Para nós os que cremos, os dois seres mais importantes mencionados na bíblia são: Deus o qual temos por criador de todas as coisa e Jesus Cristo. Para alguns o assunto que se segue poderá soar como blasfemo, mas não é. Este é um estudo complexo, mas não é difícil, desde que ele seja analisado sob a ótica da lógica, e à luz da Palavra de Deus.
A genealogia de Jesus é apresentada em dois evangelhos, no evangelho de Mateus e no de Lucas. Em ambos os casos nos é dito que Jesus descendeu de Davi e consequentemente de Abraão, vejamos: Mt. 1. 1 “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” Lc. 3. 31 e 34 ”E Eliaquim de Meleá, e Meleá de Mená, e Mená de Matatá, e Matatá de Natã, e Natã de Davi. E Judá de Jacó, e Jacó de Isaque, e Isaque de Abraão, e Abraão de Terá, e Terá de Nacor.”
Até o momento, não vemos nenhum problema. Mas, ele começa a surgir quando nos deparamos com a genealogia descrita por Mateus, Mt. 1. 3 ”E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão.” Aqui nos é dito que Jesus veio da linhagem de Perez filho de Tamar. Mt. 1. 5-6 “E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé.” Jesus descendeu de Jessé o pai de Davi e Jessé foi “filho” de Raabe. E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias.”
A primeira questão bastante estranha, está no fato de que a linhagem de Jesus do lado materno, divulgado no evangelho de Mateus, traz pessoas de outras nações, como por exemplo: Tamar e Raabe descendiam dos cananeus, Ruth era moabita, e Bate Seba era hetéia. Sendo assim, descarta-se totalmente a linhagem judaica do lado materno, uma vez que essas mulheres não faziam parte da tribo de Judá. A segunda questão estranha encontra-se em Mt. 1. 16 “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.”
Reparem que esse verso não segue a sequência, como aconteceu nos versos anteriores. Na verdade deveria estar escrito assim: (e Jacó foi pai de José e José foi o pai de Jesus, chamado o Cristo). A tradução que temos em mãos transforma a paternidade de José em uma simples paternidade adotiva. Apesar de vir da linhagem o qual viria o Cristo, José foi apenas um figurante. O objetivo da tradução foi fazer Maria sobressair, visto que o verso e o seu contexto diz que Jacó foi pai de José, e ao invés de dizer que ele foi o o pai de Jesus, se limitou a dizer que ele foi o marido de Maria.
Não estou dizendo que ela não fosse descendente de Judá. O que estou dizendo é que houve uma inversão, ou seja, não está escrito por exemplo que Jacó fosse o pai de Maria. Por isso as outras mulheres figuraram nessa contagem, ainda que não fossem descendentes de Judá, a tradução e a tradição querem de todas as formas demonstrar a importância da mulher no nascimento de Jesus. Não que a mulher não seja importante nesse caso e em outros aspectos, porém com relação ao nascimento de Jesus, a tradição “cristã” enfatizou demais a importância de Maria.
Mas, qual o problema disso? Se o o objetivo principal de Mateus foi levar a sua mensagem primariamente para os judeus, ele não poderia começar a discorrer sobre a linhagem do Messias utilizando o lado materno; vejamos alguns textos rabínicos sobre os quais nos dizem o que os judeus pensavam das mulheres: “Que as palavras da lei sejam antes queimadas do que entregue as mulheres” (Sotah 19ª) E também “Feliz aquele cujos filhos são homens, mas infelizes aqueles cujos filhos são mulheres” (Kiddushin 82b). A oração diária de todo homem judeu incluía a seguinte benção: “Bendito és tu, Senhor nosso Deus soberano do universo, que não me criou gentio, escravo ou mulher” (Berachos 60b).
E ainda, segundo Flávio Josefo, historiador judeu, ”das regras para testemunho admissíveis”. Diz ele em Antiguidades IV. 8.15 “Que um testemunho de uma mulher não seja admitido em função de sua leviandade e atrevimento. Na bíblia não se encontra um regulamento como esse. Antes, é um reflexo da sociedade patriarcal do judaísmo do primeiro século. Segundo, as mulheres ocupavam um baixo nível na hierarquia social judaica . comparadas aos homens elas eram consideradas como cidadãos de segunda classe. Portanto fica no mínimo estranho Mateus ter citado a genealogia de Jesus utilizando para isso algumas mulheres.
Sendo assim, outro fato a ser questionado é: A concepção virginal de Jesus tem realmente apoio bíblico? Como encaixar biblicamente esta doutrina com as promessas de Deus as quais diziam que o Messias deveria ser da DESCENDÊNCIA de Davi? Para isso devemos analisar a seguinte questão: A cultura na Palestina nos dias de Jesus era profundamente religiosa, agrária e moldada por fortes tradições judaicas, pela dominação do Império Romano e por divisões sociais e regionais marcantes.
O pensamento grego nos dias de Jesus estava presente em toda a Palestina através do Helenismo, uma fusão da cultura grega com as tradições locais do Oriente Médio que impactava diretamente a mentalidade, a política e a filosofia da época. Teria Mateus sofrido algum tipo de influência, certamente não, contudo não podemos descartar o que pode ter ocorrido nos anos posteriores.
Infelizmente as nossas concepções doutrinárias ainda carregam o peso da tradição, que se arrasta desde o segundo século, quando entraram em cena os chamados “pais da igreja”, os quais mesclaram conhecimento bíblico com ideias da filosofia grega. A ideia grega de Logos (a razão ou palavra divina) um ensinamento estoico que foi mais tarde usado no NT (como no Evangelho de João) para explicar a natureza de Jesus. Voltemos novamente ao verso dezesseis do capítulo um de Mateus, “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.”
Volto a dizer, Não era costume judaico seguir a linhagem da pessoa pelo lado materno. Se assim fosse, Jesus não poderia ser o nosso verdadeiro Messias. Se o auditório de Mateus eram os judeus e o objetivo era provar que Jesus era o Messias, seguindo a lógica de sua origem comum conforme ocorreu com os patriarcas Abraão e Davi, não haveria aqui uma incompatibilidade entre a narrativa da concepção virginal e a genealogia?
Como Jesus poderia ser filho de Abraão e filho de Davi, conforme Mateus 1. 1 “Esta é a genealogia de Jesus, o Messias, filho de Davi, filho de Abraão” se dentro da fé judaica o Messias precisa ser descendente biológico de Abraão, para que se cumpram as promessas de Deus? A ideia de uma concepção virginal de Jesus não seria mais uma influência da cultura grega ocorrida no período pós apostólico?
Vejamos algo interessante: Segundo a mitologia grega, Zeus era o deus dos céus, o mais poderoso panteão grego. Este envolveu-se com uma mulher mortal de nome Alcmena, com a qual teve um filho, conhecido pelo nome: (Hércácles) ou Hércules, além de herói, era considerado um semideus, isto é, era metade deus e metade homem. Hércules também teve um pai adotivo, Anfitrião, rei de Tirinto marido de sua mãe. As coincidências são marcantes e é por isso a necessidade de um estudo específico e profundo sobre a questão.
Segundo os ensinamentos do cristianismo, Jesus foi gerado de uma forma miraculosa, tendo como pai, Deus, o Poderoso Criador dos Céus e da Terra, e como mãe, uma mulher mortal, de nome Maria. O filho Jesus é também considerado pelo cristianismo um semideus, sendo ele totalmente completo na divindade e totalmente completo na humanidade. Assim sendo, Jesus também teve um pai adotivo. Seu nome é José, marido de sua mãe