terça-feira, 15 de março de 2011

Na visão adventista o sangue de Jesus purifica, ou contamina o santuário?

Achei este artigo muito interessante (1), de certa forma compromete a crença adventista com relação à purificação do santuário. (As declarações contidas nos livros de E. G. W. Estão entre parênteses). A teologia adventista, formulada por Ellen White diz que o sangue dos animais sacrificados pelos sacerdotes em substituição à vida do pecador, contaminava o templo ou santuário, lugar da habitação de Deus aqui na terra, tornado assim, o santuário, um local impuro e, portanto impróprio para habitação do Altíssimo. Ex. 25: 8 Assim, uma obra especial para remoção desta contaminação se fazia necessária. Mas, porque e como o sangue dos animais sacrificados contaminava o templo ou santuário? Vejamos o que diz E.G.W: (No cerimonial típico, somente os que tinham vindo perante Deus com confissão e arrependimento, e cujos pecados, por meio do sangue da oferta para o pecado, eram transferidos para o santuário, é que tinham parte na cerimônia do dia da expiação. Assim, no grande dia da expiação final e do juízo de investigação, os únicos casos a serem considerados são os do professo povo de Deus. O Grande Conflito, pág.480). Para o adventista “o cerimonial típico” significa a cerimônia que era realizada no santuário de Jerusalém. Este mesmo pensamento é encontrado no livro Patriarcas e Profetas, pág.355. Diz E.G.W: (Tal era a obra que dia após dia continuava, durante o ano todo. Os pecados de Israel, sendo assim transferidos para o santuário, ficavam contaminados os lugares santos, e uma obra especial se tornava necessária para sua remoção. Deus ordenara que se fizesse expiação por cada um dos compartimentos sagrados, assim como pelo altar, para o purificar "das imundícias dos filhos de Israel", e o santificar”. Lv. 16: 16 e 19. Cristo em seu santuário pág. 35). (Esta era a obra que, dia após dia, se prolongava por todo o ano. Os pecados de Israel eram assim transferidos para o santuário, e uma obra especial se tornava necessária para a sua remoção. Deus ordenou que fosse feita expiação para cada um dos compartimentos sagrados. "Fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo todos os seus pecados: e assim fará para a tenda da congregação que mora com eles no meio das suas imundícias." Devia também ser feita expiação pelo altar, para o purificar e santificar "das imundícias dos filhos de Israel". Cristo em seu santuário pág. 93) (A parte mais importante do ministério diário era a oferta efetuada em prol do indivíduo. O pecador arrependido trazia a sua oferta à porta do tabernáculo e, colocando a mão sobre a cabeça da vítima, confessava seus pecados, transferindo-os assim, figuradamente, de si para o sacrifício inocente. Pela sua própria mão era então morto o animal, e o sangue era levado pelo sacerdote ao lugar santo e aspergido diante do véu, atrás do qual estava a arca que continha a lei que o pecador transgredira. Por esta cerimônia, mediante o sangue, o pecado era figuradamente transferido para o santuário. Nalguns casos o sangue não era levado ao lugar santo; mas a carne deveria então ser comida pelo sacerdote, conforme instruiu Moisés aos filhos de Arão. Lv. 10: 17. Ambas as cerimônias simbolizavam semelhantemente a transferência do pecado, do penitente para o santuário.” Cristo em seu santuário, pág. 35). Pelas citações que vimos anteriormente, a teologia adventista ensina que quando o pecador confessava seus pecados sobre o animal a ser sacrificado, este ato, significava uma transferência da culpa pelo pecado cometido para o inocente animal que pagaria com a vida o preço pela culpa do pecado, tendo seu sangue derramado. Parte deste sangue contaminava o santuário, pois era por meio do sangue que os pecados eram transferidos para dentro do santuário, conforme as citações acima. Isto se dava nas vezes em que os sacerdotes após o sacrifício do inocente animal, recolhiam numa vasilha um pouco do sangue do animal sacrificado para levá-lo para dentro do santuário com o propósito de aspergi-lo diante do véu, ou do propiciatório, ou nas bases e nas pontas do altar do templo, conforme nos diz estes versos. Lv. 4: 5-7; 15-18; 24-25; 27-30; Lv. 5: 9; Lv. 16: 14-19. Realmente o pecador estava de certa forma transferindo o pecado para o cordeiro, porém é muito importante observar que embora os animais sacrificados estivessem substituindo os pecadores, na verdade eles não representavam os pecadores, mas representavam a Cristo, o substituto dos pecadores. Foi Cristo que morreu em nosso lugar, assim o sangue dos animais sacrificados não representava o sangue dos pecadores, mas o sangue do Verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se o sangue dos animais representava o sangue do Filho de Deus, sendo derramado em favor do pecador e era este sangue que era levado para dentro do santuário, então o que contaminava o santuário simbolicamente era o sangue de Jesus. A pergunta que fica para nossa reflexão e analise é: Afinal, o sangue de Jesus contaminava ou purificava o santuário? Se o sangue contaminava o santuário, então a teologia adventista esta correta conforme nós podemos verificar pelas citações acima, dos livros publicados pela IASD. Se o sangue não contamina, mas purifica o santuário, então há algo de errado nesta teoria doutrinaria. O que diz a bíblia acerca do sangue dos animais e o sangue de Jesus? Ex. 29: 21, Lv. 14: 14 e 16: 19. Diz-nos a mesma coisa, ou seja, o sangue não contaminava mais sim purificava. Lv. 15: 15-16. Observem que o que contaminava o santuário eram as impurezas físicas ou práticas pecaminosas dos filhos de Israel e não o sangue dos sacrifícios. Assim a purificação do santuário, na verdade era a purificação dos filhos de Israel, visto que se os pecados dos filhos de Israel, não fossem apagados, certamente que seus pecados continuariam contaminando o santuário e este, jamais poderia ser puro havendo pecados não purificados ou apagados. O sangue fazia expiação segundo o texto bíblico citado acima. E o que significa Expiar? Expiar era o ato de reconciliar o pecador com Deus, pelo processo de limpeza ou de purificação dos pecados. Todos os pecados do pecador até então não purificados eram por meio desta cerimônia apagados, perdoados, purificados. Isto como nós vimos no verso anterior se dava mediante o aspergir do sangue. Ef. 2: 13 Cl. 1: 20. Isto significa mais uma vez que o sangue não contaminava o santuário, mas o purificava. Se isto é uma verdade, então as citações de que o santuário era contaminado pelo sangue, que fazia a transferência dos pecados para o santuário, esta totalmente em desacordo com o que diz a palavra de Deus, está totalmente equivocada. Hb. 9: 22, 1ª Jo. 1: 7. Observem, a citação de João é de que o sangue nos purifica de TODO pecado. Desta forma, isto nos mostra que o sangue de Jesus derramado uma única vez, é suficiente para apagar todos os nossos pecados tanto os cometidos no passado quanto aqueles que possivelmente sejam cometidos no futuro. Obviamente se nós lançarmos mão deste precioso sangue por meio da fé. Atente agora para seguinte citação: (Como antigamente os pecados do povo eram transferidos, em figura, para o santuário terrestre mediante o sangue da oferta pelo pecado, assim nossos pecados são, de fato, transferidos para o santuário celestial, mediante o sangue de Cristo. E como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos quais se poluíra, conseqüentemente, a real purificação do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou apagamento, dos pecados que ali estão registrados. Isso necessita um exame dos livros de registro para determinar quem, pelo arrependimento dos pecados e fé em Cristo, tem direito aos benefícios de Sua expiação. A purificação do santuário, portanto, envolve uma obra de juízo investigativo. Isto deve efetuar-se antes da vinda de Cristo para resgatar Seu povo, pois quando vier, Sua recompensa estará com Ele para dar a cada um segundo as suas obras. História da Redenção, Pág. 378). Agora as coisas se complicaram ainda mais. O santuário terrestre construído pela mão dos próprios Israelitas estava situado no meio do povo. O templo como sabemos ficava estrategicamente no centro do arraial de Israel. De que forma, uma pessoa ou objeto pode ser contaminado com qualquer coisa que contamine? É necessário que haja algum tipo de contato com o objeto contaminador ou propagador da contaminação. Ninguém fica resfriado, ou pega um vírus (virose) sem que de alguma forma entre em contato com o agente contaminador. Necessário era que o templo construído pelos israelitas de alguma forma fosse purificado, visto que estava em contato direto com as impurezas cometidas pelo próprio povo que o havia construído. Lv. 16: 16. Portanto, pela citação do livro História da redenção. pág. 378, as coisas celestiais foram contaminadas pelo sangue de Cristo, que foi usado como meio de transferência dos nossos pecados para um "santuário celestial". (Convêm lembrar que o santuário construído pelos israelitas era uma "figura" e não uma copia das coisas celestiais. Hb. 9: 23. Se é verdade que o sangue de Jesus, contaminou o santuário então, para que a contaminação do santuário celestial seja removida, necessário é que o sangue de Cristo seja então removido deste santuário, pois o mesmo é o responsável pela contaminação do santuário, segundo a citação do livro H.R pág. 378. Isto é muito complicado, pois o sangue que deveria ser o agente purificador passou a ser o agente contaminador. (1) ASSUNTO ENCONTRADO NA INTERNET.