terça-feira, 1 de outubro de 2013

Deus tem um lugar exclusivo de culto?

Os cristãos da atualidade e acredito que de todas as épocas tem e tiveram a mesma preocupação da mulher samaritana, que estando com Jesus fez a seguinte pergunta: Jo. 4. 20. (Nossos pais adoravam neste monte vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.) Qual foi a resposta de Jesus? Jo. 4.21 (Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.)

É significativa então a preocupação, pensamos que às vezes Deus requer de nós um lugar exclusivo, tanto é assim que as denominações cristãs gastam grande parte dos seus fartos recursos financeiros embelezando os seus suntuosos templos. E esse pensamento errôneo faz com que nós tenhamos uma visão errada da presença de Deus, ou seja, muita das vezes pensamos que Deus está presente em nossas vidas só quando estamos em um templo feito de tijolos.

Em outras palavras muitos aceitam a idéias de que Deus só está dentro de templos. Na grande maioria das vezes perdemos a noção de que Deus está em todos os lugares e não só dentro de um templo feito de tijolo. Na verdade a bíblia nos mostra o contrário disso; 2ª Sm. 7.7 (Em todo lugar em que andei com todos os filhos de Israel, falei, acaso, alguma palavra com qualquer das suas tribos, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro?)
                
At.7.49 (O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?) Deus não requer de nós uma casa exclusiva para culto, não é o local que determina o culto mais sim a espiritualidade e a própria noção da presença de Deus. Jo. 4.23 (Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.)
  
Não devemos nos preocupar com templos, devemos nos preocupar se estamos na presença de Deus. Mt. 6. 6 (Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.)
         
O templo feito de tijolos tem objetivos positivos para a adoração, entre eles é reunir em um lugar físico os membros que tem em comum uma crença estabelecida, porém para ter um encontro com Deus o templo de tijolos é desnecessário. Alguém poderá dizer, - na igreja somos mais reverentes... O problema não está no lugar, mas sim na pessoa, o que falta na realidade é a noção do que estamos fazendo, e em se tratando de horário de culto não podemos perder a noção pelo fato de não estarmos em um aglomerado de gente dentro de um templo.

O fato é que após aquela declaração de Jesus para a mulher samaritana, Deus continua contando com os verdadeiros adoradores. Quem são os verdadeiros adoradores? (1) OS VERDADEIROS ADORADORES SÃO AQUELES QUE CONHECEM A DEUS E SÃO CONHECIDOS POR DEUS. Deus não vive numa busca desenfreada por qualquer tipo de adorador que o adore de qualquer maneira. Ele é e sempre será adorado de verdade por aqueles que verdadeiramente lhe pertencem.

O verbo grego zhte/w (procurar, buscar) sugere exatamente isso. O Pai busca seus eleitos com o intuito de torná-los seus adoradores. Lembremos da história do profeta Elias e de seu lamento. Por duas vezes ele se queixou a Deus. I Rs. 19.14.  (Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.)
               
É como se Elias dissesse assim para Deus: "Senhor, está um caos tremendo em Israel, e eu mesmo não vejo solução para esse país. E tem mais, o Senhor também está com um problemão porque ninguém mais pensa em te adorar, a não ser eu é claro". Qual foi a resposta de Deus ao profeta? I Rs. 19.18. (Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.)
            
Mais tarde o apóstolo Paulo utiliza esse episódio para falar do futuro de Israel: Rm 11.1-6. Ainda hoje o Senhor conta com o remanescente fiel, não só de judeus, mas também de gentios que formam juntos, a verdadeira igreja do Deus vivo. Portanto, não se iluda o Senhor conhece os que lhe pertencem. 2 Tm 2.19 (Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem.)

Não se esqueça: É importante e fundamental conhecer a Deus para que ele seja verdadeiramente adorado, porém, mais importante do que conhecer a Deus é ser conhecido por Deus. Tito 1.16 (No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis desobedientes e reprovados para toda boa obra.)


Portanto, não se ufane dizendo que pertence a “igreja” antes veja se és a verdadeira. A palavra adorar em João 4.23 é Proskuneo e significa expressão de profunda reverência, ajoelhar-se ou prostrar-se, prestar homenagem ou reverência a alguém, seja para expressar respeito ou para suplicar, usado para reverência a pessoas e seres de posição superior. 

sábado, 21 de setembro de 2013

Expiação limitada.

Qual o real significado da morte de Cristo? Há aqueles que devido à sua inércia espiritual não entendem, outros também estão mortos para Deus, portanto não se interessam, já os cristãos universalistas acreditam que a morte de Cristo foi providencial a fim de trazer salvação para todos indistintamente. Outros acreditam que Cristo morreu com o objetivo de abrir acesso à salvação para todos aqueles que desejam se salvar, podendo assim usar do livre arbítrio para aceitar ou recusar a salvação.

O que na realidade a bíblia nos diz? Realmente ela nos informa que Cristo morreu como um sacrifício, em propiciação para os nossos pecados, Gl. 1.4 “O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.”
    
Sendo assim a morte de Cristo e mais do que um evento histórico transcende a nossa realidade. Quanto àquele que por uma razão que só Deus conhece, mas ainda não foi despertado para a realidade espiritual que Deus possa usar de misericórdia e “ressuscitá-lo” de sua morte espiritual.  Ef. 2.5 “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos.” E quanto aos impenitentes e réprobos, lamento muito.

A teoria universalista é herética, não existe um ensinamento bíblico que diga que todos sem exceção irão se salvar, ao contrário existe vários textos que dizem o oposto. Vamos a eles. 2 Ts. 1.9 “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.” 2 Pe. 2.12 “Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos.” 2 Pe. 3.7 “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios.”

Do mesmo modo a teoria do livre arbítrio falha em interpretar a questão da salvação, se Deus estivesse “preso” ao livre arbítrio humano ou na dependência de que o homem pudesse resolver quando aceitar a salvação não haveria um juízo, isso pelo fato de que o homem por si só jamais buscará a Deus. Outro fato inegável é que apesar da eficácia do sacrifício de Cristo ter sido suficiente e total para salvar, o propósito foi limitado. Ou seja, Deus em seu plano eterno pretendeu salvar apenas os eleitos e o sacrifício de Cristo foi suficiente para isso, não importando a quantidade e nem mesmo a localidade.

Muitas vezes ouvi pessoas dizerem: “Deus é perdedor, pois a bíblia diz que os perdidos serão como areia do mar”. Realmente a bíblia diz isso só não menciona que Deus esteja se importando com quantidade, pelo contrário o grupo de salvos era conhecido por Deus desde a eternidade, e o sacrifício de Cristo foi para eles; assim como o grupo de perdidos Deus os conhece desde a eternidade também. A bíblia nos diz que o propósito da expiação foi a salvação de um grupo específico.

Mt. 1.21 “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” O seu povo dos seus pecados. Apesar do contexto imediato se referir a Israel sabemos que o povo de Deus está espalhado pelos quatro cantos da terra. Mas percebemos também que a salvação é limitada (o seu povo). Jo. 3.16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Este verso é conhecido por todos os cristão e "adorado" pelos defensores do livre arbítrio, visto que eles utilizam com o objetivo de defender tal causa, eles atestam que o verso está dizendo que quando a bíblia diz que Deus amou o mundo deva significar que Deus ama cada ser humano existente de modo igual e sem diferenças, mas a bíblia não está afirmando o universalismo antes diz: “para que cada um que nele crer não pereça”. A questão se torna espinhosa para os defensores do livre arbítrio: “quem quer que deseje”  mas por qual razão uns desejam ou escolhem ir a Cristo e outros não.

Os defensores do livre arbítrio dizem que eles vão pelo próprio livre arbítrio que reside neles, será? O que a bíblia diz: Jo. 6.44 “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”  Neste caso vemos não uma ação autônoma, mas sim uma causa que acionada por Deus Jo. 15.16  “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” Reparem que primariamente não existe uma ação humana, isso pelo fato da vontade humana não está sintonizada com as coisas espirituais.

E nem mesmo pode está, o homem só irá a Cristo quando nascer de novo, Jo. 3.3 “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” A visão total do reino de Deus será quando ele for implantado e uma nova ordem acontecer deixando para trás este velho e ultrapassado sistema que ora conhecemos. Mas é necessário um vislumbre do reino agora e isso só pode acontecer se tal indivíduo nascer de novo, e isso só Deus pode fazer. Jo. 3.5-6 “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”.

A ordem  é a seguinte: não conhecemos a Deus ao passo que somos conhecidos por Ele. Existe um grupo pelo qual Jesus fez o sacrifício; para sermos salvos precisamos ir a Deus, então Deus desperta a consciência daqueles que crerão a fim de irem a Cristo o qual serão por Ele levados a Deus Jo. 6.37 “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.”

A palavra vontade normalmente refere-se ao universal fenômeno de escolha de um curso de ação em vez de outro. As escolhas humanas realmente ocorrem em toda a bíblia não existe como negá-las, o problema não é se elas existem ou não, mas sim se elas são ou não causadas. Se não são causadas somos autônomos, e não precisamos de um Deus que nos governe, ao passo se forem causadas logo a nossa vontade não é livre.

Gl. 1.3-4 “Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.”  Tito 2.14 “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” Existem muitos outros textos que falam da redenção limitada, contrastando um povo que está pela graça de Deus e não pelo próprio livre arbítrio se apartando do sistema iníquo que ora presenciamos. A limitação da redenção se dá na quantidade não na sua eficacia. 


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem foi o primeiro a ir para o céu, Enoque, Moisés, Elias ou Jesus?

Enoque, Moisés e Elias, onde estão? Para a maioria das denominações cristãs, estes e outros personagens bíblicos estão no céu; acreditam que ao menos existe suporte bíblico para confirmar que esses três personagens estão no céu. Rm. 5.12. "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram."

Algumas questões interessantes: segundo a bíblia a morte existe por causa do pecado, o próprio verso bíblico nos confirma isso. Apesar de terem sido homens santos (separados,) heróis da fé, mesmo assim, será que estes três personagens bíblicos viveram sem pecado? Não! Não viveram sem pecado. E se não viveram sem pecado logo foram alvos da morte é a bíblia quem diz.

A bíblia diz que todos pecaram. Rm. 3.23. “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” É válido lembrar também que nós somos pecadores não porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores. I Co. 15.22. “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” Novamente a bíblia nos confirma que em Adão todos morrem.

Outro texto que nos fala que todos morrem se encontra em Hb. 9.27. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.” (Ordenado apokeimai) é o mesmo que está reservado a espera de. O interessante é que em nenhum lugar da bíblia está dizendo que todos com exceção de Enoque, Moisés e Elias morreram, pelo contrário, diz que todos experimentarão a morte, com exceção daqueles que são de Cristo na sua vinda. I Ts. 4.17. “Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.”
   
Muito dirão: mas o próprio Jesus não ressuscitou os mortos, outros profetas e apóstolos não fizeram o mesmo? é uma realidade, só que nós devemos de responder esta pergunta com outra pergunta: todos que foram ressuscitados estão vivos hoje? claro que não. O que ocorreu foi uma demonstração do poder de Deus sobre a morte, e uma representação do reino de Cristo que será implantado.

Isso quer nos dizer que o único que ressurgiu para a verdadeira vida, ou seja, onde a morte não mais domina, foi Jesus Cristo. I Co. 15.20. “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” At. 26.23. “Isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios.”
       
Co. 1.18. “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia.” Ap. 1.5. “E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra...”
 Então como dizer que Cristo fez-se primícia dentre os mortos se admitirmos que outros já ressurgiram para a eternidade antes mesmo de Cristo?

Mt. 17. 1-3. “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.”
Para tentarem provar que Moisés, e Elias estão no céu os textos lidos acima são utilizados. Devemos entender que a transfiguração ocorrida nada mais foi do que uma representação da glória do Messias no seu reino, onde naturalmente não só Moisés e Elias como muitos outros estarão participando como súditos, no reino milenar de Cristo.

Mateus 17.9 nos declara que o que os discípulos viram no monte da transfiguração não foi uma realidade literal, mas sim uma visão do Cristo glorificado no seu reino. Mt.17. 9. “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos.”
         
 O próprio Cristo disse para os discípulos que eles tiveram uma visão. Como disse anteriormente o contexto do capítulo nos mostra uma visão do Cristo glorificado no seu reino. Dt. 34.5-6. “Assim, morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, segundo a palavra do Senhor. Este o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém sabe, até hoje, o lugar da sua sepultura.”
     
A bíblia diz que Moisés foi sepultado, nada mais. O mesmo ocorre no episódio de Enoque, Gn. 5.24. “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” Neste verso nada revela sobre o paradeiro de Enoque, só nos é dito que Deus o tomou, pergunto: o fato de estar escrito: e Deus o tomou me dá o direito de dizer que Deus o levou para o céu? Não. Hb. 11.5 “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus.”
      
O autor de hebreus confirma que Deus o trasladou, a pergunta continua: trasladou para onde? a bíblia diz? não podemos trabalhar com o texto bíblico em cima de suposições, se entendermos que Enoque está no céu baseado nesta declaração de hebreus nós iremos encontrar algumas contradições no próprio capítulo onze de hebreus. Vejamos:

Quando o autor descreve a trajetória e a importância dos heróis da fé como testemunho para nós ele começa citando o primeiro herói da fé, Abel; e daí sucessivamente passa por vários outros, cita também Enoque, o interessante é que o verso treze do capítulo onze diz que todos estes morreram, sem terem recebido as promessas. Hb. 11.13 “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
   
Que promessas? A imortalidade, o novo reino onde habitará a justiça e a paz. Outro fato interessante é que o autor disse que todos estes morreram, sem exceções, continua dizendo que todos estes, apesar de terem tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa.

Existe uma questão interessante sobre o relato da trasladação de Elias. II Rs. 3.7-11. “Mandou dizer a Josafá, rei de Judá: O rei de Moabe se revoltou contra mim; irás tu comigo à guerra contra Moabe? Respondeu ele: Subirei; serei como tu és o meu povo, como o teu povo, os meus cavalos, como os teus cavalos. Então, perguntou Jorão: Por que caminho subiremos? Respondeu ele: Pelo caminho do deserto de Edom. Partiram o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom; após sete dias de marcha, não havia água para o exército e para o gado que os seguiam.  Então, disse o rei de Israel: Ai! O Senhor chamou a estes três reis para os entregar nas mãos de Moabe. Perguntou, porém, Josafá: Não há, aqui, algum profeta do Senhor, para que consultemos o Senhor por ele? Respondeu um dos servos do rei de Israel: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias.” Este verso nos mostra que Eliseu esteve presente com Josafá, rei de Judá e com Jorão filho de Acabe rei de Israel. E neste episódio os servos do rei de Israel disseram para Josafá que Eliseu derramava água nas mãos de Elias, isso significa que nesta época Eliseu não era mais servo do profeta Elias, mais sim o próprio profeta substituto de Elias.

II Rs. 8. 16 e 17 “No ano quinto do reinado de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, reinando ainda Josafá em Judá, começou a reinar Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá. Era ele da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém.”
      
Estes versos nos mostram que reinando Jorão filho de Acabe rei de Israel, Josafá e Jeorão seu filho reinavam em Judá. O que temos visto é que nesta época o profeta já era Eliseu, pois Elias já deixara de atuar. II Cr. 21. 1.  “Descansou Josafá com seus pais e foi sepultado com eles na Cidade de Davi; e Jeorão, seu filho, reinou em seu lugar.”
           
Nesta época Elias, já havia deixado o seu ministério, II Rs. 3.14. “Disse Eliseu: Tão certo como vive o Senhor dos Exércitos, em cuja presença estou, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não te daria atenção, nem te contemplaria. O verso nos mostra que Josafá ainda em vida, o profeta já era Eliseu.

Após a morte de Josafá o reino de Judá continuou com seu filho Jeorão, o capítulo 21 de segunda crônicas diz que Jeorão foi um péssimo rei, e não andou nos caminhos de seu pai Josafá; o que nos surpreende é que após o arrebatamento de Elias, e Eliseu ficar no seu lugar, depois mesmo de Josafá reinar e por fim morrer, Jeorão da sequência as abominações e impiedades de seu sogro Acabe, Jeorão se surpreende pois recebe uma carta do profeta Elias.

II Cr. 21.12-13 “Então, lhe chegou às mãos uma carta do profeta Elias, em que estava escrito: Assim diz o Senhor, Deus de Davi, teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Josafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá, mas andaste nos caminhos dos reis de Israel, e induziste à idolatria a Judá e os moradores de Jerusalém, segundo a idolatria da casa de Acabe, e também mataste a teus irmãos, da casa de teu pai, melhores do que tu.”
      

Resta uma pergunta: onde estava Elias, esta carta terá vindo do céu? Naturalmente não. O que temos visto pelos relatos bíblicos é que com exceção de Jesus ninguém subiu ao céu, nem Enoque nem Moisés, nem Elias e nem Maria. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Ortodoxia bíblica ou dos pais?

Este assunto se baseia em cima de algumas perguntas as quais até este momento estão sem respostas. O cristianismo popular por causa da tradição herdada rotula como hereges aqueles que não aceitam (acreditam) em algumas doutrinas consideradas ortodoxas, principalmente aquelas defendidas e votadas nos concílios eclesiásticos. Vamos às perguntas.

Como distinguir uma heresia de uma ortodoxia? O fato de a igreja ao longo dos séculos instituir e rejeitar doutrinas torna tais doutrinas verdadeiras ou fazem-na falsa? Para a igreja tida como ortodoxa aqueles que rejeitam algumas doutrinas, principalmente aquelas instituídas nos concílios eclesiásticos são rotulados como hereges, o que seria considerado uma heresia, aceitar doutrina(s) baseado em filosofias ou rejeitá-las por não estarem na bíblia?  Exemplos: 
                                                                                  
Se a doutrina da trindade é realmente bíblica, por que então ela não foi definida na bíblia? Mas precisou dos “pais” com seus conceitos filosóficos? Para “provar” a existência da trindade os teólogos trinitários utilizam de uma mirabolante combinação de versos bíblicos, porque os muitos versos que dizem literalmente que existe um e único Deus não são suficientes para provar que Deus é um literalmente? Se a trindade fosse realmente bíblica, por que precisou mais de cinquenta anos entre o concílio de Nicéia 325 dC. Até o concílio de Constantinopla 381 dC afim de que a doutrina pudesse ser definida?

Para que a doutrina da trindade pudesse ser aceita foram necessárias outras manobras mirabolantes, entre elas com relação à dupla natureza de Jesus, onde prevaleceu a vontade de Cirilo de Alexandria no concílio de Calcedônia em 451 dC. Onde não só foi discutida e tida como ortodoxa as duas naturezas de Cristo como também a questão do (theotokos em grego) mãe de Deus. Na realidade o espírito cristão já havia desaparecido nesta época, o que prevalecia era a disputa eclesiástica onde o que importava era o poder para governar, ou mesmo idealizar a igreja.

At. 20.29-30 (Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.) Muitos argumentam que a igreja não se separou da verdade, pois o próprio Cristo disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Creio piamente nos ensinamentos de Cristo, logo isso não quer dizer que ao longo dos séculos a igreja não tenha se apartado da verdade, 2Pe. 2.1-3 (Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.)
      
Acredito também que o remanescente ou aqueles que buscam a verdade com espírito cristão formam a igreja de Cristo. E esses são os que formam a igreja de Cristo, aqueles que triunfarão contra “as portas do inferno”. Dizer que igreja verdadeira é “A” ou “B” é fazer apologia para instituições com o intuito de promulgar comercio dentro dela. Enquanto os membros estão sofrendo “lavagem” cerebral, os candidatos a membros estão sendo torturados pelos desvarios das seitas. Eles dizem sempre: - “aqui é a igreja verdadeira, temos o evangelho de Jesus Cristo, você precisa se unir conosco”... Mal sabem os membros em sua desinformação que participam de seitas manipuladoras, formadas com o cunho cristão, porém carregado de ensinamentos extra bíblicos.      

O que falta para os ditos ortodoxos é: como explicar biblicamente determinadas doutrinas que formam o alicerce do dito cristianismo. Mas, como prová-las se elas não são bíblicas? Quando falo de ortodoxo me refiro a todas as denominações que aceitaram os concílios a partir de Nicéia, total ou parcial, quer aceitem ou não a tradição, quer digam ou não que só utilizam a sola escriptura.

O fato é que total ou parcialmente elas desvirtuam dos ensinamentos bíblicos, tornando-as seitas que ensinam heresias. Digo isso baseado em uma questão importante, o bispo Ário de Alexandria foi rotulado e excomungado como herege, pelo fato de negar a doutrina da trindade, naturalmente os ensinamentos de Ário careciam de acertos, porém por que não deram tempo a fim de que Ele tentasse "ajustar" o seu ensino?

Ora se soou como herético dizer que Cristo foi gerado em um período na eternidade, (algo que também não acredito) por que não soou herético dizer que Deus é uma entidade composta e ao mesmo tempo um? Por que não soou como herético as brigas e trocas de ofensas por longos períodos até que se “provasse” que Jesus tem duas naturezas indivisíveis? Onde na bíblia está escrito tais assertivas?

E como uma questão embaraçosa puxa outra, se Jesus é Deus naturalmente Maria deve ser mãe de Deus e se Ela é mãe de Deus Ela deve também ser sem pecado, daí provavelmente Ela deve ter sido concebida sem pecado e etc. Argumentam os que dizem acreditar na sola escriptura: "Não Maria é mão do Jesus homem não o Jesus Deus", ora, por favor, onde na bíblia está escrito tais considerações?

O que quero deixar claro aqui é que apesar de se arrogarem de ortodoxos, a ortodoxia cristã que conhecemos é oriunda dos pais da igreja e não dos ensinamentos bíblicos, os ensinamentos bíblicos serviram de base para os conceitos filosóficos dando origem a vários pensamentos os quais conhecemos atualmente como doutrina bíblica. Acredito que a filosofia é indispensável na teologia só não substitui a mesma. Portanto, é fácil acusar alguém de herege quando a maioria aceita algo como sendo a verdade última.

           



                                                                                                                            



  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lembrai-vos da mulher de Ló.

Há poucas advertências na Escritura mais solenes que esta. O Senhor Jesus Cristo nos diz, Lc. 17.32.  (Lembrai-vos da mulher de Ló.) A esposa de Ló professava a verdadeira religião: seu marido era um "homem íntegro" (2 Pedro 2:8). Ela deixou Sodoma com ele no dia da sua destruição; ela olhou para trás, em direção a cidade, em desobediência a ordem expressa de Deus; ela morreu imediatamente, transformando-se em uma estátua de sal. E o Senhor Jesus Cristo a utiliza como exemplo para Sua igreja; Ele diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando consideramos a pessoa que Jesus menciona. Ele não nos convida a lembrar de Abraão, ou Isaque, ou Jacó, ou Sara, ou Ana, ou Rute. Não! Ele escolhe alguém cuja alma estava perdida para sempre. Ele clama a nós: "Lembrai-vos da mulher de Ló". É uma advertência solene, quando nós consideramos sobre o tema de Jesus. Ele está falando da Sua segunda vinda, quando virá julgar o mundo; Ele está descrevendo o estado terrível de despreparo no qual muitos serão achados. Os últimos dias estão na Sua mente, quando Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós pensamos na Pessoa que a faz. O Senhor Jesus é amoroso, misericordioso e compassivo; Ele é Aquele que "não esmagará a cana quebrada nem apagará a torcida que fumega" (Is.42:3). Ele lamentou a incredulidade de Jerusalém e orou pelos homens que O crucificaram; contudo, Ele julga proveitoso nos dar esta advertência solene e nos fazer lembrar das almas perdidas. Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós pensamos nas pessoas para as quais Ele, primeiramente, dirigiu estas palavras. O Senhor Jesus estava falando aos Seus discípulos; Ele não estava falando para os escribas e fariseus que o odiaram, mas a Pedro, Tiago e João, e muitos outros que O amaram; mesmo para esses, Ele julga proveitoso uma palavra de precaução. Ele os diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós consideramos a maneira que Ele falou. Ele não diz somente: "Cuidado! Não sejam como a mulher de Ló". Ele usa uma palavra diferente; Ele diz: "Lembrai-vos". Ele fala como se nós corrêssemos o perigo de esquecer o assunto; Ele incita nossas memórias preguiçosas; Ele nos ordena a manter o caso em nossas mentes. Ele clama: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

Agora, consideremos os privilégios religiosos que a esposa de Ló desfrutou. Nos dias de Abraão e Ló, a verdadeira religião salvadora era escassa na terra; não havia ainda a Bíblia, pastores, igrejas, credos ou mesmo missionários. O conhecimento de Deus estava limitado a algumas famílias agraciadas; a maior parte dos habitantes do mundo estava vivendo em escuridão, ignorância, superstição e pecado. Talvez não houvesse um em cem, que contasse com tal bom exemplo, ou com tal convivência espiritual, tal clareza de conhecimento e advertências tão claras como a esposa de Ló. Comparada com os milhões de criaturas do seu tempo, a esposa de Ló era uma mulher agraciada.

Ela teve um homem religioso como marido; ela teve Abraão, o pai da fé, como tio através do matrimônio. A fé, o conhecimento e as orações destes dois homens íntegros não poderiam ter sido desconhecidos dela. É impossível que ela pudesse ter morado em tendas com eles durante tanto tempo, sem saber de quem eles eram e a Quem eles serviam. Religião para eles não era nenhum negócio formal; era o princípio governante das suas vidas e a razão de suas ações. Tudo isso a esposa de Ló deve ter visto e conhecido. Este não era um pequeno privilégio.

Quando Abraão recebeu as promessas, a esposa de Ló provavelmente estava lá. Quando ele construiu sua tenda entre Ai e Betel, é provável que ela estivesse presente; quando os anjos vieram a Sodoma e advertiram seu marido para fugir, ela os viu; quando eles os levaram pela mão e os conduziram para fora da cidade, ela era um daqueles que eles ajudaram a escapar. Mais uma vez, eu digo, estes não foram privilégios pequenos. Contudo, quais foram os resultados positivos, de todos estes privilégios, no coração da esposa de Ló? Nenhum, nada.

Apesar de todas as oportunidades e meios de graça, todas as advertências especiais e mensagens do céu, ela viveu e morreu sem a graça de Deus, sem Deus, impenitente e descrente. Os olhos do seu entendimento nunca foram abertos; sua consciência nunca foi realmente despertada ou estimulada; sua vontade nunca foi verdadeiramente trazida a um estado de obediência a Deus; suas afeições nunca foram fixadas nas coisas lá do alto. A forma de religião que ela teve foi mantida por conveniência e não por um verdadeiro sentir; era uma capa usada para agradar a seu marido, e não por qualquer senso de seu valor.

Ela fez como outros ao redor dela na casa de Ló: ela se conformou aos costumes do seu marido; ela não fez nenhuma oposição à religião dele; ela se permitiu ser conduzida passivamente por ele; mas em todo tempo o seu coração estava em pecado diante de Deus. O mundo estava no seu coração, e o seu coração estava no mundo. Neste estado ela viveu, e neste estado ela morreu.

Em tudo isso há muito a ser aprendido. Eu vejo uma lição aqui que é da maior importância nos nossos dias. Você vive em tempos em que há muitas pessoas vivendo igual a esposa de Ló. Ouça pois, a lição que o caso dela nos ensina. Aprenda que a mera possessão de privilégios religiosos não salvarão a alma de ninguém. Você pode ter vantagens espirituais de todo tipo; você pode viver e gozar das mais ricas oportunidades e meios de graça; você pode desfrutar da melhor pregação e das instruções mais verdadeiras; você pode morar no meio da luz, conhecimento, santidade e boa companhia. Tudo isso é possível; contudo, você ainda pode permanecer não convertido, e estar perdido para sempre.

Eu ouso dizer que esta doutrina parece dura a alguns leitores. Eu conheço a idéia de que eles não querem nada mais do que privilégios religiosos para decidirem ser cristãos. Eles não são o que eles devem ser no momento, eles concordam; mas a posição deles é tão difícil, eles argumentam, e suas dificuldades são tantas. Dê-lhes um cônjuge crente, ou amizades cristãs, ou um patrão crente; dê a eles a pregação do Evangelho, os privilégios, e então eles caminharão com Deus.

Tudo engano! Uma completa ilusão! Para salvar almas, é requerido muito mais do que privilégios. Joabe era o capitão de Davi; Geazi era o criado de Eliseu; Demas era companheiro de Paulo; Judas Iscariotes era discípulo de Cristo; e Ló teve uma esposa mundana e incrédula. Todos eles morreram em seus pecados. Eles baixaram à cova apesar do conhecimento, advertências e oportunidades; e todos eles nos ensinam que os homens necessitam não só de privilégios. Eles precisam da graça do Espírito Santo.

Vamos valorizar nossos privilégios religiosos, mas não vamos descansar completamente neles. Vamos desejar ter o benefício deles em nossas atividades, mas não vamos colocá-los no lugar de Cristo. Vamos usá-los com gratidão, se Deus no-los der, mas nos preocupemos em que eles produzam algum fruto em nosso coração e vida. Se eles não produzem o bem, eles seguramente causarão dano; eles cauterizarão a consciência, eles aumentarão a responsabilidade, eles agravarão a condenação.

O mesmo fogo que derrete a cera endurece o barro; o mesmo sol que faz a árvore vivente crescer, seca a árvore morta e a prepara para queimar. Nada endurece mais o coração do homem, do que uma familiaridade estéril com as coisas sagradas. Mais uma vez eu digo, não são somente os privilégios que fazem as pessoas cristãs, mas a graça de Deus. Sem isso, nenhum homem jamais será salvo.

Eu peço para os filhos de pais crentes que gravem bem o que eu estou dizendo. Ser filhos de pais crentes é o mais elevado dos privilégios, pois torna-se o alvo de tantas orações. Realmente é uma bênção aprender o Evangelho na nossa infância, e ouvir falar de pecado, de Jesus, e de Deus, e santidade, desde o primeiro momento que podemos lembrar. Mas, cuidado para que vocês não permaneçam estéreis e infrutíferos no meio de todos estes privilégios; precavenham-se para que seus corações não permaneçam duros, impenitentes e mundanos, sem se quebrantar às muitas vantagens que vocês desfrutam. 

Vocês não poderão entrar no reino de Deus pelo crédito de seus pais. Vocês próprios têm que comer o Pão da Vida e ter o testemunho do Espírito nos seus próprios corações. Vocês têm que ter arrependimento próprio, fé própria e sua própria santificação. Se não, vocês não serão melhor que a esposa de Ló. Eu peço a Deus que todos os cristãos professos destes dias possam aplicar estas coisas aos seus corações. Que nós nunca esqueçamos que os privilégios sozinhos, não podem nos salvar.

Luz e conhecimento, pregações fiéis, meios abundantes de graça e a companhia de pessoas santas são todos grandes bênçãos e vantagens. Feliz aqueles que os tem! Mas no final de tudo, há uma coisa sem a qual privilégios são inúteis: a graça do Espírito Santo. A esposa de Ló teve muitos privilégios; mas não teve a graça de Deus em seu coração.



John Charles Ryle

domingo, 11 de agosto de 2013

Seitas e heresias

Atos 24.14 ( Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas.)

Nos escritos do novo testamento vemos várias vezes a palavra seita. As seitas judaicas se caracterizaram após o período do segundo templo, a palavra grega, αιρεσις hairesis que quer dizer seita significa um grupo de homens escolhendo seus próprios princípios (seita ou partido).

Tanto é assim que nas palavras do NT. Vemos algumas designações de seita, por exemplo: At. 15.5 (Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés.) Seita ou partido dos fariseus, considerados nacionalistas e ortodoxos.

At. 5.17 (Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja.) Seita dos saduceus, apesar de pertencerem a família sacerdotal; desde os tempos dos Macabeus os saduceus ficaram inclinados a alguns ensinamentos gregos, e também diferentemente dos fariseus não aceitavam as instruções orais.

Lc. 6.15 (Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote.) Seita dos zelotes, desde a época dos Macabeus, havia entre os judeus um classe de homens, chamados Zelotes, que era fanaticamente apegada à lei mosaica a ponto de recorrer à violência,  com o pretexto para os mais terríveis crimes.

At. 24.5 (Porque, tendo nós verificado que este homem é uma peste e promove sedições entre os judeus esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos.) Os nazarenos foram os que da Galileia uma cidade de Nazaré foram os que mais tarde passaram a ser chamados de cristãos, At. 11.19 (Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.)

At 11.25-26 (E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.) Outra seita não menos importante foi a dos essênios, conhecidos como a seita do mar morto, esta seita tinha como principal característica a crença nos poderes gêmeos, entre Deus e o diabo.

As seitas e ramificações religiosas não eram bem vistas por cada grupo, em outras palavras cada grupo acusava o grupo rival de ser uma seita. Atualmente vemos a mesma disposição, a diferença é o acréscimo de milhares de denominações se dizendo cristãs, cada qual dizendo possuir a verdade, cada qual fazendo uma espécie de “terrorismo” teológico para as “seitas” “os de fora”.

Já o NT. nos ensina e diz claramente como podemos identificar uma seita, não só isso, nos ensina como podemos identificar uma seita e suas heresias. Com propriedade Paulo o apóstolo dos gentios nos diz que nós não precisamos nos ancorar em nada além de Jesus Cristo. além do mais Ele nos aconselha a não aceitarmos um “evangelho” diferente do qual Ele Paulo pregou. E se cremos que os seus escritos foram inspirados... Gl. 1.6-9 (Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.)

Que heresia é esta tão grande, a ponto de alguém ser amaldiçoado? Será quais as denominações cristãs estão incluídas neste anátema? (Entre muitos significados da palavra anátema está também alguém ser amaldiçoado.) O evangelho que Paulo pregava era um evangelho sem misturas ou dogmas desnecessários, Paulo acreditou e pregou que Jesus morreu pelos nossos pecados segundo as escrituras, este é o princípio do evangelho.

1Co. 15.1-4 (Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.)

Os versos são evidentes por si só, Paulo relembra aos corintios o evangelho o qual Ele mesmo recebeu. E passa então a síntese do evangelho, de que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e que os que creem devem ser perseverantes. Este é o evangelho,  culminando então com a parousia.

Naturalmente os cristãos não vivem uma vida desregrada, a ética e a moral são as bases do cristianismo, portanto ninguém se engane dizendo que o evangelho da graça nos da direito de vivermos dissolutamente, o evangelho trás liberdade, não libertinagem. Gl. 5.19-21 (Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.)

O não praticar as obras da carne, ou em outras palavras a tendência natural humana, é obra do espírito santo naqueles que aceitam o evangelho, é obra de Deus em nós os que cremos. Podemos dizer sem medo de errar que seitas são todas as denominações ditas cristãs que acoplam em sua mensagem aquilo que não edifica, aquilo que é desnecessário para a salvação, aquilo que não é bíblico, tudo que é idolátrico, dogmas e doutrinas que apenas diferenciam a sua mensagem dando a impressão de ser diferente, mas que não transforma, só aprisiona.

O próprio exclusivismo, o mercantilismo e o separatismo religioso torna tal denominação em uma seita herética perigosa. Lembrando sempre que tais heresias só são percebidas por aqueles que não estão contaminados com o sistema, ou vinculados pelo sistema religioso que ele(a) mesmo se prendeu. Tal indivíduo vê a sua corrente doutrinária como sendo a única verdadeira da terra, como sendo possessão particular e exclusiva de Deus. Lembrai-vos sempre das palavras de Paulo ...se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. Em outras palavras, além do contido na bíblia.




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Estudo sobre a pré-existência de Jesus.





1 - Jesus preexistiu como anjo, arcanjo ou começou sua existência apenas quando nasceu de Maria?

2 - Se Jesus já existia antes de se tornar humano, deveria ser também imortal, então como poderia ter morrido conforme ensina a escritura? Não seria esta a mesma teoria da Trindade?

3 – Jesus numa existência anterior imortal poderia “aniquilar” em si mesmo essa imortalidade para se tornar homem? Este ensino é realmente bíblico?

4 – Encarnação é um termo bíblico?

5 – Por que têm sentido figurado textos que falam dos cristãos existindo antes da fundação do mundo e versículos sobre Jesus existindo antes do seu nascimento têm que ser literais? (Ex. Efésios 1:4 – 2 Tim. 1:9).
Obs: Deus falou por meio do profeta Isaías  a cerca rei Ciro, muito tempo antes de Ciro ter nascido, como se ele existisse no tempo do profeta. Veja Isaías 44:28; 45:1,13 e Isaías 48:14. Segundo estudiosos o profeta Isaías viveu mais de um século antes do  rei Ciro ter nascido, e Deus falou do rei Ciro como se ele fosse um contemporâneo do profeta Isaías  Portanto, qual a diferença quanto à questão da pré existência entre Cristo e o rei Ciro? 

6 – O que significa o termo “palavra” ou “verbo” nos escritos de João? É uma concepção, idéia na mente de Deus, ou é uma “pessoa literal?” 

7 - Como pode um Ser Eterno, Imortal e Invisível, gerar um Filho com sua própria substância, natureza e essência, NA ETERNIDADE, DE SI MESMO, PORÉM SUJEITO À MORTE?

8 – O que confere realmente a Jesus o Status de Filho de Deus? Seu nascimento pelo poder do espírito Santo no ventre de Maria, ou seu nascimento na eternidade? 

9 – A que tipo de “criação” se refere Hebreus 1:2 e Colossenses 1:15,16? Seria a criação original de gênesis ou uma nova criação espiritual de homens e mulheres? 

10 - É correto aplicar sentido literal a textos que falam de uma glória e existência de Jesus (João 17:5 e 8:58) antes de todas as coisas serem criadas (Hb. 1:2, Cl. 1:16), uma vez que a escritura enfatiza que Ele se fez merecedor desta glória apenas após a ressurreição? Hebreus 2:9/ Atos 3:13 e 1 Pedro 1:21?  

11 - A bíblia diz que Deus criou tudo sozinho por sua palavra (Isaías 44:24 e Salmos 33:6 e 9), então seria correto afirmar que Jesus estava com O Pai na criação do mundo?  

12 - Qual seria então a verdadeira interpretação de João 1:1-18 e Colossenses 1 e 2 tendo como base que só há 1 Deus verdadeiro e este Deus é O Pai?  

13 - Ser enviado por Deus (no caso de Jesus) implica necessariamente que deva ser de algum lugar, nesse caso - do céu para a terra? Ou ser enviado indica comissionamento? Existem homens de Deus nas escrituras que foram também enviados por Deus? 

14 - Se somente há UM DEUS, o que seria então A PLENITUDE DA DIVINDADE em (COLOSSENSES 2:9)? 


Marcelo Valle.