sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lei de saúde ou cerimônia religiosa?

Entre as várias leis e estatutos estabelecidos por Deus no antigo testamento, encontramos também a lei da alimentação. Diferentemente daquilo que é defendido por algumas denominações judaizantes o regulamento alimentar dos judeus não era uma lei de saúde. Na verdade essas leis estavam relacionadas com a pureza religiosa. Faremos uma análise um tanto detalhada e veremos que a questão da alimentação se restringe ao aspecto puramente cerimonial dos judeus.

Antes, porém no que concerne o assunto é bom salientar a orientação de Paulo, pelo fato do assunto em si não ser um estimulo contrario a nenhum estilo alimentar de quem quer que seja. Rm. 14.2-3 (Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.) Assim sendo passaremos a questão cerimonial do AT. A lei da restrição alimentar andava junto com a lei da pureza e isso em todos os seus aspectos, e é sobre isso que iremos começar este assunto.   

Gn. 35.2 (Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes.) Percebe-se claramente que os povos semitas relacionavam a pureza apenas no que concerne à questão externa, apesar de terem a mente voltada para outros deuses no caso os ídolos Jacó ordenou que se purificassem e mudassem as vestes. Não nos é dito como se purificaram, mas tudo leva a crer que foi através de um banho cerimonial, os versos a seguir apoiam este pensamento.

Posteriormente os levitas “filhos” de Jacó foram escolhidos para serem os sacerdotes entre todo Israel, foi então que a lei da pureza religiosa ganhou força em sua ordenança. Nm. 8.6-7 (Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e se purificarão.) Percebe-se claramente o aspecto cerimonial da purificação, quando é visto a navalha sobre o corpo e as vestes sendo lavadas.

Parte da oferta pelo pecado tinha que ser queimada fora do arraial, num lugar limpo; Lv. 4.12 (A saber, o novilho todo, levá-lo-á fora do arraial, a um lugar limpo, onde se lança a cinza, e o queimará sobre a lenha; será queimado onde se lança a cinza.) Igualmente as cinzas do holocausto deveria ser levadas para um lugar limpo, Lv. 6.11 (Depois, despirá as suas vestes e porá outras; e levará a cinza para fora do arraial a um lugar limpo.) De igual modo a oferta deveria ser comida em um lugar limpo.

Lv. 10.14 (Também o peito da oferta movida e a coxa da oferta comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos, e tuas filhas, porque foram dados por tua porção e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos filhos de Israel.) Além de só poderem comer a oferta em um lugar limpo eles os sacerdotes também deveriam estar limpos, Lv. 22.6 (O homem que o tocar será imundo até à tarde e não comerá das coisas sagradas sem primeiro banhar o seu corpo em água.)

Percebe-se claramente nestas passagens que a distinção entre pureza e impureza foi feita para fins religiosos, relativo ao sistema Levítico e sacrifical do antigo Israel. Gn. 34.5 (Quando soube Jacó que Diná, sua filha, fora violada por Siquém, estavam os seus filhos no campo com o gado; calou-se, pois, até que voltassem.) Algumas traduções dizem contaminada ao invés de violada, o sentido é o mesmo de tornar-se impura ou imunda. Muitas outras questões são tratadas as quais não iremos entrar que tornavam alguém impuro.

Mas algumas que demonstram com mais profundidade o seu caráter simbólico nós iremos analisar. Lv. 11.32 (E tudo aquilo sobre que cair qualquer deles, estando eles mortos, será imundo, seja vaso de madeira, ou veste, ou pele, ou pano de saco, ou qualquer instrumento com que se faz alguma obra, será metido em água e será imundo até à tarde; então, será limpo.)

Reparem se algo fosse imundo após ser banhado tornava-se limpo, mas somente a tarde. Mas se algo fosse de barro não poderia ser lavado, Lv. 11.35 (E aquilo sobre o que cair alguma coisa do seu corpo morto será imundo; se for um forno ou um fogareiro de barro, serão quebrados; imundos são; portanto, vos serão por imundos.)

 Os sacerdotes tinham permissão para se tornar impuro, como resultado da morte de parentes próximos, Lv. 21.1-3 (Disse o Senhor a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão; e também por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido, pode contaminar-se.)

Mas ao sumo sacerdote não lhe era permitido, Lv. 21. 10-11 (O sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que for consagrado para vestir as vestes sagradas, não desgrenhará os cabelos, nem rasgará as suas vestes. Não se chegará a cadáver algum, nem se contaminará por causa de seu pai ou de sua mãe.)

De igual modo aqueles que faziam voto de nazireados não podiam tocar em nenhum cadáver, Nm. 6. 6-7 (Todos os dias da sua consagração para o Senhor, não se aproximará de um cadáver. Por seu pai, ou por sua mãe, ou por seu irmão, ou por sua irmã, por eles se não contaminará, quando morrerem; porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça.)

Mas se involuntariamente ele esbarrasse em algum corpo morto deveria sacrificar uma oferta, Nm. 6.9-11 (Se alguém vier a morrer junto a ele subitamente, e contaminar a cabeça do seu nazireado, rapará a cabeça no dia da sua purificação; ao sétimo dia, a rapará. Ao oitavo dia, trará duas rolas ou dois pombinhos ao sacerdote, à porta da tenda da congregação; o sacerdote oferecerá um como oferta pelo pecado e o outro, para holocausto; e fará expiação por ele, visto que pecou relativamente ao morto; assim, naquele mesmo dia, consagrará a sua cabeça.)

Entre os israelitas o povo comum que ficasse imundo, ou mesmo que tocassem em algum cadáver deveriam se purificar com a água purificadora misturada com as cinzas de uma novilha vermelha, contudo aquele que carregava as cinzas ficava imundo, mas se por algum descuido não usasse a água tal pessoas seria eliminada de Israel;

Nm. 19.2, 10-13 (Esta é uma prescrição da lei que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que vos tragam uma novilha vermelha, perfeita, sem defeito, que não tenha ainda levado jugo. O que apanhou a cinza da novilha lavará as vestes e será imundo até à tarde; isto será por estatuto perpétuo aos filhos de Israel e ao estrangeiro que habita no meio deles. Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias. Ao terceiro dia e ao sétimo dia, se purificará com esta água e será limpo; mas, se ao terceiro dia e ao sétimo não se purificar, não será limpo. Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor; essa pessoa será eliminada de Israel; porque a água purificadora não foi aspergida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia.)

A outras questões relacionadas à impureza dos filhos de Israel, porém iremos ver em outra postagem, por ora basta atentar o que foi tratado até aqui é algo puramente cerimonial nada relacionado à saúde.

Evandro.

sábado, 3 de outubro de 2015

Paulo, de perseguidor a perseguido.

Na atualidade um grande número de pessoas as quais se intitulam cristãs, tem feito uma propaganda contrária as cartas de Paulo, e consequentemente aos seus ensinamentos. A ponto de dizerem e afirmarem mesmo em livros, que ele Paulo foi contra os ensinamentos de Jesus; para muitos, Paulo foi um contraventor, um produto da igreja gentílica. O problema crucial para essas pessoas está no fato de Paulo não descrever o Jesus histórico segundo os relatos dos evangelhos. Paulo está preocupado em demonstrar o Jesus ressuscitado, pois fato é que o Jesus ressuscitado não está preso a um contexto geográfico, assim sendo os gentios fazem parte da bem aventurança trazida pelo Jesus ressuscitado.

O argumento de que Paulo foi um contraventor reside no fato d’ele Paulo, não basear a sua mensagem de salvação em cima da lei. Antes, a salvação anunciada por Paulo é baseada na graça. Acredito também que uma grande injustiça tem sido feita em toda era cristã sobre aquilo que Paulo tem dito. A graça anunciada por Paulo não é uma anarquia, não é uma vivencia sem regras e limites, ao contrário, é um novo estilo de vida baseado não em padrões estabelecido pelo mundo, mas por Deus, Rm. 6.1-2 (Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?)

No campo das idéias e da experiência, se alguém lutar contra algo será porque aquele algo de alguma forma lhe causou algum desgosto. E é exatamente isso que percebemos na pessoa de Paulo, por muitos anos ele viveu o ensinamento máximo do judaísmo; At. 26.4-5 (Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem; pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.)

Apesar de pertencer ao farisaísmo ou ao partido mais radical dos seus dias, ele Paulo viu que aquilo de nada aproveitava. Ele percebeu não por si mesmo é claro, que as exigências da lei não o faziam merecedor de nada, pois o déficit era grande demais. Rm. 3.19 (Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus.) Foi então que ele percebeu que a lei existe, porém não trás uma solução para aplacar as suas exigências, ao contrário, os reclamos da lei só é cumprida se alguém viver irrestritamente de acordo com suas exigências.

Lv. 18.5 (Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles. Eu sou o Senhor.) Se cumprir viverá, mas e se não cumprir? Paulo não foi um rebelde como muitos alegam, nem mesmo intentou desprezar as ordenanças do farisaísmo, antes por ele mesmo as coisas teriam ficado na mesma; isto é, Paulo teria continuado a perseguir os novos convertidos. At. 9.1-2 (E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.)

At. 8.3 (E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.) Acredito que Paulo perseguia a nascente igreja acreditando que estava agradando a Deus, ou seja, a nova fé era algo que causava repudio entre os judeus, sendo assim ninguém em sã consciência faz o que Paulo fez, segundo o relato bíblico ele pede cartas aos seus líderes e sai afoito para tentar parar aquela onda crescente de novos convertidos, usando para isso mesmo a violência. A história de perseguidor passando a ser perseguido não é uma invenção é fato, algo extraordinário aconteceu em sua vida a ponto de o chamarem de louco. At. 26.24-25 (Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar! Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso.) Porque Paulo estava sendo acusado de louco?

At. 26.9 (Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno.) At. 26.12-15 (Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.)

Somente de uma forma sobre humana foi que Paulo deixou o farisaísmo e consequentemente o legalismo, a salvação na sua visão não mais dependia de viver amarrado aos ditames da lei, na concepção de Paulo, Cristo substituiu a lei, claro naturalmente, dentro do contexto da salvação. É claro que no aspecto moral a lei existe e será por meio dela que Deus em Cristo irá julgar o mundo, lógico que a questão moral não está restrito somente aos preceitos dos dez mandamentos; Gl. 2.19 (Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.)

É bom reparar como se dá a anulação da lei em nossas vidas, não é viver a seu bel prazer seguindo a natureza e suas concupiscências que a lei é anulada, antes é viver para Deus; Rm 8.2 (Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.) Paulo percebeu por meio do espírito que o sistema judaico dos seus dias no que concerne a religiosidade estava falido, necessário seria outro sistema.

Hb. 9.13 (Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne.) O que o escritor da carta aos hebreus está dizendo é fato, o ritualismo judaico apesar de ser sério só atendia uma parte do culto, a parte física, ou seja, purificava os contaminados com relação a carne, em outras palavras era apenas uma representação. Hb. 10.4 (Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.)

Fazer uma acusação contra Paulo dizendo que ele não perseverou em permanecer na tradição judaica é no mínimo desconhecer o que ele viu, ou mesmo não ter percepção de sua espiritualidade, antes devemos ser gratos a Deus por ele ser o apostolo dos gentios.

Nós cristãos temos duas opções com relação a nossa crença, ou aceitamos aquilo que o NT. Nos diz sobre Jesus e de como ele introduziu a nova aliança, ou voltamos para a forma de culto do AT. Sabendo que aquele que ressuscita a lei como meio para a salvação viverá por ela, em outras palavras se não cumprir a risca o que ela determina não viverá. Gl. 3.11 (E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.)



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Os três Anjos de apocalipse e a interpretação adventista. Parte II

Em outro assunto nós vimos E.G.W dizendo que a primeira mensagem angélica encontrada no livro do apocalipse refere-se ao nascente movimento adventista, nos dias de Guilherme Miller, e a segunda mensagem cumpriu-se nas denominações protestantes, isso pelo fato de terem elas rejeitado a mensagem da volta de Jesus para 1844. Qual então seria a interpretação adventista para a mensagem do terceiro Anjo?

Ap. 14.9-10 (Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.)

Antes, porém quero destacar que no que concerne ao NT. E a interpretação profética, defendo o pensamento histórico progressivo, ou seja, acredito que os acontecimentos da era cristã como profetizados na bíblia principalmente no que diz respeito ao NT. estão em ocorrência. Os versos acima como relatados pelo livro do apocalipse nos informam que o terceiro anjo está veementemente nos alertando de um acontecimento, o qual terá lugar em algum momento da história.

Segundo o Anjo, no caso o terceiro, ele está nos dizendo que aqueles que se associarem com a besta sofrerão os castigos advindos do próprio Deus. A associação dita pelo Anjo é descrita como: adorar a besta e a sua imagem, ou receber a sua marca, quer seja na fronte ou na mão. Defendendo o pensamento histórico progressista acredito que a besta não é nenhum sistema religioso como defendido por várias denominações, acredito ser ela um sistema bélico- político que sobressairá às nações.  

Conforme o relato bíblico, a besta é um sistema de governo opressor, o qual imporá a força segundo sua vontade, tentando com isso sanar os males criados pelo próprio homem, inclusive “pelos próprios”, que tentarão reorganizar não só a sociedade corrompida como todo sistema falido que ora presenciamos. Porque não acredito ser a besta algum sistema religioso cristão? Ap. 17.17 (Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.)

Quem dará a besta o reino que possuem? Ap. 17.12-13 (Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Tem estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.) Vemos nestes versos os reis entregando os seus reinos para a besta, trazendo para nossa época podemos dizer que as potencias dominantes operarão juntamente com a besta ou com algum poder bélico-político que estará dominando sobre as nações.

O que essas potências (reis) juntamente com besta isto é pelo poder que estará se sobressaindo entre as nações farão? Ap. 17.16 (Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.) Vemos que a meretriz não é a besta pois esta destruirá aquela, a meretriz sim é o sistema religioso, auto intitulado cristão.

Nestas poucas linhas descrevi de uma forma muito resumida o meu parecer sobre como compreendo ser a besta e a meretriz de apocalipse 17. Salientando também que esta não é a visão adventista sobre o assunto. E qual é a mensagem do terceiro anjo segundo a visão adventista? Em 10 de Dezembro de 1871 foi-me mostrado novamente que a reforma de saúde é um ramo da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. Ela se acha tão ligada à terceira mensagem angélica, como as mãos o estão com o corpo”. “Conselhos sobre regime alimentar”. pág. 69.

Não sei por qual motivo E.G.W disse que o regime alimentar natural fará parte da mensagem do terceiro Anjo, penso no entanto que acreditou ela que tal mensagem será dada somente por aqueles que se absterem de alimento cárneo, em outras palavras para E.G.W a mensagem do terceiro anjo só será proclamada pelos vegetarianos. Sobre este pensamento existem dois paradoxos, os quais são: nem todos adventistas são vegetarianos e nem todos vegetarianos são adventistas.

Na sua maioria senão todos os vegetarianos não adventistas, não acreditam ou não conhecem a mensagem do terceiro Anjo. Os próprios adventistas na sua quase totalidade mesmo os vegetarianos tem uma interpretação errada da mensagem do terceiro Anjo, assim como erram ao interpretarem as duas primeiras mensagens.

Além da mensagem de saúde qual é a mensagem do terceiro anjo segundo a visão adventista? E. G. W diz: “A guarda do sábado é um sinal de lealdade para com o verdadeiro Deus, Aquele que fez o céu a terra, e o mar e as fontes das águas; (Ap. 14.7) Segue-se que a mensagem que ordena aos homens adorar a Deus e guardar os seus mandamentos, apelará especialmente para que observemos o quarto mandamento”. O grande Conflito pág. 438.

Claramente ela está nos dizendo que um povo vegetariano irá dizer que o sábado é o sinal de Deus, em contraste o domingo, segundo ela, é o sinal da besta. Vejam o que ela continua dizendo: “Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma “o sinal da besta”. O grande Conflito pág. 449.

Percebemos então que a terceira mensagem angélica segundo a interpretação adventista fomentado por E. G. W diz nos ser que o sinal proibitivo o qual trará angustia sobre a terra e impossibilidade dos crentes de comprar e vender é o dia de domingo. Ao meditarmos nesta declaração, percebemos claramente que ela nada mais é do que um conjunto de palavras tentando embasar um pensamento, isso fica claro quando examinamos a questão da seguinte forma.

Qual a similitude entre a proibição de comprar e vender e o domingo? Lembrando sempre que a terceira mensagem angélica além de ser uma mensagem de advertência para aqueles que não receberam, é uma mensagem de condenação para aqueles que irão receber o sinal da besta. Enfatizando também que o sinal da besta será o único meio que uma pessoa poderá participar ativamente do comércio, acredito que o sinal da besta será algo físico, não espiritual como ensinam os adventistas.

Ap. 13.16-17 (E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta ou o número do seu nome.) Os adventistas tentam dar uma explicação para este problema dizendo que aqueles que tiverem o domingo como o dia de guarda poderão comprar livremente, ao passo que os sabatistas ou os adventistas, terão acesso negado no comércio. Na verdade este argumento é falacioso, pois se segundo os adventistas o sinal da besta é algo espiritual como farão para identificar alguém? Geralmente os adventistas não comercializam no sábado, e por isso alegam que serão vedados de comercializar em outros dias. Para que se cumprisse isso necessário seria que o comércio funcionasse apenas no dia de sábado, passaria a ser o oposto do que é na atualidade.

Ainda que no futuro, quer seja por escassez no que diz respeito aos recursos naturais, ou mesmo por ociosidade; digamos que o comércio opere apenas um dia na semana, e suponhamos que esse dia seja o sábado. Mesmo assim os adventistas poderão burlar tal “marca espiritual” e comprar nesse dia; isso pelo fato do dia no nosso calendário gregoriano começar de meia noite até meia noite. Ao passo que o dia bíblico segundo qual o sábado está inserido começa de um por do sol até outro.

Sendo assim, após o por do sol do sábado, para o adventista já é noite de domingo, enquanto para o comércio proibitivo que estará louco para negar uma transação comercial com o adventista, ainda é sábado, neste caso o adventista irá comprar e vender e depois sair rindo da loja. Tal interpretação não suporta o ensino bíblico e também foge da lógica. Sendo assim a interpretação adventista embasada em E. G. W das três mensagens angélicas encontradas no livro do apocalipse são incoerentes. Jesus não voltou em 1844, portanto a primeira mensagem angélica não se cumpriu em Guilherme Miller, pois esta foi a sua mensagem, ou seja, de que Jesus com toda a certeza voltaria naquele ano. 

Para recapear tal erro de interpretação os pós mileritas disseram que a interpretação de Miller estava correta, porém não o lugar para onde Jesus iria, ou seja, para os adventistas Jesus apenas se deslocou no céu; diga-se de passagem, que tal interpretação não tem apoio bíblico. A segunda mensagem angélica, segundo a interpretação adventista também não ocorreu; sabemos que o “caiu Babilônia” significa destruição, extermínio, não apenas uma queda espiritual da cristandade. E a terceira mensagem angélica segundo a interpretação adventista também é falaciosa. Como vimos, para o adventismo, o sinal da besta é o dia de domingo como sendo o dia de repouso, porém percebemos que o dia da semana não será um empecilho para ninguém comprar e vender.        

Evandro.


sábado, 5 de setembro de 2015

Evidências a favor da ressurreição de Jesus, parte II.

1ª Pe. 3.15 (Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.) Atualmente vivemos em uma sociedade completamente descrente, onde o espiritual é tido como crença de gente ignorante, em uma sociedade materialista a realidade só pode ser mostrada através daquilo que é visível. O que as pessoas acham da ressurreição de Jesus? Como nós podemos responder com argumentos fortes a favor da ressurreição? Temos certeza em nós mesmos de que Jesus realmente ressuscitou dos mortos? Como podemos evidenciar esses fatos?

Existe uma crítica muito grande, tanto dentro quanto fora da cristandade, lutando de todas as formas com o objetivo em espalhar o máximo possível a idéia de que a ressurreição de Jesus não aconteceu. Sendo assim, muitos que se dizem crentes são na verdade céticos e mesmo ateus. O “trabalho” desse grupo é tentar de todas as formas mostrar que são intelectuais, capazes de tirar as trevas da ignorância daqueles que foram iludidos com a mensagem da ressurreição.

Ao contrário do ensinamento dos céticos as evidencias da ressurreição podem ser resumidas em quatro fatos independentes: (1) o sepultamento de Jesus: (2) o sepulcro vazio: (3) as aparições de Jesus após sua morte e (4) o início da convicção dos discípulos na ressurreição de Jesus. Naturalmente não iremos tratar em apenas uma postagem as quatro questões. Vamos analisar a questão número um.

O sepultamento de Jesus: O sepultamento de Jesus é atestado por fontes primitivas independentes, ou seja, por Mateus, Marcos, Lucas e João, que formam o Novo Testamento juntamente com várias cartas de Paulo. O relato do sepultamento é uma parte do relato de Marcos sobre a história do sofrimento e morte de Jesus. Mc. 15.46 (Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.)
      
Trata-se de uma fonte muito próxima aos acontecimentos que provavelmente é baseada no testemunho de um observador dos eventos e que, sobre a qual, Rudolf Pesch especialista no livro de Marcos data para algum momento entre sete anos após a crucificação. Além disso, Paulo cita uma fonte extremamente antiga para o sepultamento de Jesus que a maioria dos estudiosos data para algum momento entre cinco anos após a crucificação de Jesus.

 1ª Co. 15.3-9 (Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.)

A importância ou o significado da ressurreição de Jesus será dada pelo contexto em que ela ocorre: Vamos primeiro dar uma olhada nas evidências a serem explicadas e, então, na melhor explicação para essas evidências. Se os quatro fatos mencionados anteriormente – (1) o sepultamento de Jesus, (2) sepulcro vazio; (3) as aparições de Jesus após sua morte e (4) o início da convicção dos discípulos na ressurreição de Jesus Podem ser tidos como algo estabelecido, e se não há nenhuma outra explicação natural e plausível para eles que seja tão boa quanto à da hipótese da ressurreição. Então temos motivo para deduzir que a ressurreição de Jesus é a melhor explicação para os fatos. Assim, vamos examinar as evidências que sustentam cada um desses quatro fatos.

Mc. 15.43 (Vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.) Sabemos que existia uma hostilidade entre os membros do sinédrio contra Jesus e seus seguidores, para os discípulos esses homens maquinaram a morte de Jesus; At. 2.23 (Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de Iníquos.) At. 2.36 (Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.)

Sendo membro do sinédrio José de Arimatéia é a última pessoa que se podia esperar que cuidasse devidamente do corpo de Jesus. Assim o sepultamento de Jesus por José de Arimatéia é muito provável, uma vez que seria quase inexplicável imaginar o motivo por que os cristãos teriam inventado tal história sobre um membro do sinédrio que fez o que era correto por Jesus. 

Vimos acima tanto os evangelhos quanto Paulo atestando a questão (1) que Jesus realmente morreu e foi sepultado, sabemos também que a bíblia é um livro histórico e a confiabilidade histórica do sepultamento de Jesus sustenta o fato do sepulcro vazio. Questão (2):   Mt. 28.6 (Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.)
           
Como o sepultamento de Jesus prova que seu sepulcro foi encontrado vazio? Se o que está escrito sobre o sepultamento for preciso, então o local em que ficava o sepulcro era conhecido em Jerusalém, tanto por seguidores quanto por não seguidores de Jesus. Uma vez que os dois grupos estavam presentes quando Jesus foi sepultado. Mas nessa hipótese, o sepulcro tinha que estar vazio quando os discípulos começaram a proclamar que Jesus ressuscitara.

Por quê? Primeiro, porque os discípulos não poderiam ter crido na ressurreição se o corpo de Jesus ainda estivesse no sepulcro. Teria sido algo totalmente contrário aos judeus, para não dizer estúpido, acreditar que um homem tivesse ressuscitado dos mortos se o seu corpo ainda estivesse no sepulcro. Segundo, ainda que os discípulos tivessem proclamado a ressurreição de Jesus apesar de o sepulcro não estar vazio, dificilmente alguém teria acreditado neles.

Um dos fatos mais notáveis sobre a incipiente crença dos discípulos na ressurreição de Jesus foi que ela surgiu na própria cidade em que Jesus tinha sido publicamente crucificado. Enquanto as pessoas de Jerusalém pensassem que o corpo de Jesus estava no sepulcro, poucas estariam preparadas para acreditar em um absurdo como o fato de que tinha ressuscitado. E terceiro, ainda que elas tivessem acreditado nisso, as autoridades judaicas teriam trazido a verdade à tona simplesmente apontando para o sepulcro de Jesus ou, talvez, exumando o corpo como prova definitiva de que Jesus não havia ressuscitado.

Sugerir como fizeram certos críticos, de que as autoridades judaicas não consideravam essa história de Jesus ter ressuscitado como algo que merecesse atenção é uma alegação fantasiosa e contrária as evidências. As autoridades estavam profundamente interessadas em esmagar o nascente movimento cristão que fizeram o seguinte:

Mt. 27.62-66. (No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro. Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta.)

Mt. 28.11-12. (E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera. Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos.) E mesmo que não desse mais para reconhecer os restos mortais que estivessem no sepulcro, o ônus da prova recairia sobre quem dissesse que aqueles não eram os restos mortais de Jesus, mas parece que nunca houve essa discussão, para ver se era ou não o corpo de Jesus. 

Evandro.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Os três Anjos de apocalipse e a interpretação adventista.

Ap. 14. 6-7 (Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.)
          
A igreja adventista do 7º dia seguindo a orientação de Ellen G. White a qual eles os adventistas tem como profetiza, ensina que as mensagens angélicas encontradas em Apocalipse 14 referem-se ao movimento adventista. No entanto, segundo ela as duas primeiras mensagens particularmente descrevem o início do movimento. (O movimento Adventista de 1840 a 1844 foi uma manifestação gloriosa do poder de Deus; a mensagem do primeiro anjo foi levada a todos os postos missionários do mundo, e nalguns países houve o maior interesse religioso que se tem testemunhado em qualquer nação desde a Reforma de século dezesseis. Meditação Matinal pág. 18. Aqui E.G. W claramente nos diz que o movimento adventista que compreendeu de 1840-1844 proclamou a mensagem do primeiro anjo.

(Vi que Deus estava na proclamação do tempo em 1843. Era Seu desígnio suscitar o povo, e trazê-los a uma condição em que seriam provados, na qual decidiriam ou pró ou contra a verdade. Pastores se convenceram da exatidão da atitude assumida quanto aos períodos proféticos, e alguns renunciaram seu orgulho e deixaram seus salários e igrejas para sair de um lugar para outro a fim de apregoar a mensagem. E mesmo alguns profissionais foram compelidos a deixar suas profissões a fim de se empenharem na obra impopular de proclamar a mensagem do primeiro anjo.) Primeiros Escritos pág. 232.

Na visão adventista a mensagem do primeiro anjo foi à pregação de Guilherme Miller, o qual baseado em Daniel 8.14 valendo-se de um cálculo matemático disse que Jesus voltaria a terra em 22 de outubro de 1844. (A Guilherme Miller e seus cooperadores coube a pregação desta advertência na América do Norte. Este país se tornou o centro da grande obra do advento. Foi aqui que a profecia da mensagem do primeiro anjo teve o cumprimento mais direto.) O grande Conflito pág. 379. Se segundo os adventistas a mensagem do primeiro anjo foi a pregação de Miller, qual seria a mensagem do segundo anjo?

Ap. 14. 8 (Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição.) Para Ellen White a mensagem do segundo anjo cumpriu-se nos religiosos que recusaram ouvir a mensagem de Guilherme Miller, que para ela e para os adventistas representa a mensagem do primeiro anjo. Em outras palavras Ela disse: “vocês não querem ouvir o que Miller disse, vocês cairão em declínio moral e espiritual”.

Como as igrejas se recusassem a receber a mensagem do primeiro anjo, rejeitaram a luz do Céu, e caíram do favor de Deus. Confiaram em sua própria força, e, opondo-se à primeira mensagem, colocaram-se onde não poderiam ver a luz da mensagem do segundo anjo. Mas os amados de Deus, que eram oprimidos, aceitaram a mensagem: "Caiu Babilônia" (Ap. 14.8), e deixaram as igrejas. Primeiros Escritos, Pág. 237. Sendo assim para E.G. W. O “caiu Babilônia” é o rejeitar a mensagem do adventismo segundo o ensinamento de Guilherme Miller, portanto mesmo na atualidade aqueles que não professam ensinamentos que condiz com o adventismo pertencem a Babilônia ou de uma forma espiritual estão caídos.

Na verdade percebemos E.G.W fazendo um “malabarismo” com as mensagens dos anjos de apocalipse, primeiro ela disse que o primeiro anjo representou a pregação de Miller, até ai tudo bem levando-se em conta o fato da palavra anjo ser mensageiro, mas apesar da boa intenção de Miller a sua predição não se cumpriu, ou seja, Jesus não voltou, sendo assim eles mudaram a mensagem, de vinda de Jesus a terra, para ida de Jesus do santo lugar do santuário para o lugar santíssimo do mesmo. E a mensagem do segundo anjo, seria literalmente a queda espiritual daqueles que rejeitaram a controversa mensagem de Miller?

Acredito que não. Quando João em seu livro descreve as palavras, “caiu Babilônia” ele está tomando emprestadas as ocorrências encontradas no AT. Em outras palavras João está fazendo uma analogia; e qual seria? Os profetas do AT. Disseram que Babilônia o império que dominou o mundo entre 605-538 aC. Cairia. Será que a Babilônia a qual iria cair segundo os profetas, se tratava apenas a parte religiosa do império? Is. 21.9 (Eis agora vem uma tropa de homens, cavaleiros de dois a dois. Então, ergueu ele a voz e disse: Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra.)

Jr.50.35-37 (A espada virá sobre os caldeus, diz o Senhor, e sobre os moradores da Babilônia, sobre os seus príncipes, sobre os seus sábios. A espada virá sobre os gabarolas, e ficarão insensatos; virá sobre os valentes dela, e ficarão aterrorizados. A espada virá sobre os seus cavalos, e sobre os seus carros, e sobre todo o misto de gente que está no meio dela, e este será como mulheres; a espada virá sobre os tesouros dela, e serão saqueados.) Jr. 51.8 (Repentinamente, caiu Babilônia e ficou arruinada; lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua ferida; porventura, sarará.)

Estes versos nos demonstram Babilônia como um todo, não descreve apenas a sua parte religiosa. Apesar da palavra babel significar confusão por mistura, não podemos dizer que tal “mistura” refira-se somente a sua parte religiosa, pelo contrário, refere-se a confusão generalizada que as mentes humanas são capazes de produzir. O cenário atual não é diferente, a diversidade de pensamente, a novidade do momento, as muitas indagações, e as respostas subjetivas moldou o mundo em uma verdadeira Babilônia ou numa confusão por mistura generalizada, sempre lembrando que tal confusão não deve ser entendido somente no escopo religioso, mas em tudo que permeia a sociedade.

Sendo assim quando João toma emprestado as palavras dos profetas do AT. Ele da uma interpretação real do mundo, sem dúvidas o mundo como um todo é uma tremenda confusão, por isso é interpretado como sendo Babilônia. Há aqueles que atribuem a Babilônia do apocalipse como sendo somente o império romano, porém tal interpretação deixa lacunas, acredito que a Babilônia do apocalipse está presente em toda era cristã, não podemos aceitar que vivemos em uma época onde estejamos livres de confusão em todas as suas fases.

Ainda em Jeremias vemos Deus dizendo que queria curar Babilônia, estaria tal relado tentando descrever somente a sua parte religiosa? Acredito que não, Jr. 51.9 (Queríamos curar Babilônia, ela, porém, não sarou; deixai-a, e cada um vá para a sua terra; porque o seu juízo chega até ao céu e se eleva até às mais altas nuvens.) O verso é claro, não há dúvida, Babilônia aqui significa o império não a sua parte religiosa. Sendo assim o mesmo podemos entender de Babilônia do apocalipse, se João tomou emprestado as palavras dos profetas para descrever um acontecimento similar, logo somos obrigados a concordar que tal acontecimento deve ter as mesmas conotações, ou seja, ele está dizendo que o mundo que ora presenciamos é uma Babilônia e consequentemente vai cair. (Veremos mais sobre isso e outra postagem).


Evandro.



sábado, 1 de agosto de 2015

Minha impressão do livro: "Zelota, A vida e a época de Jesus de Nazaré".

Nesta postagem irei fazer uma análise resumida da impressão que tive após ler o livro: “Zelota, A vida e a época de Jesus de Nazaré”. Naturalmente não conseguirei “descrevê-lo” de uma só vez, portanto irei fazê-lo por mais de um tópico. Não devendo fazer em seqüência. O livro foi considerado um Best Seller internacional. Na verdade o autor um iraniano, muçulmano de nascimento, imigrou para o EUA e lá se “converteu” ao cristianismo. Na realidade o livro no que diz respeito à história judaica e o momento turbulento do primeiro século é até interessante. Apesar de como o autor eu também acreditar que houve acréscimos por parte daqueles que quiseram tornar o cristianismo um tanto mitológico.

Acredito, no entanto que o objetivo maior do autor é descredibilizar a bíblia, ou mais propriamente o NT. Nas páginas (16-17) do referido livro, o autor descreve a condição turbulenta que era o início do 1º século, atesta também que se levantaram vários homens, dizendo ser o libertador de Israel, e Jesus foi um deles, nada além disso. Para o autor do livro, a visão que os evangelhos e mesmo as cartas paulinas passam de Jesus, não descreve a realidade dos fatos. Para ele, a ideia de um Jesus misericordioso não coaduna com a missão do messias judeu, sendo assim para o autor tanto as cartas de Paulo quanto os evangelhos é uma adaptação dos primeiros cristãos.

Mt. 2.1 (Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.) Lc. 2.15 (E, ausentando-se deles os anjos para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer.) Uma das primeiras tentativas em descredibilizar a bíblia reside no fato do autor negar que Jesus tenha nascido em Belém da Judéia, para ele tais versos são acréscimos; o autor é categórico em afirmar que Jesus não nasceu em Belém mas sim na Galileia.  

Sem duvida, Jesus morava na Galileia, e segundo os relatos bíblicos cresceu naquela aldeia. Mas isso não impede que ele realmente tenha nascido em Belém e muito menos de ser descendente de Davi. Vejamos: Lc. 2.1 (Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.) Para o autor do livro o censo não foi para todo o império, mas só para a judeia e, portanto segundo ele José não precisou se alistar por morar na Galileia.

O autor se estriba dizendo que a história mostra isso. Mas em se tratando de história, a bíblia é um livro de história. Por que as pessoas recorrem a história para tentar descredibilizar a bíblia? Se a bíblia não retrata a realidade que ela afirma quem pode garantir a credibilidade da história paralela? O fato é que a bíblia diz e isso o autor não nega é que José era descendente de Davi, e tentar provar que José não foi a Belém sua terra natal, é o mesmo que tentar afirmar que Cabral não descobriu o Brasil.

Mesmo assim suponhamos que realmente acrescentaram na bíblia o fato de José ter ido a Belém a despeito da história confirmar que realmente houve tal senso nos dias de Quirino governador da Síria, digamos então que “coloriram” a história para se adaptar a um acontecimento no caso o nascimento de Jesus em Belém, isso de maneira nenhuma descarta a sua genealogia, ou seja Jesus continua sendo descendente de Davi. Mas o fato do autor de Lucas descrever o senso e a época ocorrida nos demonstra a plausibilidade de tal acontecimento, em outras palavras o autor quis deixar o senso como um “marco” comprovante histórico. 

O autor também se contradiz, ele argumenta o seguinte: “Quirino convocou um senso para todas as pessoas, bens, e escravos na Judeia, Samaria e Edom – não em todo mundo romano.” “ Além disso o único propósito do senso era Fiscal, o direito romano avaliava a propriedade, não o lugar de nascimento...” Pág. 56. Particularmente quando se tratava de imposto. Ora, segundo o autor de Zelota, os moradores da Galileia eram todos pobres analfabetos, inclusive o próprio Jesus. Mas depois ele descreve que o senso abrangia até mesmo os escravos, não importando o lugar de nascimento, mas o senso foi feito na judeia, e também o que importava segundo o autor era a questão dos impostos, mas recolher imposto de escravos, ou de pobres analfabetos? Bem, não vou duvidar da tirania dos governos opressores, mas a história se adapta mais ao registro do povo, conforme o relato bíblico.

Outra tentativa de deturpação da pessoa de Jesus se encontra na declaração do autor, onde ele afirma baseado em sua pesquisa histórica que Jesus não foi nem de longe esse homem bondoso, paciente e longânimo apresentado pelos evangelhos e pelas cartas paulinas. O autor declara que há uma contradição nos relatos, Lc. 22.36Então, lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma.”  Mt. 10.34Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.”  Segundo o autor de Zelotas, essas palavras não procedem de um pacifista, mas de alguém que pela força deseja estabelecer sua vontade.

Como sempre, as suas alegações são que as palavras de paz ditas por Jesus não é dele e sim dos evangelistas os quais segundo o autor foram pessoas de segunda e terceira geração pós discípulos que escreveram (embelezaram) segundo suas intenções e dedicaram tais escritos aos apóstolos de Jesus. Sabemos no entanto que a maioria dos estudiosos acreditam que os evangelhos foram escritos entre 85-95 dC. Isto é, primeiro século, já as cartas de Paulo foram escritas antes disso entre 48-85 segundo os eruditos.

Acerca disso o que podemos dizer sobre o livro Zelota? O professor Luke Jonson um estudioso do NT. Acertadamente diz: “A enxurrada de livros recentes que alegam desvendar o verdadeiro Jesus, todos sem exceção seguem o mesmo padrões previsíveis”. O livro começa alardeando as credenciais acadêmicas do autor e de sua prodigiosa pesquisa. O autor alega oferecer alguma interpretação nova, e quem sabe até mesmo propositadamente ocultada, acerca de quem realmente Jesus foi.

Afirma-se que a verdade sobre Jesus foi descoberta por meios de fontes externas à bíblia que nos possibilitam ler os evangelhos de uma nova maneira que está em desacordo com seu sentido superficial. E é exatamente essa linha que segue o autor de zelota, quer recopiar os evangelhos baseado em fontes posteriores e externas ao evangelho. Ora se não podemos confiar nos evangelhos, como poderemos confiar em escritos externos aos evangelhos? Se de alguma forma os líderes da igreja, (pós apóstolos) acrescentaram algo, esse algo não foi sobre o que Jesus fazia, mas sim quem ele era.

Ou seja, realmente tornaram o Jesus humano em um Jesus Deus, isso é ponto pacifico. Agora, dizer que Jesus não era um pacifista, e que ele queria estabelecer o reino de Deus a força, e naqueles dias, não acredito. Diferentemente daqueles que se rebelaram contra o domínio romano, Jesus não buscou muitos seguidores, a maioria o rejeitava, diferente daqueles nos dias do massacre em Massada. O autor de Zelota falha por não ter uma percepção espiritual, acredito que este público fará apologia ao seu livro. 

Jesus não veio brigar com os romanos, não tem como dizer o contrário, Mt. 8. 9-10 “Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.”  A realidade é que o evangelho não é uma questão somente de fé cega, mas sim de espiritualidade, a qual transforma a mente. 

  
Evandro.

      

         


quinta-feira, 2 de julho de 2015

"Ave Cesar", e a marca da besta.

Dentro do contexto religioso e profético entendemos como preterista a visão que ensina que todos os acontecimentos relacionados ao fim do mundo já aconteceram, se consumando no ano 70 dC. Inclusive para os preteristas, mesmo a marca da besta também já aconteceu, para eles a marca foi o sinal com as mãos que os romanos e todos aqueles que demonstravam lealdade tinham que fazer para saudar o imperador. Tal saudação era conhecida como “Ave César”.

Ap. 13.16A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte. Devo ressaltar o fato que a bíblia diz que a marca é na mão ou na testa, não diz que é com as mãos, em outras palavras não é dito que é para fazer um aceno indicando um sinal. Essa distinção, que a primeira vista parece pequena, é de crucial importância para rejeitarmos tal interpretação. O “Ave César” era um gesto de saudação corrente entre os romanos. Logo, tal interpretação preterista carece de fundamentação bíblica sólida ou consistente. 

Segundo a bíblia para que servirá o sinal na mão ou na testa? Ap. 13.17 para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.” Sendo assim não há nada que indique que sem fazer o “Ave César” ninguém podia comprar nem vender nada. Em qual livro de História os preteristas descobriram que sem fazer esta saudação com as mãos não podia comprar nem vender nada? Por acaso quando alguém ia comprar alguma coisa o vendedor pedia primeiramente que fizesse a saudação do “Ave César”?  

Então, ainda que o “Ave César” identificasse os que eram do império romano, não é verdade que sem praticá-lo fosse proibido de comprar ou vender algo. Se fosse assim, então os discípulos de Cristo, todos os cristãos e o próprio Senhor Jesus nunca teriam comprado nem vendido coisa nenhuma, pois eles também não faziam o “Ave César”! 

Será, então, que Jesus ou seus discípulos morreram de fome por causa disso? Onde está na Bíblia ou na História Cristã qualquer relato de qualquer cristão que tenha sido proibido de comprar algo por ter rejeitado fazer esta saudação? Como que os discípulos de Jesus e o próprio Cristo conseguiram viver sem nunca terem comprado nada de ninguém e nem vendido coisa alguma, se eles não faziam o “Ave César” e, segundo os preteristas, quem não fazia isso não podia comprar nem vender nada?  

Em quarto lugar, como se tudo isso não fosse suficiente para desmoronar essa interpretação falida do preterismo, vemos que Barnabé vendeu um campo, e depositou o preço aos pés dos apóstolos At. 4.37 José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos”. Como ele conseguiu fazer isso, se os preteristas dizem que sem fazer o “Ave César” ninguém podia vender nada?  

Não há nada na história que diga que foi proibido o comprar e vender sem antes fazer a saudação típica dos cidadãos romanos. A verdade é que nunca foi proibido, na época de Jesus os cristãos não faziam o “Ave César”, mas mesmo assim compravam e vendiam naturalmente, e não há absolutamente nada, nem uma linha, nem um única afirmação histórica que nos diga que isso mudou depois, e que os romanos começaram a proibir de comprar coisas sem fazer este sinal. Como este é um argumento fraco os preteristas apelaram para a insígnia da moeda corrente no império romano. Os preteristas disseram que pelo fato de haver uma efígie de Cesar na moeda e pelo imperador se declarar um deus, então os cristãos não usavam as moedas do império, pois caso fizessem isso estariam incorrendo na idolatria.

Será que tais declarações têm apoio bíblico? Mt. 22. 17-21 Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não? Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

Isso quer dizer que Jesus não era contra fazer comércio com a moeda de César. Ele mandou que dessem o imposto devido fazendo uso exatamente desta moeda com a inscrição de César, então por que ele não iria permitir que comprassem alguma coisa com ela? Será que Barnabé vendeu o seu campo sem receber as “moedas de César”? É claro que não. Vemos Jesus contanto diversas parábolas dando como exemplo o denário da época, que tinha a inscrição de César Mt.10.29 “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.”  Mt. 20.2 “E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha.”  Jesus usaria algo como exemplo caso fosse proibido? 

Em momento algum vemos Jesus proibindo que se fizessem uso do denário; ao contrário, vemos que os discípulos possuíam uma bolsa onde guardavam as moedas ali dentro Jo. 12.6 Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava.” Vemos no NT. Os cristãos comprando e vendendo com a moeda que tinha a inscrição de César!  

Embora a moeda realmente tivesse a inscrição de César, o qual era cultuado como um deus na época, isso nunca, jamais, e em circunstância nenhuma foi qualquer impedimento aos cristãos fazerem comércio com ela, comprarem coisas com ela ou venderem propriedades recebendo essas moedas! Sendo assim, chegamos à conclusão óbvia e inequívoca que a marca da besta não era o “Ave César”, e muito menos a moeda com a inscrição do imperador romano.

Outro fato que não podemos esquecer é que a palavra (certa marca, ou um sinal) de apocalipse treze dezesseis que dizer algo gravado, estampado, imprimido, esculpido; o mesmo que fosse feito a ferro em brasa. Resumindo algo posto sobre a mão ou sobre a testa.