sexta-feira, 11 de março de 2016

A salvação é para todos?

O cristianismo contemporâneo ensina é a bíblia embasa o conceito de salvação ao pecador arrependido. Segundo os relatos da bíblia a salvação se dá em uma esfera espiritual, logo tal acontecimento se materializa unicamente através da misericórdia de Deus. Porém ao longo dos séculos o cristianismo ao qual conhecemos tem se inclinado a propagar uma espécie de salvação total, ou seja, visto que a salvação se dá através da graça de Deus e Ele ama as suas criaturas, conclui-se então que todos são objetos da sua graça salvadora.

Em todas as esferas de nossa existência devemos atentar para uma questão irrevogável. O simples fato de alguém querer que algo seja uma verdade não faz com que aquilo se torne uma verdade. Este conceito deve permear o nosso entendimento para a questão da salvação bíblica; em outras palavras o fato de vários ramos denominacionais assumirem o ensinamento da salvação total não autentica tal ensinamento, e nem mesmo torna isso uma realidade.

Para o humanismo prevalecente e mesmo para a mentalidade cristã atual as palavras “Deus ama a todos” soa como um verdadeiro ensinamento bíblico, pois Deus não quer que ninguém pereça, antes, que todos cheguem ao arrependimento. Este conceito está equivocado e destoa completamente daquilo que a bíblia apresenta como graça salvadora de Deus, por exemplo: Jo. 17.2Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” Jo. 17.9É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.”

A bíblia não diz o porquê Deus escolheu salvar alguns e não a todos, só diz que resolveu salvar alguns. Fato é que os versos acima citados e outros nos demonstram a salvação direcionada para alguns, não sabemos o porquê dessa escolha, assim também não sabemos explicar outros acontecimentos que nos são intrigantes, citarei um, por exemplo: por que algumas pessoas nascem em um lar de uma família extremamente rica ao passo que outras não. Alguém pode questionar dizendo: “ora, simplesmente os pais de tal pessoa eram ricos, herdaram a sua riqueza ou mesmo tiveram uma enorme herança e etc. e o filho se beneficiou disso”   

Bem, isso pode até ser uma boa justificativa, mas não responde o porquê determinada pessoa teve que nascer nessa família e não em outra menos favorecida, o que esse filho (a) fez ou teve de melhor para ter tal privilégio? Essas são questões que raramente são tratadas e discutidas, fato é que não sabemos o por quê. Uns acreditam que o “destino autônomo” fez e faz isso, outros o acaso, eu acredito que o destino não é autônomo e muito menos que exista o acaso fortuito, não, não é uma redundância, aos nossos olhos pode parecer que exista o acaso, porém jamais devemos crer em algo ocorrendo de forma aleatória e sem propósito.   

Uma coisa nós podemos ter certeza conforme nos é relatado na bíblia Pv. 16.4 O Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.” O verso está nos dizendo que Deus não faz nada sem propósito, mesmo naquelas coisas as quais parecem insignificantes e sem importância. Assim sendo Deus pode muito bem em sua sabedoria eterna ter escolhido alguns para salvação e outros não, e com relação ao verso de provérbios descrito acima, não existe uma exceção a regra, isto claro analisando de uma forma ultra mundana. 

Mas e com relação a salvação total? Muitos objetam usando mesmo a bíblia para “comprovar” a tese da salvação total, geralmente o verso utilizado e João 3.16Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” O argumento se dá da seguinte maneira: “O verso por si só é bastante explícito, diz enfaticamente que Deus amou o mundo”.

Isso é fato, diz realmente que Deus amou o mundo, o problema e não analisar o que acompanha o verso, por exemplo: o mesmo verso diz que todo o que Nele crer não irá perecer, mas se o amor é estendido ao mundo como alguns irão perecer? Objetarão dizendo: “ora esses escolheram crer em Deus, por isso serão salvos”. Na verdade esta é uma tese inválida, o amor de Deus não depende de uma via de mão dupla, ou seja, nós não iremos amar a Deus se antes Ele não nos amar primeiro, 1ª Jo. 4.19 “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

Gl. 4.9 mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?” Mas a objeção pode continuar, “mas a bíblia diz que o mundo é objeto do amor de Deus”. Foi como disse acima, não podemos ignorar o todo da bíblia para abalizar um pensamento, nem sempre podemos interpretar um verso bíblico, baseado no nosso entendimento ou mesmo na disposição de entendê-lo.

Primeiramente vimos Jesus rogando a Deus por aqueles que estavam no mundo mas não eram do mundo, e o verso a seguir repete o mesmo, Jo. 17.16 “Eles não são do mundo, como também eu não sou”. A bíblia no que diz respeito a salvação geralmente separa o mundo daqueles que estão no mundo, porém, em outros aspectos ela inclui o mundo fora do mundo, ou seja inclui o mundo dentro de uma localidade, At. 17.6 “Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.”

Para os judeus que habitavam em Tessalônica “a mensagem que estava trastornado o mundo” chegou por lá também. Jo. 7.4Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. O mesmo disseram os irmãos de Jesus, ir a festa em Jerusalém seria manifestar os seus feitos para o mundo. Jo. 12.19 De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele” Neste caso aqui o mundo era os seus seguidores e mesmo os simpáticos aos seus ensinamentos.

Com relação a salvação a bíblia separa os eleitos dentre o mundo, Ef. 1.4Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”. Jesus faz uma separação nítida entre as suas ovelhas e os bodes que não lhe pertence, Jo. 10.26-27Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”.

Assim sendo fica claro que o mundo em sua totalidade não é objeto da salvação de Deus, e também não nos é dito o porque que não é, dentro da visão bíblia só podemos dizer aquilo que já foi dito, o livro de apocalipse nos revela o por que o mundo como um todo não será salvo, Ap. 17.8 “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá”.

Evandro.

terça-feira, 1 de março de 2016

Pedro realmente foi o primeiro papa?

O fato de a bíblia ser um livro advindo da tradição oral faz com que a igreja católica romana defenda o argumento que a tradição oral e escrita extra bíblica devam ser recebidas e veneradas com grande devoção, o catecismo católico na página 82 ensina: “Por todas estas razões, a Igreja Católica "não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas", querendo isto dizer que as Tradições oral e escrita "devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência".

Não podemos negar o fato de a bíblia ou mais precisamente o NT. ter sido divulgado através da tradição oral, como nos atesta o próprio NT. 1ª Co. 15.3Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.” Paulo atesta o fato de ter recebido relatos da ressurreição de Jesus por via oral. Naturalmente os documentos que compõe o NT. Sucederam a tradição oral, sendo assim os católicos poderão argumentar dizendo que a tradição extra bíblica está no mesmo patamar dos escritos bíblicos.

Apesar da escrita do NT. Ser posterior ao ensino e a divulgação verbal eles são mais abalizados do que a tradição extra bíblica. O NT. Ou mais precisamente os evangelhos e o livro de atos são praticamente unânimes no relato dos acontecimentos com Cristo e o posterior desenvolvimento da igreja; e a tradição extra bíblica? Para responder esta pergunta o ideal é formular outra, como por exemplo: Pedro realmente foi papa em Roma?

Sobre este assunto encontramos algumas informações interessantes no livro de Eusébio de Cesaréia (História Eclesiástica. Os primeiros quatro séculos da igreja cristã). Na página 62 ele diz: “Logo depois, sob o reinado de Claudio, pela benigna e graciosa providência de Deus, o grande e poderoso Pedro que por sua coragem era o líder de todos os outros, foi conduzido a Roma...” 

Sobre este ocorrido Eusébio citou apenas que Pedro foi conduzido a Roma, porém não diz que ele foi papa. Não podemos afirmar que Pedro não esteve em Roma no final de sua vida e mesmo ter sido morto lá. Isso baseado nas alegações de outros personagens além de Eusébio. Por exemplo, Tertuliano afirma: "Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro, então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na cruz." (Scorp cap. 15 pág. 633. Orígenes também escreveu: “Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo.”  

Muitos outros pais da igreja confirmam realmente que Pedro esteve em Roma, porém não podemos nos esquecer o fato de que tais escritos se deram após o 3º século. Naturalmente devemos ter como fidedigno o argumento dos pais da igreja, porém não podemos esquecer o fato da bíblia não mencionar nada a respeito da estada de Pedro em Roma, pelo contrário, ela enumera vários lugares onde ele esteve e não citou Roma.

At. 9.32 Passando Pedro por toda parte, desceu também aos santos que habitavam em Lida.” At. 9.43Pedro ficou em Jope muitos dias, em casa de um curtidor chamado Simão.At. 10.24 No dia imediato, entrou em Cesaréia. Cornélio estava esperando por eles, tendo reunido seus parentes e amigos íntimos.”  Gl. 2.11 “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível.”

Se Pedro realmente esteve em Roma porque não existe nenhum texto bíblico aludindo tal fato? Por exemplo, Eusébio confirma alguns acontecimentos relatados na bíblia; na página 70 do mesmo livro. Falando de um falso profeta conhecido como egípcio ele argumenta: “Depois de entrar no país e assumir autoridade de profeta, reuniu cerca de trinta mil que foram enganados por ele... ...Este relato é dado por Josefo no segundo livro de sua história.” Além de ser relatado por Josefo a bíblia confirma ao menos o personagem desta história; At. 21.38 “Não és tu, porventura, o egípcio que, há tempos, sublevou e conduziu ao deserto quatro mil sicários?”

E Eusébio continua a sua narrativa: (Nessa época “é evidente que se trata do reinado de Claudio”, o rei Herodes preparou-se para afligir alguns da igreja e matou à espada a Tiago, irmão de João... Conforme dizem as escrituras , Herodes, vendo que a morte de Tiago dava grande prazer aos judeus, também atacou Pedro e, tendo-o conduzido à prisão, bem teria a mesma intenção assassina contra ele, caso este não tivesse sido maravilhosamente libertado de sua prisão por um Anjo que lhe apareceu à noite. (História Eclesiástica, capítulo 9 página 56-57. Este relato realmente é encontrado no livro de atos, At. 12.6-7Quando Herodes estava para apresentá-lo, naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere. Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos.”

O mesmo deveria ter acontecido com a estada de Pedro em Roma, ou seja, o historiador deveria confirmar o relato bíblico, no entanto a bíblia nada descreve sobre Pedro em Roma, pelo contrário a bíblia continua a relatar alguns lugares onde Pedro esteve, At. 8.14 “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João.” Ao contrário do que muito acreditam não foi este o momento em que Pedro se dirigiu a Roma.

At. 8.25Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.” Outra questão importante a ser destacado foi o concílio de Jerusalém que a maioria concorda ter acontecido no ano 48 dC. Pedro esteve presente nesta reunião, At. 15.6-7Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem.”

Alguém pode perguntar: Não teria Pedro saído de Roma e ido a Jerusalém participar da reunião? De acordo com a tradição católica deveria sim, pois a esta altura Pedro já deveria ser papa, mas o relato bíblico nos diz algo diferente, At. 15.2Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão.”

Somos informados que Paulo e Barnabé subiram a Jerusalém a estarem com os apóstolos, naturalmente Pedro era um dos apóstolos e estava em Jerusalém. Na verdade se fizermos uma analise um pouco mais profunda descobriremos que Pedro não esteve em Roma antes ou mesmo na época que Paulo foi para lá, vimos em versos anteriores Pedro testificando do evangelho nos lugares onde esteve At. 23.11 “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma.”

Se Pedro esteve em Roma porque não evangelizou? Caso tivesse feito não haveria necessidade de Paulo fazê-lo. Não ele não fez, e acredito piamente que ele não evangelizou os romanos por não ter estado lá

At. 28.16-22 “Uma vez em Roma, foi permitido a Paulo morar por sua conta, tendo em sua companhia o soldado que o guardava. Três dias depois, ele convocou os principais dos judeus e, quando se reuniram, lhes disse: Varões irmãos nada havendo feito contra o povo ou contra os costumes paternos, contudo, vim preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos; os quais, havendo-me interrogado, quiseram soltar-me sob a preliminar de não haver em mim nenhum crime passível de morte. Diante da oposição dos judeus, senti-me compelido a apelar para César, não tendo eu, porém, nada de que acusar minha nação. Foi por isto que vos chamei para vos ver e falar; porque é pela esperança de Israel que estou preso com esta cadeia. Então, eles lhe disseram: Nós não recebemos da Judéia nenhuma carta que te dissesse respeito; também não veio qualquer dos irmãos que nos anunciasse ou dissesse de ti mal algum. Contudo, gostaríamos de ouvir o que pensas; porque, na verdade, é corrente a respeito desta seita que, por toda parte, é ela impugnada”.

Como citei anteriormente, acredito na fidelidade dos escritos dos pais da igreja, contudo se Pedro esteve em Roma e lá foi morto, a bíblia não diz, pelo contrário, contradiz tal argumento. Há muitas outras evidencias dentro da bíblia confirmando que Pedro não estava com Paulo em Roma, não iremos nos ater, contudo termino escrevendo o que está no livro (História eclesiástica) pág. 79 “Após o martírio de Paulo e Pedro, Lino foi o primeiro a receber episcopado de Roma.”

Suponhamos que a tradição tenha mantido fielmente a história da morte de Pedro em Roma, no entanto nem mesmo a tradição confirma que Pedro tenha sido o primeiro líder da igreja romana. (Lino o qual Eusébio se refere é o mesmo que está relatado em 2ª Tm. 4.21).   

Evandro.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Profetiza de Deus ou apenas escritora?

Nesta postagem irei fazer uma pequena analise sobre alguns comentários de Ellen G. White encontrados no livro “O desejado de Todas as Nações”. Ao fazer a leitura do referido livro percebe-se claramente a intenção da autora, baseado também na sua própria declaração quando disse que seus escritos são uma “luz menor que guia até a bíblia, a qual é a luz maior”. Segue a declaração de E.G.W. “pouca atenção é dada à Bíblia, e o Senhor deu uma luz menor para guiar homens e mulheres à “luz maior” (Review and Herald, 20 de janeiro de 1903).

Percebe-se então que a intenção da autora é clarificar os acontecimentos narrados na bíblia, enfatizando assim os seus pormenores. Em outras palavras Ela tenta levar os seus leitores de volta aos dias de Cristo, e para isso tenta preencher as lacunas das narrativas dos evangelhos. Geralmente as declarações bíblicas são bem sucintas e aproveitando isso E.G.W tenta “esclarecer” os acontecimentos. Somente alguém que se julga uma pessoa inspirada por Deus para fazer tal coisa, naturalmente uma analise dos acontecimentos bíblicos contrastando com suas declarações serão feitas, caso haja contradições em suas declarações, sua inspiração será posta em xeque.

Nesta postagem quero destacar apenas quatro questões as quais são relacionadas ao livro acima mencionado, veremos que elas jogam por terra a inspiração de E.G.W. A primeira questão é uma declaração completamente fora de contexto, com o intuito principal em fundamentar uma crença, crença esta adotada pelo cristianismo ortodoxo. A segunda questão é um argumento inválido, pelo fato d’ela afirmar que a rigidez exigida pelos líderes judeus dos dias de Cristo era apenas uma tradição rabínica e não um mandamento estrito da torá.

A terceira questão refere-se ao discipulado de Judas Iscariotes, onde ela afirma categoricamente que ele Judas não foi um discípulo escolhido para perfazer o número de doze apóstolos. A quarta questão ela declara algo que ocorreu também com Judas Iscariotes, porém a bíblia não menciona tal ocorrido. Sendo assim percebe-se facilmente a sua errância e contradição, impedindo-a de ser realmente uma profetiza da parte de Deus.

A primeira questão a ser tratada se encontra no capítulo (1) na página 22 do livro O Desejado de Todas As Nações, onde ela Diz: Lúcifer dissera: “Subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono. ... Serei semelhante ao altíssimo.”   Ela utiliza a passagem de Isaías 14. 12-14 “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”

Neste momento não darei ênfase a primeira questão, mas não deixarei de dizer que o capítulo 14 de Isaías é um símbolo, onde o personagem principal que está sendo descrito não é um Anjo caído mais sim o rei da Babilônia. Alguns versos do capítulo 14 nos mostra claramente que as declarações nele contidas não retratam um ser espiritual: Is. 14.4Então, proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!” Is 14.11 Derribada está na cova a tua soberba, e, também, o som da tua harpa; por baixo de ti, uma cama de gusanos, e os vermes são a tua coberta.”

Is. 14.15-16Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, hão de fitar-te e dizer-te: É este o homem que fazia estremecer a terra e tremer os reinos? Percebe-se claramente que estas palavras estão sendo direcionadas para um homem e não para um Anjo; sobre o rei ser chamado de estrela da manhã e de tentar estabelecer o seu trono sobre as mais altas nuvens será analisado em outro assunto.

A segunda questão refere-se a guarda do sábado, e para isso será necessário relembrarmos alguns versos: Ex. 35.3 “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado.” Jr. 17.21Assim diz o Senhor: Guardai-vos por amor da vossa alma, não carregueis cargas no dia de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém.” Segundo o ensino bíblico estas declarações são vindas do próprio Deus e não dos líderes religiosos judaicos, mas não é assim o ensinamento de E.G.W. Jo. 5.5-6Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? Segundo o relato bíblico este episódio aconteceu em um dia de sábado.

Jo. 5.9-10 Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado. Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito.” Reparem agora na declaração de E.G.W  “Por tal forma haviam os judeus pervertido a lei, que a tornavam um jugo de servidão. Suas exigências destituídas de significado eram um provérbio entre as nações. Especialmente havia o sábado sido cercado de toda casta de restrições destituídas de senso”... “Os eacribas e fariseus lhes tinham tornado a observância intolerável fardo.”  O Desejado de Todas as Nações pág. 204 

“Ele viera para libertar o sábado daquelas enfadonhas exigências que o haviam tornado uma maldição em vez de benção.” O Desejado de Todas as nações pág. 206. Os versos bíblicos lidos acima, de Jeremias e de Êxodo nos mostra que não foi os fariseus ou qualquer outro líder religioso judaico que sancionou essas leis, a proibição em carregar qualquer carga dentro de Jerusalém no dia de sábado não veio deles; por isso disse que o argumento de E.G.W é um argumento inválido digno de uma escritora e não de uma profetiza da parte de Deus.

Vejam a resposta dos judeus para aquele que fora curado: Jo. 5.10Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito.” Dentro do contexto judaico os líderes religiosos estavam seguindo a risca aquilo que era determinado pela lei, não importando se tal determinação era ou não destituído de espiritualidade. O problema de E.G.W é que ela mesma faz aquilo que condena, ou seja, julga mau os líderes dos dias de Cristo, devido a observância do sábado requerida pela lei judaica, e ela procede da mesma forma com o mesmo mandamento.

A terceira questão encontra-se no mesmo livro, e ela falha mais uma vez. Reparem: “Enquanto Jesus estava preparando os discípulos para a sua ordenação, um que não fora chamado se esforçou para ser contado entre eles. Foi Judas Iscariotes, que professava ser seguidos de Cristo. Adiantou-se então, solicitando um lugar nesse círculo mais intimo de discípulos. Com grande veemência e aparente sinceridade, declarou: “Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.” Jesus nem repeliu, nem o acolheu com mostras de agrado, mas proferiu apenas as tristes palavras: “As raposas têm covis, e as aves do céu ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. O Desejado de Todas as nações, pág. 292.

Mt. 8.19-20 “Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” A bíblia não diz que era Judas a pessoa que se ofereceu para seguir Jesus, diz apenas que era um escriba. Diz também que foi sim Jesus quem escolheu a Judas para ser um de seus discípulos. Jo. 6.70Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo.”

“A quarta questão também sobre Judas ela diz: Judas viu que suas súplicas eram em vão e precipitou-se da sala”... ...”Ao passarem por local retirado, viram ao pé de uma árvore, sem vida, o corpo de Judas. Era uma cena horripilante. Seu peso rompera a corda em que se pendurava à árvore. Ao cair rebentara-se-lhe terrivelmente o corpo, e cães estavam agora devorando”. O Desejado de Todas as Nações, pág. 722.

Mt. 27.3-5 “Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.”

A bíblia diz apenas que Judas saiu e enforcou-se, não diz que foi comido por cães. Estas declarações de E.G.W foram apenas uma tentativa de tentar “colorir” os escritos bíblicos ou uma revelação detalhada de acontecimentos distantes? Estas comparações ainda que revelem contradições contundentes reforçam a sua posição de profetiza ou joga por terra tal alegação?   



Evandro.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Autonomia religiosa versos lei da liberdade.

Is. 45.22 (Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.) Nos dias atuais percebemos uma inversão deste ensinamento, o verso nos recomenda a olharmos para Deus, o qual nos garante se assim procedermos nos salvará. Sabemos também que o olhar salvífico descrito pelo verso é embasar a vida nos ensinamentos exemplificados nos evangelhos, baseado no ensinamento cristão só chegaremos a Deus por meio de Cristo, Jo. 14.6 (Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.)

A inversão dita acima ganhou força no meio do cristianismo devido ao desvio do olhar de muitos os quais se intitulam cristãos. O que tem acontecido? Quando alguém professa a fé nos ensinos da bíblia e desvia a sua vista dos ensinamentos contidos nela, naturalmente a sua visão é direcionada em outra direção, e este novo objeto de contemplação são os padrões ditados pelo mundo, neste tópico não me dirijo a ateus céticos ou irreligiosos, portanto, para os religiosos a palavra mundo é um antagonismo de espiritualidade.

O problema passa a surgir quando percebemos que ao desviar o olhar de Deus e da sua palavra passamos a olhar para outro deus estranho; o verso diz: olhai para mim e sede salvos... o olhar para Deus por meio de Cristo segundo o NT. é sinônimo de salvação, já o oposto é falta da mesma, ao desobedecer a palavra “desviando o olhar” dos ensinamentos de Deus estamos automaticamente focando em outros deuses. 1ª Jo. 2.15 (Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.)

Em se tratando de religiosidade acredito que o domínio maior exercido pelo mundo se dá através do ensinamento da tão desejada autonomia humana, este ensinamento contrasta por demais com a liberdade a qual Cristo nos propôs, Tg. 1.25 (Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.)

Por liberdade me refiro a lei do espírito e por espírito me refiro ao nascido de novo e nascido de novo não significa alguém que não peque, mas sim aquele que compreende que liberdade é não praticar o que é condenável, portanto a lei da liberdade não é um manual contendo 613 leis, muitas das quais baseadas em cerimonias, mas sim unido com Cristo restringir aquilo que é contrário a vontade de Deus.

O verso de 1ª João 2.15 nos informa que o amor ou a prática do mundo está em desacordo com Deus e a sua palavra; o que dizer da autonomia religiosa? A palavra autonomia vem do prefixo auto e da raiz nomos; auto significa por si próprio, um automóvel é alguma coisa que se move por si próprio; já a raiz nomos é a palavra grega para lei, sendo assim a palavra autonomia significa “lei própria”.

Este é um padrão estipulado pelo mundo e muito bem aceito por uma grande e esmagadora parcela daqueles que se dizem cristãos, ser independente, lei própria para si, isso contrasta grandemente com a lei da liberdade. Ao contrário dos padrões estipulados pelo mundo, e baseado na bíblia, ter liberdade não é ser autônomo.

A própria palavra “lei” da liberdade por si só restringe a autonomia, o problema do modelo autônomo é que ele dá uma sensação de auto suficiência e independência, tanto de Deus, quanto da unidade entre os irmãos. Um exemplo de unidade da igreja primitiva se encontra em At. 2.44 (Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.) Naturalmente eles estavam juntos pelo fato de terem uma crença em comum, e essa coletividade contrasta e muito com o modelo individualista deste século, modelo este criado pelo autonomismo apóstata. O modelo autônomo não pode funcionar na igreja de Cristo, por igreja me refiro ao grupo de pessoas que declaram a crença bíblica em comum.

Jo. 17.21 (Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.) Naturalmente Jesus não estava falando de uma unidade ontológica, mas sim de uma unidade de crença de aceitação de comunidade. 1ª Co. 1.10 (Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer.)

As palavras do verso acima “todos uma mesma coisa” tem criado um repudio no meio cristão, foi a intenção de Paulo promover uma subserviência cega? Lógico que não, a lei da liberdade nos permite questionar, debater e mesmo rejeitar, acredito que ao dizer (todos a mesma coisa) Paulo enfatizou a crença comum dos seus dias, porém, o que tem contribuído para os debates intermináveis são os dogmas e as doutrinas pós apostólica.

Portanto, temos alguns modelos a serem comparados e entre eles estão: a lei da liberdade, aquela que regula o comportamento religioso cristão, o autonomismo religioso um pensamento que vem ganhando forças e adeptos, mesmo no meio religioso; e a libertinagem algo mais apropriado para quem rejeita um comportamento moral. Tg. 2.12 (Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade.)

Os adeptos da lei da liberdade por sua conduta restringem a libertinagem e do mesmo jeito trabalham com o intuito em fortalecer a unidade, rejeitando assim o autonomismo religioso. Ao desviar a conduta aderindo o autonomismo tal pessoa será responsabilizada e julgada pela lei da liberdade, Rm. 14.7 (Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.)

Alguns adeptos do autonomismo religiosos poderão dizer que os mundanos estão em vantagem, pois podem viver do jeito que quiserem. Na verdade todos podem viver do jeito que quiserem, no entanto não é a negação da existência de Deus por parte do ateu ou mesmo do mundano ou mesmo do religioso autônomo que o isentará de suas responsabilidades. Alguém pode rejeitar a Deus e escarnecer de sua palavra por toda a sua vida, porém isso não irá lhe garantir ser isentado dos juízos de Deus que lhe sobrevirão, pelo contrário.


Rm. 14.11-12 (Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus.De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.) Ec. 2.14 (Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; também, então, entendi eu que o mesmo lhes sucede a todos.) Assim sendo, convém mantermos os nossos olhos (mente) em Deus e na sua palavra, somente assim estaremos negando o autonomismo o qual leva inevitavelmente a apostasia.

Evandro.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sentido, valor e propósito.

Atualmente várias pessoas ao redor do mundo tomaram uma atitude radical de ser ateu, por ateu me refiro àquelas pessoas que aboliram ou querem abolir Deus de suas vidas, e se possível de outros também. E isso  é devido há vários fatores: emocional, psicológico, ignorância e falsa intelectualidade. E pensando nesta questão me deparei com o excelente argumento do Dr. William Lane Craig o qual com maestria expõe três questões pertinentes a nossa existência que joga por terra a visão ateísta.

2ª Ts. 2. 1-5 (Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.)

Não está em questão neste tópico se os versos acima aconteceram ou não, mas sim o fato da semelhança descrita encontrada nos dias atuais. Acredito piamente que o mundo em um futuro breve irá promulgar leis que tentarão abolir Deus, e quando digo Deus me refiro ao criador do universo. Alguns filósofos ateus disseram que se Deus não existe a vida é um absurdo, contudo nenhum deles provou que Deus existe, antes concluíram que a vida é realmente um absurdo.

Talvez seja aí que o tiro dos ateus sai pela culatra. Primeiramente temos que entender três questões muito interessantes, e são elas: SENTIDO, VALOR E PROPÓSITO. O sentido tem a ver com importância, o porquê de algo importar. O valor tem a ver com o bem e o mal o certo e o errado. Propósito tem a ver com uma meta, uma razão para algo.

O que os ateus não sabem é que se Deus não existir, então sentido valor e propósito são, em última analise meras ilusões humanas. São coisas que só existem na nossa cabeça. Se o ateísmo for verdade, então a vida de fato é objetivamente sem sentido, sem valor e sem propósito, a despeito das crenças que possamos ter em contrário.

Rm. 5.12 (Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.) Se Deus não existir tanto o homem quanto o universo estão inevitavelmente fadados à morte. O homem como todos os demais organismos biológicos irão morrer um dia. Sem a esperança da imortalidade, a vida humana caminha apenas para a cova. Embora eu saiba que existo, e que estou vivo, também sei que irei morrer.

Essa ideia é atordoante e ameaçadora, pensar que a pessoa que chamo de mim mesmo deixará de existir e não mais será. Sartre disse uma vez que “uma vez perdida a eternidade, não faz muita diferença se isso demora muitas horas ou muitos anos. Se como dizem os ateus que Deus não existe logo vivemos um curto espaço de tempo simplesmente condenados a morte. Isso significa que a própria vida se torna algo absurdo, sem sentido valor ou propósito.

Ec. 2. 11 (Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol.) SEM SENTIDO ÚLTIMO. Se toda deixa de existir quando morre, então, que sentido último  há de viver? Será que faz alguma diferença no final ter ou não existido? Com certeza a vida de uma pessoa pode ser importante em relação a certos acontecimentos, mas qual o sentido último desses acontecimentos? Somente a declaração do verso lido anteriormente, esforço inútil. Se tudo está fadado a acabar, então o que importa o fato de alguém ter tido alguma influência sobre determinados acontecimentos? Em última análise isso não tem a menor importância. A humanidade, portanto, não tem mais sentido do que um enxame de mosquitos ou um punhado de porcos, pois o final de todos é o mesmo.

De um modo bíblico a perspectiva do ateu pode ser vista no verso a seguir, Is. 26.14 (Mortos não tornarão a viver, sombras não ressuscitam; por isso, os castigaste, e destruíste, e lhes fizeste perecer toda a memória.) Sendo assim as contribuições da medicina, para aliviar a dor e o sofrimento o crescente desenvolvimento tecnológico, e tantas outras contribuições, não resultará em nada, e esse é o horror do homem moderno.

Todos indistintamente gostariam de viver para sempre mesmo os ateus. Mas é importante ressaltar que o homem precisa mais do que imortalidade para sua vida fazer sentido. A mera duração da existência não faz com que ela tenha sentido, ainda que a raça humana e o universo pudessem existir para sempre, se Deus não existisse, a existência continuaria a não ter um sentido último.

Uma estória de ficção cientifica retrata bem essa realidade, conta que um astronauta foi abandonado em um pedaço de rocha no espaço e deixaram com ele dois frascos, um de veneno e o outro com a poção da vida eterna. Ao perceber o futuro que o aguardava ele tomou o frasco de veneno, mas para o seu horror ele percebeu que tomou o frasco errado e agora viveria para sempre, isso significava que ele estava condenado a viver eternamente uma vida sem sentido.

Ora , se Deus não existir, nossas vidas são como a desse astronauta. Poderíamos viver para sempre e ainda assim vivermos uma vida completamente sem sentido, mesmo se fossemos eternos perguntaríamos para a vida, e dai? Portanto o homem não precisa apenas da imortalidade para que haja um sentido último para viver: ele precisa de Deus e da imortalidade. Mas se Deus não existir logo ele não tem uma coisa nem outra.

SEM VALOR ÚLTIMO. Gl. 5.14 (Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.) Se a vida termina no túmulo, então não faz a menor diferença se praticamos o bem ou o mal e a orientação bíblica para o bem se torna irrelevante. Uma vez que o nosso destino não tem qualquer relação com o nosso comportamento, podemos viver como bem entender, como disse um filósofo certa vez: “se a imortalidade não existe então tudo é permitido”.

Sendo assim não há nenhuma razão objetiva para que o homem tenha moral, a menos que a moralidade traga recompensa para a sua vida. E este é o pensamento que está tomando conta das mentes da atualidade, percebe-se claramente como a sociedade está abolindo os valores, naturalmente tudo isso é baseado na instigação ateísmo de viver no mundo. Mediante isso, mesmo deixando de lado a imortalidade, se Deus não existir então não há padrão objetivo de certo e errado.

Afinal de contas, segundo a visão do ateísmo, não há nada de especial nos seres humanos, somos meros subprodutos acidentais da natureza, que de forma relativa evoluímos recentemente sobre o planeta terra. Em um mundo sem Deus quem pode dizer quais valores são certos e quais são errados? Neste mundo não existe certo e errado, somente nossos juízos particular. Sendo assim o ateísta não pode condenara a guerra, a opressão, e os crimes em todas as suas formas. Matar ou amar alguém são coisas moralmente equivalentes, pois em um universo sem Deus, não há bem nem mal; há apenas a realidade nua e crua, a realidade sem valor da existência, e não há ninguém para dizer se isto é certo ou errado. Isso retrata bem o que está escrito em Sl. 14. 1(Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem.)

SEM PROPÓSITO ÚLTIMO. Se a morte nos espera de braços abertos no fim da estrada, qual o propósito último de se viver? Fazemos tudo isso para nada? Não há uma razão para a vida? Se Deus não existir então este é o resultado, não há esperança e nem propósito, se Deus não existir a nossa diferença para os animais é nenhuma conforme Ec. 3. 19-20 (Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.)


O ateísmo é deprimente, pois a riqueza, o prazer a instrução a honra e a fama política não passam de futilidade, mais que isso mesmo que a vida não terminasse com a morte, sem Deus a vida ainda careceria de propósito. Pois o ser humano e o universo seriam apenas meros acidentes do acaso trazidos a existência sem nenhuma razão. Portanto se Deus não existe, isso significa que o ser humano e o universo existem sem um propósito, uma vez que o fim de tudo é a morte.   

domingo, 20 de dezembro de 2015

Enfim mais um ano, afinal, progredimos ou regredimos?

Baseado no calendário gregoriano estamos findando mais um ano, e o que podemos dizer acerca disso? Naturalmente todos nós que sobrevivemos, que ultrapassamos os obstáculos que o contexto nos impôs, temos motivos de sobra para agradecer. Ao findarmos esses 365 dias (se de fato isso se concretizar) podemos bradar fortemente, vencemos! E isso é bom e louvável.

Lamentavelmente os cristãos de nossa era têm uma mentalidade muito materialista acerca da realidade que nos rodeia, ou daquilo o qual professamos crer. Sim, concordo plenamente, devemos ser gratos pelo fato de vivermos mais um ano, mas o que dizer da espiritualidade? Houve um crescente ou um regresso?

Festejar por mais um ano vencido, ótimo! Por mais uma conquista adquirida, por mais um projeto realizado, melhor ainda. Mas, e a nossa vida espiritual, progredimos? Com esta postagem não anelo ser (figuradamente) tutor de ninguém, isso pelo fato de ser falho e pecador, no entanto, ela tem como objetivo fazer uma analogia entre tudo àquilo que adquirimos ou perdemos no decorrer deste ano civil o qual está se findando, contrastado com alguns versos bíblicos, principalmente encontrados no NT.

Digo isso para todos que se intitulam cristãos, no final da mesma veremos que a despeito de termos realizados todos os projetos, de termos escapados ilesos, de termos adquiridos, vendido e prosperado ou mesmo perdido e fracassado veremos, no entanto que quase sem exceção regredimos na espiritualidade. Existem algumas denominações cristãs as quais inclusive estão ganhando forças ensinando a prática do materialismo, ou seja, se você é cristão então você tem quer ser próspero, isso pelo fato de associarem prosperidade material com bênçãos oriundas de Deus.

O crescimento de tais denominações se dá basicamente pelo fato dos seus líderes terem posto o “dedo na ferida” em outras palavras os líderes estimulam o que o povo anela. Fato é que tal ensinamento e pensamento não encontram respaldo na bíblia. Pelo contrário, Mt. 13.7 (Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.) É interessante o relato de Jesus nesta parábola, o fato dele associar a prosperidade material com os espinhos, Mt. 13.22 (O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.)

Mais alguém pode objetar: “não é Deus que nos dá todas as coisas? Segundo o ensinamento bíblico é exatamente isso, o mesmo ensinamento bíblico também nos adverte a não pormos a nossa confiança na riqueza e nos mostra que elas não são fontes de bençãos primária. Sl. 62.10 (Não confieis naquilo que extorquis, nem vos vanglorieis na rapina; se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração.)

Existe pecado em ser rico? Absolutamente. O problema não está na riqueza em si, mas sim nos resultados que ela exige e produz. O próprio Jesus nos diz (o verso acima) a fascinação das riquezas sufocam a palavra, lógico, estamos falando aqui para pessoas que de alguma forma se importam com a bíblia e que principalmente acreditam nela como sendo a palavra de Deus, não se discute o pensamento do ateu ou do incrédulo a esse respeito. 

Por outro lado o oposto também é uma realidade, as derrotas a escassez, as doenças e tragédias em geral minam quase que completamente a fé de uma pessoa. O pensamento bíblico por outro lado enfatiza o revés como um sinal de crescimento espiritual, naturalmente a sociedade do século 21 não pensa desse jeito. At. 14.22 (fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.) Tg. 1.12 (Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.)

Naturalmente a pobreza extrema e as provações também dificultam o crescimento espiritual das pessoas da atualidade, baseado ao menos em dois motivos: (1) vivemos e presenciamos uma sociedade capitalista, (2) o fato de alguém ser menos próspero “sufoca a palavra” é o mesmo princípio da parábola do semeador, muitos começam a medir prosperidade e fazer comparações, os cuidados do mundo (algo desnecessário em minha visão).

O fato é que as duas partes, tanto a riqueza quanto a pobreza degeneram o crescimento espiritual, os ricos é claro que tem suas exceções passam a ser arrogantes e orgulhosos, ao passo que a pobreza faz com que uma pessoa se torne menos favorecida e comece a fazer indagações a qual derruba a sua alto estima, prejudicando a sua espiritualidade.

É neste sentido onde disse acima que a despeito de como conseguimos sobreviver mais este ano não prosperamos espiritualmente, muitos poderão dizer: “ fui a igreja o ano inteiro, participei disso e daquilo”. A questão principal é: o que ocupou a minha mente no decorrer deste ano? Sobressaiu a espiritualidade ou não? Ou mais precisamente, como tenho reagido as diversas situações que surgiram neste ano que está se findando? Tem elas tomado conta do meu pensamento?  

Se sim, não importa se escapamos ilesos, se fizemos um bom negocio, ou mesmo se a escassez dominou o ano inteiro, não houve crescimento espiritual. Olhando de uma forma bem humana sabemos lidar melhor com a prosperidade do que com a escassez, a escassez não desnutre somente o físico aniquila também a mente e consequentemente a espiritualidade. Por outro lado a prosperidade muitas das vezes torna a pessoa “inchada” de um modo figurado, não necessitando de mais nada.

Se os opostos são prejudiciais, se ambas, riqueza e pobreza inibem o crescimento espiritual, baseado no ensino bíblico de que os “cuidados do mundo” aniquilam ou sufocam a palavra, neste caso espiritualidade, fica evidente que o problema está na mente do ser humano, ora, se nenhuma das opções são favoráveis ao crescimento espiritual logo percebe-se que a causa degradante não está na questão externa e sim na mente do ser humano a qual está afastada de Deus.

Me refiro baseado no ensino bíblico da necessidade de um nascimento e um consequente crescimento espiritual. A sociedade atual tem demonstrado com os seus afazeres que o importante ou o existente ou mesmo o necessário é somente o físico, a natureza humana e nada mais, atestam eles, contrastando com isso e é claro me dirijo a cristãos, somos informados pela bíblia que apesar de sermos seres palpáveis, temos uma natureza espiritual que necessita crescer, a qual facilmente pode ser sufocada.     

A grande questão é: o que fazer? Ou como fazer. Parece-me que a sociedade do primeiro século estava mais apta a responder esta questão, ou será que alguns cresceram em sua vida espiritual de uma forma que não conseguimos acompanhar? Fl. 4.12 (Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.)

O verso nos mostra que as situações adversas independentes de como ocorriam não sufocavam a espiritualidade de Paulo e outros, sendo assim isto confirma a minha tese, nem riqueza nem pobreza são problema em si, mas sim  a mente secularizada que atrofia a espiritualidade. O que fazer para reverter tal situação? Acredito que orar, preencher a mente com questões espirituais e exercitar os ensinamentos bíblicos, questões nada fáceis para nós que vivemos no século 21, mas acredito também não ser algo impossível.      

Um feliz ano novo a todos.

Evandro.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Distinção entre juízo local e volta de Jesus.

A bíblia é clara em dizer que os seguidores de Jesus acreditavam que o seu retorno seria em breve. At. 1.6 (Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?) Observa-se no entanto que Jesus não tentou refutar tal pensamento, antes, não precisou uma data, não disse que o reino visível de Deus estava longe nem perto. At. 1.7 (E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.)

Sendo assim, acredito no fato de que os discípulos acreditavam e ensinavam sobre o iminente retorno de Jesus Cristo, acreditar que eles esperavam o reino de Deus para um futuro distante, algo com dois mil anos ou mais não faz sentido. O pensamento da breve volta de Jesus faz parte de qualquer seguidor comprometido com o retorno de Cristo, ou seja, acreditar que em sua época ou em um período breve posterior Jesus voltará, não há nada de errado nisso, no entanto isso não garante que Jesus retornará naquele período.

Algo que não podemos deixar passar despercebido é o fato de que todos os seguidores de Jesus aguardavam o reino de Deus, porém eles aguardavam um reino visível onde o próprio Cristo iria reinar, acreditar que Jesus estabeleceu o reino de Deus usando para isso o império romano é um tanto temerário. Tal pensamento serve somente para coadunar a ideia e o ensinamento de que os discípulos disseram que a volta de Jesus era iminente e que o tempo estava próximo e etc.

Pois bem, segue então as premissas e sua conclusão: (1) Jesus voltará para estabelecer o reino. (2) O reino não foi estabelecido. (3) Logo, Jesus não voltou. 

Se já no primeiro século era chegado o reino de Deus não podemos entender como o reino de Deus foi estabelecido sem o retorno de Jesus, mesmo porque o reino o qual esperavam os discípulos era um reino físico que passaria de nação para nação e consequentemente encheria a terra.  

A crença judaica do reino de Deus é baseada no seu estabelecimento literal sobre a terra, Dn. 7.27 (O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.) Os primeiros seguidores no NT. Mantiveram a crença e para eles esse reino seria estabelecido a qualquer momento por Jesus.

Segundo o NT. precisamos distinguir a crença dos discípulos na vinda de Cristo e o estabelecimento do reino, de um juízo iminente para os judeus daqueles dias. O preterismo afirma que o reino de Deus foi estabelecido quando os romanos destruíram Jerusalém no ano 70 dC. Mas, se fizermos uma analise até mesmo superficial de algumas passagens no NT. Veremos uma tremenda distinção entre retorno de Jesus e estabelecimento do reino de Deus e o juízo sobre os incrédulos judeus daqueles dias.

1ª Ts. 1.10 (E para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.) É desnecessário eu dizer que as cartas tinham como primazia a igreja a qual era dedicada, portanto 1ª e 2ª Tessalonicenses foram direcionadas para as igrejas daquela região. No verso acima descrito Paulo estava querendo dizer o que realmente? Acredito piamente que o seu foco era o ensinamento da vinda literal de Jesus.

1ª Ts. 4.14-17 (Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.)

Alegam o fato de Paulo ter dito que estaria vivo por ocasião da volta de Jesus, e que encontraria com ele nos ares, isso é garantia para afirmarem que “Jesus já voltou” em 70 dC. Acredito que a linguagem de Paulo era de um homem sensato que aguardava o reino e que sobretudo estava vivo naquele momento, pois de maneira nenhuma ele poderia dizer que seria ressuscitado dos mortos, para isso ele precisava estar morto, mas como morto não fala, então ele se utilizou de uma linguagem óbvia que os vivos pudessem compreender.

Segue então a questão: (1) A trombeta de Deus não ressoou. (2) Os mortos em Cristo não ressuscitaram. (3) Portanto, Jesus não voltou. (4)  E a conclusão óbvia é: se Jesus não voltou o reino não foi estabelecido.

Outra questão importante se dá no fato de Paulo apesar de direcionar os seus ensinamentos para judeus distantes de Jerusalém no caso, Tessalônica entre outros, nos mostra que os “judeus estrangeiros” não provaram do desgosto físico que se abateu sobre os judeus de Jerusalém, portanto mesmo que forcemos a interpretação de que a destruição de Jerusalém “foi a volta de Jesus” todos os judeus dispersos inclusive os gentios não viram os juízos de Deus.

E porque não viram o juízo de Deus? Pelo simples fato de o juízo de Deus ter sido local, direcionado a um povo, e Deus se valeu das mão humanas(os romanos) e não uma ação direta (estabelecimento do reino). E os seguidores de Cristo distinguiam isso claramente, 1ª Ts. 2.14-16 (Tanto é assim, irmãos, que vos tornastes imitadores das igrejas de Deus existentes na Judéia em Cristo Jesus; porque também padecestes, da parte dos vossos patrícios, as mesmas coisas que eles, por sua vez sofreram dos judeus, os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles, definitivamente.)

Observe que apesar de dizer que o juízo estava se abatendo sobre os incrédulos judeus de Jerusalém nada disse a respeito do reino de Deus ser estabelecido. Portanto os discípulos fizeram uma clara distinção entre juízo de Deus sobre uma nação e o retorno de Jesus. 1ª Pe. 4.7 (Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.)

Acreditam os preteristas que este verso reforça a sua causa, no entanto o fato de Pedro ter dito que o fim de todas as coisas estava próximo e isso nos seus dias, não significa necessariamente que Jesus tenha voltado nos seus dias. A julgar pelo contexto o fim de todas as coisas bem poderia ser todas as coisas em Jerusalém, sim lógico, fato é que todas as coisas permanecem.

Apesar de ter sido destruída mesmo Jerusalém ainda permanece, isso significa que não foi um fim escatológico. A palavra eggizo que é traduzida para próximo encontrada no verso acima não quer dizer algo iminente, antes significa aproximar-se, juntar uma coisa a outra, chegar perto.

No final do capítulo 4 mais precisamente no verso 17 Pedro diz que a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada, lógico isso nos seus dias. (Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?) Percebe-se claramente uma distinção entre Juízo pela casa de Deus ou Jerusalém e seu templo e volta de Jesus em poder e glória, são acontecimentos distintos, em épocas distintas.

Evandro.