistas inocentes por guardar o sábado do sétimo dia.



*NativeAmericanHistory,"Encyclopedia Britannica,https://www.britannica.com/topic/Native-American/Native-American-history.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O diabo como um leão.

2ª Pe. 5. 8 “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” A interpretação cristã popular, ou mais propriamente a “ortodoxa”, vê esse verso como sendo o diabo um ser violento que segue os passos das pessoas como um leão bravo, buscando oportunidade para levá-los a morte. Este é o problema de se interpretar passagens bíblicas em sua forma literal, cria-se confusão.

Por exemplo: seria literalmente o diabo um leão como dito em segunda Pedro? Ap. 12. 9 “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Ou seria ele um dragão ou mesmo uma serpente? Pode ser que ele seja também um homem, quem sabe? Jo. 6. 70 “Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo.”

Como não há um consenso na bíblia sobre o que realmente seja o diabo, não podemos tomar um verso e por ele somente literalizar as nossas crenças e opiniões, baseadas na tradição e ortodoxia. Continuando com o pensamento de que o os animais bravios representam o diabo somos forçados a crer que estamos definitivamente derrotados, isso por estarmos lidando com um ser o qual é espiritual e selvagem.

Mas apesar de ser um ser não amigável e pouco domesticado, a bíblia nos informa que podemos derrotá-lo, forçando a sua fuga com a nossa resistência a sua insistência, Tg. 4. 7 “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” Outro fato importante a ser analisado é: que tipo de destruição o diabo estava e está tentando realizar? Em sua primeira carta, Pedro dá nos a entender de que se tratava de uma perseguição sobre os convertidos.

1ª Pe. 5. 9-10 “Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.” As palavras aflições e padecimento nos levam a crer que se trate de perseguição religiosa.

Neste caso, somente Deus para nos libertar e proteger e essa foi a promessa, 1ª Pe. 4. 13-14 “Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.” Quanto a destruição causada pelo diabo, Tiago nos dá outro parecer.

Tg. 4. 1-2 “Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis.” Depois de relatar alguns fatos relacionados à natureza humana, no verso sete ele nos manda resistir ao diabo.

Sendo assim, podemos entender que o diabo descrito pela bíblia em sua literalidade, é o próprio gênero humano em sua natureza corrompida, ora em suas ações violentas contra o próximo e tudo o que está ao seu redor, e ora, a sua própria natureza pecaminosa, prejudicando e sendo prejudicado. Essas duas situações são explicitadas por esse dois apóstolos. Em ambas as situações, o diabo só é vencido pelo poder de Deus. 

Pedro nos diz que devemos esperar pela atuação de Deus, o qual silenciará o nosso inimigo no tempo oportuno exercendo juízo contra ele, e Tiago nos recomenda a buscarmos de Deus forças para vencermos nossas tendências pecaminosas. Por exemplo, as características de leão é aplicado para pessoas, Sl. 57. 4 “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja língua é espada afiada.”

Pv. 28 .15 “Como leão bramidor e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre.” E quem seria o leão que andava em derredor procurando alguém para comer, como dito por Pedro? Paulo complementa essa situação, revelando os acontecimentos naqueles dias, 2ª Tm. 4. 17 “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.”

Ao descrever o sucesso de sua primeira apelação contra as acusações de que ele estava sendo julgado, Ele diz que “ficou livre da boca do leão" Paulo fez referência ao tribunal romano e faz referência também aos judeus perseguidores, 2ª Tm. 3 11-13 “Perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou. E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados.”

Portanto, no contexto do NT. a expressão, diabo como um leão que ruge, buscando a quem possa tragar, se referia aos romanos e aos judeus perseguidores, Paulo advertiu os cristãos a viverem de modo a não dar ao diabo a oportunidade de levá-los ao tribunal, o verso a seguir nos confirma isso, At. 18. 12 “Mas, sendo Gálio procônsul da Acácia, levantaram-se os judeus concordemente contra Paulo e o levaram ao tribunal.”

Será que Pedro viu o diabo esbravejando e tendo a forma de um leão? Não, isso é uma metáfora para designar algo ruim, o mesmo podemos observar da declaração encontrada em apocalipse, Ap. 2. 10 “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

Como pode o diabo lançar alguém na prisão? O verso nada diz de um aprisionamento espiritual. Naturalmente ele se refere aos poderes dominantes os quais insatisfeitos com a nova religião fizeram o que era prejudicial isto é, fizeram as obras da carne ou do diabo.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Satã, o "deus" temido pela cristandade.

     Dt. 10. 20 “Ao Senhor, teu Deus, temerás; a ele servirás, e a ele te chegarás, e pelo seu nome jurarás. A primeira parte do verso nos interessa, o assunto será baseado nele. (Ao Senhor, teu Deus, temerás). A cristandade em sua totalidade com raríssimas exceções, tem pisado sobre esse mandamento. Após viver por quatro séculos no Egito, Israel incorporou muito de suas práticas, Js. 24. 14 “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade, e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do rio e no Egito, e servi ao Senhor.”

O intuito de Deus foi remover de suas mentes não só as práticas religiosas, como todo temor aos deuses estranhos. Naturalmente esse mandamento é extensivo, é requerido para nós outros, Ex. 23.13 “E, em tudo que vos tenho dito, guardai-vos; e do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa boca.” Percebemos que o mandamento é claro, e a regra nos ensina a não servir, a não temer, e nem mesmo pronunciar algo referente a deuses estranhos.

E por que não devemos temer outros deuses? 1ª Co. 8. 4 “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só.” Não devemos temê-los pelo fato de não serem nada, são apenas expressões da mente, são as necessidades humanas em ter um deus palpável. Qual o motivo da proibição por parte de Deus com relação aos ídolos, visto serem mortos em sí?

Entre eles estão: por ser criador, Deus não reparte sua glória com nada e com ninguém, a necessidade das imagens de esculturas ou dos ídolos em si é uma clara demonstração de total desconhecimento do Deus criador e dos seus ditames revelados pela bíblia, a adoração aos ídolos leva a uma fraqueza mental emocional, caracterizado pelo temor, Dt. 28. 15 e 28 “Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, para não cuidares em fazer todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então, sobre ti virão todas estas maldições e te alcançarão. O Senhor te ferirá com loucura, e com cegueira, e com pasmo do coração.”

O NT. Nos comprova essa realidade, os doentes eram tidos como possuídos por demônios (deuses estranhos) então, o doente não era visto como tal, pelo fato da mentalidade da época está inserida em um contexto onde os demônios ídolos, eram temidos, Lc. 13. 11 “E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se.”

Dt. 32. 16-17 “Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais.” É clara a identificação entre deuses, diabo e ídolos. No entanto, a cristandade quase sem exceções tem espiritualizado algumas ocorrências literais, por exemplo:

A serpente no jardim era apenas uma personificação de Satanás, quando alguém teme o ídolo, na verdade estão prestando culto a Satanás, o ídolo é só uma personificação do mesmo; mas não é assim que a bíblia descreve, a bíblia em algumas traduções são claras em dizer que os ídolos são os deuses dos povos, são divindade menores, conhecidas como daimones ou demônios, os distribuidores, ora de bênçãos, ora de maldição. Na atualidade os demônios são distribuidores apenas de desgraças.

No início desse assunto eu disse que a cristandade tem pisado a exigência de temer somente ao Deus bíblico, o criador. Na mentalidade cristã contemporânea, Deus tornou-se uma espécie de amigo ajudador, aquele que suporta toas as afrontas, devido ao seu amor pela humanidade, na verdade, esse deus que foi criado por essa mentalidade é quase um deus dependente de suas criaturas. Realmente a bíblia diz que Deus é bom, longânimo e misericordioso, no entanto não é um deus dependente que chora por causa de suas criaturas.

Vejamos como a bíblia o traduz, Dt. 10. 17 “Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas.” Assim sendo, a cristandade tem transformado O Deus que deve ser temido, em um deus emocionalmente dependente; e por outro lado, tem temido um deus estranho. Os cristãos acreditam que Satanás é um deus um pouco menor, mas grande em poder para o mal.

Com isso ele passou a ser o deus que deve ser temido, vejam que confusão, aquele que deve ser temido passou a ser aquele que depende de suas criaturas e aquele que é fruto do paganismo e da má interpretação teológica, passou a ser o deus terrível, logo existe uma transgressão do ensino bíblico. Satanás o deus pagão passou a ser aquele que deve ser temido, ouvimos e vemos em todos os lugares, as pessoas temerosas dizerem: não fale nesse nome, dá azar...

...Cuidado com a sua astúcia, ele enredou os Anjos e enganou os homens, e continua enganando com o objetivo de leva-los a perdição. Como disse a cima, má interpretação das escrituras, não é bíblico alguém, exceto Deus, remover a salvação espiritual de uma pessoa. Rm. 8. 37-39 “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”

Resumindo, o nosso temor deve ser somente para com Deus, não precisamos temer os (ídolos demônios) não precisamos temer aquilo que é nulo em sí, 1ª Co. 8. 4 “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só.”



sábado, 2 de outubro de 2021

A doutrina do santuário segundo o adventismo.

    O que entendemos ser uma base? A base é o apoio o suporte, a sustentação de algo. Logo, quando a base desmorona, tudo o que depende dela cai por terra. E no que concerne a questão religioso não é diferente, o próprio Jesus utilizou da base como metáfora, para um bom ou um mau fundamento religioso.

Mt. 7. 24-25 “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

Como podemos identificar um ensinamento doutrinário religioso como estando embasado ou não? Primeiramente ele deve ser coerente com o ensino bíblico, segundo: não deve haver contradições entre o ensinamento e a bíblia, e terceiro: não deve haver miscelânea, ou seja, misturas de explicações objetivando encontrar apoio. Caso isso ocorra tal questão doutrinária religiosa deve ser relegado ao desprezo. E por falar em base doutrinária vejamos o que disse E. G. W. No seu livro História da Redenção, pg. 375.

(A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento, foi a declaração: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.) Dan. 8:14.

A declaração que vimos dela é que a doutrina adventista do santuário não é somente a base, mas também a coluna central do adventismo. Portanto, precisamos saber se essa doutrina suporta os questionamentos que naturalmente incorrem sobre ela. A primeira questão a ser levantada é sobre o contexto bíblico, principalmente no que relaciona a historia dos dias da profecia de Daniel capítulo 8. visto ser ele o ponto de partida para a interpretação adventista da doutrina do santuário. Dn. 8. 14 “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”

Ainda no livro História da Redenção na pg 377 ela continua dizendo: (Em 1844, com a terminação dos 2300 dias, não mais existia o santuário terrestre havia já séculos; portanto, o santuário celestial era o único que poderia ser trazido à luz nessa declaração: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Dan. 8:14. Mas, como o santuário celestial necessitava de purificação? Retornando às Escrituras, os estudantes das profecias aprenderam que a purificação não era uma remoção de impurezas físicas, pois isso devia ser realizado com sangue e, portanto, devia ser uma purificação do pecado).

Na pg. 378 ela continua: (Assim, os que seguiram a luz da palavra profética viram que, em vez de vir Cristo à Terra, ao terminarem os 2300 dias em 1844, entrou Ele então no lugar santíssimo do santuário celestial, na presença de Deus, para levar a efeito a obra final da expiação, preparatória para Sua vinda).

Veremos se a declaração de E.G.W está ou não de acordo com a bíblia. Dn. 8. 5 “E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos.”

Dn,. 8. 8-11 “E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu. E de uma delas saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a terra formosa. E se engrandeceu até ao exército dos céus; e a alguns do exército e das estrelas deitou por terra e os pisou. E se engrandeceu até ao príncipe do exército; e por ele foi tirado o contínuo sacrifício, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra”.

Não vamos ler todo o capítulo para não tornar a leitura enfadonha, por ora, vamos identificar quem esse bode representa, visto ser alguém que deu sequencia em seu empreendimento que contaminou o santuário do AT. Dn. 8. 21 “mas o bode peludo é o rei da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro.”

Dn. 8. 22 e 24 “O ter sido quebrada, levantando-se quatro em lugar dela, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dela. E se fortalecerá a sua força, mas não pelo seu próprio poder; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os fortes e o povo santo.”

Reparem que o verso claramente diz que o lidar da mesma nação se fortaleceria e destruiria muitos povos, inclusive o povo santo, a quem entendemos por Israel. Assim sendo, fica claro que o poder proveniente da Grécia faria ou fez cessar os serviços religiosos no templo em Jerusalém. E o que isso significa? Significa que a interpretação adventista sobre a contaminação do santuário é simplesmente reprovável.

Primeiramente não se trata em Daniel capítulo 8 de que os pecados dos crentes de todas as épocas tenha contaminado o santuário, essa interpretação é deplorável. Depois, o contexto do capítulo está se referindo ao santuário do AT. Portanto, refere-se aos judeus. Não há relato de santuário celeste nesse contexto. É dito também que a abominação adentrou no santuário por causa das transgressões dos judeus, nada diz sobre pecados de todas as eras, e muito menos de que Jesus esteja fazendo investigação por pecados dos crentes.

Diz também que a contaminação duraria (ATÉ) 2300 tardes e manhãs e o santuário seria purificado, já a interpretação adventista advoga a ideia de que o santuário começaria a ser limpo (APÓS) 2300 tardes e manhãs sendo que segundo eles, não são 2300 tardes e manhãs, mas sim 2300 anos literais.

O que vemos nisso tudo? Percebemos primeiramente a incoerência com o ensino bíblico. Depois percebemos confusão, entre o contexto bíblico e a doutrina, de uma lado a bíblia dizendo que quem causou a abominação foi os gregos, do outro o adventismo diz que foi o papado, ( ler o Grande Conflito) a bíblia diz que o santuário seria purificado no término das 2300 tardes e manhãs, já o adventismo diz que após os 2300 anos literais o santuário começaria a ser purificado.

Dn. 8. 12 “E o exército lhe foi entregue, com o sacrifício contínuo, por causa das transgressões; e lançou a verdade por terra; fez isso e prosperou.” Vemos que o santuário foi derribado por causa das transgressões, segundo o adventismo o santuário foi simbolicamente derribado pelo poder do papado, e por fim, como Jesus não veio em 1844 reinterpretaram a questão do santuário, ou seja, Jesus não viria naquele período à terra, mas entraria no santo dos santos, no santuário celestial.

Percebemos uma tremenda confusão tendo como intuito em adaptar uma doutrina, doutrina essa considerada não só a base, mas também a coluna central do adventismo. O que vemos em tudo isso é que podemos considerar a base do adventismo como sendo a casa edificada na areia, Mt. 7. 26-27 “ E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

A Vitória é nossa.

  Desde cedo somos estimulados a perseguir certos objetivos, na realidade essa tendência para à conquista está impregnada na nossa natureza; e qual é o propósito real disso? Ser vitorioso! Essa é a máxima que ouvimos e com frequência também almejamos, quem não quer ter sucesso em seus empreendimento? Quem não quer ser vitorioso em sua carreira? Por certo é um agravo alguém não querer ser bem sucedido.

 A própria bíblia nos incentiva a termos certos objetivos Ec. 3. 13 “E também que todo homem coma e beba e goze do bem de todo o seu trabalho. Isso é um dom de Deus.” Ec. 9. 10 “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.” A teologia do AT. É centralizada basicamente no aqui, isso nos trás a mente questões como: a lei, as boas obras, o sacerdócio, enfim, questões relacionadas ao momento.

 E por isso, Salomão e muitos outros escritores bíblico, traçaram a vida humana, como algo limitado pela sepultura, não que eles desconhecessem a necessidade do gênero humano comparecer perante o juízo, o próprio Salomão ensinou isso, Ec. 11. 9 “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e alegre-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo.”

 Contudo, o NT. Nos ensina algo além da sepultura, isto é, não limita a nossa vida, pelo contrário, a teologia do NT. Nos estimula a buscarmos a verdadeira vida. Existe coerência nesse pensamento? Sim! Se verdadeiramente a morte for o fim da existência, a vida não faz nenhum sentido, contudo, baseado na realidade da existência de um criador inteligente, podemos acreditar que a teologia do NT. É bastante compatível.

 Baseado nos dois testamentos, percebemos que o estimulo que recebemos, os objetivos perseguidos, a luta pela conquista tão impregnada em nosso ser, não nos torna vencedores e isso sem exceções, não importa se fulano A ou B adquiriu muitos bens em sua vida, a realidade humana embasada pela bíblia, nos mostra que a sepultura é o nosso limitador, portanto, no estagio atual em que vivemos, não existe vencedores, ao contrário, todos juntamente são derrotados pela morte.

 Isso não significa que devemos viver a vida sem objetivos, na verdade as realizações humanas fazem parte da nossa natureza, Ec. 1. 13 “E apliquei o meu coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.” Destaco no entanto, que a bíblia, ou mais precisamente o NT. classifica a palavra vitória dentro do contexto espiritual como sendo um eterno presente, no contexto atual descrevemos essa palavra de duas maneiras: fulano é vitorioso, mas o mesmo fulano foi vitorioso, logo fulano não é vitorioso.

 Seguindo esse raciocínio, entendemos logo que o nosso entusiasmo é passageiro e ilusório, a realidade dos fatos nos comprova isso. O conceito bíblico de vitória é prevalecer sobre. Portanto, se somos vencidos pela morte fica evidente que somos derrotados por ela, Sl. 98. 1 “Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória.” 1ª Jo. 5. 4 Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.“ 

 Aqui está o ponto de partida para tornarmos vitoriosos. Fica evidente que a vitória só acontece quando algo ou alguém, sobrepuja sobre o outro. Apesar de sermos sempre derrotados nesse contexto, temos a promessa de sermos vitoriosos, naturalmente essa promessa não perfaz a ideia de possuirmos milhões, pensamento este prevalecente no mundo atual, o pensamento atual é claro em dizer que o possuir é sinônimo de vitória.

 A promessa do NT. Engloba outros fatores, Ap. 20. 14 “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.” A palavra inferno é hades e significa profundeza, lugar escuro, sepultura, nada referente a um lugar de tormento ensinado pela cristandade. Será a partir desse acontecimento que possuiremos a vitória.

 1ª Co. 15. 54-55 “E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” Percebemos a relação de vida eterna e vitória, algo bastante distinto do pensamento e ensinamento atual.

 Reparem que os versos nos mostram ao menos duas coisas interessantes referente ao vencedor: incorruptibilidade e imortalidade. Segundo o ensino bíblico mais precisamente do NT. Só tornaremos imortais se não formos corruptíveis, e só seremos incorruptíveis se formos imortais, podemos destacar a corrupção em um duplo sentido, a corrupção do gênero humano afetado pelo pecado, e a corrupção física causada pelo contexto pós pecado.

 Fica claro também neste ensinamento que os vitoriosos não tem mérito algum, 1ª Co. 15. 57 “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” Não podemos ter méritos por aquilo que não operamos, não podemos operar onde não podemos atuar. A promessa da imortalidade é algo grandioso é algo espiritual, portanto longe da atuação humana, fica evidente nas palavras acima; “Graças a Deus que nos dá a vitória”.

 Portanto, a vitória não é algo que conquistamos. Na expressão bíblica ser vitorioso, é algo completo e pleno, algo inexistente neste mundo, sendo assim a vitória só será alcançada no mundo vindouro, na era atual existem sim aqueles que “vencem” e amenizam em partes a sua situação, contudo, tal vitória não é plena, no final existe sim uma derrota. Sl. 3. 8 “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção.”

 O conceito de salvação no AT. Se referia na sua grande maioria, ser salvo das mãos inimigas, e o mesmo parecer é encontrado no NT. Quando Paulo diz: Graças a Deus que nos dá a vitória, ele está tendo em mente ao menos dois inimigos mortais que impedi-nos de sermos vitoriosos, a saber: a natureza humana pecadora e a morte. Acredito que uma pessoa em sã consciência deveria se agarrar a essas promessas, caso contrário, a ilusão, e o próprio molde mundano, ensinará que sim, poderemos ser vitoriosos aqui e agora, mas a realidade dos fatos tem nos mostrado que por último, todos são derrotados.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Sim, Deus é justo.

 No que concerne a questão que envolve Deus, Eu costumo sempre dizer: o fato de pretendermos algo não torna esse algo uma realidade. Digo isso baseado na descrença que encontramos na atualidade concernente ao poder criador revelado pela bíblia. A modernidade o modismo, tem ditado as regras sobre uma “nova visão” da não necessidade de Deus e mesmo do seu poder criador, a tecnologia o liberalismo influenciado pelo libertarianismo tem colocado em prática as seguintes palavras conforme encontrada em salmos, Sl. 10. 4 “Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus.”

Mas, como dito a cima, o fato de alguém querer, insistir, ensinar que Deus não existe, não anula a sua existência; e digo mais: todos, sem exceção, crentes e descrentes, as suas, a minha existência, está garantida só e puramente bondade e misericórdia de Deus. Existem ao menos dois aspectos perceptíveis aos nossos sentidos, que demonstram claramente a existência de Deus, ambas são descritas pela bíblia como algo proveniente do próprio Deus.

A primeira delas é a criação, Rm. 1. 19-20 “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.” Paulo faz uma narrativa evidente do poder criador de Deus, em outras palavras Ele diz: ora, se você quer crer em Deus, o seu poder criador testemunha em seu favor. No entanto, você não é obrigado a crer, porém, isso não anula o poder criador de Deus.

Sim, a criação como um todo ( animado e inanimado) evidenciam o poder de Deus, porém, o ser vivente demonstra isso mais claramente. Atentemos para o fato de que antes da nossa existência não somos capazes de relatar nenhum fato ocorrido, exceto através da história, isso naturalmente se dá devido a nossa inexistência, não podemos testemunhar algo que não presenciamos, porém, manifestamos para a vida, e isso sem nenhuma petição ou esforço de nossa parte. Sim, a vida é um milagre, e milagre é a ação de Deus, executando o impossível aos nossos olhos.

Não fizemos nenhum esforço para nascer, não instruímos o nosso coração a bater, a vida é algo completamente espontânea, no entanto, Deus estabeleceu leis as quais seguem o seu curso obedecendo o seu legislador, Ap. 4. 11 “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.”

Assim sendo, todos indistintamente são devedores a Deus, em outras palavras somos inteiramente dependentes de Deus, não só para a nossa existência, como para a nossa subsistência, Dt. 32. 39 “Vede, agora, que eu, eu o sou, e mais nenhum deus comigo; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão.” Portanto, à vida testifica grandemente do poder criador de um Deus justo e inteligente.

Muitos contestam argumentando que não existe justiça em meio a um mundo mau; isso é parcialmente uma realidade, quando digo parcialmente, me refiro ao fato de que todas as coisas estão patentes e sob o controle de Deus, até mesmo a maior calamidade manifestada aos nossos olhos, porém isso não tira de Deus a bondade e a justiça. Na verdade os acontecimentos em todas as suas formas, são o desenrolar da história de um mundo mergulhado no pecado.

A argumentação prossegue quando se pergunta: como Deus pode ser bom é justo se o mundo está mergulhado em pecado? O pecado também está sob o controle de Deus, por fim será extirpado do meio da criação. E quanto a entrada do pecado? Isso também está de acordo com a sua vontade; o desenrolar da história é bastante diversificado, contudo, no final, tudo culminará com os desígnios e conselhos de Deus, Is. 46. 10 “Que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”

Duas questões as quais nós devemos de sempre atentar, Deus agirá sempre em sintonia com o seu plano eterno, nenhuma angustia ou clamor humano, pode apressar os desígnios de Deus, somos regidos pelo “tempo” e tudo tem um tempo e um propósito. E, também, o mal moral e mesmo o mal físico são primariamente responsabilidade dos homens amenizar, sim, Deus move a história, o homem atua nela. E por que Deus não atua diretamente na história acabando com os sofrimentos?

Ele, não o faz ainda, 1ª Co. 15. 24 “Depois, virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força.” O verso está claramente nos dizendo que na atualidade o reino de Deus não está ativo e isso pode ser comprovado com outro verso bíblico, Dn. 4. 17 “Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles.”

Lc. 11. 2 “E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino.” Ou seja, algo para o futuro. Podemos assegurar que a justiça de Deus em sua abrangência, ocorrerá após o reino dos homens, no entanto, algo bem atual e tão velho quanto o mundo nos demonstra certamente a justiça de Deus. E essa é a segunda questão; a morte, isso mesmo. Assim como não fazemos nenhum esforço para nascer, todos em sã consciência fazem um tremendo de um “esforço” para não morrer.

Contudo, de nada adianta, contra a morte nada vale, o dinheiro, a posição, o destaque ou qualquer outra coisa que possa elevar o gênero humano, Ec. 3. 20 “Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão.” Rm. 5. 12 “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.”

Se dependesse do gênero humano, alguns nasceriam e outros não, alguns morreriam e outros não. Mas, com Deus não é assim, portanto, fica evidente a justiça imparcial de Deus.



quinta-feira, 1 de julho de 2021

Jesus e o maná.

Entre outros erros encontrado na “ortodoxia” cristã, está a propensão de tornar literal sempre aquilo que é naturalmente simbólico, ou espiritualizar sempre aquilo que é por natureza literal. Um exemplo claro de um simbolismo encontrado na narrativa bíblica está João capítulo 6. Jo. 6. 48 “Eu sou o pão da vida”. Estaria Jesus afirmando de modo cristalino de que Ele é um pão? E mais, estaria Jesus afirmando taxativamente que desceu do céu?

Precisamos entender todo o contexto bíblico somente assim não faremos afirmações precipitadas. O assunto começa a se desenrolar baseado em cima do pão, por que isso? Jo. 6.1-2 e 5 Depois disso, partiu Jesus para o outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades. E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos. Então, Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?”

O pão está em relevo pelo fato de ser o item, o produto a ser utilizado naquele momento, ele não foi destacado para dizer que Jesus literalmente é um pão. Em outras palavras a realidade que seguiu aquele momento, serviu para Jesus fazer uma analogia, baseado naquilo que o povo precisava que foi o pão, em outras palavras o pão foi o meio utilizado por Jesus tendo como objetivo em levar o povo a tê-lo como o enviado de Deus.

Jo. 6. 24-26 “vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes”.

Mas o povo não via assim, o milagre da multiplicação dos pães era algo “normal” para os judeus, eles conheciam o milagre do pão “maná” que já havia acontecido, tanto é assim que quando Jesus estava direcionando as suas mentes para que eles pudessem não segui-lo apenas pelo milagre da multiplicação, eles logo lançaram-lhe este acontecimento, a saber: o milagre do maná nos dias de Moisés.

Jo. 6. 30-31 “Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu”. Em outras palavras eles disseram: Moisés também fez um milagre idêntico e nem por isso disse que deveriam crer nele. Qual foi a resposta de Jesus? Jo. 6. 32-33 “Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.

Neste momento Jesus passa a fazer uso da analogia, ou seja, passa a ser simbolizado pelo pão. Assim como o maná que veio do céu, prolongou a vida terrestre dos judeus, Jesus estipulou as mesmas qualidades, propôs a vida, não a terrestre, mas a vida eterna, e para isso ele deveria ter as mesmas características do maná, ou seja, dar vida, vir do céu, ser enviado por Deus, os versos a cima deixa isso claro.

O contexto fortalece essa realidade, Jo. 6. 34-36 “Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes”. O pão repartido após o milagre, a busca da maioria dos seus seguidores pelo pão que perece, a lembrança do maná que foi distribuído no deserto, serviu de pano de fundo para a narrativa de Jesus. Os seus seguidores disseram: o milagre da multiplicação do pão existiu, associaram a história antiga relacionada ao maná, foi o que Jesus precisava, se o povo estava a procura de pão ele passou a ser o pão da vida dado por Deus.

Isso não significa de nenhuma forma ser Jesus um pão no verdadeiro sentido da palavra, os versos lidos acima continuam confirmando essa realidade, quando ele disse: (Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome;) vem a mim, em que sentido? Com o intuito em mastigá-lo? De maneira nenhuma! Ir até ele, é crer ser ele, o enviado de Deus. Caso seja diferente ele terá de ser considerado literalmente como a água, foi o que ele disse no mesmo verso: (e quem crê em mim nunca terá sede).

Nos versos a seguir Jesus volta a fazer a sua analogia, utilizando o maná, Jo. 6. 48-51 “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

Foi quando alguns dos seus seguidores não entenderam, então disseram: Jo. 6. 52 “Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?” Isso não pode ser, não existe esse costume entre os judeus, assim sendo os seus seguidores compreenderam corretamente de que Jesus não falava literalmente, infelizmente eles não conseguiram assimilar a ideia da analogia, entre o maná vindo do céu enviado por Deus, com o intuito de saciar o povo e Jesus o pão que propõe uma vida melhor.

Vejamos mais uma vez a associação feita: Jo. 6. 58 “Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” Como disse anteriormente, o comer da carne de Jesus está associado a buscá-lo, a crer em seu nome, assim como os seus discípulos o seguiram por causa dos sinais e sobretudo pelo milagre da multiplicação, assim ele nos orienta a buscá-lo, como uma necessidade de alguém que almeja o alimento, neste caso o pão físico.

A maioria dos seus seguidores não compreenderam a analogia feita, fugiram pensando se tratar de um novo ensinamento o qual propunha até mesmo o canibalismo, muitos atualmente interpretam esse capítulo de João a questão do pão vindo do céu como sendo algo real, literal, mas reparem as palavras do próprio Jesus repreendendo os seus seguidores, Jo. 6. 60 “Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”

Em outras palavras eles disseram: o homem deve estar louco como pode nos dá de comer de sua carne e a beber do seu sangue? Foi quando Jesus os repreendeu demonstrando que eles desconheciam as suas palavras e colocações, Jo. 6. 63 “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” Em outras palavras Jesus disse: o que estou dizendo para vocês é algo puramente espiritual, e essa falta de compreensão espiritual impediu vocês de verem.