sábado, 7 de janeiro de 2023

A porta que só se abre por dentro.

Ap. 3. 20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.” Este verso é muito utilizado, sobretudo pelas igrejas evangelicas em suas campanhas evangelisticas. E nessas campanhas eles criam certas imagens representativas, nesse caso, eles criaram um Jesus batendo em uma porta, contudo, essa porta só tem maçaneta por dentro.

Dando com isso a entender que, caso o homem não se mova para abrir a porta, Jesus fica impossibilitado de abri-la. Essa imagem representando a porta é o coração humano, a tranca por dentro, significa o livre arbítrio do gênero humano. Campanhas evangelísticas devem sim serem feitas, no entanto, acredito que a bíblia deve ser utilizada em sua forma real e racional, de nada adiantará o lado emocional da pregação.

Duas questões básicas nos mostrará que os evangélicos que utilizam dessas imagens representativas e se valem da pregação emocional estão equivocados, primeiro pelo fato de distorcerem o ensino bíblico relacionado a conversão e salvação, depois o verso de apocalipse foi direcionado primeiro para os convertidos da cidade de Laodiceia e ainda que se aplique para nós hoje, não pode ser aplicado para todos indistintamente.

Vamos ver esse versículo sob dois aspectos, primeiro de forma isolada e depois em seu contexto e veremos se o mesmo ensina o que os evangélicos alegam ensinar. O versículo de forma isolada não ensina o livre arbítrio. O versículo coloca Jesus à porta, batendo e falando para que a abram. O que leva alguém abrir a porta é o ouvir a voz dele.

Uma vez aberta a porta, Ele entra na casa e faz uma refeição com quem abriu a porta. Mais longe que isso não se pode ir na interpretação isolada dessa passagem. É importante notar que palavras como livre arbítrio, vontade, querer e escolha sequer aparece no texto, embora fique implícito que há duas possibilidade: abrir e não abrir. Mas não há uma declaração positiva a respeito do livre arbítrio nem uma interpretação natural e necessária que requeira isso.

Voltando ao ato condicionante do abrir a porta: o ouvir a voz de Cristo. O texto bíblico não diz "ao ouvir" mas "se ouvir", deixando claro que nem todos ouvem. Na pregação do Evangelho, o ouvir é fator determinante: Is. 55. 3 “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei um concerto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências de Davi.”

Rm. 10. 14-17 “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

O fato é que embora o Evangelho seja pregado a todos, sem distinção, nem todos ouvem o Evangelho, no sentido bíblico do termo, Is. 6. 10 “Engorda o coração deste povo, e enderece-lhes os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o seu coração, e a converter-se, e a ser sarado.” Jo. 10. 16 “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.” 

Das palavras acima fica claro que nem todos ouvem a voz de Jesus, e aqueles que ouvem é porque são as suas ovelhas e que aqueles que não ouvem, não ouvem porque não "sois das minhas ovelhas" e "não sois de Deus". Como o ouvir não é uma ação autônoma do homem, mas algo operado por Deus nele, fica claro que Ap 3. 20, visto isoladamente, não ensina o livre arbítrio.

Mas estudar uma texto de forma isolada não é uma boa prática de interpretação, todo texto deve ser lido e entendido à luz de seu contexto. E quando colocamos o texto em questão dentro de seu contexto percebemos claramente que o mesmo não é dirigido a não crentes e, portanto, não é uma passagem evangelística. O versículo em seu contexto não se refere ao evangelismo.

O que o contexto de apocalipse 3 está dizendo? Ap. 3. 14-21 “E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.”

A série de sete cartas são dirigidas não a descrentes, mas aos crentes das igrejas estabelecidas na Ásia: Apocalipse. Todo o texto contido nas cartas apocalípticas se dirigem e se referem à igreja, portanto a crentes. Não é um texto evangelístico no sentido que está falando a pecadores não crentes que precisam abrir a porta de seus corações a Jesus.

Se bem que é verdade que as pessoas devem ser instadas a crerem na mensagem do Evangelho e a aceitarem a Jesus, mas o texto em apreço não é um apelo dirigido a quem ainda não se converteu. A carta em que Jesus diz estar batendo à porta é dirigida ao "anjo da igreja" de Laodicéia, Com isso, a mensagem é dirigida a todos os crentes laodicenses.

Jesus é direto ao dizer "conheço as tuas obras" e ao taxá-los de mornos. Eram crentes autoconfiantes, visto não sentirem falta de coisa alguma, sem perceberem a sua realidade de pobreza espiritual. Apesar disso Jesus os exorta ao arrependimento. Todas essas palavras deixam claro que Jesus está se dirigindo a crentes e não a descrentes.

Somente as obras de crentes tem valor gradual, a dos descrentes não tem valor algum, somente os filhos são disciplinados e somente crentes podem ser ter zelo com as coisas de Deus. Após dirigir essas duras palavras, e no mesmo fôlego, Jesus diz "eis que estou à porta e bato". Não há nada no texto que sugira, nem de longe, que Jesus mudou os destinatário de suas palavras.

Ele continua falando com crentes, o que fica claro por dizer em seguida "ao vencedor", título somente atribuído aos feitos vencedores por Cristo e pelo aviso solene para ouvir o que o Espírito diz "às igrejas". A conclusão é que Apocalipse 3:20 não é dirigido a descrentes, mas a uma igreja que confiante em seus próprios recursos torna-se independente de Jesus, negando o Seu senhorio e, na prática, deixando-o de fora de seus assuntos.

É uma igreja em que Jesus bate à porta, querendo assumir a posição de centralidade que lhe é de direito, como aquele que é o cabeça da igreja. Concluir que Jesus está batendo à porta do coração de pecadores é fazer uma aplicação com demasiada liberdade de um texto fora de seu contexto. Um texto deve ser compreendido à luz de seu contexto, apoiado sempre por passagens paralelas e em conformidade com o ensino geral das Escrituras, tendo em mente que a revelação bíblica é progressiva.

Mesmo analisado de forma isolada, Apocalipse 3:20 não ensina nem dá apoio à filosofia humanista do livre arbítrio. E quando iluminado pelo contexto, tal passagem sequer está se referindo ou dirigindo a não crentes, mas a crentes mornos que negligenciaram o senhorio de Cristo e desenvolveram um falso senso de autossuficiência.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Deus unigênito ou filho unigênito?

João 1. 18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. (Almeida Corrigida Fiel.) Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”. ( Almeida Revista e Atualizada.) Essa variação entre Deus unigênito e filho unigênito se dá devido a alguns teólogos que acreditam que o texto original diz “ho monogenes theos” = “o Deus único ou unigênito”, enquanto outros teólogos acreditam que o texto original era “ho monogenes huios” = “o Filho unigênito”.

Os textos gregos variam, mas há boas razões para acreditar que a leitura original é representada em versões como a Almeida Corrigida Fiel. Embora seja verdade que os manuscritos gregos mais antigos contêm a leitura “theos”, “Deus” cada um desses textos é do tipo de texto alexandrino. Praticamente todas as outras leituras das outras tradições textuais, incluindo os textos ocidentais, bizantinos e alexandrinos secundários, dizem huios, “filho”.

Um grande número de Padres da Igreja, como Irineu, Clemente e Tertuliano, citou o versículo com “Filho” e não “Deus”. Isso é especialmente importante quando se considera que Tertuliano defendeu agressivamente a encarnação e é creditado como aquele que desenvolveu o conceito de “um Deus em três pessoas”.

Se Tertuliano tivesse um texto que lesse “Deus” em João 1. 18, ele certamente o teria citado, mas em vez disso ele sempre citou textos que diziam “Filho”. E além disso é muito difícil conceber o que “Deus unigênito” significaria na cultura judaica. Não há uso da frase em nenhum outro lugar da Bíblia. Em contraste, a frase “Filho unigênito” é usada outras três vezes por João.

Jo. 3. 16 e 18 “ Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. “ Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. 1ª Jo. 4. 9 “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele”.

Para um judeu, qualquer referência a um “Deus único” geralmente se referia ao Pai. Embora os judeus da época de João tivessem problemas com o “Deus unigênito”, os cristãos do segundo século em diante, com sua compreensão cada vez mais incoerente da cristologia e da natureza de Deus, teriam sido muito mais facilmente capazes de aceitar tal doutrina. Outra razão para favorecer “Filho” em vez de “Deus” é que o versículo é sobre Deus sendo revelado por Jesus.

Como vimos, o verso 18 de João 1 começa com a frase, que ninguém jamais viu “Deus”, chamar Jesus nesse contexto de “o Deus unigênito” (ou o “Deus único”) estabeleceria uma contradição inerente. Se você não pode ver Deus, como você pode ver “o único Deus?” A resposta simples no versículo é que o Filho não é Deus e, portanto, embora não possamos ver a Deus, podemos ver o Filho unigênito que tornou Deus conhecido.

A razão pela qual o texto provavelmente foi mudado de “Filho” para “Deus” foi para fornecer “evidência extra” para a existência da Trindade. No segundo século, um intenso debate sobre se Jesus era ou não Deus, ocorreu em Alexandria, no Egito, o lugar onde todos os textos que dizem “Deus” se originaram. As apostas eram altas nesses debates, e excomunhões, banimentos ou algo pior poderia ser o destino do “perdedor”. Mudar um ou dois textos para “ajudar” em um debate foi uma tática comprovadamente ocorrida. 

Um exame de todas as evidências mostra que é provável que “o filho unigênito” seja a leitura original de João 1. 18. Mesmo que o texto original leia “Deus” e não “Filho”, isso ainda não prova a Trindade. A palavra “Deus” tem uma aplicação mais ampla em hebraico, aramaico e grego do que em português.

Pode ser usado para homens que têm autoridade divina, Jo. 10. 33 “Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Hb. 1. 8 “Mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino”. Em outros assuntos já foi dito que o título Deus pode ser usado em um sentido amplo quando não está se referindo ao único Deus, o pai. Portanto, não há nenhuma “Fórmula Trinitária” neste versículo que force uma interpretação de um Deus em três pessoas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A salvação espiritual não depende de meios.

Independente do que fazemos no decorrer da semana, todos nós gostamos de cessar as atividades no final da mesma. No meio cristão as denominações religiosas, se preocupam em dedicar um dia para o serviço religioso, tais denominações em suas grandes maiorias, ensinam que devemos dedicar o dia de domingo para o Senhor, lembrando sempre, que o título Senhor refere-se a Jesus ou mesmo a trindade o qual é deus para elas. Outras denominações no circulo cristãos em sua minoria, defendem o sábado como sendo o dia dedicado a trindade o qual para elas é deus.

Paulo aborda essa questão em sua carta aos romanos, Rm. 14. 6 “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” O grande problema dessas denominações quer seja em sua maioria ou não, é que elas defendem a obrigatoriedade de um dia de guarda dedicado a trindade, e caso isso não ocorra a salvação espiritual do indivíduo será perdida.

Entre elas, as denominações, é tido como transgressão do mandamento caso alguém não dedique um dia para a trindade, uma vertente do sabatismo defende essa tese, observem só as suas palavras: “Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna.” essas palavras encontram-se no livro Testemunhos Seletos, volume 3, na página 23, (Ellen G, White a profetisa dos adventistas).

Vários problemas teológicos são encontrados nessa declaração. Antes porém, é preciso enfatizar também o erro teológico daquelas denominações religiosas que defendem o dia de domingo como sendo o dia do senhor, primeiro: não existe um verso bíblico no NT. Indicando que o domingo é o dia do senhor, a tradição cristã se encarregou em santificar o dia de domingo, pelo fato da ressurreição ter acontecido nesse dia.

Mas não existe um mandamento escrito que indique isso. Outro erro grosseiro é dizer que o sábado judaico agora é o domingo cristão, não existe apoio bíblico que ensine assim, isso na verdade mais se parece com briga de grupos rivais. Quanto a questão do sabatismo defendido pelos adventistas onde é dito que o sábado é base para salvação, tal ensinamento não procede; é fraco o argumento. Alguns pontos os quais podemos destacar que enfraquece tal ensinamento são:

Ef. 2. 8-9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Esse é o principal argumento, além de ser bíblico, ele nos mostra que a salvação espiritual não pode ser barganhada. Não há poder em nós para operarmos a salvação, não podemos agradar a Deus esperando uma recompensa por esse agrado, o verso é enfático, a salvação espiritual não vem devido as nossas obras e, é um dom de Deus.

O cristianismo, acredito que em todas as suas vertentes sustentam a ideia de que a salvação encontrada no NT. Se consumou por meio de Jesus Cristo, logo qualquer outro agente que esteja entre Deus e a salvação espiritual deve ser considerado como algo pagão e herético, At. 4. 12 “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”

Ainda sobre a declaração de se guardar o sábado para angariar a salvação, continuamos a perceber os pontos fracos dessa declaração: ou seja, isso implicaria que todos os salvos deverão guardar o sábado, contrariando o verso o qual diz: (não por obras...) isso também tornaria a salvação espiritual dependente não de uma (crer em Cristo) mas de duas exigências; crer em Cristo e ser guardador do sábado, bem, o crer e m Cristo é um dom de Deus, o qual recebemos por meio da fé, essa por sua vez também vem de Deus, por isso é um dom.

Já a segunda condição seria algo aleatório, sim, alguém pode ou não ouvir sobre o sábado, sendo assim, não seria um dom de Deus, mas uma imposição da própria denominação, aliás denominação religiosa são iguais times de futebol, cada qual quer ser melhor, querem se destacar; as muitas variantes dentro do cristianismo, reformulam seus credos, suas doutrinas, suas exigências, variando cada qual querem se destacar no meio da multidão para no final poder dizer: você precisa vir para cá para ser salvo, eu sou a igreja verdadeira...

Isso na verdade são métodos utilizados, objetivando angariar uma maior quantidade de pessoas, as intenções variam, fazem isso por partidarismo e também por lucro. Esquecem das lições encontradas no NT. As quais dizem que a salvação espiritual é Cristo está em nós ou nós estarmos em Cristo, se estamos em Cristo, somos alvo do amor de Deus, Rm. 8. 38-39 “Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”

Que interessante! Nos é dito que nada e ninguém neste mundo ou mesmo fora dele, pode nos roubar a salvação espiritual. Como dito anteriormente, não posso tentar fazer algo para com isso tentar agradar a Deus e ser retribuído por ele, a salvação não pode ser comprada e isso por dois motivos: primeiro que o preço é alto demais, segundo, nós só compramos aquilo que nos interessa, isto é, nós não podemos agradar a Deus para depois adquirirmos a salvação, se dependesse de nós, nunca nos interessaríamos por ela, somos primeiramente conhecidos por Deus, por isso somos salvos, Gl. 4. 9 “Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?”

No que concerne ao NT. deve ficar claro que os salvos, apesar de pecadores não tem prazer na prática do pecado, ao menos essa é a afirmação bíblica. Então, alguém pode objetar dizendo: - (Ora, se não aceito o sábado, logo devo ser considerado um transgressor e consequentemente não estou salvo). Replico dizendo: apesar de estar contido nos dez mandamentos, o sábado não foi direcionado aos gentios em forma de obrigatoriedade e muito menos como sendo uma base para salvação.


sábado, 1 de outubro de 2022

A carta aos hebreus e a antiga aliança.

A carta aos hebreus destaca por excelência o fim da antiga aliança, e dentro desse contexto estão inseridos: o fim do sacerdócio levítico, o fim da lei no que diz respeito a salvação, e o fim do sistema de culto prestado na antiga aliança. Hb. 5. 1-4 “Porque todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E, por esta causa, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.”

Começamos a perceber a fragilidade do sacerdócio levítico, essa fragilidade é encontrada no fato de um pecador interceder por outros pecadores, um sumo sacerdote rodeado de fraquezas e que também necessitava de um sacrifício para “absolvê-lo” do pecado, assim sendo, seria impossível a manutenção desse sacerdócio.

Hb. 7. 11 “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? O fato da não permanência do sacerdócio levítico demonstra a sua fragilidade. Hb. 8. 7 “Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo.” Fica claro por esses poucos versos, que o sacerdócio levítico realmente passou.

H. 8. 13 “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar.” O que a bíblia define como sendo concerto? Geralmente são os contratos, as alianças feitas entre Deus e algumas pessoas, Lv. 26. 42 “Também eu me lembrarei do meu concerto com Jacó, e também do meu concerto com Isaque, e também do meu concerto com Abraão me lembrarei, e da terra me lembrarei.”

Sl. 89. 3 “Fiz um concerto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi.” Vimos então, algumas pessoas com as quais Deus fez um concerto ou uma aliança. 1ª Rs. 8. 9 “Na arca, nada havia, senão só as duas tábuas de pedra que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, saindo eles da terra do Egito.” Dt. 4. 13 “Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.”

Percebemos aqui o termo sinônimo, ora aliança e ora concerto, o significado são os mesmos. Outro fato interessante é que os dez mandamentos também são chamados de concerto, assim como também e chamado de concerto a arca da aliança, arca essa que transportava as duas tábuas dos dez mandamentos. Dt. 31. 25-26 “Deu ordem Moisés aos levitas que levavam a arca do concerto do Senhor, dizendo: tomai este livro da Lei e ponde-o ao lado da arca do concerto do Senhor , vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti.”

Isso vem nos mostrar que a lei, como termo de salvação findou, mas podemos questionar perguntando: então, vivemos em uma aliança baseada na anarquia? Não, absolutamente. Vejamos um verso esclarecedor, Rm. 10. 4 “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Devemos atentar no seguinte, o fim da lei é Cristo, mas e se não tiver o Cristo? Logo permanece a lei. O fim da lei é Cristo para serem justo, todos? Não, somente aqueles que creem.

1ª Tm. 1. 9 “Sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas.” A nova aliança não foi feita sem justiça, nem mesmo sem sangue, ela não está baseada na anarquia ou na imoralidade. Portanto, o fim da lei acontece para todo aquele que acredita de um modo prático no sacrifício de Cristo, quando isso acontece passamos a ser justos perante Deus, Rm. 8. 1 “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.”

Porém, devemos atentar para o fato de que a lei vigorante na nova aliança e a lei que trata da moralidade entre o gênero humano e Deus e entre homem e homem, toda aquela lei que apenas representava o Cristo e mesmo aquela que estava baseada no cerimonial, passaram, vejamos o que nos diz hebreus.

Hb. 9. 1-5 “Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre. Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário. Mas, depois do segundo véu, estava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, que tinha o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto; e sobre a arca, os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente.

Percebemos uma descrição detalhada do santuário como um todo e aqui devemos de atentar para o fato das mobílias encontradas no santo dos santos, as quais são: o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, os Querubins e as tábuas do concerto. Atentamos para o fato da inclusão das tábuas do concerto, ou os dez mandamentos.

O verso 1 de hebreus 9 nos diz claramente que o primeiro tinha ordenanças de culto divino, o primeiro deve ficar entendido que é o primeiro testamento ou a antiga aliança, atentemos também para o fato da palavra (tinha) significando que não tem mais, e isso é confirmado pelos seguintes versos: Hb. 8. 13 “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar. 10. 9 “Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo.”

Assim sendo, estão descartadas todas as ordenanças baseadas no cerimonialismo encontradas na antiga aliança, pelo fato da salvação espiritual não depender de ritos e cerimônias, em resumo não depende de nossas obras, Hb. 9. 15 “E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.”


sábado, 3 de setembro de 2022

Pode alguém literalmente ter a forma de Deus?

Dentre os vários versos utilizados pelos trinitarianos objetivando alicerçar a doutrina da trindade, encontramos filipenses capítulo dois, Fl. 2. 6 “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.” De imediato eles argumentam: - “o verso é claro, é dito que Jesus é a forma de Deus.” Em uma situação como essa, como devemos proceder?

Naturalmente devemos recorrer ao contexto do capítulo, para podermos compreender o que Paulo tencionava dizer aos filipenses, feito isso, a lógica e a racionalidade deverão andar juntas, para poder quebrar os preconceitos a muito estabelecido. Lembrando também, que a ordem a ser seguida não precisa ser dessa maneira, podemos entrar com a lógica e a racionalidade e depois utilizar o contexto do capítulo em questão.

Que sendo em forma de Deus”. O que estaria Paulo dizendo aos seus ouvintes? Estaria ele tentando passar a ideia de que o homem Jesus, tem a forma de Deus? Acredito que não, se sim, a pergunta a ser feita seria? Qual é a forma de Deus, ou em outras palavras, Deus tem uma forma definida? Se alguém disser que sim, como conciliar com os seguintes versos, Nm. 23. 19 “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?”

1ª Rs. 8. 27 “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado.” Nestes versos percebemos que Deus não é homem, e sendo assim, Ele não possui as nossas dimensões e consequentemente a nossa forma, logo o oposto também é uma realidade, nós não podemos possuir uma forma de Deus, visto que Deus não tem uma forma, fato é que nem mesmo o céu pode contê-lo.

Outro fato a ser acrescentado diz respeito aos atributos que somente Deus possui, tais como: onisciência, onipresença, imortalidade, algo que nem mesmo Jesus possui, muitos dirão: - “Ele não possui, mas possuía, deixou no céu tais atributos”. Utilizam para isso o seguinte verso, Fl. 2. 7 “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” O problema é que poucos contestam tal narrativa, apesar de se perceber facilmente um ensinamento baseado em uma dedução.

Onde se encontra a dedução? Em dizer que Jesus deixou no céu os seus atributos. Em que lugar a bíblia confirma isso? Se realmente ele deixou os seus atributos, como ele pode ser o Deus-homem? Sim. Se seguirmos esse princípio todos, inclusive os trinitarianos terão que acreditar que Jesus é apenas o servo humano, é isso que diz filipenses. Portanto, acreditar que Jesus deixou para trás a sua divindade é forçar o entendimento, é dizer o que não é dito.

A contestação por parte deles continuará, eles certamente dirão: - “o verso não diz que ele era em forma de Deus?” A resposta deve se basear em alguns princípios, utilizando o que já foi dito a respeito de Deus o pai, onde segundo a bíblia, não possuir uma forma tangível e também levar em conta o título Deus utilizado pela própria bíblia, Ex. 7. 1 “Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que te tenho posto por Deus sobre Faraó; e Arão, teu irmão, será o teu profeta.”

Zc. 12. 8 “Naquele dia, o Senhor amparará os habitantes de Jerusalém; e o que dentre eles tropeçar, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do Senhor diante deles.” At. 12. 21, 22E, num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes dirigiu a palavra. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem!” No que concerne a bíblia, o título Deus não diz respeito somente ao criador, isso Eu já falei em outros assuntos. Portanto, não serve como base para dizer que Cristo seja Deus no sentido estrito; reis, juízes, profetas e mesmo o próprio Jesus, todos eles foram chamados de Deus. Outro fato importante diz respeito a questão de Deus estar no minúsculo ou no maiúsculo, até o 9º século não existia essa convenção.

Entremos então no contexto de filipenses. O que Paulo percebeu naqueles convertidos? Fl. 2. 3-4 “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” Baseado nos conselhos de Paulo, percebe-se claramente que os convertidos de Filipos como todos os humanos, cultivavam o ego.

Paulo não veio apresentar o deus homem para aqueles cristãos. Na realidade ele apresentou aos filipenses, um modelo a ser imitado, Fl. 2. 5 “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” “De sorte” ou, do mesmos modo, ou ainda, da mesma maneira. Portanto, naquele momento, Paulo não transmitiu nenhum pensamento de deidade de Cristo ou algo parecido, ele apresentou alguém superior sim, em status e posição.

O argumento dele foi: {- ora, Jesus que perante todos nós pode ser considerado um deus no sentido amplo da palavra, (isso baseado no entendimento cultural de que alguém superior aos demais era considerado um deus), se aniquilou, ou seja, não procurou usufruir daquilo que tinha direito, pelo contrário, de rei descendente de Davi, passou a servir os seus semelhantes.} Neste sentido os que creem, devem ter o mesmo sentimento que houve em Cristo.

Vamos ler novamente filipenses 2. 7 “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” Vimos que o aniquilar nada tem em deixar uma divindade escondida em algum lugar na eternidade, isso não tem apoio bíblico, tomar a forma de servo é simplesmente deixar o seu posto de importância e tornar-se semelhante aos homens comuns, esse é o pensamento de Paulo, Lc. 19. 37-38 “E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”

Essa foi uma forma de se aniquilar e tornar-se servo, Fl. 2. 8 “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.” A forma de Jesus sempre foi de homem, ou do gênero humano, não há nenhuma indicação bíblica que diga que Jesus era Deus; os termos: encarnação e duas naturezas de Cristo são convenções adotadas pelos padres da igreja, e isso após longas rejeições e debates, “E achando na forma de homem” significa claramente que ele como um ser humano consegui se humilhar e ser obediente até a morte.

Uma pergunta se faz necessária: se Jesus era Deus, então ele devia obediência a quem? Há sim, a resposta é que a trindade fez um pacto anterior, então ele passou a ser funcionalmente o filho e o outro Deus passou a ser funcionalmente o pai. Isso é extremamente ridículo, sem sentido e sem apoio das escrituras. O verso nove nos mostra a realidade bíblica, Fl. 2. 9 “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome,” 

Neste caso principalmente a humilhação precedia a exaltação, foi necessário ele morrer para poder ser ressuscitado. Neste contexto nos é revelado a necessidade dos filipenses em seguir o exemplo do mestre, exemplo esse de servir, não de sobressair; vimos também um plano sendo desenrolado, plano esse que foi a humilhação e exaltação de Jesus, e isso para qual objetivo? Para poder demonstrar que existe um só Deus o pai, e um só senhor Jesus Cristo, Fl. 2. 11 “E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.”







terça-feira, 2 de agosto de 2022

O sábado foi dado como lei no Éden?

A instituição da família e o mandato para governar a terra são reconhecidos como um mandamento desde a criação para toda a humanidade. Todas estas ordenações aparecem em Gênesis. Porém, isto não pode ser dito do sábado semanal. Gn. 2. 2-3 Aqui não se menciona um mandamento se quer com relação ao descanso semanal. E nenhum exemplo é dado de alguém guardando o sábado. Pelo contrário, não é mencionado a palavra sábado.

É verdade que a lei mosaica do sábado está ligada com o descanso de Deus em Gênesis. Mas todos os sabatistas que tentam projetar esta lei na época do Gênesis têm sérias dificuldades com a passagem que fala de servos e servas, bois, trabalhos, fadiga etc. coisas estas que de modo algum pertenceram ao Éden primitivo em estado de inocência.

Ellen G. White afirmou que Adão possuía conhecimento do decálogo nos seguintes termos: Adão e Eva, ao serem criados, tinham conhecimento da lei de Deus… Adão ensinou a seus descendentes a lei de Deus, e esta foi transmitida de pai a filho através de gerações sucessivas.” (Patriarcas e Profetas, p. 32) “Santificado pelo descanso e bênção do Criador, o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até o justo Noé, até Abraão, Jacó.” (O Grande Conflito pág. 453.

Este é o ensino que todos os conversos recebem assim que se filiam à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Mas seria verdadeiro tal ensinamento? Não obstante, tudo aponta para o fato de que os dez mandamentos nunca existiram como um código formal de lei até a época de Moisés. Um fato importante é que a palavra “sábado” nunca aparece no livro de Gênesis. O primeiro caso da guarda do sábado se encontra em Êxodo 16 no monte Sinai. Ali Deus deu a Moises as ” Dez Palavras”, pela primeira vez na história.

Se as Dez Palavras não existiram de modo formal antes de Moises, o 4ª preceito como mandamento também não existia. Ao contrário da afirmação adventista a verdade é que Adão nunca guardou o sábado do sétimo dia, nem Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José ou qualquer um enquanto estavam no Egito. Eis algumas razões porque não podemos aceitar a interpretação adventista:

A palavra ” Sábado” não é encontrada no livro de Gênesis! É uma questão de tradução. A lei era algo novo, Dt. 5. 6. Os antepassados do povo hebreu não tiveram nenhuma ordem para guardar o sábado. A Aliança não foi feita com eles, Dt. 5. 2-3. Ninguém antes do Êxodo Ez. 20. 10-12 confirma que a lei foi dada aos judeus e isso após o êxodo.

Contrariando o argumento dos sabatistas, Deus não disse que os “lembrou” dos sábados como se fosse algo esquecido, mas disse que havia feito “conhecer” o sábado no Sinai Ne. 9. 13-14. E sobre isso existe a confirmação de que a lei só veio 430 anos depois de Abraão, Gl. 3. 17 A primeira ocorrência da palavra “Sábado” se encontra em Ex. 16. 22-30. O texto nos versos 23-30 indica que esta era uma experiência nova para o povo de Israel. Eles não foram obrigados antes disso a guardá-lo.

As Dez Palavras ou os dez mandamentos só foram dadas quando a face de Moises brilhou, Ex. 34. 27-28. Se eles guardaram o sábado antes de Êxodo 16, então eles também provavelmente tiveram o maná como algo dado bem antes também. Mas os adventistas admitem sem nenhum problema que o maná era algo novo para o povo de Israel. Mas é justamente isso que o texto mostra, os judeus nunca conheceram o sábado e o maná antes do Êxodo. 

Não há nenhum registro que indique que qualquer um antes de Êxodo 16 tenha guardado o Sábado. Apesar disso os Patriarcas foram instruídos em muitas outras coisas. E são elas: Ofertas, Gn. 4. 3-4, Altares, Gn. 8. 20, Sacerdotes, Gn. 14. 18, Dízimos, Gn. 14. 20, Circuncisão, Gn. 17. 10 e o Matrimônio, Gn. 2. 24. Por que Deus omitiria o “Sábado” sendo que era um mandamento tão importante? O Sábado não foi santificado se não depois que Deus “descansou” Gn. 2. 2; Ex. 20. 11.

Primeiro Deus descansou, só então, depois que ele descansou, foi que santificou o dia. Isto prova que o Sábado não era parte da lei eterna de Deus no céu antes da criação! A Bíblia nunca diz quando ele santificou o sábado, somente diz que foi depois que descansou. Gn. 2. 2 nos conta a razão, não o tempo em que Deus santificou o Sábado. O livro de Gênesis foi escrito durante o tempo de Moises, não antes disto. Nem Adão ou Abraão conheceram o livro de Gênesis!

Suponhamos que Deus realmente descansou no sétimo dia no Éden, mesmo assim Deus nunca revelou qualquer mandamento de guardá-lo no Éden, porque não há absolutamente nenhuma evidência que qualquer um guardou-o antes de Êxodo 16. O simples fato de Deus santificar algo ou descansar não implica em mandamento. Por que isso? Pelo fato do Sábado não ser adequado para a vida de Adão enquanto estava no Jardim do Éden, pois o mandamento de descanso após 6 dias de trabalho não fazia nenhum sentido no Éden já que o trabalho e a fadiga só existiu depois que Adão pecou, Gn. 3. 19.

Também a menção de “estrangeiros”, “servos e servas” dentro das “portas” de Adão não faz nenhum sentido levando-se em conta a vida que Adão e Eva vivia naquele jardim. Eles não possuíam nada disso. Quais foram as únicas ordens que Deus deu a Adão? Gn. 2. 5 e 17 lavrar a terra Gênesis 2. 5 e 17 dar nome aos animais e não comer do fruto proibido, naquele momento o Sábado do 7º dia da criação não foi dado como mandamento.



sexta-feira, 1 de julho de 2022

Fazei tudo o que eles dizem, mas...

Jo. 8. 32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Nos assuntos tenho sempre dito, não se submeta a uma denominação religiosa sem antes conhece-la.

Mt. 10. 7-8 “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” 1ª Pe. 5. 2 “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto.”

No que se refere ao evangelho, o NT. É claro em ensinar para aqueles que lideram os assim chamados cristãos, a não serem cobiçosos, a repartir o evangelho da graça, a não ludibriar o povo por causa de dinheiro. Naturalmente isso é um mandamento do próprio Jesus, e posteriormente dos seus seguidores próximos. Contudo, esse mandamento tem sido desrespeitado por quase toda cristandade, mas ao fazerem assim, testificam eles mesmos que não pregam a verdade bíblica.

Veremos um exemplo claro do que estou dizendo; antes porém, vamos ver um texto do livro conselhos sobre mordomia de Ellen White, pág. 228: (Embora devam os homens cuidar de que nenhuma concessão da providência seja gasta desnecessariamente, o espírito de avareza, de adquirir, terá de ser vencido. Essa disposição levará à ganância e ao trato injusto, que Deus abomina. Não devem os cristãos permitir serem perturbados por ansioso cuidado quanto às necessidades da vida. Se os homens amarem e obedecerem a Deus e fizerem sua parte, Ele proverá tudo aquilo de que necessitam. Embora vossa subsistência tenha de ser alcançada no suor de vosso rosto, não deveis descrer de Deus, pois no grande plano de Sua providência, suprir-vos-á, dia a dia, as necessidades.)

A principio nos dizemos: grande conselho, parece realmente inspirado. A maioria dos adventistas do sétimo dia ouviu histórias de como os White começaram seu ministério "sem um tostão", e como a Sra. White morreu "com dívidas". Os escritos da Sra. White estão repletos de lições de abnegação e sacrifício. O que poucos adventistas percebem é que seus primeiros anos de pobreza foram rapidamente apagados quando ela e Tiago acumularam uma enorme fortuna em dinheiro, bens e imóveis.

Esta página apresentará evidências de que a Sra. White desfrutava dos luxos dos "ricos e famosos". Em termos de dólares de hoje, sua renda estava literalmente na casa dos milhões de dólares! A grande maioria de sua renda veio de royalties de seus livros. Ela fez mais de US $ 100.000 em royalties de livros em sua vida. Em dólares de hoje (ano de 2020), são aproximadamente 3,1 milhões de dólares!

Ela pode ter começado sem um tostão na década de 1840, mas essa situação logo foi revertida. No final da década de 1850, ela ganhava mais de US$ 1.000 por ano em royalties. A Sra. White ganhou $ 11.435 na década de 1856 a 1866. Em termos de dólares do ano 2020, são $ 334.312 , ou mais de $ 33.000 por ano. No entanto, estes ainda eram anos magros em comparação com o que ela faria mais tarde. Nas décadas de 1890 e 1900, ela ganhava de US$ 8.000 a US$ 12.000 por ano em royalties de livros. Em dólares do ano de 2020, isso equivale a US $ 252.251 a US $ 378.377 por ano! Esse tipo de renda facilmente a colocaria entre os 1% mais assalariados do mundo . 2

Além disso, Tiago também escreveu livros e, embora não tenhamos números sobre seus royalties, pode-se presumir que os Whites também desfrutaram da renda de seus escritos. Tiago era conhecido como um homem de negócios, astuto e talentoso. Ele escreveu uma carta encorajando Ellen a escrever mais livros, com a perspectiva de aumentar sua renda: "Com o aumento da demanda por nossos escritos... haverá uma renda de vários milhares de dólares anualmente, além da imensa quantidade de bem que nossos escritos farão." 3

Tiago entendia como gerar riqueza a partir de seus escritos. Em uma carta, ele escreveu para sua esposa dizendo: "Nossos assuntos financeiros estão bem, e ainda há riqueza em nossas canetas". 4. Talvez o maior criador de riqueza de Ellen tenha sido o livro Caminho a Cristo . Fleming Revell, um não-adventista, ofereceu à E. White um bom negócio: "cinco por cento de royalties nos primeiros mil exemplares, e dez por cento em todas as edições subsequentes".5.

Depois de brigar com os editores adventistas por anos sobre sua parte dos royalties, a Sra. White ficou muito satisfeita com esse acordo de royalties. 6. Ela escreveu em 1897: "Passos a Cristo foi dado a Revell. Recebi uma grande soma de dinheiro ... mais do que me veio de alguns livros; e acho que mais viria a mim se ele tivesse mais livros meus para lidar... (...) Colocarei mais livros em suas mãos... pois posso receber melhor satisfação do que a que recebi da editora de Battle Creek”. 7

10 por cento de royalties em 100.000 livros vendidos a 75 centavos são $ 7.500. Em dólares de 2020, são US$ 236.485, ou cerca de US$ 47.000 por ano para apenas um único livro. Os números exatos são desconhecidos, mas o livro provavelmente vendeu mais de um milhão de cópias durante a vida de Ellen White, gerando-lhe uma enorme renda. Cada um dos Whites recebeu um salário da igreja SDA. A Sra. White recebia um salário semelhante ao pago aos ministros. É verdade que isso não era muito comparado aos royalties de seus livros, mas ambos os salários eram maiores do que os pagos à maioria dos ministros da denominação.

Como os Whites adquiriram bens, eles alugaram imóveis. Embora seja difícil avaliar sua renda de aluguel, há alguns exemplos em suas cartas. Em 1878, Ellen White menciona o valor do aluguel, US$ 65/ mês de uma casa que possui, ou seja, US$ 1.769/ mês em dólares de 2020. 8. Em 1881, ela diz a Willie para cobrar o aluguel de dois inquilinos diferentes que estavam atrasados no pagamento. 9. Em 1889, ela tenta alugar sua casa em Battle Creek por US$ 12 a US$ 15/mês (US$ 351 a US$ 438/mês em dólares de 2020). 10. Já em 1890, ela discute o aluguel de uma de suas maiores propriedades por US$ 175 (US$ 5.112 em dólares de 2020). 11.

Ellen White recebeu pagamento por todos os artigos que escreveu para jornais denominacionais. (Curiosamente, a maioria dos outros autores contribuíram com seus artigos gratuitamente). Os Whites vendiam várias outras mercadorias, como por exemplo, fotos religiosas. Quando o "vestido da reforma" estava sendo promovido por eles no início da década de 1860, E. White foi a várias igrejas e vendia moldes de vestidos de papel por um dólar cada. Isso parece insignificante, mas no ano de 2020 em dólares são aproximadamente US $ 29. 12.

Mt. 23. 3 “Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.”


2 Os ganhos da Sra. White foram relatados por Thomas Hamilton na edição de 6 de novembro de 1866 de Hope of Israel vol.1, pág. 68. Durante o período de 10 anos de 1856-1865, estimou-se que ela fez 1.143,50 por ano de royalties, para não falar de outras receitas. Hamilton também mencionou que "seus livros são todos publicados gratuitamente". A inflação foi calculada usando a Calculadora de Inflação.

3 Tiago White, Carta a Ellen White, 18 de abril de 1880.

4 . Tiago White, Carta a Ellen White, 18 de fevereiro de 1881. Além de livros, Tiago também vendia gráficos adventistas. Ellen White escreveu para sua família: "...seu pai estava vendendo gráficos e livros a cada momento do tempo." (Carta 7, 1863 a Henry, Edson e William White).


    1. Fleming H. Revell, carta ao "Sr. Chadwick", 17 de outubro de 1891.

    2. Arthur Patrick, "Autor", Ellen Harmon White: American Prophet (NY: Oxford University Press, 2014), p. 104.

    3. Ellen White, Manuscrito 80, 1897.

    4. Ellen White, Carta 14, 8 de março de 1878.

    5. Ellen White, Carta 18, 6 de dezembro de 1881.

    6. Ellen White, Carta 19, 8 de janeiro de 1889.

    7. Ellen White, Carta 13b, 15 de janeiro de 1890.

    8. $ 1 em 1862 valia $ 27,71 em 2017. (A Calculadora de Inflação)



Copiado do Site: www.nonsda.org