quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A "coluna" do adventismo, sem base.

“A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento, foi: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Dn. 8.14. GC. Pág. 409. Esta declaração de E.G.W revela que caso a doutrina adventista do santuário celestial caia por terra de nada valerá a pretensão adventista de única igreja verdadeira.

Como ela mesma afirma a doutrina do santuário é tanto a base, como a coluna central da fé dos adventistas do 7º dia. Os textos bíblicos utilizados pelos adventistas para “confirmar” tal doutrina é Daniel 8.14. Neste estudo veremos que a base da doutrina adventista é sem fundamento e se é sem fundamento, a pretensão de ser a igreja verdadeira também é sem fundamento.

Para os adventistas tanto Daniel capítulo sete como o capítulo oito representam Roma, para eles, o capítulo (8) representa a fase imperial e o outro (7) a papal. Será que procede? Não! não procede. Vejamos as diferenças:

Capítulo sete.

O chifre pequeno do capítulo sete está associado a uma besta que representa o quarto império.

Capítulo oito.

O chifre pequeno do capítulo oito está associado a uma besta que representa o terceiro império.

Surge diretamente da cabeça da besta.

Surge de um chifre já existente.

Aparece em meio aos 10 chifres já existentes (o que, segundo a teologia ASD, ocorre depois que o quarto poder se dividiu em 10 partes).

Não nasce da cabeça do bode

É um poder recente, novo, que surge do corpo do antigo império e em meio de suas várias partes.

Sai de um dos quatro chifres da cabeça do bode

É um chifre que nasce de uma besta.

É um chifre que nasce de um chifre.

Arranca três chifres durante seu surgimento.

Não arranca nenhum chifre durante seu surgimento

Diz-se ser diferente dos outros 10 chifres, indicando que este chifre seria um poder novo e diferente.

Nada indica que este chifre seja novo ou diferente em maneira alguma.

As palavras aramaicas para chifre pequeno em 7:8 se traduzem precisamente como “outro chifre, um pequeno”

As palavras hebraicas para chifre pequeno em 8:9 se traduzem precisamente como “um chifre de pequeno tamanho”.

É “mais robusto do que seus companheiros” (v. 20). Em outras palavras, representa um poder mais forte que os que estão simbolizados pelos outros 10 chifres.

É um chifre que sai de um chifre, um “chifre de pequeno tamanho”. É insignificante quando se compara com os quatro “chifres notáveis” e o chifre original alexandrino do bode.

Seu campo de influência é a totalidade do quarto império, pois surge da cabeça da besta e se converte no chifre dominante entre os outros dez chifres. Se levanta contra “o Altíssimo” e os “santos do Altíssimo”. Estes são os santos de Deus através de todo o quarto império.

Pertence somente a uma das quatro divisões do poder do bode. Sua atenção se restringe principalmente a uma província menor de uma divisão do império do bode (Grécia), ou seja, a “terra gloriosa” do versículo 9, que é a Palestina.

A malevolência é dirigida contra o povo judeu, seu sumo sacerdote, os sacrifícios, e o santuário.

Dn. 8.23- (Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei feroz de cara e especialista em intrigas.) A palavra rei para este verso é Melek que quer dizer rei e não malkuw que quer dizer reino, portanto o verso 23 está tratando de uma pessoa, um rei e não do império romano e sua extensão. Dn. 8.11-12.

(Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou.) O príncipe do exército é Jesus? De maneira nenhuma o verso está dizendo isso. A palavra príncipe é SAR e é o mesmo que, governante, líder, chefe, comandante, oficial, capitão, líderes, príncipes (referindo-se a ofícios religiosos).

O sacrifício diário foi tirado por este rei por causa das transgressões, transgressões não dos cristãos como diz EGW, mais sim dos judeus dos dias de Daniel. Outro fato que joga por terra a interpretação adventista é a questão das tardes e manhãs. Dn. 8.14- (Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.) A palavra tarde deste verso é ereb, é o mesmo que tarde, por do sol, e manhã boqer que quer dizer fim da noite, nascer do sol. O verso está dizendo literalmente 2300 tardes e manhãs. Caso fosse 2300 dias a palavra deveria ser yowm que quer dizer dia. Outro fato bastante relevante e que contribui grandemente para jogar por terra a teoria adventista do santuário está no fato da purificação do santuário de Daniel 8.14 nada tem a ver com a purificação de Levítico 16.

A palavra purificado de Daniel é tsadaq que quer dizer, ser justo, ser correto, ao passo que o verso de Levítico 16.33 que fala sobre a expiação é kaphar que é o mesmo que cobrir, purificar, fazer expiação, fazer reconciliação. Percebemos então que os versos são completamente diferentes, e nada tem a ver a purificação do santuário Levítico com as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8.14.

domingo, 21 de agosto de 2011

O Reino de Deus. No céu, ou na terra?

O tema do reinado messiânico sobre a terra tem causado repulsa para alguns leitores, isso acontece devido ao ensinamento tradicional da morada no céu que permeia a mentalidade cristã, e que contrasta com este ensinamento. Sendo assim, já com as mentes cristalizadas muitos resistem a estudar e acima de tudo em aceitar essa maravilhosa realidade bíblica.

No entanto, o ensinamento sobre o reino milenar do Messias sobre a terra não é um tema novo, remonta desde os dias bíblicos, antes mesmo da era cristã. Contudo, os defensores da morada no céu argumentam que só se consegue explicar a doutrina do reinado milenar sobre a terra baseado em textos bíblicos isolados. Percebe-se, porém através dos relatos bíblicos, que isso não é uma realidade, não passa de desculpas de pessoas que querem fazer prevalecer os seus ensinamentos.

Creio que o mesmo argumento deve ser usado para inquirir como se conseguem estabelecer a doutrina da morada no céu, não seria também um sequestro dos textos bíblicos do seu contexto? Ou melhor, quais os textos bíblicos que comprovadamente ensinam sobre a morada no céu?Analisaremos alguns textos sobre a morada no céu, ou que são erroneamente utilizados para sustentar tal doutrina. Mc. 10: 21; E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.

Faz-se necessário duas perguntas: ter um tesouro no céu, significa possuir tal tesouro no céu mesmo? Ou é uma forma de declarar a “recompensa” resultante do altruísmo do jovem rico? O fato de distribuir a sua e riqueza aos pobres, o individuo seria galardoado com uma riqueza eterna no reino de Deus, [reino no céu significa durabilidade em contraste com a efemeridade das riquezas humanas.] Tanto é assim que o próprio Jesus disse no verso 23 que dificilmente os que possuem riquezas e põe o seu coração na mesma entrarão no reino de Deus. Mt. 6: 19-21; Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Longe de fortalecer a doutrina da morada no céu este verso não apoia tal idéia como também esclarece o verso anterior. De que forma podemos acumular tesouros no céu? Naturalmente Jesus utilizou aqui de uma linguagem figurada, o acumular tesouro no céu é na realidade priorizar, ter em maior estima o reino de Deus ao invés do reino dos homens. Jo. 14: 2-3; Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

Algumas citações interessantes: (1) Jesus não disse que os levaria para o céu, é pura dedução teológica pelo fato de Jesus ter subido ao céu. (2) algumas traduções dizem onde eu estou, significa que após o seu retorno os discípulos estarão em Jerusalém com Jesus? pois é ali que eles estavam. (3) Outras traduções dizem, onde eu estiver... Dá no mesmo, continua indefinido o lugar, o verso por si só não prova nada. A idéia de ir para o céu após a morte, ou mesmo em ocasião futura entra em choque com o verso de apocalipse 21: 3; Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles .

Encontramos neste verso ao menos três questões que são obstáculos para a doutrina da morada no céu, examinaremos as palavras grafadas e são elas: Eis, do Grego Idou que significa: veja! olhe! repare! Denotando uma novidade. Não seria novidade nenhuma para os salvos no céu. A segunda é habitará, se olharmos do ponto de vista do nosso idioma significa que Deus estará conosco e consequentemente nós com ele somente após a descida da nova Jerusalém, o que é uma realidade, pois habitará está no futuro. No Grego esta palavra é Skenoo que quer dizer: fixar, permanecer, residir em um tabernáculo. A terceira do ponto de vista do Português, também está no futuro, no original é esomai do verbo “estar”.

Outro verso utilizado se encontra em Fl. 3: 20; Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Utilizar este verso para provar a morada no céu é forçar a interpretação bíblica, Paulo está primeiramente contrapondo o modelo de muitos que se diziam cristãos, mas que na realidade eram tremendamente mundanos. Outro fato é que o verso por si só nos leva a compreendermos que (1) o modelo do reino vindouro é celestial, ou seja diferente do que conhecemos atualmente, (2) ...também aguardamos o Salvador... A palavra “também”pressupõe que, assim como aguardamos o Messias, devemos aguardar a pátria, o modelo o reino ou mesmo a nova Jerusalém.

O ensinamento puro e bíblico nos mostra que Jesus veio cumprir tudo que foi declarado pela lei e os profetas, Lc. 24: 44; A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Jesus disse ...tudo o que de mim está escrito... A profecia do servo sofredor, simbolizando o cordeiro de Deus, se cumpriu exatamente como disseram os profetas, naturalmente devemos esperar que a profecia do Jesus assentado sobre o trono de Davi se cumpra, pois assim declararam os profetas, 2ª Sm. 7: 12-16; Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.

Os defensores do reino “no céu” dirão: “este texto deve ser aplicado aos dias de Davi, ele fala imediatamente de Salomão, não do Messias.” É uma realidade, porém a profecia bíblica teve um começo uma promessa e portanto vários protagonizadores até o Cristo, é a ordem natural. 1ª Cr. 17: 14; Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será estabelecido para sempre. A palavra sempre desse verso é olam e quer dizer: longa duração, para sempre, etc. Mediante isso cabe uma pergunta: falhou Deus em cumprir a sua promessa? Foi condicional como afirmam os adventistas?

Vejamos: Sl. 89: 3-4; Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo: Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração. Reparem que Deus fez uma aliança, e não diz que ela seria condicional. Sl. 89: 35-37; Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?): A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço. O sol e a lua deixaram de existir? Se eles são utilizados nestes versos como sinal de fidelidade ao cumprimento da aliança entre Deus e Davi, como a aliança pode ter sido condicional?

Quando Cristo nasceu Israel já se encontrava sem rei, isso se deu devido a transgressão dos líderes e consequentemente do povo, o resultado foi o cativeiro e a deposição dos monarcas. Esta seria a oportunidade para que as promessas feitas a Davi pudessem ter sido anuladas. Lc. 1: 31-33; Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. A promessa e a profecia de que alguém se assentaria sobre o trono de Davi estavam cumpridas, e rejeitar este fato é rejeitar os escritos bíblicos.

Percebemos então que vários homens se assentaram sobre o trono de Davi, mas não foram o Messias. Nós cristãos acreditamos que o anjo falou literalmente com Maria, mãe de Jesus. Para os que crêem numa morada no céu, estaria o anjo equivocado? Pois, ele disse com relação a Jesus: ...e o Senhor lhe dará o trono de Davi... Sabemos que Davi reinou na terra e não no céu. Baseado nas promessas e nos escritos dos profetas o que esperavam os judeus nos dias de Cristo? At. 1: 6-7; Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor será este o tempo em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade. Notem que ao indagar sobre a restauração do reino a Israel, Jesus não mencionou que os seus discípulos estavam equivocados quanto ao local e a restauração, apenas disse que tal acontecimento daria em ocasião determinada por Deus.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

E o diabo? Parte 3.

Os Setenta traduziram o verbo stn por endiabállô em grego; que significa caluniar nas línguas vernáculas, (própria do país de origem) (e o substantivo Satã os Setenta traduziram por Diábolos, que significa caluniador). O termo Satã, e satanizar, tão freqüente no Antigo Testamento, são substituídos algumas vezes na tradução grega dos Setenta pelo termo Ho Diábolos (o Diabo), e na forma verbal pelo termo endiabállô (ao pé da letra haveria que traduzi-lo por "endiabrar"). Diabo e Satã, ou Satanás, são sinônimos.
O substantivo Satã ou Diabo, além das 15 vezes que aparece no Antigo Testamento e mais 6 vezes na forma verbal no Novo Testamento, Satanás aparece 37 vezes. Diabo, ou Diábolos, não procede de diáxo (= despedaçar) como afirma a Enciclopédia Britânica, senão de diabállô, isto é, bállô = arrojar, com o prefixo diá = através de: Expulsar através de. O verbo diabállô e o substantivo diábolos passaram a significar, substituindo o efeito pela causa, a ação e a pessoa que apresenta cargos com intento hostil, falsa ou caluniosamente (para "arrojar", "expulsar", "derrubar" alguém). Hostilidade é este o significado que corresponde à palavra hebraica Satã.
A escolha da palavra Diabo para substituir a palavra Satã na tradução dos Setenta é alusão à lenda da queda dos anjos rebeldes. Qual cristão não aprendeu que antes da criação do mundo houve uma guerra de anjos rebeldes, capitaneados por Lúcifer, sendo derrotados pelos anjos bons, capitaneados por Miguel, e sendo então os rebeldes arrojados do Céu? Milton escreveu um drama impressionante no seu livro Paraíso Perdido. Tudo lenda.
No judaísmo tardio circulavam lendas a esse respeito. A lenda da queda dos anjos foi introduzida pelo Livro de Noé, perdido. Este livro de lendas, para dar prestigio a coletânea, foi atribuído nada menos que ao Patriarca Noé. Na realidade este livro é do século II a.C. Os judeus estavam rodeados de povos cujas mitologias falavam de guerras de deuses. Mas, eles pensaram: Como pode haver guerras de deuses, se só existe um Deus? E o Livro de Noé transformou a guerra de deuses em guerra de anjos.
Livro de Henoque. O mito da guerra dos deuses, diretamente emprestado dos cananeus, concretizou-se numa outra coletânea de lendas, o Livro de Enoque, descoberto na Etiópia em 1773. Consta de 108 capítulos, redigidos originariamente em aramaico, e talvez em parte em hebraico, mas na época do descobrimento só se encontraram cópias em etíope. Encontrou-se nada menos que 26 cópias, porque a Igreja etíope antiga considerava, erradamente, esse apócrifo como canônico, como pertencente à Bíblia. É conhecido como Primeiro Livro de Enoque (1Hn) ou então como Enoque Etíope (Hn-et).
Hoje já possuímos fragmentos em hebraico e, mormente em aramaico, encontrados em Qumran, nas cavernas dos antigos essênios junto ao Mar Morto. Não tem unidade. É mais uma coleção de peças de diversas origens e antigüidades, compiladas entre o século II e primeiras décadas do século I a.C. Segundo os primeiros 36 capítulos do Livro de Enoque 200 anjos guardiães, sob o comando de Semyasa decidiram engendrar filhos com as mulheres da nossa Terra. Cada guardião comportadamente tomou uma só esposa. Essas duzentas mulheres geraram 3.000 gigantes. Segundo o Livro de Enoque, os anjos guardiães teriam ensinado aos terráqueos a fabricação de armas, a produção de cosméticos, à adivinhação pelos astros e a feitiçaria. Mas aconteceu que os gigantes começaram a devorar homens... E os homens, aterrados, clamaram a Deus.
O Altíssimo envia então o anjo Uriel para prevenir Noé do dilúvio com que planeja matar os gigantes; e para reprimir Semyasa, Azazel e demais anjos guardiães, envia Miguel. As milícias de guardiães e seus chefes foram vencidos pelas milícias de Miguel, e ficaram acorrentados em grutas subterrâneas durante 70 gerações. Setenta gerações, significa por tempo incalculável. Expressamente se diz: "até o dia do Grande Julgamento (até o fim do mundo), quando serão lançados, junto com os homens maus, às masmorras de fogo". Estes demônios não molestam mais! Os espíritos dos gigantes mortos no dilúvio, segundo o Livro de Henoc, percorrem continuamente toda a Terra, fazendo mal aos homens. Também estes demônios serão condenados, mas só no dia do Juízo Final.
O Primeiro Livro de Enoque alcançou grande prestígio no judaísmo da época de Cristo. Era conhecido pelos escritores do Novo Testamento, e muitos “Pais” e Escritores Eclesiásticos, erradamente o tinham como inspirado tal como os livros canônicos da Bíblia. Queda de anjos? A origem lendária da queda de anjos rebeldes fica assim muito clara. Igualmente fica clara a origem da crença em demônios que atormentam os homens. Depois os cristãos simplificaram e concretizaram. Simplificaram estritamente isso, guerra de anjos; e concretizaram dizendo que os anjos rebeldes foram capitaneados por Lúcifer, e os bons capitaneados por Miguel. Tiraram todos os outros enfeites mitológicos.
Alusões neotestamentárias. No Novo Testamento encontram-se duas alusões, e provavelmente só duas, à lenda dos anjos rebeldes. Judas: {Os anjos que não conservaram o seu principado, mas abandonaram a sua morada, guardou-os presos em cadeias eternas, sob as trevas, para o juízo do Grande Dia} Jd. 6. E Pedro: {Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os nos abismos tenebrosos do Tártaro, onde estão guardados à espera do Juízo} 2ª Pe. 2: 4. Alusões ao mito. Instrumento de linguagem para Revelar a justiça e no fim o perdão por Deus a quem se arrepender. Seria significativo em ambos os textos, porém se tomar-mos ao pé da letra: os demônios não molestam mais, estão em cadeias eternas, guardados presos nos abismos tenebrosos.
Mt. 25: 41; Quando Cristo fala do fogo preparado para o Diabo e seus anjos, está também aludindo à lenda da queda? Talvez. Mas de acordo com outros textos do novo testamento 1ª Co. 5: 5; 1ª Tm 1: 20 e 3: 6; e extra bíblicos (1Hn 63,3; Documento de Damasco 8,2) em todo caso esta indicando meramente o castigo dos homens pecadores = servidores do Diabo. Igualmente: Segundo o Apocalipse os anjos e seu chefe Miguel, após rude combate, precipitaram sobre a Terra "o grande Dragão, a antiga Serpente, o chamado Diabo, ou Satanás, Sedutor" e seus anjos Ap. 12: 7-11. Na realidade não se ratifica ou Revela a queda dos anjos, senão que se simboliza a vitória da Redenção contra as dificuldades dos cristãos. "O acusador dos nossos irmãos" teria algo que ver com o milenar conceito do Diabo, ele fica "dia e noite diante do nosso Deus"? Ap. 12: 10. Todo o capítulo é enormemente alegórico e seria simplismo interpretá-lo como Revelação de uma real batalha e queda de anjos! A "luta dos anjos" no Apocalipse refere-se ao presente e futuro do cristianismo, não a um longínquo passado, antes da criação da humanidade. O Apocalipse é "o livro da profecia", descreve o futuro do cristianismo.
Como é possível que os "defensores dos demônios" não saibam nem sequer isto? Ap. 1: 1- Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tentação, de onde vem?

Todos nós vemos, ouvimos, ou de alguma forma presenciamos a corrupção generalizada que se abate sobre a terra. Por vezes perguntamos: quando é que Jesus irá estabelecer o seu reino de justiça e paz sobre a terra? Infelizmente não possuímos o dom de prever o futuro, e conseqüentemente, desconhecemos os tempos e as estações determinadas por Deus. O fato é que o reino de Deus com a regência do Messias Jesus, será uma realidade.

Porém a questão principal que deve nos incomodar não é a época da implantação do reino, mas sim estar, ser participante do reino. Pensando nisso me reportei para Mateus 18: 3. (Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.) Temos aqui ao menos três questões interessantes. Conversão, agir como crianças, a terceira depende dessas duas, ou seja entrar no reino dos céus, (reparem, reino dos céus, não reino nos céus.)

A segunda questão é consequencia da primeira “se tornar como crianças” nada mais é do que ter o sentimento a atitude a ingenuidade e a sinceridade de uma criança. Isso é resultado da conversão a ação do espírito de Deus em nossas vidas, não existe outro meio ou possibilidades. Quando penso nestas palavras de Jesus me vem a mente uma questão interessante: quão difícil é ter uma atitude de uma criança, isso contrastando apenas com a nossa natureza caída, imaginem então se além de subjugar as nossas tendências tivermos que vencer também um ser espiritual infinitamente superior aos humanos?

Baseado nas palavras imperativas de Jesus, de que se não nos convertemos não seremos participantes do reino, creio que se tivermos um inimigo espiritual temido como um “deus”, o nosso caso será catastrófico. Será mesmo que a bíblia cita algum inimigo espiritual do homem, além de sua própria natureza caída? Gn. 6: 5. (E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.) Jr. 17: 9. (Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá?) Nestes dois versos percebemos que a maldade que se multiplicou sobre a terra era conseqüência da maldade do coração humano, e que a maldade procede do homem, nada, além disso. E Jeremias nos diz que o coração humano não só engana como também é perverso, como pode o engano que procede do “coração” humano ser atribuído a satanás, um anjo caído?

Jesus disse que os maus desígnios procedem do próprio homem, Mt. 15: 18-19; (Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.) Jesus não disse que toda a sorte de mazelas procede de um ser diabólico, que influencia o ser humano, mas que a fonte dos maus desígnos é o próprio homem, ou sua natureza caída. Nós entendemos por tentação tudo aquilo que nos leva de encontro com a vontade de Deus. O interessante que em lugar nenhum a bíblia diz que o pecado é consequência da tentação de um ser espiritual, ou de anjo caído. Pelo contrário, diz que tais acontecimentos procede diretamente do homem. Tg. 4: 1; (De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?)

Naturalmente não devemos entender como sendo somente esses tipos de pecado, mas sim todos. Gl. 5: 17; (Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.) Reparem aqui que a tendência para o pecado brota de dentro do homem, não de fora. Procede da carne. Manifestamente, Jesus e os apóstolos não nos ensinam a lutar contra poderes sobrenaturais, mas a dominar o que nasce no coração humano, a vencermos a nós mesmo libertando-nos das nossas paixões, a fomentar nossa tendência a Deus em busca da perfeição. Esta é a nota tônica do evangelho (arrependimento e conversão) é a base do reino de Deus.

A lista das obras que procedem da carne que nos apresenta o apostolo Paulo é fruto da tentação proveniente do diabo? A bíblia não diz isso, vemos vários textos que nos mostram que tais procedimentos são provenientes do próprio homem. Gl. 5: 19-21; (Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria,feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.) Reparem obras da carne. Rm. 5: 12; (Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.) percebam que a bíblia insiste em dizer que o pecado entrou no mundo por causa do homem, ou seja, o único responsável pelo pecado foi o homem, ninguém mais.

Muitos dirão: sim entrou por causa do homem, mas este último foi influenciado por satanás. Esta é uma afirmação sem base bíblica, se pensarmos assim, seremos obrigados a acrediatar que alguém influenciou satanás para que ele pudesse pecar, algo absurdo. O fato é que a doutrina da tentação humana só ganhou força devido a influencia dos pais da igreja, infelizmente eles viveram em uma época onde o pensamento sobre a existência do diabo como um ser espiritual era predominante. “O homem sozinho não era responsável pelas tentações que se abatem sobre ele, o homem seria o campo de luta entre o príncipe do bem e o espírito do mal, o Anjo de luz e o Anjo das trevas, que queriam ser donos por direito de posse, da alma humana”. Este conceito qunraniano (Qunran) parecia refletir-se na epístola de Barnabé, e certamente no Pastor de Hermas, século II dC. Neles se funamentata Orígines. (Pastor de hermas 6º preceito.) Vários outros líderes cristãos dos primeiros séculos compartilhavam o mesmo pensamento e ensinamento, devemos censurá-los por isso? De maneira nenhuma, pelo fato de terem vivido sobre a influencia demonológica dos primeiros séculos.

Muitos cristãos irão argumentar dizendo: mas, o próprio Jesus não disse que Pedro estava sendo usado por satanás com o objetivo de tenta-lo? Mt. 16: 23; (Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.) Percebemos dois fatos interessantes neste verso, Jesus disse que Pedro pensava muito nas coisas dos homens, não disse que Pedro foi usado pelo diabo, fato é que satanás aqui representa alguém que se opõe a outro em propósito ou ação, não um ser espiritual. O simples fato de pensar que é a ação de um ser espiritual é devido ao ensinamento tradicional que está cristalizado nas mentes de muitos. Com relação as tentações, Paulo nos informa que o pecado que habita em nós é que impulsiona as tentações. Rm. 7: 16-21; (Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.) Notem que Paulo não menciona que seja satanás o causador das tentações, ele diz simplesmente que é o pecado, ou a natureza caída.

Ainda falando sobre a tentação Paulo conforta todos aqueles que esperam na implantação do reino de nosso Senhor Jesus Cristo, falando sobre a nossa caminhada espiritual ele diz que não devemos nos preocupar com outro inimigo além da nossa própria natureza pecaminosa, 1ª Co. 10: 13; (Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.) Naturalmente nós compreendemos que tentação humana é o que todos sofremos, ao passo que tentação não humana ou sobre humana em outras traduções, refere-se a um tipo de tentação que não brota da mente, ou mais especificamente espiritual, sendo assim como explicar as investidas de satanás? Reparem que o texto continua dizendo que Deus não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças. Naturalmente um ser espiritual nos importunaria muito além de nossas forças.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Demônios, ou ídolos pagãos?

Algumas pessoas me questionam dizendo: você muda de opinião com relação as suas crenças muito rápido, você não está sendo enredado por ventos de doutrinas? Você não acreditava na existência do diabo até pouco tempo atrás? Sempre respondo o seguinte: O fato de mudar de opinião com respeito a minha crença religiosa depende muito do novo paradigma que me é apresentado.


Por exemplo: por vários anos acreditei e defendi a doutrina da trindade, e a morada no céu como sendo uma realidade última, percebi que tais doutrinas são anti-bíblicas. Percebemos claramente que o diabo como um ser espiritual foi introduzido na bíblia devido ao contexto em que foi escrito, ou seja, a cultura grega o qual predominava nos dias do NT. Influenciou grandemente a todos, quer judeus quer pagãos a crerem no diabo como um ser espiritual maligno. Já o AT. não fornece referencias bíblicas para tal ensinamento, portanto tenho suporte bíblico e histórico para crer que de maneira nenhuma estou sendo levado por ventos de doutrinas.


E isso abre um leque muito grande para a pesquisa bíblica a respeito do diabo, ou mais especificamente a não existência do diabo como um ser espiritual. Fica então uma pergunta: os judeus eram céticos com relação ao diabo? Em que lugar da bíblia hebraica Deus por meio dos seus profetas nos recomenda a termos temor pelo diabo?


Ou a temermos um ser espiritual (um anjo rebelde) conhecido por satã? O fato é que os judeus até o cativeiro Assírio não estavam familiarizados com a crença em demônios. Para ser mais exato existe sim no antigo testamento referencia ao [demônio anjo caído], não nas escrituras hebraicas, mas sim nos apócrifos (escritos grego) no livro de Tobias no capítulo três, verso oito diz assim: (Sara tinha sido dada sucessivamente a sete maridos. Mas logo que eles se aproximavam dela, um demônio chamado Asmodeu os matava.)


Esse demônio ciumento logo em seguida foi preso pelo anjo Rafael. Tb. 8: 3- (nesse momento, o anjo Rafael tomou o demônio e prendeu-o no deserto do alto Egito.) Tobias capítulo um, verso dois nos diz que estes acontecimentos se deram nos dias de Salmanasar, rei dos Assírios e nesta época Israel se encontrava em cativeiro.


Na realidade o livro de Tobias é fictício não tem como negar, só nos mostra como os judeus foram contaminados com a demonologia pagã. Não podemos negar que até mesmo os apóstolos foram influenciados com a cultura contemporânea, mas, muitos poderão dizer: não é possível, eles estavam com Jesus e naturalmente ele não iria permitir tal acontecimento.


Sabemos quão difícil foi para Jesus ensinar o povo falando-lhes o que era comum, imaginem então Jesus removendo idéias pré-estabelecidas. Quando Jesus caminhou por sobre as águas os discípulos pensaram estar vendo um fantasma, mas, como é possível? Os judeus que nem mesmo acreditavam em imortalidade da alma!


Sim. A cultura grega já havia influenciado também os judeus. Fantasmas não existem, e não deveriam existir no pensamento de um judeu. Mt.14: 26- (E os discípulos, vendo-o caminhar sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram, com medo.) O interessante disso é que Jesus não lhes explicou que fantasmas não existem. Porque não? Foi como eu disse anteriormente, naquele momento o mais importante para Jesus era mostrar que ele era o Messias, idéias pré-concebidas, mentalidade prevalecente, tentar remover tudo isso, só iria criar mais resistência.


O fato é que os judeus dos dias de Cristo tinham os apócrifos e os extras bíblicos como literatura inspirada, e esses livros foram a base da demonologia no mundo cristão (O primeiro livro de Enoque alcançou grande prestigio no judaísmo da época de Cristo. R. H. Charles, The Apocrypha. Pág. 180).


Em outro assunto eu disse que o livro base da demonologia, ou a queda dos anjos foi o livro de Enoque, outros livros também falam da queda dos anjos. Outro fato interessante é que quase todas as fontes destas lendas falam em relações sexuais com mulheres. Também outro apócrifo, o Livro dos Jubileus (Jb), fala dos gigantes. Jubileus começou a ser escrito no século II a. C. embora um pouco posterior ao principal de 1ª Enoque, chegando a ser concluído talvez até no século II d. C.


Apresenta a história bíblica do Gênesis e dos 12 primeiros capítulos do Êxodo segundo a mentalidade do judaísmo contemporâneo de Cristo e com as lendas judaicas ou midrashim. Deve seu nome ao fato de suas lendas serem apresentadas em períodos jubilares de 7 em 7 anos. O Livro dos Jubileus repete a lenda de que os anjos guardiães vieram ao nosso mundo a ensinar aos homens, mas logo se apaixonaram pelas mulheres da Terra. Os rabinos muito fantasiaram sobre as relações sexuais dos anjos caídos com as mulheres humanas. Escrevem no Talmude:


Já desde Adão, que "todos estes anos engendrou espíritos, demônios e fantasmas noturnos; pois se diz: 'quando Adão tinha 130 anos engendrou à sua imagem e semelhança', o que quer dizer que antes tinha engendrado seres que não eram à sua imagem e semelhança". Mais ainda, no Talmude chegam a sugerir também que guardiões femininos tiveram relações sexuais com varões humanos.


Durante todo esse tempo, da mesma maneira que Adão fecundava guardiões femininos, também Eva teria engendrado de guardiões masculinos, dando-lhes abundante descendência (Rabba 24,6). Outro livro apócrifo que fala do diabo é o livro de sabedoria: (Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade. É por inveja do Satã que a morte entrou no mundo. Prová-la-ão quantos são do seu partido.) (Sb 2,22-24).


Volto a dizer sem medo de errar, que a crença no diabo como um ser espiritual teve lugar devido à tradição judaica que foi influenciada pelo paganismo. Se não, onde está o diabo, ser espiritual no AT? Não existem referencias bíblicas que apóiam tal ensinamento, existe sim a interpretação equivocada de que a serpente no éden foi médium do diabo, que Isaías 14 fala da queda de lúcifer e Ezequiel 28 alude o rei de Tiro como sendo o diabo, na realidade são interpretações teológicas infundadas, baseadas somente na crença popular. Por quê então no NT. A crença no diabo é fervilhante?


Exatamente devido à tradição rabínica e o contexto cultural que prevalecia fortalecido pelos livros apócrifos, imaginem que atribuíam o livro de Enoque como sendo o Enoque o 7º depois de Adão, na realidade este Enoque datava do século 2 a.C. Muitos dirão que estou equivocado, pois em algumas versões aparecem o termo demônio no AT. Porém volto a repetir que A PALAVRA DEMONIO NO ANTIGO TESTAMENTO É SÓ FRUTO DE TRADUÇÕES POSTERIORES.


Is. 13: 21- (Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali.) Na Versão dos Setenta, a palavra é vertida como “coisas vãs" e na Vulgata latina, "os demônios". Tradutores modernos e lexicógrafos muitas vezes adotam o mesmo conceito, traduzindo-a por "demônios". Outro fato interessante é que os ídolos dos povos são considerados demônios, Dt. 32: 17- (Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais.)


o termo demônio existe neste verso devido a tradução, lê se assim: Ofereceram sacrifícios a sedins, que não são Deus, A deuses que não conheceram, A deuses novos, que apareceram há pouco, Diante dos quais vossos pais não tremeram. Sedins era um ídolo que Israel estava cultuando. E de que povo era esse ídolo? Sl. 106: 36-38. (E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios; E derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã, e a terra foi manchada com sangue.) O ídolo Sedin era de canaã, reparem que ídolo e demonio é a mesma coisa, ou seja é uma questão de tradução.


Paulo nos fala sobre isso em 1ª Co. 10: 20- (Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.) Paulo está dizendo que o ídolo demônio representa um anjo caído, ou ele está querendo dizer que este ídolo demonio é vão, inexistente? Vejam o verso 19 de 1ª Co. (Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?) O ensinamento tão popularmente difundido que os ídolos representam ou pré figuram os demônios, não tem apoio bíblico, é somente convenção teologica.


Igualmente o Salmo 96: 5 diz assim: (Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor, porém, fez os céus.) Os setenta traduziram ídolos em demônios, na vulgata está a mesma coisa. Vemos aqui que o termo demonio no AT. É fruto da tradução dos 70 que data do 2º século AC. Época que prevalecia a cultura grega.

domingo, 12 de junho de 2011

Quem é o satã do livro de Jó?

A autoria do livro de Jó é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos escritos podem ser encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha sido seu autor. O livro de Jó tem sido chamado de “poema dramático de uma história épica” (J. Sidlow Baxter).

Os procedimentos, os costumes e o estilo de vida geral do livro são do período patriarcal (cerca de 2000 a 1800 a. C). A própria escritura atesta que Jó foi uma pessoa real. Ele é citado em Ezequiel 14:14 e Tiago 5:11. [1]

A localização exata de Uz não pode ser claramente verificada, nem é tanto crucial para a compreensão do livro. Jó 1:3 declara que Ele foi o maior de todos os do oriente. Para os israelitas, tudo o que havia do outro lado do Jordão era “oriente”, portanto incorporando uma grande extensão de terra.

Genesis 10:23 associa Uz com Arã, pai dos sírios e Genesis 22:21 com Naor, irmão de Abraão, que acabou por se instalar m torno de Harã, ao norte da mesopotâmia (Gn 24:10 com Gn 27:43). Sem (filho de Noé) teve 5 filhos, que deram origem a 5 grandes raças e a numerosas tribos. Arã, um dos filhos de Sem povoou a Síria e teve 4 filhos. [2]

Uz, um dos filhos de Arã morou no meio da Arábia setentrional e Jó foi um de seus descendentes. Jó conhecia Deus pelo nome de SHADDAI – O TODO-PODEROSO. Há 30 referências a Shaddai no livro de Jó.

Estes fatos mostram que os conhecimentos históricos do princípio da raça humana foram comunicados as gerações posteriores e isto pode mostrar o porquê de Jó ter o costume de oferecer holocaustos pelos pecados dos filhos. A prosperidade de Jó despertou o rancor do “adversário” que estava participando da reunião dos filhos de Deus, que se reuniam para o culto. Devido às constantes repetições de banquetes realizados pelos filhos de Jó, este “os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos {segundo} o número de todos eles; porque dizia Jó: {Porventura} pecaram meus filhos, e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente. (Jó 1:5).

A pergunta de Deus ao adversário: “Donde Vens?” é um tipo de saudação interessante. Ela é utilizada por Eliseu a Geazi, após este ter adquirido dolosamente presentes de Naamã. (2 Reis 5:25), pelos marinheiros supersticiosos a Jonas (Jonas 1:8) e por Josué aos Gibeonitas que o enganaram com sua astúcia (Josué 9:8).

O que “o satã” está fazendo aqui? Ele obviamente está à procura de problemas e não foi visto por algum tempo. Provavelmente por ser um dos filhos de Deus, conhecia a rotina de todos os outros e sua resposta à pergunta de Deus é irreverente, mas inteligente. Portanto, ele usa uma terminologia que é normalmente aplicada a Deus (2 Crônicas 16:9; Zacarias 1:10,11; 4:10 e 6:7). O SENHOR no texto é o representante de Deus na terra, possivelmente um sacerdote, que falava e agia em nome de Deus.

Depois desta pequena introdução, apresentarei a seguir algumas evidências a fim de considerar que o satã do livro de Jó não foi um “anjo rebelde”, pelas seguintes razões:

1 - A palavra SATANÁS (precedida ou não pelo artigo) significa ADVERSÁRIO, OPOSITOR, podendo se referir a homens, a sistemas iníquos de governos, a anjos de Deus em obras de oposição e até ao próprio Deus. (Hasatan= O satã) aqui atua como um promotor público em uma determinada ocasião (como em Zac. 3:1) e além do mais este adversário está longe de ser o antagonista de Deus e chefe de um reino rival, porque é seu subordinado e só pode agir em conformidade com as ordens de Deus. (Jó 1:12; 2:6).

Existem as traduções tendenciosas que grafam com letra maiúscula determinadas palavras, para que os leitores entendam se tratar de uma pessoa. (ex.: Verbo, Espírito Santo, Anjo do SENHOR).

No caso da palavra - Satanás - ocorre este mesmo problema e tudo isto deve ser levado em conta para uma correta compreensão das passagens. Todas as vezes que o estudante da bíblia fizer a leitura da palavra – Satã – com a inicial maiúscula, deve entender que esta palavra foi grafada assim por convenção do tradutor e deixada, portanto sem tradução. A meu ver, isto foi feito de forma tendenciosa.

APLICAÇÕES DO VOCÁBULO “SATÔ NA BÍBLIA:

Referindo-se a homens: João 6:70, 71 / Mateus 16:23 / Ester 7:4 e 8:1;

Referindo-se a anjos de Deus: Números 22:22 e 32 / 1 Crônicas 21:16;

Referindo-se a sistemas de governos: Apocalipse 2:10 e 13 / 1 Pedro 5:8;

Referindo-se ao próprio Deus: 2 Sm 24:1 com 1 Cr. 21:1.

Assim quando lemos em Jó e Zacarias 3 sobre HaSatan (o adversário), não estamos fazendo a leitura de uma pessoa específica, cujo nome pessoal seja "satanás". Nós estamos lendo sobre uma pessoa que "funcionava" como um adversário (um satã).

Aqui a palavra descreve um titulo não um nome próprio. Em outras palavras, o satã do livro de Jó descreve uma pessoa (não um anjo caído) que se tornou um adversário de Jó. Note por exemplo como o HOMEM Hamã é chamado de O SATAN em Ester 8:1.

2 - Jó tem 42 capítulos e o satã de Jó aparece apenas nos 2 (dois) primeiros capítulos, uma grande evidência a se PESAR, a fim de defender esta teoria de que este seja um anjo rebelado contra Deus. E também em nenhum lugar do livro sugere a idéia de que seja um anjo caído.

3 - Como pode satanás estar lá no céu (se ele foi expulso de lá no Genesis) e também junto com Jó na terra (se ele foi expulso em 1914 d. C, como afirmam as TJ)? Por acaso Deus permitiria o acesso do seu maior inimigo ante sua presença, fazendo o que bem entendesse, seria esta a posição de Deus?

4 - Pela leitura atenta de Jó percebe-se que este adversário nutria um ódio incomum contra ele, e pediu permissão a Deus, para que Deus tocasse em Jó, porque este adversário o acusava de que Deus o havia cercado de bens e abençoado tudo na vida dele (Jó 1:9,10). Este "satanás" saiu da presença do SENHOR em duas ocasiões (1:12; 2:7) e se ele fosse o tentador sobrenatural da visão tradicional, dificilmente se qualificaria sob os termos de Hebreus 1:14, e conforme 2 Pedro 2:11 também nos diz - “Os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor”.

5 - O próprio adversário pede a Deus, para que Deus "toque" em tudo o que Jó tem não ELE PRÓPRIO (O adversário) com seu suposto poder maléfico (Jó 1:11,12).

Alguns poderiam objetar que em Jó 2:7 afirma que “satanás foi quem feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça”. A objeção é válida, porém atente para o seguinte:

5.1 – Em todo o livro de Jó, demonstramos que o “mal” que lhe foi enviado, o foi por Deus e não por um suposto “anjo mal”. Estes são alguns versos, porém convido o leitor a esquadrinhar o livro por inteiro e encontrará muitas referências adicionais; Veja:

> O próprio Jó afirma que Deus lhe enviou o mal: Jó 1:21; 2:10 ; 6:4, 10: 2,10; 19:21, 27:2;

> O servo de Jó (Jó 1:16), a esposa de Jó (Jó 2:9), os três amigos de Jó (Jó 5:17; 8:4, 11 :5-6) e os conhecidos e irmãos de Jó (Jó 42:11). Todos estes consideraram que Deus foi quem lhe enviou o mal. Deus não trabalha em conjunto com o satanás.

5.2 – O texto não diz que foi satanás que o feriu. A evidência contextual de todo o livro e do capítulo, direciona para o entendimento de que a ferida foi causada pelo próprio Deus, porque um ser humano (e este é o caso aqui) independentemente não tem o poder de causar moléstias a outro ser humano:

Ex: Jó 19:21 (a mão de Deus me feriu – em outra versão), Jó 27:2 e Jó 30:11.

6 - Do verso 13 até o verso 21 de Jó 1, percebe-se pela leitura atenta do texto, quem foram os agentes das aflições causadas a Jó e sua família e não há insinuações de um ANJO MAL: VER TABELA ABAIXO:

*Os sabeus (não o satã sobrenatural) (v. 15);

*Fogo de Deus (não do satã sobrenatural) caiu do céu e queimou as ovelhas e os servos (v. 16); Da mesma forma, aqui nos é mostrado que o fogo veio de Deus.

*Os caldeus com 3 tropas (não o satã sobrenatural) guerrearam contra os servos de Jó (v. 17);

*Um grande vento (quem manda nos ventos - satã???) sobreveio dalém do deserto e fez com que a casa caísse (v. 19); Somente a casa de Jó, caiu isto mostra que o vento veio por ordem de Deus. O próprio Jó afirma que quem lhe enviou aquele mal foi o Senhor.

E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR. (Jó 1:21).

Jó diz - O Senhor o deu, o Senhor tomou (não diz O SENHOR DEU E SATANÁS TOMOU). E em tudo isto ele não cometeu pecado por fazer esta afirmação.

Podemos observar uma simetria interessante nestas tragédias feitas a Jó e não se vê a figura de um anjo do mal nelas, apenas DEUS E HOMENS:

HOMEM OS SABEUS OS CALDEUS COM 3 TROPAS
DEUS FOGO DE DEUS UM GRANDE VENTO

Uma coisa importante a ser destacada é que o texto não nos informa quem era esta pessoa que aterrorizou Jó, porém seu título mostra que Ele era contrário aos interesses de Jó. Certamente não era o “satanás” da crença popular, pois Ele não veio do inferno para participar da assembléia dos filhos de Deus, mas veio de “rodear a terra e passear por ela”. Ele não era o diabo da crença popular, porque estava de olho nas propriedades de Jó e sua inveja era tal que queria até destruir o corpo de Jó.

Mas você diria: E sobre as calamidades e as moléstias causadas a Jó? Estaria em poder do homem mortal o controle destas?

A resposta é: Estas eram feitos de Deus e não do adversário. Veja Jó 2:3,5 - E disse o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa.

Este é o entendimento de todo o processo no caso de Jó. E mesmo se o adversário tivesse o poder de afetar Jó, isto não provaria que os milagres fossem feitos por agentes sobrenaturais mais do que aqueles que foram realizados pelo homem Moisés (Êxodo 4). Deus pode delegar poderes milagrosos para o homem mortal. [3].

ONDE SE DEU ESTE DIÁLOGO – NO CÉU OU NA TERRA?

O argumento comum é que este diálogo se deu lá no céu porque os "filhos de Deus", entendidos neste texto como sendo os "anjos" vieram apresentar-se perante o SENHOR e Satanás (sendo um anjo rebelde) veio entre Eles e depois “saiu da presença do SENHOR” (Jó 1:6; 2:7).

1 – A expressão “Filhos de Deus” é utilizada na bíblia na maioria das vezes, para identificar seres humanos, não anjos. Talvez tenham obtido este argumento da passagem de Jó 38:7, que abordaremos mais adiante, mostrando que a mesma não trata de “anjos”. Satanás jamais foi considerado um “filho de Deus”.

Alguns exemplos da expressão “filhos de Deus” referindo-se a humanos:

João 1:12 - Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.

1 João 3:1 - VEDE quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo nos não conhece; porque o não conhece a ele.

Gálatas 3:26 - Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

Mateus 5:9 - Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

2 - Apresentar-se perante o SENHOR se refere invariavelmente aos homens e não aos anjos, nem a qualquer outro tipo de ser, porque os anjos estão sempre na presença de Deus e de lá são enviados.

Mateus 18:10 – Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que {está} nos céus.

Hebreus 1:14 - Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

2.1 - Anjos não trazem acusação infamatória contra os crentes diante do SENHOR.

2 Pe. 2:11 - Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.

APRESENTANDO- SE PERANTE O SENHOR

Quando os homens se apresentavam, eles o faziam diante de representantes credenciados do SENHOR na terra (por exemplo, os juízes e os sacerdotes) e assim era dito como “se apresentando perante o Senhor”. Não significa, portanto que esta “apresentação” tenha sido no céu, na presença imediata de Deus. Veja estes exemplos:

2 Crônicas 19:6 - E disse aos juízes: Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem, senão da parte do Senhor, e ele {está} convosco no negócio do juízo.

Deut. 19:17 - Então aqueles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias.

Lucas 2:22 - E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram (Jesus) a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor.

1 Sm. 23:18 - E ambos fizeram aliança perante o Senhor: Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa.

Deut. 31:11 - Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos.

Deut. 18:7 - E servir no nome do Senhor seu Deus, como também todos os seus irmãos, os levitas, que assistem ali perante o Senhor;

SAIR DA PRESENÇA DO SENHOR

Somente porque o “satã” saiu da presença do Senhor, não significa que este teria tido acesso ao céu, onde Deus habita. O texto também informa que o satã “rodeava a terra e passeava por ela” (Jó 1:7), um modo não usual de locomoção para um suposto anjo rebelde. Além disso, encontramos em Zacarias 1:10,11 referências a seres (provavelmente anjos) que “andam pela terra”, mas para a observarem. Não existe a conotação no texto de que sejam para “acusarem nenhum ser humano”. Veja estes exemplos:

Genesis 4:16 - E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, da banda do oriente do Éden.

Jonas 1:3 - E Jonas se levantou para fugir de diante da face do Senhor para Tarsis; e, descendo a Jope, achou que um navio ia para Tarsis; pagou pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Tarsis, de diante da face do Senhor.

Veja estes versos que mostram quem causou o mal a Jó

Jó 1:11 - Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.

Jó 1:21 - E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.

Jó 2:5 - Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!

Jó 2:10 - Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

Jó 8:4 - Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.

Jó 19:21 - Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou.

Jó 27:2 - Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma.

Jó 30:11 - Porque {Deus} desatou a sua corda, e me oprimiu: pelo que sacudiram {de si} o freio perante o meu rosto.

Jó 42: 11 - Então vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro.

Quem então é o “adversário” de Jó?

Temos observado ao longo do livro de Jó, que o mesmo não apresenta este “satã” como um anjo rebelde, com acesso ao céu, mas como um humano que se apresentou no meio da reunião em que estavam os filhos de Deus, que também são homens.

É mais rentável para aprender a grande lição do livro, reconhecer que o Senhor do Céu e da Terra só pode fazer o que é certo e bom.

Veja que em todo o livro, o mal não foi "permitido por Deus" para que satanás (como anjo rebelde) o afligisse, mas foi o próprio Senhor que o enviou aquele mal. O “satã” no livro aparece apenas nos dois primeiros capítulos como um promotor, a fim de acusar Jó diante de Deus. A idéia popular alega que Jó sofreu porque satanás o afligiu, por permissão de Deus. Para os amigos de Jó, no entanto, era Deus que estava trazendo tanta aflição na vida de Jó, porque Jó era considerado por Eles como um pecador (Jó 42:11).

SERIAM OS ANJOS, OS FILHOS DE DEUS EM Jó 38:7?

Jó 38 começa com a reprovação de Javé, porque Jó havia questionado a onisciência de Deus e faz referência aos 4 primeiros dias da criação, principalmente da luz, das águas, das estrelas e das nuvens, nos versos 4 ao 18 e de Jó 38:19 até os capítulos 39,40 e 41 lidam com o 5º e o 6º dias, por olhar as maravilhas do reino animal.

Que o termo "filhos de Deus" em Jó 38:7 é uma referência aos corpos celestes e não aos anjos, pode ser confirmado comparando-os aos versos 31 a 33 do mesmo capítulo, onde se faz referências às estrelas e à disposição dos astros e sua influência sobre a terra. Veja Gênesis 1:16-18 com Salmos 136: 7-9 e Jeremias 31:35.

31 - Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion?

32 - Ou fazer aparecer as constelações ou guiar a Ursa com seus filhos?

33 - Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra?

Este termo “filhos de Deus” pode ser visto também observando a linguagem utilizada sobre "nascimento" nos próximos dois versos. (Jó 38: 8 e 9).

Verso 8 - Ou {quem} encerrou o mar com portas, quando trasbordou {e} saiu da madre;

Verso 9 - Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro?

Criação como um Nascimento

Embora a criação em nenhum outro lugar seja chamada de Filho de Deus, há duas passagens que desenham estreitas ligações com estas escrituras.

A criação de Deus é colocada em termos de “nascimento” (Prov. 8:23-29 e Salmos 90:1,2) e portanto, as coisas criadas são seus filhos. É o símbolo mais adequado do rompimento da água na criação como descrevendo o nascimento do mundo, como acontece durante o parto natural. O "envolvedouro" é também um termo de nascimento onde as faixas (o cobertor) são reservadas para envolver o recém-nascido. Ao comparar a antiga criação de Deus, nascida há muito tempo com o nascimento recente de Jó (Jó 38: 21), o argumento de Jó soa inadequado. Veja Ezequiel 16:4.

A implicação de que a chuva é filho de Deus também é usada em Jó 38:28,29:

A chuva {porventura} tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho? De que ventre procede o gelo? E quem gera a geada do céu?

Isto é simplesmente parte da linguagem poética do Senhor que dá à sua criação uma personalidade onde até mesmo o relâmpago pode falar "(Jó 38:35). As obras inanimadas de suas mãos podem dar-lhe elogios, cantar e falar como se fossem pessoas. (Isaías 44:23; 49:13; 35:1,2; Salmos 19:1-6). Assim se dá com relação às estrelas da alva, que alegremente “cantavam”. Esta mesma linguagem é apropriada no NT e aplicada para a “nova criação” em Romanos 8:19-23.

Em Provérbios, A sabedoria é personificada como uma mulher que esteve com o Senhor, desde antes da criação dos céus e da terra. A linguagem utilizada em Provérbios 8:23-29 carrega muitas semelhanças surpreendentes com Jó 38, ela fala sobre a fundação da terra, das águas e as nuvens. O tema do nascimento é também repetido no versículo 23-24,

Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. Em outras versões diz: Eu nascí.....

O ponto a ser notado aqui é que à "sabedoria" é dada a simbologia como tendo nascido como uma criança. Esta linguagem continua no versículo 30.

Pv. 8:30 - Então {eu} estava com ele e era seu aluno: e era cada dia as {suas} delícias, folgando (rejubilando) perante ele em todo o tempo;

É interessante notar que a palavra "folgando" é mencionada aqui como foi em Jó 38:4, quando os "filhos de Deus (folgavam) rejubilavam de alegria". Se a criação da sabedoria é falada como tendo nascido antes da formação da Terra, então não é surpreendente ver a mesma linguagem usada em outros aspectos da criação de Deus. A mesma palavra “gerada” é traduzida como "formada" no Salmo 90:2, mas neste, em referência à terra.

(Salmos 90:1-2) - SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu {és} Deus.

Este é um versículo chave que usa os termos nascimento, formação, em referência à criação de Deus. Curiosamente ele é usado para dar ênfase à mesma coisa em Jó.

Que o termo "filhos de Deus" se refere a homens escolhidos é indiscutível. Este é o seu uso exclusivo no Novo Testamento. O Antigo Testamento usa esta linguagem de nascimento para os israelitas (Dt 32:18-19). Isaías vai mais longe ao associar as maravilhas da criação, com a criação do seu povo escolhido.

(Isaías 44:24) "Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre:Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que estendo os céus por si só, que espraio a terra por mim mesmo;"

(Isaías 45:11-12) Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as cousas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos. Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o {fiz}; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens.

(Is 46:3) Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o resíduo da casa de Israel; vós a quem trouxe {nos braços} desde o ventre, {e} levei desde a madre.

Portanto, os Filhos de Deus em Jó 38:7 não se refere aos anjos celestiais, mas se referem à criação de Deus, às estrelas que cantavam e rejubilavam, utilizadas neste texto em uma forma poética.

Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?


[1] Nota de Rodapé sobre Jó 1 – Bíblia de Estudo Plenitude, versão ARC 1995

[2] David Baird, A educação de Jó – capítulos 1 e 2

[3] Robert Roberts –The Evil One

Contribuição de:


MARCELO ALEXANDRE DO VALLE

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quem é o satã no antigo testamento?

Em todo o chamado antigo testamento não existe uma referencia sequer falando sobre o diabo como sendo um ser espiritual. Isso acontece pelo fato da palavra satã nada ter a ver com os anjos caídos, ou demônios do conceito clássico cristão. Com efeito, em várias oportunidades dependendo das versões aparece o termo satã no antigo testamento. Vejamos: 1ª Sm. 29: 4- {Os príncipes dos filisteus muito se indignaram contra ele; e disseram-lhe os príncipes dos filisteus: Faze voltar a este homem, e torne ao seu lugar em que tu o puseste, e não desça conosco à batalha, para que não se nos torne na batalha em adversário*: porque com que aplacaria este a seu senhor? porventura não seria com as cabeças destes homens?} 2ª Sm.19: 22- {Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? morreria alguém hoje em Israel? porque porventura não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?} Na próxima passagem a bíblia de Jerusalém traduz simplesmente por adversário onde o original hebraico diz satã; Salomão afirma que “agora... não tem satã nem infortúnios” 1ª Rs. 5: 4- {Porém agora o Senhor meu Deus me tem dado descanso de todos os lados: adversário não há, nem algum mau encontro.} Pouco depois já há dois satãs para Salomão, 1ª Rs. 11: 14- {Levantou pois o Senhor a Salomão um adversário, a Hadade, o idumeu: ele era da semente do rei em Edom.} 1ª Rs. 11: 23- {Também Deus lhe levantou outro adversário, a Rezom, filho de Eliada, que tinha fugido de seu senhor Hadadezer, rei de Zobá.} O próximo verso em algumas versões, trás a palavra satanás é o caso da almeida RC. de 1969 Sl. 109: 6- {Põe acima dele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita.} O mesmo verso na RA. Diz: {Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador.} que tem o mesmo significado de satã. Depois do exílio babilônico, satã personifica o promotor que é encarregado de acusar. Zc. 3: 1- {E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.}Dentre os servidores, um deles tem o cargo de satã, de acusador. Satã é um cargo não uma pessoa. Não é um nome próprio, é um título. Jó. 1: 6- {E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.} Refere-se a um homem, filho de Deus, o nome comum que lhe é dado é satã. O nome comum representa o cargo de acusar. No fim da descrição interminável de desgraças, é revelado que Deus foi quem causou as adversidades em Jó. Continuamente Jó vai ensinando: Jó. 19: 6 e 8- (Pois sabei que foi Deus que me transtornou, envolvendo-me em suas redes... O meu caminho ele entrincheirou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas). Jó. 23: 15- (Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou). Jó. 27: 2- (Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma). Jó. 31: 23-(Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza). E é claríssimo o que em todo o livro pretende-se incutir: Jó 1: 20- (E disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor). O termo Satã é aplicado ao anjo do Senhor no Livro dos Números: Nm. 22: 32- (Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim). Como em Jó e em Números, também nas Crônicas, Satã significa a oposição Feita pelo próprio Deus. 1ª Cr. 21: 1- (Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel). Portanto, na Bíblia Satã nunca designa um ser que possamos considerar um demônio no sentido, errado, tão difundido entre os cristãos de um ser sobre-humano e perverso. Não significa um ser, mas sim a própria inimizade do homem para com o homem, e o que afasta o homem de Deus. Em todos estes versos aparece a palavra Satã, porém de nenhuma forma designa um ser espiritual.

* No original hebraico a palavra adversário é satã.