terça-feira, 1 de novembro de 2016

O "deus ego" e o evangelho da prosperidade.

Seguindo o curso imposto pelo capitalismo, os proclamadores do “evangelho” da prosperidade têm aguçado a tendência de seus seguidores a acreditarem que o simples fato de se intitularem cristãos, lhes dá o direito de serem prósperos em seus afazeres. Infelizmente os cristãos têm demonstrado em suas exposições que o deus o qual professam crer é um deus servo, a serviço do seu senhor.

Lamentavelmente este raciocínio tem penetrado até mesmo nas mentes de pessoas fora do circulo dos professos evangélicos da prosperidade, isso tem ocorrido devido ao fato do regime capitalista ter penetrado no dia a dia das pessoas, moldando os seus costumes e estimulando a sua tendência. E isso tem contribuído grandemente para os cristãos fazerem comparações com os mundanos ou mesmo com cristãos que são abalizados economicamente.

Infelizmente muitos não analisam como determinadas pessoas conseguiram acumular riquezas, não estão preocupadas em saber se foi de uma forma lícita ou não, não importa como, o que importa é ter. Existe apoio bíblico para o conceito de prosperidade material? Sim e Não, no AT. A vida dos israelitas era pautada no aqui e agora, claro se excetua alguns casos em que os profetas estimulavam uma vida de espiritualidade, Pv. 23. 17 “Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes, no temor do Senhor perseverarás todo dia.”  

Com tudo isso, os israelitas foram instruídos não à abandonar a justiça, mas a prosperar na terra a qual lhes foi dado,  no entanto, os cristãos não foram instruídos no modelo do AT. Pelo contrário, a teologia do NT. Vem desfazer este ensinamento. Jesus e seus seguidores estimularam a prática espiritual modelo de um novo reino, Jo. 18. 36 “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.”

Claro que este ensino abriu o leque para a interpretação que conhecemos na atualidade, ou seja, de que o reino será no céu. Antes, o ensino de Jesus visava despertar o povo de que o modelo de reino ou governo que regia o povo estava ultrapassado. Por outro lado estava sendo lhes apresentado um novo modelo de reino, era de origem espiritual ou celestial; outro fato importante a ser abordado é que o ensino de Jesus e de seus seguidores concernente ao reino espiritual, foi que o modelo de reino por ele proposto jamais foi um regime capitalista, nem socialista ou comunista. Contrariando o ensino daqueles que se intitulam cristãos e insistem em apresentar um deus servo.

Em outras palavras não existe apoio para o evangelho da prosperidade dentro do ensino do NT. Lc. 3. 10-11 “Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo.” Não podemos dizer que Cristo e os seus discípulos ensinaram um modelo político o qual visava trazer um equilíbrio entre a sociedade, não pelo contrário, Jesus apresentou um modelo espiritual, baseado na justiça de Deus.

Assim sendo aqueles que se apoiam no modelo de prosperidade ensinado por alguns seguimentos dentro do cristianismo estão desvirtuado quanto a espiritualidade, não existe barganhas com Deus, posso lhes garantir que isso é completamente contrário e mesmo anti bíblico, Mc. 8. 34-35 “ Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.”  Logo, se o reino de Cristo não pertence a este sistema, se a nossa preocupação é com a vida espiritual, fica claro que o dito evangelho da prosperidade não tem base bíblica e é tremendamente mundana e egocêntrica. Muitos irão argumentar dizendo que vivemos em outro contexto, e o sistema de trabalho e remuneração pertence ao capitalismo não mais ao ensino bíblico.

Claro está que tal argumentação não pode surgir de uma pessoa que diz crer na bíblia, até porque o sistema bíblico de distribuição não é nenhum desses o qual presenciamos, o outro fato que devemos atentar é que a repartição de bens entre a comunidade do NT. Ocorreu após o pentecostes, portanto foi um sistema de distribuição espiritual e sem incentivo político.

Parece-me que mesmo após alguns anos os seguidores de Cristo não haviam abandonado a instrução dos apóstolos com relação à distribuição justa e igualitária, 2ª Co. 8. 12-14 “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância no presente a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade.”

Quando me referi ao deus servo me reporto à prática da pregação instituída pelos proclamadores da prosperidade, a qual podemos perceber na mídia, principalmente na televisiva, percebemos os líderes dessas seitas esbravejando e exigindo que o deus o qual eles acreditam venha lhes satisfazer as suas ordens e desejos, contrariando assim o ensino bíblico de que a vontade suprema de Deus, me refiro ao Deus da bíblia, ou seja, primariamente a vontade de Deus deve ser realizada.

Podemos estar certos de que as bênçãos as promessas e tudo o que perfaz o ensino bíblico principalmente do NT. Está direcionado para a questão espiritual, não podemos medir as bênçãos e promessas de Deus baseado no que conseguimos ou deixamos de conseguir. Os evangélicos atribuem ou medem a sua conduta espiritual baseado naquilo que conquistam, isso é anti bíblico e herege, não existe um pingo de verdade neste ensinamento.

Para eles se um seguidor não está prosperando e isso economicamente, provavelmente segundo eles tal pessoa não é um dizimista fiel, se, contudo, tal pessoa for um fiel dizimista é o diabo que está lhe provando, no meio religioso isso é conhecido como “chavões”, ou seja, se não tem como contrapor ao menos lhe meta terror. Mt. 8.20 “Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.”

Para os evangélicos da prosperidade Jesus não preencheria o quadro de bom seguidor pelo fato de não ser próspero economicamente. Devemos evitar pensar como esses da prosperidade, pelo fato de isso não ser real ou mesmo possível, no que diz respeito a intervenção de Deus para que tal aconteça, ou seja, as bençãos de Deus não são medidas por ganhos e perdas, isso não tem apoio bíblico, polo contrário é mais fácil ter perdas materiais do que ganho real. 

Na verdade isso é uma sugestão do ego embasado na cultura a qual pertencemos, ou seja, o capitalismo e o consumismo tem dominado, instigado sugerido a sermos prósperos economicamente. Na atualidade se alguém não possuir e muito, tal sujeito está fora do sistema. Portanto, essa não deve ser a lógica seguida por aqueles que professam ter fé na bíblia, pelo contrário, o capitalismo o consumismo além de danificar o planeta com a desculpa de trazer prosperidade tem proporcionado inúmeras doenças, tais quais: depressão, problemas cardíacos entre outros. Vale ressaltar também que este assunto não visa ser contra o bem estar e mesmo a prosperidade das pessoas. Mas sim ser contrário o comércio religioso.     

Evandro.

sábado, 15 de outubro de 2016

O satã bíblico não é o satã da cristandade.

A despeito de a cristandade insistir, argumentar e tentar provar, em todo o chamado antigo testamento não existe uma referencia sequer falando sobre o diabo como sendo um ser espiritual. Isso acontece pelo fato da palavra satã nada ter a ver com os anjos caídos, ou demônios do conceito clássico cristão. Com efeito, em várias oportunidades dependendo das versões aparece o termo satã no antigo testamento. A despeito de o povo judeu ter vivido rodeado por povos os quais acreditavam em demônios a cultura hebreia baseado em sua religião não permitiu tal assimilação. Sl. 96. 5 “Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor, porém, fez os céus.”

Outra questão que devemos atentar está no fato de vários versos bíblicos quando esses mencionam a palavra hebraica satã não significa, no entanto que este esteja se referindo a um ser espiritual, por exemplo: 1ª Sm. 29. 4 “Os príncipes dos filisteus muito se indignaram contra ele; e disseram-lhe os príncipes dos filisteus: Faze voltar a este homem, e torne ao seu lugar em que tu o puseste, e não desça conosco à batalha, para que não se nos torne na batalha em adversário: porque com que aplacaria este a seu senhor? porventura não seria com as cabeças destes homens?”

É digno de nota que este e os outros versos que virão a seguir trarão consigo a palavra adversário, e no original hebraico significa satã. Mas, o que o verso acima associa? Quando Davi fugiu de Saul se refugiou com os Filisteus, e estes estavam em guerra contra Israel, agindo de astúcia os príncipes dos Filisteus não permitiram a Davi ir à peleja contra os seus irmãos israelitas, com medo dele Davi se rebelar contra eles os Filisteus. Lembrando também que a palavra adversário (satã) no original quer dizer, “alguém que se opõe”.

2ª Sm.19. 22 “Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? morreria alguém hoje em Israel? porque porventura não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?”  A questão aqui envolve a Simei o qual a bíblia diz ser descendente de Saul, este Simei quando Davi fugiu da revolta de seu filho Absalão, Simei começou a lhe atirar pedras. Quando Davi se fortaleceu no reino novamente Simei veio suplicar perdão, então Abisai chamado filho de Zeruia intentou matar a Simei.

Foi quando Davi lhe disse que ele e seus irmãos estavam lhe sendo por adversários ou satã. Estaria Davi dizendo que existem satanases? Ou os adversários que estavam lhe resistindo eram simplesmente pessoas do seu reino? Naturalmente Davi se referiu a seres humanos, não há espaço aqui para se acreditar que ele se referia a um ser espiritual e muitos menos vários deles.     

Na próxima passagem a bíblia ARA traduz simplesmente por inimigo onde o original hebraico diz satã; 1ª Rs. 5. 4 “Porém a mim o Senhor, meu Deus, me tem dado descanso de todos os lados; não há nem inimigo, nem adversidade alguma”. Já a ARC diz: “Porém agora o Senhor, meu Deus, me tem dado descanso de todos os lados; adversário não há, nem algum mal encontro”. O contexto reforça a ideia de que Salomão tratava de inimigos humanos, não se pensava em seres espirituais.

Mas Pouco depois já há dois satãs para Salomão, 1ª Rs. 11. 14 “Levantou o Senhor contra Salomão um adversário, Hadade, o edomita; este era da linhagem real de Edom.” 1ª Rs. 11. 23 “Também Deus levantou a Salomão outro adversário, Rezom, filho de Eliada, que havia fugido de seu senhor Hadadezer, rei de Zobá.” Novamente a Bíblia descreve inimigos adversários humanos, não menciona nada de um adversário (satã) espiritual. Sl. 109. 6 “Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador.”  Esta tradução é da ARA. No original a palavra acusador é satã. Estaria Davi invocando um ser espiritual para ser o acusador do seu inimigo? Não, esta não é a mentalidade que permeia o AT. A acusação referida significa alguém acusar os erros literalmente, já a versão ARC diz: “Põe acima do meu inimigo um ímpio, e Satanás esteja à sua direita.”

Será que a oração de Davi foi para que esse homem o seu inimigo ficasse rodeado por um ser maligno lhe acusando, ou a sua oração foi para que ele tivesse alguém que lhe resistisse que lhe fosse por adversário? Qual seria a vantagem ou mérito para Davi acreditar que o seu inimigo tivesse a sua direita de forma espiritual um acusador invisível? Não adiantaria nada. Como a palavra acusador significa satã, os tradutores aproveitando o fato da aceitação cristã com relação ao diabo resolveram adicionar de uma forma literal e completa a palavra satanás em algumas traduções.

Depois do exílio babilônico, satã personifica alguém que estava tentando resistir o sumo sacerdote Josué. Dentre os servidores de Josué, um deles tem o cargo de satã, de acusador. Satã é um cargo não uma pessoa. Não é um nome próprio, é um título. Zc. 3. 1 “E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor”. Um fato interessante é que a palavra hebraica opor significa satã, sendo assim satanás estava ali para ser satanás.

Zc. 3. 7 “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Se andares nos meus caminhos e observares os meus preceitos, também tu julgarás a minha casa e guardarás os meus átrios, e te darei livre acesso entre estes que aqui se encontram”. Reparem que o verso 7 trata de questões terrenas, relacionadas a Jerusalém daqueles dias, Josué deveria ser integro, disse o Anjo, agindo assim ele julgaria o povo, nada relaciona que satanás estava lhe acusando com o objetivo dele Josué perder a salvação, isso é interpretação.

Zc. 3. 8 “Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens de presságio; eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo.”  O verso 8 vem confirmar o fato que Josué não trabalhava sozinho, significando que entre os seus colaboradores existia alguém ali que estava lhe opondo, estava lhe resistindo.

O termo Satã é aplicado também ao anjo do Senhor no Livro dos Números: Nm. 22. 32 “Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim”. A palavra adversário é satã, reparem que neste verso o satã é um ser justo o qual repreende a perversidade de Balaão, se aplicado como interpreta a cristandade o verso seria no mínimo estranho.


Também nas Crônicas, Satã significa a oposição feita pelo próprio Deus. 1ª Cr. 21. 1 “Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel”. A bíblia também diz que foi o próprio Deus quem fez isso, 2ª Sm. 24.1 “Tornou a ira do Senhor a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá.” Satanás no AT. Não significa um ser espiritual do mal, nunca designa um ser que possamos considerar um demônio no sentido, errado, tão difundido entre os cristãos de um ser espiritual e perverso. Significa oposição, resistência e mesmo a própria inimizade do homem para com o homem. 

Evandro.

sábado, 1 de outubro de 2016

A necessidade de uma Nova Ordem.

O objetivo deste tópico não é criar “terror” apocalíptico e muito menos infundir um sentimento sensacionalista nas pessoas, mas sim tratar da realidade geo social que nos rodeia. No que concerne a questão apocalíptica, principalmente as questões relacionadas ao meio ambiente, à política e a economia percebe-se claramente que tais questões deixaram de ser abordadas somente no meio religioso e passaram a ser tratadas no meio cientifico. Atualmente a escassez, o problema climático e mesmo a super população em vários recantos do globo tem sido destacado pelo meio científico como um problema que trará sérios impactos para o planeta.  

O que desassocia a comunidade cientifica da questão religiosa no que diz respeito a este assunto é que a ciência tem acreditado que tais problemas sociológicos serão sanados, acreditam eles que com educação, respeito pela biodiversidade, e com a evolução do saber os homens apesar de passarem por períodos catastróficos evoluirão, e se adaptarão, contornando assim a crise ambiental e política. Agindo assim percebe-se claramente o homem colocando sua “fé” na engenhosidade do próprio homem, porém a prática decorrida da própria história tem demonstrado o oposto.

Na verdade a história tem confirmado a bíblia no que diz respeito à evolução humana. Jr. 17. 9 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" Isto denota o fato de que apesar de boas intenções a sociedade colherá apenas os frutos da evolução no que diz respeito apenas aos bens de consumo, ou seja, a evolução humana concernente ao convívio pacífico com o seu semelhante e o habitat natural, por mais que tentem não atingirá tal desenvolvimento.

O convívio pacífico em todas as suas esferas requer uma transformação interior, infelizmente isso é algo que o homem não possui e muito menos pode oferecer, diferentemente na questão industrial percebemos uma evolução muito grande, os bens de consumo produzido para aquietar uma sociedade faminta por tecnologia e desenvolvimento tem patrocinado uma busca predatória pelos recursos naturais e isso tem contribuído para um desgaste extremo do mesmo.

Em resumo, a medida que o homem evolui no campo da ciência e da tecnologia ele regride na paciência e no altruísmo, assim sendo a tão sonhada evolução humana a qual tem como objetivo atingir uma esfera superior capaz de conviver em paz com o próximo e com o meio ambiente não será atingido. Por fim quando a explosão demográfica atingir o seu limite, quando os recursos naturais ( a água o alimento) diga-se de passagem, não for suficiente para aqueles que comandam a sociedade, então algo de radical será levado a efeito.

Vale salientar também que a evolução espiritual não será atingida devido a rejeição de Deus e sua palavra, e o problema crucial disso tudo está no fato de que, menos espiritualidade mais egoísmo, isso é apoiado pela bíblia, 1ª Co. 2.14 “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”

A radicalidade dita acima é algo previsto pela bíblia, o comportamento humano só vem ratificá-la.  Ap. 13. 16-17 “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.”

Reparem no verso como ele destaca a questão comercial, e dito no mesmo que com exceção daqueles que receberem certa marca poderão comprar e vender. É interessante destacar que mesmo dentro da comunidade cristã existe resistência quanto a implantação da marca, em outras palavra acreditam os resistentes que a marca da besta conforme dito pela bíblia é algo que está no passado.

Ap. 14. 9-10 “Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.”

Os versos estão dando ênfase para o vindouro juízo de Deus, em outras palavras aqueles que se submeterem ao governo da “besta” serão condenados por Deus, tal condenação e execução são entendidas como sendo um acontecimento no futuro, ou o juízo. Ap. 19. 20 “Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre.”

Outros ainda acreditam que a marca é um simbolo, pelo fato de o livro do apocalipse tratar de acontecimentos simbólicos. Mas o autor do livro destaca no verso 16 o fato de que tal marca será imposta literalmente, “faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte.”  (grifo meu). No original a palavra marca é charagma e que dizer marca impressa, marca imprimida com ferro quente, algo esculpido, gravado.

O fato do livro do apocalipse ser escrito de uma forma simbólica não significa que tudo o que é descrito deva ser entendido simbolicamente. Caso fosse assim, o próprio Jesus, os salvos e a restauração quando apresentados no livro deveriam representar algo diferente, mas não é assim. Muito se tem argumentado com relação à marca da besta, e o que será ela; fala-se de micro chip de código de barra, e outros afins.

Na realidade como dito acima a tecnologia tem avançado e o avanço tecnológico é que cimentará o cenário para que seja implantado tal recurso; o mundo globalizado e completamente conectado será necessário para tal sistema de governo e isso a Internet tem cumprido muito bem. Quanto à questão do comercio nos dias futuros e a sua implicação para a sobrevivência dos seres humanos, acredito que a tecnologia apresentada acima, tais quais, micro chip, código de barra e outros são apenas aspectos embrionários daquilo que será utilizado como padrão no futuro.

Outro fato importantíssimo que devemos atentar é que o comércio lícito não é pecado, no entanto, a bíblia descreve como cometendo anomalias aqueles que “optarem” em ser marcado na fronte ou na mão. Em minha concepção o que fará com que tal ato seja reprovado e condenado por parte de Deus, será a tentativa dos líderes com o apoio da população em abolir Deus a fé em sua palavra do dia a dia das pessoas. Assim sendo, naqueles dias, acredito que o mundo e os seus recursos estarão fadados a falência.

E a marca será um meio utilizado pela elite global com o intuito de “organizar, ordenar e mesmo adaptar” os moradores do mundo, o comercio foi destacado com o intuito em demonstrar o sistema de governo incrédulo que regerá os incrédulos da terra.

Evandro.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

As duas naturezas de Cristo, é bíblica ou pós bíblica?

O cristianismo do 3º século em diante achou necessário transformar Jesus em Deus. Talvez por necessidade dos novos convertidos os quais viviam a realidade da cultura helenística, isto é, respiravam o ensinamento os quais acreditavam que os deuses podiam se encarnar, ou mais propriamente acreditavam que os deuses tomavam para si mulheres e com estas tiveram filhos. Mas como transformá-lo em Deus se ele Jesus era humano?

Foi então que os padres dos primeiros séculos adeptos da filosofia de Sócrates, Platão, Plotino, Heráclito e outros se valeram da mesma e ensinaram que Jesus é o Deus-homem. No livro (História da filosofia ocidental, vol. Pág. 330) diz: “O Deão Inge em seu inestimável livro sobre Plotino enfatiza com muita precisão o que o cristianismo deve a ele. O platonismo diz ele, é parte da estrutura vital da teologia cristã, com a qual ouso dizer, nenhuma outra filosofia pode se conciliar sem atritos. Há uma absoluta impossibilidade de extrair o platonismo do cristianismo sem destruir por completo o cristianismo.”

Assim sendo e se valendo deste ensinamento, os pais conciliaram a filosofia grega aos escritos apostólicos principalmente o texto de João o qual cita que a palavra ou o verbo estava com Deus. Jo. 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Já a bíblia boa nova em português corrente diz: “No princípio era a Palavra. A Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” Como já dito em assuntos anteriores os tradutores optaram por Verbo com V em maiúsculo ao invés de palavra pelo fato desta ser feminino.

     Assim mesmo a própria tradução em português corrente faz um trocadilho e opta por escrever palavra como sendo masculino; Jo. 1. 2-3 “Aquele que é a Palavra estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada foi criado.” O certo seria: “Todas as coisas foram feitas por meio dela” . O que João pretendeu dizer ao descrer a palavra grega logos? Estaria ele falando daquilo que ela representava ou estaria dando outro significado?

Logos significa muitas coisas entre elas estão:  O ato de falar, palavra proferida a viva voz, aquilo que expressa uma concepção ou ideia. o que alguém disse. Palavra, os ditos de Deus, seu uso com respeito a MENTE em si, causa, motivo. Este é a real aplicação para o termo logos, mas através de Heráclito esta palavra ganhou outra conotação, Foi nos escritos de Heráclito que a palavra "logos" mereceu especial atenção na filosofia da Grécia Antiga. (1).

O estoicismo é uma doutrina filosófica que afirma que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os estoicos tomam de Heráclito e desenvolveram. A alma está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual pertence. Este logos (ou razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um cosmos (termo que em grego significa "harmonia"). Visto que o homem buscava intensamente essa harmonia e tranquilidade de vida.

Devido a isso na teologia cristã o conceito filosófico do Logos viria a ser adaptado e tornou-se um Deus encarnado. Assim sendo Para Heráclito o logos é a razão que domina todo o universo e que faz possível a existência de ordem e regularidade no acontecimento das coisas. Para Ele, o logos também está presente em nós e que deve servir para guiar-nos na nossa conduta e como instrumento para o verdadeiro Conhecimento. Já na comunidade cristã, o termo logos tornou-se o divino mediador da criação que se fez carne. Muitos acreditam que o termo logos pertence ao cristianismo genuíno. Porém o conceito logos havia surgido no contexto cultural helenista.

Outra questão importante reside no fato de os escritos do AT. Não atribuir ou comparar a palavra criadora de Deus com uma pessoa; Gn. 1.3 “Disse Deus: Haja luz; e houve luz.” A palavra original “Disse Deus” אמר é traduzido como ’amar e significa literalmente: dizer, falar, proferir, ordenar; diz apenas que Deus falou e tudo se fez, nada diz de um ser intermediário agindo com função criadora. O salmista compartilha deste pensamento ao dizer em Sl. 33. 6 “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles.”

O verso 9 do mesmo capítulo corrobora com esta visão “ Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.”  Não há como acreditar em um ensinamento tão modificado, a bíblia é clara em dizer que o ato criador de Deus foi através de sua ordem expressa, porém, ao estabelecer a filosofia grega como sendo a base do ensino cristão maculou-se a religião.

Com o intuito em objetar muitos irão recorrer o verso de João lido acima e dirão: se é assim como resolver a questão onde diz que o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus? Tendo em mente que Verbo é o mesmo que palavra, podemos entender que a palavra, a sua voz, é em última instância a sua autoridade, vontade e intenção, portanto o representa. Assim sendo a prova deve ser exigida para os objetores, os quais terão de responder o seguinte:

O Verbo ou palavra é uma pessoa separada de Deus e estava com Deus na criação? Se disserem que sim, fica claro que existem dois deuses. Ou seja, não há nenhuma lógica em afirmar que Deus estava com Deus e mesmo assim não ser dois deuses, inclusive tal ensinamento joga por terra o monoteísmo bíblico e mesmo a doutrina trinitária, portanto a única lógica plausível é acreditar que o Verbo ou a palavra de Deus é a sua intenção, propósito e ação que em última instância o traduz.  

Hb. 11. 3 “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” Aqui o autor da carta aos hebreus acertadamente confirma o ato criador feito por Deus e diz que tal ato foi feito por sua palavra, o interessante que neste verso não é usado a palavra logos para descrever palavra, mais sim rhema, que quer dizer: aquilo que é ou foi proferido por viva voz, algo falado, palavra, qualquer som produzido pela voz e que tem sentido definido, fala, discurso, aquilo que alguém falou.

Fica claro então que o ensinamento das duas naturezas de Cristo, de um logos como sendo uma pessoa separado de Deus, contradiz claramente o ensino bíblico, os pais da igreja levaram anos e mesmo séculos para tentarem elaborar um ensinamento coerente acerca das duas naturezas de Jesus, e por fim foi dogmatizado como infalível.

Evandro.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Em seu retorno, Jesus encontrará fé na terra?

No assunto a seguir a segunda parte do verso 8 de Lucas 18 nos interessa para questão de analise, “Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” De uma perspectiva teológica esta pergunta de Jesus é muito interessante, porém pouco analisada. A primeira parte da pergunta diz: “quando vier o Filho do Homem...” Segundo estas palavras de Jesus, nós podemos entender ao menos duas questões: (1) fica claro que Ele se referia a uma era vindoura, não aquele momento.

A despeito de suas palavras terem sido dirigidas para os seus contemporâneos o seu cumprimento abrangente foi para eras subsequentes, isto pode ser comprovado após as palavras ditas acima,  (quando vier o Filho do Homem). Jesus não disse “Eu estou aqui, ao contrário ele disse, quando vier”. Seria simples comprovar a incredulidade dos seus naquele momento, mas não foi esse o intuito. A incredulidade daqueles que o circundava só representava de uma forma estrita a falta de fé da geração que receberia o seu retorno.

E a segunda questão é a mais interessante ou aquela que nos representa. E baseado nisso podemos lançar uma pergunta com o objetivo em ser o alicerce do assunto em construção: o cristianismo atual em todas as suas facetas tem ensinado ou mesmo estimulado aos seus adeptos a aguardarem a volta de Jesus? A pergunta é necessária, visto ela fazer frente a outras questões que trazem objeções ao próprio ensinamento de Jesus, ou seja, o seu retorno sobre a terra.

Vivemos a era da informação, o mundo conectado tem reduzido o espaço e a espera, isto sem dúvida é um avanço que trás para a sociedade. No entanto, nem tudo são flores, no mundo cibernético as mazelas produzidas podem ser notadas diariamente, e entre elas estão: À perda de tempo, os Sites que fomentam o vício, e no que tange a questão religiosa ou mais propriamente a espiritual, percebemos um desinteresse muito grande por parte de muitos.

E sem contar um incentivo até mesmo de ódio por parte de outros. Tudo isso tem sido fomentado e patrocinado pelo relativismo que ora permeia a sociedade tudo isso tem contribuído para basear a segunda questão, ou seja, na sua vinda Jesus encontrará fé na terra? Naturalmente terei que ratificar o fato de Jesus estar se dirigindo a sua pergunta para aqueles que professam fé em seu retorno, a bíblia é enfática em dizer isso; Jo. 3. 18-19 “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.”

Em outras palavras aqueles que não creem não se preocupem em criticar ou mesmo em patrocinar o descrédito, são palavras vãs sem nenhum peso, ou seja, perda de tempo. Muitos se preocupam e dizem: os incrédulos tem apagado a fé de muitos nesses Sites polêmicos, Eu penso e pergunto, será mesmo? Baseado na informação bíblica acredito piamente que não. Dentro da esfera humana somos produtos do meio, isto é, claro está que para alguns a conclusão encontrada em um depoimento contrário a fé e mesmo a crença em Deus pode ser catastrófica, ou seja, perda da fé.

Mas como dito acima somos produtos do meio, e isso não é tão ruim, ou seja, aquilo que é depreciativo que vem de encontro com a palavra de Deus são os meios que ora presenciamos. Mas como tudo neste mundo não foge do controle absoluto de Deus, podemos acreditar que o meio que ora vivemos e presenciamos tem como objetivo em nos levar de encontro com o fim que Deus irá nos proporcionar. Por isso disse acima, não precisamos ficar temerosos se o relativismo fomentado pelos céticos tem abalado a fé de alguns, muitos então dirão: - Posso participar de debates com céticos e relativistas e perder preciosas horas no mundo cibernético e mesmo assim estar seguro? A resposta é sim e não.

Todos podem fazer o que acharem ser melhor para suas vidas, no entanto, vejamos o conselho bíblico Judas verso 3 “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”

Neste verso encontramos algo interessantes: nos é dito para batalharmos, por algo que já nos foi dado, o que é trabalhar por algo já conquistado? Seria isso um paradoxo? Não, lembrem-se, somos produtos do meio, somos facilmente influenciados. Realmente a fé é um presente de Deus que já nos foi dada, no entanto, somos facilmente levados de um lado para outro, assim sendo o batalhar pela fé significa não ser tão susceptível a ensinamentos contrários a bíblia e o seu conteúdo.

Significa não perder tempo somente com entretenimento e coisas que não edificam. O estilo de vida que presenciamos no mundo pós moderno tem contribuído grandemente para edificar o palco o qual tem pisado aqueles que cumprirão na integra as palavras de Jesus, ou seja, no que diz respeito a espiritualidade a sociedade atual tem formado pessoas vazias, desprovidas de fé.

Lutar pela fé a qual nos foi dada, não significa conquistar a fé, mas sim fortalecê-la, significa prioriza-la em meio a um mundo descrente. A falta de fé na terra pode ser muito bem representado pelo estilo de vida que os cristãos da atualidade tem levado, inclusive um verso bíblico adequado para sintetizar este exemplo encontra-se em Lc. 6. 45 “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” A segunda parte do verso é o que nos interessa.

Assim segundo a bíblia, a boca fala do que está cheio o coração, assim também são as nossas ações, tendências e vontades, ninguém irá deixar de seguir os padrões mundanos se estes lhes atrai, do mesmo modo ninguém se agradará da palavra de Deus se esta não lhe for importante. E de igual modo ninguém terá fé, a menos que esteja familiarizado com os ensinamentos bíblicos. Mas se estamos familiarizados com a bíblia e seus ensinamentos, se temos por ela estima, qual a razão então, de muitos não terem fé?

Baseado no contexto humano acredito que a resposta está em Rm. 12. 2 “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Se conformar com este século é se padronizar segundo os ditames do mundo, naturalmente quem age assim trará como resultado uma vida sem fé e crença nas coisas sagradas, lembrando sempre que o mundo promove contenda, naturalmente ninguém será aprovado na vinda de Cristo se o seu padrão for o mundo e suas informações.


Claro está que me refiro a informação contenciosa, a qual tenta denegrir a espiritualidade e os bons costumes.

Evandro.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tito 2. 13 prova a doutrina da trindade?

Vários versos bíblicos principalmente aqueles que são encontrados no NT. São usados com o intuito em fortalecer a doutrina da trindade, neste assunto destaco o verso encontrado na carta de Paulo dirigida a Tito. Na Almeida Revista e Atualizada diz assim: Tt. 2. 13 “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.” Para o leitor trinitário o verso vem como luva, apoiando as suas expectativas. Mas, no final do assunto veremos que esta tradução não é a mais indicada, isso pelo fato dela deixar brechas em sua declaração.

E podemos enumerar as falhas encontradas nesta tradução: (1) Esta foi uma declaração de Paulo e como sabemos esta não é a maneira peculiar que ele utiliza para descrever Deus e Jesus, basta para isso lermos os seguinte s versos: Rm. 1. 7 “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”
          
Rm. 5. 11 “E não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.” 1ª Co. 1. 3 “graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” 1ª Co. 8. 6 “Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.”

Percebemos a diferenciação ou distinção que ele faz, com relação a Deus, o pai, e ao Senhor, Jesus Cristo, não podemos compreender como ele Paulo querendo enfatizar uma só pessoa. (2) Outro fato importante é considerarmos as construções semelhantes, por exemplo: 2ª Ts. 1.12 “ A fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.”

Estes versos só vem demonstrar a desuniformidade das traduções, naturalmente é compreensível, visto que elas (as tradutoras) querem fortalecer a fé dos leitores trinitarianos. No entanto o verso de Tito 2. 13 pode muito bem ser traduzido assim: “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do Salvador Cristo Jesus.”

A diferença que faz a diferença está na preposição “do” e do artigo definido “e”. Granville Sharp. (1755 a 1813) Antes, porém, de me referir um pouco sobre Sharp é importante destacar como a tradução católica a bíblia do peregrino descreve Tito 2.13 “Esperando a promessa feliz e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do nosso salvador Jesus Cristo.” Percebe-se uma falta de consenso, mesmo entre as tradutoras trinitarianas, no entanto, a tradução é fiel ao texto bíblico.

Granville Sharp foi um homem notável, abolicionista, escreveu vários enunciados, tanto relacionado aos direitos humanos como em relação ao cristianismo. Um trinitariano convicto, resolveu estudar o grego afim de poder provar a divindade de Jesus, foi através da leitura de Tito 2.13 que ele percebeu a possibilidade de criar regras gramaticais que pudessem corroborar com a deidade de Cristo.

Assim sendo ele produziu seis enunciados conhecidos como o cânon de Sharp. Segundo a regra de Sharp quando a preposição ou o artigo vem antes do primeiro substantivo e não é repetido no segundo substantivo está se referindo sempre a mesma pessoa que está descrita no primeiro substantivo, por isso o verso de Tito 2.13 da a entender que se fala de uma única pessoa. Em outras palavras se dois nomes do mesmo caso são conectados por um "kai" e o artigo é usado com ambos os nomes, eles se referem a diferentes pessoas ou coisas. Se somente o primeiro nome tem o artigo, o segundo nome se refere à mesma pessoa ou coisa referida pela primeira.

Mas para o leitor atento a regra de Sharp não pode servir de regra, pois regra significa englobar tudo, e este não é o caso, reparem somente em 1ª Ts. 1.12 “A fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.”  O verso ou as pessoas são ligadas pelo artigo e pela preposição, no entanto, percebe-se claramente a distinção das pessoas.

Em outras palavras a regra de Sharp não serve de regra, pelo fato dela ter suas exceções. Ef. 2.20 “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” Neste verso o artigo e está entre apóstolos e profetas, sabemos, no entanto, que ambos são distintos, são de épocas diferentes. O artigo definido “e” vem da partícula primária “Kai”.

Ef. 4.11 “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres.” O mesmo vemos em pastores e mestres, a partícula primária que tem uma ação aditiva está entre esses dois substantivos, no entanto, ambos exercem funções diferentes. Portanto, pastor não é o mesmo que mestre, assim como apostolo não é o mesmo que profetas, de igual forma Jesus não é o mesmo que Deus, significando que a partícula definitiva Kai não torna seres distintos em uma mesma pessoa.

Ef. 5. 5 “Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.” Segundo a regra de Sharp o verso fala de uma mesma pessoa, ou seja, ele estaria falando de Jesus duas vezes além de excluir Deus, o pai. A bíblia diz “reino de Deus” umas setenta vezes, ao passo que reino de Cristo só encontramos em Efésios 5. 5. E o mais interessante é que na bíblia Jesus não é identificado como o Deus que reina, mas como o rei constituído por Deus.

O qual na consumação de todas as coisas entregará o reino a Deus, conforme está escrito em 1ª Co. 15. 24 “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.” 


 Evandro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Objeções ao juízo investigativo.

A Igreja Adventista do 7º dia tem como base fundamental a doutrina do "juízo investigativo". E. G. W. A profetisa do adventismo diz: “A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento, foi: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” O grande Conflito Pág. 409.

O que é proclamado neste ensinamento foi que em 1844, Jesus entrou no Lugar Santíssimo do céu, para começar a purificar o santuário celeste. Se esta doutrina puder ser refutada então todo o ensinamento dos adventistas deverá ser refutado, inclusive a própria denominação deixara de ter crédito, pelo fato dela ser tanto a coluna como a base da fé do adventismo. Muitos são os argumentos utilizados pelos adventistas, a fim de tentarem provar a veracidade das 2300 tardes e manhãs como sendo dias anos. Esta doutrina está baseada nos capítulos 8 e 9 de Daniel.

Dn. 8. 3-4 “Então, levantei os olhos e vi, e eis que, diante do rio, estava um carneiro, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um, mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte, e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade e, assim, se engrandecia”.

A própria bíblia descreve o que representa o carneiro e os seus dois chifres: Dn. 8. 20 “Aquele carneiro com dois chifres, que viste, são os reis da Média e da Pérsia”. No que diz respeito a bíblia e em profecia, animal sempre representa reino, assim como chifre simboliza um rei.

Dn. 8. 5-7 “Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode tinha um chifre notável entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder. Vi-o chegar perto do carneiro, e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; e o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele”.

Segundo o relato bíblico as coisas começaram a se complicar para os medos e persas, a sua altivez e orgulho estava sendo ameaçados. Novamente pela bíblia somos informados quem representa o bode peludo, Dn. 8. 21 “Mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei”.

O verso acima nos diz que o império Medo Persa dominou o mundo de então até que veio Alexandre ou (o chifre notável) e tomou o poderio fazendo com que a Grécia dominasse o mundo. Nesta analise simples começamos a perceber que a doutrina das 2300 tardes e manhãs começa a ruir, e isso é percebido quando fazemos a leitura dos seguintes versos:

Dn. 8. 8-9 “O bode se engrandeceu sobremaneira; e, na sua força, quebrou-se-lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatro ventos do céu. De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa”. Dn. 8. 22 “O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não Com força igual à que ele tinha”. Vimos anteriormente que o bode da profecia representa o império grego e o grande Chifre o primeiro rei o qual a maioria dos estudiosos acreditam ser Alexandre. E dito também que o grande chifre se quebraria. Neste caso morreria, porém do mesmo reino diz a profecia, se levantaria quatro reis, ou seja, no império grego se levantaria quatro pessoas com o intuito de reinar.

Alexandre faleceu em meio a uma ardente febre, antes mesmo de sepultá-lo os seus generais começaram a discutir. Vinte e dois sangrentos anos mais tarde em 301 A.C, quatro generais se achavam no comando dos quatro reinos greco; [1] Cassandro ficou com a Macedônia e a Grécia; [2] Lisímaco tomou a Trácia e a grande parte da Ásia menor; [3] Ptolomeu reteve o Egito a Cirenáica e a Palestina; [4] Seleuco reteve a Síria.

Vimos no verso 22 a bíblia dizendo que o império grego seria divido em quatro fato que realmente aconteceu. Mas o problema com a doutrina das 2300 tardes e manhãs para os adventistas se encontra nos versos 8 e 9 vamos ler novamente: “O bode se engrandeceu sobremaneira; e, na sua força, quebrou-se-lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatro ventos do céu. De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa”.

O bode se engrandeceu, ou seja, (o ápice do império grego), e o grande chifre foi quebrado, (morre Alexandre) os quatro chifres, (são os generais ditos acima.) O chifre que rumou para a terra gloriosa algo que quase todos os estudiosos acreditam ser Jerusalém chegando lá matou os sacerdotes e profanou o santuário proibiu algo extremamente importante para os judeus daqueles dias o sacrifício diário, mas porque isso aconteceu? Dn. 8. 12 “O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou.”  Sim por causa das transgressões do povo que se dizia santo.

E por quanto tempo duraria essa assolação a qual impediria que os sacrifícios diários fossem restabelecidos? Dn. 8. 14 “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” É exatamente isso que a bíblia está dizendo, ou seja, vocês estão desobedecendo por isso vou enviar alguém que vai matar alguns de vocês, vai profanar o templo e irá impedir que os trabalhos nele realizados fiquem parados por 2300 dias.

Mas para ser instituída a doutrina do santuário dos adventistas precisa mais do que isso. Vejam o que diz o escritor adventista C. Mervyn Maxwell: “Os leitores da bíblia por vezes entendem que ao dizer que o chifre pequeno saiu de um deles, o significado é que ele surgiu de um dos quatro chifres. O que a bíblia realmente quer dizer, entretanto, é que o chifre pequeno surgiu de um dos quatro ventos; ou seja, que ele surgiu de um dos quatro pontos cardeias”.)  Uma nova era segundo as profecias de Daniel, pág. 157.

Na verdade ele está tentado estabelecer outra pessoa ao invés do rei selêucida Antíoco, quando ele diz de um dos ventos ou pontos cardeias, ele quer que seja de Roma, mas a bíblia é clara em dizer que surgiu de um dos chifres, ou seja, dentro do império grego. Outra questão a ser considerada é a seguinte, o rei que pisoteou o santuário fez isso nos dias do império grego ainda que dividido, já os adventistas e seus historiadores jogam este acontecimento para o futuro.   

A complicação para o dogma adventista continua quando eles afirmam em sua doutrina que somente depois de 2300 anos o santuário começaria a ser purificado e isso no céu, já a bíblia descreve que após 2300 tardes e manhãs ou 2300 dias literais o santuário seria purificado, ou seja, não diz nada a respeito de ser no céu, não diz que começaria a ser purificado.

O capítulo 8 de Daniel nos mostra que os acontecimentos nele registrados referem-se ao povo judeu, desde o cativeiro babilônico até o período do domínio helênico, nada diz sobre a era cristã e muito menos sobre um santuário no céu; apesar da palavra purificado (Tsadaq) do verso 14 dizer “ser justo, ser correto, ser justificado”. Podemos entender pelo contexto a seguinte questão: Dn. 8. 13 “Depois, ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?”

A pergunta do ser celestial foi a seguinte: “quanto tempo vai ficar sem sacrifício devido ao fato de um invasor profanar o santuário?” O outro ser angelical responde, 2300 sacrifícios, após isso tornará a justiça no santuário, os tradutores preferiram por (O santuário será purificado). Em resumo a IASD. Pretendeu desenvolver uma doutrina base de sua ideologia retirando a literalidade o acontecimento de um povo transportando-os para um nível espiritual.

Evandro.