quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem foi o primeiro a ir para o céu, Enoque, Moisés, Elias ou Jesus?

Enoque, Moisés e Elias, onde estão? Para a maioria das denominações cristãs, estes e outros personagens bíblicos estão no céu; acreditam que ao menos existe suporte bíblico para confirmar que esses três personagens estão no céu. Rm. 5.12. "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram."

Algumas questões interessantes: segundo a bíblia a morte existe por causa do pecado, o próprio verso bíblico nos confirma isso. Apesar de terem sido homens santos (separados,) heróis da fé, mesmo assim, será que estes três personagens bíblicos viveram sem pecado? Não! Não viveram sem pecado. E se não viveram sem pecado logo foram alvos da morte é a bíblia quem diz.

A bíblia diz que todos pecaram. Rm. 3.23. “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” É válido lembrar também que nós somos pecadores não porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores. I Co. 15.22. “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” Novamente a bíblia nos confirma que em Adão todos morrem.

Outro texto que nos fala que todos morrem se encontra em Hb. 9.27. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.” (Ordenado apokeimai) é o mesmo que está reservado a espera de. O interessante é que em nenhum lugar da bíblia está dizendo que todos com exceção de Enoque, Moisés e Elias morreram, pelo contrário, diz que todos experimentarão a morte, com exceção daqueles que são de Cristo na sua vinda. I Ts. 4.17. “Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.”
   
Muito dirão: mas o próprio Jesus não ressuscitou os mortos, outros profetas e apóstolos não fizeram o mesmo? é uma realidade, só que nós devemos de responder esta pergunta com outra pergunta: todos que foram ressuscitados estão vivos hoje? claro que não. O que ocorreu foi uma demonstração do poder de Deus sobre a morte, e uma representação do reino de Cristo que será implantado.

Isso quer nos dizer que o único que ressurgiu para a verdadeira vida, ou seja, onde a morte não mais domina, foi Jesus Cristo. I Co. 15.20. “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” At. 26.23. “Isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios.”
       
Co. 1.18. “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia.” Ap. 1.5. “E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra...”
 Então como dizer que Cristo fez-se primícia dentre os mortos se admitirmos que outros já ressurgiram para a eternidade antes mesmo de Cristo?

Mt. 17. 1-3. “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.”
Para tentarem provar que Moisés, e Elias estão no céu os textos lidos acima são utilizados. Devemos entender que a transfiguração ocorrida nada mais foi do que uma representação da glória do Messias no seu reino, onde naturalmente não só Moisés e Elias como muitos outros estarão participando como súditos, no reino milenar de Cristo.

Mateus 17.9 nos declara que o que os discípulos viram no monte da transfiguração não foi uma realidade literal, mas sim uma visão do Cristo glorificado no seu reino. Mt.17. 9. “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos.”
         
 O próprio Cristo disse para os discípulos que eles tiveram uma visão. Como disse anteriormente o contexto do capítulo nos mostra uma visão do Cristo glorificado no seu reino. Dt. 34.5-6. “Assim, morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, segundo a palavra do Senhor. Este o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém sabe, até hoje, o lugar da sua sepultura.”
     
A bíblia diz que Moisés foi sepultado, nada mais. O mesmo ocorre no episódio de Enoque, Gn. 5.24. “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” Neste verso nada revela sobre o paradeiro de Enoque, só nos é dito que Deus o tomou, pergunto: o fato de estar escrito: e Deus o tomou me dá o direito de dizer que Deus o levou para o céu? Não. Hb. 11.5 “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus.”
      
O autor de hebreus confirma que Deus o trasladou, a pergunta continua: trasladou para onde? a bíblia diz? não podemos trabalhar com o texto bíblico em cima de suposições, se entendermos que Enoque está no céu baseado nesta declaração de hebreus nós iremos encontrar algumas contradições no próprio capítulo onze de hebreus. Vejamos:

Quando o autor descreve a trajetória e a importância dos heróis da fé como testemunho para nós ele começa citando o primeiro herói da fé, Abel; e daí sucessivamente passa por vários outros, cita também Enoque, o interessante é que o verso treze do capítulo onze diz que todos estes morreram, sem terem recebido as promessas. Hb. 11.13 “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
   
Que promessas? A imortalidade, o novo reino onde habitará a justiça e a paz. Outro fato interessante é que o autor disse que todos estes morreram, sem exceções, continua dizendo que todos estes, apesar de terem tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa.

Existe uma questão interessante sobre o relato da trasladação de Elias. II Rs. 3.7-11. “Mandou dizer a Josafá, rei de Judá: O rei de Moabe se revoltou contra mim; irás tu comigo à guerra contra Moabe? Respondeu ele: Subirei; serei como tu és o meu povo, como o teu povo, os meus cavalos, como os teus cavalos. Então, perguntou Jorão: Por que caminho subiremos? Respondeu ele: Pelo caminho do deserto de Edom. Partiram o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom; após sete dias de marcha, não havia água para o exército e para o gado que os seguiam.  Então, disse o rei de Israel: Ai! O Senhor chamou a estes três reis para os entregar nas mãos de Moabe. Perguntou, porém, Josafá: Não há, aqui, algum profeta do Senhor, para que consultemos o Senhor por ele? Respondeu um dos servos do rei de Israel: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias.” Este verso nos mostra que Eliseu esteve presente com Josafá, rei de Judá e com Jorão filho de Acabe rei de Israel. E neste episódio os servos do rei de Israel disseram para Josafá que Eliseu derramava água nas mãos de Elias, isso significa que nesta época Eliseu não era mais servo do profeta Elias, mais sim o próprio profeta substituto de Elias.

II Rs. 8. 16 e 17 “No ano quinto do reinado de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, reinando ainda Josafá em Judá, começou a reinar Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá. Era ele da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém.”
      
Estes versos nos mostram que reinando Jorão filho de Acabe rei de Israel, Josafá e Jeorão seu filho reinavam em Judá. O que temos visto é que nesta época o profeta já era Eliseu, pois Elias já deixara de atuar. II Cr. 21. 1.  “Descansou Josafá com seus pais e foi sepultado com eles na Cidade de Davi; e Jeorão, seu filho, reinou em seu lugar.”
           
Nesta época Elias, já havia deixado o seu ministério, II Rs. 3.14. “Disse Eliseu: Tão certo como vive o Senhor dos Exércitos, em cuja presença estou, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não te daria atenção, nem te contemplaria. O verso nos mostra que Josafá ainda em vida, o profeta já era Eliseu.

Após a morte de Josafá o reino de Judá continuou com seu filho Jeorão, o capítulo 21 de segunda crônicas diz que Jeorão foi um péssimo rei, e não andou nos caminhos de seu pai Josafá; o que nos surpreende é que após o arrebatamento de Elias, e Eliseu ficar no seu lugar, depois mesmo de Josafá reinar e por fim morrer, Jeorão da sequência as abominações e impiedades de seu sogro Acabe, Jeorão se surpreende pois recebe uma carta do profeta Elias.

II Cr. 21.12-13 “Então, lhe chegou às mãos uma carta do profeta Elias, em que estava escrito: Assim diz o Senhor, Deus de Davi, teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Josafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá, mas andaste nos caminhos dos reis de Israel, e induziste à idolatria a Judá e os moradores de Jerusalém, segundo a idolatria da casa de Acabe, e também mataste a teus irmãos, da casa de teu pai, melhores do que tu.”
      

Resta uma pergunta: onde estava Elias, esta carta terá vindo do céu? Naturalmente não. O que temos visto pelos relatos bíblicos é que com exceção de Jesus ninguém subiu ao céu, nem Enoque nem Moisés, nem Elias e nem Maria. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Ortodoxia bíblica ou dos pais?

Este assunto se baseia em cima de algumas perguntas as quais até este momento estão sem respostas. O cristianismo popular por causa da tradição herdada rotula como hereges aqueles que não aceitam (acreditam) em algumas doutrinas consideradas ortodoxas, principalmente aquelas defendidas e votadas nos concílios eclesiásticos. Vamos às perguntas.

Como distinguir uma heresia de uma ortodoxia? O fato de a igreja ao longo dos séculos instituir e rejeitar doutrinas torna tais doutrinas verdadeiras ou fazem-na falsa? Para a igreja tida como ortodoxa aqueles que rejeitam algumas doutrinas, principalmente aquelas instituídas nos concílios eclesiásticos são rotulados como hereges, o que seria considerado uma heresia, aceitar doutrina(s) baseado em filosofias ou rejeitá-las por não estarem na bíblia?  Exemplos: 
                                                                                  
Se a doutrina da trindade é realmente bíblica, por que então ela não foi definida na bíblia? Mas precisou dos “pais” com seus conceitos filosóficos? Para “provar” a existência da trindade os teólogos trinitários utilizam de uma mirabolante combinação de versos bíblicos, porque os muitos versos que dizem literalmente que existe um e único Deus não são suficientes para provar que Deus é um literalmente? Se a trindade fosse realmente bíblica, por que precisou mais de cinquenta anos entre o concílio de Nicéia 325 dC. Até o concílio de Constantinopla 381 dC afim de que a doutrina pudesse ser definida?

Para que a doutrina da trindade pudesse ser aceita foram necessárias outras manobras mirabolantes, entre elas com relação à dupla natureza de Jesus, onde prevaleceu a vontade de Cirilo de Alexandria no concílio de Calcedônia em 451 dC. Onde não só foi discutida e tida como ortodoxa as duas naturezas de Cristo como também a questão do (theotokos em grego) mãe de Deus. Na realidade o espírito cristão já havia desaparecido nesta época, o que prevalecia era a disputa eclesiástica onde o que importava era o poder para governar, ou mesmo idealizar a igreja.

At. 20.29-30 (Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.) Muitos argumentam que a igreja não se separou da verdade, pois o próprio Cristo disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Creio piamente nos ensinamentos de Cristo, logo isso não quer dizer que ao longo dos séculos a igreja não tenha se apartado da verdade, 2Pe. 2.1-3 (Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.)
      
Acredito também que o remanescente ou aqueles que buscam a verdade com espírito cristão formam a igreja de Cristo. E esses são os que formam a igreja de Cristo, aqueles que triunfarão contra “as portas do inferno”. Dizer que igreja verdadeira é “A” ou “B” é fazer apologia para instituições com o intuito de promulgar comercio dentro dela. Enquanto os membros estão sofrendo “lavagem” cerebral, os candidatos a membros estão sendo torturados pelos desvarios das seitas. Eles dizem sempre: - “aqui é a igreja verdadeira, temos o evangelho de Jesus Cristo, você precisa se unir conosco”... Mal sabem os membros em sua desinformação que participam de seitas manipuladoras, formadas com o cunho cristão, porém carregado de ensinamentos extra bíblicos.      

O que falta para os ditos ortodoxos é: como explicar biblicamente determinadas doutrinas que formam o alicerce do dito cristianismo. Mas, como prová-las se elas não são bíblicas? Quando falo de ortodoxo me refiro a todas as denominações que aceitaram os concílios a partir de Nicéia, total ou parcial, quer aceitem ou não a tradição, quer digam ou não que só utilizam a sola escriptura.

O fato é que total ou parcialmente elas desvirtuam dos ensinamentos bíblicos, tornando-as seitas que ensinam heresias. Digo isso baseado em uma questão importante, o bispo Ário de Alexandria foi rotulado e excomungado como herege, pelo fato de negar a doutrina da trindade, naturalmente os ensinamentos de Ário careciam de acertos, porém por que não deram tempo a fim de que Ele tentasse "ajustar" o seu ensino?

Ora se soou como herético dizer que Cristo foi gerado em um período na eternidade, (algo que também não acredito) por que não soou herético dizer que Deus é uma entidade composta e ao mesmo tempo um? Por que não soou como herético as brigas e trocas de ofensas por longos períodos até que se “provasse” que Jesus tem duas naturezas indivisíveis? Onde na bíblia está escrito tais assertivas?

E como uma questão embaraçosa puxa outra, se Jesus é Deus naturalmente Maria deve ser mãe de Deus e se Ela é mãe de Deus Ela deve também ser sem pecado, daí provavelmente Ela deve ter sido concebida sem pecado e etc. Argumentam os que dizem acreditar na sola escriptura: "Não Maria é mão do Jesus homem não o Jesus Deus", ora, por favor, onde na bíblia está escrito tais considerações?

O que quero deixar claro aqui é que apesar de se arrogarem de ortodoxos, a ortodoxia cristã que conhecemos é oriunda dos pais da igreja e não dos ensinamentos bíblicos, os ensinamentos bíblicos serviram de base para os conceitos filosóficos dando origem a vários pensamentos os quais conhecemos atualmente como doutrina bíblica. Acredito que a filosofia é indispensável na teologia só não substitui a mesma. Portanto, é fácil acusar alguém de herege quando a maioria aceita algo como sendo a verdade última.

           



                                                                                                                            



  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lembrai-vos da mulher de Ló.

Há poucas advertências na Escritura mais solenes que esta. O Senhor Jesus Cristo nos diz, Lc. 17.32.  (Lembrai-vos da mulher de Ló.) A esposa de Ló professava a verdadeira religião: seu marido era um "homem íntegro" (2 Pedro 2:8). Ela deixou Sodoma com ele no dia da sua destruição; ela olhou para trás, em direção a cidade, em desobediência a ordem expressa de Deus; ela morreu imediatamente, transformando-se em uma estátua de sal. E o Senhor Jesus Cristo a utiliza como exemplo para Sua igreja; Ele diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando consideramos a pessoa que Jesus menciona. Ele não nos convida a lembrar de Abraão, ou Isaque, ou Jacó, ou Sara, ou Ana, ou Rute. Não! Ele escolhe alguém cuja alma estava perdida para sempre. Ele clama a nós: "Lembrai-vos da mulher de Ló". É uma advertência solene, quando nós consideramos sobre o tema de Jesus. Ele está falando da Sua segunda vinda, quando virá julgar o mundo; Ele está descrevendo o estado terrível de despreparo no qual muitos serão achados. Os últimos dias estão na Sua mente, quando Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós pensamos na Pessoa que a faz. O Senhor Jesus é amoroso, misericordioso e compassivo; Ele é Aquele que "não esmagará a cana quebrada nem apagará a torcida que fumega" (Is.42:3). Ele lamentou a incredulidade de Jerusalém e orou pelos homens que O crucificaram; contudo, Ele julga proveitoso nos dar esta advertência solene e nos fazer lembrar das almas perdidas. Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós pensamos nas pessoas para as quais Ele, primeiramente, dirigiu estas palavras. O Senhor Jesus estava falando aos Seus discípulos; Ele não estava falando para os escribas e fariseus que o odiaram, mas a Pedro, Tiago e João, e muitos outros que O amaram; mesmo para esses, Ele julga proveitoso uma palavra de precaução. Ele os diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós consideramos a maneira que Ele falou. Ele não diz somente: "Cuidado! Não sejam como a mulher de Ló". Ele usa uma palavra diferente; Ele diz: "Lembrai-vos". Ele fala como se nós corrêssemos o perigo de esquecer o assunto; Ele incita nossas memórias preguiçosas; Ele nos ordena a manter o caso em nossas mentes. Ele clama: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

Agora, consideremos os privilégios religiosos que a esposa de Ló desfrutou. Nos dias de Abraão e Ló, a verdadeira religião salvadora era escassa na terra; não havia ainda a Bíblia, pastores, igrejas, credos ou mesmo missionários. O conhecimento de Deus estava limitado a algumas famílias agraciadas; a maior parte dos habitantes do mundo estava vivendo em escuridão, ignorância, superstição e pecado. Talvez não houvesse um em cem, que contasse com tal bom exemplo, ou com tal convivência espiritual, tal clareza de conhecimento e advertências tão claras como a esposa de Ló. Comparada com os milhões de criaturas do seu tempo, a esposa de Ló era uma mulher agraciada.

Ela teve um homem religioso como marido; ela teve Abraão, o pai da fé, como tio através do matrimônio. A fé, o conhecimento e as orações destes dois homens íntegros não poderiam ter sido desconhecidos dela. É impossível que ela pudesse ter morado em tendas com eles durante tanto tempo, sem saber de quem eles eram e a Quem eles serviam. Religião para eles não era nenhum negócio formal; era o princípio governante das suas vidas e a razão de suas ações. Tudo isso a esposa de Ló deve ter visto e conhecido. Este não era um pequeno privilégio.

Quando Abraão recebeu as promessas, a esposa de Ló provavelmente estava lá. Quando ele construiu sua tenda entre Ai e Betel, é provável que ela estivesse presente; quando os anjos vieram a Sodoma e advertiram seu marido para fugir, ela os viu; quando eles os levaram pela mão e os conduziram para fora da cidade, ela era um daqueles que eles ajudaram a escapar. Mais uma vez, eu digo, estes não foram privilégios pequenos. Contudo, quais foram os resultados positivos, de todos estes privilégios, no coração da esposa de Ló? Nenhum, nada.

Apesar de todas as oportunidades e meios de graça, todas as advertências especiais e mensagens do céu, ela viveu e morreu sem a graça de Deus, sem Deus, impenitente e descrente. Os olhos do seu entendimento nunca foram abertos; sua consciência nunca foi realmente despertada ou estimulada; sua vontade nunca foi verdadeiramente trazida a um estado de obediência a Deus; suas afeições nunca foram fixadas nas coisas lá do alto. A forma de religião que ela teve foi mantida por conveniência e não por um verdadeiro sentir; era uma capa usada para agradar a seu marido, e não por qualquer senso de seu valor.

Ela fez como outros ao redor dela na casa de Ló: ela se conformou aos costumes do seu marido; ela não fez nenhuma oposição à religião dele; ela se permitiu ser conduzida passivamente por ele; mas em todo tempo o seu coração estava em pecado diante de Deus. O mundo estava no seu coração, e o seu coração estava no mundo. Neste estado ela viveu, e neste estado ela morreu.

Em tudo isso há muito a ser aprendido. Eu vejo uma lição aqui que é da maior importância nos nossos dias. Você vive em tempos em que há muitas pessoas vivendo igual a esposa de Ló. Ouça pois, a lição que o caso dela nos ensina. Aprenda que a mera possessão de privilégios religiosos não salvarão a alma de ninguém. Você pode ter vantagens espirituais de todo tipo; você pode viver e gozar das mais ricas oportunidades e meios de graça; você pode desfrutar da melhor pregação e das instruções mais verdadeiras; você pode morar no meio da luz, conhecimento, santidade e boa companhia. Tudo isso é possível; contudo, você ainda pode permanecer não convertido, e estar perdido para sempre.

Eu ouso dizer que esta doutrina parece dura a alguns leitores. Eu conheço a idéia de que eles não querem nada mais do que privilégios religiosos para decidirem ser cristãos. Eles não são o que eles devem ser no momento, eles concordam; mas a posição deles é tão difícil, eles argumentam, e suas dificuldades são tantas. Dê-lhes um cônjuge crente, ou amizades cristãs, ou um patrão crente; dê a eles a pregação do Evangelho, os privilégios, e então eles caminharão com Deus.

Tudo engano! Uma completa ilusão! Para salvar almas, é requerido muito mais do que privilégios. Joabe era o capitão de Davi; Geazi era o criado de Eliseu; Demas era companheiro de Paulo; Judas Iscariotes era discípulo de Cristo; e Ló teve uma esposa mundana e incrédula. Todos eles morreram em seus pecados. Eles baixaram à cova apesar do conhecimento, advertências e oportunidades; e todos eles nos ensinam que os homens necessitam não só de privilégios. Eles precisam da graça do Espírito Santo.

Vamos valorizar nossos privilégios religiosos, mas não vamos descansar completamente neles. Vamos desejar ter o benefício deles em nossas atividades, mas não vamos colocá-los no lugar de Cristo. Vamos usá-los com gratidão, se Deus no-los der, mas nos preocupemos em que eles produzam algum fruto em nosso coração e vida. Se eles não produzem o bem, eles seguramente causarão dano; eles cauterizarão a consciência, eles aumentarão a responsabilidade, eles agravarão a condenação.

O mesmo fogo que derrete a cera endurece o barro; o mesmo sol que faz a árvore vivente crescer, seca a árvore morta e a prepara para queimar. Nada endurece mais o coração do homem, do que uma familiaridade estéril com as coisas sagradas. Mais uma vez eu digo, não são somente os privilégios que fazem as pessoas cristãs, mas a graça de Deus. Sem isso, nenhum homem jamais será salvo.

Eu peço para os filhos de pais crentes que gravem bem o que eu estou dizendo. Ser filhos de pais crentes é o mais elevado dos privilégios, pois torna-se o alvo de tantas orações. Realmente é uma bênção aprender o Evangelho na nossa infância, e ouvir falar de pecado, de Jesus, e de Deus, e santidade, desde o primeiro momento que podemos lembrar. Mas, cuidado para que vocês não permaneçam estéreis e infrutíferos no meio de todos estes privilégios; precavenham-se para que seus corações não permaneçam duros, impenitentes e mundanos, sem se quebrantar às muitas vantagens que vocês desfrutam. 

Vocês não poderão entrar no reino de Deus pelo crédito de seus pais. Vocês próprios têm que comer o Pão da Vida e ter o testemunho do Espírito nos seus próprios corações. Vocês têm que ter arrependimento próprio, fé própria e sua própria santificação. Se não, vocês não serão melhor que a esposa de Ló. Eu peço a Deus que todos os cristãos professos destes dias possam aplicar estas coisas aos seus corações. Que nós nunca esqueçamos que os privilégios sozinhos, não podem nos salvar.

Luz e conhecimento, pregações fiéis, meios abundantes de graça e a companhia de pessoas santas são todos grandes bênçãos e vantagens. Feliz aqueles que os tem! Mas no final de tudo, há uma coisa sem a qual privilégios são inúteis: a graça do Espírito Santo. A esposa de Ló teve muitos privilégios; mas não teve a graça de Deus em seu coração.



John Charles Ryle

domingo, 11 de agosto de 2013

Seitas e heresias

Atos 24.14 ( Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas.)

Nos escritos do novo testamento vemos várias vezes a palavra seita. As seitas judaicas se caracterizaram após o período do segundo templo, a palavra grega, αιρεσις hairesis que quer dizer seita significa um grupo de homens escolhendo seus próprios princípios (seita ou partido).

Tanto é assim que nas palavras do NT. Vemos algumas designações de seita, por exemplo: At. 15.5 (Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés.) Seita ou partido dos fariseus, considerados nacionalistas e ortodoxos.

At. 5.17 (Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja.) Seita dos saduceus, apesar de pertencerem a família sacerdotal; desde os tempos dos Macabeus os saduceus ficaram inclinados a alguns ensinamentos gregos, e também diferentemente dos fariseus não aceitavam as instruções orais.

Lc. 6.15 (Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote.) Seita dos zelotes, desde a época dos Macabeus, havia entre os judeus um classe de homens, chamados Zelotes, que era fanaticamente apegada à lei mosaica a ponto de recorrer à violência,  com o pretexto para os mais terríveis crimes.

At. 24.5 (Porque, tendo nós verificado que este homem é uma peste e promove sedições entre os judeus esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos.) Os nazarenos foram os que da Galileia uma cidade de Nazaré foram os que mais tarde passaram a ser chamados de cristãos, At. 11.19 (Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.)

At 11.25-26 (E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.) Outra seita não menos importante foi a dos essênios, conhecidos como a seita do mar morto, esta seita tinha como principal característica a crença nos poderes gêmeos, entre Deus e o diabo.

As seitas e ramificações religiosas não eram bem vistas por cada grupo, em outras palavras cada grupo acusava o grupo rival de ser uma seita. Atualmente vemos a mesma disposição, a diferença é o acréscimo de milhares de denominações se dizendo cristãs, cada qual dizendo possuir a verdade, cada qual fazendo uma espécie de “terrorismo” teológico para as “seitas” “os de fora”.

Já o NT. nos ensina e diz claramente como podemos identificar uma seita, não só isso, nos ensina como podemos identificar uma seita e suas heresias. Com propriedade Paulo o apóstolo dos gentios nos diz que nós não precisamos nos ancorar em nada além de Jesus Cristo. além do mais Ele nos aconselha a não aceitarmos um “evangelho” diferente do qual Ele Paulo pregou. E se cremos que os seus escritos foram inspirados... Gl. 1.6-9 (Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.)

Que heresia é esta tão grande, a ponto de alguém ser amaldiçoado? Será quais as denominações cristãs estão incluídas neste anátema? (Entre muitos significados da palavra anátema está também alguém ser amaldiçoado.) O evangelho que Paulo pregava era um evangelho sem misturas ou dogmas desnecessários, Paulo acreditou e pregou que Jesus morreu pelos nossos pecados segundo as escrituras, este é o princípio do evangelho.

1Co. 15.1-4 (Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.)

Os versos são evidentes por si só, Paulo relembra aos corintios o evangelho o qual Ele mesmo recebeu. E passa então a síntese do evangelho, de que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e que os que creem devem ser perseverantes. Este é o evangelho,  culminando então com a parousia.

Naturalmente os cristãos não vivem uma vida desregrada, a ética e a moral são as bases do cristianismo, portanto ninguém se engane dizendo que o evangelho da graça nos da direito de vivermos dissolutamente, o evangelho trás liberdade, não libertinagem. Gl. 5.19-21 (Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.)

O não praticar as obras da carne, ou em outras palavras a tendência natural humana, é obra do espírito santo naqueles que aceitam o evangelho, é obra de Deus em nós os que cremos. Podemos dizer sem medo de errar que seitas são todas as denominações ditas cristãs que acoplam em sua mensagem aquilo que não edifica, aquilo que é desnecessário para a salvação, aquilo que não é bíblico, tudo que é idolátrico, dogmas e doutrinas que apenas diferenciam a sua mensagem dando a impressão de ser diferente, mas que não transforma, só aprisiona.

O próprio exclusivismo, o mercantilismo e o separatismo religioso torna tal denominação em uma seita herética perigosa. Lembrando sempre que tais heresias só são percebidas por aqueles que não estão contaminados com o sistema, ou vinculados pelo sistema religioso que ele(a) mesmo se prendeu. Tal indivíduo vê a sua corrente doutrinária como sendo a única verdadeira da terra, como sendo possessão particular e exclusiva de Deus. Lembrai-vos sempre das palavras de Paulo ...se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. Em outras palavras, além do contido na bíblia.




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Estudo sobre a pré-existência de Jesus.





1 - Jesus preexistiu como anjo, arcanjo ou começou sua existência apenas quando nasceu de Maria?

2 - Se Jesus já existia antes de se tornar humano, deveria ser também imortal, então como poderia ter morrido conforme ensina a escritura? Não seria esta a mesma teoria da Trindade?

3 – Jesus numa existência anterior imortal poderia “aniquilar” em si mesmo essa imortalidade para se tornar homem? Este ensino é realmente bíblico?

4 – Encarnação é um termo bíblico?

5 – Por que têm sentido figurado textos que falam dos cristãos existindo antes da fundação do mundo e versículos sobre Jesus existindo antes do seu nascimento têm que ser literais? (Ex. Efésios 1:4 – 2 Tim. 1:9).
Obs: Deus falou por meio do profeta Isaías  a cerca rei Ciro, muito tempo antes de Ciro ter nascido, como se ele existisse no tempo do profeta. Veja Isaías 44:28; 45:1,13 e Isaías 48:14. Segundo estudiosos o profeta Isaías viveu mais de um século antes do  rei Ciro ter nascido, e Deus falou do rei Ciro como se ele fosse um contemporâneo do profeta Isaías  Portanto, qual a diferença quanto à questão da pré existência entre Cristo e o rei Ciro? 

6 – O que significa o termo “palavra” ou “verbo” nos escritos de João? É uma concepção, idéia na mente de Deus, ou é uma “pessoa literal?” 

7 - Como pode um Ser Eterno, Imortal e Invisível, gerar um Filho com sua própria substância, natureza e essência, NA ETERNIDADE, DE SI MESMO, PORÉM SUJEITO À MORTE?

8 – O que confere realmente a Jesus o Status de Filho de Deus? Seu nascimento pelo poder do espírito Santo no ventre de Maria, ou seu nascimento na eternidade? 

9 – A que tipo de “criação” se refere Hebreus 1:2 e Colossenses 1:15,16? Seria a criação original de gênesis ou uma nova criação espiritual de homens e mulheres? 

10 - É correto aplicar sentido literal a textos que falam de uma glória e existência de Jesus (João 17:5 e 8:58) antes de todas as coisas serem criadas (Hb. 1:2, Cl. 1:16), uma vez que a escritura enfatiza que Ele se fez merecedor desta glória apenas após a ressurreição? Hebreus 2:9/ Atos 3:13 e 1 Pedro 1:21?  

11 - A bíblia diz que Deus criou tudo sozinho por sua palavra (Isaías 44:24 e Salmos 33:6 e 9), então seria correto afirmar que Jesus estava com O Pai na criação do mundo?  

12 - Qual seria então a verdadeira interpretação de João 1:1-18 e Colossenses 1 e 2 tendo como base que só há 1 Deus verdadeiro e este Deus é O Pai?  

13 - Ser enviado por Deus (no caso de Jesus) implica necessariamente que deva ser de algum lugar, nesse caso - do céu para a terra? Ou ser enviado indica comissionamento? Existem homens de Deus nas escrituras que foram também enviados por Deus? 

14 - Se somente há UM DEUS, o que seria então A PLENITUDE DA DIVINDADE em (COLOSSENSES 2:9)? 


Marcelo Valle.

domingo, 21 de julho de 2013

O Apocalipse 12, representa Maria?

Qualquer que seja a religião, ela deverá possuir um manual de orientação, afim de que os seus adeptos possam ser orientados de uma forma coerente e organizada. O livro máximo que cumpre esse papel no cristianismo é a bíblia, ou ao menos deveria cumprir. Na realidade, o que se vê no cristianismo é uma pluralidade de ensinamentos que não são encontrados na bíblia, percebe-se também que muitas doutrinas apesar de não serem bíblicas confundem a mente do leitor que está despreocupado em conhecer a verdade, ou ainda confunde um seguidor que está com a mente permeada com tal ensinamento.

Mas, ainda com relação ao cristianismo, o que dizer de um ensinamento ou mesmo uma doutrina que não é encontrada na bíblia? Como pode as pessoas ou os fieis aceitarem um dogma que não tem nem mesmo de longe um parecer bíblico? Existe algum verso bíblico que nos mostre Maria como estando no céu? A resposta é não, não existe! O que existe na realidade é uma apologética baseada na carência do povo. O que existe são apenas ensinamentos fora completamente de contexto que é apocalipse 12.

O texto e o seu contexto tratam de um simbolismo, que de maneira nenhuma pode ser utilizado de forma literal. Vários componentes que estão inseridos no drama dão prova de que tal descrição não pode ser levado ao pé da letra. Ap. 12.1 (Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.) Quase todos os estudiosos da bíblia concordam que a mulher que fala o apocalipse 12 trata-se primariamente do povo de Israel, e consequentemente os cristãos; vejamos e deixemos a própria bíblia dizer.

Isaías 54.6-8 (Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor.) Jr. 3.21 (Deveras, como a mulher se aparta perfidamente do seu marido, assim com perfídia te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor.)

Os. 2.2 (Repreendei vossa mãe, repreendei-a, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido, para que ela afaste as suas prostituições de sua presença e os seus adultérios de entre os seus seios.) Verso 16. (Naquele dia, diz o Senhor, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal.)

Paulo então aplica a condição de esposa aos seguidores de Jesus Cristo, O que Deus era para Israel Jesus é para os cristãos. 2 Co. 11.2 (Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.)

Suponhamos que a mulher seja literalmente Maria, o que seria o sol que a cobre? E as doze estrelas, e igualmente a lua? Não deveriam todos estes corpos celestes serem entendidos de uma forma igualmente literal?  Então, imaginem uma mulher vestida com sol? Impossível! Na realidade são símbolos que estão representando algo, algo este que a própria bíblia deve interpretar.

Percebemos nos poucos versos que lemos o quão os profetas destacavam a analogia entre Israel (esposa) e Deus (marido) salientei também que Paulo aplicou tal analogia para a igreja de Cristo, Ef. 5. 22-24 . (As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.)

Se a mulher primariamente representava Israel o que representava o sol que “ela” trazia? Sl. 37.6 ( Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.) Sl. 84.11 (Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente.) Ml. 4.2 (Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.)

Dentre os versos que retratam o sol de uma forma metafórica nos é dito que o sol significa: justiça e direito, representa por isso o próprio Deus. Baseado nisso a mulher de apocalipse 12 era representante de Deus trazendo luz, justiça e direito. Tal era Israel, que aguardava com ânsias de “parto” o Cristo, toda a nação? De maneira nenhuma, antes os “justos” que ansiavam pela libertação não só do povo inimigo mas do jugo do pecado.

Qual sentido real haveria para Maria estar com a lua debaixo dos pés? Nenhum sentido! Mas se tratarmos da questão utilizando textos bíblicos, teremos mais sucesso? Creio que sim; muitos versos ou ao menos 70 versos na ARA. Retratam a lua de forma literal, porém alguns versos de forma metafórica, e como o apocalipse é um livro simbólico acredito que os símbolos e as metáforas devam ser utilizadas com o objetivo de dar sentido ao simbolismo descrito no livro.

O Salmo 89.37 nos diz sobre o trono de Davi e sua posteridade: (Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço.) As promessas de Deus para com Israel de que o messias viria da linhagem da mulher também seria fiel como a lua testemunha no espaço. Igualmente as doze estrelas as quais a mulher tem sobre a cabeça são representativas.

Representa não só os doze apóstolos que deram sequência a igreja como os doze patriarcas os quais formaram Israel, o mesmo que deu origem a igreja neo testamentaria a mesma que esperou e revelou o Messias. Utilizando o mesmo pressuposto percebemos que estrela quando empregada de uma forma metafórica pode significar pessoas de destaque. Dn. 8.10 (Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou.)

Estrela neste verso significa os sacerdotes que ministravam no templo de Jerusalém Judas 13. (ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre. Este verso confirma que estrela pode e significa homens. No caso da mulher ou igreja do capítulo doze de apocalipse representa a igreja descendendo dos doze patriarcas e sequenciando com os doze apóstolos. O método que utilizei para este estudo foi um método de evidencias do texto bíblico.

Mas, o que quero deixar claro neste assunto é que apocalipse doze nem mesmo sonha em dizer que está relacionando Maria, não existe um único texto bíblico literal que demonstre que Maria esteja no céu. Em 1 de novembro de 1950, o papa a Pio XII declarou a Assunção de Maria como sendo um dogma, Ele não citou nenhuma fonte bíblica que realmente comprove tal acontecimento. Portanto, tal ensinamento não está embasado na afirmativa bíblica.





quinta-feira, 11 de julho de 2013

EGW erra ao interpretar João 5.8-10.


No desejo em defender a validade da antiga aliança adaptando-a ao adventismo, EGW desvirtuou as informações bíblicas acerca da guarda do sábado. O sábado bíblico para o povo de Israel era cercado de várias cerimônias impostas por Deus, as quais o povo deveria obedecer sob o risco de ser penalizado, ou mesmo ser levado a morte. A seguir veremos na declaração de EGW ao menos duas situações bizarras, uma que compromete o seu entendimento das escrituras e outra que compromete a fidelidade dos membros da sua igreja com relação à guarda do sábado.

Diz Ela: “Por tal forma haviam os judeus pervertido a lei, que a tornavam um jugo de servidão. Suas exigências destituídas de significado eram um provérbio entre as outras nações. Especialmente havia o sábado sido cercado de toda espécie de restrições destituídas de senso. Não lhes era um deleite o santo dia do Senhor, digno de honra. Os escribas e fariseus lhe tinham tornado a observância intolerável fardo.

Ao judeu não era permitido acender fogo, nem mesmo uma vela no sábado. Conseqüentemente, o povo dependia dos gentios quanto a muitos serviços que seus regulamentos proibiam que fizessem para si mesmos. Não refletiam que, se essas ações eram pecaminosas, os que empregavam outros para as praticar eram tão culpados como se as houvessem praticado eles próprios. Julgavam que a salvação se restringia aos judeus, e sendo a condição dos outros já desesperada, não se poderia tornar pior. Mas Deus não deu mandamentos que não possam ser obedecidos por todos. Suas leis não sancionam quaisquer restrições irrazoáveis ou egoístas”. DTN. 204.

Analisando esta página do livro o Desejado de Todas as Nações de EGW, percebe-se claramente que o jugo de servidão o qual Ela se refere, se deu pelo fato, após Jesus ter curado um indivíduo no sábado; João 5. 8-10 (Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado. Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito.) Pelo que o livro revela, os líderes judaicos dos dias de Cristo estavam pervertendo a lei e pondo um jugo de servidão, o fato dos judeus terem dito ao curado que era proibido pela lei carregar objetos no sábado EGW, afirmou que os judeus estavam acrescentando normas desnecessárias ao mandamento do sábado.

Tal informação não procede, pelo fato de tais normas e mandamentos estarem diretamente vinculadas a lei. Ne. 13. 15 (Naqueles dias, vi em Judá os que pisavam lagares ao sábado e traziam trigo que carregavam sobre jumentos; como também vinho, uvas e figos e toda sorte de cargas, que traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles por venderem mantimentos neste dia.) Jr. 17. 27 (Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará.)

Ora, os líderes de Israel não estavam adicionando nenhum jugo de servidão, na realidade estavam apenas fazendo valer o que a lei determinava, naquele contexto eles se valeram única e simplesmente da lei, ao passo que Cristo fez prevalecer à misericórdia, em detrimento do aspecto cerimonial destituído de caráter moral. O que Jesus quis dizer com a sua ação restauradora, foi que o carregar ou não carregar algo no sábado, não tornava alguém mais justo, ao contrário a reação dos fariseus demonstrou que tal cerimônia não tinha transformado as suas personalidades e ações. 

O fato é que dentro da ótica restrita da lei os líderes judaicos estavam com a razão. Imagine quando eles liam o livro da lei e os escritos dos profetas e se deparavam com escritos como o de Jeremias capítulo 17 o qual acabamos de ler, imaginem o cumprimento da profecia de Jeremias o qual se deu com a invasão dos exércitos babilônicos liderado por Nabucodonosor, registrado em 2ª Cr. 36. 21 (Para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.)

Muitos se perguntam o seguinte: por que os líderes dos judeus detestavam Jesus, os seus discípulos e Paulo? Como pode, eram todos da mesma nação, todos tinham o mesmo objetivo de agradar a Deus, todos eram zelosos da lei em todas as suas minúcias, seria isso mesmo? Claro que não, ou melhor, sim pertenciam a mesma nação de Israel, tinham o mesmo objetivo em agradar a Deus, apesar dos líderes se importarem com a letra fria da lei e por isso o seu zelo era sem intendimento, e claro Jesus assim como os discípulos e mesmo Paulo não foram tanto conservadores da letra fria da lei.

Basta reler o conflito que se configurou quando Jesus após curar um indivíduo, o mandou carregar a sua maca, e isso em pleno sábado, algo que contrariava aspectos relacionados a lei, isso é ponto pacífico. Afirmar como EGW, que aspectos relacionados a lei foi jugo de escravidão adicionados pelos líderes da nação, carecem de fundamento escriturístico. Naturalmente os líderes judeus cegados pelo zelo legalista, viram em Jesus e nos seus seguidores pessoas transgressoras da lei, e portanto, passiveis de morte, fato é que culminou na execução de Jesus e de alguns de seus seguidores.

Claro está que Cristo não transgrediu lei nenhuma ao permitir que o ex enfermo carregasse a sua maca, apesar dos escritos assim dizerem. Mas Jesus ao realizar tal ação demonstrou que a lei não tinha trazido perfeição ao líderes e quando eles os judeus resolveram matar a Cristo estavam demonstrando quem era realmente o transgressor.

Portanto, podemos retirar desta análise ao menos três questões importantes: (1) EGW errou em dizer que os líderes dos judeus foi quem estabeleceram os mandamentos acoplados a guarda do sábado ( carregar cargas no sábado e etc.) Ao contrário a bíblia claramente descreve tal advertência através dos profetas. (2) Ao assim proceder, EGW está nitidamente estimulando os membros de sua denominação a transgredir aquilo que tanto eles prezam e tem como ponto de salvação, que é o sábado.

(3) Jesus com sua visão espiritual demonstrou através de atos, e atos estes que foram contrários a expectativa dos líderes da nação, sendo assim nós devemos não nos restringirmos a aspectos cerimoniais os quais não nos fazem crescer na graça. Pergunto: dentro da ação lícita permitida pelo evangelho, qual o pecado de se carregar ou não cargas no sábado? Em outras palavras o que tal ação (lícita) pode contribuir tanto para o bem quanto para o mal?

Sejamos honestos, não contribui em nada, nem pró nem contra. Os judeus que viveram a antiga aliança, dependiam de aspectos cerimonias que dentro de uma visão espiritual são destituídas de significado e completamente irrelevantes. Qual foi o agravo moral que o ex enfermo cometeu ao carregar a sua maca no sábado? Bem, acredito que para o povo judeu da época, Ele feriu as suas consciências legalistas, porém no que tange a sua ação nada de imoral, sendo assim ninguém pode ser considerado um transgressor ao portar uma carga qualquer no sábado, exceto se for algo ilícito. 

No que diz respeito a ser legalista, ou ter zelo pela aplicação da lei os judeus eram por mandamento, Rm. 10. 5 “Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela”. E era assim que os judeus tentavam viver, eles não inventaram nada só seguiam o mandamento estipulado.