sábado, 1 de maio de 2021

Criados à imagem de Deus.

    Dt. 4. 15 “Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco do meio do fogo.” A bíblia é clara em afirmar nesse e em outros versos, que Deus não possui uma forma a qual podemos comparar, Deus não é temporal, portanto, Ele não está sujeito as limitações da matéria.

Como conciliar então, essa afirmação com outros versos bíblicos, a saber: Gn. 1. 26 “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.”

Cl. 3. 10 “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.” Não existe contradição nem mesmo dificuldades para podermos conciliar essa questão, o que existe na verdade é uma falsa compreensão daquilo que a bíblia apresenta como sendo à imagem de Deus.

A falsa compreensão relacionada a esse assunto acontece, devido ao fato de interpretarmos essa questão baseados apenas naquilo que intuímos como sendo uma imagem; a nossa mente interpreta uma imagem como sendo um reflexo daquilo que somos, ou daquilo que percebemos ao nosso redor.

Mas, a realidade não é esse o sentido bíblico da imagem de Deus. Vimos contudo em gênesis 1. 26 o verso relatando que fomos criados sim à imagem de Deus, bem, se não podemos interpretar o relato bíblico de imagem como sendo uma forma física a qual expressamos a Deus, o que seria então? Sl. 8. 4-6 “Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés.”

Percebemos aqui uma característica da imagem de Deus compartilhada ao homem, o domínio sobre a criação, Gn. 1. 28 “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.”

Portanto, a imagem de Deus é algo que foi compartilhado conosco, nada tem haver com aparência física; e mesmo o domínio sobre as obras da criação o qual não foi completamente perdido na queda, trás consigo atributos naturais tais como: racionalidade, uso da linguagem, conceitos de tempos e números, ou seja, a capacidade de raciocínio, essas são características da imagem de Deus que foi compartilhada unicamente com os seres humanos.

Outros atributos da imagem que foram quase que completamente perdidos foram, a justiça, a misericórdia e o amor, por isso o NT. Nos estimula a “resgatarmos” a imagem de Deus, Ef. 4. 24 “E vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade.”

Portanto, se a bíblia nos encoraja a resgatarmos a imagem de Deus, fica claro que isso não pode ser algo físico, principalmente relacionado a um corpo. O mesmo erro de interpretação acontece quando a bíblia diz que Cristo é a imagem de Deus, Cl. 1. 15 “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.” Segundo o que nos é apresentado pela bíblia, Cristo compartilhava com as pessoas ao seu redor plenamente os atributos da imagem de Deus, o fato da bíblia dizer que Ele é a imagem do Deus invisível, refere-se exatamente as suas obras, as quais podem ser traduzidas como sendo: (perdão, misericórdia, compaixão, justiça e amor. Diga-se de passagem obras essas realizadas pelo próprio Deus, por meio de Cristo.

Jo. 10. 38 “Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim, e eu, nele.” Outro elemento importante da imagem de Deus em nós é a nossa consciência dele, isso nenhum animal demonstra. Ao menos duas passagens bíblicas demonstram essa diferenciação, Gn. 9. 6 “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.”

No AT. A pena de morte para assassinatos feitos injustamente era requerido a pena máxima para o assassino, isso pelo fato do homem ter sido criado a imagem de Deus, Tg. 3. 8-9 “Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.”

Percebemos então, que a imagem de Deus em nós após a queda não deixou de existir, só ficou “aleijada” precisando ser restaurada e isso nos é dito em Judas verso 10 “Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais, se corrompem”. Estando a imagem de Deus corrompida, a irracionalidade e brutalidade tomam o seu lugar.

Já o NT. Nos dá um padrão de medida relacionado a imagem de Deus, e esse padrão é Jesus, o Cristo. Rm. 8. 29 “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Paulo nos diz para aderirmos a imagem de Jesus, pelo fato dele ser considerado a expressa imagem de Deus.

2ª Co. 4. 4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” Vimos então, que a imagem de Deus em nós nos torna diferentes do resto da criação; e que ela de nenhuma forma refere-se a algum tipo de imagem literal representada por formas e contornos, o mesmo é válido para Cristo com relação a imagem de Deus, pelo fato de Jesus ser homem apesar de ser glorificado ainda possui características de corpo e formas, algo que Deus não possui.



quinta-feira, 1 de abril de 2021

João 14. e o pronome ele.


Jo. 14. 16-17 “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”.
Existem três razões principais pelas quais as pessoas pensam que o espírito santo é uma pessoa. Primeiro porque é traduzido como “o” Espírito Santo", em vez de "espírito santo", mesmo quando o texto grego não possui o artigo "o" os tradutores assim o fazem. Segundo, o "E" e o "S" ficam em maiúsculo, indicando um nome próprio, mesmo quando não existe razão no texto grego ou no contexto do versículo. Terceiro, pronomes pessoais como "ele" nos versos referidos, dão a entender que se trata de uma pessoa.

A língua grega, como aquelas que foram derivadas do latim (português, espanhol, francês, italiano, etc.), atribui um gênero específico para cada substantivo. Cada objeto, animado ou inanimado, é designado como masculino ou feminino [ou neutro no caso do grego]. Por exemplo, em português a palavra “tijolo”, está no gênero masculino e se refere ao pronome português “ele”. Igualmente, a palavra “panela”, está no feminino. É claro, embora estes substantivos tenham gênero, esse gênero não se refere ao fato de serem macho ou fêmea.

Na língua hebraica, na qual o Antigo Testamento foi escrito, a palavra traduzida como “espírito”,ruach, é apresentada com pronomes femininos. Mas o Espírito Santo certamente não é do sexo feminino ou uma mulher. Em grego, palavras masculinas e assim como palavras de gênero neutro são usadas para se referir ao Espírito Santo. A palavra grega traduzida como “Consolador”, “Auxiliador”, “Confortador” e “Advogado” [dependendo na versão que usa] nos capítulos de João 14 a 16 é parakletos , uma palavra masculina no grego e, assim, referido nesses capítulos por pronomes gregos equivalentes ao português “ele”.

Por causa das regras gramaticais do grego e do português, é incorreto concluir que o Espírito Santo seja uma pessoa, porque é referido no masculino, como “ele” ou “o qual”. Somente se soubéssemos que o parakletos ou o auxiliador fosse de fato uma pessoa é que poderíamos concluir que é uma pessoa. O pronome masculino não garante que estamos falando de uma pessoa. No entanto, o termo parakletos, pode sim se referir a uma pessoa, quando realmente se referir a uma pessoa, como é o caso de 1ª Jo. 2. 1 “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.”

Porém, o Espírito Santo em nenhum lugar é designado com pessoalidade. Além disso, não há absolutamente nenhuma justificativa teológica ou bíblica para se referir ao termo “Espírito Santo” com pronomes masculinos, mesmo em grego. A palavra grega pneuma, traduzida como “espírito” (mas também traduzida como “vento” e “sopro” no Novo Testamento) é uma palavra gramaticalmente neutra. Assim, na língua grega, os pronomes equivalentes ao português “que” ou “aquilo” são utilizados corretamente quando se refere a esta palavra traduzida ao português como “espírito”.

Por exemplo: At. 2. 33 “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” Reparem que o próprio Pedro designa o espírito como sendo algo, não como alguém. No entanto, quando a tradução de João Ferreira de Almeida foi concluída e impressa, em 1753, a doutrina da trindade já estava sendo aceita há mais de mil anos. 

Então, naturalmente, os tradutores dessa versão, influenciados por essa crença, escolhiam os pronomes pessoais, em vez de neutro, referindo-se ao Espírito Santo em português. Como dito acima, o fato de existir um pronome pessoal para o espírito santo, não significa que esteja tratando de uma pessoa, por exemplo: Mt. 10.12-13 “E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz”. Percebe-se neste verso o pronome pessoal feminino designando à casa, no entanto, podemos afirmar com certeza de que a casa não é alguém, mas sim algo.

Jo. 16. 13 “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” Para os trinitarianos o pronome masculino ele desse verso comprova a pessoalidade do espírito santo, pois diz “ele vos guiará” lembrando sempre que, alguns versículos referentes ao espírito nos quais um pronome pessoal masculino foi adicionado é por causa da teologia do tradutor.

Mas, os verbos gregos não têm gênero, Como os trinitarianos acreditam que o contexto de João 16 é a "Pessoa", "do Espírito Santo", eles traduziram “ele vos guiará” como o verbo não tem gênero, poderia ser traduzido como: “guiará” ou “ela guiará”, o que for melhor apoiado pelo contexto. Outra questão interessante se encontra em Lc. 11. 24-26 “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro.”

Mas temos certeza de que o demônio é um "ele"? O verbo grego não tem gênero e pode ser masculino, feminino ou neutro, devido à teologia convencional, ninguém diz "ela". Na mente de todos, o demônio é um ser masculino ainda que não comprovado, (1) ninguém viu o sexo dos demônios (2) o demônio era uma crença que abrangia as pessoas daquela época e isso devido a influencia, o local e o contexto.

Jo. 14. 17 “O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” Os trinitarianos bradam dizendo: “ele habita convosco” é prova de que é uma pessoa. Não mesmo. As palavras "Ele habita convosco" é uma interpretação do grego, que é simplesmente "habita" na terceira pessoa do singular e, portanto, poderia ser "ele habita", "ela habita" ou "habita". Nesse caso, Jesus está falando do dom de Deus, do espírito santo, que é "algo" e não uma "Pessoa", portanto, é apropriado sim dizer "ele habita", ou em outras traduções “permanece conosco”, ou seja, o presente de Deus, o dom, a dádiva de Deus, ele, ela, ou habita, permanece conosco.


terça-feira, 2 de março de 2021

Deus, o diabo e os seus descendentes, uma realidade espiritual.

Gn. 3. 14-15 “Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Nestes dois versos, a bíblia nos apresenta duas questões muito interessantes, a primeira é de ordem puramente física, ou seja, como resultado final por ter estimulado Eva ao pecado, Deus está amaldiçoando a serpente, e a segunda é de ordem puramente espiritual, nos é dito que a serpente tem os seus descendentes. Como poderia ser isso? Como dito acima essa filiação é de ordem espiritual. Do mesmo modo a bíblia diz sobre os descendentes da mulher.

E ainda sobre questões que tratam de paternidade as quais também são de ordem puramente espiritual temos os versos a seguir, Rm. 8. 16 “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. 1ª Jo. 3. 2 “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”.

O verso é claro em dizer: (Agora somos filhos de Deus), dando uma ideia de paternidade adotiva ou espiritual, o simples fato de sermos criaturas de Deus não significa que somos filhos Dele, pois, Deus é Espírito, transcendente e imortal, nós não fomos gerados por Deus, somos humanos, criaturas físicas e mortais. Quando a bíblia retrata sobre os descendentes da serpente X descendentes da mulher, ela quer destacar um antagonismo, ou seja, uma tendência contrária, uma rivalidade.

Ainda sobre a paternidade espiritual, nós podemos ver isso destacado claramente no evangelho de João; isso se deu em um embate com os líderes religiosos judaicos da época, Jo. 8. 38 “Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai.” Outras traduções dizem: (e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai). Deve ficar claro que o estar junto de vosso pai, é uma personificação, não uma realidade.

Apesar da personificação da paternidade a rivalidade entre os dois grupos de gênesis 3. 15 sempre foi literal, ou seja, a paternidade em ambos os lados é espiritual, no entanto, a oposição é bem visível e essa tendência contrária pode ser vista desde os primórdios, Gn. 4. 8 “E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou”.

1ª Jo. 3. 12 “Não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”. A bíblia conclui que Caim era do maligno, o qual tem o mesmo significado de serpente e diabo, naturalmente são palavras que personificam a natureza humana caída não regenerada, isso é demonstrado no próprio verso quando lemos sobre Caim, nos é dito que as suas obras eram más, significando que sua tendência pecaminosa prevaleceu sobre ele.

Outro fato importante deve ser destacado, não foi o homicídio cometido por Caim que o tornou um descendente da serpente, repare que a bíblia diz que as suas obras eram más, ter prazer na prática do pecado é uma característica dos descendentes da serpente, naturalmente essa é apenas uma questão dentre várias outras, 1ª Jo. 3. 8-9 “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”. Todos nós praticamos pecado, não há um que não peque, a grande questão é: temos nós prazer em viver na prática do pecado? O verso 9 responde bem essa questão.

Dentre as várias práticas cometidas por pessoas avessas a Deus e sua palavra, podemos destacar também o que se encontra em Gn. 4. 16 “Retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden” Jr. 14. 10 “Assim diz o Senhor sobre este povo: Gostam de andar errantes e não detêm os pés; por isso, o Senhor não se agrada deles, mas se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado”.

Naturalmente o andar errante nesses episódios é estar longe da presença de Deus. Outra característica daqueles que são designados como os descendentes da serpente se encontra em Pv. 17. 11 “O rebelde não busca senão o mal; por isso, mensageiro cruel se enviará contra ele”. Essa rebeldia refere-se a uma rebeldia espiritual, uma rejeição natural daquilo que Deus sancionou como sendo uma realidade para seguirmos.

Podemos destacar outros atributos contrários a Deus e sua palavra, Sl. 14. 1 “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem”. Rm. 1. 20 “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

Os versos aqui falam da incredulidade, apesar dos incrédulos verem na natureza o poder criador de Deus, eles o rejeitam, e essa incredulidade vem acompanhada em muitas das vezes com blasfêmias e sarcasmos, mas a bíblia descreve tais atitudes e pessoas, como sendo os descendentes da serpente. E por último uma característica que a bíblia usa para classificar quem é quem nessa história, 1ª Jo. 3. 10 “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”.

Aqui nós devemos de atentar para o seguinte fato: quando se fala de irmãos entende-se que está se falando de um só pai, logo os irmão terão que ser filhos do único Deus, que a bíblia diz ser o pai, e ser filhos espirituais (adotivos, regenerados) desse único Deus. Outro fato também, é que infelizmente nós não conseguimos classificar o que seja esse amor, entre os irmãos.

Em suma, a bíblia apresenta essas e outras propriedades, contra e a favor a Deus e sua palavra, podemos ver nesses versos o que ela diz ser filhos de Deus e filhos do diabo, descendentes da mulher e descendentes da serpente, filhos do espírito e filhos da carne ou do pecado, no entanto, apesar de destacar essas características, nós não podemos avaliar as pessoas, não podemos classificá-las, essa distinção de espiritualidade será julgada por Deus, o que fizemos aqui foi uma análise daquilo que a bíblia diz ser ambos os descendentes.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Outra análise de João 17: 5.

 

Jo. 17. 5 “E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo”. Os trinitarianos acreditam que essas palavras de Jesus encontradas no Evangelho de João mostram que Jesus já existia. Como em qualquer passagem bíblica difícil, devemos considerar o contexto da declaração, e nesse caso não pode ser diferente, vejamos dois versos anteriores, Jo. 17. 1 “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti”

Jo. 17. 3 “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Nestes versos, percebemos que a oração de Jesus é direcionada ao "Pai". No Novo Testamento, o Pai de Jesus é sinônimo de "Deus". Quando Jesus diz: "Pai", ele significa "Deus". No entanto, os trinitarianos olham para esta oração e veem "Deus Filho" fazendo um apelo a Deus Pai, para retribuir a glória que ele, "Deus Filho" tinha antes em uma existência pré-humana. Mas essa interpretação define erroneamente a Paternidade de Deus na Bíblia.

Na Bíblia, a Paternidade de Deus é uma metáfora que descreve a relação de Deus com a humanidade, Ex. 4. 22 “Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito”. Is. 63. 16 “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade”.

Mt. 5. 45 “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. Jo. 20. 17 “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.

Biblicamente, a Paternidade de Deus não descreva uma relação metafísica de uma pessoa da "divindade" para outra. Além disso, a Bíblia não descreve a glória destinada ao Messias à direita do Deus Todo-Poderoso como algo que o Messias já teve, que desistiu e foi devolvido. Antes, a exaltação e a glória do Messias foram preditas no Antigo Testamento e depois cumpridas em Jesus, Lc. 24. 25-26 “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”

Na verdade, a bíblia fala de coisas que ainda não existem, como se existissem, por isso a interpretação trinitária de João 17. 5 falha em entender que Deus, por meio de Seus profetas, falam de coisas predestinadas (e pessoas) como se elas já existissem . Observem as palavras de Jesus nesta mesma oração de Jesus, Jo. 17. 20-22 “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos”. 

Jesus disse que já tinha recebido a glória que lhe fora destinada. Mas sua glória não havia sido dada literalmente, pelo fado de que ele ainda não havia morrido, ressuscitado e exaltado à “mão” direita do Deus Todo-Poderoso, conforme registrado em Lucas 24. Jesus usou a linguagem do passado em sua oração porque sabia que Deus havia prometido a glória. A concessão da glória é tão “certa quanto feita”, para que Jesus pudesse falar dela como se já a possuísse. E Jesus também podia falar da glória que ele havia dado as pessoas que ainda não eram crentes nele . Algumas dessas pessoas a quem Jesus já deu glória nem existiam quando Jesus falou essas palavras. 

Assim como Deus deu ao Messias a glória antes que o Messias existisse literalmente. Um princípio básico de interpretação das Escrituras é pegar as palavras em seu contexto, e é exatamente isso que o contexto do capítulo 17 nos faz entender, neste contexto Jesus usou a linguagem "dar glória" e "ter glória" antes da existência literal. A glória que Deus planejou para o Messias, Jesus falou no passado, assim como falou no passado da glória que daria aos futuros crentes.

As coisas predestinadas são mencionadas como já existentes, porque são uma realidade aos olhos de Deus. Na Bíblia, uma pessoa pode "ter" algo antes mesmo de tê-lo, ou mesmo antes de existir literalmente, por exemplo: Mt. 5. 10 “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. Mesmo que essas pessoas ainda não possuam o reino dos céus, dentro da ótica bíblica elas já possuem. Paulo disse que aqueles que creem no Deus único e verdadeiro e em Jesus como o Messias, foram chamados e salvos, antes mesmo de existirem. 2ª Tm. 1. 9 “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

Quando Abrão era velho e sem filhos, Deus lhe disse: "Eu te fiz pai de muitas nações". Abrão, era velho e sem filhos, como poderia ser pai de muitas nações? Isso ocorre porque Deus fala de coisas que ainda não existem como se elas já existissem, Rm. 4. 17 “Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí. ), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem”.

Assim sendo, com uma interpretação literal e fora de contexto, os trinitarianos criam enormes problemas para sua própria teologia, eles dizem que Jesus está lembrando sua própria pré-existência literal e glória em João 17. 5,na verdade Jesus não reivindica a divindade neste verso, muito menos que faz parte de uma divindade de três pessoas. Jesus também não disse que tinha glória com Deus desde a eternidade passada, apenas antes de o mundo existir, o que é uma maneira estranha de descrever uma glória compartilhada de duas pessoas divinas eternamente existentes.

A doutrina trinitária, ensina que "Deus, o Filho", não abandonou sua natureza divina quando assumiu a natureza humana na encarnação, isto é, ele continuou a ser "totalmente Deus e plenamente homem". A natureza humana de Jesus não tinha glória divina "antes que o mundo existisse", o próprio Jesus pediu para Deus o glorificá-lo. Mas pode "Deus, o Filho", ser totalmente Deus sem a Sua glória?

Deus, o Filho”, deixou de ser Deus renunciando à sua glória divina, ou não deixou de ser Deus e manteve a sua glória? Se ele manteve sua glória e continuou sendo Deus, por que ele está pedindo sua glória de volta? Se ele não mantinha sua glória e a pedia de volta, ele deixou de ser Deus e abandonou sua natureza divina?



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Os dez mandamentos foram impostos no Éden?

 Um dos argumentos utilizados pelos sabatistas com o objetivo em fundamentar a guarda do sábado, está baseado nos versos bíblicos a seguir: Gn. 2. 1-3 “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera.”

Nos versos lidos acima, nós percebemos algumas questões que realmente procedem e algumas questões que realmente não procedem. Aquilo que procede nós entendemos como sendo: a criação feita por Deus, a santificação do dia pós criação, ou seja, o sétimo e sua benção sobre ele, designando neste sentido o cessar do seu poder criador. As questões que realmente não procedem estão exemplificadas nas palavras de E.G. W.

Vejamos o que Ela disse: (No Éden, Deus estabeleceu o memorial de Sua obra da criação, depondo a Sua bênção sobre o sétimo dia. O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. (Patriarcas e profetas pg. 48) (Santificado pelo descanso e bênção do Criador, o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; por Adão, depois de caído mas arrependido, quando expulso de sua feliz morada. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até o justo Noé, até Abraão, Jacó. (O grande Conflito pg. 453).

Ela continua dizendo: (Adão e Eva, ao serem criados, tinham conhecimento da lei de Deus; estavam familiarizados com os reclamos da mesma relativamente a si; seus preceitos estavam escritos em seu coração. Quando o homem caiu pela transgressão, a lei não foi mudada, mas estabelecido um plano que remediasse a situação trazendo novamente o homem à obediência. (Patriarcas e profetas pg. 363.)

Baseado em que, posso afirmar que essas questões não procedem? Utilizando o argumento bíblico. O fato dela mencionar o sétimo dia como tendo sido santificado por Deus após sua ação criadora, nada diz sobre pesar sobre nós uma obrigatoriedade em guardá-lo, não diz nem mesmo que o casal no Éden foi obrigado a observá-lo, nada diz também que os descendentes próximos de Adão tiveram como uma lei imposta. Não existe apoio bíblico para tentar impor uma doutrina como essa baseado no contexto do Éden, é pura dedução e inserção doutrinária.

Apesar de viverem um período em um estado de inocência no Éden, sobre o casal foi imposto normas e restrições, existia sim uma lei instituída por Deus, que os proibia de comerem da árvore da ciência do bem e do mal, após a remoção deles do jardim devido a transgressão a lei imposta por Deus para eles foi removida, que lei foi essa? Gn. 2. 15-17 “E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Essa foi a ordem dada por Deus a Adão, não houve uma obrigatoriedade para o casal em observar os dez mandamentos e isso por uma questão muito lógica, Segundo o relato bíblico Adão foi criado no sexto dia, como então, ele poderia descansar no dia seguinte? Caso fizesse estaria ele agindo contra o próprio mandamento o qual diz para se trabalhar seis dias. Por outro lado, Se Adão guardou o sábado, Moisés poderia muito bem ter mostrado isso de modo claro, tomando-o como exemplo de que este mandamento foi realmente observado desde a criação para toda a raça humana.

Relembrando também que gênesis cita Deus descansando no sétimo dia, nada diz sobre um mandamento imposto para todas as pessoas, nem mesmo para o casal no jardim. Alguns versos que nos confirmam que a única lei dada para Adão no Éden foi a árvore do conhecimento, Gn. 3. 9, 11, 17 “E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.”

Adão realmente transgrediu a lei de Deus, o verso nos confirma isso (Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?) A lei de Deus neste contexto não significa os dez mandamentos, como afirma E.G.W. Estaria o casal no Éden sujeito aos dez mandamentos? Não! Seria descabido exigir que o casal obedecesse os seguintes mandamentos: como dito a cima, o sábado seria um deles, visto ter sido criado na sexta-feira naturalmente ele não cultivou o jardim por seis dias, sendo assim o mandamento do sábado é descabido.

O Honra teu pai e tua mãe também não faz sentido, eles não tiveram pai e mãe. O não adulterarás também é ilógico, só existiam os dois no jardim. Não furtarás também não pode ser, naquele contexto eles tinham de tudo, e por outro lado não existia ninguém que eles pudesse furtar. E do mesmo jeito não cobiçar a casa ou a mulher ou o marido do próximo não servia para eles, no jardim quem era o próximo deles?

Assim sendo, vê-se claramente que a única lei de Deus dada ao casal no Éden foi o não comer do fruto da árvore do conhecimento, insistir como fez E.GW. De que a lei de Deus ou mais propriamente os dez mandamentos era de conhecimento de Adão, carece de apoio bíblico. E sustentar que o sábado foi guardado por Adão e os seus descendentes é novamente ir contra o que está escrito, ou seja, em qual parte da bíblica diz que Adão e os seus descendentes guardaram o sábado?

Existe como contra argumentar contra essa teoria? Sim, utilizando a própria bíblia. Dt. 5. 1- 3 “E chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir. O Senhor, nosso Deus, fez conosco concerto, em Horebe. Não foi com nossos pais que fez o Senhor este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos.”

Vemos nos versos ao menos duas questões interessantes: (1º) Moisés instruindo o povo de Israel, a não só ouvir, mas aprender a guardar a lei de Deus, ora, se os seus predecessores já conheciam e observavam a lei, qual o intuito da argumentação de Moisés então? Desnecessário seria Israel aprender aquilo que já sabiam. (2º) Moisés é enfático, não foi com os nossos pais que foi feito o concerto, essa declaração define por completo o fato de que nem Adão nem os seus sucessores receberam os dez mandamentos.

Hb. 8. 9 “Não segundo o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor.” Em que sentido o verso nos esclarece? ...concerto que fiz com seus pais... isso prova que ele não foi feito antes, nem com Adão nem com os seus descendentes. E quando foi feito esse concerto? ... no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito... pronto, questão comprovada pela bíblia, não foi com Adão no Éden que foi feito a antiga aliança incluindo o sábado, foi com Israel, após o êxodo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A mensagem do 3º Anjo trás consigo mensagens de saúde?

Os adventistas do sétimo dia são conhecidos como os defensores da dieta vegetariana. Isso acontece devido ao fato de E.G.W a profetisa dos adventistas ter promovido o vegetarianismo na sua Igreja, afirmando ter recebido uma visão sobre o assunto em 1863, ela disse: Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, a 6 de junho de 1863, que me foi exposto em visão o grande tema da reforma de saúde. (1).

Em 10 de dezembro de 1871 foi-me mostrado novamente que a reforma de saúde é um ramo da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. Ela se acha tão ligada à terceira mensagem angélica, como as mãos o estão com o corpo. (2). Aqui começamos a perceber algo interessante, ou ao menos contraditório.

Ap. 14. 9-10 “E os seguiu o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber o sinal na testa ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”

Os versos apresentados fazem menção ao sinal, a marca da besta, nem mesmo de forma implícita vemos alusões referentes à reforma de saúde, como pode então a mensagem do terceiro Anjo andar de mãos dadas com vegetarianismo? Uma mensagem não ter nada a ver com a outra, digo isso baseado no fato da mensagem do terceiro Anjo ser bíblica e consequentemente ser revelada por Jesus Cristo, Ap. 1. 1 “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo.” Já mensagem em prol do vegetarianismo teve sua origem no homem, apesar de sua boa intenção.

Baseado em que digo isso? Os Whites e outros líderes, introduziram várias reformas de saúde na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em vez de serem "inovadores", os Whites meramente apresentaram aos seus seguidores muitas das reformas populares de saúde daquela época que estavam sendo ensinadas por não-adventistas, como por exemplo o Dr. James Jackson; o fundador do metodismo John Wesley, Sylvester Graham, e o profeta Mórmon Joseph Smith.

Sendo assim, desde o final da década de 1860, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem defendido uma dieta vegetariana. No entanto, por falta de apoio bíblico para uma dieta vegetariana, os adventistas colocaram a autoridade deste assunto sobre a profetisa Ellen White. Em 1938, a Igreja Adventista do Sétimo Dia compilou os escritos de Ellen White sobre saúde, em um livro intitulado Conselhos sobre o regime alimentar, e as seguintes citações foram tiradas desse livro:  

Disse ela: Manteiga e carne são estimulantes. Isto tem danificado o estômago e pervertido o gosto. Os nervos sensitivos do cérebro são entorpecidos, e o apetite animal fortalecido às custas das faculdades morais e intelectuais. (3) … Não devemos pôr carne diante de nossos filhos. Sua influência é estimular e fortalecer as mais baixas paixões, e têm a tendência de amortecer as faculdades morais. (4)... Alimentos cárneos, manteiga, queijo, ricas massas, alimentos temperados e condimentos são usados livremente, por adultos e jovens. Esses artigos fazem sua obra em perturbar o estômago, estimulando os nervos e enfraquecendo o intelecto. (5) …

Fui instruída quanto a ter o uso do alimento cárneo a tendência de animalizar a natureza, e subtrair homens e mulheres do amor e simpatia que devem sentir uns pelos outros. (6). Existem muitas outras declarações, as quais não iremos mencionar. 

Antes porém, veremos uma declaração do apóstolo Paulo 1ª Co. 8. 8 “Ora, o manjar não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais, e, se não comemos, nada nos falta.” O argumento contrário diz que Ele está se referindo aos ídolos, sim está, no entanto, ninguém se alimenta de ídolos, portanto, Paulo está argumentando que o alimento não nos faz agradáveis a Deus.

Já E. G. W diz que as paixões, ou a natureza humana pervertida ou “carnal” é um resultado direto do consumo de carnes, A base disso não é encontrada em nenhuma evidência bíblica ou científica. Em vez disso, a noção de que as paixões animais eram despertadas pela ingestão do consumo de carne foi popularizada em 1800 pelo reformador da saúde Sylvester Graham. Graham ensinou que o "uso da carne" despertaria o "desejo sexual" e prejudicaria as "faculdades intelectuais e morais" (7)

Comer carnes causam doenças? O Dr. Stephen Byrnes, um médico naturalista, escreveu dizendo: "Muitas vezes, veganos e vegetarianos tentam assustar as pessoas, para que deixem de comer alimentos e gorduras de origem animal, alegando que as dietas vegetarianas oferecem proteção contra certas doenças crônicas [osteoporose, doença renal, doença cardíaca e câncer]. Essas afirmações, no entanto, são difíceis de conciliar com os fatos históricos e antropológicos. Todas as doenças mencionadas são principalmente ocorrências do século 20, mas as pessoas têm comido carne e gordura animal por muitos milhares de anos.

Além disso, muitas outras pesquisas revelam que existem vários povos nativos em todo o mundo cujas dietas tradicionais são muito ricas em produtos de origem animal, que, no entanto, não sofrem das doenças mencionadas acima. Outros estudos confirmaram o fato de que os Massais um grupo étnico da África, apesar de serem quase que exclusivamente comedores de carne, tinham pouca ou nenhuma incidência de doenças cardíacas ou outras doenças crônicas. Isso prova que outros fatores, além dos alimentos de origem animal, atuam na causa dessas doenças.

Existem muitas outras questões referentes aos benefícios proporcionados pela ingestão do alimento cárneo, mas ficará para uma próxima abordagem. Com relação a mensagem do terceiro Anjo, percebemos que não existe nenhuma ligação entre a mensagem produzida pelo Anjo e o ensino sobre saúde, Ap. 14. 11 “E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua imagem e aquele que receber o sinal do seu nome.”

Reparem que as palavras de condenação emitida pelo terceiro Anjo é direcionada aos adoradores da besta em todas as suas formas, nada diz que as pessoas serão condenadas por não serem vegetarianas, assim sendo, não existe o ensinamento bíblico de que a mensagem de saúde esteja acoplada a mensagem do terceiro Anjo, é simplesmente um ensinamento sem base bíblica.

Conselhos sobre o regime alimentar. Pgs.

(1) 481.

(2) 69.

(3) 48.

(4) 64.

(5) 236.

(6) 390

(7) Sylvester Graham, Uma palestra para jovens sobre castidade.

domingo, 1 de novembro de 2020

O nome de Deus.

Quase todos os cristão que são frequentadores assíduos em suas variadas denominações, já orou, rezou ou ouviu alguém orar para algum membro da trindade. Ou seja, muitas das vezes ouvimos pessoas direcionando a sua oração para o Espírito Santo, outras vezes, para Jesus, ou para Deus , o pai. No entanto, todos sem exceção temos um nome. Deus teve muitos problemas para revelar Seu Nome Pessoal, mas, Cerca de 6.828 vezes, o único Deus da Bíblia é chamado de Yahweh.

Na Bíblia Hebraica original, Yahweh é escrito usando as quatro consoantes YHWH. Não há vogais escritas no texto hebraico. Essas quatro consoantes são chamadas de Tetragrammaton, que significa 'quatro letras'. Os judeus pararam de pronunciar o Nome por medo de blasfemar inadvertidamente, hoje há algum debate sobre como pronunciar YHWH. a Enciclopédia Judaica afirma que a pronúncia original era Yahweh e nunca foi perdida.

Pelo contrário, o Seu povo era instruído a dar graças utilizando o seu nome, Is. 12. 4 “Direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome”. Assim sendo, o nome de Deus é um poderoso testemunho da identidade do Deus da Bíblia. Yahweh é a pessoa central e mais importante da Bíblia.

Is. 42. 1 “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios”. O hebraico nephesh aqui traduzida 'alma' é usada de forma consistente para significar um indivíduo, ou seja, um único ser, seja animal, humano ou o próprio Deus. Yahweh se descreve como uma única alma individual, um "Eu".

Este fato é verificado milhares de vezes em toda a Bíblia, não apenas pelo uso de Seu Nome Pessoal, mas também por pronomes pessoais. Sempre que Deus fala de Si mesmo ou é dirigido ou referido por outros, são usados pronomes pessoais no singular. Eu, Meu, minha. Quando outros se dirigem a Deus é dito: Ele, Tu, teu, seu, Ti.

Sl. 95. 6 “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou”. Aqui somos convidados a nos prostrarmos perante o Deus criador, e devemos perguntar: esse Deus criador é um Deus pessoal ou uma substância? O próprio nome de Deus e o pronome Ele nos demonstra não uma essência ou uma substância impessoal. Ex. 3. 14 “Disse Deus a Moisés: Eu Sou o Que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros.”

Nossas Bíblias traduzem Yahweh de uma forma estática como, EU SOU O QUE SOU. Esta é uma tradução infeliz do que é um verbo singular e sem gênero que se projeta no futuro, A Septuaginta (a tradução do grego do hebraico iniciada em 250 a.C. por estudiosos do hebraico) traduz o nome de Deus como: “EU SOU O ETERNO”. O Existente. Em outras palavras, Yahweh, o Deus da Bíblia é o Deus vivo, que é eterno e sem causa.

E o NT. Confirma essa realidade, Ap. 1. 8 “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Estas verdades reveladas estão em forte contraste com o Deus da cristandade adora hoje ... um Deus trinitário que tem nenhum nome! Hoje o Cristianismo adora a “Divindade” em três pessoas. Deus não é mais um Eu Individual com um Nome. Esse Deus é mais do que um Ser Individual, pois Ele é três Pessoas em 'Uma Essência'. E quando essa mudança começou a ocorrer? 

A mudança começou desde quando os judeus foram levados por Nabucodonosor, rei da Babilônia, para o exílio em 586 AC. Eles sabiam que haviam transgredido muito e que a causa do cativeiro era justamente por isso. Quando voltaram para sua terra natal, eles nunca mais quiseram blasfemar o verdadeiro nome de Deus, então eles começaram uma nova prática de se referir a Yahweh como “o Senhor” (Hebraico Adonai ). Yahweh agora é “o Senhor”. Um nome pessoal agora é um título!

É importante relembrar que o próprio Deus não ordenou esta mudança de Seu nome pessoal. De maneira crítica, essa prática logo se incorporou ao que conhecemos hoje como Septuaginta (LXX que são usados como abreviatura para esta tradução grega). A Septuaginta se tornou uma fonte vital para citar o Antigo Testamento quando os apóstolos estavam escrevendo o Novo Testamento, nessa época, o grego era a língua comum do mundo romano. Na verdade, estima-se que 75% de todas as citações do Antigo Testamento no Novo Testamento são da LXX e não do hebraico.

A partir disso, onde quer que o nome de Yahweh aparecesse no hebraico original, o grego agora lhe dava o título de “o Senhor” algumas traduções tentam preservar onde essa mudança ocorreu, traduzindo o nome verdadeiro de Deus com todas as letras maiúsculas como SENHOR. Quando o nome de Deus foi traduzido para a Septuaginta, tornou-se um título e não mais um nome pessoal! Yahweh agora se tornou 'o Senhor'. E, por que isso é um problema?

Os judeus sabiam que quando liam “O SENHOR”, estava se referindo ao Deus Individual de Israel, A equivalência do nome Yahweh com “o Senhor” não era difícil para eles. Eles sabiam que o título grego 'Senhor' (kyrios) foi genérico e dependendo do contexto pode se referir a qualquer pessoa com posição ou autoridade que não seja o Senhor. No entanto, na Bíblia hebraica dos judeus tinham uma palavra para 'o Senhor' (Adonai) e outra palavra para designar um senhor humano e essa palavra é (adoni).

Mas os gentios não tinham esse conhecimento e portanto, ficaram susceptível a essa confusão, pelo fato de haver “muitos deuses e muitos senhores” (para citar as palavras precisas de Paulo aos Coríntios, que vinham daquela cultura, 1ª Co. 8. 5 “Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores”.

Portanto, a questão é: Quando os apóstolos começaram a confessar “Jesus Cristo é o Senhor” eles estavam dizendo que Jesus era o Senhor, o Deus do Antigo Testamento (Adonai), ou eles entenderam que Jesus era Senhor no sentido (adoni)? At. 2. 36 “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”

Quando Pedro fez esse discurso no Dia de Pentecoste ele estava aplicando o título senhor, a duas pessoas que são Deus? Seria Jesus, o Messias crucificado, mas agora glorificado, Senhor no mesmo sentido em que Deus? Não! Já vimos que o título “Senhor” é um termo amplo que pode se referir a outras pessoas além de Deus, o pai.