quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O sábado é um mandamento moral ou cerimonial?

Dentro do cenário religioso tradicionalmente é ensinado que os nossos deveres morais vieram de ordens divinas, (verdade esta a qual também compartilho). O problema está em afirmar que tais valores são oriundos dos dez mandamentos. Sendo assim, as denominações cristãs enfatizam a necessidade de um dia separado para culto, (pensamento que também compartilho). O argumento da maioria delas é que o domingo tomou o lugar do sábado judaico no novo testamento, portanto os líderes denominacionais enfatizam a guarda do domingo como sendo um cumprimento do dia do Senhor.

Ao passo que as denominações sabatistas ensinam a obrigatoriedade da guarda do sábado, tendo como resultado da sua transgressão a perda da vida eterna. De uma forma ou de outra, tanto sabatistas como dominguistas atribuem a guarda do dia do “Senhor” como sendo um meio de adquirir a salvação.

Portanto, visto que os dez mandamentos são ordens divinas e que trás no seu conteúdo os deveres e os valores morais para reger a humanidade, concluiu-se então que a guarda do sábado para os sabatistas ou do domingo para outras denominações (dominguistas) é um dever moral o qual os crentes estão obrigados a cumprir. Entretanto, na minha concepção não acredito que os nossos deveres morais estejam restritos somente aos dez mandamentos. Ao contrário, acredito ainda que os dez mandamentos não tragam no seu escopo integral valores morais objetivos, veremos o porquê disso.

Podemos dividir os valores morais em três níveis distintos, a saber: convenções sociais, preferências pessoais, Deus. Logo em se tratando de questão religiosa todas as denominações erguem a vos dizendo que o mandamento do descanso semanal trás consigo um dever moral eterno. Não podemos negar o fato de que o descanso semanal tem o seu valor moral inegociável, fato é que ninguém é de ferro, mas acreditar que o dever moral está interligado com a obrigação universal de se observar um dia entre os sete não faz sentido.

A menos que seja uma ordem expressa do próprio Deus, como foi com o povo de Israel logo após o êxodo. Repare na parte em itálico (universal) acredito que muitos ao lêem este assunto dirão que foi Deus quem recomendou separar um dia dentre os sete, logo se é uma recomendação expressa do próprio Deus o dia de descanso (variando somente na interpretação do dia em cada denominação.?) significa que tal dia trás consigo um valor moral objetivo e eterno significando que todos, sem distinção, estão obrigados moralmente a observá-lo.

Mas uma simples leitura dos textos bíblicos nos mostra que a ordem divina de se guardar o sábado foi para Israel Ex. 34.27 (Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras, porque, segundo o teor destas palavras, fiz aliança contigo e com Israel.) Dt. 4.13-14 (Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra. Também o Senhor me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos, para que os cumprísseis na terra a qual passais a possuir.) 2ª Cr. 5.10 (Nada havia na arca senão as duas tábuas que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, ao saírem do Egito.)

Argumentar como fazem os líderes religiosos que tais ordens estenderam-se para o Israel espiritual é forçar o texto bíblico, claramente a bíblia nos diz que a primeira aliança foi feita exclusivamente com Israel Sl. 147. 19-20 (Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!)
         
A obrigatoriedade da guarda do sábado para os judeus pós êxodo deve ser entendido como um dever moral? Sim, pois partiu de uma ordem expressa do próprio Deus para a nação, não de uma convenção seja ela religiosa ou social baseada em retóricas ou revelações. O fato de ser consenso entre a nação judaica todo o complexo que compreendia o mandamento do sábado para o povo judeu deve ser considerado um valor moral objetivo.

Porém, para nós os gentios (outros povos) que não recebemos uma ordem direta, vinda do próprio Deus, o valor moral está baseado no princípio do descanso. Princípio este que preenche a necessidade física, biológica e também espiritual do homem, lógico daquele que busca a Deus, mas a questão cerimonial se encontra no fato do mandamento ter o seu princípio regulador alicerçado no horário, ou seja, de por do sol a por do sol. 

A obrigação moral de uma pessoa para com o seu semelhante compreende todos os momentos em que vive tal pessoa, não é determinado por períodos. Imagine se o mandamento que diz: não matarás, fosse regido de por do sol a por do sol, podemos acreditar que a situação do mundo em que vivemos estaria pior do que se encontra. O mesmo pode-se dizer do primeiro mandamento, a ordem de não se ter outros deuses vai além de determinados períodos da semana.

Assim sendo, dentro mesmo do decálogo encontramos sim princípios cerimoniais e encontramos princípios morais dentro dos mandamentos ditos e ensinados como cerimoniais. Êx. 22.21-22 (Não afligirás o forasteiro, nem o oprimirás; pois forasteiros fostes na terra do Egito. A nenhuma viúva nem órfão afligireis.) Êx. 23.2 (Não seguirás a multidão para fazeres mal; nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito.) Lv. 19.16 e 18 (Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.)

Atentemos para o seguinte, os mandamentos cerimoniais estão sempre acompanhados das seguintes expressões: aliança perpétua, sinal perpétuo, mandamento perpétuo, estatuto ou concerto perpétuo entre Mim e vós, nas vossas gerações. A bíblia não fala  que não matar, ou não roubar ou amar a Deus sejam sinal perpétuo, porque estes são mandamentos morais e não podem servir como sinal entre Deus e os judeus , nem entre Deus e qualquer povo, porque são obrigatórios para todos os povos.

As conotações de mandamentos perpétuos, sinal e estatutos perpétuos, caracterizam apenas os mandamentos cerimoniais, conforme Gn. 17.11 (Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós.) Êx. 28.42-43 (Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a pele nua; irão da cintura às coxas. E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação ou quando se chegarem ao altar para ministrar no santuário, para que não levem iniquidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para sua posteridade depois dele.)

Êx. 31.16 (Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações.) Quanto as denominações que insistem que o domingo é um mandamento moral, erram pelo fato de não haver sequer uma menção escriturística que aponte isso. Mas se querem descansar no sábado ou no domingo que o façam, contudo ensinar que tal mandamento é um dever moral passivo de salvação... isso é mentalidade de grupo que querem se destacar dentro do cenário religioso competitivo.




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Deus da bíblia.

Uma pergunta necessária para os cristãos seria: em nossa finitude como imaginamos a pessoa de Deus? O Deus ensinado nas denominações cristãs é real? O Deus da tradição cristã é realmente o Deus da bíblia? Seria tal Deus, um homem encarnado? Como a bíblia classifica o Deus criador de todas as coisas? Primeiramente devemos atentar para aquilo que o próprio Deus descreve de si. Is. 46.5 (A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo?)
          
A primeira parte do verso de Isaías é interessante e é a chave para este assunto, ele nos adverte a não tentarmos entender e nem mesmo tratar Deus com um pensamento humano limitado. O ensinamento bíblico deve ser então a base para tentarmos mesmo que superficialmente entender a pessoa de Deus. Uma questão importante que deve ser levantada é que Deus, a despeito de certas denominações insistirem Ele não tem forma, dar uma forma física para Deus é o mesmo que limitá-lo no temo e no espaço.

A bíblia diz que Deus é um ser pessoal e vivo Jeremias 10.10 (Mas o Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.) Deus não é uma coisa, poder, ou influência. Ele pensa, têm suas vontades, Ele não é apenas o homem lá de cima ou algum tipo de super-homem ou mesmo um servo para alguns.

Deus é um. 1ª Co 8.4. (No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus.) A bíblia diz também que Ele é o primeiro e o último, Isaías 44.6. (Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.)
                        
Além do mais, Deus não é uma trindade de pessoas como é ensinado na cristandade, o Deus trinitário não poderia ser entendido como um, nem mesmo poderia ser compreendido com sendo o primeiro e o último. A bíblia diz sim que ele criou tudo sozinho Isaías 44.24 (Assim diz o Senhor, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra.)
           
Ela ensina também que ele Deus é espírito e sendo assim não tem dimensões físicas, portanto Ele não tem um corpo, contrariando algumas denominações, nem tem Ele quaisquer características que possam ser definidas em termos de tamanho e forma. Isso significa que Deus é invisível. Jo. 4.24 (Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.)

Ninguém jamais viu a Deus 1ª Tm. 1.17 (Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!) 1ª Tm 6.16 (O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!) Isso significa também que Ele não está confinado a um lugar no tempo, mas está por toda parte em todo o tempo Jr. 23.24 (Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor.)

 Totalmente aparte de tudo mais, isso significa que Deus é plenamente consciente de tudo o que se passa em todos os lugares. Isso inclui passado presente e futuro não somente tudo que fazemos ou dizemos, mas todos os nossos pensamentos. Lc. 12.7 (Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais.) Nos é dito também que Deus é eterno Ele não teve princípio. Sl. 90.2. (Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.) Nunca houve tempo em que Deus não existisse e nunca existirá um tempo quando Ele não existirá. Deus descreve a si mesmo como aquele que é e que era, e que há de vir Ap. 1.8. (Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.)
                     
Deus é independente. Todos os outros seres viventes são dependentes de pessoas ou coisas, e ultimamente de Deus, mas Deus é totalmente independente de Sua criação. Ele sobrevive por Si mesmo. Atos 17.25 (Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.) Não pode haver comparação com a santidade de Deus. Que é absolutamente sem falta ou defeito.  1ª Sm 2.2. (Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus.)
                
Deus é perfeito. Seu conhecimento é perfeito. Nada em toda criação está oculto das suas vistas. Hb. 4.13. (E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.) Deus também conhece tudo no passado, presente ou futuro, incluindo todos os nossos pensamentos, palavras ou atos. Sua sabedoria é perfeita e totalmente além do nosso entendimento. Rm. 11.33. (Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!)
                    
Deus é soberano. Ele é o único e supremo governador do universo e nada, não importa o que, está fora do Seu controle. Sl. 135.6 (Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos.) Com Deus não há acidentes ou surpresas Pv. 21.30 (Não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o Senhor.) Jó 42.2 (Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.) Ele escreve toda a história do mundo e opera todas as coisas em conformidade com o propósito de Sua vontade Ef. 1.11 (Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.)

Deus não precisa de conselho ou consentimento para algo que Ele escolha fazer. Nem pode alguém impedi-Lo de fazer o que Lhe agrada: Is. 43.13 (Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?) Dn. 4.35 (Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?)
     
Deus é onipotente, Ele é todo-poderoso. Conforme diz suas próprias palavras, Jr. 32.27 (Eis que eu sou o Senhor, o Deus de todos os viventes; acaso, haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim? Isso não significa que Deus pode fazer ou ser qualquer coisa que possa conceber, tal como fazer uma pedra tão pesada que ele não possa carregar, ou um círculo quadrado. 

(O que a bíblia está dizendo é que Ele não pode mentir ou mudar, ou cometer enganos, ou pecar, ou negar a si mesmo) significa que Ele pode fazer tudo o que deseja, e tudo o que Ele deseja sempre é consistente com o Seu caráter, em outras palavras ele não deseja fazer o que é irracional ou o que é destituído de significado. Esses são apenas breves esboços de algumas das coisas que Deus revelou na Bíblia sobre Sua própria natureza e caráter. Há outras verdades sobre Deus na Bíblia, embora haja muitas coisas sobre Ele que nós, possivelmente, não podemos entender. Conforme nos diz Jó 5.9 (Ele faz coisas grandes e inescrutáveis e maravilhas que não se podem contar.)


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Evidencias a favor da ressurreição de Jesus.

(1ª Pe. 3.15) “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.” Atualmente vivemos em uma sociedade completamente descrente, onde o espiritual é tido como crença de gente ignorante, no entanto em uma sociedade materialista a realidade só pode ser mostrada através daquilo que é visível. O que as pessoas acham da ressurreição de Jesus? Como nós podemos responder com argumentos fortes a favor da ressurreição? Temos certeza em nós mesmos de que Jesus realmente ressuscitou? Como podemos evidenciar esses fatos?

Vários fatores evidenciam a verdade da ressurreição de Jesus, uma das maneiras por meio das quais podemos dizer se um autor está dizendo a verdade é testar o que diz pelo "princípio do embaraço" Esse princípio parte da premissa de que qualquer detalhe embaraçoso do autor é provavelmente verdadeiro. Por quê? Porque a tendência da maioria dos autores é deixar de fora qualquer coisa que prejudique sua aparência.

De que maneira o NT comporta-se diante do princípio do embaraço? Vamos pensar nisso da seguinte maneira: se você e seus amigos estivessem forjando uma história que você quisesse que fosse vista como verdadeira, vocês se mostrariam como covardes tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso o que encontramos no NT. As pessoas que escreveram a maior parte do NT são personagens (ou amigo de personagens) na história e freqüentemente se mostram como “perdidos no acontecimento”.

Eles são néscios — por diversas vezes, não entenderam o que Jesus estava dizendo (Mc. 9.32) “Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo”. (Lc. 18.34); “Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia.” Eles são apáticos — caíram no sono duas vezes quando Jesus lhes pediu que orassem (Mc. 14.32 e 37).    “Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.” Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?

Quando queremos comprovar algo para alguém tomamos o máximo cuidado para não criarmos deslizes e assim sofrermos resistência, a história da ressurreição não é assim, veja que o próprio Jesus chamou Pedro de "Satanás" (Mc. 8.33), “Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” Não que Jesus estivesse dizendo que Pedro estava sendo possuído, mas sim que naquele momento ele estava se tornando um adversário.
           
Se quisermos divulgar uma estória para que ela seja bem aceita, esta deve ser sem atritos, mas repare que Paulo repreendeu Pedro por estar errado numa questão teológica. (GI. 2.11) “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível.” tenha em mente que Pedro é um dos pilares da igreja primitiva, e, aqui, Paulo está incluindo nas Escrituras que ele estava errado!

Eles são covardes — todos os discípulos, com exceção de um, esconderam-se quando Jesus vai para a cruz. Pedro até mesmo o nega três vezes depois de prometer explicitamente “que nunca o abandonaria" (Mt 26.35)  “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” 

Eles também duvidaram.— apesar de terem sidos informados diversas vezes de que Jesus ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia (Mc. 9.9) “Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos.” os discípulos têm dúvidas quando ouvem sobre sua ressurreição. Alguns duvidam até mesmo depois de tê-lo visto já ressuscitado (Mt 28.17) “E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”  (adoraram) no original é proskuneo e significa prostrar-se em reverencia.

Na verdade eles ficaram confusos e com medo das autoridades locais (Mt. 28.1) “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” Tanto foi assim que os discípulos fugiram e se esconderam e as mulheres foram as primeiras a irem ao sepulcro.

Agora, pensemos um pouco: se fossemos qualquer um de nós os autores do NT, incluiríamos esses detalhes embaraçosos se estivéssemos inventando uma história? Escreveríamos que um dos seus principais líderes foi chamado de "Satanás ou adversário" por Jesus, e este mesmo homem negou o Senhor três vezes, escondeu-se durante a crucificação e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica?

Mostraríamos seus companheiros, incluindo você, como pessoas sem sentimentos, covardes estabanados e, ao mesmo tempo, mostraríamos mulheres — cujo testemunho não era nem sequer admitido numa corte — como corajosas que se levantaram a favor de Jesus e que, mais tarde, descobriram o túmulo vazio? Você admitiria que alguns de vocês (os 11 discípulos restantes) duvidaram do próprio Filho de Deus depois de ele ter provado a todos que ressuscitara dos mortos? É claro que não.

O que você acha que os autores do NT teriam feito se estivessem inventando uma história? Você sabe muito bem: teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que receberam, as três negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé!

Os homens que escreveram o NT também diriam que foram eles que contaram às mulheres sobre o Jesus ressuscitando, que eram as únicas que estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter ressuscitado.

Evandro.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Não existe tentação sobre humana.

Alguns textos das escrituras são essenciais para compreendermos corretamente algumas verdades da bíblia, principalmente aqueles ensinamentos que são tidos como verdade absoluta, embora o meio religioso cristão nada faça para esclarecer ou mesmo comprovar tais ensinamentos. Entre aquelas “verdades” que precisam ser esclarecidas se encontra a fábula do diabo. 

Por que o mundo cristão evita pesquisar com mais afinco este assunto? Acredito que se deve a algumas questões, entre elas estão: (1) manter o povo desinformado, isso facilita a manipulação do mesmo, (2) medo, acreditam que não podem desafiar ou desacreditar em um ser tão poderoso, (3) muitos precisam de um substituto que possa “levar” as suas transgressões.

Nesta postagem recorrerei a um capítulo da bíblia, onde veremos que o diabo o qual assusta toda cristandade é apenas uma figura de linguagem, uma personificação da natureza humana corrompida. Veremos que tal inimigo é realmente muito poderoso, contudo não é um ser espiritual do mal como é ensinado pela cristandade, mas como disse a própria natureza humana pecadora.

Em sua primeira carta aos crentes da cidade de corinto, Paulo faz uma admoestação com o intuito de evitar uma debandada da fé das pessoas daquela localidade, naturalmente tal admoestação se estende até os nossos dias. Para isso ele utiliza de alguns acontecimentos históricos ocorridos com Israel, entretanto devemos analisar que tais acontecimentos apesar de verdadeiros e literais, Paulo utiliza neste contexto figuras de linguagem para expressar tal realidade.

1ª Co. 10.1-2 (Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés.) Ora, Paulo estava dizendo que tais pessoas não eram ignorantes ao ensinamento de Deus, o fato de Ele dizer “com respeito a Moisés” quer dizer exatamente isso.

E Paulo continua o seu discurso se valendo de uma figura de linguagem, onde diz que foram todos batizados, tanto pela nuvem, como pelo mar, e todos comeram e beberam de um só manjar e de uma mesma pedra espiritual. Gostaria de dizer também que muitos se falem deste verso para afirmar que Jesus pré-existia, ou que era eterno, isso pelo fato da bíblia dizer: “a pedra que s seguia era Cristo”. No entanto tal argumento é apenas uma evasiva com o intuito de se defender a eternidade de Jesus.

Ora, não se devem aplicar figuras de linguagem com o intuito de se favorecer uma doutrina nem mesmo para comprová-la, entendemos que uma pedra não acompanha ninguém nem mesmo se bebe dela.  Mas, este é um assunto para outra postagem. O fato é que apesar de os israelitas terem sido ensinados por Moisés as coisas concernentes a vontade de Deus não lhes garantiu ficar no agrado de Deus, antes pelo contrário. E isso nos é comprovado no verso cinco. 1ª Co. 10.5 (Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.)

Por que ficaram prostrados no deserto? Qual foi a causa da rejeição de Deus para com o povo? É importante atentarmos para o fato de que estamos sujeitos as mesmas falhas, e se assim procedermos estaremos sujeitos a mesma rejeição, 1ª Co. 10.6 (Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.) Aqui devemos mostrar prudência e sabedoria, os versos a seguir nos mostrarão o que na realidade causou a derrocada daquela geração que saiu do Egito por meio de Moisés.

1ª Co. 10.7-10 (Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.

Quando olhamos para estes versos e vemos o acontecimento histórico nas páginas do antigo testamento, perguntamos: o que levou o povo de Deus a praticar tais atitudes? Acredito que muitos sinceros cristãos quando influenciados, e tendo suas idéias pré concebidas e suas mentes cristalizadas, estou seguro em afirmar que acreditam, que o diabo, o inimigo das almas, levou o povo a prática de tais ações reprovadas por Deus.

O verso onze nos põe em pé de igualdade com os antigos hebreus que morreram no deserto, 1ª Co. 10.11 (Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.) E o verso doze nos alertando diz que aqueles que pensam serem fortes, que estão em pé, cuidem para não cair. Será que o inimigo dos antigos hebreus pós êxodo, está trabalhando hoje com afinco, tendo como objetivo único em nos derribar? (Sim e não). Como é isso? (Sim), o mesmo inimigo do homem que esteve com os antigos hebreus está conosco na atualidade, e (Não), não é um inimigo espiritual.

E o verso treze nos confirma isso. 1ª Co. 10.13 (Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.) [O grifo é meu.]

Voltando um pouco nos versos percebemos que tipo de pecado causou a ruptura e consequente rejeição de Deus para com os homens, entre eles nos é dito: cobiça, idolatria, imoralidades, murmuração entre outros. Isso foi causado por uma instigação demoníaca? Não, nada há que diz isto, antes pelo contrário, nos é dito que nada que nos tenta é de origem sobre humana, a tentação vem de dentro, não de fora. Reparem nas palavras (não nos sobreveio tentação que não fosse humana) isto é muito claro, o diabo é apenas uma personificação da natureza humana pecaminosa, nada além disso.

Se existe uma dificuldade para o cristão se manter perseverante “fazendo a vontade de Deus” imaginem se além da nossa natureza contrária a Deus e sua vontade existisse um ser malévolo nos instigando ao pecado? Não existiria a menor possibilidade de o ser humano vencer um inimigo espiritual superior em tudo. Mas não é assim, apesar da cristandade como um todo não divulgar tal fato a bíblia nos diz, (Não nos sobreveio tentação que não fosse humana). Lembremos sempre, o maior inimigo oculto do homem é sua própria natureza caída.





segunda-feira, 14 de julho de 2014

Futebol, ídolos e inversão de valores...

Devo admitir que aprecio o esporte, entre eles o automobilismo (F1) e o futebol. Nada contra em apreciar uma partida de futebol. Não posso negar, contudo que exista alguma inversão de valores, por exemplo: o que significa o futebol, é ele algo de grande importância? Ora, acredito que o futebol é algo menos importante dentre aqueles menos importantes, isso no que diz respeito a sua necessidade para a manutenção da vida.

Não se pode negar o fato de que principalmente a mídia televisiva tem trabalhado bastante com o intuito em cauterizar na mente dos telespectadores que o futebol seja a coisa mais importante na vida de uma pessoa. Não precisa ser um expert no assunto para saber que o povo aderiu à idéia de que alguns atletas são os seus deuses, e que o seu time do coração é a sua religião. Naturalmente a mídia televisiva percebendo a carência espiritual e emocional do povo explora com todas as suas forças com o objetivo de divulgar a sua propaganda, criar o seu comercio e manter em dia os seus altos salários. Para isso é necessário estimular e propagar o fanatismo.

Não acredito que sem o fanatismo do futebol as coisas seriam melhores, não neste mundo, isso pelo fato de... (Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.) 2 Tm. 3.13. A inversão de valores que citei se dá quando alguém ou mesmo uma nação chega ao extremo em chorar perante os atletas perdedores, mas não se comove tanto com a desigualdade social que grassa e assola o seu país. A inversão de valores se dá quando em campo de futebol a multidão extasiada canta aos prantos o hino nacional, ao passo que contra as mazelas que assolam o seu país, poucos levantam a voz.

A inversão de valores acontece quando um povo chora e lamenta por um órgão riquíssimo que de fato não lhe pertence, mas este mesmo povo raras vezes lamenta o infortúnio do pobre desprovido. A inversão de valores se dá quando uma nação afirma ser um só povo, mas somente para torcer por um órgão, que diz lhe representar, a despeito de não mover uma palha sequer em favor da nação. A inversão de valores continua, quando o órgão que diz lhe representar nada faz de concreto para o país. O que se ganha e o que se perde quando o time de futebol vence ou é derrotado? O povo, nada! 

A inversão de valores se dá quando como deuses os ídolos do povo são aclamados e cercados de jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro, mas o cidadão trabalhador que com empenho que como artista e muitas das vezes com risco de morte desempenha a sua tarefa, de manhã à noite para verdadeiramente ajudar a progredir o seu país... Este não é lembrado. O que dizer do salário do trabalhador comparado com os dos ídolos do povo? São valores corretos ou invertidos? Pobre mundo, onde o povo destituído de saber, como maré é empurrado de um lado a outro.

Como disse acima, não sou contra a prática do esporte, ao contrário, sou espectador do mesmo. Só não participo do feitiço das massas, acredito que o esporte deva ser visto como uma diversão, não como uma questão de patriotismo, algo que realmente não é. O patriotismo só acontece quando o povo e governo querem em um  todo ver o país realmente prosperar, não se pode admitir um país que seja patriota apenas no futebol. Esta postagem não tem como intuito ser contra a prática do esporte, mas sim contra as inversões de valores, Jo. 17.14 (Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.)

O objetivo principal deste assunto apesar de ter demonstrado a inversão de valores o foco principal não são elas, sabemos que o mundo irá de mal a pior, portanto nada podemos fazer para alterá-lo ou sará-lo. O enfoque principal que devemos dar está na questão da mídia manipuladora, ou mesmo na emoção das massas, Jesus mesmo nos disse,  Mc. 14.38 (Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.) Naturalmente não era este tipo de tentação que Jesus se referia, mas tentação é tentação, seja ela qual for.

Muitos dirão: não vejo problema algum em torcer para o meu time. Lógico que não mas, qual é o divisor entre torcer e ser fanático? Saberemos separá-lo? Existem várias razões para evitarmos o fanatismo e dentre elas estão: (1) não podemos como crentes criar deuses para nós Sl. 96.5 (Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor, porém, fez os céus.) (2) não se é espiritual quando não se é racional Rm. 12.1 (Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.)

(3) O fanatismo apela para a emoção e destrói a razão e a justiça, um país de fanático é um país desequilibrado, desestruturado e, portanto caótico. (4) O fanatismo apela para as emoções que nos levarão de acordo com o mundo e suas práticas desiguais, no que tange a questão social completamente desestruturada. E na questão espiritual nos empurrará para as práticas mundanas desaprovadas por Deus, 1.Jo. 2.15 (Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.)

Se o amor de Deus não está em nós é uma prova de que somos do mundo e fazemos a sua vontade; para nós os que cremos qual é a diferença entre fazer a vontade de Deus e a vontade do mundo ou da carne? 1.Jo. 2.17 (Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.) (5) Quando seguimos as massas somos tendentes em seguir as suas reivindicações, portanto iremos sustentar o marketing, o apelo à moda e a propaganda, nos tornando assim escravos do sistema.

Assim como a bíblia nos adverte a não amarmos as práticas mundanas por elas serem destituídas de justiça e misericórdia, não podemos dar vazão a carne Tito 3.3 (Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.)

Nós que não vivemos do esporte devemos apenas considerá-lo como tal, nada além. Apreciado apenas para lazer, não como uma religião, não como um estilo de vida, não devemos tê-lo como algo primordial, ao contrário, lembremo-nos também que os atletas e esportistas em geral são apenas seres humanos, não são deuses, a despeito da mídia insistir e propagar que são. Devemos amar o nosso país, não com uma mentalidade de massa, sendo empurrado por falta de racionalidade e excesso de emoção. O patriotismo não se resume em lágrimas de entretenimento, mas em ação, em cidadania, em cooperação mútua,  buscando com isso educar o povo, para somente assim termos um crescimento justo da nação, mesmo sabendo que justiça e equidade não serão encontradas plenamente neste sistema que ora opera. 2. Pe. 3.13 ( Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.)

Evandro.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Analisando Hebreus 7.12

Hb. 7.12 (Pois, quando se muda o sacerdócio necessariamente há também mudança de lei.)  A palavra lei neste verso é nomos e quer dizer: qualquer coisa estabelecida, qualquer coisa recebida pelo uso, costume, lei, comando de qualquer lei, uma lei ou regra que produz um estado aprovado por Deus.

Pois bem, nesta passagem a bíblia não classifica que tipo de lei foi mudado, nem tampouco destaca que foi a lei cerimonial, o que ela destaca é que o sacerdócio Levítico foi mudado ou retirado. Baseado nesta informação devemos analisar, que tipo de lei era administrada pelo sacerdócio Levítico? Os sabatistas responderão com ênfase: as leis cerimoniais. Alegam que pelo fato da bíblia dizer sacerdotes naturalmente leva à mente do investigador às leis de holocaustos, de purificação e etc.

Porém a bíblia vai além, descreve que juntamente com a mudança do sacerdócio mudou-se também a aliança ou concerto em outras traduções. Não podemos negar o fato de que toda a lei encontrada no antigo testamento inclusive os dez mandamentos estavam inseridos dentro do antigo concerto ou aliança. Fato é que quando os sabatistas querem fazer proselitismo destacam que o sábado está integrado dentro do decálogo e que o decálogo está integrado dentro do antigo concerto, mas a bíblia destaca também que o antigo concerto foi abolido por isso mudou-se o sacerdócio.

Vejam só como os dez mandamentos estavam integrados no antigo concerto Ex. 34.27-28 (Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras, porque, segundo o teor destas palavras, fiz aliança contigo e com Israel. E, ali, esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras.) Dt. 4.12-13  (Então, o Senhor vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência nenhuma. Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.)

Muitos outros textos testificam que a lei ou mais propriamente os dez mandamentos eram à base da antiga aliança, o autor do livro aos hebreus nos diz mais, Hb. 8.6-7 (Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda.)

Mais claro que isso impossível, não resta à menor dúvida de que a antiga aliança foi substituída, mas muitos irão objetar dizendo: o que foi abolido foi o antigo concerto, não a lei. Vimos, no entanto que a lei foi uma parte inseparável do antigo concerto, como disse também, a lei como um todo era a base do antigo concerto, sendo assim os termos lei, aliança concerto, pacto e testamento são usados de modo intercambiáveis. Portanto, a lei e a aliança são paralelas umas a outra, 2 Rs. 18.12 (Porquanto não obedeceram à voz do Senhor, seu Deus; antes, violaram a sua aliança e tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado; não o ouviram, nem o fizeram.)

Sl. 78.10 (Não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei.) É praxe entre os sabatistas; destacam eles que a nova aliança é continuidade da antiga, não uma nova aliança. Mas, percebemos que a bíblia descreve duas questões importantes, (1) o verso diz: nova, não continuidade, (2) é destacado com enfase que a antiga aliança foi abolida. Mt. 26.28 (Porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.) 2 Co. 3.6 (O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.) Hb. 8.13 (Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.)

Ora, aquilo que estava prestes a desaparecer no início do primeiro século não pôde dar continuidade. Além da segunda carta aos Coríntios, a carta aos hebreus descreve com nitidez o fato de que a antiga aliança como um todo foi abolida e consequentemente introduzida outra de superior promessa, Hb. 8.6 (Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas.)

A promessa consiste no fato de que a salvação do crente não seria alcançada por meio de obras, ou seja as obras do crente seria na verdade uma consequência da operação da nova aliança no seu coração, esta é a promessa de Deus para a nova aliança, Hb. 10.16-17 (Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre.)

Os sabatistas reagem dizendo: ora, que contradição, o texto não apóia a idéia da continuidade da lei agora no coração? Verdade, diz mesmo, mas devemos agir com prudência. Lembremo-nos de que toda a antiga aliança era interligada, ou seja, a lei não sobrevive sem o sacerdócio nem o sacerdócio sobrevive sem a aliança nem o pacto sobrevive sem a lei. Também é destacado pelos escritores bíblicos que foi introduzido uma nova aliança por isso a antiga deve ser eliminada. Fato é que Deus introduziu a lei na mente dos crentes, seria certo então admitir que o sábado estivesse neste conjunto?

Bem, creio que para os judeus sim, pelo fato de Deus ter feito a primeira aliança com eles. Mas, por outro lado também ficaria difícil dizer para um judeu que ele não necessitava mais oferecer holocaustos, ou mesmo observar as luas novas, e tantas outras ordenanças encontradas na antiga aliança, isso pelo fato de um judeu reconhecer que não existe uma divisão na lei. A antiga aliança não foi apenas passada de forma oral, o antigo testamento nos comprova que de forma escrita os judeus tinham acesso à aliança.

De igual modo assim é a nova aliança, não a temos apenas de forma oral, mas sim de forma escrita, sendo assim fica fácil pesquisar e ver o que está escrito, com o intuito de deparar o que a nova aliança exige do crente. Vemos a lei na nova aliança? Sim vemos. Vemos a lei como sendo a norma de salvação como se dava na antiga aliança? Não, não vemos. Vemos o sábado como sendo um mandamento obrigatório e dependente para a salvação? Também não vemos. Isso também é fato.


A lei de Deus que foi posta no coração dos crentes na nova aliança é uma lei moral natural objetiva, e tais deveres e valores morais não podem e não estão baseados em: preferências pessoais, convenções sociais (isso inclui certas denominações) ou mesmo a evolução. A promessa bíblica é que a lei de Deus seria implantada no coração do crente e que a sua obediência cresceria na conversão e consequentemente alcançará o seu ápice na santificação. Naturalmente nem todos respondem de maneira positiva ao evangelho, isso é natural, visto que nem todos serão salvos. A lei na nova aliança é espiritual, moral e vai além de estar escrito nas tábuas de pedra. Ela deve estar no coração e ser sem cerimônias e independente do sacerdócio Levítico e suas ordenações recebidas da antiga aliança.

Evandro.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paulo e sua teologia necessária.

No que concerne a questão religiosa, tenho observado em diversos blogs e Sites algumas pessoas menosprezando as epístolas paulinas e consequentemente a sua mensagem. Argumentam os críticos que Paulo não pode ser aprovado por Deus, pois segundo Eles Paulo fala contra a lei e dizem ainda que a justificação pela fé não é uma mensagem do evangelho de Cristo, mas sim de Paulo.

Segundo os críticos, Jesus Cristo ensinou que o homem deve ser perfeito, mas perfeição esta baseada nas próprias “boas obras” que segundo eles o homem pode realizar. Utilizam para isso alguns versos, dentre os quais destaco Mt. 5.48 “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” Segundo os críticos Jesus foi imperativo, portanto para eles a perfeição humana deve acontecer por meios de obras, diferentemente da teologia ensinada por Paulo que diz que as obras são conseqüência da salvação, não a sua causa.

Devo dizer que sou frontalmente e completamente contra tal ensinamento. E para isso devo deixar as minhas razões, Primeiro que Cristo não ensinou uma salvação ou uma perfeição baseada nas obras, caso contrário ele Cristo não poderia ter dito que deu a sua vida em “resgate” por muitos conforme Mc. 10.45 “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”

Claro que os objetores irão dizer que o texto mencionado foi um acréscimo nos séculos subsequentes a fim de dar apoio ao pensamento do resgate efetuado por Cristo. Acredito piamente que houve realmente inserções na bíblia, só não concordo que tais acréscimos e decréscimos deva ocorrer somente nos textos onde são favoráveis aquilo que não creio. Quanto a questão do resgate mencionado no verso acima não irei abordar nesta postagem, só posso adiantar que não é um resgate comumente aceito pela cristandade, em outras palavras os muitos que foram e serão resgatados não foi das mãos do diabo.

Porque então Jesus no sermão do monte ensinou a perfeição baseado nas obras? (1) Jesus nasceu sob a lei Gl. 4.4 “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” (2) O ensinamento de Cristo para os judeus na realidade foi mais uma crítica ao comportamento “santo” que eles exerciam. Na verdade a lei que eles professavam guardar não era externada de forma a demonstrar tal cumprimento.

Analisemos um pouco o contexto do capítulo cinco de Mateus. Após reunir a multidão juntamente com os discípulos Jesus passou a falar uma série de predicados os quais os seus seguidores deverão nutrir, entre eles estão: humildade de espírito, mansidão, senso de justiça, os misericórdia, os pacificadores e etc. Mediante isto, Jesus continua dizendo que os discípulos devem não só agir mais ser assim, visto que eles os discípulos deverão ser igual ao sal o qual acentua o sabor, como a luz, que “espanta” a escuridão e que se tais coisas não acontecerem nas suas vidas, a justiça demonstrada por tais obras serão apenas hipocrisia.

A partir dai Jesus começa a demonstrar que os “guardadores da lei” estavam errados pois eles erravam quando interpretavam a questão do divórcio, do homicídio, do adultério, do juramento, da vingança e do amor ao próximo. Então Jesus enfaticamente diz Mt. 6.1 “ Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.”  Em outras palavras Jesus disse, não adianta nada vocês tentarem viver de um jeito contrário a vossa natureza; ele arremata a questão dizendo o que lemos em Mateus 5.48. O sermão da montanha primariamente tem uma advertência não só para o judeu mas para todos aqueles que fazem da hipocrisia o seu “manto” de justiça, secundariamente, ai sim demonstra como o homem perfeito deverá não só agir mais ser de verdade. O que estou dizendo é que ninguém é perfeito perante Deus, e sendo assim a teologia de Paulo é perfeitamente compatível com a ideia de Deus sobre a regeneração e santificação, portanto mais do que necessária.

Seria o homem por si só capaz de realizar boas obras pára salvação? Is 64.6 “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.” Jr. 13.23 “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal.” Se o etíope e o leopardo não podem mudar algo que faz parte de sua pele significa que por nós mesmos não podemos fazer aquilo que não somos capazes.

Repare também que Isaías destaca que nada que fizermos validará a nossa posição perante Deus, sendo assim, Paulo inventou a sua teologia? De maneira nenhuma! Por experiencia própria conhecia a natureza humana, e baseado nas declarações dos profetas ele arremata a questão dizendo que não há um justo sequer, Rm. 3.10 “como está escrito:  Não há justo, nem um sequer.”  Ec. 7.20 “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.”

A teologia de Paulo é extremamente válida e competente, ele nos alerta para a falsa premissa de que o homem com suas “boas obras” pode se achegar e agradar a Deus, outro fato importante e que os críticos da teologia paulina erram é em não admitir que Paulo ensine as boas obras, usarei somente dois textos o primeiro está em Ef. 2.10 “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”  E o segundo se encontra na sua primeira carta à Timóteo 6.18 “Que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir.”  (Grifos meus.)

A única diferença foi que Ele Paulo não faz das obras um meio para a salvação, mas consequência da mesma. Em outras palavras as boas obras são resultados de Deus uma vida com Deus, não um meio para encontrar ou agradar a Deus. As grandes verdades da teologia paulina são: O homem devido a sua natureza tornou-se incapaz de se salvar por meio de obras. As obras são uma constante na teologia paulina, difere dos legalistas somente na sua causa. A salvação é algo contrário a natureza humana, portanto só Deus é capaz de opera-lá, sendo assim não se obtêm a salvação por meio de obras.

Além de demonstrar dentro da bíblia que a salvação não é alcançada por meios humanos, Paulo demonstrou com grande sabedoria baseado na sua vivencia e experiencia que o homem está fatalmente coberto de pecado e consequentemente destituído de Deus, Rm 3.12 “Todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”  Isso seria uma invenção de Paulo? estaria Eu, sendo injusto com os seres humanos, sendo assim, estaria sendo injusto comigo mesmo? O que Paulo viu e que muitos não querem ver é que o ser humano por si só é algo complexo e deveras complexo. O humanismo rotulado de religião foi quem tentou desfigurar as grandes verdades das cartas de Paulo, mas em toda a bíblia os escritores são unanimes em afirmar que nós por nós mesmos estamos separados de Deus, e só nos uniremos com Ele por meio de sua misericórdia e misericórdia essa muito bem explanada nas epístolas paulinas.

Evandro.