quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Trinitarianos dividem o corpo de Cristo.

Por rejeitarem o ensinamento bíblico acerca do unitarismo, os religiosos trinitários asseguram que tal visão leva a heresia, que por sua vez produz blasfêmia. Argumentam assim baseados na crença de que todos os cristãos deveriam ser unânimes nas suas declarações de fé, para isso utilizam o texto bíblico que se encontra em 1ª Co. 1.13 (Acaso, Cristo está dividido Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?) Tendo em mente que Cristo não está dividido, apesar dos homens “religiosos” assim fazerem os trinitários afirmam que o unitarismo divide o corpo de Cristo.

O fato de se crer em um Deus que não é um Deus composto como é o caso do Deus trindade, não deveria ser motivos de alarde nem de injúrias e rejeições. Hoje a “cristandade” tem divido o corpo de Cristo em inúmeros “ramos” denominacionais, cada qual com sua doutrina particular, e em muitos casos até mesmo esdrúxula e existem aquelas que exacerbam-se umas contra as outras. Ter uma visão coerente sobre a pessoa de Deus, no caso, vê-lo como um Deus unitário, ou seja, que não divide sua glória com outras divindades, não da base para sermos chamados de hereges e contenciosos.

Atualmente temos visto e ouvido líderes religiosos dizerem que  o personagem bíblico Adão é um ser mitológico, que a (teoria) da evolução é mais do que uma hipótese. Bem quando rejeito o Adão histórico estou dizendo que o Cristo é um personagem mitológico, quando asseguro que não houve uma “queda” literal estou dizendo que não há necessidades de uma regeneração e muito menos de um sacrifício expiatório, ou seja, não existe méritos na obra de Cristo. 1ª Co. 15.22 (Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.) 1ª Co. 15.45 (Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.)

É impossível desassociar Cristo de Adão e vice versa. Dizer que o homem veio do macaco é contrariar grandemente os ensinos bíblicos acerca da criação, caso algum “religioso” seja ele líder ou não, venha a aceitar ou divulgar que o homem é um produto da evolução não dêem ouvidos a tal pessoa. Quando dizem que o relato bíblico da criação é apenas uma metáfora para demonstrar uma realidade maior tais líderes estão tentando descredibilizar todo o relato encontrado no Gênesis, estão dizendo que as palavras (Haja luz) são símbolos e metáforas.

Ora, se isso não é dividir o corpo de Cristo, se isso não é ridicularizar a palavra de Deus, se isso não é minar a fé dos pobres incautos, se isso não é uma tremenda heresia, o que mais seria? Será que tais divulgações se compara ao fato de alguém crer em um Deus único? Ex. 20.3 (Não terás outros deuses diante de mim.) A palavra dita pelo próprio Deus é: “diante de mim”, não diz, diante de nós. O que seria um Deus composto? Um Deus composto ou um Deus plural é quando se acredita que Deus é um ser compartilhado (em ou por) três pessoas. Não duvido da sinceridade dos teólogos trinitarianos, mas a filosofia utilizada para credibilizar tal dogma é muito ilógica.

Devemos entender a seguinte questão: se Deus é um ser compartilhado em três pessoas logo Deus é um ser independente das três pessoas, neste caso Deus seria o quarto elemento. Mas, se Deus é compartilhado por, ou pelas três pessoas, logo cada qual é Deus, então teremos três deuses. E é exatamente isso que a palavra trindade diz, tri-divindade.

Vamos imaginar a seguinte situação: existe uma pessoa que é super poderosa com todos os atributos tais como onisciência, onipotência, e onipresença. Vamos imaginar então que além dessa pessoa exista outra pessoa com os mesmos poderes e atributos mencionados, e vamos imaginar ainda mais, que além dessas duas pessoas exista então uma terceira pessoa igualmente poderosa com todos os atributos das outras duas. Suponhamos também que a primeira pessoa haja autonomamente, independente das outras duas, e que por incrível que pareça as outras duas tem as mesmas características.

Suponhamos ainda que a segunda e a terceira pessoas faça o mesmo, e que em suas ações elas sejam desprendidas e autônomas. Ora, podemos assegurar justificadamente que cada pessoa seja então um Deus. E é exatamente isso que o credo trinitário ensina, eles só não ensinam que tal ensinamento e é inescapável de que a doutrina da trindade objetivamente está dizendo que existam três deuses. É natural que contestem mas, o ônus da prova recai sobre eles, em dizer como três pessoas com os mesmos atributos e poderes que agem independentemente não são três deuses distintos, o fato de dizerem que não são três deuses é apenas um argumento circular, que não esclarece, só confunde.

Outra declaração injustificada que os “ditos ortodoxos estão acostumados a fazer é dizer que os unitários rejeitam o Espírito Santo, argumentam o seguinte: - “Para eles o Espírito Santo não é uma pessoa” ou “como podem dizer o contrário, se a própria bíblia diz que o Espírito Santo é Deus.” Vamos a bíblia. Jo. 4.24 (Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.) Seria dizer o mesmo que: o Espírito é Deus, o Espírito é Santo e que Deus é santo. Não existe confusão, nem mesmo rejeição ao Espírito Santo, o que existe é uma rejeição a uma suposta terceira pessoa da divindade conhecida como Espírito Santo.

A rejeição não é da pessoa bíblica do Espírito Santo, mas sim uma rejeição do Deus criado nos concílios da igreja. Se crermos que Deus é Espírito conforme o relato de João 4.24, e também se acreditamos que Ele Deus é uma pessoa, teremos que admitir que Ele é santo logo a pessoa do Espírito Santo é o próprio Deus, isso é comprovado pela bíblia Is. 6.8-9 (Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.)

Quem disse essas palavras em Isaías? Deus! At. 28.25-26 (E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis.) Não podemos afirmar de forma nenhuma que o Espírito Santo possa ser uma suposta terceira pessoa.

Vamos Seguir a mesma lógica anterior: O Espírito é santo, Deus é Espírito, o Espírito é Deus, conclui-se então que Deus é Espírito Santo. Pois bem, imagine então se o Espírito Santo seja mesmo a terceira pessoa da trindade: Deus o pai é Espírito conforme João 4.24, então o Espírito Santo a terceira pessoa é espírito santo espírito, a declaração de Jesus em João seria um pleonasmo, pois seria o mesmo que ele estivesse dito: o espírito santo Deus é espírito. Não tem lógica. Não luto contra o Espírito, pelo contrário, clamo por ele, Não rejeito o Espírito Santo, antes, rejeito a terceira pessoa de uma suposta trindade.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Adão, um personagem histórico.

Atualmente existe uma disposição muito grande, mesmo por parte dos religiosos para assumirem que o personagem bíblico chamado Adão se trate apenas de uma figura mitológica, isso pelo fato de que a narrativa do livro do Gênesis trás no seu conteúdo a assertiva de que a serpente era um animal falante.

É por assumirem que as declarações iniciais de Gênesis é mitológica significa então que nunca houve um Adão e nem uma Eva. O fato de assumirem que os personagens Adão e Eva e os elementos que preenche a história tais como: serpente falante, árvore do conhecimento do bem e do mal fazem com que a verdade inicial da bíblia se torne apenas uma verdade moral retratada num símbolo. É o mito apontando para a realidade.

Gn. 3.1 “Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” Apesar de a bíblia dizer que nos seus primórdios a serpente era um animal falante, não deve ser apoio para ninguém duvidar de que ela não esteja tratando de uma literalidade.

O fato de não vermos nenhuma serpente falante na atualidade, não significa que elas nunca falaram. É claro que certos acontecimentos distantes nos causam estranheza, acredito que para Adão e Eva seria mais estranho ver uma serpente rastejando e muda. Assim como seria muito estranho para eles e seus descendentes próximos verem pessoas que não acreditam em Deus, por exemplo.

Gn. 3.14 Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida.”  Fica entendido pelo verso que o pó não era o “alimento predileto” da serpente e que muito menos ela rastejava sobre a terra. Gn. 2.16-17 “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Este outro elemento considerado mitológico, no caso a árvore da ciência do bem e do mal, não tem nenhum motivo para ser compreendido como sendo um mito, ao invés de uma verdade histórica. Deus tem todo o direito de usar o elemento que quiser para fazer um teste de obediência com suas criaturas, mas é claro que por ser racional e lógico Ele Deus utilizou com Adão os meios conhecido e acessível ao homem. Oséias. 6.7 Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim.”

O profeta destaca duas coisas importantes, (1) diz que a árvore não era um mito, mas confirma que ela era um meio acessível ao homem o qual Deus poderia utilizar para prová-lo. A palavra transgressão neste verso é passar por cima. A comparação que Deus faz entre Adão e Israel nos dias de Oséias é que ambos foram infiéis no trato com Deus.  Em síntese, a árvore não continha nenhuma mágica, nenhum poder milagroso, era apenas um objeto de teste. (2) Oséias compartilhava o ensinamento judaico que assegura a literalidade de Adão e sua historicidade.

Essas questões que estão sendo tratadas não apoiam um mito, são apenas mal utilizadas no seu devido contexto. Os defensores do mito asseguram que apesar do jardim do Éden ser localizado geograficamente e que dele saía alguns rios literais e existentes ainda na atualidade não assegura que o relato seja histórico isso dizem eles pelo fato de algumas parábolas de Jesus trazer localizações geográficas mas nem por isso as consideramos um acontecimento histórico Gn 2.10 e 14 “E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços.” “O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.”

A julgar pelo relato bíblico podemos acreditar que o jardim estava situado em um ponto geográfico, a bíblia diz que ele estava localizado no Éden. Aqui nós não podemos entender a localização do jardim como um meio elaborado para se explicar uma parábola, os rios que saiam do jardim são literais, o local Éden é literal. Por que não devemos entender o jardim e seus acontecimentos como sendo algo literal?  

Quando entendemos a questão do mito defendido por ateus, não podemos levar em consideração, mas em se tratando de “cristãos” fica complicado, pelo fato de que tal argumento joga por terra toda a questão envolvida no livro de Gênesis, tais como a criação atribuída pelo poder de Deus, a genealogia os relatos históricos sucedidos, bem como a questão do dilúvio, em suma, tais defensores que se intitulam cristãos estão na verdade trabalhando contra os ensinamentos da bíblia.

Um dos argumentos válidos que contribuem para solidificar o relato do Adão histórico é a genealogia hebraica. Gn. 5.1 “Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.”  Falando sobre a genealogia de Jesus Lucas descreve que Ele Jesus veio de Adão, Lc. 3.38Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.”

E é sabido por todos que diferentemente dos povos vizinhos, Israel zelava e prezava muito a questão genealógica; duvido que eles iriam misturar personagens fictícios com homens reais e assim mancharem a sua história. Quando defendo a literalidade de Adão estou defendendo a realidade da criação, a bíblia diz que Deus falou e tudo se fez, logo quando se defende  que a história de Adão é um mito, também entenderão que o relato da criação é fictício, eis o perigo.

Quando não se acredita no Adão terreal não se acredita no Adão espiritual 1ª Co. 15.45 “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.” Paulo está traçando um paralelo entre Adão e Cristo, se Adão de fato não existiu, logo Ele não caiu, e se não caiu, não existe queda e se não existe queda, não precisamos de alguém que nos erga. Portanto, a literalidade de Adão é essencial para o cristianismo.

Existe muito mais argumentos que favorece a realidade dos capítulos iniciais da bíblia, por exemplo: Mc. 10.6-8 “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne.”  O que vejo no entanto, é o homem moderno seguindo os seus instintos carnais, revoltados contra Deus que através de sua palavra tende toldar a tendencia pecaminosa e botá-la em relevo. E isso independente se dizem ser ou não religiosos, essa é a tendência.

Se lutam contra a literalidade da queda o intuito escondido é para aniquilar ainda que mentalmente a condenação que lhes pesa, o homem quer ser livre, ainda que a liberdade ou libertinagem seja conseguida por meio da anulação da palavra de Deus. 


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Deus não quer que ninguém pereça?

(2ª Pe. 3.9) Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” As denominações religiosas exceto algumas, (e poucas) admitem que a questão do não perecimento referido pelo apostolo Pedro citado no versículo acima esteja relacionado a todas as pessoas que faziam parte do seu contexto. Como sabemos, os escritos bíblicos são direcionados para toda era cristã, logo, atribui tais denominações que Pedro está dizendo que o Senhor não quer que ninguém pereça, isto é, ninguém mesmo.

Uma visão como esta é lastimável, e bastante confusa principalmente no que tange a questão de Deus e sua soberania. Acredito que tais teólogos não conhecem ou se conhecem não acreditam que Deus age, julga, segundo a sua vontade. Ou que tais líderes não aceitam é o fato de que a decisão de Deus está acima do querer humano. Podemos analisar este verso de Pedro conjuntamente com o verso que se encontra em Ezequiel, onde Deus diz que não tem prazer na morte do ímpio. (Ez. 18.23)Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?”

Assim como Pedro, Ezequiel foi direcionado para o seu contexto, logo Deus estava arrazoando diretamente com Israel por meio do profeta. Da mesma forma se tomarmos o verso de Ezequiel e o direcionarmos para a era cristã, chegaremos a conclusão que ainda hoje, Deus não tem prazer na morte do perverso. Que Deus não tem prazer na morte do perverso ou ímpio em outras traduções é um fato real pois, muitos de nós fomos ímpios em algum tempo no passado e mesmo assim Deus nos poupou de perecermos antes de conhece-lo. (Rm. 5. 6-8) “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Outro fato é que Deus não compartilha a natureza humana e por isso não está sujeito as mesmas disposições oscilantes de espírito que nós estamos, tais como ódio e paixão, raiva e maquinações humanas. Sendo assim, podemos concluir que Deus não está preso as disposições e picuinhas humanas, isso faz com que Deus tenha uma atitude diferente da nossa com relação ao ímpio. Por isso a bíblia destaca que Ele não tem prazer na morte do perverso.

Acredito que este verso e outros que destacam a mesma ideia, contribuiu para que as denominações enfatizassem que Pedro estivesse relacionando todas as pessoas que estão sobre a terra, ou seja de que Deus não quer que ninguém pereça. (Is. 14.24) “Jurou o Senhor dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará.”  (Jó 42.2) “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”

Estes versos e outros tantos é que faz com que tal visão do não perecimento universal se torne uma falácia. Em outras palavras é de dar pena quando ouço pessoas dizendo que Pedro é enfático em dizer que Deus não quer que ninguém pereça. E declarações como está são ditas todos os dias por pessoas e líderes religiosos os quais defendem as suas denominações como sendo a “menina dos olhos de Deus”. Ou seja, igreja verdadeira não profere algo que não seja somente a verdade, portanto segundo tais líderes Pedro está ensinando que Deus não quer que nem mesmo uma única pessoa pereça. 

Porque este ensinamento não subsiste? Pelo fato de que a vontade soberana e suprema de Deus deve sempre ser cumprida! (Gn. 1.3) Disse Deus: Haja luz; e houve luz.” Conforme diz o Dr. Sprou, “a luz não pode se recusar a brilhar”. Ou seja, se é a vontade soberana e eficaz de Deus que está sendo tratada em 2ª Pedro 3.9 logo ninguém irá perecer. Mas podemos ter a certeza de que não é a vontade eficaz de Deus que está sendo tratada no verso em segunda Pedro, pelo fato de que o perecimento é algo que está registrado na bíblia. (2ª Pe. 3.10)  Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.” (Ap.20.15) E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.”

Também não é a vontade de preceito ou aquilo que Deus exige, pois caso fosse às pessoas que vão perecer deveriam ser julgadas por terem perecido e assim sucessivamente. Isso pelo fato de que nós podemos nos rebelar contra as ordens de Deus, porém tal ação de nossa parte não será feita sem uma reação por parte de Deus. Sendo assim o verso de Pedro não está tratando da vontade de mandamento de Deus, pois a bíblia não ensina que os que perecerem por contrariar as ordens de Deus irão perecer novamente. Tanto o perecimento como a vida eterna serão são atos únicos.

Sem nenhuma sombra de dúvida o verso nove de 2ª Pedro capítulo três está falando dos resgatados ou dos ex-ímpios, não há outra explicação plausível. O contexto em que se situa o capítulo três de Pedro já nos assegura isso (2ª Pedro 3.1)Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida”. Pedro está se dirigindo não ao mundo ímpio mas aos crentes, nos versos subsequentes ele destaca que os homens ímpios iriam dizer que a vinda do Senhor não se daria, pois desde que eles eram crianças já houviam tais declarações.

Como se não bastasse o próprio verso nove nos diz com clareza explicita quem são aqueles que Deus e Jesus não quer que pereçam, “...pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça...” Longânimo para convosco, convosco quem? Ora, os que haviam crido e que estavam aguardando o Senhor isso é claro. E o nenhum é o mesmo que o convosco, logo os cristãos que haviam e que estão crendo estes estão debaixo da vontade soberana e eficaz de Deus e não irão perecer, os ímpios que não se converterem estes irão perecer.

Mas a bíblia não diz que Deus não tem prazer na morte do ímpio? Sim diz, e não tem mesmo, como disse acima, Deus não tem as mesmas disposições que nós temos. Mas por outro lado segundo a bíblia o perecimento (e isso se tratando de um perecimento espiritual) do ímpio do não convertido do descrente, faz parte dos planos eternos de Deus, ou seja, não é do agrado de Deus que o ímpio o perverso pereça, mas segundo a justiça de Deus é bom que ele pereça.

Lembremos sempre, caso fosse o contrário ou que Deus soberanamente e eficazmente impedisse o ímpio de perecer, ele jamais pereceria. Mas não é assim, Deus não pode negar-se a si mesmo, portanto é bom que o ímpio não pereça, mas é bom também que ele se converta,  caso contrário a justiça de Deus será feita e o ímpio certamente perecerá.



sábado, 15 de novembro de 2014

Acaso e destino, "deuses" velhos e atuais.

Os ateus e humanistas atribuem os acontecimentos que nos cercam como obra do acaso. O acaso é a visão ateísta de fatalismo, muitos que não compreendem a questão bíblica da predestinação e mesmo da soberania de Deus em guiar a história confundem tais acontecimentos como sendo obras do acaso. O fatalismo literalmente significa que os negócios dos homens são controlados por sub-deidades ou fadas, ou mais popularmente por forças impessoais do acaso.

A predestinação não é baseada nem numa visão mitológica de deuses brincando com nossas vidas, nem numa visão de destino controlado pela colisão ocasional de átomos. A predestinação está enraizada no caráter de um Deus pessoal e justo, um Deus que é o Senhor soberano da história. Acredito que é muito mais tranquilizador acreditar em um Deus soberano do que está nas “mãos” de um acaso indiferente e hostil.

Átomos não têm justiça em si; na melhor hipótese são amorais. Deus é completamente santo e justo. Portanto, devemos saber distinguir determinismo de fatalismo; fatalismo é uma teoria pagã comum, mas ilógica, pelo fato de todas as coisas serem causadas (determinadas) para a teoria fatalista as escolhas humanas não possuem qualquer sentido ou são irrelevantes para os resultados. Tornando então uma desculpa para a ação moral, o fatalismo é falsamente equiparado ao determinismo e a predestinação.

Podemos dizer sem medo de errar que o acaso apesar de velho é um “deus” bem atual, as culturas pagãs geralmente atribuíam ao acaso qualquer acontecimento, 1ª Sm. 6.8-9Então, tomai a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro, e metei num cofre, ao seu lado, as figuras de ouro que lhe haveis de entregar como oferta pela culpa; e deixai-a ir. Reparai: se subir pelo caminho rumo do seu território a Bete-Semes, foi ele que nos fez este grande mal; e, se não, saberemos que não foi a sua mão que nos feriu; foi casual o que nos sucedeu.”

Quando os filisteus capturaram a arca da aliança em Israel por um período de tempo ficaram jubilosos, após isso a calamidade caiu sobre eles, então perceberam que o problema foram eles terem capturado a arca e sendo pagãos cogitaram a idéia de que poderia por acaso não ser a retenção da arca que estivesse causando aquela calamidade, porém o verso bíblico nos informa que não era o simples acaso que trouxera aquela calamidade sobre eles, mas o próprio Deus.

1ª Sm 6.10-12 Assim fizeram aqueles homens, e tomaram duas vacas com crias, e as ataram ao carro, e os seus bezerros encerraram em casa. Puseram a arca do Senhor sobre o carro, como também o cofre com os ratos de ouro e com as imitações dos tumores. As vacas se encaminharam diretamente para Bete-Semes e, andando e berrando, seguiam sempre por esse mesmo caminho, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda; os príncipes dos filisteus foram atrás delas, até ao território de Bete-Semes.”

O acaso continua sendo a deidade reinante na mente dos céticos e mesmo de muitos “cristãos”. A grande superstição da vida moderna está focalizada sobre o papel do acaso nos negócios humanos, infelizmente acreditam que até mesmo o universo foi obra do acaso. O acaso é um código que usamos para explicar o desconhecido. É o poder da causalidade favorito daqueles que não atribuem poder a nada e a ninguém nem mesmo Deus. Contudo essa atitude supersticiosa em relação aos acontecimentos não é nova, os versos acima nos mostram isso.

Apesar de não ser muito explicito acreditar no acaso é o mesmo que criar um ídolo finito em outras palavras um deus pagão. Ao passo que nós que temos um conceito bíblico somos proibidos de ter qualquer relacionamento com os ídolos, ainda que eles sejam mentais. Is. 42.8 Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” Além das imagens de esculturas Deus repudia qualquer outro ídolo que possamos imaginar, ainda que sejam as divindades babilônicas que eram “personificadas” nos dias do profeta Isaías, tais como a fortuna é o destino

Is. 65.11-12Mas a vós outros, os que vos apartais do Senhor, os que vos esqueceis do meu santo monte, os que preparais mesa para a deusa Fortuna e misturais vinho para o deus Destino,  também vos destinarei à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes, falei, e não atendestes; mas fizestes o que é mau perante mim e escolhestes aquilo em que eu não tinha prazer.” O mesmo se dá com o “deus” acaso.

Na realidade o acaso não pode fazer nada porque ele é nada, na realidade a palavra acaso é usada para podermos descrever possibilidade matemáticas, por exemplo: quando jogamos uma moeda dizemos que existe 50% de chance de sair cara. Se escolhermos cara e der coroa dizemos que não estamos com sorte. Quanta influência tem o acaso no lançamento de uma moeda? O que faz com que de cara ou coroa? Será que a sorte mudaria se soubéssemos de que lado a moeda estava no início? Na verdade o acaso não pode fazer nada quando ao lançar a moeda e nem outra coisa qualquer, isto pelo fato de ele não ser nada.

Antes que alguma coisa possa exercer poder ou influência, precisa primeiro ser alguma coisa. Precisa ser algum tipo de entidade física ou não física, o acaso não é nenhum dos dois. É meramente uma construção mental, não tem poder porque não tem ser. Portanto como não podemos ver tudo o que está acontecendo num lançamento de moeda a olho nu, também os complexos negócios da vida estão além de nossa capacidade de compreender, então inventamos o termo acaso para tentar explicar, contudo o acaso não explica nada, é meramente uma palavra que usamos como abreviação para nossa ignorância.

Em contradição com a teoria do acaso a bíblia nos mostra que Deus está por trás dos acontecimentos que movem a história humana. Pv. 16.9O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” Pv. 16.33A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão.” Naturalmente estes ensinamentos não surtirão efeitos sobre a mente dos ateus e humanistas, dado a condição espiritual que se encontram, para eles é mais simples acreditarem nas obras do acaso do que em um Deus que age conforme o conselho de sua vontade.

Em sua carta aos Corintios Paulo Falou sobre os judeus e romanos do primeiro século e sua sabedoria secular, podemos traçar um paralelismo interessante com os dias atuais, 1 Co. 2.6-8Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.”  

Não vemos o mesmo dos céticos da atualidade, daqueles que lutam para tirar de Deus o governo do universo. O fato é que a empreitada da qual eles se submeteram é desgastante e  sem proveito, quer queiram quer não, nada irá mudar. Deus, e não um acaso baseado nos signos do zodíaco é que está governando o nosso destino e o deles também, fazem isso pelo fato de não conhecerem a Deus. Is. 46. 9-10 “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.”


sábado, 1 de novembro de 2014

A soberania de Deus e o mal.

Is. 46.9-10 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.” Mc. 10.18 “Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.”  Gn. 3.22 “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente.”

Estes versos nos mostra que Deus é soberano, que ele também é bom e que o mal existe. Por soberania entendemos que seja alguém com o poder supremo, alguém que domina absoluto. Na visão teológica este alguém é Deus, o criador de todas as coisas. Muitos que querem se “livrar” de prestar contas para o criador soberano lançam dúvidas quanto a regência suprema de Deus, tentam de todas as formas minar a credibilidade das escrituras. Em teologia existem três proposições as quais temos por verdadeiras.

Proposição (1) baseado no verso bíblico de Isaías e dezenas de outros versos compreendemos que Deus é onipotente. Proposição (2) Marcos e outros inúmeros versos da bíblia nos informa que Deus é bom. Proposição (3) A julgar pelos acontecimentos maléficos  que presenciamos no mundo que vivemos e como nos é dito também em Gênesis e outros tantos versos bíblicos o mal é uma realidade inegável. Como conciliar as três proposições sem afetar a soberania absoluta de Deus?

Para os filósofos ateus e outros a julgar pelo estado de acontecimentos que observamos no mundo as três proposições não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Conforme o relato bíblico que lemos acima vemos que Deus é onipotente, de igual modo vemos também que ele é bom e que apesar disso o mal existe. A onipotência significa que Deus pode fazer tudo o que ele queira ou deseje fazer. Naturalmente Deus não deseja fazer aquilo que é irracional ou algo que seja destituído de significado. Sendo Deus e poderoso Deus pode fazer qualquer coisa que seja compatível com seus próprios atributos.

A segunda premissa afirma que Deus é totalmente bom, isso significa que Deus é moralmente exigido pela sua própria natureza a fazer qualquer coisa boa. E se ele não desejasse e fizesse sempre o bem, ele não seria totalmente bom. Mas o mal existe, de onde então vem o mal? Provavelmente Deus é totalmente capaz de evitar que os males venham à existência, ou ao menos é capaz de eliminar todos os males que existem. Mas os males ainda existem. Sabemos pela bíblia que até mesmo o mal tem o seu destino final, Ap. 21.4 “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”

A bíblia em seu sentido natural e literal nos ensina que não podemos negar a existencia do mal nem mesmo a soberania de Deus, ao passo que grupos cristãos liberais oriundos de diversas denominações influenciados pelo humanismo tem negado não só os escritos bíblicos como a própria ordem explicita no mundo observável. Em outras palavras percebemos que a natureza é compatível com o relato bíblico não só da soberania absoluta de Deus, como também da existência do mal. Se o mundo observável não consegue fazer com que os ateus enxerguem tanto a soberania e onipotência quanto a bondade de Deus, então o que eles precisam ver para crer em tais atributos?  

Rm. 1.18-20 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;  porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis. Sl. 33.9 “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.”

Até mesmo esta realidade bíblica está sendo recusada por diversos números de “cristãos” influenciados pelo ateísmo e pelo humanismo apóstata, este acontecimento foi causado devido a visão materialista dos líderes cristãos que não conseguiram conciliar a existência do mal no mundo com um Deus onipotente. Entraram no mesmo caminho seguido pelos ateus e iluministas. Cegados pelo movimento apóstata que ora observamos não conseguiram ver que o Deus da bíblia por ser soberano nunca falha em racionalmente adaptar os seus meios para alcançar os seus fins, sendo assim Deus consegue relacionar os seus atos as suas intenções.

Is. 55.8-9 e 11 “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.  Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.”

O fato importante que todos esquecemos ou fomos condicionados pelo cristianismo que temos presenciado é que assim como Deus da bíblia é onipotente a despeito de todas as dificuldades imaginadas ele também é o padrão de bondade e justiça. Em outras palavras apesar do mal ser uma realidade no mundo Deus é intrinsecamente bom, o fato do mal existir só demonstra que os meios estão sendo “adaptados” para os seus fins. O fato é que Deus criou um mundo onde o mal era inevitável, dadas as condições iniciais na queda.

Outro fato que muitos e esquivam é que se cremos que Deus é soberano então devemos crer que ele preordenou o pecado. O que mais podemos concluir? Podemos concluir que a decisão de Deus de permitir que o pecado entrasse no mundo foi uma boa decisão, dado os seus planos para o futuro. Caso fosse o contrário Deus não estaria mantendo a existência do mundo nesta condição. Quanto aos ateus e céticos resta-lhes uma pergunta: em um mundo criado onde os seres humanos apesar de não ser onipotentes nem mesmo são independentes não seriam eles os responsáveis pelos semelhantes e por toda a natureza? Digo isso baseado na condição humana de ser o regente da criação.

A palavra responsável é sinônima de responder por. Sendo interdependente com o restante do mundo o que os humanos estão fazendo para aliviar o sofrimento causado na maioria pelo próprio humano? Em que eles estão sendo responsabilizados? Outro fato importante é que diferentemente dos seres humanos não existe alguém acima de Deus para que ele tenha que prestar contas, ao passo que a criatura está obrigada a prestar contas a Deus se assim for chamada, 

Rm. 9.19-23Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão.” 

O problema não está no caráter de Deus visto que intrinsecamente Deus é o padrão de bondade. O problema está nas perspectivas humanas a respeito de Deus que procuram limitá-lo nos interesses de sua autonomia. Por que alguém deveria presumir que Deus está debaixo de qualquer obrigação de tanto evitar os males tão logo eles surjam? A bondade de Deus é correlata a sua sabedoria e onipotência. Ele pode ter planos que fazem plenamente sentido para ele e que incluem sua resposta a longo prazo para o mal. Não parece haver razão alguma provável na bíblia por que Deus não teria designado um universo no qual os males de várias espécies fossem inevitáveis, isso no entanto não quer dizer que Deus aprova o pecado e o mal. Isto significa que os planos de Deus para a sua criação sem o pecado e o mal estão em andamento.      

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mateus 24.34 Apoia o preterismo?

Os preteristas baseado em alguns textos das escrituras tem difundido a idéia de que o apocalipse e o capítulo 24 de Mateus já tiveram o seu cumprimento total. O nome preterismo por si só indica que os acontecimentos neste caso relacionados às escrituras já aconteceram de uma forma completa até o ano 70 dC. Para justificar os seus ensinamentos os preteristas espiritualizam quase todo o livro do apocalipse juntamente o capítulo 24 de Mateus. Para eles de uma forma espiritual Jesus já voltou, e estamos vivendo o período do milênio.

A base do preterismo é Mateus 24.34 (Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.) Antes, porém gostaria de dizer que não compartilho o pensamento futurista, como sabemos os futuristas ao contrário dos preteristas acreditam que todas as profecias apocalípticas acontecerão no futuro. Acredito que muitas profecias apocalípticas já aconteceram, porém muitas outras irão acontecer. Devo dizer que compartilho o pensamento histórico progressivo. Lc. 21.32 (Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça.) Marcos também confirmou estas palavras de Jesus, porém não iremos ler.

O contexto destes versos está relacionado com a saída de Jesus e os seus discípulos do templo. Também quando estavam no monte das oliveiras, reparem que a indagação dos discípulos apesar de seguir uma linha de pensamento ela não se dá em um só momento, a bíblia não diz se a conversa se deu no mesmo dia ou em outra ocasião. Mt. 24.1-2 (Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.) Repare que neste momento eles estavam saindo do templo.

Mt. 24.3 (No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.) Já no verso três eles estavam no monte das oliveiras, o lapso de tempo entre uma conversa e outra não nos é dito. Percebemos no entanto que a mente dos discípulos estavam aguçadas com relação aos acontecimentos que se seguiriam.

Marcos também repete com a mesma semelhança, primeiro saíram do templo e depois indagaram sobre o fim do mundo, no monte das oliveiras. Quando vêem estes versos os preteristas afirmam categoricamente que as profecias já se cumpriram, para eles a destruição do templo em 70 é o ápice do acontecimento profético. Que a destruição do templo foi profetizada neste contexto não se discute, mas Jesus não veio. E tentar espiritualizar acontecimentos literais, não condiz com o contexto, acredito que promove mais a descrença do que a fé.

Aliais, dizer que todas as profecias apocalípticas já aconteceram é desestimular a fé no retorno de Cristo, acreditar que os acontecimentos os quais presenciamos não é um prenuncio do fim e o mesmo que acreditar que o reino de Cristo já está ativo e operante. Não faz sentido. Em Mateus 24. do verso 1 ao 27 Jesus responde a indagação dos discípulos quando perguntaram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Ele então passa a descrever que surgiriam falsos cristos que contribuiria grandemente para a destruição de Jerusalém. Como também após isso as nações se volveriam contras outras nações, e reino contra reino, isso naturalmente nada tem a ver com a destruição do templo, pelo fato da destruição ser um problema entre Israel e o império romano. 

Outros reinos e nações não contribuíram para isso. Acredito sem medo de errar que uma das características do fim está registrado em Mt. 24.12 (E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.) Acredito que viver na sociedade no primeiro século, não deveria ser nenhuma maravilha, mas vivemos em uma época de grande avanço tecnológico onde podemos nos conectar com pessoas em qualquer lugar do mundo, porém somos uma sociedade solitária, e tremendamente individualista, isso faz com que o amor ao próximo fique bastante reduzido Já o verso treze vai contra completamente aos ensinamentos preteristas, Mt. 24.13 (Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.)

Perseverar em que, os judeus do primeiro século, não fizeram isso em Massada? Não resistiram até o sangue? Ora, a perseverança que nos é dito por Cristo é espiritual, significa viver a luz dos ensinamentos bíblicos a despeito daquilo que nos é apresentado pelo mundo, significa perseverar na fé e não retroceder. Mt. 24.14 (E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.) Ainda que os preteristas insistam que o evangelho foi pregado a todo mundo no primeiro século, não significa que foi, e se foi Deus trabalha de uma forma condicional?

Ou seja, o mundo do primeiro século não foi o mundo que Deus intentou, quando a bíblia diz “todas as nações” significa todas as nações como ora conhecemos, não um contexto limitado de uma época. Acredito que o capítulo de Mateus marcos e Lucas que registram a questão da volta de Jesus e todos os acontecimentos que o cercam está se referindo a acontecimentos que se estenderia desde o primeiro século até a volta de Cristo e o fim do reino dos homens. Os preteristas dizem Jesus disse: Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.

Acredito que este esta questão pode ser resolvida de uma forma bastante simples sem ter que acreditar que Jesus já veio de uma forma espiritual. Primeiro: o sentido de geração pode significar as gerações sucessivas que estariam lendo e entendendo a bíblia, isso pelo fato de que a volta de Jesus é aguardada por todas as gerações de crentes, sendo assim Ele estaria falando distintamente para cada geração que existe ou já existiu, isso se entendermos a palavra geração como sendo pessoas que vivem um período sobre a terra.

Segundo: podemos entender perfeitamente a palavra geração como sendo um povo e isso é perfeitamente possível, a palavra grega neste verso para geração é: genea e significa: aquele que foi gerado, homens da mesma linhagem, família, os vários graus de descendentes naturais, os membros sucessivos de uma genealogia, ou totalidade das pessoas que vivem numa mesma época. Sendo assim Israel hoje poderia ser chamada de geração, o fato é que Israel está ativo e não passou.

Dois versos que parecem corroborar com este pensamento se encontra em Lucas 11.50-51 (para que desta geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado desde a fundação do mundo;  desde o sangue de Abel até ao de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e a casa de Deus. Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração.) Vamos pensar que a palavra (geração genea) signifique apenas uma totalidade de pessoas que vivem uma época. Seria justo os judeus ou a geração dos dias de Cristo pagarem pelo crime dos profetas antigos, acredito que não. Mas se geração for toda a nação a coisa fica mais justa. A outra questão a ser avaliada seria a palavra “tudo” quando Jesus disse: (Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.) A palavra tudo é pás e significa: cada, todo, algum, tudo, o todo, qualquer um, todas as coisas, qualquer coisa.

Mt. 3.5 (Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão.) Como sabemos nem toda Jerusalém saiu a ter com Jesus. Mc. 1.5 (Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.) João Batista batizou toda Jerusalém? Claro que não. Se entendermos que a palavra geração signifique apenas aqueles de uma época, a palavra “tudo” de Mateus 24.34 pode muito bem significar “tudo”o que aconteceu até 70. Logo se a palavra “tudo” em muitos casos é limitado, por que então não aplicar o mesmo em Mateus capítulo vinte e quatro.  



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A queda de Adão e minha.

Nós que aceitamos os ensinamentos das escrituras concernente a criação, em alguma época de nossas vidas inevitavelmente iremos perguntar: o que temos a ver com o pecado de Adão em uma época tão distante? Este ato afetou a minha vida? Essas são perguntas que certamente os crentes farão no decorrer de sua caminhada. Não há como evitar o ensinamento óbvio das escrituras que diz que o pecado de Adão teve consequências drásticas sobre os seus descendentes. 

Rm. 5.12 (Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.) Após a entrada do pecado no mundo devido ao pecado de Adão surgiu uma parede de separação entre Deus e o homem, infelizmente com o pecado de Adão a corrupção foi transferida para os seus descendentes, dando sequencia a separação entre Deus e a humanidade pecadora, Is. 59.2 (Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.)

A bíblia nos informa de que apesar de não termos pecado juntos com Adão carregamos em nossa natureza a corrupção original, corrupção original é a contaminação inerente à qual todo pecador está sujeito. É uma realidade na vida de todos os homens. É o estado pecaminoso, do qual surgem atos pecaminosos. Após o pecado Adão e Eva carregaram consigo o pecado da culpa original e de uma forma natural transmitiram corrupção aos homens. Por corrupção entende-se que é o estado do qual todos nós nos encontramos. Rm 5. 18 (Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.)

Naturalmente nem todos aceitam este assunto, alguns seguindo o ensinamento de Pelágio insistem que não temos nada com o pecado de Adão, portanto o pecado original não existe. Bem, que não pecamos juntos com Adão é uma realidade e que também não incentivamos Adão a pecar, isso também é fato. Mas, aceitar a criação e não aceitar a queda e seus resultados não é um ensinamento bíblico. A queda de Adão causou um desequilíbrio em todas as dimensões humanas, físico, mental e espiritual. Realmente não somos culpados por ter Adão cometido tal ato pecaminoso, mas carregamos em nossa natureza as conseqüências desta culpa.

As nossas ações são características de ações pós queda, o mundo em que vivemos é um mundo percebido pelos sentidos pós queda. Logo “se não fosse a transgressão de Adão” a nossa percepção e as nossas ações não estariam moldadas do jeito que ora percebemos e vivenciamos Gn. 2.25 (Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.) Gn. 3.10 (Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.) Percebe-se claramente a reação de Adão antes e depois da queda.

Pelágio rejeitando este assunto elaborou a seguinte questão, disse ele: “se Deus é completamente bom, então tudo o que criou é igualmente bom, toda a sua criação é boa, incluindo o homem”. Pelágio disse que a natureza humana, como tal, é inalteravelmente boa. Isto é, a essência constituinte do homem permanece boa. A natureza não pode ser alterada na sua substância; só pode ser modificada acidentalmente.

Não acredito na teoria de Pelágio pelo fato que de se fosse assim qualquer um poderia vencer o pecado sem a ajuda de Deus, e isso nós sabemos que nem mesmo Jesus conseguiu veja o que o próprio Cristo nos diz: Jo. 5.30 (Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou.) Repare o que Paulo nos diz em Rm. 5.19 (Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.) Na minha concepção se não creio que a desobediência de Adão causou de certa forma o meu pecado, não posso crer que a obediência Cristo será a minha libertação.

A verdade foi que em seus dias Pelágio viu um cristianismo deturpado e tentou impor certas regras para tentar restabelecê-lo, e uma delas é que nós podemos por nossas forças vencer as tentações. Ao passo que a bíblia ensina o oposto Rm. 3.9-10 (Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos  que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.) O resultado da desobediência de Adão foi a sua queda, logo a sua queda lhe proporcionou a contemplar um cenário completamente novo, ou seja, um cenário de imperfeição, imperfeição esta da qual somos todos participantes.

Se Adão não tivesse caído nós seriamos perfeitos, pois teríamos nascido em um ambiente livre das conseqüências da queda, neste sentido o pecado de Adão é Meu também. Assim sendo a teoria de Pelágio não se coaduna com a realidade que vivemos, pois disse ele: “se Deus é completamente bom, então tudo o que criou é igualmente bom, toda a sua criação é boa, incluindo o homem”. Não podemos negar o fato de que Deus seja bom, mas também não podemos aceitar que tudo que ele criou seja completamente bom, mais que dentro dos seus planos são justificáveis e tem objetivos necessários.

O que dizer das catástrofes, da assolação e do mal, pois negar que Deus os tenha criado é negar o próprio escrito bíblico Is. 45.7 (Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.)  Ez. 33.29 (Então, saberão que eu sou o Senhor, quando eu tornar a terra em desolação e espanto, por todas as abominações que cometeram. O que dizer também do calor em excesso, ou do seu oposto, da fome da sede, dos espinhos, naturalmente a criação é bela, porém trás consigo o vestígio do pecado.

Ao contrário do que Pelágio disse a natureza de Adão ao contemplar outro cenário, percebendo que estava nu demonstrou que sua natureza foi drasticamente alterada. Do mesmo modo é enganoso o ensinamento de que não nascemos em pecado, dizer que a sociedade e a localidade onde nasce um indivíduo é que moldam o caráter de uma pessoa não corresponde com a realidade.

Sl. 51.5 ( Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Por outro lado se a sociedade e o contexto onde vive tal individuo são os fatores preponderantes no seu comportamento naturalmente deveríamos encontrar indivíduos “santos” em localidades melhores preparadas. Mas não é assim, a corrupção humana atinge níveis extra-físico, em se tratando de corrupção dentro das perspectivas divinas todos somos iguais, claro está que se excetua os que estão sendo santificados em Cristo. Sendo assim por ser Adão o pai da raça humana o seu pecado passou a ser o nosso pecado, e a nossa transgressão o resultado da sua transgressão.


Isso denota claramente a questão da depravação da natureza do homem e isso é ensinado em Rm. 11.32  (Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.) Mas a questão da misericórdia será tema de um próximo assunto.

Evandro.