quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Daniel 7 e 8 não prova o surgimento do adventismo.

A igreja adventista do 7º dia é famosa por promover estudos bíblicos e dentre eles os estudos que falam sobre profecias, quantos leigos não ficaram deslumbrados com as palestras sobre Daniel e apocalipse? Quantos não foram convertidos ao adventismo por participar de uma semana de profecia? (nome dado pelos adventistas quando acontece uma semana de oração com estudos sobre profecias.)

Geralmente nestas semanas proféticas é dado ênfase sobre o livro de Daniel, o objetivo principal é doutrinar os leigos visitantes, com o intuito em esclarecer a "verdade" oculta e com isso converte-los ao adventismo; geralmente os estudos abrangem mais os livros proféticos, mais especificamente o livro do profeta Daniel capítulos sete e oito, e nesse estudo é enfatizado que ambos os capítulos, o sete e o oito representam ou simbolizam o poder de Roma, o capítulo oito a fase imperial ou como dizem os adventistas a fase pagã e o capítulo sete representa a fase papal ou a cristã.

Qual é o objetivo principal dessas semanas de profecias? O principal mesmo é fortalecer a denominação internamente, dizendo com isso tanto para os membros comungantes quanto ao leigos visitantes que a denominação é a única verdadeira, àquela que possui a luz da revelação dada por Deus e que fora dela só existe a condenação no inferno. Mediante a isso, o que devemos fazer? Somente ouvir acreditar e dar-se por satisfeito? Ou pesquisar, principalmente em cima  daqueles versos utilizados, os mesmos que baseiam sua tese?

Naturalmente devemos pesquisar e caso ela esteja com a razão dar-nos-emos por satisfeitos, se não, cai o exclusivismo. Como dito a cima, Para os adventistas, tanto Daniel capítulo sete quanto o capítulo oito representam Roma, para eles, o capítulo (8) representa a fase imperial e o outro (7) a papal; e como eles interpretam isso? Baseados nos chifres pequenos encontrados em ambos os capítulos. Será que tal interpretação é procedente? Vejamos:

Dn. 7. 7-8 "Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas".

Percebemos por estes versos encontrados no capítulo sete, que este chifre pequeno está associado a besta a qual representa o quarto império, tanto que nas visões de Daniel no verso sete é dito o "quarto animal", onde realmente a maioria dos estudiosos acreditam ser uma representação do império romano. E o chifre do capítulo oito? Estaria ele representando um rei ou um reino oriundo do quarto império? Relembrando também que animal e chifres em profecias e isso segundo a bíblia representa reinos e reis, Dn. 7. 23-24 " Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis".

Mas, voltando a pergunta anterior, o chifre pequeno do capítulo oito, também procede do quarto animal? Não! Dn. 8. 8-9 "E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa".

Quem ou o que representa o bode do capítulo oito? Dn. 8. 20-21 "Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia, Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei". Percebe-se claramente uma distinção, este chifre pequeno o qual irá profanar santuário surgiu não do quarto império, mas sim do seu antecessor, isto é, do império grego. 

É dito também que o chifre pequeno do capítulo sete surge da cabeça de um animal, já o chifre pequeno do capítulo oito surge de um chifre já existente, percebemos ainda que o chifre pequeno do capítulo sete aparece em meio aos 10 chifres já existentes, e este chifre não surgiu da cabeça do bode. Já o chifre pequeno do capítulo oito surge de um dos quatro chifres, da cabeça do bode, não do animal terrível do capítulo sete.

Assim sendo, vemos as suas diferenças, o do capítulo sete surge de uma besta, arranca três chifres durante o seu surgimento, é diferente dos outros dez chifres, indicando com isso que ele seria um poder novo e diferente, Dn. 7. 20 "E também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça, e do outro que subiu, e diante do qual caíram três, isto é, daquele que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e cujo parecer era mais robusto do que o dos seus companheiros".

Reparem que o chifre pequeno de Daniel 7. 20 é mais forte ou robusto que os seus companheiros simbolizados pelos dez chifres. O seu campo de influência é a totalidade do quarto império, pois surge da cabeça da besta e se converte no chifre dominante entre os outros dez chifres. Se levanta contra “o Altíssimo” e os “santos do Altíssimo”. Em primeira instância estes são os santos de Deus através de todo o quarto império. Estas são apenas algumas características do chifre pequeno de Daniel sete.

Iremos comparar as características dos chifres e veremos que são plenamente distintos vimos em Daniel 8. 9 que o chifre pequeno surgiu de um dos quatros chifres da cabeça do bode, diferente do surgimento do outro chifre do capítulo sete, que surgiu da cabeça da besta, assim sendo este chifre é um chifre que nasce de um chifre, e também não arranca nenhum chifre durante seu surgimento não diz que este chifre seja novo, ou diferente em alguma maneira.

As palavras aramaicas para chifre pequeno nos capítulos sete e oito se traduzem precisamente como “outro chifre, um pequeno”, já as palavras hebraicas para chifre pequeno nos capítulos sete e oito se traduzem precisamente como “um chifre de pequeno tamanho; ainda sobre o chifre do capítulo oito nos é dito que ele é um chifre que sai de um chifre e um “chifre de pequeno tamanho” significando com isso que é um tanto insignificante quando se compara com os quatro “chifres notáveis” e o primeiro chifre do bode.

E é dito ainda que ele pertence somente a uma das quatro divisões do poder do bode. Sua atenção se restringe principalmente a uma província menor de uma divisão do império do bode (Grécia) Dn. 8. 9 "E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa". Ou seja, a “terra gloriosa” que é a Palestina. E a sua malevolência é dirigida contra o povo judeu, ao sumo sacerdote, os sacrifícios, e o santuário, o próximo verso nos diz exatamente isso.

Dn. 8. 10 "E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou". Dn. 8. 23 "Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações". E falando ainda sobre este chifre que resolveu investir contra Jerusalém é nos dito que a palavra rei para este verso é Melek que quer dizer rei e não malkuw que quer dizer reino, portanto o verso 23 está tratando de uma pessoa, um rei e não do império romano e sua extensão. 

Dn. 12 "E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou". O príncipe do exército é Jesus? De maneira nenhuma o verso está dizendo isso. A palavra príncipe é SAR e é o mesmo que, governante, líder, chefe, comandante, oficial, capitão, líderes, príncipes (referindo-se a ofícios religiosos). O sacrifício diário foi tirado por este rei por causa das transgressões, transgressões não dos cristãos como diz EGW, mais sim dos judeus dos dias de Daniel esta é a verdade.

Outro fato que joga por terra a interpretação adventista é a questão das tardes e manhãs, Dn. 8. 14 "Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado". A palavra tarde deste verso é ereb, é o mesmo que tarde, por do sol, e manhã boqer que quer dizer fim da noite, nascer do sol. O verso está dizendo literalmente 2300 tardes e manhãs. Caso fosse 2300 dias a palavra deveria ser yowm que quer dizer dia. Outro fato bastante relevante e que contribui grandemente para jogar por terra a teoria adventista do santuário está no fato da purificação do santuário de Daniel 8. 14 nada tem a ver com a purificação de Levítico 16.

A palavra purificado de Daniel é tsadaq que quer dizer, ser justo, ser correto, ao passo que o verso de Levítico 16.33 que fala sobre a expiação é kaphar que é o mesmo que cobrir, purificar, fazer expiação, fazer reconciliação. Percebemos então que os versos são completamente diferentes, e nada tem a ver a purificação do santuário Levítico com as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8. 14.

Assim sendo, duas questões importantes merecem ser destacadas: (1) a profanação do santuário não foi feito pelo chifre do capítulo sete, ou o chifre que surge do império romano, o chifre que profanou o santuário surgiu dos quatro chifres os quais descenderam da cabeça do bode, o qual segundo Daniel representa o império grego. (2) Para o adventismo a doutrina do santuário é a base que sustenta a coluna central da denominação, o problema é que esta base é extremamente frágil e essa fragilidade pode começar a ser entendida neste assunto. 

domingo, 15 de julho de 2018

Jesus viveu como Deus antes de seu nascimento? O que diz a bíblia?

Várias passagens bíblicas parecem implicar que Jesus Cristo existiu de alguma forma no céu antes de aparecer aqui na terra. A maioria destas passagens encontram-se no Evangelho de João.. Por exemplo: Jo. 6. 38 “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.” Jo. 6. 62 “Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?” Jo. 8. 58 “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.” Jo. 17. 5 “E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.”  

É argumentado que estas afirmações são claras e que devemos aceitar o ensino bíblico que Jesus viveu anteriormente no céu. É certo que as passagens são claras, mas isso não significa necessariamente que devemos considerá-las como literais. Existem outras passagens bíblicas que são tão claras como estas e, no entanto não as consideramos literalmente, ainda que as pessoas que as ouviram estas palavras não sabiam inicialmente como considerá-las. Muitas destas passagens também se encontram no Evangelho de João. Por exemplo: 

Jo. 2. 19-20 “Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?” Jo. 3. 3-4 “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”   

Jo. 4. 13-15 “Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la.” Jo. 4. 34 “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” Jo. 6. 50 “Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça.” Lc. 9.23 “Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti”. E Gl. 2.19 “Estou crucificado com Cristo… 

Da mesma maneira como não tomamos as anteriores afirmações literalmente, tampouco devemos tomar em sentido literal as afirmações de que Jesus viveu anteriormente no céu antes de nascer na terra.. Em primeiro lugar, a Bíblia afirma que Jesus é um homem. Is. 53. 3 “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum”. Jo. 1. 30 “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.  

Jo. 8. 40 “Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.” At. 2. 22 “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”. At. 17. 31 "Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. Rm. 5. 15 “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos”.1ª Co. 15. 21 “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem”.   

Quando nascemos trazemos as características de nossos pais, o mesmo podemos dizer de Jesus, assim por sermos humanos temos os nossos antecedentes com Jesus foi a mesma coisa, por ser homem ele teve os seus antecedentes, Mt. 1. 1 “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Se Jesus não nasceu de forma normal e real nessa altura, em que sentido pode ser filho de Abraão e Davi, ou mesmo de Maria? Outra característica humana de Jesus se encontra em Lc. 2. 52 “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”.

Como pode ter crescido em sabedoria se antes de nascer já era um ser celestial dotado de sabedoria? E se Jesus abandonou toda a sua sabedoria e conhecimento anterior para nascer na terra como homem, como pode continuar a ser a mesma pessoa? Já que a essência de qualquer pessoa é a totalidade das suas experiências e sabedoria adquirida ao longo da sua vida. Também o autor de Hebreus diz que Jesus foi aperfeiçoado e aprendeu a obediência através das suas experiências aqui na terra Hb. 2. 10 “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles”.  

Hb. 5. 8 “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu". Mas como pode ter sido aperfeiçoado aqui se antes de nascer já era um ser celestial perfeito e poderoso? Existia entre os judeus a ideia de que um bom mestre “vinha de Deus”, mas não no sentido de ter vivido nos céus com Deus antes de nascer Jo. 3. 2 “Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele". 

No entanto, não há provas de que Nicodemos cresse que tinha existido literalmente nos céus antes de nascer. Se a Bíblia aparentemente insinua que Jesus veio do céu, diz o mesmo de outros homens. Jo. 1. 6 “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João”. A frase afirma literalmente que João veio da presença de Deus, assim como Jesus, mas ninguém mantém que João tivesse preexistido no céu. Outro caso é o do profeta Jeremias, Jr. 1. 5 “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”. 

Estas palavras tomadas literalmente implicam que Jeremias existia antes de nascer, mas ninguém as toma nesse sentido. Significam que antes do profeta nascer, já sabia como seria e já tinha decidido que quando nascesse o nomearia para profeta às nações. Antes de nascer, Jeremias existia somente na mente e no plano de Deus, que conhece todas as coisas antes que existam. O Novo Testamento diz que Deus escolheu alguns antes que nascessem, falando como se já existissem. Ef. 1. 4“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. Paulo diz que Deus “nos escolheu nele [Cristo] antes da fundação do mundo,” o que implica que se Cristo existia naquela altura, também existiam as demais pessoas que iam crer nele. Na realidade, Paulo está falando da predestinação, o fato de que Deus conhece de antemão quem vai nascer e que papel terá no seu plano e propósito. 

Paulo ainda nos fala da “graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” 2ª Tm. 1. 9 “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”. Como se todos os eleitos já existissem nesse tempo. Da mesma forma o apóstolo Pedro explica as alusões à suposta “preexistência” de Jesus Cristo ao dizer que foi “conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” 1ª Pe. 1. 20 “O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós”. 

Uma das maneiras encontradas para tentar defender a pré-existência de Jesus é dizer que ele possuía uma glória antes de se encarnar e o texto utilizado é Jo. 17. 5 “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse". É obvio que Jesus não pode ter desfrutado dessa glória ainda que realmente existisse nessa altura, visto que as Escrituras enfatizam que só se tornou merecedor dessa glória ao completar na cruz a sua vitória sobre o pecado, os versos a seguir nos confirmam isso. Hb. 2.9 “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. 

At. 3. 13 “O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto”. Isso só aconteceu após a ressurreição, Pedro também diz que Deus ressuscitou a Jesus e lhe deu glória. 1ª  Pe. 1. 21” E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus”. O próprio Jesus, falando com dois discípulos enfatiza que a sua glorificação era posterior aos seus sofrimentos, Lc. 24. 26 “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?”  

Jo. 7. 39 “E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.” Jo. 12. 16 “Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram”. As passagens anteriores demonstram que Jesus não pode ter literalmente usufruído glória antes do seu nascimento, porque somente podia recebê-la depois de ter terminado o seu ministério com êxito.  

Tanto a existência de Jesus antes que o mundo existisse, como a sua glorificação, somente podem ter existido de forma antecipada na mente e propósito de Deus. Este propósito foi aos poucos revelado aos profetas. As passagens que são citadas para apoiar a ideia da suposta “preexistência” de Jesus Cristo não indicam que realmente vivesse no céu antes de nascer. Simplesmente enfatizam em linguagem figurada o fato que a aparição do Senhor Jesus na terra não foi uma coisa do acaso, mas um acontecimento que foi determinado e autorizado por Deus desde antes da criação do mundo.  

domingo, 1 de julho de 2018

Estamos ligados a videira?

Jo. 15. 1-6 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.”  

Nos dias bíblicos as pessoas estavam familiarizadas com a questão da agricultura, portanto, eles não tiveram dificuldades em entender esta parábola. O verso dois, diz que simbolizado por um lavrador o dono da terra, Deus, limpa todo aquele que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. O interessante também é que todo aquele que se diz cristão é comparado com uma vara, vara esta que sustenta os frutos, contudo tal vara não pode por si só dá fruto, é preciso estar ligada a videira, que segundo o relato bíblico é Jesus Cristo.

Vemos então que Deus, como lavrador, amavelmente limpa, lava, purga e purifica os nascidos de novo de tudo aquilo que não contribui para sua maturidade espiritual Ou seja, “dar frutos”. Isto pode ocorrer de várias formas: disciplina, ensinamentos, provações, etc. Mas, o que acontecerá com as varas infrutíferas? Portanto, iremos atentar mais para essa questão. O que Deus irá fazer com as varas infrutíferas, e o que elas representam? Há ao menos dois pontos de vista que tentam interpretar essas passagens.

A interpretação popular ou mais aceita no mundo cristão vem daqueles que acreditam no livre arbítrio, para eles as “varas infrutíferas” são cristãos autênticos que, por causa de sua falta de frutos, perdem a salvação. Para eles é de suma importância o cristão produzir frutos, em outras palavras nós temos por nós mesmos, produzir frutos.

A outra opção e a que mais está em conformidade com a bíblia é aquela que diz que as “varas infrutíferas” são supostos “discípulos” que experimentam somente uma conexão externa e superficial com Jesus. Embora eles “creiam” e “sigam” a Jesus em algum sentido, sua ligação “não se encaixa com uma união interna, espiritual pela fé pessoal e regeneração” Portanto “as varas sem frutos são varas sem vida contrariando aquilo que Jesus diz, todos os que estão em mim, esses dão muitos frutos.

Vejamos como a bíblia apoia esta última interpretação como sendo a mais lógica e acima de tudo mais bíblica. Afirmar que de qualquer maneira precisam produzir frutos todos os que se dizem ou serão lançados fora é algo que não tem apoio bíblico, Jo. 10. 28-29 “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”. Aqui é dito que aqueles a quem ele dá a vida eterna nunca perecerão.

Mais decisivo ainda é a palavra usada em Jo. 15. 6 “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”. Jesus diz que as varas infrutíferas serão “lançadas fora”. Jo. 6. 37 “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. 

Assim sendo dizer que todos os que se dizem ser cristão precisam a qualquer custo produzir frutos é contradizer as palavras de Jesus. O que Jesus disse nesses versos é que há pessoas que produzem frutos, há aqueles que irão produzir é outros que jamais produzirão, e esses serão lançados fora, As varas infrutíferas são “lançados fora” (v.2). A vara infrutífera é “lançada no fogo” e “queimará”  Mt. 3. 12 “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará”. Ap. 20. 15 “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

A realidade é que as varas infrutíferas são pessoas não-regenerados e é apoiada pelo que o Evangelho de João diz sobre “crentes” não-salvos. Em outras palavras, João frequentemente retrata pessoas como “crendo” em Jesus, que claramente não são nascidas de novo. Há crença e crenças. Jo. 2. 23-24 “E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia”.        

Mesmo entre aqueles que seguiam Jesus que se diziam ser seus discípulos, muitos não criam Jo. 6. 64 “Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar”. Portanto, deve haver uma distinção entre discípulos. Existe no Evangelho de João, portanto, uma “fé” ou “crença” superficial, transitória, que pode ser baseada unicamente em milagres vistos, mas não é fundamentada no fruto de um entendimento salvífico e a confiança em que Jesus realmente é. Pessoas como essas estão, de alguma forma, conectadas ou unidas a Jesus, o bastante para que elas possam ser chamadas de “discípulos”, ainda assim não são discípulos. Estas são as varas infrutíferas de João 15.

Permanecer em mim, o que significa? O permanecer em Cristo significa não só crer em Cristo, mas fazer o que ele ensinou. Assim sendo, não existem verdadeiros cristãos sem algum tipo de fruto. Frutificar é a marca infalível do verdadeiro Cristianismo; a alternativa é a madeira morta, e as exigências da metáfora da videira faz necessário que cada madeira esteja conectada com a videira. Não existe vida neles; eles nunca deram frutos, ou então eles seriam limpos, não lançados fora. Porque Jesus é a videira verdadeira, é impossível pensar que algum ramo que não dá fruto possa ser considerado parte dele.

A conclusão que se chega é que esta passagem não ensina que um cristão verdadeiro, nascido de novo, possa apostatar da fé e perder sua salvação. Ela ensina que é impossível dar frutos fora da união doadora de vida, salvífica, com Jesus, e é impossível não frutificar quando esta conexão com Jesus realmente existe. Também ensina que alguns (muitos) que professam estar “unidos” com Jesus, que afirmam “crer” nele, e que mesmo o “seguem” como “discípulos” serão revelados pelo tipo de fruto, como falsos, e, portanto serão lançados fora.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

É bíblico o congregar em uma denominação?

   Infelizmente nós como cristãos no que diz respeito aos assuntos religiosos absorvemos em nossas mentes muito daquilo que nos foi ensinado pela tradição e pouco ou quase nada do fato histórico propriamente dito; e assim, somos facilmente manipulados, tendentes a seguirmos as prescrições dos líderes (e isso em todas as esferas).
   
 Na questão religiosa ou mais propriamente a cristã, percebemos esta absorção principalmente na questão doutrinaria, seguindo de outros ensinamentos tidos como muletas do sistema denominacional, tais como: devemos obedecer ao líder religioso em tudo, visto ser ele o ungido do senhor; não devemos deixar de congregar, estou informado que a minha denominação é a verdadeira e etc.
   
  O assunto de hoje eu quero falar sobre onde devemos congregar. Não é incomum quando estamos conversando com alguém sobre religião e este faz a seguinte pergunta: onde, ou qual igreja você frequenta? Geralmente essa pergunta surge pelo fato de que tal pessoa, absorveu e muito os ensinamentos de sua congregação de que precisamos congregar em uma igreja, ou mais propriamente devemos nos reunir em um templo físico.
   
  E isso se dá naturalmente, devido a questão tratada nas linhas acima, ou seja, nós como povo basicamente só aprendemos ou assimilamos a tradição, não o fato histórico em si. Em outras palavras somos partidários do ensinamento de que Deus só se faz presente em um lugar denominado igreja ou instituição religiosa, a ideia ou o fato histórico de uma igreja no lar não nos soa muito interessante.
   
  Existe um texto que parece apoiar a ideia de que precisamos realmente congregarmos em uma denominação, mas devemos ter sempre em mente que tal parecer só é possível devido a lavagem tradicional que por anos recebemos. Hb. 10. 25 “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”.
   
 A palavra grega utilizada é episunagógé a frase poderia ser traduzida como “Não negligenciemos nossas reuniões congregacionais”, naturalmente a carta foi dirigida primariamente para os judeus convertidos e assim sendo, eles deveriam se reunir com aqueles que partilhavam a mesma fé; eis o problema que surge, onde essas pessoas se reuniram? 
   
  O templo de Jerusalém não era, devido ao fato de não ser permitido a entrada de pessoas que não fossem judeus no interior do mesmo, quanto alguns versos relatam Pedro e outros discípulos dentro do templo, não significa que os demais cristão estavam com eles. Outro fato é que quando eles começaram a pregar a Jesus e a ressurreição foram retirados do templo.
   
  At. 5. 26-28 “Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo). E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou,Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem”.
   
  Deve ser salientado também o fato de que seria impossível a igreja primitiva adquirir um terreno e implantar um templo físico, isso pelo fato do impedimento causado pelos poderes políticos e, sobretudo religiosos, não havia outro meio a não ser reunirem-se nas casas.
   
  Rm. 16. 3-5 “Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo”. Cl. 4. 15 “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa”. Fm. 1. 2 “E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa”.
   
  A história relatada na bíblia testifica com a realidade de que os primeiros cristãos não buscavam a Deus em templos físicos, isso se deu primeiramente pelo impedimento causado pelos poderes dominantes da época, conforme vimos acima e também pelo fato de que o NT. Trouxe uma realidade mais profunda, isto é, uma realidade espiritual. 
   
  No AT. A ordem de culto requereria todo um mecanismo que pudesse ser utilizado para as práticas necessárias que predominavam o rito, tais como: bacias, cálices, mesa, candelabro, altar, incensário, ofertas e etc. assim sendo, necessário seria também um local ideal, não só para abrigar todos os utensílios, como para realizar as práticas exigidas advindas dos ritos e cerimônias.
   
  Apesar de no AT. O local de culto ser instituído por Deus, não existe uma declaração bíblica que sugira que seja neste local o único lugar onde se encontrava Deus, pelo contrário, 2ª Cr. 6. 18 “Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?” At. 7. 49 “O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?”
   
  Isso nos demonstra claramente que não existe um lugar específico para cultuar a Deus, o que a bíblia ensina e estimula são as reuniões daqueles que creem, com o objetivo único de estimular a fé na palavra de Deus. Por isso hebreus 10. 25 estimula a prática da reunião, mas se filiar a um sistema denominacional com o intuito de encontrar Deus é ser guiado demais pelas tradições, Jo. 4. 23-24 “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
   
  Nunca podemos ser levados pela ideia de que o lugar para se encontrar com Deus é num templo feito por mãos humanas, isso é errado. Não devemos pensar que o fato de não pertencer a um corpo denominacional faz com que eu não seja um membro de Cristo, e errado pensar também pensar que o culto nas casas é algo sem valor, lembrem-se Deus é Espírito, talvez são as nossas atitudes e não o local que torna o culto impróprio.
   
  Portanto, a bíblia fala sim de reunião, mas não especifica o local, a bíblia não fala de ajuntamento desordenado ou mesmo em reuniões para se cumprir um ritualismo, o ritualismo cessou, a bíblia fala em congregar sim, no entanto não diz onde, diz também para buscarmos  a Deus e essa busca deve ser em espírito e em verdade,  Mt. 18. 20 “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.
 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Eleitos de Deus.

   A bíblia é clara em dizer que Deus concede salvação ao pecador arrependido. E ainda segundo os relatos da bíblia, a salvação se dá em uma esfera espiritual, logo tal acontecimento se materializa unicamente através da misericórdia de Deus. Porém ao longo dos séculos o cristianismo ao qual conhecemos tem se inclinado a propagar uma espécie de salvação total, ou seja, visto que a salvação se dá através da graça de Deus e Ele ama as suas criaturas, conclui-se então que todos são objetos da sua graça salvadora.

   Em todas as esferas de nossa existência devemos atentar para uma questão irrevogável. O simples fato de alguém querer que algo seja uma verdade não faz com que aquilo se torne uma verdade. Este conceito deve permear o nosso entendimento para a questão da salvação bíblica; em outras palavras o fato de vários ramos denominacionais assumirem o ensinamento da salvação total não autentica tal ensinamento, e nem mesmo torna isso uma realidade.

   Para o humanismo prevalecente e mesmo para a mentalidade cristã atual as palavras “Deus ama a todos” soa como um verdadeiro ensinamento bíblico, pois Deus não quer que ninguém pereça, antes, que todos cheguem ao arrependimento. Este conceito está equivocado e destoa completamente daquilo que a bíblia apresenta como graça salvadora de Deus, por exemplo: Jo. 17.2 “Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” Jo. 17.9“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.”

   A bíblia não diz o porquê Deus escolheu salvar alguns e não a todos, só diz que resolveu salvar alguns. Fato é que os versos acima citados e outros nos demonstram a salvação direcionada para alguns, não sabemos o porquê dessa escolha, assim também não sabemos explicar outros acontecimentos que nos são intrigantes, citarei um, por exemplo: por que algumas pessoas nascem em um lar de uma família extremamente rica ao passo que outras não. Alguém pode questionar dizendo: “ora, simplesmente os pais de tal pessoa eram ricos, herdaram a sua riqueza ou mesmo tiveram uma enorme herança e etc. e o filho se beneficiou disso”   

   Bem, isso pode até ser uma boa justificativa, mas não responde o porquê determinada pessoa teve que nascer nessa família e não em outra menos favorecida, o que esse filho (a) fez ou teve de melhor para ter tal privilégio? Essas são questões que raramente são tratadas e discutidas, fato é que não sabemos o porquê. Uns acreditam que o “destino autônomo” fez e faz isso, outros o acaso, eu acredito que o destino não é autônomo e muito menos que exista o acaso fortuito, não, não é uma redundância, aos nossos olhos pode parecer que exista o acaso, porém jamais devemos crer em algo ocorrendo de forma aleatória e sem propósito.   

  Uma coisa nós podemos ter certeza conforme nos é relatado na bíblia Pv. 16.4 “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.” O verso está nos dizendo que Deus não faz nada sem propósito, mesmo naquelas coisas as quais parecem insignificantes e sem importância. Assim sendo Deus pode muito bem em sua sabedoria eterna ter escolhido alguns para salvação e outros não, e com relação ao verso de provérbios descrito acima, não existe uma exceção a regra, isto claro analisando de uma forma ultra mundana. 

   Mas e com relação a salvação total? Muitos objetam usando mesmo a bíblia para “comprovar” a tese da salvação total, geralmente o verso utilizado e João 3.16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” O argumento se dá da seguinte maneira: “O verso por si só é bastante explícito, diz enfaticamente que Deus amou o mundo”.

   Isso é fato, diz realmente que Deus amou o mundo, o problema e não analisar o que acompanha o verso, por exemplo: o mesmo verso diz que todo o que Nele crer não irá perecer, mas se o amor é estendido ao mundo como alguns irão perecer? Objetarão dizendo: “ora esses escolheram crer em Deus, por isso serão salvos”. Na verdade esta é uma tese inválida, o amor de Deus não depende de uma via de mão dupla, ou seja, nós não iremos amar a Deus se antes Ele não nos amar primeiro, 1ª Jo. 4.19 “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

   Gl. 4.9 “mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?” Mas a objeção pode continuar, “mas a bíblia diz que o mundo é objeto do amor de Deus”. Foi como disse acima, não podemos ignorar o todo da bíblia para abalizar um pensamento, nem sempre podemos interpretar um verso bíblico, baseado no nosso entendimento ou mesmo na disposição de entendê-lo.

   Primeiramente vimos Jesus rogando a Deus por aqueles que estavam no mundo mas não eram do mundo, e o verso a seguir repete o mesmo, Jo. 17.16 “Eles não são do mundo, como também eu não sou”. A bíblia no que diz respeito a salvação geralmente separa o mundo daqueles que estão no mundo, porém, em outros aspectos ela inclui o mundo fora do mundo, ou seja inclui o mundo dentro de uma localidade, At. 17.6 “Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.”

   Para os judeus que habitavam em Tessalônica “a mensagem que estava trastornado o mundo” chegou por lá também. Jo. 7.4 “Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. O mesmo disseram os irmãos de Jesus, ir a festa em Jerusalém seria manifestar os seus feitos para o mundo. Jo. 12.19 “De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele” Neste caso aqui o mundo era os seus seguidores e mesmo os simpáticos aos seus ensinamentos.

   Com relação a salvação a bíblia separa os eleitos dentre o mundo, Ef. 1.4 “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”. Jesus faz uma separação nítida entre as suas ovelhas e os bodes que não lhe pertence, Jo. 10.26-27 “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”.

   Assim sendo fica claro que o mundo em sua totalidade não é objeto da salvação de Deus, e também não nos é dito o porquê que não é, dentro da visão bíblia só podemos dizer aquilo que já foi dito, o livro de apocalipse nos revela o por que o mundo como um todo não será salvo, Ap. 17.8 “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá”.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Afugentando o "poderoso" inimigo pela resistência.

   No que diz respeito à interpretação bíblica, quase sempre seguimos a interpretação popular, isso acontece devido ao fato de ouvirmos repetidas vezes que a interpretação real da bíblia está com os líderes da cristandade. Qual a interpretação que a cristandade como um todo tem dado acerca de Tiago capítulo 4 verso 7? “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” A interpretação popular acerca deste verso ensina que o diabo como um ser pessoal muito poderoso instiga as pessoas a cometerem pecados.

   No entanto, percebemos que não existe uma declaração bíblica neste verso dizendo que o diabo é um ser pessoal, porém se levarmos outras declarações ao pé da letra o diabo pode ser entendido de várias formas: como sendo um homem, Jo. 6. 70 “Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.” Ou mesmo como um leão, 1ª Pe. 5. 8 “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.”

   E é descrito também como sendo um dragão e uma serpente, Ap. 12. 9 “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Assim sendo, não podemos interpretar as passagens quando se referem ao diabo de uma forma literal ou teríamos que assumir que o diabo possui muitas faces, algo que não tem apoio bíblico.

   Só para fixarmos o que outrora já estudamos, vale a pena relembrarmos que o pecado reside dentro de nós e não fora, as tentações em muitos casos estão do lado externo, mas não o pecado, Rm. 7. 20 “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.”  Jr. 17. 9 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”  Tg. 1. 14 “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

   Estes e outros versos vêm confirmar o fato de que o diabo é a personificação da natureza humana corrompida e isso no que se refere a tentação e mesmo no que diz respeito à maldade humana. Assim sendo, a bíblia personifica a tendência humana caída, e dá vida a esta personificação por meio de símbolos, como dragão, serpente leão e etc. a cristandade como um todo tem declarado ser o diabo uma criatura tão “poderosa” a ponto de ser quase invencível, no entanto, o verso sete de Tiago quatro nos revela algo que seria impossível de acontecer no mundo literal, afugentar um ser muito poderoso.

   A resistência ao diabo, isso mesmo! Um ser super poderoso que pode ser vencido pela nossa resistência a ele, “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” Naturalmente a resistência não poderia ser um impedimento a um ser espiritual com grandes poderes a menos que este ser super poderoso esteja sendo representado de uma forma metafórica e essa representação é ilustrada pelo apostolo Pedro, 1ª Pe. 5. 8 “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.”

   Se entendermos o diabo como sendo literal teremos que admitir que ele literalmente virá ao nosso encontro com o objetivo de nos matar, ora, o permanecer firmes na fé não seria suficiente para fazer retroceder um adversário sobre humano que está ao nosso redor pronto para literalmente nos devorar, assim sendo a fé e a resistência oferecida por nós seria insuficiente para uma batalha contra um inimigo sobre humano o qual pode ser classificado por serpente, dragão, homem ou leão. 

   Volto a repetir, o diabo na bíblia, sobretudo no NT. Deve ser entendido de duas formas (1) os nossos desejos pecaminosos que fazem guerra na nossa mente (2) as autoridades contrárias aos ensinamentos bíblicos, sempre tendo em mente as autoridades do 1º século, isto é, autoridades judaicas e romanas, infelizmente o diabo em forma do poder civil e mesmo religioso sobreviveu e está presente também em nossos dias.

   Muitos poderão dizer:- Pedro está fazendo uma analogia demonstrando o poder do inimigo... Ora, uma vez que o ato de devorar não é literal, e nem mesmo a literalidade pode ser aplicada ao leão, podemos inserir nesta analogia o andar ao derredor, em outras palavras a analogia existe realmente, no entanto ela está representando não um inimigo espiritual, mas sim o sistema politico religiosa da época, portanto a ação do diabo literal aquele sobre humano também é figurativa.

   Na bíblia as característica de leão tem sido aplicadas para as pessoas, um exemplo são os judeus que crucificaram a Cristo, Sl. 22.  12-13 “Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam. Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge.”  Pv. 28. 15 “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre.” Paulo ao descrever a sua primeira apelação contra as acusações de que estava sendo julgado, diz que foi libertado da boca do leão, 2ª Tm 4. 17 “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.”

   Portanto, a expressão do diabo como sendo um leão que ruge procurando alguém para devorar se refere aos líderes judaicos e romanos que procuravam oportunidades para condenar os cristãos nos tribunais. Por outro lado Tiago 4. 7 vem retratando o diabo como sendo as nossas tendências pecaminosas ou como a bíblia descreve as tendências carnais, por isso ele diz: (resisti ao diabo e ele fugirá de vós). E isso pode ser confirmado lendo os versos anteriores.

   Tg. 3. 14-15 “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.” Reparem na analogia, (sabedoria terrena e diabólica) se é terrena é diabólica e vice versa. Outros versos vem nos confirmar exatamente a questão do diabo e a natureza pecaminosa, Tg. 4. 1-3 “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?  Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.”

   Reparem que não há nada que mencione a atuação de um ser espiritual nos instigando a pecar, pelo contrário, ele diz que tal tendência e comportamento surge nos nossos membros em outras palavras na nossa mente, e o próximo verso nos é dito também que o inimigo de Deus ao contrário do que é ensinado nas denominações cristãs não é espiritual, Tg. 4. 4 “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.

  O inimigo de Deus na verdade é aquele que vira-lhe as costas. Mc. 7. 20-23 “E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem”.

   Aqui existe um paralelo, entre a tendência humana pecadora e as obras do diabo, só conseguiremos resistir ao diabo tendo sempre em mente a palavra de Deus, na medida em que absorvemos os ensinamentos práticos da bíblia a tendência pecaminosa contrasta com a bíblia criando assim uma resistência natural, este é o ensinamento bíblico, daí o fato de podermos resistir ao diabo, ao contrário se dermos vazão para a nossa tendência carnal passamos a nos tornar inimigos de Deus e o diabo sobrepujara, ou seja as tendências predominarão e prevalecerão.
 







terça-feira, 1 de maio de 2018

A salvação universal existe?

   Talvez um dos maiores erros doutrinários divulgados por quase todas as vertentes do cristianismo seja a ideia de que Deus ama a todos, partindo do ponto de vista humano, pensamos ser certo e atraente o entendimento de que Deus ama a todos. Tal divulgação doutrinária se dá devido o fato de uma má interpretação do texto bíblico encontrado em João 3. 16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

   As pessoas interpretam esse texto dizendo: ora, dizer que Deus não ama o mundo é ir contrário ao ensino claro do verso. Realmente parece inevitável, mas será assim mesmo. Bem podemos tentar entender essa questão analisando-a mais de uma maneira, primeiramente devemos entender que o fato de Deus amar o mundo não deve causar nenhuma estranheza, isto é, a palavra mundo pode significar o mundo como um todo, podemos entender isso como sendo toda a sua criação.

   Assim sendo não existe nada de estranho em Deus amar a sua obra, mas daí dizer que o fato de Deus amar o mundo está incluso todas as pessoas que habitam sobre a terra é forçar um pouco aquilo que o verso quer nos dizer, e se torna mais impensável de acreditar que Deus quer que todos se salvem, isso se torna impossível, Jó. 42. 2 "Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido".

   Ora, acreditar que Deus amou a todos indistintamente a ponto de Ele, não querer que ninguém se perca é desacreditar nas palavras ditas por Jó, ou seja, se todos os propósitos de Deus não podem ser impedidos naturalmente o desejo de salvar a todos seria um propósito a ser realizado por Deus, e por que não será? Outra questão a ser analisada e entendida é: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito", até aqui parece realmente que a salvação é algo universal, no entanto, o restante do verso é que joga por terra tal ensinamento.

   O verso continua dizendo: "para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna". Aqui está a grande questão, o ponto diferencial, os que crerem não perecerão, mas então surge a pergunta: porque muitos não crerão para serem salvos? Vou dizer algo que parece ser contraditório, mas é bíblico, o fato de muitos não crerem se dá pelo fato de não terem sido alcançados pelo amor de Deus para a salvação, e a bíblia testifica isso. Jo. 17. 9 "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus"

   Outro fato de suma importância é que Deus não pode amar os homens exceto em e através de Jesus Cristo. Essa é a razão da eleição, o amor eterno de Deus por alguns, ser “em Cristo”. Somente nele somos perfeitos. Esse é também o motivo da palavra mundo em João 3. 16 não poder se referir a todas as pessoas sem exceção 1ª Jo. 4. 7-9 “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos".

   A palavra (para conosco) na última passagem vem confirmar que Deus não pode estabelecer um vínculo de perfeição com aqueles que estão fora de Cristo. Nem mesmo com aqueles que amam e praticam in justiças, Sl. 5. 4 "Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal". Caso fosse verdade que Deus ama a todos indistintamente este verso não poderia ser considerado bíblico. Não vamos entrar na questão da maldade do coração humano, visto que em muitos casos uma ação reprovada pode ser consequência e não uma causa em si, não que eu esteja justificando.

   Por outro lado vemos casos bem pensados ações realizadas por pessoas instruídas, que levam a efeito situações completamente reprovadas por Deus, por exemplo: A NASA tempos atrás enviou para o espaço o rover Curiosity, um veículo do tamanho aproximado de um carro médio destinado a explorar a superfície de Marte, mas só esse projeto para explorar outro planeta custou só $ 2, 5 bilhões, ao passo que no nosso planeta existe tudo o que é necessário para a subsistência da raça, então por que este é outros recursos não são utilizados aqui mesmo?

   Por que é uma ação reprovada por Deus? é proibido explorar outro planeta? Não o que é imoral aqui é gastar bilhões com pesquisas para procurar algo distante, enquanto que bilhões de pessoas estão morrendo aqui mesmo. Na verdade isso ocorre é porque Deus tem uma conta a acertar com o ímpio. Assim sendo dizer que Deus ama os homens sem salvá-los da sua impiedade e pecado, é dizer que o santo e justo Deus ama o mal.