sábado, 11 de maio de 2013

Semelhanças entre o pecado e o diabo.



É dito que o diabo popular é um ser sobrenatural que tem o poder de escravizar o ser humano. Porém, algumas passagens no livro de romanos nos mostram que quem nos escraviza é o pecado e não o diabo. Considere as seguintes passagens: Rm. 3.9. (Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado.) Rm. 6.1-2. (Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?)
        
Como sabemos o pecado é algo inerente ao ser humano, um “estilo de vida” universal, que tem um efeito maligno sobre todos indistintamente, e se manifesta em atos pecaminosos. Rm. 7.16 - 17. (Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.) Nestes dois versos a palavra pecado é usada para descrever os impulsos dentro do homem que o induzem a cometer atos pecaminosos.


A epístola aos Romanos não faz qualquer referência ao diabo, exceto o verso 20 do capítulo 16 que diz que em breve Deus esmagará a Satanás debaixo dos pés, mas o contexto anterior demonstra que não se trata de ser maligno, e sim de falsos crentes. O que vemos na realidade é que a epístola de romanos tem muito que dizer sobre o pecado, especialmente pecado no sentido de desejos humanos errados.

O mais interessante é que o que Romanos diz sobre o pecado, outras passagens do Novo Testamento dizem sobre o diabo. Estudando a bíblia podemos chegar à conclusão que o diabo é uma personificação dos desejos humanos errados. Paulo usa a palavra pecado neste sentido. Por isso a comparação é inevitável. A analogia que se segue é uma simples maneira de mostrar que o que Romanos diz sobre o pecado, outras passagens do Novo Testamento atribuem ao diabo e Satanás.

Em outras palavras o pecado e o Diabo são a mesma coisa. Vejam a comparação: Rm. 6.12. (Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões.) Tg. 4.7. (Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.) Percebemos que ambos devem ser resistidos.
     
Tanto o diabo quanto o pecado são Enganadores, Rm. 7.11, (Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou.) Ap. 12.9 (E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.) Ambos os versos nos mostram que, tanto o pecado quanto o diabo são chamados de enganadores.

Rm. 6.23. (porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.) Comparar com Hb. 2.14(Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.) Vejam que ambos são considerados como destruidores de vida
Ambos também são Destruídos pela morte de Cristo, Rm. 6.6. (sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.) Hb. 2.14.  (Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.)
                    
Ambos são chamados de Governantes e mestres, Rm. 5.21. (a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.) Rm. 6.16; (Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Lc. 11.18. (Se também Satanás estiver dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Isto, porque dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.)

A bíblia quer nos passar a ideia de que o maior adversário que o homem tem é Ele mesmo, em outras palavras a sua natureza pecaminosa, sujeita as paixões. Assim como o pecado personifica algo ou alguém, o mesmo acontece com o diabo, ao examinarmos os escritos bíblicos veremos que o diabo como um ser sobrenatural inimigo de Deus e do homem é apenas fruto da imaginação de um contexto e de uma época. Naturalmente os escritores bíblicos a utilizaram.              

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tiago 2.10 e os sabatistas.


Geralmente os adventistas e outros sabatistas perguntam aos cristãos se eles praticam os nove mandamentos do decálogo, por sua vez os outros cristãos respondem que sim. Então perguntam por que não guardam também o sábado do decálogo já que este faz parte do quarto mandamento da Lei, o que os outros respondem que o sábado não foi instituído para nós os cristãos.

Em cima disso os adventistas e sabatistas em geral contra-argumentam citando Tiago 2.10. (Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.) Este é o verso preferido dos sabatistas. Alegam então, que Tiago estaria falando da lei dos dez mandamentos, pois o verso 11 cita dois mandamentos do decálogo: Não adulterarás, e Não matarás. Tg. 2.11-12 (Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade.)
                                     
Dizem ainda que a “lei real” e a “lei da liberdade” faz referência ao decálogo. Pois bem, vamos analisar e ver se de fato possui base sólida tal afirmação. Antes de tudo é bom salientar que Tiago cita mandamentos que estão fora do decálogo e que se encontram no livro da lei, cujo conteúdo os adventistas e sabatistas dizem ser cerimonial: Tg. 2.8. (Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.) Se o fato de Tiago citar mandamentos do decálogo implica que a lei ai é somente a do decálogo, também podemos dizer que ele está então falando de toda a lei, pois cita um mandamento que se encontra no livro de Levítico cujo conteúdo é da lei cerimonial. Lv. 19.18. (Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.)


Eis as razões porque que Tiago está se referindo a toda a lei e não somente ao decálogo: (1). Os judeus não dividiam a lei em moral e cerimonial, a lei era uma só, algo que os sabatistas modernos têm o péssimo habito de fazer. (2) Tiago era líder da igreja em Jerusalém, Gl. 2.9 (E, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão.)
         
Esta igreja era composta por judeus convertidos, mas que ainda guardavam a lei mosaica sem nenhum prejuízo. Veja o perfil teológico do rol de membros da igreja de Tiago em At. 10.45. (E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo.) At.15.5. (Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés.)
              
 At. 21.18-22. (No dia seguinte, Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbíteros se reuniram. E, tendo-os saudado, contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério. Ouvindo-o, deram eles glória a Deus e lhe disseram: Bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da lei; e foram informados a teu respeito que ensinas todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da lei. Que se há de fazer, pois? Certamente saberão da tua chegada.)

Qual lei era essa? Estaria Tiago falando da lei moral, apenas dos dez mandamentos? Não. Vamos prosseguir na leitura e ver que tipo de lei a igreja de que Tiago pertencia obedecia: A mesma acusação foi apresentada contra Estevão em At. 6.14. (Porque o temos ouvido dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu.) Que costumes eram estes? 

Porventura eram costumes da lei moral ou da lei cerimonial? Tiago nos dá a resposta pelo pedido que ele faz a Paulo, vejamos: At. 21. 23-24 (Faze, portanto, o que te vamos dizer: estão entre nós quatro homens que, voluntariamente, aceitaram voto; toma-os, purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça; e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo contrário, andas também, tu mesmo, guardando a lei.)
           
Qual lei era esta que Paulo precisava provar aos judeus que guardava? Era a lei moral ou a chamada lei cerimonial? At. 21.26 (Então, Paulo, tomando aqueles homens, no dia seguinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo, acertando o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de cada um deles.)


Os líderes da igreja de Jerusalém e especificamente Tiago, queriam que Paulo, de modo prático, desmentisse a notícia de que ele dissuadia os cristãos judeus de guardar a lei e de circuncidar os filhos At. 16.3. (Quis Paulo que ele fosse em sua companhia e, por isso, circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois todos sabiam que seu pai era grego.)

Paulo, até onde podemos ver, continuou a observar a lei e isso fez enquanto viveu, especialmente na companhia de judeus, e sua aquiescência no conselho de Tiago, nessa ocasião, participando da cerimônia de purificação de quatro homens que haviam tomado voto temporário de nazireu, e pagando as respectivas despesas, estava em perfeita concordância com o princípio por ele estabelecido.

1ª Co. 9.20. (Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei.) Podemos comparar isto com o voto por ele mesmo tomado, os costumes isto é, os ensinamentos que eram determinados na lei judaica, “recebidos de Moisés por tradição” Gl. 1.14.   (E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.)
     
Faze por eles as despesas... Sobre a natureza de tais despesas veja, Nm 6.14-15-19. Isto posto, concluímos que: A igreja de Tiago era composta por judeus convertidos zelosos da lei, e dos costumes da lei mosaica. Estes judeus guardavam a lei da purificação, circuncisão, voto, sábado, frequentavam o templo etc. Tiago em nenhum momento condena a prática desta lei de Moisés. Pelo contrário, pede para Paulo se enquadrar na fé da igreja judaica naquelas circunstancias de perigo iminente.

Ele nunca divide a lei em duas, nem mesmo as denominas lei moral e lei cerimonial. Com este pano de fundo do contexto histórico, podemos entender agora a carta de Tiago e o que ele quis dizer com a expressão “guardar toda a lei” em Tiago 2.10.

Tiago foi bispo da primeira igreja judaico-cristã da história, onde ainda não havia se convertido nenhum gentio. Veja que mesmo Pedro teve dificuldades em explicar aqueles irmãos sua pregação a um gentio do grupo dos “tementes a Deus” At. 11.2-3. (Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o arguiram  dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles...) A epístola de Tiago é considerada uma das mais antigas do NT. Os críticos colocam sua data entre 46 e 60 d.C. bem nos primórdios do cristianismo.

Esta carta foi endereçada não a gentios, mas a judeus convertidos é o que se depreende da introdução que Tiago faz; Tg. 1.1 (Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações.) Tiago 2.2 usa até mesmo a palavra sinagoga para a reunião dos cristãos. (Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso.)

Veja que ele chama a igreja pelo costume nacional judaico. Isto mostra sem sombra de dúvida que o pensamento teológico de Tiago e de sua igreja, contida nesta epístola, era perfeitamente compreensível para aqueles judeus cristãos dispersos. Então quando Tiago fala de guardar “toda a lei” está falando da lei inteira e não de uma parte dela apenas. Não está ai falando do decálogo que os adventistas e sabatistas chamam de lei moral. Este tipo de linguagem era desconhecida da mentalidade da igreja judaica na qual Tiago presidia.

Disto concluímos, quanto aos mandamentos, que quem despreza uns e pratica outros, a si mesmo constitui transgressor, como o disseram Paulo e Tiago. É bom recordar o que eles falaram sobre o assunto: Paulo; Gl. 3.10, (Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.
     
Tiago; Tg. 2.10 (Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.) Essas duas citações são perfeitamente idênticas em seu sentido. Os dois escritores disseram a mesma coisa com palavras diferentes.

Agora veja você que é guardador do sábado, mas não deixa se circuncidar, tosquiar-se ou purificar-se, sacrificar e etc. que também é da mesma lei, como pode deixar de ser transgressor da lei? Relembrando ainda que a lei citada não é o decálogo apenas, mas todo o sistema do judaísmo. Se os adventistas e sabatistas quiserem se socorrer neste verso citado terão que guardar toda a lei. Se não o fazem, eles são, os que mais incorrem neste pecado. Não há para onde fugir!

domingo, 21 de abril de 2013

Brasil, um País cristão...


Apesar de o Brasil ser um país predominantemente cristão, vemos no corpo doutrinário das instituições religiosas, ensinamentos que destoam grandemente da bíblia. Todos sabem ou deveriam saber que o cristianismo é uma religião que tem como base doutrinária a bíblia. Sendo assim pergunto: por que as religiões (denominações) ditas cristãs e mesmo as pessoas individualmente insistem em um cristianismo que não é bíblico?

Onde na bíblia ensina que Deus deve ser representado por amuletos e objetos de culto? Em lugar nenhum! Ao contrário, o que a bíblia diz: Ex. 20.4 (Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.) O que temos visto e presenciado é que muitos estão influenciados pelo paganismo, os povos pagãos da antiguidade tinham em mente que deveriam levar consigo amuletos e também fazer suas oferendas a Deus, com o intuito de aplacar a sua ira.

O ser humano como um ser físico necessita de um deus que possa ser tangível, na falta de uma imagem real de Deus passam a imaginar a deus como sendo qualquer coisa, uma das primeiras invenções para Deus foi dentro do cristianismo, imaginaram Deus como sendo um homem. Instituiram a Jesus Cristo como Deus, algo completamente estranho aos ensinamentos bíblicos, tudo isso com o objetivo de ter um Deus palpável. Vejam o contraste, o que o povo viu no monte Sinai que deu margem para fazerem um bezerro de fundição? Dt. 4.12 (Então, o Senhor vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência nenhuma.)

Reparem que o verso é enfático em dizer que o povo não viu absolutamente nada. Novamente o episódio ocorreu com o povo judeu pós êxodo, Deus os libertou do cativeiro, e como tentativa de “agradecimento” o que fizeram? Ex. 32.8 (E depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito.)

O mesmo ocorre atualmente, fizeram e fazem diversas imagens, tentando em vão representar a Deus, criaram com seus devaneios, meios pelos quais tentam provar que o corpo de Cristo pode ser comido, alegando que tal símbolo se transforma no corpo de Cristo, e com isto pecam. Sobre este assunto abro um parentese (se o corpo de Cristo se transforma em algo físico que pode ser literalmente comido, naturalmente ele deve ser digerido pelo sistema digestivo após isso o que irá ocorrer com ele? O pão ou a ceia ou o que restou dele o que não foi aproveitado pelo organismo será naturalmete expelido e lançado para um lugar escuso.

Deste modo é até blasfemo dizer que o corpo de Cristo literalmente se transforma a partir de um pedaço de pão). Fecho parentese. Com a iniciativa extra bíblica de inserir amuletos, imagens e tantas outras formas que tentam representar a Deus ou objeto de culto, as pessoas estão fazendo mais mal para sua vida espiritual do que bem. É bom lembrar que tradição religiosa acompanhada de longevidade da denominação não irá salvar ninguém, em outras palavras pertencer a essa ou aquela instituição religiosa não é passaporte para a vida eterna, muito menos quando essa destoa da realidade simples da bíblia, utilizando em seu lugar amuletos, imagens, rezas, imprecações e tradição.

O próprio povo de Deus da antiguidade, os judeus, foram inúmeras vezes reprovados por tentarem utilizar da tradição, ao invés das escrituras sagradas, um relato desse acontecimento está registrado no evangelho de Mateus, do qual podemos traçar um paralelo com a realidade que vemos na atualidade. Mt. 15.6-9 (E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.)

Tenho inúmeras vezes ouvido citações de líderes religiosos cristãos, dizem eles que qualquer pessoa ou instituição religiosa que não adere a determinados ensinamentos considerados por eles ortodoxo, não deve ser considerado cristão. Em minha análise, acredito que se o cristianismo aderiu a determinados ensinamentos o fez após um período de apostasia (negação da fé) instituído juntamente com ensinamentos pagãos carentes de apoios bíblicos. Onde na bíblia ensina que devemos ter um ídolo para representar a Deus ou anjo ou etc? Ao contrário 1ª Jo. 5.21 (Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.) A palavra grega “guardar” neste verso é  phulasso e entre outras coisas quer dizer: guardar a si mesmo de algo.

At. 15.20 (mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue.) Reparem que no princípio da igreja cristã era recomendado que os ídolos deveriam ser evitados, por que foi feito essa admoestação? Pelo fato já mencionado acima que nós seres humanos dependemos de algo real tangível para prestarmos culto, mediante isso os apóstolos recomendaram os seguidores a se absterem dos ídolos, que ídolos seriam estes? A palavra grega deste verso é eidolon que significa: uma imagem, uma réplica, qualquer coisa que representa a forma de um objeto, seja real ou imaginária.

Podemos destacar duas coisas interessantes (1) A permissão para se ter um ídolo não pode ter vindo dos apóstolos (2) O argumento que os ídolos da atualidade são apenas representativo não são válidos, pois viola diretamente os ensinamentos bíblicos, os quais ainda dizem: abstenham-se de qualquer coisa que representa a forma de Deus ou de Jesus Cristo, mesmo dos anjos e etc. Outro fato relevante é que a bíblia não diz que o ídolo o qual não deve ser feito e muito menos reverenciado ou representado não é uma imagem de Deus, mas sim de qualquer coisa que passa a ser objeto de culto. Em outras palavras ídolo é aquilo que toma o lugar da adoração espiritual, ou seja, um objeto visível que diretamente passa a ser o canal da minha adoração.


Jo. 4.24 (Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.) Em suma, Deus não pode ser representado, Deus não pode ser medido, Deus não pode ser comparado, Deus não precisa que imaginemos sua forma e aparência, Deus só pede que a nossa adoração seja espiritual, não representativa. Representações e cerimônias não salvam, não elevam e não enobrecem o espírito, precisamos ser transformados. Mas, por outro lado, todos os que estão satisfeitos com tais ensinamentos, não sou contra não faço campanha denominacional, nem mesmo proselitismo, antes, que vejam a luz da bíblia, não dos líderes, ainda que tenham eles as melhores das intenções, analisem a bíblia sem pré-conceitos estabelecidos e cristalizados. Tenho feito isso. 1ª Pe. 3.15 (antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A ceia do Senhor. II


Uma doutrina bíblica, só deve ser considerada doutrina quando ela for legitimamente bíblica. Usar da tradição e da mística como suporte doutrinário, é ir contra o que está escrito. Porém, a democracia deve imperar também na questão teológica, sendo assim, quem está feliz em sua denominação deve permanecer nela. Sou adepto ao diálogo teológico, avesso as agressões verbais. Outro fato é que uma doutrina bíblica deve estar abalizada em um contexto (todo o capítulo) e não em cima de insinuações, por exemplo, utilizar textos do capítulo seis de João para dar suporte à transformação do pão no corpo de Cristo é um erro teológico crasso, é ir além do que está escrito.

A doutrina bíblica só pode ser reconhecida quando esta estiver embasada em cima de um contexto. O que o contexto de João capítulo seis quer nos dizer? O contexto do capítulo nos mostra que Jesus estava chamando a atenção dos seus seguidores, isso pelo fato de muitos daqueles, estarem seguindo Jesus em busca do alimento físico, em outras palavras muita gente estava seguindo Jesus devido ao milagre que outrora Ele havia realizado. Mc. 6.35-38; 42-44 (Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram É deserto este lugar, e já avançada a hora; despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer. Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer. Todos comeram e se fartaram; e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.)

Jo. 6.22-26 (No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do mar notou que ali não havia senão um pequeno barco e que Jesus não embarcara nele com seus discípulos tendo estes partido sós. Entretanto, outros barquinhos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, tendo o Senhor dado graças. Quando, pois, viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura. E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram: Mestre, quando chegaste aqui? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.)

Com a resposta dada por Jesus está fixada a base para desvendarmos o que João capítulo seis está nos dizendo. Qual foi o assunto que desenvolveu após isto? Sobre o pão que eles comeram! Pois bem, o pão foi literal? Sim, matou a fome de milhares. Ele representava a ceia? O contexto não diz nem mesmo insinua isto. O contexto foi útil para Jesus, visto que Ele passou a utilizar do assunto, traçando um paralelo entre o maná que os judeus comeram no deserto e pereceram e o pão que da a vida eterna, com o objetivo de mostrar para o povo que eles deveriam buscar aquilo que era imperecível, não o pão físico o qual eles buscavam, mas aquele que foi dado por Deus para a vida eterna.

Muitos dirão: - então você concorda que Jesus é o pão da vida? Sim, a bíblia diz isso, só não diz que o pão da ceia se transforma no corpo de Cristo. Se admitirmos que comemos literalmente o corpo de Jesus naturalmente estaremos praticando o canibalismo, o capítulo seis de João está cheio de simbolismos, por exemplo: Jo. 6.35 (Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.) Este é o verdadeiro sentido de se alimentar de Cristo, ir a Ele, essa era a grande questão, o contexto estava relacionado ao alimento os judeus disseram- “nossos pais comeram do maná eles tiveram um grande sinal por meio de Moisés, por isso creram”. Após terem comido do pão, resultante do milagre de Jesus, os incrédulos procuravam ainda algum sinal. Jo. 6.30-31 (Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu. Por isso Jesus utilizou do mesmo para dirigir as palavras para os incrédulos que ora estavam ali. E neste contexto que entra o pão do céu, Jesus lhes respondeu:

(1) Não foi Moisés que realizou o milagre do maná, (2) Vossos pais comeram e morreram, (3) Vocês precisam de um pão que lhes de a vida eterna, (4) E Ele cabalmente lhes disse: Eu Sou este pão. Nada de místico pode ser encontrado nestas declarações, somente símbolos. A salvação não depende de comer ou não, até porque isso não garantiria salvação a ninguém, a salvação está explicitada nestas palavras de Jesus. Jo. 6.40 (De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Crer em Cristo é ser transformado por Ele envolve fé, rito e cerimônia não transformam ninguém. Alguns sendo persuadidos por Jesus disseram: Jo. 6.34 (Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão.) qual foi a resposta de Jesus? “Depois da minha morte Eu me transformarei em pão, então vocês poderão se alimentar de Mim” Não, não foi isso, Jo. 6.35 (Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.) Reparem que a fome espiritual termina quando vamos a Cristo e cremos nEle, este é o verdadeiro sentido de nutrirmos dEle.

Outra questão lógica que não podemos fugir é: (a) o contexto de João capítulo seis nada tem em comum com a ceia do Senhor, (b) se a transubstanciação fosse uma realidade teológica, bíblica, que espécie de pão Jesus e os apóstolos comeram antes da sua morte? Em outras palavras se o pão literalmente se transforma no corpo de Cristo, que tipo de pão Jesus e os discípulos comeram? João capítulo seis tem o seu enfoque em Jesus, aquele que nos da vida, contrastando o maná que os antigos comeram no deserto e pereceram.

Os incrédulos buscaram a Jesus com o objetivo primário, em se saciar fisicamente utilizando dos recursos provindos dos milagres (pão, peixe etc.) realizados por Jesus. A partir daí não entendendo que as palavras de Cristo eram espirituais, creram de forma literal que Jesus estava estimulando o canibalismo entre a nação, não creram em Cristo. Apesar de terem visto o milagre, pediram um sinal, disseram que Moisés havia realizado um sinal, ao qual Cristo contesta dizendo que o maná fora uma ação divina.

O fato de estarem procurando por comida (pão) e terem falado do maná, (pão) do céu, foi a oportunidade que Jesus teve para dar sequência ao assunto e dizer que eles precisavam de algo espiritual, em outras palavras precisavam de um alimento que lhes proporcionasse vida. Foi aí que entrou a analogia, (maná pão do céu, e Cristo pão do céu). Mas alguém poderá objetar dizendo: e o verso 51 de João 6? (Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.)

Realmente Jesus disse ser o pão, porém disse que suas palavras tinham um significado espiritual, Jo. 6.63 (O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.) De igual modo Jesus foi representado por um cordeiro, cordeiro este que era comido pelo povo Judeu, Ex. 12.5 (O cordeiro será sem defeito, macho de um ano...)  Ex. 12.46 (O cordeiro há de ser comido numa só casa; da sua carne não levareis fora da casa, nem lhe quebrareis osso nenhum.) Jo. 1.36 (e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Será que o povo de Deus do passado comeram literalmente a carne de Jesus? Jesus igualmente disse ser a porta, Jo. 10.9 (Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.) Também disse ser a luz, a estrela da manhã, o caminho, a pedra e etc.

Porém ninguém acredita que Jesus esteja falando de uma forma literal, sujeito ao rigor das palavras, todos sabem que era uma forma figurada de dizer. Por que então o pão deve ser literal? Não faz sentido. O próprio Cristo disse que devemos fazer em memória  dEle Lc. 22.19 (E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.) A palavra grega nesta passagem para memória é anamnesis e significa literalmente, lembrança, recordação.


      

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A ceia do Senhor.


A Ceia do Senhor ou santa ceia é uma ordenança bíblica assim como é o batismo. A ceia foi instituída por Cristo na véspera de Sua traição e crucificação. E por inspiração, Paulo o apostolo indicou que ela deve ser observada até Sua volta. (Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.)  1ª Co. 11.26.

Esta foi a ideia inicial da igreja, com simplicidade partir o pão, com o objetivo de reunir os irmão e testemunhar da morte, ressurreição e retorno de Jesus a terra. Porém, alguns querendo espiritualizar aquilo que deve ser entendido de uma forma literal disseram que o pão era o próprio corpo de Cristo materializado.

E no Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563 pela igreja católica confirmou-se a presença de Cristo na Eucaristia, o qual tem o nome de Transubstanciação que é a conjunção de duas palavras latinas: trans (além) e substantia (substância) que para a igreja católica significa a mudança da substância do pão e do vinho na substância do Corpo e sangue de Jesus Cristo no ato da consagração.

Isto significa que esta doutrina defende e acredita na presença real de Cristo na Eucaristia. Algo ensinado pela tradição, haja vista, que não existe um texto bíblico sequer que aponte para a transubstanciação, e se não existe tal ensinamento nas escrituras, como crer então?

Dentro do protestantismo existe uma diferença de opiniões a respeito deste ensinamento, Lutero tinha a Ceia do Senhor como essência ou substância do Corpo e do Sangue de Cristo e não a transformação no mesmo. A essa forma de entendimento dá-se o nome de "consubstanciação" ou união sacramental.

Na visão do reformador Ulrico Zuínglio, a ceia é a lembrança do sacrifício de Cristo - essa posição é chamada de "memorialismo". A proposta de Calvino, em oposição a Lutero e Zuínglio, era que na ceia ocorria à presença de Jesus, não nos elementos, mas espiritualmente e posteriormente comunicada aos comungantes. A essa forma de entendimento dá-se o nome de "presença espiritual".

Como ensinou Calvino, a presença espiritual de Cristo é uma realidade na ceia, mas Zuínglio acertadamente ensinou que a ceia é algo comemorativo. "A Igreja Católica ensina a seus seguidores que, no momento em que o sacerdote, na Missa, pronuncia as palavras de consagração do pão e do vinho, estes mudam no corpo e sangue de Cristo."

Para dar suporte a este ensinamento apelam os católicos para as palavras de Jesus em João 6.48-51 e 54. E a transformam em algo literal, entendem assim pelo fato de ter Jesus dito: "A menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos." Jo. 6.53. No verso 63 Ele plenamente indicou que Ele falara figurativamente nos versos precedentes. Segundo, eles supõem, contrario ao texto, que Jesus aludia à nossa participação dEle na Eucaristia assim chamada. O verso quarenta e sete mostra que participamos dEle pela fé.

Como vimos à ceia é uma comemoração da morte do Senhor. Jesus disse: "Fazei isto em memória de mim.”1ª Co. 11.24. A Ceia do Senhor vem nos mostrar à morte expiatória de Cristo. Jesus também disse: "Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor até que Ele venha." 1ª Co. 11.26. De modo que a Ceia é uma instituição comemorativa.

A ceia também é um lembrete de que Jesus nos prometeu que irá voltar. Notamos as palavras: "Proclamais a morte do Senhor até que Ele venha." Assim, todas as vezes que se observa a ordenança somos lembrados que estamos observando por causa da ausência da presença corporal de Cristo e que algum dia o simbólico dará lugar ao literal.

Quando de uma forma simbólica nos alimentamos de Cristo estamos dando testemunho que cremos nEle. Já frisamos que a nossa alimentação de Cristo não é literal. Participamos dEle pela fé e assim somos salvos. Trás a memória aos cristãos que precisamos constantemente alimentar-mos de Cristo e isso através de sua palavra. A repetição desta ordenança manifesta que a fé pela qual participamos de Cristo, não é meramente uma coisa momentânea, mas contínua, pela qual a alma é sustentada constantemente.

A ceia também representa ou é sinal da nova aliança, como somos sabedores todos os grandes pactos que são representados na bíblia traziam consigo um sinal, e a nova aliança não é diferente. Mc. 14.22-24. A ceia do Senhor é um sinal que somos devedores a nova aliança e não a antiga. Outro fato interessante é que o próprio Jesus disse que a nova aliança será para muitos e não para todos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

É ou não outro evangelho?


"Encontrei este assunto na internet e achei muito interessante, acrescentei algo mais no estudo, que os amigos possam tirar as suas conclusões."

Jesus não voltou em 1844 - mas, os seguidores de Miller criaram o ensinamento que afirma que Cristo, de fato, voltou, não para a Terra, como pensava Miller, mas para algum lugar próximo a terra, e esse lugar não poderiam ser outro senão o “santuário celeste”. Segundo essa teoria, Cristo está fazendo um “juízo investigativo” examinando tudo e apresentando a Deus aqueles que têm os méritos de gozar dos benefícios da expiação. 

Os demais, se não aceitarem as doutrinas da Igreja Adventista, não têm chance de se salvar, pois a verdade está com eles – isso inclui principalmente a guarda do sábado. Podemos inferir desse ensinamento heresias grosseiras entre elas estão: 1ª A cruz não foi suficiente. Para eles Jesus ainda está fazendo a obra de salvação no Santuário. 2ª A salvação não é pela graça, mas pelas obras dos homens nessa terra; 3º O homem é salvo não pela fé em Jesus, mas pela aceitação de um credo religioso – é claro, dos Adventistas. 

Veremos que os adventistas estão completamente equivocados, cumprindo cabalmente o que disse o apostolo Paulo em Gálatas 1.8-9. (Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.)
                          
A questão do santuário celestial para os adventistas está vinculada com Daniel 8.14. Em Daniel 8.14. O contexto apresenta um chifre pequeno que “lançou por terra alguns do exército do céu e das estrelas deste exército, e os pisou” (verso 10). Além disto, este pequeno e poderoso chifre “tirou o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário lançou por terra” (verso 11). Esta profanação do santuário e de suas cerimônias é assunto do verso 13 onde uma intrigante pergunta é apresentada: “Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário, e o exército, a fim de serem pisados?”. 

Em outras palavras o que se pergunta é: Quanto tempo durará e quando terminará a profanação do santuário protagonizada pelo chifre pequeno? A resposta vem no verso seguinte, Daniel 8.14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado.” A questão que proponho é com relação à natureza desta purificação: A interpretação tradicional da IASD entende que a purificação descrita em Daniel 8.14 é da mesma natureza da purificação do santuário realizada no dia da expiação, quando os pecados que tinham sido confessados ao longo do ano e transferidos para o santuário eram, finalmente, removidos do santuário, havendo, desta forma, uma purificação do santuário (Lv. 16.20). 

Mas o contexto de Daniel 8 mostra que a purificação do santuário descrita no verso 14 é de natureza completamente diferente: Em Daniel 8 o santuário está sendo purificado da profanação do chifre pequeno; já em Levíticos 16 é descrita uma purificação dos pecados confessados dos santos. É importante ressaltar que esta diferença na natureza da purificação do santuário no dia da expiação e a purificação da profanação do pequeno chifre é claramente diferenciada no original hebraico através de dois termos distintos: tsadaq usado em Daniel 8:14 que significa “justificar”, “trazer ou declarar justiça” e kaphar em Levíticos 16:20 que significa “cobrir”, “reconciliar”, “propiciar”, “expiar”. 

Ambos, infelizmente, foram traduzidos para o português como purificar, levando a muitos achar que se trata da mesma coisa. Diante de tais diferenças conceituais e contextuais, como convencer o público de que a purificação descrita em Daniel 8.14 não é a mesma de Levíticos 16.20?  A segunda questão também diz respeito à natureza da purificação do santuário descrita em Daniel 8.14. Mas agora não se questiona sua relação com o dia da expiação (que era uma purificação de fato, mas de outra natureza). Agora o que se questiona é a relação entre a purificação do santuário de Daniel 8.14 com o chamado “juízo investigativo”, também chamado de “juízo pré-advento”. 

Que base bíblica temos para afirmar que a purificação do santuário descrita em Daniel 8.14 consiste na investigação dos pecados perdoados de todos os crentes desde Adão? Mesmo que conseguíssemos, de alguma forma, relacionar a purificação de Daniel 8.14 com a purificação realizada no dia da expiação, poderíamos afirmar que o sumo-sacerdote levita realizava algum tipo de “juízo investigativo”? O sumo-sacerdote, ao purificar o santuário terrestre, passava em revista pecado a pecado, individualmente? Fazia ele uma investigação? Ele fazia um juízo, um julgamento? Ou simplesmente oferecia o sangue do sacrifício para que todos os pecados acumulados fossem definitivamente removidos de uma vez por todas (não em partes)? De onde vem a idéia de que os pecados perdoados dos justos mortos são passados em revista? 

A terceira questão tem a ver com o destino dos pecados confessados desde Adão. Simbolicamente, para onde são transferidos estes pecados? Para o fundo do mar (Miquéias 7.19) ou para o santuário celestial? O que a Bíblia diz a respeito? Outra questão semelhante a anterior: Qual foi a atitude de Deus em relação aos pecados confessados? Deus apaga e esquece nossas transgressões ou mantém um registro dos pecados confessados para que sejam investigados no juízo que começou em 22/10/1844, quando Jesus iniciou uma investigação, pecado a pecado, para cancelar (ou expiar) um a um? 

O que a Bíblia diz a respeito? A próxima questão diz respeito à diferença entre a “interpretação natural” e a “interpretação induzida” para Daniel 8.14. Imagine que uma mãe entre no quarto do seu filho, e perceba uma grande desordem no local: livros e brinquedos pelo chão, restos de comida sobre a cama, junto com as roupas. Diante deste cenário, a mulher pergunta para o seu filho: “Quanto tempo vai durar esta visão terrível em seu quarto?”. Imediatamente Ele responde: “Até duas horas e o quarto será limpo”. Qual é a interpretação natural a respeito da resposta do menino? 

Será que o menino está querendo dizer que daqui a duas horas iniciará o processo de limpeza ou que em duas horas o quarto já estará limpo? Não há dúvidas aqui. A interpretação natural da resposta do menino nos leva a crer que se ele cumprir sua promessa, sua mãe poderá voltar em duas horas que o quarto já estará limpo. Interpretar que o garoto iniciaria a limpeza após as duas horas é uma “interpretação induzida”, contrária ao contexto e ao significado da palavra “até” que, segundo o dicionário Houaiss, indica um limite posterior de tempo. Ao dizer “até duas horas” estava impondo um limite, ou seja, tempo máximo, para realizar a limpeza. 

Com relação a Daniel 8.14 a questão é: Por que a interpretação tradicional adventista com relação ao tempo da purificação não é uma “interpretação natural”, ou seja, que após 2300 tardes e manhãs o santuário já estaria purificado? Por que a IASD adotou uma “interpretação induzida”, lançando fora o contexto e o significado limitador da preposição “até” ao interpretar que a purificação iniciaria após o prazo máximo estabelecido, e pior, sem data para terminar?  A sexta questão diz respeito à interpretação que o livro de Hebreus dá para o dia da expiação típico. 

Hebreus 9 fala detalhadamente sobre isso. No verso 2 é apresentado o lugar “Santo” e no verso 3 o “Santo dos Santos” que nós conhecemos também como Santíssimo. O verso 12 diz que Cristo “entrou no Santo dos Santos”. Note que o verbo “entrar” está no passado. O autor de Hebreus não diz “Cristo entrará no Santo dos Santos”, mas diz claramente que Cristo “entrou no Santo dos Santos”. 

Isso significa que quando o livro de Hebreus foi escrito, Jesus já tinha entrado no Santo dos Santos (não esperou até 1844). O verso 24 complementa de forma ainda mais direta quando especifica de forma inconteste o tempo da entrada de Cristo no santuário celestial. O verso diz que “Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para comparecer agora por nós perante a face de Deus.” O que o autor de Hebreus quis dizer com a expressão “comparecer agora”? Porventura para ele “agora” significa em 1844? Ou significa na época em que o livro de Hebreus foi escrito? 

O ensino de que Jesus já havia entrado no Santo dos Santos na época em que o livro Hebreus foi escrito é novamente colocado em evidência em Hebreus 10.19. Neste verso somos convidados a entrar no Santo dos Santos “pelo novo e vivo caminho que ele [Jesus] nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.” Este verso deixa claro qual foi o momento exato em que o acesso ao Santo dos Santos foi liberado: O caminho para o Santo dos Santos foi inaugurado por Cristo quando o véu, ou seja, a sua carne foi rasgada – isso ocorreu no dia da Sua morte. 

Cristo, após inaugurar este novo e vivo caminho através do véu em sua morte, ascende aos Céus e entra no Santo dos Santos assentando-se à destra de Deus. A questão é: Como conciliar o conceito claramente exposto em Hebreus com a interpretação tradicional adventista? Na época em que o livro de Hebreus foi escrito Cristo já estava assentado à destra de Deus no Santo dos Santos ou tal situação ocorreu apenas a partir de 22 de Outubro de 1844? Antes de responder a estas perguntas é importante lembrar que apesar das mensagens de Hebreus servirem para nós hoje, o livro de Hebreus foi escrito para o povo daquela época. Se houver alguma dúvida neste sentido, basta ler Hebreus 3.13 e 9:9. Não há duvidas que o livro foi escrito também para o povo daquela época.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A soberania de Deus.


Quando analisamos a teoria do livre arbítrio a luz da bíblia percebemos claramente que ela apresenta várias lacunas que não podem ser preenchidas. As pessoas que defendem o livre arbítrio querem que a vontade seja livre de qualquer interferência externa, para que o livre arbítrio se torne uma realidade nada poderá estimular ou causar a vontade. 

Os defensores do livre arbítrio asseguram que a vontade é auto causada, ou seja, ela causa a si mesma. O problema desse argumento que ao dizerem que a vontade é auto causada os defensores do livre arbítrio estão colocando os seus destinos nas “mãos” do acaso, (indeterminismo) esse ponto de vista pode ser até relevante desde que não seja um ensinamento cristão, se um humanista, um ateu ensinam tal teoria não iremos discutir. 

Algo que acontece inesperadamente ou casualmente não tem suporte dentro das escrituras. Pv. 16.9 (O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.) Pv. 20.24 (Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor;  como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?) Jr. 10.23 (Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.) 

O livre arbítrio exige também que nem mesmo o próprio Deus poderá intervir no livre arbítrio do homem, essa teoria foi defendida até mesmo por Jonh Wesley que disse: “Nem Deus nem o pecado podem limitar o livre arbítrio”. Outros ensinam que Deus quer salvar a todos “usamos o livre arbítrio para querer ou não ser salvos”. Essa teoria é muito pobre e desprovida de apoio bíblico, para provar isso vamos “lançar mão” de um texto bíblico. Ef. 2.5 (E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos.) 

A morte que o apostolo está dizendo se da na ordem espiritual, em outras palavras Ele quer dizer que tais indivíduos são impossíveis de por si só irem a Deus, a menos que o próprio Deus por meio de Cristo os “ressuscite”. Usando apenas este verso bíblico pergunto: como alguém que está espiritualmente destituído de força ou poder, inativo, inoperante pode aceitar ou rejeitar algo que Ele mesmo desconhece? Tal ressurreição espiritual só começará a acontecer quando Deus passar a intervir na vida do indivíduo, mas isso pode contrariar a definição dos defensores do livre arbítrio visto que Eles argumentam que Deus não pode “atropelar” o livre arbítrio. 

Se Deus não pode “atropelar” o nosso livre arbítrio porque então todos os que acreditam na teoria do livre arbítrio oram para que Deus atue para salvar determinada pessoa? Desnecessário não? Ora se Deus não “atropela” o livre arbítrio ou não causa a salvação, porque então orar para que Ele atue na vida de alguém? Na realidade mesmo na vida física somos impossibilitados de fazer muitas coisas que gostaríamos de fazer, isso nos leva a crer que não é pela força do querer que alcançamos um objetivo. Não basta simplesmente escolher algo para ele se tornar uma realidade. Lc. 12.25-26 (Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?) 

Fato é que as pessoas atuam como “advogados” de Deus, dizem que somente o livre arbítrio pode nos dar devidamente a responsabilidade por nossas ações. Mas como pode uma pessoa ser responsável por um acontecimento do acaso? Eu posso ser responsável por lançar uma moeda, visto que eu provoquei a queda da moeda, mas eu não posso ser responsável por fazê-la cair de um lado ou de outro. Os que crêem no livre arbítrio devem crer também que o teremos por toda a eternidade, em outras palavras os salvos terão livre arbítrio, sendo assim a possibilidade de pecar deve existir mesmo na eternidade, isso é incoerente com o plano de Deus. 

Fato é que se depender da escolha humana para a salvação, não haveria ninguém salvo, portanto existe algo que não se encaixa, visto que Deus é plenamente soberano e isso também para salvar o pecador, como pode então a sua soberania ser ofuscada pelo livre arbítrio? Todos nós cremos (ou deveríamos crer) que Deus tem um plano que está se desenrolando a despeito de qualquer coisa que pareça contraditório, sendo assim será que Deus irá esperar que os homens tomem decisões baseadas no livre arbítrio concernente a salvação? Deus precisa das atividades humanas para escrever a história humana? Ou os homens estão desenrolando e cumprindo os planos de Deus? 

Se todos estávamos mortos isso significa que o fato de Deus dar vida eterna para alguns é um ato de misericórdia de sua parte. Alguns textos que falam da soberania de Deus. Jó. 9.12; Sl. 103.19; 135.6; Lm. 3.37-38; Is. 45.7; Is. 46.9-10; Dn. 4.35. E quanto à responsabilidade do homem? Por responsabilidade humana queremos dizer aquela do homem para com Deus por todas as suas ações. O ensino da responsabilidade do homem é tão geral na Bíblia que não precisa de citações da Escritura. Porém, Muitos dirão: mas, se Deus controla todas as coisas logo o homem não tem responsabilidade pelos seus atos. “responsabilidade” não significa liberdade, refere-se a ter obrigação de prestas contas. 

Em outras palavras, alguém ser moralmente responsável significa que ele está moralmente obrigado a alguma pessoa ou padrão. A questão que se a pessoa é livre ou não é irrelevante para a discussão. A única questão relevante é se alguém que tem autoridade sobre essa pessoa decidiu considerá-la obrigada a prestar contas. Visto que Deus governa sobre toda a humanidade, e ele decidiu julgar todos os homens, isso significa que cada pessoa é moralmente responsável, a despeito deles não serem livres. Deus estipulou padrões os quais nós devemos respeitar. Is. 43.13; Rm. 9.20-23.