segunda-feira, 11 de julho de 2011

Demônios, ou ídolos pagãos?

Algumas pessoas me questionam dizendo: você muda de opinião com relação as suas crenças muito rápido, você não está sendo enredado por ventos de doutrinas? Você não acreditava na existência do diabo até pouco tempo atrás? Sempre respondo o seguinte: O fato de mudar de opinião com respeito a minha crença religiosa depende muito do novo paradigma que me é apresentado.


Por exemplo: por vários anos acreditei e defendi a doutrina da trindade, e a morada no céu como sendo uma realidade última, percebi que tais doutrinas são anti-bíblicas. Percebemos claramente que o diabo como um ser espiritual foi introduzido na bíblia devido ao contexto em que foi escrito, ou seja, a cultura grega o qual predominava nos dias do NT. Influenciou grandemente a todos, quer judeus quer pagãos a crerem no diabo como um ser espiritual maligno. Já o AT. não fornece referencias bíblicas para tal ensinamento, portanto tenho suporte bíblico e histórico para crer que de maneira nenhuma estou sendo levado por ventos de doutrinas.


E isso abre um leque muito grande para a pesquisa bíblica a respeito do diabo, ou mais especificamente a não existência do diabo como um ser espiritual. Fica então uma pergunta: os judeus eram céticos com relação ao diabo? Em que lugar da bíblia hebraica Deus por meio dos seus profetas nos recomenda a termos temor pelo diabo?


Ou a temermos um ser espiritual (um anjo rebelde) conhecido por satã? O fato é que os judeus até o cativeiro Assírio não estavam familiarizados com a crença em demônios. Para ser mais exato existe sim no antigo testamento referencia ao [demônio anjo caído], não nas escrituras hebraicas, mas sim nos apócrifos (escritos grego) no livro de Tobias no capítulo três, verso oito diz assim: (Sara tinha sido dada sucessivamente a sete maridos. Mas logo que eles se aproximavam dela, um demônio chamado Asmodeu os matava.)


Esse demônio ciumento logo em seguida foi preso pelo anjo Rafael. Tb. 8: 3- (nesse momento, o anjo Rafael tomou o demônio e prendeu-o no deserto do alto Egito.) Tobias capítulo um, verso dois nos diz que estes acontecimentos se deram nos dias de Salmanasar, rei dos Assírios e nesta época Israel se encontrava em cativeiro.


Na realidade o livro de Tobias é fictício não tem como negar, só nos mostra como os judeus foram contaminados com a demonologia pagã. Não podemos negar que até mesmo os apóstolos foram influenciados com a cultura contemporânea, mas, muitos poderão dizer: não é possível, eles estavam com Jesus e naturalmente ele não iria permitir tal acontecimento.


Sabemos quão difícil foi para Jesus ensinar o povo falando-lhes o que era comum, imaginem então Jesus removendo idéias pré-estabelecidas. Quando Jesus caminhou por sobre as águas os discípulos pensaram estar vendo um fantasma, mas, como é possível? Os judeus que nem mesmo acreditavam em imortalidade da alma!


Sim. A cultura grega já havia influenciado também os judeus. Fantasmas não existem, e não deveriam existir no pensamento de um judeu. Mt.14: 26- (E os discípulos, vendo-o caminhar sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram, com medo.) O interessante disso é que Jesus não lhes explicou que fantasmas não existem. Porque não? Foi como eu disse anteriormente, naquele momento o mais importante para Jesus era mostrar que ele era o Messias, idéias pré-concebidas, mentalidade prevalecente, tentar remover tudo isso, só iria criar mais resistência.


O fato é que os judeus dos dias de Cristo tinham os apócrifos e os extras bíblicos como literatura inspirada, e esses livros foram a base da demonologia no mundo cristão (O primeiro livro de Enoque alcançou grande prestigio no judaísmo da época de Cristo. R. H. Charles, The Apocrypha. Pág. 180).


Em outro assunto eu disse que o livro base da demonologia, ou a queda dos anjos foi o livro de Enoque, outros livros também falam da queda dos anjos. Outro fato interessante é que quase todas as fontes destas lendas falam em relações sexuais com mulheres. Também outro apócrifo, o Livro dos Jubileus (Jb), fala dos gigantes. Jubileus começou a ser escrito no século II a. C. embora um pouco posterior ao principal de 1ª Enoque, chegando a ser concluído talvez até no século II d. C.


Apresenta a história bíblica do Gênesis e dos 12 primeiros capítulos do Êxodo segundo a mentalidade do judaísmo contemporâneo de Cristo e com as lendas judaicas ou midrashim. Deve seu nome ao fato de suas lendas serem apresentadas em períodos jubilares de 7 em 7 anos. O Livro dos Jubileus repete a lenda de que os anjos guardiães vieram ao nosso mundo a ensinar aos homens, mas logo se apaixonaram pelas mulheres da Terra. Os rabinos muito fantasiaram sobre as relações sexuais dos anjos caídos com as mulheres humanas. Escrevem no Talmude:


Já desde Adão, que "todos estes anos engendrou espíritos, demônios e fantasmas noturnos; pois se diz: 'quando Adão tinha 130 anos engendrou à sua imagem e semelhança', o que quer dizer que antes tinha engendrado seres que não eram à sua imagem e semelhança". Mais ainda, no Talmude chegam a sugerir também que guardiões femininos tiveram relações sexuais com varões humanos.


Durante todo esse tempo, da mesma maneira que Adão fecundava guardiões femininos, também Eva teria engendrado de guardiões masculinos, dando-lhes abundante descendência (Rabba 24,6). Outro livro apócrifo que fala do diabo é o livro de sabedoria: (Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade. É por inveja do Satã que a morte entrou no mundo. Prová-la-ão quantos são do seu partido.) (Sb 2,22-24).


Volto a dizer sem medo de errar, que a crença no diabo como um ser espiritual teve lugar devido à tradição judaica que foi influenciada pelo paganismo. Se não, onde está o diabo, ser espiritual no AT? Não existem referencias bíblicas que apóiam tal ensinamento, existe sim a interpretação equivocada de que a serpente no éden foi médium do diabo, que Isaías 14 fala da queda de lúcifer e Ezequiel 28 alude o rei de Tiro como sendo o diabo, na realidade são interpretações teológicas infundadas, baseadas somente na crença popular. Por quê então no NT. A crença no diabo é fervilhante?


Exatamente devido à tradição rabínica e o contexto cultural que prevalecia fortalecido pelos livros apócrifos, imaginem que atribuíam o livro de Enoque como sendo o Enoque o 7º depois de Adão, na realidade este Enoque datava do século 2 a.C. Muitos dirão que estou equivocado, pois em algumas versões aparecem o termo demônio no AT. Porém volto a repetir que A PALAVRA DEMONIO NO ANTIGO TESTAMENTO É SÓ FRUTO DE TRADUÇÕES POSTERIORES.


Is. 13: 21- (Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali.) Na Versão dos Setenta, a palavra é vertida como “coisas vãs" e na Vulgata latina, "os demônios". Tradutores modernos e lexicógrafos muitas vezes adotam o mesmo conceito, traduzindo-a por "demônios". Outro fato interessante é que os ídolos dos povos são considerados demônios, Dt. 32: 17- (Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais.)


o termo demônio existe neste verso devido a tradução, lê se assim: Ofereceram sacrifícios a sedins, que não são Deus, A deuses que não conheceram, A deuses novos, que apareceram há pouco, Diante dos quais vossos pais não tremeram. Sedins era um ídolo que Israel estava cultuando. E de que povo era esse ídolo? Sl. 106: 36-38. (E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios; E derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã, e a terra foi manchada com sangue.) O ídolo Sedin era de canaã, reparem que ídolo e demonio é a mesma coisa, ou seja é uma questão de tradução.


Paulo nos fala sobre isso em 1ª Co. 10: 20- (Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.) Paulo está dizendo que o ídolo demônio representa um anjo caído, ou ele está querendo dizer que este ídolo demonio é vão, inexistente? Vejam o verso 19 de 1ª Co. (Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?) O ensinamento tão popularmente difundido que os ídolos representam ou pré figuram os demônios, não tem apoio bíblico, é somente convenção teologica.


Igualmente o Salmo 96: 5 diz assim: (Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor, porém, fez os céus.) Os setenta traduziram ídolos em demônios, na vulgata está a mesma coisa. Vemos aqui que o termo demonio no AT. É fruto da tradução dos 70 que data do 2º século AC. Época que prevalecia a cultura grega.

domingo, 12 de junho de 2011

Quem é o satã do livro de Jó?

A autoria do livro de Jó é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos escritos podem ser encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha sido seu autor. O livro de Jó tem sido chamado de “poema dramático de uma história épica” (J. Sidlow Baxter).

Os procedimentos, os costumes e o estilo de vida geral do livro são do período patriarcal (cerca de 2000 a 1800 a. C). A própria escritura atesta que Jó foi uma pessoa real. Ele é citado em Ezequiel 14:14 e Tiago 5:11. [1]

A localização exata de Uz não pode ser claramente verificada, nem é tanto crucial para a compreensão do livro. Jó 1:3 declara que Ele foi o maior de todos os do oriente. Para os israelitas, tudo o que havia do outro lado do Jordão era “oriente”, portanto incorporando uma grande extensão de terra.

Genesis 10:23 associa Uz com Arã, pai dos sírios e Genesis 22:21 com Naor, irmão de Abraão, que acabou por se instalar m torno de Harã, ao norte da mesopotâmia (Gn 24:10 com Gn 27:43). Sem (filho de Noé) teve 5 filhos, que deram origem a 5 grandes raças e a numerosas tribos. Arã, um dos filhos de Sem povoou a Síria e teve 4 filhos. [2]

Uz, um dos filhos de Arã morou no meio da Arábia setentrional e Jó foi um de seus descendentes. Jó conhecia Deus pelo nome de SHADDAI – O TODO-PODEROSO. Há 30 referências a Shaddai no livro de Jó.

Estes fatos mostram que os conhecimentos históricos do princípio da raça humana foram comunicados as gerações posteriores e isto pode mostrar o porquê de Jó ter o costume de oferecer holocaustos pelos pecados dos filhos. A prosperidade de Jó despertou o rancor do “adversário” que estava participando da reunião dos filhos de Deus, que se reuniam para o culto. Devido às constantes repetições de banquetes realizados pelos filhos de Jó, este “os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos {segundo} o número de todos eles; porque dizia Jó: {Porventura} pecaram meus filhos, e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente. (Jó 1:5).

A pergunta de Deus ao adversário: “Donde Vens?” é um tipo de saudação interessante. Ela é utilizada por Eliseu a Geazi, após este ter adquirido dolosamente presentes de Naamã. (2 Reis 5:25), pelos marinheiros supersticiosos a Jonas (Jonas 1:8) e por Josué aos Gibeonitas que o enganaram com sua astúcia (Josué 9:8).

O que “o satã” está fazendo aqui? Ele obviamente está à procura de problemas e não foi visto por algum tempo. Provavelmente por ser um dos filhos de Deus, conhecia a rotina de todos os outros e sua resposta à pergunta de Deus é irreverente, mas inteligente. Portanto, ele usa uma terminologia que é normalmente aplicada a Deus (2 Crônicas 16:9; Zacarias 1:10,11; 4:10 e 6:7). O SENHOR no texto é o representante de Deus na terra, possivelmente um sacerdote, que falava e agia em nome de Deus.

Depois desta pequena introdução, apresentarei a seguir algumas evidências a fim de considerar que o satã do livro de Jó não foi um “anjo rebelde”, pelas seguintes razões:

1 - A palavra SATANÁS (precedida ou não pelo artigo) significa ADVERSÁRIO, OPOSITOR, podendo se referir a homens, a sistemas iníquos de governos, a anjos de Deus em obras de oposição e até ao próprio Deus. (Hasatan= O satã) aqui atua como um promotor público em uma determinada ocasião (como em Zac. 3:1) e além do mais este adversário está longe de ser o antagonista de Deus e chefe de um reino rival, porque é seu subordinado e só pode agir em conformidade com as ordens de Deus. (Jó 1:12; 2:6).

Existem as traduções tendenciosas que grafam com letra maiúscula determinadas palavras, para que os leitores entendam se tratar de uma pessoa. (ex.: Verbo, Espírito Santo, Anjo do SENHOR).

No caso da palavra - Satanás - ocorre este mesmo problema e tudo isto deve ser levado em conta para uma correta compreensão das passagens. Todas as vezes que o estudante da bíblia fizer a leitura da palavra – Satã – com a inicial maiúscula, deve entender que esta palavra foi grafada assim por convenção do tradutor e deixada, portanto sem tradução. A meu ver, isto foi feito de forma tendenciosa.

APLICAÇÕES DO VOCÁBULO “SATÔ NA BÍBLIA:

Referindo-se a homens: João 6:70, 71 / Mateus 16:23 / Ester 7:4 e 8:1;

Referindo-se a anjos de Deus: Números 22:22 e 32 / 1 Crônicas 21:16;

Referindo-se a sistemas de governos: Apocalipse 2:10 e 13 / 1 Pedro 5:8;

Referindo-se ao próprio Deus: 2 Sm 24:1 com 1 Cr. 21:1.

Assim quando lemos em Jó e Zacarias 3 sobre HaSatan (o adversário), não estamos fazendo a leitura de uma pessoa específica, cujo nome pessoal seja "satanás". Nós estamos lendo sobre uma pessoa que "funcionava" como um adversário (um satã).

Aqui a palavra descreve um titulo não um nome próprio. Em outras palavras, o satã do livro de Jó descreve uma pessoa (não um anjo caído) que se tornou um adversário de Jó. Note por exemplo como o HOMEM Hamã é chamado de O SATAN em Ester 8:1.

2 - Jó tem 42 capítulos e o satã de Jó aparece apenas nos 2 (dois) primeiros capítulos, uma grande evidência a se PESAR, a fim de defender esta teoria de que este seja um anjo rebelado contra Deus. E também em nenhum lugar do livro sugere a idéia de que seja um anjo caído.

3 - Como pode satanás estar lá no céu (se ele foi expulso de lá no Genesis) e também junto com Jó na terra (se ele foi expulso em 1914 d. C, como afirmam as TJ)? Por acaso Deus permitiria o acesso do seu maior inimigo ante sua presença, fazendo o que bem entendesse, seria esta a posição de Deus?

4 - Pela leitura atenta de Jó percebe-se que este adversário nutria um ódio incomum contra ele, e pediu permissão a Deus, para que Deus tocasse em Jó, porque este adversário o acusava de que Deus o havia cercado de bens e abençoado tudo na vida dele (Jó 1:9,10). Este "satanás" saiu da presença do SENHOR em duas ocasiões (1:12; 2:7) e se ele fosse o tentador sobrenatural da visão tradicional, dificilmente se qualificaria sob os termos de Hebreus 1:14, e conforme 2 Pedro 2:11 também nos diz - “Os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor”.

5 - O próprio adversário pede a Deus, para que Deus "toque" em tudo o que Jó tem não ELE PRÓPRIO (O adversário) com seu suposto poder maléfico (Jó 1:11,12).

Alguns poderiam objetar que em Jó 2:7 afirma que “satanás foi quem feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça”. A objeção é válida, porém atente para o seguinte:

5.1 – Em todo o livro de Jó, demonstramos que o “mal” que lhe foi enviado, o foi por Deus e não por um suposto “anjo mal”. Estes são alguns versos, porém convido o leitor a esquadrinhar o livro por inteiro e encontrará muitas referências adicionais; Veja:

> O próprio Jó afirma que Deus lhe enviou o mal: Jó 1:21; 2:10 ; 6:4, 10: 2,10; 19:21, 27:2;

> O servo de Jó (Jó 1:16), a esposa de Jó (Jó 2:9), os três amigos de Jó (Jó 5:17; 8:4, 11 :5-6) e os conhecidos e irmãos de Jó (Jó 42:11). Todos estes consideraram que Deus foi quem lhe enviou o mal. Deus não trabalha em conjunto com o satanás.

5.2 – O texto não diz que foi satanás que o feriu. A evidência contextual de todo o livro e do capítulo, direciona para o entendimento de que a ferida foi causada pelo próprio Deus, porque um ser humano (e este é o caso aqui) independentemente não tem o poder de causar moléstias a outro ser humano:

Ex: Jó 19:21 (a mão de Deus me feriu – em outra versão), Jó 27:2 e Jó 30:11.

6 - Do verso 13 até o verso 21 de Jó 1, percebe-se pela leitura atenta do texto, quem foram os agentes das aflições causadas a Jó e sua família e não há insinuações de um ANJO MAL: VER TABELA ABAIXO:

*Os sabeus (não o satã sobrenatural) (v. 15);

*Fogo de Deus (não do satã sobrenatural) caiu do céu e queimou as ovelhas e os servos (v. 16); Da mesma forma, aqui nos é mostrado que o fogo veio de Deus.

*Os caldeus com 3 tropas (não o satã sobrenatural) guerrearam contra os servos de Jó (v. 17);

*Um grande vento (quem manda nos ventos - satã???) sobreveio dalém do deserto e fez com que a casa caísse (v. 19); Somente a casa de Jó, caiu isto mostra que o vento veio por ordem de Deus. O próprio Jó afirma que quem lhe enviou aquele mal foi o Senhor.

E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR. (Jó 1:21).

Jó diz - O Senhor o deu, o Senhor tomou (não diz O SENHOR DEU E SATANÁS TOMOU). E em tudo isto ele não cometeu pecado por fazer esta afirmação.

Podemos observar uma simetria interessante nestas tragédias feitas a Jó e não se vê a figura de um anjo do mal nelas, apenas DEUS E HOMENS:

HOMEM OS SABEUS OS CALDEUS COM 3 TROPAS
DEUS FOGO DE DEUS UM GRANDE VENTO

Uma coisa importante a ser destacada é que o texto não nos informa quem era esta pessoa que aterrorizou Jó, porém seu título mostra que Ele era contrário aos interesses de Jó. Certamente não era o “satanás” da crença popular, pois Ele não veio do inferno para participar da assembléia dos filhos de Deus, mas veio de “rodear a terra e passear por ela”. Ele não era o diabo da crença popular, porque estava de olho nas propriedades de Jó e sua inveja era tal que queria até destruir o corpo de Jó.

Mas você diria: E sobre as calamidades e as moléstias causadas a Jó? Estaria em poder do homem mortal o controle destas?

A resposta é: Estas eram feitos de Deus e não do adversário. Veja Jó 2:3,5 - E disse o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa.

Este é o entendimento de todo o processo no caso de Jó. E mesmo se o adversário tivesse o poder de afetar Jó, isto não provaria que os milagres fossem feitos por agentes sobrenaturais mais do que aqueles que foram realizados pelo homem Moisés (Êxodo 4). Deus pode delegar poderes milagrosos para o homem mortal. [3].

ONDE SE DEU ESTE DIÁLOGO – NO CÉU OU NA TERRA?

O argumento comum é que este diálogo se deu lá no céu porque os "filhos de Deus", entendidos neste texto como sendo os "anjos" vieram apresentar-se perante o SENHOR e Satanás (sendo um anjo rebelde) veio entre Eles e depois “saiu da presença do SENHOR” (Jó 1:6; 2:7).

1 – A expressão “Filhos de Deus” é utilizada na bíblia na maioria das vezes, para identificar seres humanos, não anjos. Talvez tenham obtido este argumento da passagem de Jó 38:7, que abordaremos mais adiante, mostrando que a mesma não trata de “anjos”. Satanás jamais foi considerado um “filho de Deus”.

Alguns exemplos da expressão “filhos de Deus” referindo-se a humanos:

João 1:12 - Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.

1 João 3:1 - VEDE quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo nos não conhece; porque o não conhece a ele.

Gálatas 3:26 - Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

Mateus 5:9 - Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

2 - Apresentar-se perante o SENHOR se refere invariavelmente aos homens e não aos anjos, nem a qualquer outro tipo de ser, porque os anjos estão sempre na presença de Deus e de lá são enviados.

Mateus 18:10 – Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que {está} nos céus.

Hebreus 1:14 - Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

2.1 - Anjos não trazem acusação infamatória contra os crentes diante do SENHOR.

2 Pe. 2:11 - Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.

APRESENTANDO- SE PERANTE O SENHOR

Quando os homens se apresentavam, eles o faziam diante de representantes credenciados do SENHOR na terra (por exemplo, os juízes e os sacerdotes) e assim era dito como “se apresentando perante o Senhor”. Não significa, portanto que esta “apresentação” tenha sido no céu, na presença imediata de Deus. Veja estes exemplos:

2 Crônicas 19:6 - E disse aos juízes: Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem, senão da parte do Senhor, e ele {está} convosco no negócio do juízo.

Deut. 19:17 - Então aqueles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias.

Lucas 2:22 - E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram (Jesus) a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor.

1 Sm. 23:18 - E ambos fizeram aliança perante o Senhor: Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa.

Deut. 31:11 - Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos.

Deut. 18:7 - E servir no nome do Senhor seu Deus, como também todos os seus irmãos, os levitas, que assistem ali perante o Senhor;

SAIR DA PRESENÇA DO SENHOR

Somente porque o “satã” saiu da presença do Senhor, não significa que este teria tido acesso ao céu, onde Deus habita. O texto também informa que o satã “rodeava a terra e passeava por ela” (Jó 1:7), um modo não usual de locomoção para um suposto anjo rebelde. Além disso, encontramos em Zacarias 1:10,11 referências a seres (provavelmente anjos) que “andam pela terra”, mas para a observarem. Não existe a conotação no texto de que sejam para “acusarem nenhum ser humano”. Veja estes exemplos:

Genesis 4:16 - E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, da banda do oriente do Éden.

Jonas 1:3 - E Jonas se levantou para fugir de diante da face do Senhor para Tarsis; e, descendo a Jope, achou que um navio ia para Tarsis; pagou pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Tarsis, de diante da face do Senhor.

Veja estes versos que mostram quem causou o mal a Jó

Jó 1:11 - Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.

Jó 1:21 - E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.

Jó 2:5 - Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!

Jó 2:10 - Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

Jó 8:4 - Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.

Jó 19:21 - Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou.

Jó 27:2 - Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma.

Jó 30:11 - Porque {Deus} desatou a sua corda, e me oprimiu: pelo que sacudiram {de si} o freio perante o meu rosto.

Jó 42: 11 - Então vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro.

Quem então é o “adversário” de Jó?

Temos observado ao longo do livro de Jó, que o mesmo não apresenta este “satã” como um anjo rebelde, com acesso ao céu, mas como um humano que se apresentou no meio da reunião em que estavam os filhos de Deus, que também são homens.

É mais rentável para aprender a grande lição do livro, reconhecer que o Senhor do Céu e da Terra só pode fazer o que é certo e bom.

Veja que em todo o livro, o mal não foi "permitido por Deus" para que satanás (como anjo rebelde) o afligisse, mas foi o próprio Senhor que o enviou aquele mal. O “satã” no livro aparece apenas nos dois primeiros capítulos como um promotor, a fim de acusar Jó diante de Deus. A idéia popular alega que Jó sofreu porque satanás o afligiu, por permissão de Deus. Para os amigos de Jó, no entanto, era Deus que estava trazendo tanta aflição na vida de Jó, porque Jó era considerado por Eles como um pecador (Jó 42:11).

SERIAM OS ANJOS, OS FILHOS DE DEUS EM Jó 38:7?

Jó 38 começa com a reprovação de Javé, porque Jó havia questionado a onisciência de Deus e faz referência aos 4 primeiros dias da criação, principalmente da luz, das águas, das estrelas e das nuvens, nos versos 4 ao 18 e de Jó 38:19 até os capítulos 39,40 e 41 lidam com o 5º e o 6º dias, por olhar as maravilhas do reino animal.

Que o termo "filhos de Deus" em Jó 38:7 é uma referência aos corpos celestes e não aos anjos, pode ser confirmado comparando-os aos versos 31 a 33 do mesmo capítulo, onde se faz referências às estrelas e à disposição dos astros e sua influência sobre a terra. Veja Gênesis 1:16-18 com Salmos 136: 7-9 e Jeremias 31:35.

31 - Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion?

32 - Ou fazer aparecer as constelações ou guiar a Ursa com seus filhos?

33 - Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra?

Este termo “filhos de Deus” pode ser visto também observando a linguagem utilizada sobre "nascimento" nos próximos dois versos. (Jó 38: 8 e 9).

Verso 8 - Ou {quem} encerrou o mar com portas, quando trasbordou {e} saiu da madre;

Verso 9 - Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro?

Criação como um Nascimento

Embora a criação em nenhum outro lugar seja chamada de Filho de Deus, há duas passagens que desenham estreitas ligações com estas escrituras.

A criação de Deus é colocada em termos de “nascimento” (Prov. 8:23-29 e Salmos 90:1,2) e portanto, as coisas criadas são seus filhos. É o símbolo mais adequado do rompimento da água na criação como descrevendo o nascimento do mundo, como acontece durante o parto natural. O "envolvedouro" é também um termo de nascimento onde as faixas (o cobertor) são reservadas para envolver o recém-nascido. Ao comparar a antiga criação de Deus, nascida há muito tempo com o nascimento recente de Jó (Jó 38: 21), o argumento de Jó soa inadequado. Veja Ezequiel 16:4.

A implicação de que a chuva é filho de Deus também é usada em Jó 38:28,29:

A chuva {porventura} tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho? De que ventre procede o gelo? E quem gera a geada do céu?

Isto é simplesmente parte da linguagem poética do Senhor que dá à sua criação uma personalidade onde até mesmo o relâmpago pode falar "(Jó 38:35). As obras inanimadas de suas mãos podem dar-lhe elogios, cantar e falar como se fossem pessoas. (Isaías 44:23; 49:13; 35:1,2; Salmos 19:1-6). Assim se dá com relação às estrelas da alva, que alegremente “cantavam”. Esta mesma linguagem é apropriada no NT e aplicada para a “nova criação” em Romanos 8:19-23.

Em Provérbios, A sabedoria é personificada como uma mulher que esteve com o Senhor, desde antes da criação dos céus e da terra. A linguagem utilizada em Provérbios 8:23-29 carrega muitas semelhanças surpreendentes com Jó 38, ela fala sobre a fundação da terra, das águas e as nuvens. O tema do nascimento é também repetido no versículo 23-24,

Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. Em outras versões diz: Eu nascí.....

O ponto a ser notado aqui é que à "sabedoria" é dada a simbologia como tendo nascido como uma criança. Esta linguagem continua no versículo 30.

Pv. 8:30 - Então {eu} estava com ele e era seu aluno: e era cada dia as {suas} delícias, folgando (rejubilando) perante ele em todo o tempo;

É interessante notar que a palavra "folgando" é mencionada aqui como foi em Jó 38:4, quando os "filhos de Deus (folgavam) rejubilavam de alegria". Se a criação da sabedoria é falada como tendo nascido antes da formação da Terra, então não é surpreendente ver a mesma linguagem usada em outros aspectos da criação de Deus. A mesma palavra “gerada” é traduzida como "formada" no Salmo 90:2, mas neste, em referência à terra.

(Salmos 90:1-2) - SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu {és} Deus.

Este é um versículo chave que usa os termos nascimento, formação, em referência à criação de Deus. Curiosamente ele é usado para dar ênfase à mesma coisa em Jó.

Que o termo "filhos de Deus" se refere a homens escolhidos é indiscutível. Este é o seu uso exclusivo no Novo Testamento. O Antigo Testamento usa esta linguagem de nascimento para os israelitas (Dt 32:18-19). Isaías vai mais longe ao associar as maravilhas da criação, com a criação do seu povo escolhido.

(Isaías 44:24) "Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre:Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que estendo os céus por si só, que espraio a terra por mim mesmo;"

(Isaías 45:11-12) Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as cousas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos. Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o {fiz}; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens.

(Is 46:3) Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o resíduo da casa de Israel; vós a quem trouxe {nos braços} desde o ventre, {e} levei desde a madre.

Portanto, os Filhos de Deus em Jó 38:7 não se refere aos anjos celestiais, mas se referem à criação de Deus, às estrelas que cantavam e rejubilavam, utilizadas neste texto em uma forma poética.

Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?


[1] Nota de Rodapé sobre Jó 1 – Bíblia de Estudo Plenitude, versão ARC 1995

[2] David Baird, A educação de Jó – capítulos 1 e 2

[3] Robert Roberts –The Evil One

Contribuição de:


MARCELO ALEXANDRE DO VALLE

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quem é o satã no antigo testamento?

Em todo o chamado antigo testamento não existe uma referencia sequer falando sobre o diabo como sendo um ser espiritual. Isso acontece pelo fato da palavra satã nada ter a ver com os anjos caídos, ou demônios do conceito clássico cristão. Com efeito, em várias oportunidades dependendo das versões aparece o termo satã no antigo testamento. Vejamos: 1ª Sm. 29: 4- {Os príncipes dos filisteus muito se indignaram contra ele; e disseram-lhe os príncipes dos filisteus: Faze voltar a este homem, e torne ao seu lugar em que tu o puseste, e não desça conosco à batalha, para que não se nos torne na batalha em adversário*: porque com que aplacaria este a seu senhor? porventura não seria com as cabeças destes homens?} 2ª Sm.19: 22- {Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? morreria alguém hoje em Israel? porque porventura não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?} Na próxima passagem a bíblia de Jerusalém traduz simplesmente por adversário onde o original hebraico diz satã; Salomão afirma que “agora... não tem satã nem infortúnios” 1ª Rs. 5: 4- {Porém agora o Senhor meu Deus me tem dado descanso de todos os lados: adversário não há, nem algum mau encontro.} Pouco depois já há dois satãs para Salomão, 1ª Rs. 11: 14- {Levantou pois o Senhor a Salomão um adversário, a Hadade, o idumeu: ele era da semente do rei em Edom.} 1ª Rs. 11: 23- {Também Deus lhe levantou outro adversário, a Rezom, filho de Eliada, que tinha fugido de seu senhor Hadadezer, rei de Zobá.} O próximo verso em algumas versões, trás a palavra satanás é o caso da almeida RC. de 1969 Sl. 109: 6- {Põe acima dele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita.} O mesmo verso na RA. Diz: {Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador.} que tem o mesmo significado de satã. Depois do exílio babilônico, satã personifica o promotor que é encarregado de acusar. Zc. 3: 1- {E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.}Dentre os servidores, um deles tem o cargo de satã, de acusador. Satã é um cargo não uma pessoa. Não é um nome próprio, é um título. Jó. 1: 6- {E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.} Refere-se a um homem, filho de Deus, o nome comum que lhe é dado é satã. O nome comum representa o cargo de acusar. No fim da descrição interminável de desgraças, é revelado que Deus foi quem causou as adversidades em Jó. Continuamente Jó vai ensinando: Jó. 19: 6 e 8- (Pois sabei que foi Deus que me transtornou, envolvendo-me em suas redes... O meu caminho ele entrincheirou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas). Jó. 23: 15- (Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou). Jó. 27: 2- (Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma). Jó. 31: 23-(Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza). E é claríssimo o que em todo o livro pretende-se incutir: Jó 1: 20- (E disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor). O termo Satã é aplicado ao anjo do Senhor no Livro dos Números: Nm. 22: 32- (Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim). Como em Jó e em Números, também nas Crônicas, Satã significa a oposição Feita pelo próprio Deus. 1ª Cr. 21: 1- (Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel). Portanto, na Bíblia Satã nunca designa um ser que possamos considerar um demônio no sentido, errado, tão difundido entre os cristãos de um ser sobre-humano e perverso. Não significa um ser, mas sim a própria inimizade do homem para com o homem, e o que afasta o homem de Deus. Em todos estes versos aparece a palavra Satã, porém de nenhuma forma designa um ser espiritual.

* No original hebraico a palavra adversário é satã.

sábado, 14 de maio de 2011

O voto de Jacó.

Perceberemos neste artigo, que a história de Jacó compromete a teologia sistemática dos defensores do atual sistema de dízimos. O voto feito por Jacó a Deus estava vinculado pela condicional “SE”. Sendo assim o conceito dizimista pregado hoje nas igrejas fica desestabilizado. Jacó deveria ser considerado por aqueles que defendem a doutrina do dízimo um dizimista exemplar. Filho de Isaque. Neto de Abraão. Herdeiro da Promessa. Patriarca escolhido por Deus para fundar a nação israelita. Por que então quase não se ouve pregadores citando o exemplo de Jacó quando o assunto é dízimo? Simplesmente porque Jacó compromete a teologia sistemática tendenciosa daqueles que estão buscando provar que a doutrina do dízimo, conforme ensinada hoje, tem fundamento bíblico. O princípio fundamental da interpretação bíblica é que uma doutrina para ser válida precisa obedecer a pelo menos dois parâmetros simples:
a) Não se pode criar uma doutrina em cima de uma só passagem bíblica.
b) Todas as passagens sobre um mesmo tema doutrinário têm que ter coerência entre si.
Desta forma, o dízimo de Jacó teria que estar em consonância com todos os outros textos bíblicos que falam sobre dízimo. Se o assunto é dízimo, os princípios contidos na história de Jacó têm de fazer parte da sistematização teológica global deste ensino. Mas, os princípios dizimistas contidos na história de Jacó nos levam a outras conclusões: “SE” - Esta pequena palavra faz toda a diferença. Jacó aparece orando a Deus. Parece um grande duvidador. “Senhor, se eu for abençoado, se eu tiver comida, roupas, proteção, então em pagarei dízimos”. Observe que o ônus da prova estava com Deus. Se Deus não o abençoasse ele não deveria pagar nenhum dízimo ao Senhor. “Primeiro a Benção. Depois meu Dízimo!”. Gn. 28: 20 São assim que se ensina nas igrejas hoje? Claro que não! Primeiro mandam pagar os dízimos. Depois virão as “bênçãos”. Nunca se fala do “SE” de Jacó. O dízimo de Jacó era condicional. Não a benção. Hoje aprendemos o oposto. A benção de Deus é condicional. Quem paga o dízimo a receberá!
VOTO – “Fez Jacó um voto” Gn. 28: 20. Ora, se Jacó fez um voto, obviamente ele não era um dizimista, tão pouco Isaque, tão pouco Abraão. Será possível que Jacó, criado no rigor da religião patriarcal não teria aprendido de seu avô e de seu pai esta prática, caso ela realmente existisse? Voto é voto. É propor algo novo a Deus na busca de uma melhor experiência espiritual. Imagine um fiel católico fazendo um voto, uma promessa, a Santa Ana. Ele se levanta pela manhã e diz: “Minha querida Santa Ana, se tu me deres saúde, prometo todos os dias da minha almoçar e jantar”. Isto é voto? Como pode alguém votar algo que já faz parte de sua rotina. Jacó, naquela idade, nunca tinha pagado nenhum dízimo a Deus. Resolveu então aumentar sua experiência religiosa fazendo um voto.
MÚLTIPLAS CONDIÇÕES AGREGADAS – Há um terceiro aspecto interessante neste relato. Jacó propõe a Deus cinco condições agregadas.
(A) Se Deus for comigo – (Presença de Deus).
(b) Se me guardar nesta viagem – (Proteção).
(c) Se me der pão – (Alimento).
(d) Se me der vestes para vestir. - (Roupas).
(E) Se eu voltar em paz à casa de meu pai – (Realização)
Observem que as cinco condições estão unidas pela preposição “E” Ge. 28: 20. Se Deus atendesse quatro dos cinco itens da lista de requisições, Jacó estaria automaticamente livre de cumprir o voto. Ele propôs APROVAÇÃO + PROTEÇÃO + COMIDA + ROUPA + PAZ. Tudo junto! Só cumpriria seu voto se recebesse todas as cinco bênçãos. Você já ouviu alguém ensinando: “Irmão, pague seu dízimo a nossa igreja somente quando você estiver completamente feliz. Quando você tiver paz, saúde, dinheiro, comida farta e boas roupas, então traga seu dízimo ao Senhor. Se lhe faltar algum destes itens considere-se isento desta obrigação.” É assim que nos ensinam hoje? COPIAR RITUAIS – Em nenhum lugar a Bíblia ordena que os cristãos do século XXI devem copiar ou imitar votos da era patriarcal. Jacó resolveu fazer um voto a Deus e prometeu-lhe pagar dízimos. E daí? Devemos todos nós hoje fazer o mesmo? Que tal então, começarmos a procurar uma pedra, pô-la como coluna e declarar que ali é a casa de Deus. Ge 28: 29. Ou prometer sacrificar nossas filhas em holocausto ao Senhor como fez Jefté. Jz. 11: 30-40. Ou deixar um de nossos filhos sem cortar o cabelo para sempre, como fizeram os pais de Sansão Jz. 13: 3-5. Ou entregar nossos filhinhos menores de três anos à igreja para ali morarem pelo resto de suas vidas, como fizeram Ana e Elcana, pais de Samuel. I Sm. 1: 10-11.
OUTRAS PERGUNTAS INTERESSANTES:
Se Jacó não era obrigado a pagar dízimos (antes do voto) por que os cristãos teriam esta obrigação hoje? Se Abraão era um fiel dizimista, porque não passou este ensinamento para seu neto Jacó? Na era patriarcal não era o ensino religioso transmitido de pai para filho, neto, bisneto, etc.? Se Jacó fez um voto sobre dízimo, é sinal que este hábito não era requerido dele antes, não é mesmo? Então, por que requerer dízimos dos cristãos hoje? A quem Jacó pagou seus dízimos? Como ele cumpriu este voto? Se o dízimo de Jacó foi pago em forma de dinheiro quem recebeu esta importância? Obviamente Jacó seguiu os princípios bíblicos de dízimo. Pagou seu dízimo em forma de alimento. Certamente ele o comeu em rituais litúrgicos ou o distribuiu aos pobres e necessitados. Não pode ter havido outra forma para Jacó cumprir a promessa. Nos seus dias ainda não havia templo, sacerdotes, levitas. O mais racional é aceitar que Jacó seguiu as aplicações dizimistas que anos mais tarde seriam consolidadas por Moisés em Deuteronômio 14 e outros textos já mencionados. O voto de Jacó é o voto de Jacó e não seu. Ele votou pagar dízimos. Deve ter cumprido. Que temos nós a ver com o voto de Jacó? Devemos dar hoje dez por cento de nossos salários à igreja, só porque Jacó fez um voto a Deus há mais de 3.500 anos atrás? Lembrem-se, porém que o objetivo do assunto é contra argumentar sobre a devolução dos dízimos e nunca das ofertas voluntárias, ainda que você voluntariamente doe mais de dez por cento.

domingo, 1 de maio de 2011

E o diabo? Parte II

O novo testamento, sob diversos nomes, alude 73 ao que comumente hoje se chama demônios. O novo testamento usa, além de daimonion, os nomes: “diabo e seus anjos” Mt. 25: 41; “espíritos imundos” Mt. 10: 1; “espírito impuro” Mc. 1: 23 etc. Demônios e os outros termos se usam indistintamente. No singular ou no plural. Assim, por exemplo, a mesma pessoa que, segundo Marcos 5: 2 é possuída por um espírito impuro, no singular, pouco depois, no mesmo Marcos verso 13 está possuída por espíritos imundos, no plural; segundo Lucas 8: 27 essa mesma pessoa está possuída por demônios, no plural; mas imediatamente, no mesmo evangelho de Lucas verso 29 Jesus identifica esses demônios como um espírito impuro e no verso seguinte (30) Lucas diz que são muitos demônios. Termo “demônio” no antigo testamento? Uma primeira constatação é que o termo demônio (ou o equivalente hebraico para traduzir exatamente o termo grego daimonion), tão freqüente no novo testamento, não aparece nos originais do antigo. A palavra demônio no antigo testamento é só fruto de traduções posteriores. Quem ou o que é o demônio? Uma análise primeiramente sobre o que chamam de demônio no antigo testamento. Ídolos. Os sátiros (espécie mitológica de bode), “seres peludos” descritos por Isaías, inspirado nas divindades mesopotâmicas, são convertidos na tradução dos setenta em demônios, Is. 13: 21; esses mesmos sátiros, esses mesmos demônios, em Levíticos, são na tradução na tradução dos setenta, simplesmente “ídolos e coisas vãs” Lv. 17: 7. Coisas, não existem como seres pessoais. Em outra oportunidade os ídolos se traduzem por demônios, Is. 65: 3 condena os ritos dos pagãos, que fazem sacrifícios aos ídolos nos jardins e queimam perfumes sobre lajes, irritando assim a Deus. Quando adoram os ídolos, adoram aos “demônios que não existem”, de acordo com a tradução dos setenta. Moisés repreende aos que sacrificavam (em honra de) demônios, falsos deuses, a deuses que não haviam conhecido novos, recentemente chegados Dt. 32: 17. Abertamente chama-se demônios (sedin) em todas as traduções, às divindades Cananéias. Só em outra oportunidade aparece na bíblia a mesma palavra sedin, que mais uma vez é traduzida por demônios, e de novo representam os ídolos de Canaã, aos quais se ofereciam sacrifícios humanos: “Eles serviram seus ídolos... e sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios (sedin), e derramaram o sangue inocente de seus filhos e de suas filhas que sacrificaram aos ídolos de Canaã” Sl. 106: 36, também no verso 37 os deuses, touros alados da mitologia Assíria, são traduzidos por demônios. E quando Is. 65: 11 fala de Gad. o deus arameu da fortuna, os setenta substituem Gad. por demônio. Influencias pagãs. A antiqüíssima demonologia-divindade da literatura suméria, os perniciosos deuses-demônios chamados udug, e a demonologia acádia influenciaram os hebreus do Antigo Testamento, e através dos caldeus penetraram o mundo grego e depois o romano. Pouco antes de Cristo, a influência volta aos judeus, através da cultura grega, resultante da dominação romana. Dois séculos antes de Cristo e no próprio século 1º d.C., a demonologia judaica manifesta reflexos da demonologia mesopotâmica e grego-romana. Demônios e demônio são as traduções vernáculas para os termos daímones no plural e daímon no singular na versão dos Setenta. Tenhamos em conta que esta tradução foi feita precisamente nesta época neo-testamentária. Ora, na literatura grega e na época helenística, daímon e daímones significam deus e deuses: divindades de grau inferior. Os judeus na época neo-testamentária, também adotaram esta denominação. Flávio Josefo, o historiador judeu que escrevia no século primeiro, várias vezes emprega o termo daímones como sinônimo de deuses. Levemos em conta que o todo o Novo Testamento foi escrito em grego. O termo daímon procede de daiomai, que significa distribuir: eram os deuses que distribuíam os bens e os castigos aos homens. Neste mesmo sentido, os pagãos usam o termo daímones com referência à pregação de Paulo. “Dir-se-ia um pregador de divindades daímones exóticas, porque ele anunciava Jesus e a Ressurreição” At 17: 18. Os que escutavam Paulo usaram o termo daímones no plural porque acreditavam que Jesus era anunciado como um deus e a Ressurreição como uma deusa. Tudo influencia os primeiros cristãos. Se os povos orientais influenciaram muito os judeus e, em seqüência, em Paulo, influíram mais ainda na demonologia dos primeiros cristãos. Justino, Clemente de Alexandria etc. refletem claramente a mentalidade demonológica dos egípcios. Orígenes, no começo do século III, teve uma influência decisiva na demonologia cristã que lamentavelmente permanece até hoje. Os demônios maus. O daímon, demônio, divindade inferior, vai deixar de ser um intermediário entre Deus e as criaturas, para o bem ou para o mal, e converte-se num ser unicamente mau. Para Paulo, apostatar da fé é equivalente a escutar os ensinamentos dos demônios-deuses pagãos 1 Tm 4,1; a idolatria equivale a misturar-se com demônios-ídolos, que sustentam o paganismo 1 Cor 10: 20. E assim passou-se a considerar os demônios como seres maus e desprezíveis.
Extraído do livro: Antes que os demônios voltem.

domingo, 24 de abril de 2011

E o diabo?

Nós seres humanos somos tendentes a resistirmos ao novo, isso em qualquer atuação de nossas vidas, em se tratando de vida religiosa, não agimos diferente. Lógico que com relação às novidades não podemos agir por impulso. Porém, como nos recomenda o apostolo devemos examinar sim todas as coisas e reter o que é bom. 1ª Ts. 5: 21. Muitas questões que são abordadas atualmente o qual temos como regra de fé e que a princípio repudiávamos, tais como: o antitrinitarianismo, a natureza única de Jesus, o reino milenar do Messias na terra, foram sendo por nós estudados gradualmente com oração e então incorporados no nosso credo. Penso que rejeitamos algumas doutrinas (trindade as duas naturezas de Jesus, moradas no céu) pelo fato de terem sido instituídas por homens. E com relação ao diabo? Ou melhor, de onde surgiu tal ensinamento? Da bíblia ou dos homens? O objetivo deste assunto não é impor nem mesmo defender uma nova crença, mais sim através de perguntas induzir o pesquisador a buscar na bíblia respostas abalizadas para este intrigante assunto. Para os que crêem na criação literal, o capítulo três de Gênesis é literal ou simbólico? Se dissermos que é simbólico o que fazer com os versos que falam das dores da concepção da mulher, da morte do homem, e da maldição da terra? Se dissermos que é literal, como introduzir Satanás no contexto do assunto, visto que o verso um de Gênesis três diz claramente que a serpente era a mais astutas dentre todos os animais que Deus havia criado? Outro fato importante, Deus literalmente amaldiçoou a serpente animal, o verso 14 diz claramente isso; onde está escrito que Deus amaldiçoou a “serpente Satanás”? Em que lugar da bíblia descreve uma manifestação mediúnica da serpente? Observem também que o verso 13 de gênesis 3. Eva claramente diz que a serpente a enganou, e não um anjo. Mas, os animais falam? 2 Pe. 2: 16. Nm. 22: 22-34. Dizer que foi o anjo que falou por meio do jumento é pura dedução e inserção teológica mais uma vez. 2ª Co. 11: 3; diz que a serpente enganou a mulher com a sua astúcia. (dela própria) em que parte da bíblia declara que a serpente animal foi usada por Satanás? Em qual livro está escrito a queda dos Anjos? Respondo: No livro de Enoque no capítulo sete. Eis alguns versos. (1 E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas. 2 E quando os anjos, (3) os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos. No texto aramaico lê-se "Sentinelas" (J.T. Milik, Aramaic Fragments of Qumran Cave 4 [Oxford: Clarendon Press, 1976], p. 167) 3 Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento; 4 E que só eu sofrerei por tão grave crime. 5 Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos; 6 (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção, mas executamos nosso empreendimento projetado. 7 Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, (4) o qual é o topo do monte Armon). Vejam que o nome do líder não é Lúcifer, mas sim Samyaza. Os demônios são espíritos de mortos, ou Anjos caídos? Quem era o rei de Isaías capítulo 14? Quem era o rei de Ezequiel capítulo 28? Seria Satanás, ou os reis de Babilônia e de Tiro? Qual é o significado do nome Lúcifer se, se refere a Satanás, por quê os primeiros cristãos o utilizavam? Continua...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

João 8:58 e a frase EGO EIMI.

JOÃO 8:58 - Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse eu sou. Todos os que defendem a preexistência, afirmam que Jesus está dizendo categoricamente que ELE [Jesus] “EXISTIA ANTES DE ABRAÃO EXISTIR”. Mas, A FRASE - EU SOU, DO GREGO EGO EIMI – SIGNIFICA - EU EXISTIA? Por que chegar a esta conclusão tão depressa? O argumento comum trinitariano diz que quando Jesus usou a frase EGO EIMI, ele estava fazendo-se IGUAL AO DEUS do Antigo Testamento, quando da famosa frase dita a Moisés: E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. EXODO 3:14. Resta-nos então compreender em que sentido nosso Senhor utilizou esta frase – EU EXISTIA, OU EU SOU O MESSIAS? NOSSA SUGESTÃO DE COMPREENSÃO A frase EGO EIMI significa uma AUTO-DECLARAÇÃO, ou seja, DECLARAÇÃO DE SI MESMO COMO O MESSIAS. Não envolve EXISTÊNCIA NO TEMPO. Ela ocorre várias vezes no NT e sempre mostra esta afirmação que acabamos de fazer. É UMA EXPRESSÃO DE SI MESMO. Nas passagens de João, elas ocorrem cerca de 24 vezes, incluindo esta de João 8:58 e em todas elas expressam a declaração pessoal. Compare João 13:19 com 8:58. Como somos estudantes honestos, não podemos nos abalizar apenas em um versículo e deixar de lado outras evidências, sem contar também que existem as traduções tendenciosas. O Evangelho de João foi escrito com o objetivo de mostrar que JESUS É O CRISTO. [CRISTO É A PALAVRA GREGA PARA MESSIAS, QUE QUER DIZER=UNGIDO]. JOÃO 20:31. Isto posto, em todas as passagens listadas, o significado da expressão EGO EIMI, deve necessariamente ser entendida como uma auto-declaração. Sendo assim não pode de maneira nenhuma ser diferente em João 8:58. Vamos a elas: Em João 4, no diálogo com a mulher samaritana, quando o Senhor lhe mostra como deve ser a verdadeira adoração [v. 19 em diante], veja o que a mulher diz [v.25]: EU SEI QUE HÁ DE VIR O MESSIAS, QUANDO ELE VIER NOS ANUNCIARÁ TODAS AS COISAS. Na seqüência, Jesus mesmo lhe responde com sua AUTO-DECLARAÇÃO MESSIANICA: [v. 26] - EU O SOU, EU QUE FALO CONTIGO. Aqui Jesus usou a frase EGO EIMI. João 4:25,26. Em João 9:9, Jesus depois de curar o cego, manda-o se lavar no tanque de Siloé. Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? [v.8]. Uns diziam: É este. {E} outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu. [EGO EIMI]. Aqui, o cego utiliza a frase EGO EIMI, ou seja, uma expressão de si mesmo. “EU SOU ESTE QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO”. João 9:22 - Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo,[MESSIAS] fosse expulso da sinagoga. [CRISTO=MESSIAS]. JOÃO 10:24 - Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Veja que no verso 25 ele afirma claramente: JÁ VOS DISSE E NÃO CREDES.....[CRISTO=MESSIAS]. Veja os usos da mesma expressão em outras passagens Atos 26:29 - E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou [EGO EIMI], exceto estas cadeias. Marcos 13:6 - Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o {Cristo}; e enganarão a muitos. Mateus 14:27 - Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu [EGO EIMI], não temais. Lucas 21:8 - Disse então ele: Vede não vos enganem, porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu [EGO EIMI], e o tempo está próximo; não vades portanto após eles. Marcos 14:61- Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do {Deus} Bendito? 62 - E Jesus disse-lhe: Eu o sou, [EGO EIMI] e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder {de Deus}, e vindo sobre as nuvens do céu. Observem irmãos, que nestas ocorrências listadas, o uso da frase EGO EIMI [EU SOU] sempre indica uma auto-expressão e mesmo quando Jesus se declara o Messias, não indica existência anterior ao tempo. Se em João 8:58, fosse entendida como as demais ocorrências, não haveria dúvidas de que Jesus estaria se referindo a uma “suposta” preexistência literal, antes de Abraão nascer. Porém, deixemos claro alguns detalhes de antemão: Em João 8 v. 56 é dito sobre Abraão ter exultado por ver o dia de Cristo.... - Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-{o}, e alegrou-se. Como poderia Abraão ter “VISTO” O DIA DE CRISTO? Ele o viu “pela fé”, como descrito em Hebreus 11:10. Todas as promessas feitas a Abraão, ele as viu de longe e creu nelas, mas ainda não as recebeu. O QUE ABRAÃO VIU FOI ISTO, NA PROMESSA DE DEUS ACERCA DE UMA DESCENDÊNCIA. (GÊNESIS 12:3; 15:4-5) E AS VIU DE LONGE (HEBREUS 11:13). De forma alguma, a expressão aqui leva a uma suposta aparição angélica no tempo de Abraão, como alguns poderiam pensar, porque o livro de Hebreus refuta a idéia de que Cristo tenha sido algum dia um anjo. Hebreus 1:4,7,13,14 e 2:5. Esta hipótese de Jesus ser anjo está descartada. Veja João 8:56-58 na TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE: 56 – Abraão, O Pai de vocês, ficou alegre ao ver o tempo da minha vinda. Ele viu esse tempo e ficou feliz. 57 – Você não tem nem 50 anos e viu Abraão? – perguntaram Eles. 58 – eu afirmo a vocês que isto é verdade: Antes de Abraão nascer, EU SOU! – respondeu Jesus. Jesus, portanto, não está afirmando nesta passagem uma “PREEXISTENCIA LITERAL”, pelo fato de ter dito: ANTES DE ABRAÃO NASCER, EU SOU. Ele está mostrando SUA ABSOLUTA PREEMINENCIA [NÃO PREEXISTENCIA] NO PLANO DE DEUS ANTECIPADAMENTE. A linguagem do v. 56 sugere esta evidência. Como Ele poderia ter VISTO O DIA DE CRISTO, a não ser numa vinda futura? Se Compreendermos que todas as promessas feitas no Antigo Testamento apontam para frente, fica fácil entender esta declaração de Jesus. ALGUNS DETALHES SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO O Evangelho de João parece se deleitar com as pessoas que entendiam Jesus literalmente, ao passo que ele falava de forma figurativa. Eles sempre entendiam os discursos de Jesus de forma carnal, veja: João 8:38 - Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai. Comparando com o v. 44, vemos que a reivindicação dos judeus em serem descendentes de Abraão era fútil, pois os atos deles evidenciavam a falta de quaisquer relacionamentos com Ele (Abraão). Se realmente, fossem filhos de Deus, reverenciariam e compreenderiam o Filho de Deus que estava ali “enviado por Deus”. A reação deles revelou que seu verdadeiro pai não era Abraão, mas sim o diabo. Há mais um detalhe a considerar: Se o que Jesus falava, era o que “literalmente” tinha “visto junto do Pai”, (JUNTO DE DEUS - como entendem os defensores da preexistência), então deveríamos da mesma forma interpretar que as coisas que os judeus faziam, eram as que tinham “literalmente visto junto do pai deles”?. De qualquer forma, ficaria a pergunta: Quem era o pai dos judeus neste contexto? Abraão ou o diabo? Qualquer resposta evidencia que não se trata de linguagem literal, mas figurada. Como eles poderiam estar literalmente “juntos de Abraão”? Tire o leitor suas conclusões, comparando João 8:38 com João 3:32 / 5;19,30 e 14:10,24. Paz.


Contribução.
MARCELO ALEXANDRE DO VALLE