quinta-feira, 15 de junho de 2017

A incapacidade humana e o novo nascimento.

As tragédias humanas bem como a sua incapacidade de sanar as mazelas que acometem não só o indivíduo mas toda a sociedade e em todas as épocas, são questões pertinentes que trás a tona várias indagações. As tragédias humanas podem ser classificadas com aquilo que cada dia presenciamos em nosso contexto, a fome, as guerras as revoltas, tudo isso instigado por uma falta de boa vontade e liderado e embasado pelo egoísmo. Entre outras mazelas, podemos destacar a própria incapacidade humana de se superar, não falo de superação contextual, ou seja, aquela em que o indivíduo a despeito das dificuldades encontradas se torna um vencedor.

Me refiro a superação da própria natureza, em outras palavras falo da própria regeneração humana. É desnecessário dizer que nem mesmo a pessoa mais rica do planeta tem condições de anular o envelhecimento do seu corpo e uma consequente morte, infelizmente para muitos, essa é uma tarefa do ponto de vista humano impossível. A despeito da falsa esperança que permeia a mentalidade cientifica, em conseguir reverter o envelhecimento e por fim interromper o processo que leva a morte. Não só a bíblia testifica, mas a própria experiência tem demonstrado o processo de corrupção em todas as coisas vivas.

Rm. 8. 21 "Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus". Servidão da corrupção, isso quer dizer escravidão em um sistema corrompedor, podemos entender duas formas de corrupção neste verso, a corrupção que leva as tragédias humanas e a própria corrupção natural, o verso 22 destaca a corrupção natural Rm. 8. 22 "Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora". Em outras palavras a experiência humana testificada pela bíblia nos diz que o final da história humana é se tornar aquilo que ele era antes de existir, ou seja, nada, a menos que Deus intervenha. na história, Is. 40. 7-8 "Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do Senhor. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente". 

Naturalmente isso não significa que aqueles que creem nunca mais passarão por aflições e estarão isentos de problemas, a bíblia não diz e muito menos promete isso, ela confirma o processo de envelhecimento e corrupção, no entanto testifica dizendo que isso não é o fim de tudo. 2 Co. 4. 16 "Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia". O processo de corrupção é natural, não necessita de nada e nem de ninguém para acontecer, ao passo que o processo de renovação é espiritual, me refiro a espiritualidade bíblica, ou a transformação em um novo homem, esta sim não pode ser realizada sozinha. 

Temos visto vários movimentos educativos propagando a paciência e a paz, contudo percebemos cada vez mais um mundo conturbado intolerante e violento. Por quê isto? A preocupação em satisfazer o ego em todas as suas esferas, não deixa espaço para o (homem termo genérico), pensar em se reestruturar interiormente, para o pensamento moderno a estruturação deve ser física, afinal o interessante é mostrar sobressair e curtir, infelizmente esta é a mentalidade que tem permeado o mundo, mas alguém irá perguntar: - e isso não é bom, não saímos da era das trevas jogando para o alto aquilo que era rudimentar desnecessário? Não temos feito grandezas com nossos descobrimentos científicos?

Ninguém pode negar o fato que houve um progresso gigantesco no meio científico e em toda a área tecnológica, no entanto, aquilo que o homem busca ou mesmo aquilo que ele propõe não houve sequer um movimento que pudesse testificar um progresso ou mesmo um pequeno avanço; que são na realidade aquilo que estamos discutindo, a saber: - reversão da degradação da natureza humana, em outras palavras aniquilamento do envelhecimento e por fim a imortalidade, e mesmo a paz a justiça e o equilíbrio interior, ou seja, satisfação plena consigo mesmo e com o planeta em lugar do egoísmo.

É sabido por todos que tem sido feito uma propaganda enorme para se investir a procura de água no sub solo de marte, naturalmente este investimento não é uma pequena soma, assim sendo pergunto: existiu algum progresso regenerativo no ser humano a despeito de dizerem que estamos na era da luz e do descobrimento? Não! É mais fácil encontrar, tratar, investir onde já existe água, no entanto os investidores argumentam que eles não podem investir tanto dinheiro em um mundo onde as pessoas não são educadas e que brevemente o investimento e mão de obra seriam sucumbidos, visto que as pessoas poluiriam e esgotariam o investimento feito.

Assim sendo somente a elite "irá" se favorecer. mas, mesmo assim surge uma pergunta importante feita por Jesus,  Mt. 16. 26 "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" Em outras palavras, o envelhecimento a morte e o próprio egoísmo continuarão a reinar neste mundo elitizado, que ninguém acredite que as façanhas desfrutadas pela elite de Elisyum se concretizarão, aquilo era pura ficção. Para o homem moderno ou pós moderno, para o rico ou o pobre, o culto como o iletrado, só existe uma maneira de ver o futuro.

E esta, do jeito que vemos e presenciamos na atualidade: as promessas infundadas de justiça, a corrupção ética e moral, a ira das nações em pé de guerra, o culto ao ego, idolatria a coisas descabidas e sem sentido, a inversão de valores, o envelhecimento e por fim a morte, esta é uma lei do ponto de vista humano inviolável. No entanto, para estas mesmas pessoas existem duas maneiras de viver estas mesmas coisas descritas acima. Deste jeito natural tentando não se lembrar de que o futuro é sombrio; ou acreditando que do mesmo jeito que nós não existíamos e não fizemos nenhum esforço para nascer podemos esperar uma mudança para este mundo, não nas promessas infundadas e destituídas não sei nem se destituída de vontade, mas de capacidade para sua realização. Por que desta incapacidade? Ef. 2. 5 "Estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo pela graça sois salvos"

E esta morte espiritual gera todos os frutos que temos presenciado Ef. 2. 3 "Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais." Geralmente se argumenta dizendo: - Eu não acredito nisso, vou morrer assim mesmo. Eu geralmente respondo dizendo, todas as vontades devem ser respeitadas, mas entre viver em um mundo corrupto e sofrer na carne a corrupção, ou acreditar que Deus pode tudo, e a Seu tempo interromper a lei da degeneração em todas as suas formas, a escolha fica evidente.

Lembrando também que isso não é somente um aspecto puramente de fé, a prática tem demonstrado isso, tanto no que diz respeito a corrupção generalizada quanto mesmo ao novo nascimento, necessário para se adentrar na nova vida, Jo. 3. 3 "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A analogia dos daimones e a política dos nossos dias.

A palavra diabo provém do grego diabolos, por sua vez procede de bállo = arrojar, lançar, com o prefixo dia = através de. A escolha da palavra é uma referência a queda dos anjos rebeldes relatado no livro de Henoc. De dia-bállo, arrojar através de, procede o substantivo diábolos – diabo – que passou a significar caluniador e opositor. Antes, no entanto, as palavras dia-bállo significava lançar através de, ou seja, os daimones ou as divindades inferiores (deuses) são os distribuidores de bênçãos. Depois disso deixam de ser distribuidores de bênçãos e convertem-se unicamente num ser mau caluniador e opositor.

A bíblia usa a linguagem simbólica para descrever uma realidade, por exemplo, em certos casos ela se refere aos judeus hipócritas como pertencendo a sinagoga de satanás, é sabido por todos que o satanismo não era praticado pelos judeus daqueles dias, portanto a sinagoga significava eles mesmos, ou seja os próprios judeus perseguidores, Ap. 3. 9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.”

Uma das características encontradas nesses falsos judeus era a mentira o engano. Assim, a bíblia podia condenar ou seus opositores sem ao menos ser destruída ou interpelada; outro acontecimento onde a bíblia vale-se dos símbolos, Ap. 2. 9 Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás.” O verso é claro em dizer que falsos judeus eram sinagoga, ou um ajuntamento de satanás ou satanases, em outras palavras tais “judeus” se oporiam a nascente igreja.

Repare também que o verso não está dizendo que eles pertenciam a uma sinagoga, mas que eles próprios eram a sinagoga. No contexto do livro de revelação ou apocalipse, percebemos a evidência explícita onde os inimigos da igreja de Cristo são simbolicamente nomeados por dragão, diabo e satanás, Ap. 12. 3-4 “Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.”

O contexto do verso está se referindo primeiramente ao governo do império romano e depois ao judaísmo que rejeitou a mensagem do Messias. Em outro verso podemos ver novamente um simbolismo, onde ocultamente se descreve os inimigos da igreja, Ap. 2. 10 Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

Sabemos que os prisioneiros cristãos foram encerrados através da autoridade dos judeus e dos romanos, assim sendo a ideia bíblica de dragão, diabos demônios e satanás tem muito a ver com dia-bállo, ou seja, com aquele ou aqueles que lançam sobre si, ou mais precisamente sobre os distribuidores, não só de bençãos como também de maldição; e na explanação apocalíptica quem seriam esses distribuidores, no contexto ali descrito de perseguição, sim quem seriam eles? O GOVERNO, NÃO OUTRO.

O problema se deu quando o dia-bállo os daimones passaram a ser identificados como os distribuidores de maldição somente, eles não mais distribuíam bênçãos. Assim Podemos trazer para o nosso contexto, espiritualizando conforme o livro do apocalipse teremos então um retrato exato do nosso contexto político. Jo. 10. 10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” A classe política excetuando alguns, se auto-intitulam o protetor e o benfeitor do povo, em outras palavras são os distribuidores de benção daqueles pobres oprimidos de uma nação necessitada.

Ao confiar em uma classe corrompida esperando o cumprimento da promessa feita de que muitas bênçãos seriam “distribuídas” para a nação, percebeu-se apenas a distribuição de maldição, corrupção, mentiras, desvio de bilhões, enquanto o povo iludido padece com a escassez em todas as suas formas. Mas os daimones, o distribuidor de maldição (não de benção) ainda não contente, querem fazer o povo pagar o alto débito, que os ditos distribuidores criaram.

A analogia dos daimones ou dos distribuidores com certos políticos é perfeita, assim como no contexto bíblico esses distribuidores não distribuem bênçãos e também como na bíblia são identificados como os líderes de uma nação. É claro que o que permeava a mente das pessoas dos dias bíblicos era que o daimone era um semideus o qual foi rebaixado pouco depois para um ídolo sem valor.

1ª Co. 8. 4No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus.” No entanto, quer seja de uma forma espiritual, um ídolo ou mesmo um líder de uma nação como é o caso descrito em apocalipse, o daimone ou o distribuidor é sempre temido, e quase invencível, ora ele é um semideus. E  no nosso contexto, alguns políticos privilegiados que se sentem sobre a lei, que por outro lado exige a lei e a ordem, como se sentem?

Invencíveis inexpugnável, um verdadeiro semideus. Qual a perspectiva bíblica para este acontecimento, os distribuidores irão se converter e passarão a distribuir bençãos? Não! não só na questão religiosa, mas também na política a realidade será uma, 2ª Tm. 3. 13 “Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.”
   
Assim sendo, podemos dizer que na esfera humana, tais distribuidores são invencíveis. E devemos não viver iludidos, acreditando que tudo irá melhorar ou mesmo que a justiça será feita, que as bençãos prometidas para o necessitado da nação será distribuída, nada disso, o contexto nos mostra que os daimones ou os distribuidores só espalham a maldição, humanamente falando não há o que fazer.

Podemos somente esperar pelo cumprimento bíblico onde é dito que tais pessoas pagarão pelo seus feitos, Ap. 21. 8 “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.”

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Hebreus 4 apóia a guarda do sábado?

Os sabatistas se valem de textos os quais possam lhes dar uma segurança doutrinária. Principalmente os leigos, quando estes estão doutrinando recém convertidos. Imagine um membro sabatista instruindo alguém quanto a questão do sábado, naturalmente usará de todos os recursos para convencer o seu expectador e entre os vários textos usados destaco a carta aos hebreus capítulo 4.

Hb. 4. 1 Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado.” Sem sarcasmo, mas com honestidade quando um sabatista lê este verso logo lhe vem a mente o descanso sabático semanal. Outros versos relacionados podem ser citados, Hb. 4. 9-10 “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.”

Para os “guardadores do sábado” tais versos estão relacionados com o livro de Gênesis, ou mais  propriamente com a parte a qual relata que Deus cessou a sua obra criadora. No entanto, não encontramos nenhuma menção da palavra “Sábado”, no livro de Gênesis e também nenhum mandamento para a humanidade descansar, Gn. 2. 1-3 Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.”

Segundo o relato bíblico a primeira vez a primeira vez que houve uma ordem para se guardar o sábado se encontra em Êxodo capítulo 16 verso 23 Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o Senhor: Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar separai, guardando para a manhã seguinte.”  Os versos 29-30 também confirmam isso, “Considerai que o Senhor vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, descansou o povo no sétimo dia.”

Moisés, ao escrever Gênesis 2:1-3 sobre o descanso de Deus no sétimo dia, evitou usar o vocábulo Shabbth, porque segundo o autor inspirado, o Sábado só será imposto no Sinai, onde se tornará o sinal da Aliança Mosaica. O autor de Hebreus nos capítulos 3 e 4 também faz a mesma coisa para diferenciar a realidade (descanso de Deus) que “hoje” possuímos, da sombra (sábado semanal) que cumpriu sua função tipológica em Cristo, Cl. 2. 16-17 Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

O “descanso” de Deus registrado em Gênesis 2 existia antes da entrada do pecado e era uma realidade que continuou a existir, o Sábado foi dado para Israel como mandamento escrito no Sinai, após a entrada do pecado. Ao ensinar a Israel sobre a Antiga Aliança, Moisés estava “dando testemunho do que haveria de ser dito no futuro.” A Aliança Mosaica apresentada a Israel ensinou o povo de Deus sobre a vinda do Messias. Revelou-lhes seus pecados e sua necessidade de um Salvador. 

Tudo na Antiga Aliança apontava para Cristo. Tudo na Antiga Aliança foi cumprido Nele, até mesmo o Sábado.   Hb. 10. 1 Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Hb. 3. 7-8 Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto.”

Observem que este descanso NÃO é um determinado dia da semana. Não é o domingo, ou o sábado. É HOJE! A palavra grega katapausis traduzida por “repouso” ou “descanso” aparece 8 vezes no NT. Iremos ver apenas três deles. At. 7. 49 O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Hb. 3. 11 “Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.” Hb. 4. 1 “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado.”

Assim sendo esta palavra não se refere à palavra grega sabatton ou sábado. Dando-nos a entender que o sábado era apenas uma sombra física do descanso espiritual que seria dado pela fé em Jesus.  Em Cristo, o perfeito descanso espiritual que Adão e Eva perderam quando pecaram foi agora restaurado. As obras criativas de Deus foram concluídas em seis dias e no sétimo “dia” (yom) Ele descansou de Sua obra criadora. Deus ainda está nesse descanso atualmente. Deus nunca deixou seu descanso.  (Apesar de nunca ter se cansado) Ao contrário dos outros seis dias, o sétimo “dia” (yom) da criação não teve tarde ou manhã, nem fim.

Os israelitas receberam um símbolo cerimonial desse descanso, mas eles não conseguiram compreender para quem ele apontava. Nós estamos sendo chamados para esse descanso hoje através da fé em Jesus Cristo. Não estamos sendo chamados para uma sombra, mas para uma realidade. Estamos sendo convidados a retornar para o descanso espiritual que foi perdido no Éden. No relato da criação de Gênesis 1 e 2 há um fato curioso. Nos primeiros seis dias da criação fala-se da tarde e da manhã; em outras palavras, cada dia tinha seu começo e seu fim. Mas no sétimo dia, o dia do descanso de Deus, não se menciona absolutamente o sobrevir da tarde. A partir daqui os rabinos argumentavam que enquanto os outros dias se concluíam, o dia do descanso de Deus não tinha fim: era eterno e perdurável, o descanso de Deus não tem entardecer, mas sim perdura para sempre.

Portanto, ainda que na antiguidade os israelitas não tivessem podido entrar nesse repouso, este ainda permanecia, já que era um repouso eterno. Mesmo depois da entrada dos filhos de Israel na Terra Prometida sob a liderança de Josué, eles ainda continuavam fora do verdadeiro descanso de Deus. A Terra Prometida, assim como o sábado, era apenas uma sombra do descanso que Deus queria restaurar as pessoas. Há ainda um descanso para nós entrarmos, mas não é um determinado dia da semana. É o descanso espiritual que foi perdido no Éden e restaurado somente pela fé em Cristo. Hb. 4. 9 Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.”

Neste verso a palavra utilizada para repouso não é sabatton, mas sabbatismos. A palavra grega sabbatismos traduzida corretamente por descanso sabático,  não significa “guardar o sábado nem o domingo”. Não estamos sendo convidados a entrar no dia de sábado semanal (sabbaton), mas no descanso eterno de Deus (sabbatismos). Não estamos sendo convidados a descansar durante um dia da semana, mas para descansar eternamente em Cristo e na Sua obra consumada. Outro fato importante está na realidade de que seria desnecessário o autor da carta aos hebreus convidar ou relembrar os seus conterrâneos de que eles deveriam guardar o sábado. Portanto, este não foi um apelo para retornarem as obras do passado mais sim para visualizarem ou entrarem em um novo descanso e este espiritual. 










segunda-feira, 1 de maio de 2017

O mito e sua influência.

Que cristão não aprendeu que antes da criação do mundo houve uma revolta dos anjos, sendo os rebeldes expulsos do céu? Milton escreveu um drama muito poético no seu paraíso perdido, alias algo que deu os retoques do drama da queda para muitas denominações religiosas. No judaísmo tardio circulavam narrações a esse respeito. Foram introduzidas por um livro de Noé, perdido, do século II a.C. A lenda – diretamente emprestada dos cananeus – concretizara-se num apócrifo, o livro de Henoc, descoberto na Etiópia, em 1773.

Consta de 108 capítulos, redigidos originalmente e aramaico, e talvez em parte em hebraico, mas na época do descobrimento só se encontraram parte em etíope. Encontraram-se nada menos que 26 cópias porque a igreja etíope antiga considerava canônico esse livro. É reconhecido como primeiro livro de Henoc – 1 Hn. Ou então como Henoc etíope. Foi compilado entre o século II e primeiras décadas do século I AC.

Os 36 primeiros capítulos do apócrifo livro de Henoc 200 “guardiães” ou anjos sob o comando de Semyasa, decidiram ter filhos com as mulheres humanas. Cada guardião comportadamente tomou uma só esposa. Essas duzentas mulheres 3000 filhos os quais se tornaram gigantes. Segundo a narrativa do livro de Henoc foi quando os gigantes começaram a destruir devorar os homens, que aterrados clamaram a Deus.

Foi então que Deus enviou o Anjo Uriel para prevenir Noé do dilúvio com que planejava matar os gigantes; e para reprimir Semyasa, Azazel e demais anjos guardiãs, envia Miguel. No entanto, no livro de Henoc é dito que os demônios não são esses guardiões que abandonaram os seus postos naturais. Demônios segundo o livro de Henoc, são os espíritos dos gigantes mortos no dilúvio.  

Os diabos (anjos guardiãs rebeldes) que se organizaram militarmente com um chefe para cada dezena, foram vencidos pelas milícias de Miguel e acorrentados em grutas subterrâneas durante 70 gerações, até o dia do grande julgamento quando serão lançados, juntos com os homens maus, no lago de fogo (setenta gerações) é um número simbólico, ou um número incalculável de tempo. No entanto, os demônios (espíritos dos gigantes que foram mortos no dilúvio percorrem continuadamente toda a terra, fazendo mal aos homens, também esses serão condenados no dia do juízo.

Mais adiante nos capítulos 37-71 o livro de Henoc vai apresentar repetidamente Satã como chefe dos anjos rebeldes. Esta última parte do livro de Henoc é já bem próxima da época de Cristo. Outro livro apócrifo que também fala dos gigantes é o livro dos jubileus (jb) que também começou a ser escrito no II século aC. O livro de jubileus repete a ideia de que os anjos ou guardiãs vieram ao mundo ensinar aos homens, mas logo se apaixonaram pelas mulheres, quase todas as fontes desta lenda falam em relações sexuais com mulheres, não de homens com anjos femininos.

A origem da tradição da queda dos anjos derrotados por Miguel fica assim muito clara. Igualmente fica clara a origem da crença em demônios que atormentam os homens. Na interpretação da bíblia, os rabinos fantasiaram as relações sexuais dos “filhos de Deus” com os homens. No Talmud se ensina: todos estes anos (Adão) gerou espíritos, demônios e fantasmas noturnos; pois se diz: Gn. 5.3 “quando Adão tinha 130 anos gerou a sua imagem e semelhança” o que quer dizer antes tinha gerado seres que não eram à sua imagem e semelhança. E eles continuam dizendo em (Rabba 24. 6) 

Durante todo esse tempo, da mesma maneira que Adão fecundava demônios femininos, Eva ficava grávida de demônios masculinos, dando-lhes abundante descendência. Nota-se claramente um erro de interpretação descomunal por parte dos rabinos, ou na verdade o que falou mais alto em sua teologia foi a crença no mito e nas lendas, eis o texto base para sua interpretação equivocada Gn. 6. 1-2 Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.”

Aqui não cabe outra interpretação a não ser aquela que diz que os filhos de Deus e os filhos dos homens são na realidade seres humanos, o que o contexto anterior nos mostra são as disposições e inclinações do “espírito”, ou seja, a definição da espiritualidade de cada um, mas aceitar as palavras filhos de Deus como sendo seres espirituais só mesmo influenciados por mitos e lendas.

Talvez a parte do verso que mais contribuiu para o surgimento dessa lenda foi este Gn. 6. 4 “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.” Assim sendo a lenda judaica e cristã muito difundida identificará estes “filhos de Deus” com os diabos ou anjos que pecaram. Os gigantes filhos dos anjos também são identificados como os demônios.

Mais tarde se lerá no livro apócrifo chamado Eclesiástico 16. 8 “Os gigantes antigos não imploraram perdão de seus pecados, e foram destruídos, apesar de confiados na própria força.” Aconteceu como disse anteriormente, os judeus foram influenciados pela cultura circunvizinha e não interpretaram na integra a intenção real da bíblia, Jó 1. 6 Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.” Seria este ser um satanás espiritual?

A crença tradicional diz que sim, mas repare o que outro texto bíblico nos mostra Dt. 32. 8 “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel.” Algumas traduções dizem, (segundo o número dos filhos de Deus.) O livro dos jubileus corrige 1 Hn. Mostrando que o diluvio aconteceu para castigar os anjos e gigante, não os homens,  ora é a mesma coisa, se o diabo me leva a pecar, logo que culpa tenho eu.

Gn. 6. 5Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.” Sem a influencia dos mitos e lendas vemos a bíblia dizer claramente que a maldade procede diretamente dos homens, não de anjos caídos. Assim, em ocasião de acontecimentos maldosos e quando a bíblia fala de demônios, deuses, ela está simbolizando e penalizando  apenas o homem pecador.

Não se pode descartar a realidade de que os escritores bíblicos, por serem seres humanos, sofreram influências enormes de mitos e lendas dos povos que os cercavam, principalmente pelo fato de terem sofridos influencias de diversas culturas. Infelizmente no florescente cristianismo ocorreu o mesmo, ao invés de se desvencilhar da superstição os primeiros cristão se apegaram a ela, isso pelo fato de estarem presentes na cultura greco romana. Mas o que isso tem a ver com a fé em Deus? Nada, não precisamos de dualismo, o mito não atrapalha a realidade, devemos depurá-lo, somente isso.




             

domingo, 16 de abril de 2017

Seria o domingo a marca da besta?

Acredito que as profecias bíblicas principalmente aquelas encontradas no livro do apocalipse, na sua grande maioria não tiveram a sua total conclusão, assim sendo me enquadro entre aqueles que acreditam que o cumprimento bíblico profético como sendo histórico e progressivo no que diz respeito aos acontecimentos. Neste blog é possível encontrar assuntos relacionados, porém não acredito que este assunto possa ser esgotado ou mesmo solucionado no momento presente. E por acreditar que o assunto marca da besta esteja no futuro sinto a necessidade de pesquisá-lo, existem várias interpretações utilizadas pelas denominações religiosas, com o objetivo de decifrar a marca da besta e entre elas destaco a interpretação dada e ensinada pela igreja adventista do 7º dia.

A igreja adventista do 7º baseada nas declarações de sua profetiza Ellen G. White, ensina por meio de suas publicações de que a marca da besta será posta naqueles que rejeitarem o mandamento do sábado; eis algumas declarações da própria E.G.W. “O selo de Deus jamais será colocado à testa de um homem ou mulher impuros. Jamais será colocado à testa de um homem ou mulher cobiçosos ou amantes do mundo. Jamais será colocado à testa de homens ou mulheres de língua falsa ou coração enganoso. Todos os que recebem o selo devem ser imaculados diante de Deus”. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 71.

“O primeiro dia da semana. A observância desse dia é o sinal da besta.” Testemunhos Para Ministros, pág. 133. “O sinal da besta é o dia de repouso papal.” Evangelismo, pág. 234. “O sinal, ou selo, de Deus é revelado na observância do sábado do sétimo dia - o memorial divino da criação. ...A marca da besta é o oposto disso - a observância do primeiro dia da semana.”  Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 232.

“Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma - "o sinal da besta". E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber "o sinal da besta". O Grande Conflito, pág. 449.

O verso bíblico mais utilizado pelos adventistas para tentar dar suporte a este ensinamento se encontra em Ez. 20. 20 Santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, vosso Deus. Assim sendo para os adventistas, quando o verso diz que o sábado serviria de sinal entre Deus e o povo argumentam que isso significa Deus marcando ou selando o seu povo. Essa premissa pode ser validada? Bem, para isso será necessário analisarmos ao menos dois fatores: (contexto e época).

Se abrirmos a bíblia em Ezequiel capítulo 20 veremos que o contexto está relacionado à trajetória dos judeus desde o êxodo, naqueles dias do cativeiro o povo foi ter com Ezequiel a fim de que ele consultasse a Deus, Ez. 20. 2-3Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, fala aos anciãos de Israel e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Acaso, viestes consultar-me? Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, vós não me consultareis.”

E o capítulo continua sua narrativa... Ez. 20. 6-7 Naquele dia, levantei-lhes a mão e jurei tirá-los da terra do Egito para uma terra que lhes tinha previsto, a qual mana leite e mel, coroa de todas as terras. Então, lhes disse: Cada um lance de si as abominações de que se agradam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor, vosso Deus.”

Percebe-se claramente a quem estão sendo dirigidas as palavras, sim exato, para os judeus que estão no cativeiro babilônico juntamente com o profeta Ezequiel. Eles estão ouvindo uma narrativa daquilo que aconteceu com os seus pais, Ez. 20. 10-12 “Tirei-os da terra do Egito e os levei para o deserto. Dei-lhes os meus estatutos e lhes fiz conhecer os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.”

Aqui percebemos três questões importantes, “tirei-os da terra do Egito” comprovadamente está se referindo aos judeus, “os quais cumprindo-os viverá por eles” Isso significa cumprir toda e qualquer lei, não só partes dela. “sinal entre Mim e eles” naturalmente está se referindo a Deus e aos judeus, não pode ser diferente. E para ser breve repare que o contexto claro e decididamente refere-se aos judeus, Ez. 20. 36-38 Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus. Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança; separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim; da terra das suas moradas eu os farei sair, mas não entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor.”

E a época para quem foi direcionada essas palavras claramente se vê pelo contexto. Outro fato interessante é quando o verso diz que o sábado será um “sinal” (naturalmente está se referindo aos judeus) não está de modo nenhum dizendo que é uma marca como é dito em apocalipse 13. A palavra sinal de Ezequiel 20. 20 quer dizer marca distintiva, lembrança, advertência. Ap. 13. 16 A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte.”

Já a palavra grega para marca em apocalipse 13 é charagma e quer dizer marca impressa, algo esculpido, é a mesma palavra que é utilizada para gravar as marcas em escravos nos dias bíblicos. Como vimos acima E.G.W Argumenta e garante que o domingo como sendo o dia de guarda é a marca da besta, o oposto disso seria o sábado como sendo o selo de Deus. No entanto, surgem algumas questões pertinentes, questões essas que devem ser avaliadas.

Primeiramente devemos situar o nosso contexto, atualmente existe um número muito grande de ateus e outros irreligiosos os quais não estão se importando com dias religiosos, assim sendo esse grupo não estaria recebendo nem uma marca nem outra e isso contraria o que está escrito no livro do apocalipse 13. 16 onde é dito que a marca atingirá a todos, os pequenos e os grandes sem distinção. Outro argumento utilizado pelo meio adventista está baseado em 1ª Co. 2. 14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
                              
Este pressuposto é utilizado baseado na alegação de que o sábado é a marca de Deus, alegam que aqueles contrários não são tidos como sendo espirituais pelo fato de não aceitarem tal interpretação. Mas, surge um problema se o selo de Deus é espiritual o da besta também não deveria ser? Sim, mais é, dizem eles. Ora se o selo da besta é espiritual, como pode alguém que não é espiritual receber uma marca espiritual? Existe um contra senso nesta afirmação. Por outro lado baseado na declaração de apocalipse onde é dito que a marca será algo visível impresso, não faz sentido afirmar dizendo que será uma marca espiritual principalmente pelo fato dos receptores não compreenderem o que se trata.

Os adventistas estão certos em afirmar que o dia bíblico e mesmo o sábado era observado de por do sol a por do sol, sabemos também que nos nossos dias, o dia é marcado de meia noite a meia noite, assim sendo o dia da semana seja ele qual for não serve para ser a marca da besta, ora baseado na informação de E.G.W não observar o sábado e isso de por do sol até o outro por do sol estará pegando a marca da besta, seria possível? Não! Posso muito bem não comprar no sábado e nem no domingo, existem os cinco dias da semana para poder comercializar.

Isso baseado na sua declaração de que quem observa o sábado tem o selo espiritual, não poderá nem comprar nem vender, ora se não existe nada dizendo ou identificando, o que impedirá alguém de comercializar? O simples fato de ser guardador do sábado? Vamos imaginar algum sabatista após o por do sol do sábado entrando em um estabelecimento comercial, segundo a contagem de por do sol a por do sol ele não estaria transgredindo o sábado, visto que para a mentalidade contemporânea ele esta negociando no dia de sábado, sim, o sábado só finda à meia noite...              
 
Assim sendo não faz sentido dizer que o sábado será o divisor, definindo quem irá ou não pegar a marca da besta. Não existe como parar o comercio, pelo simples fato da interrupção do fim de semana, outro fato interessante é que a bíblia diz que a marca será colocada na fronte ou na mão, assim sendo, como é ter uma marca espiritual fixada na mão? Em outras palavras como é ter o domingo “fixado” na mão?  


sábado, 1 de abril de 2017

Os gentios e a questão da impureza parte 2

O movimento adventista se orgulha em dizer que exclusivamente possui a mensagem de saúde, inclusive referem-se a tal mensagem (reforma de saúde) como sendo um anexo as três mensagens angélicas encontradas no livro do apocalipse capítulo 14. Para isso, valem-se das declarações de sua profetiza E.G.W. Assim sendo, a mensagem adventista ensina para os seus convertidos que a mensagem de saúde consiste em se voltar ao máximo para o vegetarianismo.

Primeiramente nós encontramos a seguinte declaração de E.G.W. No livro Conselhos Sobre Saúde, pág. 20 “A reforma da saúde é um dos ramos da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. Ela está tão estreitamente relacionada com a mensagem do terceiro anjo”. Em outro livro ela diz: “Os que têm sido instruídos com relação aos efeitos prejudiciais do uso da alimentação cárnea, do chá e do café, bem como de comidas muito condimentadas, e que estão resolvidos a fazer com Deus um concerto com sacrifício, não hão de continuar a satisfazer o seu apetite com alimentos que sabem ser prejudiciais à saúde”. Conselhos Sobre o Regime alimentar, pág. 381.

Baseado apenas nestas duas declarações de E.G.W. Podemos descrever que para ela a proibição por parte de Deus no AT. Com relação às carnes imundas, significa algo prejudicial à saúde dos judeus. Seria isso uma realidade bíblica? Não, a bíblia não faz diferenciação entre impurezas; por exemplo: não diz que a impureza dos animais era diferente de qualquer outra impureza, e isso nós veremos mais a frente.

Neste assunto não iremos entrar na questão das mensagens angélicas de apocalipse 14, o objetivo aqui é tratar um pouco mais, a respeito da impureza descrita na bíblia. Na atualidade nós somos sabedores que realmente existem determinados tipos de produtos relacionados como alimento, os quais são prejudiciais, entre eles podemos destacar: os refrigerantes e os embutidos, no entanto, na atualidade em se tratando de alimentação, o que na verdade não está contaminado? Em outras palavras, o que não é prejudicial?

No entanto, apesar da IASD. Fazer um trabalho de conscientização com respeito a esses tipos de produtos que ora temos como alimentícios, a ênfase, maior é dada com relação ao alimento cárneo, e as carnes ditas como imundas são as principais. A questão principal deste assunto a ser abordado é: estaria Deus instruindo o povo do AT. A não consumir determinadas carnes tidas por imundas por questão de saúde? Como dito acima, a bíblia não diferencia, por exemplo, a imundície relacionada ao porco com relação ao cadáver.

Se fizermos uma busca detalhada, veremos que a palavra imunda no hebraico é tame’ e não diz respeito à saúde, mais sim a questão religiosa, cerimonial, sexual. Ou seja, alguém poderia se poluir sexualmente, se corromper religiosamente, ou não estar puro, cerimonialmente. A palavra (tame’ imundo no hebraico) não quer dizer que determinadas carnes contém vermes e bactérias. Não estou defendendo nem mesmo incitando o consumo de carnes, seja ela de qual animal for, come quem quer.

Sabemos também que a carne de porco pode ser prejudicial para algumas pessoas, aqui no Brasil costumamos chamar este tipo de carne, de carne remosa, é um tipo de irritação que provoca alguns pruridos e urticárias, claro está que não são todas as pessoas que são propensas a este tipo de desconforto. O mesmo podemos dizer da carne bovina, algumas pessoas também são alérgicas e são impossibilitadas de consumi-la. No entanto, todas elas após o abate são propensas as bactérias, contudo, se cozidas adequadamente tais bactérias não serão prejudiciais. 

Dt. 7. 15 O Senhor afastará de ti toda enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das doenças malignas dos egípcios, que bem sabes; antes, as porá sobre todos os que te odeiam.” É comum entre os adventistas dizerem que a saúde prometida por Deus advêm da obediência ao que eles entendem por leis de saúde, fica claro, no entanto, que a promessa de Deus está baseada na observância de toda a aliança, ou seja, seria uma bênção sobrenatural, e não simplesmente um resultado de uma dieta natural.

A questão do puro e impuro no AT. Vai muito além de comer ou não comer, por exemplo: Lv. 11. 39-40 Se morrer algum dos animais de que vos é lícito comer, quem tocar no seu cadáver será imundo até à tarde; quem do seu cadáver comer lavará as suas vestes e será imundo até à tarde; e quem levar o seu corpo morto lavará as suas vestes e será imundo até à tarde.” Naqueles dias mesmo um animal próprio para consumo não poderia ter o seu cadáver tocado, tocar em um animal considerado limpo é algo impróprio para a saúde? Na realidade a própria expressão, “imundo até a tarde” confirma  o mandamento cerimonial e exclui a questão da saúde.

 Outra questão que deve ser bastante enfatizada é a expressão hebraica para impuro e imundo, como vimos acima a palavra tame’ nos revela que não se trata de uma questão de saúde mais de impureza, não uma impureza interna, mais sim cerimonial. Is. 52. 1Desperta, desperta, reveste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupagens formosas, ó Jerusalém, cidade santa; porque não mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo.”  Isaías falou de algum judeu que estava com problemas de saúde? Não, ele se referiu aos judeus que não cumpriam os mandamentos e assim se tornavam impuros, impróprios, inadequados para participar da religião judaica.

Outro fato importante a ser lembrado é que a palavra de Isaías 52. 1 para imundo é a mesma para designar os animais impróprios para o alimento, é a palavra tame’. Lv. 11. 44 “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra.”  Ao saírem da terra do Egito, o objetivo de Deus para o povo judeu é que eles fossem diferenciados, ou separados, santo no original.

Os animais representavam isso, limpos ou impuros, referindo-se aos judeus e gentios. Lv. 20. 26 “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.”  Tanto é assim que os não judeus poderiam comer aquilo que para os judeus era proibido, Dt. 14. 21 “Não comereis nenhum animal que morreu por si. Podereis dá-lo ao estrangeiro que está dentro da tua cidade, para que o coma, ou vendê-lo ao estranho, porquanto sois povo santo ao Senhor, vosso Deus...” 


Se a questão da impureza alimentar estivesse relacionada a saúde, naturalmente Deus não iria permitir que os não judeus que habitavam em Jerusalém comessem de tais alimentos. Fato é que isso poderia se transformar em uma epidemia, e assolar até mesmo o povo da aliança.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Comer ou não comer. Os gentios e a questão da impureza.

Vimos em outro assunto que os animais impuros representavam os gentios, para isso usei passagens bíblicas tais como: Lv. 11. 45-47 Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo. Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda alma vivente que se move nas águas, e de toda criatura que povoa a terra, para fazer diferença entre o imundo e o limpo e entre os animais que se podem comer e os animais que se não podem comer.”

Lv. 20. 25-26 “Fareis, pois, distinção entre os animais limpos e os imundos e entre as aves imundas e as limpas; não vos façais abomináveis por causa dos animais, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra, as quais coisas apartei de vós, para tê-las por imundas. Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.”

E que também a proibição não se referia a questão de saúde. Pelo fato de algumas plantas serem venenosas, mas nem por isso elas estão listadas como algo proibido. Naturalmente nem todas as carnes são fontes de alimento, mas a bíblia também não diz se o camelo tem mais bactérias do que as vacas, nem mesmo porque as abelhas são consideradas imundas e o mel produzido por elas é próprio para alimento. A bíblia se limita a dizer: puro e impuro.

Outra questão bastante relevante está no fato da bíblia relacionar a questão cerimonial com um período de tempo; lembrando sempre, na maioria das vezes aqueles que se tornavam impuros eram considerados como tais, até a tarde. Lv. 11. 31Estes vos serão por imundos entre todo o enxame de criaturas; qualquer que os tocar, estando eles mortos, será imundo até à tarde.” Isso significa que estou estimulando as pessoas a comerem qualquer coisa? Bem, cada qual come e bebe o que quiser, mas não é isso, Eu mesmo me restrinjo a comer o que não gosto e aquilo que pode não me fazer bem.

O que estou dizendo é que a proibição encontrada no AT. Não se referia a questão de saúde, mas sim uma questão religiosa cerimonial, ou seja, a separação de judeus e gentios, isso é confirmado no NT. O livro de Atos nos diz mais sobre isso; At. 10. 9-14 “No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar. Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda.”

Antes de tudo quero dizer que estes versos não provam nem apoiam nada sobre a questão de comer animais considerados imundos, Pedro teve uma visão, e o que ele viu estava relacionado com aquilo que ele mais desejava naquele momento, Pedro estava com fome. Tanto é assim que ele mesmo passa a narrar os acontecimentos, At. 10. 17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta.” 

Pedro mesmo reconheceu ser uma visão, não uma ordem direta para comer o que lhe foi apresentado; os versos a seguir mostram o significado da visão, At. 10. 28 “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” Os animais aparecem para Pedro em algo semelhante a um lençol suspenso, depois os homens do Centurião romano Cornélio aparecem na casa onde ele estava hospedado, e depois o próprio Pedro diz, que após a nova aliança não podemos considerar ninguém imundo. Isso demonstra claramente o que significava a proibição de comer e não comer certos tipos de animais.

Assim sendo a visão de Pedro relatada em atos capítulo 10 demonstra claramente que os gentios outrora considerados impuros sob a nova aliança, não mais são considerados como tais. Porém, o contexto do assunto nos mostra que o panorama principal não é a liberação dos alimentos considerados impuros que está sendo destacado, isso é claramente demonstrado, o que está sendo enfatizado é que os gentios representados pelos animais suspensos numa espécie de lençol, não mais são considerados imundos ou impuros para o reino de Deus.

Assim sendo muitos se encherão “daquele orgulho denominacional” e dirão: - “lógico, o contexto está tratando de uma aplicação simbólica, não uma realidade literal”. Sim, isso é uma realidade, no entanto, não podemos desassociar os fatos, se para um judeu como foi o caso de Pedro, os gentios eram considerados impuros, ou mesmo imundo como certo tipo de animal, para ele ficou nítido que tais pessoas consideradas impuras as quais foram representadas por animais não eram mais consideradas assim.

Em outras palavras, se Pedro compreendeu que os gentios foram purificados, naturalmente aquilo que os representava foram também. At. 10. 34-35Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” At. 11. 7-9 “Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Ao que eu respondi: de modo nenhum, Senhor; porque jamais entrou em minha boca qualquer coisa comum ou imunda. Segunda vez, falou a voz do céu: Ao que Deus purificou não consideres comum.”

A objeção pode ocorrer da seguinte forma: - “o verso está dizendo que as pessoas foram purificadas não os animais.” Sim, no entanto, o que está sendo usado para demonstrar a purificação das pessoas são os animais. Foi o que Eu disse, Pedro deve ter entendido que ambos foram purificados, ele não poderia desassociar um do outro, ou seja, como ele poderia acreditar que os gentios foram purificados mas aquilo que os representava não  foi; parece que Paulo também não teve problemas para fazer a associação.

Rm. 14. 14 “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura.” Aqui Paulo está falando de alimento, e não é só isso a palavra grega para coisa é oudemia e quer dizer nada, ninguém. 1ª Co. 10. 25 “Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência.” Aqui muitos objetarão dizendo: -“ele está falando de comida sacrificada aos ídolos.” Sim pode ser, mais será que aquele que sacrificava aos ídolos se preocupava em sacrificar somente alimentos considerados puros? A palavra mercado é makellon e quer dizer, lugar onde carne e outros artigos alimentícios eram vendidos, açougue.

Portanto, cada qual come e bebe o que quer, muito propriamente aquilo que em nossa sociedade temos como alimento, mas dizer que isso e aquilo são proibidos pelo fato do AT. Dizer, não é correto, muito menos dizer que tais leis foram dadas por motivos de saúde.