segunda-feira, 1 de maio de 2017

O mito e sua influência.

Que cristão não aprendeu que antes da criação do mundo houve uma revolta dos anjos, sendo os rebeldes expulsos do céu? Milton escreveu um drama muito poético no seu paraíso perdido, alias algo que deu os retoques do drama da queda para muitas denominações religiosas. No judaísmo tardio circulavam narrações a esse respeito. Foram introduzidas por um livro de Noé, perdido, do século II a.C. A lenda – diretamente emprestada dos cananeus – concretizara-se num apócrifo, o livro de Henoc, descoberto na Etiópia, em 1773.

Consta de 108 capítulos, redigidos originalmente e aramaico, e talvez em parte em hebraico, mas na época do descobrimento só se encontraram parte em etíope. Encontraram-se nada menos que 26 cópias porque a igreja etíope antiga considerava canônico esse livro. É reconhecido como primeiro livro de Henoc – 1 Hn. Ou então como Henoc etíope. Foi compilado entre o século II e primeiras décadas do século I AC.

Os 36 primeiros capítulos do apócrifo livro de Henoc 200 “guardiães” ou anjos sob o comando de Semyasa, decidiram ter filhos com as mulheres humanas. Cada guardião comportadamente tomou uma só esposa. Essas duzentas mulheres 3000 filhos os quais se tornaram gigantes. Segundo a narrativa do livro de Henoc foi quando os gigantes começaram a destruir devorar os homens, que aterrados clamaram a Deus.

Foi então que Deus enviou o Anjo Uriel para prevenir Noé do dilúvio com que planejava matar os gigantes; e para reprimir Semyasa, Azazel e demais anjos guardiãs, envia Miguel. No entanto, no livro de Henoc é dito que os demônios não são esses guardiões que abandonaram os seus postos naturais. Demônios segundo o livro de Henoc, são os espíritos dos gigantes mortos no dilúvio.  

Os diabos (anjos guardiãs rebeldes) que se organizaram militarmente com um chefe para cada dezena, foram vencidos pelas milícias de Miguel e acorrentados em grutas subterrâneas durante 70 gerações, até o dia do grande julgamento quando serão lançados, juntos com os homens maus, no lago de fogo (setenta gerações) é um número simbólico, ou um número incalculável de tempo. No entanto, os demônios (espíritos dos gigantes que foram mortos no dilúvio percorrem continuadamente toda a terra, fazendo mal aos homens, também esses serão condenados no dia do juízo.

Mais adiante nos capítulos 37-71 o livro de Henoc vai apresentar repetidamente Satã como chefe dos anjos rebeldes. Esta última parte do livro de Henoc é já bem próxima da época de Cristo. Outro livro apócrifo que também fala dos gigantes é o livro dos jubileus (jb) que também começou a ser escrito no II século aC. O livro de jubileus repete a ideia de que os anjos ou guardiãs vieram ao mundo ensinar aos homens, mas logo se apaixonaram pelas mulheres, quase todas as fontes desta lenda falam em relações sexuais com mulheres, não de homens com anjos femininos.

A origem da tradição da queda dos anjos derrotados por Miguel fica assim muito clara. Igualmente fica clara a origem da crença em demônios que atormentam os homens. Na interpretação da bíblia, os rabinos fantasiaram as relações sexuais dos “filhos de Deus” com os homens. No Talmud se ensina: todos estes anos (Adão) gerou espíritos, demônios e fantasmas noturnos; pois se diz: Gn. 5.3 “quando Adão tinha 130 anos gerou a sua imagem e semelhança” o que quer dizer antes tinha gerado seres que não eram à sua imagem e semelhança. E eles continuam dizendo em (Rabba 24. 6) 

Durante todo esse tempo, da mesma maneira que Adão fecundava demônios femininos, Eva ficava grávida de demônios masculinos, dando-lhes abundante descendência. Nota-se claramente um erro de interpretação descomunal por parte dos rabinos, ou na verdade o que falou mais alto em sua teologia foi a crença no mito e nas lendas, eis o texto base para sua interpretação equivocada Gn. 6. 1-2 “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.”

Aqui não cabe outra interpretação a não ser aquela que diz que os filhos de Deus e os filhos dos homens são na realidade seres humanos, o que o contexto anterior nos mostra são as disposições e inclinações do “espírito”, ou seja, a definição da espiritualidade de cada um, mas aceitar as palavras filhos de Deus como sendo seres espirituais só mesmo influenciados por mitos e lendas.

Talvez a parte do verso que mais contribuiu para o surgimento dessa lenda foi este Gn. 6. 4 “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.” Assim sendo a lenda judaica e cristã muito difundida identificará estes “filhos de Deus” com os diabos ou anjos que pecaram. Os gigantes filhos dos anjos também são identificados como os demônios.

Mais tarde se lerá no livro apócrifo chamado Eclesiástico 16. 8 “Os gigantes antigos não imploraram perdão de seus pecados, e foram destruídos, apesar de confiados na própria força.” Aconteceu como disse anteriormente, os judeus foram influenciados pela cultura circunvizinha e não interpretaram na integra a intenção real da bíblia, Jó 1. 6 “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.” Seria este ser um satanás espiritual?

A crença tradicional diz que sim, mas repare o que outro texto bíblico nos mostra Dt. 32. 8 “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel.” Algumas traduções dizem, (segundo o número dos filhos de Deus.) O livro dos jubileus corrige 1 Hn. Mostrando que o diluvio aconteceu para castigar os anjos e gigante, não os homens,  ora é a mesma coisa, se o diabo me leva a pecar, logo que culpa tenho eu.

Gn. 6. 5 “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.” Sem a influencia dos mitos e lendas vemos a bíblia dizer claramente que a maldade procede diretamente dos homens, não de anjos caídos. Assim, em ocasião de acontecimentos maldosos e quando a bíblia fala de demônios, deuses, ela está simbolizando e penalizando  apenas o homem pecador.

Não se pode descartar a realidade de que os escritores bíblicos, por serem seres humanos, sofreram influências enormes de mitos e lendas dos povos que os cercavam, principalmente pelo fato de terem sofridos influencias de diversas culturas. Infelizmente no florescente cristianismo ocorreu o mesmo, ao invés de se desvencilhar da superstição os primeiros cristão se apegaram a ela, isso pelo fato de estarem presentes na cultura greco romana. Mas o que isso tem a ver com a fé em Deus? Nada, não precisamos de dualismo, o mito não atrapalha a realidade, devemos depurá-lo, somente isso.




             

domingo, 16 de abril de 2017

Seria o domingo a marca da besta?

Acredito que as profecias bíblicas principalmente aquelas encontradas no livro do apocalipse, na sua grande maioria não tiveram a sua total conclusão, assim sendo me enquadro entre aqueles que acreditam que o cumprimento bíblico profético como sendo histórico e progressivo no que diz respeito aos acontecimentos. Neste blog é possível encontrar assuntos relacionados, porém não acredito que este assunto possa ser esgotado ou mesmo solucionado no momento presente. E por acreditar que o assunto marca da besta esteja no futuro sinto a necessidade de pesquisá-lo, existem várias interpretações utilizadas pelas denominações religiosas, com o objetivo de decifrar a marca da besta e entre elas destaco a interpretação dada e ensinada pela igreja adventista do 7º dia.

A igreja adventista do 7º baseada nas declarações de sua profetiza Ellen G. White, ensina por meio de suas publicações de que a marca da besta será posta naqueles que rejeitarem o mandamento do sábado; eis algumas declarações da própria E.G.W. “O selo de Deus jamais será colocado à testa de um homem ou mulher impuros. Jamais será colocado à testa de um homem ou mulher cobiçosos ou amantes do mundo. Jamais será colocado à testa de homens ou mulheres de língua falsa ou coração enganoso. Todos os que recebem o selo devem ser imaculados diante de Deus”. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 71.

“O primeiro dia da semana. A observância desse dia é o sinal da besta.” Testemunhos Para Ministros, pág. 133. “O sinal da besta é o dia de repouso papal.” Evangelismo, pág. 234. “O sinal, ou selo, de Deus é revelado na observância do sábado do sétimo dia - o memorial divino da criação. ...A marca da besta é o oposto disso - a observância do primeiro dia da semana.”  Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 232.

“Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma - "o sinal da besta". E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber "o sinal da besta". O Grande Conflito, pág. 449.

O verso bíblico mais utilizado pelos adventistas para tentar dar suporte a este ensinamento se encontra em Ez. 20. 20 “Santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, vosso Deus.” Assim sendo para os adventistas, quando o verso diz que o sábado serviria de sinal entre Deus e o povo argumentam que isso significa Deus marcando ou selando o seu povo. Essa premissa pode ser validada? Bem, para isso será necessário analisarmos ao menos dois fatores: (contexto e época).

Se abrirmos a bíblia em Ezequiel capítulo 20 veremos que o contexto está relacionado à trajetória dos judeus desde o êxodo, naqueles dias do cativeiro o povo foi ter com Ezequiel a fim de que ele consultasse a Deus, Ez. 20. 2-3 “Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, fala aos anciãos de Israel e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Acaso, viestes consultar-me? Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, vós não me consultareis.”

E o capítulo continua sua narrativa... Ez. 20. 6-7 “Naquele dia, levantei-lhes a mão e jurei tirá-los da terra do Egito para uma terra que lhes tinha previsto, a qual mana leite e mel, coroa de todas as terras. Então, lhes disse: Cada um lance de si as abominações de que se agradam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor, vosso Deus.”

Percebe-se claramente a quem estão sendo dirigidas as palavras, sim exato, para os judeus que estão no cativeiro babilônico juntamente com o profeta Ezequiel. Eles estão ouvindo uma narrativa daquilo que aconteceu com os seus pais, Ez. 20. 10-12 “Tirei-os da terra do Egito e os levei para o deserto. Dei-lhes os meus estatutos e lhes fiz conhecer os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.”

Aqui percebemos três questões importantes, “tirei-os da terra do Egito” comprovadamente está se referindo aos judeus, “os quais cumprindo-os viverá por eles” Isso significa cumprir toda e qualquer lei, não só partes dela. “sinal entre Mim e eles” naturalmente está se referindo a Deus e aos judeus, não pode ser diferente. E para ser breve repare que o contexto claro e decididamente refere-se aos judeus, Ez. 20. 36-38 “Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus. Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança; separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim; da terra das suas moradas eu os farei sair, mas não entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor.”

E a época para quem foi direcionada essas palavras claramente se vê pelo contexto. Outro fato interessante é quando o verso diz que o sábado será um “sinal” (naturalmente está se referindo aos judeus) não está de modo nenhum dizendo que é uma marca como é dito em apocalipse 13. A palavra sinal de Ezequiel 20. 20 quer dizer marca distintiva, lembrança, advertência. Ap. 13. 16 “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte.”

Já a palavra grega para marca em apocalipse 13 é charagma e quer dizer marca impressa, algo esculpido, é a mesma palavra que é utilizada para gravar as marcas em escravos nos dias bíblicos. Como vimos acima E.G.W Argumenta e garante que o domingo como sendo o dia de guarda é a marca da besta, o oposto disso seria o sábado como sendo o selo de Deus. No entanto, surgem algumas questões pertinentes, questões essas que devem ser avaliadas.

Primeiramente devemos situar o nosso contexto, atualmente existe um número muito grande de ateus e outros irreligiosos os quais não estão se importando com dias religiosos, assim sendo esse grupo não estaria recebendo nem uma marca nem outra e isso contraria o que está escrito no livro do apocalipse 13. 16 onde é dito que a marca atingirá a todos, os pequenos e os grandes sem distinção. Outro argumento utilizado pelo meio adventista está baseado em 1ª Co. 2. 14 “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
                              
Este pressuposto é utilizado baseado na alegação de que o sábado é a marca de Deus, alegam que aqueles contrários não são tidos como sendo espirituais pelo fato de não aceitarem tal interpretação. Mas, surge um problema se o selo de Deus é espiritual o da besta também não deveria ser? Sim, mais é, dizem eles. Ora se o selo da besta é espiritual, como pode alguém que não é espiritual receber uma marca espiritual? Existe um contra senso nesta afirmação. Por outro lado baseado na declaração de apocalipse onde é dito que a marca será algo visível impresso, não faz sentido afirmar dizendo que será uma marca espiritual principalmente pelo fato dos receptores não compreenderem o que se trata.

Os adventistas estão certos em afirmar que o dia bíblico e mesmo o sábado era observado de por do sol a por do sol, sabemos também que nos nossos dias, o dia é marcado de meia noite a meia noite, assim sendo o dia da semana seja ele qual for não serve para ser a marca da besta, ora baseado na informação de E.G.W não observar o sábado e isso de por do sol até o outro por do sol estará pegando a marca da besta, seria possível? Não! Posso muito bem não comprar no sábado e nem no domingo, existem os cinco dias da semana para poder comercializar.

Isso baseado na sua declaração de que quem observa o sábado tem o selo espiritual, não poderá nem comprar nem vender, ora se não existe nada dizendo ou identificando, o que impedirá alguém de comercializar? O simples fato de ser guardador do sábado? Vamos imaginar algum sabatista após o por do sol do sábado entrando em um estabelecimento comercial, segundo a contagem de por do sol a por do sol ele não estaria transgredindo o sábado, visto que para a mentalidade contemporânea ele esta negociando no dia de sábado, sim, o sábado só finda à meia noite...              
 
Assim sendo não faz sentido dizer que o sábado será o divisor, definindo quem irá ou não pegar a marca da besta. Não existe como parar o comercio, pelo simples fato da interrupção do fim de semana, outro fato interessante é que a bíblia diz que a marca será colocada na fronte ou na mão, assim sendo, como é ter uma marca espiritual fixada na mão? Em outras palavras como é ter o domingo “fixado” na mão?  


sábado, 1 de abril de 2017

Os gentios e a questão da impureza parte 2

O movimento adventista se orgulha em dizer que exclusivamente possui a mensagem de saúde, inclusive referem-se a tal mensagem (reforma de saúde) como sendo um anexo as três mensagens angélicas encontradas no livro do apocalipse capítulo 14. Para isso, valem-se das declarações de sua profetiza E.G.W. Assim sendo, a mensagem adventista ensina para os seus convertidos que a mensagem de saúde consiste em se voltar ao máximo para o vegetarianismo.

Primeiramente nós encontramos a seguinte declaração de E.G.W. No livro Conselhos Sobre Saúde, pág. 20 “A reforma da saúde é um dos ramos da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. Ela está tão estreitamente relacionada com a mensagem do terceiro anjo”. Em outro livro ela diz: “Os que têm sido instruídos com relação aos efeitos prejudiciais do uso da alimentação cárnea, do chá e do café, bem como de comidas muito condimentadas, e que estão resolvidos a fazer com Deus um concerto com sacrifício, não hão de continuar a satisfazer o seu apetite com alimentos que sabem ser prejudiciais à saúde”. Conselhos Sobre o Regime alimentar, pág. 381.

Baseado apenas nestas duas declarações de E.G.W. Podemos descrever que para ela a proibição por parte de Deus no AT. Com relação às carnes imundas, significa algo prejudicial à saúde dos judeus. Seria isso uma realidade bíblica? Não, a bíblia não faz diferenciação entre impurezas; por exemplo: não diz que a impureza dos animais era diferente de qualquer outra impureza, e isso nós veremos mais a frente.

Neste assunto não iremos entrar na questão das mensagens angélicas de apocalipse 14, o objetivo aqui é tratar um pouco mais, a respeito da impureza descrita na bíblia. Na atualidade nós somos sabedores que realmente existem determinados tipos de produtos relacionados como alimento, os quais são prejudiciais, entre eles podemos destacar: os refrigerantes e os embutidos, no entanto, na atualidade em se tratando de alimentação, o que na verdade não está contaminado? Em outras palavras, o que não é prejudicial?

No entanto, apesar da IASD. Fazer um trabalho de conscientização com respeito a esses tipos de produtos que ora temos como alimentícios, a ênfase, maior é dada com relação ao alimento cárneo, e as carnes ditas como imundas são as principais. A questão principal deste assunto a ser abordado é: estaria Deus instruindo o povo do AT. A não consumir determinadas carnes tidas por imundas por questão de saúde? Como dito acima, a bíblia não diferencia, por exemplo, a imundície relacionada ao porco com relação ao cadáver.

Se fizermos uma busca detalhada, veremos que a palavra imunda no hebraico é tame’ e não diz respeito à saúde, mais sim a questão religiosa, cerimonial, sexual. Ou seja, alguém poderia se poluir sexualmente, se corromper religiosamente, ou não estar puro, cerimonialmente. A palavra (tame’ imundo no hebraico) não quer dizer que determinadas carnes contém vermes e bactérias. Não estou defendendo nem mesmo incitando o consumo de carnes, seja ela de qual animal for, come quem quer.

Sabemos também que a carne de porco pode ser prejudicial para algumas pessoas, aqui no Brasil costumamos chamar este tipo de carne, de carne remosa, é um tipo de irritação que provoca alguns pruridos e urticárias, claro está que não são todas as pessoas que são propensas a este tipo de desconforto. O mesmo podemos dizer da carne bovina, algumas pessoas também são alérgicas e são impossibilitadas de consumi-la. No entanto, todas elas após o abate são propensas as bactérias, contudo, se cozidas adequadamente tais bactérias não serão prejudiciais. 

Dt. 7. 15 “O Senhor afastará de ti toda enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das doenças malignas dos egípcios, que bem sabes; antes, as porá sobre todos os que te odeiam.” É comum entre os adventistas dizerem que a saúde prometida por Deus advêm da obediência ao que eles entendem por leis de saúde, fica claro, no entanto, que a promessa de Deus está baseada na observância de toda a aliança, ou seja, seria uma bênção sobrenatural, e não simplesmente um resultado de uma dieta natural.

A questão do puro e impuro no AT. Vai muito além de comer ou não comer, por exemplo: Lv. 11. 39-40 “Se morrer algum dos animais de que vos é lícito comer, quem tocar no seu cadáver será imundo até à tarde; quem do seu cadáver comer lavará as suas vestes e será imundo até à tarde; e quem levar o seu corpo morto lavará as suas vestes e será imundo até à tarde.” Naqueles dias mesmo um animal próprio para consumo não poderia ter o seu cadáver tocado, tocar em um animal considerado limpo é algo impróprio para a saúde? Na realidade a própria expressão, “imundo até a tarde” confirma  o mandamento cerimonial e exclui a questão da saúde.

 Outra questão que deve ser bastante enfatizada é a expressão hebraica para impuro e imundo, como vimos acima a palavra tame’ nos revela que não se trata de uma questão de saúde mais de impureza, não uma impureza interna, mais sim cerimonial. Is. 52. 1 “Desperta, desperta, reveste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupagens formosas, ó Jerusalém, cidade santa; porque não mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo.”  Isaías falou de algum judeu que estava com problemas de saúde? Não, ele se referiu aos judeus que não cumpriam os mandamentos e assim se tornavam impuros, impróprios, inadequados para participar da religião judaica.

Outro fato importante a ser lembrado é que a palavra de Isaías 52. 1 para imundo é a mesma para designar os animais impróprios para o alimento, é a palavra tame’. Lv. 11. 44 “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra.”  Ao saírem da terra do Egito, o objetivo de Deus para o povo judeu é que eles fossem diferenciados, ou separados, santo no original.

Os animais representavam isso, limpos ou impuros, referindo-se aos judeus e gentios. Lv. 20. 26 “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.”  Tanto é assim que os não judeus poderiam comer aquilo que para os judeus era proibido, Dt. 14. 21 “Não comereis nenhum animal que morreu por si. Podereis dá-lo ao estrangeiro que está dentro da tua cidade, para que o coma, ou vendê-lo ao estranho, porquanto sois povo santo ao Senhor, vosso Deus...” 


Se a questão da impureza alimentar estivesse relacionada a saúde, naturalmente Deus não iria permitir que os não judeus que habitavam em Jerusalém comessem de tais alimentos. Fato é que isso poderia se transformar em uma epidemia, e assolar até mesmo o povo da aliança.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Comer ou não comer. Os gentios e a questão da impureza.

Vimos em outro assunto que os animais impuros representavam os gentios, para isso usei passagens bíblicas tais como: Lv. 11. 45-47 “Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo. Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda alma vivente que se move nas águas, e de toda criatura que povoa a terra, para fazer diferença entre o imundo e o limpo e entre os animais que se podem comer e os animais que se não podem comer.”

Lv. 20. 25-26 “Fareis, pois, distinção entre os animais limpos e os imundos e entre as aves imundas e as limpas; não vos façais abomináveis por causa dos animais, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra, as quais coisas apartei de vós, para tê-las por imundas. Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.”

E que também a proibição não se referia a questão de saúde. Pelo fato de algumas plantas serem venenosas, mas nem por isso elas estão listadas como algo proibido. Naturalmente nem todas as carnes são fontes de alimento, mas a bíblia também não diz se o camelo tem mais bactérias do que as vacas, nem mesmo porque as abelhas são consideradas imundas e o mel produzido por elas é próprio para alimento. A bíblia se limita a dizer: puro e impuro.

Outra questão bastante relevante está no fato da bíblia relacionar a questão cerimonial com um período de tempo; lembrando sempre, na maioria das vezes aqueles que se tornavam impuros eram considerados como tais, até a tarde. Lv. 11. 31 “Estes vos serão por imundos entre todo o enxame de criaturas; qualquer que os tocar, estando eles mortos, será imundo até à tarde.” Isso significa que estou estimulando as pessoas a comerem qualquer coisa? Bem, cada qual come e bebe o que quiser, mas não é isso, Eu mesmo me restrinjo a comer o que não gosto e aquilo que pode não me fazer bem.

O que estou dizendo é que a proibição encontrada no AT. Não se referia a questão de saúde, mas sim uma questão religiosa cerimonial, ou seja, a separação de judeus e gentios, isso é confirmado no NT. O livro de Atos nos diz mais sobre isso; At. 10. 9-14 “No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar. Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda.”

Antes de tudo quero dizer que estes versos não provam nem apoiam nada sobre a questão de comer animais considerados imundos, Pedro teve uma visão, e o que ele viu estava relacionado com aquilo que ele mais desejava naquele momento, Pedro estava com fome. Tanto é assim que ele mesmo passa a narrar os acontecimentos, At. 10. 17 “Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta.” 

Pedro mesmo reconheceu ser uma visão, não uma ordem direta para comer o que lhe foi apresentado; os versos a seguir mostram o significado da visão, At. 10. 28 “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” Os animais aparecem para Pedro em algo semelhante a um lençol suspenso, depois os homens do Centurião romano Cornélio aparecem na casa onde ele estava hospedado, e depois o próprio Pedro diz, que após a nova aliança não podemos considerar ninguém imundo. Isso demonstra claramente o que significava a proibição de comer e não comer certos tipos de animais.

Assim sendo a visão de Pedro relatada em atos capítulo 10 demonstra claramente que os gentios outrora considerados impuros sob a nova aliança, não mais são considerados como tais. Porém, o contexto do assunto nos mostra que o panorama principal não é a liberação dos alimentos considerados impuros que está sendo destacado, isso é claramente demonstrado, o que está sendo enfatizado é que os gentios representados pelos animais suspensos numa espécie de lençol, não mais são considerados imundos ou impuros para o reino de Deus.

Assim sendo muitos se encherão “daquele orgulho denominacional” e dirão: - “lógico, o contexto está tratando de uma aplicação simbólica, não uma realidade literal”. Sim, isso é uma realidade, no entanto, não podemos desassociar os fatos, se para um judeu como foi o caso de Pedro, os gentios eram considerados impuros, ou mesmo imundo como certo tipo de animal, para ele ficou nítido que tais pessoas consideradas impuras as quais foram representadas por animais não eram mais consideradas assim.

Em outras palavras, se Pedro compreendeu que os gentios foram purificados, naturalmente aquilo que os representava foram também. At. 10. 34-35 “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” At. 11. 7-9 “Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Ao que eu respondi: de modo nenhum, Senhor; porque jamais entrou em minha boca qualquer coisa comum ou imunda. Segunda vez, falou a voz do céu: Ao que Deus purificou não consideres comum.”

A objeção pode ocorrer da seguinte forma: - “o verso está dizendo que as pessoas foram purificadas não os animais.” Sim, no entanto, o que está sendo usado para demonstrar a purificação das pessoas são os animais. Foi o que Eu disse, Pedro deve ter entendido que ambos foram purificados, ele não poderia desassociar um do outro, ou seja, como ele poderia acreditar que os gentios foram purificados mas aquilo que os representava não  foi; parece que Paulo também não teve problemas para fazer a associação.

Rm. 14. 14 “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura.” Aqui Paulo está falando de alimento, e não é só isso a palavra grega para coisa é oudemia e quer dizer nada, ninguém. 1ª Co. 10. 25 “Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência.” Aqui muitos objetarão dizendo: -“ele está falando de comida sacrificada aos ídolos.” Sim pode ser, mais será que aquele que sacrificava aos ídolos se preocupava em sacrificar somente alimentos considerados puros? A palavra mercado é makellon e quer dizer, lugar onde carne e outros artigos alimentícios eram vendidos, açougue.

Portanto, cada qual come e bebe o que quer, muito propriamente aquilo que em nossa sociedade temos como alimento, mas dizer que isso e aquilo são proibidos pelo fato do AT. Dizer, não é correto, muito menos dizer que tais leis foram dadas por motivos de saúde. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

A nova criação feita por Cristo.

A igreja cristã em quase todas as suas variantes sustenta o ponto de vista de que Jesus é o criador. Tal ensinamento é feito baseado em alguns versos encontrados no NT. Entre os quais eu destaco: Cl. 1. 15-16 “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.” Antes de lermos outro verso quero fazer uma breve analise sobre o verso acima.

Antes porém, é fácil assegurar que para a cristandade em geral o verso lido é uma garantia total de que de fato Jesus é o criador. Testificam dizendo: - é exatamente isso que o verso está dizendo! No entanto, a contestação que faço está na declaração de que Jesus é o Deus eterno sem princípio e sem fim de dias, se defendo realmente a eternidade de Jesus, como poderia ele ser o princípio da criação de Deus? Sim, Deus não teve princípio esse é um dos atributos da divindade, é a própria bíblia que nos informa isso, 1ª Cr. 29. 10 “Pelo que Davi louvou ao Senhor perante a congregação toda e disse: Bendito és tu, Senhor, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.”  Sl. 90. 2 “Antes que os montes nascessem  e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.

A palavra grega para primogênito é prototokos que significa literalmente primogênito, e o verso de Colossenses lido acima descreve Jesus como sendo o primogênito de toda a criação. Em outras palavras o verso parece está dizendo que Jesus foi o primeiro ser criado, e isso concorda também com o verso encontrado no livro do apocalipse,  Ap. 3.14 “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.” A palavra grega para princípio é arche e significa a primeira pessoas ou algo numa série, a origem a causa ativa.

Já a palavra grega para criação, encontradas tanto em colossenses quanto em apocalipse, é ktisis e significa não só o ato de criar quanto também de fundar,  estabelecer de construir. O outro verso que parece dar suporte para a criação literal feita por Jesus se encontra em Hb. 1. 2 “Nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.” Este verso de hebreus não prova nada com relação a ser Jesus o criador.
      
Simplesmente ele está dizendo que Deus nos falou por meio do filho, filho este que é o legítimo herdeiro, mas, as mentes cristalizadas com os ensinos tradicionais dizem: - “sim mais foi ele quem fez o universo.” Essa declaração é feita pelo simples fato do verso dizer (pelo qual) Algum teólogo deve ter dito: ( pelo qual é mesmo que por meio dele.) Só que ele esqueceu de dizer que a palavra “pelo” dia no grego significa também “para”. Já a palavra “qual” ho no grego significa “quem”. Assim sendo o verso de hebreus pode muito bem estar dizendo que Deus nos falou pelo filho para quem também fez o universo.

E é bastante lógico o raciocínio, de que a promessa do universo seja feita para o filho, o qual é herdeiro de todas as coisas. Assim sendo, podemos assegurar ao menos duas coisas:  (1) Jesus não foi o primeiro ser a ser criado, o qual lhe daria o título de semi deus ou um “deus” como dizem as testemunhas de Jeová, visto faltar apoio bíblico para isso. (2) Apesar desses versos aparentemente dizerem, Jesus não foi o criador literal das coisas visíveis as quais agora presenciamos, fato que contraria os escritos do AT. Jó. 9. 8  “Quem sozinho estende os céus e anda sobre os altos do mar.”  

Is. 44. 24 “Assim diz O Senhor, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra.”  A palavra sozinho as quais descrevem esses versos é Yachiyd e quer dizer: um só, único, solitário. Isto naturalmente demonstra a unicidade do criador e contesta grandemente a doutrina trinitária, pelo fato da doutrina ensinar que apesar de Deus ser um as pessoas são múltiplas, mas, se as “pessoas são Deus” como é ensinado pelo trinitarismo, logo seria impossível Deus estar sozinho.

Como o verso 2 de hebreus 1 não revela nada sobre ser Jesus o criador, antes assegura que o mundo foi feito para Ele, fica somente os versos de colossenses e apocalipse dizendo que o mundo foi feito por ele e para ele, no entanto, se a bíblia diz que Deus sozinho criou tudo pela palavra que saiu de sua boca como pode algumas passagens do NT. Afirmar que Jesus também criou? Bem, como já foi dito acima os trinitarianos e os binitarianos acreditam e ensinam que Deus criou todas as coisas por intermédio de Jesus Cristo.

Tal pensamento é decorrente de passagens como: “Criar” e “criação”, no entanto esses versos são usados em relação à obra de Cristo no sentido regenerativo. Gl. 6. 15 “Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura.” Ef. 2. 10 “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Ef. 4. 23-24 “ E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.”  2ª Co.  5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

E também em relação ao mundo vindouro Hb. 2. 5 “Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando.” 2ª Pe. 3.13 “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” E assim como Adão foi o primeiro da raça de homens e mulheres mortais, então através de Jesus uma raça espiritual está sendo desenvolvida ou criada. 1ª Co. 15. 45 “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.” Hb. 2. 8 “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas.”

Ainda quanto à questão de hebreus 1 apesar de está aparentemente dizendo que Jesus é o criador do universo observável, o próprio hebreus demonstra que isso não é uma realidade, caso fosse como se interpretaria o verso a seguir, Hb. 2.10 “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” Para o autor de hebreus quem seria aquele que causou ou trouxe a existencia todas as coisas? Deus naturalmente.

Isso é facilmente comprovado, basta ler o restante do verso e interpretá-lo corretamente; este mesmo ser que trouxe todas as coisas a existência é o mesmo que aperfeiçoou o autor da salvação “deles” ou nossa. Quem foi aperfeiçoado por meio da obediência? Segundo o verso bíblico foi Jesus; nota-se aí uma clara distinção entre Deus e a criação literal tangível e Jesus, que pela sua obediência e pela graça de Deus foi capacitado a ativar a nova criação.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A espiritualidade o ceticismo e a aposta de Pascal.

No decorrer da história alguns homens, escritores, filósofos, uns ateus, outros não, criticaram a religião, dizendo que esta é o ópio do povo. Para essas pessoas a religião era simplesmente um ópio, que acalmava os sofrimentos dos fracos. Este pensamento é muito utilizado na atualidade pelos evolucionistas, ateus e liberais. Olhando de uma perspectiva, isso é até uma realidade, tem um fundo de verdade, me refiro à questão denominacional. Aqueles que não mais estão presos pelo sistema religioso sabem o que estou dizendo, lamentavelmente as denominações religiosas (me refiro ao meio cristão) criaram para si um status o qual não é ensinado na bíblia.

A “voz” da denominação passou a ser a palavra de Deus, definidora do bem e do mal, mesmo que esta esteja indo contra a palavra de Deus. Assim sendo o grau de entrega denominacional feita por um seguidor demonstra o tamanho da dependência do mesmo em relação à instituição a qual ele crê ser verdadeira e portadora da voz de Deus. Dentro desta realidade não vejo a religião como um ópio, mas como um sistema escravizador, portanto os adeptos não precisam de ópio, mas de liberdade.

Por outro lado, os críticos, os evolucionistas ateus e liberais estão equivocados, podemos criticar um sistema baseado na demonstração perceptível, no entanto, tais críticos nunca poderão compreender a espiritualidade, 1ª Co 2. 14 “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”

Rm. 8. 5 “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.” Assim sendo a espiritualidade é inquestionável, pelo menos para os que são espirituais; 1ª Co. 1. 18 “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.”

É sabido também pela bíblia que a espiritualidade não é adquirida ou barganhada, é um presente de Deus, não concedido a todos. A espiritualidade a qual me refiro é um antagonismo de incredulidade, 2ª Pe. 2. 12 “Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção. A irracionalidade aqui referida não significa falta de intelectualidade, mas de espiritualidade.

Assim sendo, a pergunta a ser feita é: quem precisa de ópio? Não me reporto a questão denominacional corruptível, mas sim a espiritualidade; a questão denominacional pode ser resolvida com liberdade, a espiritualidade não precisa de ópio, no entanto aqueles que são contrários, me refiro aos incrédulos, precisam sim de uma carga muito grande do alucinógeno. Para aqueles que descreem da espiritualidade o que esperam do futuro?

Crendo ou descrendo uma questão pertinente e imutável permanece Lc. 12. 18-20 “E disse: Farei isto: derribarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será.” Assim sendo, as conquistas, as lutas, vitórias e derrotas e tudo aquilo que estimula o homem a vida será interrompido. Para aqueles que não enxergam a vida além desta, qual a vantagem disso tudo? Acreditar na política, na evolução do homem e tudo o que lhes beneficia, acreditar em si mesmo, acreditar em um mundo de paz e prosperidade, é Preciso possuir muita, mas muita fé, ou no mínimo uma boa dose de ópio. 

Portanto, o fato de o homem moderno acreditar em algo o qual ele incorporou e acredita ser correto e real não muda a perspectiva de um futuro degradante. As promessas bíblicas as quais são espirituais e entendidas pelos mesmos são as únicas que podem preencher o interior vazio do ser humano, são as únicas que podem trazer esperança para a mente que sabe e não quer aceitar que o fim de tudo é a morte, 1ª Co. 15. 19 “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.”

Muitos irão questionar dizendo: - e isso não é um paliativo para suportar a insegurança prenunciada do futuro? Bem, apesar de ser uma promessa espiritual e portanto não ser inteligível a todos, no entanto o que envolve ela e suas promessas pode ser sim demonstrada de uma forma tangível. Por exemplo: a bíblia descreve o pecado como algo corrupto e que é passado a todos (naturalmente os liberais em todas as suas escalas não admitem tal argumentação) mas não importa, isso não muda a realidade dos fatos.

O fato é que a bíblia descreve os pecadores (no caso os homens) “gênero” todos sem exceção, condenados a morte, e isso nenhum liberal pode questionar, no entanto, eles questionam a causa da morte, a qual a bíblia descreve como sendo o pecado, Rm. 5. 12 “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”  Ou seja, isso é claramente tangível e percebido pela visão natural, em outras palavras é um argumento sim a favor da espiritualidade.

Outro fato também que corrobora com os ensinos bíblicos consiste na degradação humana, a despeito do homem acreditar que a raça esteja evoluindo, isto pode ser sim demonstrado e a própria natureza tem testificado tamanha degradação, na sua grande maioria proporcionada pelo próprio homem, Ap. 11. 18 “Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra. A última parte do verso é o que nos interessa para reflexão. (Grifo meu.)

Destruir os que destroem a terra. Esta é a promessa bíblica, seria inadmissível tal promessa existir ou mesmo se cumprir se não fosse patente aos nossos olhos tal acontecimento, ou seja, a destruição do planeta em todos os seus pormenores é uma realidade visível e indiscutível, portanto um argumento válido e a favor da espiritualidade.

Os críticos de todas as classes querem se desfazer dos ensinamentos bíblicos, principalmente daqueles que vão contra a tendencia e inclinações, utilizam-se do argumento que a bíblia é um livro arcaico e portanto ultrapassado, falam que os tempos são outros e que a mentalidade “evoluiu” e que não podemos ficar presos a ensinamentos que a muito não contribui para o bem estar das pessoas, e os países de 1º mundo já a muito evoluíram nessa direção; este é o pensamento e o desejo de todos aqueles que são contrários ao ensino bíblico.

Eu gosto de argumentar do seguinte ponto de vista: o errado não passa a ser certo pelo simples fato de alguém querer que ele seja certo, não significa que só pelo fato de um país de 1º mundo instituir como regra algo que seja degradante que isso passa a ser correto, o simples fato de eu querer que algo aconteça, isso não fará de maneira nenhuma que isso ocorra, i.e. o simples fato de alguém querer invalidar a bíblia e a espiritualidade ou mesmo que irão conseguir converter os acontecimentos que acometem o mundo e tudo o que nele existe, não significa que tal ocorrerá.

Penso que a aposta de Pascal continua sendo o melhor estimulo para analisarmos as questões pertinentes ao nosso futuro. Pascal propôs o seguinte: se você acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho infinito; se você acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda finita; se você não acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho finito; se você não acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda infinita.

É um raciocínio lógico, no entanto, rejeitado pelos críticos liberais e ateus, infelizmente tal consentimento só será visto naqueles que são capazes de enxergar além deste mundo, em outras palavras não podemos exigir algo que as pessoas não possuem. Por outro lado o que Pascal está propondo é válido e inteligente. 










  








quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Nem antinomista, nem legalista.

O presente artigo tem como objetivo em fazer uma pequena análise de uma questão doutrinária pouco difundida no meio religioso cristão. Refiro-me a lei de Deus. Alguns seguimentos doutrinários ensinam que após o NT. Não estamos mais sujeitos a lei, para este seguimento religioso o fim da lei é Cristo, no entanto, do outro lado outros partidários contestam veementemente, alegando que tal ensinamento é um anti-nomismo, ou seja, declaração daqueles que são contrários a lei.

Assim sendo, estes últimos alegam que a lei deve ser observada num todo, ou melhor, naquilo que é descrito nos dez mandamentos. Desta forma, como um contra ataque aqueles que são tidos como sendo contrários a lei atacam os seus oponentes, dizendo que estes são legalistas, e assim vão, injuriando e sendo injuriados. Neste assunto quero destacar que ambos os lados defendem erros e acertos. Rm. 10. 4 “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.”

Neste verso percebemos que os ditos anti-nomistas estão com a razão, ou se aceita o que Paulo escreveu ou repudia-o de vez, como fizerem os judeus, para os judeus, Paulo foi um traidor, At. 21. 24 “Toma-os, purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça; e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo contrário, andas também, tu mesmo, guardando a lei.” No meio judaico estava sendo proclamado que Paulo estava quebrantando a lei, e aqui posso assegurar que tanto os judeus, quanto aqueles que dizem que não mais existe lei estão equivocados.

Mas Paulo não disse que o fim da lei é Cristo? assim sendo aqueles que são tidos por legalistas estão certos? Sim, Paulo disse realmente que o fim da lei é Cristo, mas aqueles que defendem uma perpetualidade da lei como um todo, ou melhor, aquela parte descrita nos dez mandamentos como sendo necessária para se obter a salvação também estão equivocados. O erro daqueles que querem a todo custo erradicar a lei de Deus se encontra no fato de que o universo como um todo é regido por leis.

Com relação aos seres humanos não seria diferente, em um reino os súditos que vivem sem lei naturalmente estão sem rei, ou se estão debaixo da regência de um rei, logo são considerados como subversivos e anarquistas, neste sentido podemos observar que a lei existe, Rm. 3. 5- 6 “Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.) Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?”

O juízo de Deus é uma realidade demonstrada constantemente pela bíblia, mas se não existe nenhuma lei, como julgará Deus o mundo? Devemos entender o contexto em que a bíblia se aplica, por exemplo: no mundo judaico a lei como um todo (não em partes) ou seja, dividida, era o padrão para definir o certo do errado, era o aferidor para medir o caminho dos judeus, para aqueles a qual foram dadas a promessa da Canaã, no oriente médio, a lei era o padrão que permitia viver ou não viver.

Para os cristão a lei que define o caminho de vida eterna é um caráter renovado, é ser contrário a tudo aquilo que é definido como as obras da carne, assim sendo para Paulo, tal pessoa só conseguirá obter tal transformação se estiver unido com Cristo, por isso para ele o fim da lei é Cristo, ou seja, não estamos mais dependentes da lei, até por que a lei foi administrada para um período que se deu do êxodo até Cristo, era um sistema estabelecido para uma época para reger um povo e um regime.

Mas, segundo a teologia paulina o fim da lei é Cristo, no sentido de estarmos unidos com Ele, em outras palavras, a justiça do homem nunca procedeu da lei, mas de Cristo, Gl. 2. 21 “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.”  Hb. 7. 19 “ (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus.”  O intuito de Paulo não foi falar mal da lei, nem mesmo dizer que ela não existe.

O que Ele disse na verdade, é que a lei não é mais o método utilizado para guiar o povo de Deus, no entanto, por outro lado a lei existe. Neste sentido tanto aqueles que defendem uma perpetuidade da lei ou ao menos alguma parte dela, e mesmo aqueles, do meio cristão os quais asseguram que a lei não mais existe, ambos estão equivocados. Para aqueles que estão unidos com Cristo, o espírito santo os orienta, revelando e dizendo o caminho a seguir.

Já a lei será a norma pela qual Deus utilizará para julgar o mundo, 1ª Tm. 1. 8-10 “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina.

Assim sendo, isso seria o mesmo que dizer que Deus condenará aqueles que não tem a lei ou melhor os dez mandamentos como norma de conduta? Para os que estão em Cristo não, 2ª Co. 5. 15 “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” Só assim a lei deixa de existir, se alguém não está unido com Cristo logo será julgado pela lei, mas que lei seria essa, seria transgredir o sábado, por exemplo? Não, a lei do evangelho não está vinculada com cerimônias, mais sim com o caráter.

Outro fato já destacado é que a lei não deve ser restringida ou mesmo dividida, se alguém diz observar a lei deve viver para observar toda a lei, Gl. 3. 10 “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. Percebemos nas cartas de Paulo uma teologia espiritual, muito além daquela ensinada pelos mestres dos seus dias, naturalmente só foi possível ele visualizar e mesmo informar tal acontecimento, através do espírito santo.

Por isso Paulo não entra em contradição, Ele por um lado defende a validade da lei, Rm. 3. 31 “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.” Faz isso sabendo que ela como um todo incluindo a lei do evangelho será a norma pela qual Deus irá julgar aqueles que não estão em Cristo; e diz também que agora estamos sem lei, Rm. 3. 21 “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas.


Faz isso confirmando que o fim da lei só se dá para aqueles que estão unidos com Cristo, ou seja, os que estão em Cristo segundo o ensinamento do evangelho deveria ser nova criatura, e nova criatura não vive na prática do pecado, logo, se não vive na prática do pecado, não pode ser condenado pela lei.