segunda-feira, 16 de abril de 2018

Interpretação que gerou confusão.

   As mensagens dos Três Anjos de Apocalipse 14 e de Daniel capítulo 8 são altamente significativas para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Isso pelo fato de se valerem de tais versos bíblicos, objetivando com isso dar suporte ao surgimento profético da denominação. Ap. 14. 6-7 “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”.

   Neste assunto só irei analisar o primeiro Anjo de apocalipse 14, bem como alguns versos de Daniel capítulo 8. A igreja Adventista do Sétimo Dia ensina para os seus adeptos que ela perfaz com exatidão aquilo que é dito não só em apocalipse 14 como também em Daniel capítulo 8. Uma citação no livro O grande Conflito de Ellen White nos mostra que para eles a mensagem do primeiro Anjo de Ap. 14 teve seu cumprimento em 1844.

   (A Guilherme Miller e seus cooperadores coube a pregação desta advertência na América do Norte. Este país se tornou o centro da grande obra do advento. Foi aqui que a profecia da mensagem do primeiro anjo teve o cumprimento mais direto.) O grande Conflito pg. 368. Devemos relembrar o verso 7 de apocalipse 14 o que na realidade que ele está dizendo, “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo”.

   Inicialmente, os adventistas pensavam que o "julgamento" de Apocalipse 14: 6 se referia ao julgamento de Deus sobre os iníquos. Algo que a bíblia descreve claramente, seguindo o contexto vemos: Ap. 14. 10-11 “Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome”.

   No entanto, eles acabaram adotando uma postura diferente, dizendo que o "julgamento" era um julgamento dos justos, não dos perversos. Isso foi feito para acomodar essa nova visão, a Igreja Adventista do Sétimo Dia mudou o significado da mensagem do primeiro anjo e de Daniel 8. 14 para algo totalmente diferente, vejamos: (Tanto a profecia de Daniel 8:14 - "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado" - como a mensagem do primeiro anjo - "Temei a Deus e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo" - indicavam o ministério de Cristo no lugar santíssimo, o juízo investigativo, e não a vinda de Cristo para resgatar o Seu povo e destruir os ímpios. O engano fora, não na contagem dos períodos proféticos, mas no acontecimento a ocorrer no fim dos 2.300 dias). O grande Conflito pg. 424.

   A grande questão a ser debatida e entendida é: de que purificação se referiu Daniel? Para os adventistas ela se refere à expiação de todos aqueles que se tornam adventistas e com isso tem os seus pecados “transferidos” para o santuário celestial, diz E. G. W (Durante dezoito séculos este ministério continuou no primeiro compartimento do santuário. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. 
   
   Este é o serviço iniciado quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme fora predito pelo profeta Daniel, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra - purificar o santuário). O Grande Conflito Pg. 421. Será assim mesmo? Daniel previu realmente que o santuário seria purificado, no entanto, tal purificação seria limpar o santuário das transgressões causadas por ímpios e não os pecados do suposto povo de Deus. Dn. 8. 9 “E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa”.

   Na verdade este “chifre” = reino, cresceu e se dirigiu até a terra formosa, no entendimento bíblico significa Jerusalém, Dn. 8. 11 “E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra”. Contrariando a visão adventista o príncipe do exercito citado no verso não é Jesus como querem eles, mas sim o sumo sacerdote. Dn. 8. 13 “Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados”? 
  
   Aqui o verso é claro com relação a contaminação do santuário, a transgressão realizada por esse reino foi assoladora, e isso devido ao fato das transgressões operadas pelos judeus, na verdade a invasão no santuário e toda a sua profanação foi um castigo para aqueles que conheciam a vontade de Deus mas não praticavam. Assim sendo Antíoco IV Epifânio, instalou uma estátua de Zeus e sacrificou porcos no templo de Jerusalém, para os judeus foi realmente uma abominação desoladora Dn. 8. 14 “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”. Essas 2300 tarde e manhãs são na verdade 2300 dias literais, período este que levou para que o santuário voltasse a ser limpo.

   Resumo da seguinte maneira: (1) a mensagem do primeiro Anjo de apocalipse 14 é uma mensagem de advertência sim, porém não com o intuito em fazer proselitismo, mas sim despertar as pessoas para reconhecerem o criador, (2) Daniel 8. 14 não diz nem de longe que esteja tratando de outro santuário, que não seja o santuário de Jerusalém. Em suma baseado em cima de uma grande confusão a IASD. Formulou não só a sua aparição, mas também o seu corpo doutrinário.







domingo, 1 de abril de 2018

O regime alimentar apropriado.

   Os Adventistas do sétimo dia têm sido conhecidos como sendo os defensores de uma dieta vegetariana. A voz principal que promoveu o vegetarianismo na Igreja adventista foi a Profetiza Ellen G. White, que afirmou ter recebido uma visão sobre o assunto em 1863, Ela disse: "Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, 6 de junho de 1863, que o grande assunto da reforma da saúde foi aberto diante de mim em visão ... O Senhor  expôs perante mim um plano geral. Foi me mostrado que Deus daria ao seu povo que guarda os mandamentos uma reforma alimentar”. Conselhos sobre o regime alimentar pg. 481. 

   Nos anos que se seguiram à "visão", o casal White e outros líderes da IASD introduziram várias reformas de saúde na denominação. No entanto,ao invés de serem "inovadores" eles simplesmente apresentaram a seus seguidores muitas das reformas populares da saúde daquela época que tinham sido ministradas e ensinadas por pessoas não adventistas, tais como o Dr. James Jackson , John Wesley o fundador do metodismo, Sylvester Graham, e o profeta mórmon Joseph Smith .

   Uma das principais razões pelas quais Ellen White incentivou o vegetarianismo é porque ela acreditava que ao comer carne, as paixões inferiores, ou as paixões animalescas seriam despertadas. O grande problema e que a base para isso não é encontrada em nenhuma evidência bíblica ou científica. Em vez disso, a noção de que as paixões animais foram despertadas pela alimentação de animais foi popularizada nos anos 1800 pelo reformador da saúde, Sylvester Graham.

   Graham ensinou que o "uso da carne" despertaria o desejo sexual, assim sendo ele sugeriu que para evitar o estimulo sexual ou para não despertar a tentação, melhor seria não comer nenhum tipo de alimento animal. Foi isso que levou EGW a escrever as seguintes palavras: “Um regime de carne tende a desenvolver a sensualidade. O desenvolvimento da sensualidade diminui a espiritualidade, tornando a mente incapaz de compreender a verdade”. Conselhos sobre o regime alimentar pg. 382.

   Talvez a mais estranha de todas as declarações feitas por Ellen White são aqueles em que ela diz que comer carne é prejudicial ao crescimento espiritual de uma pessoa. Comparemos isso com o que a Bíblia diz: Mc. 7. 18-19 “E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?”

   Jesus teve todas as oportunidades para dizer aos discípulos sobre os perigos de comer carne e como isso poderia destruir sua saúde física, mental e espiritual. Mas ele não fez isso, em vez disso, Marcos nos diz que Cristo declarou todos os alimentos "aceitáveis". Examinemos alguns exemplos na Escritura para determinar se alguém teve sua vida espiritual prejudicada comendo carne.

   Gn. 18. 7-8 “E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la. E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram.” Ex. 29. 32 “E Arão e seus filhos comerão a carne deste carneiro, e o pão que está no cesto, à porta da tenda da congregação.” Nm. 18. 17-18 “Mas o primogênito de vaca, ou primogênito de ovelha, ou primogênito de cabra, não resgatarás, santos são; o seu sangue espargirás sobre o altar, e a sua gordura queimarás em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor. E a carne deles será tua; assim como o peito da oferta de movimento, e o ombro direito, teus serão.”
   
   Dn. 1. 8 e 12 “E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar”. “Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber”. Daniel é sustentado pelos adventistas como um grande exemplo de vegetariano, pelo fato dele não ter comido as iguarias oferecidas pelo rei, mas observe o que o Daniel disse estando mais velho, Dn. 10. 2-3 “Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas”. Se não fosse seu costume, ele Daniel não precisaria ter enfatizado que se absteve de comer carne por três semanas, será que ele era vegetariano e deixou de ser, ou nunca foi.

   Mt. 3. 4 “E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre”. Mesmo que os adventistas insistam em dizer que este gafanhoto do qual a bíblia diz que João se alimentava seja uma espécie de planta, isso não condiz com a realidade, sobre Mateus 3 verso 4 os eruditos tem afirmado que o gafanhoto se trata realmente do inseto voador que conhecemos, visto ser permitido para uso alimentar, Lv. 11. 22 “Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie”.

   Como parte da tradicional cerimônia da Páscoa, instituída por Deus, um cordeiro era comido. E como judeu, Jesus participou ativamente dessa tradição com seus discípulos, Lc. 22. 15 “E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça.” Jesus não apenas comeu carne com os discípulos, mas também alimentou milhares de pessoas com peixes, Mt. 14. 17-19 “Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-mos aqui.E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão”.

   Jesus também alimentou os discípulos com os peixes depois da ressurreição, Jo. 21. 9 e 12 “Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão”. “Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor”. Certamente, Jesus poderia ter alimentado os discípulos com outro tipo de alimento naquela manhã junto ao lago, instruindo-os assim sobre os perigos de comer carne, mas ele não fez.

   Estes exemplos nos mostram que o consumo de carne é perfeitamente apropriado para o povo de Deus e não prejudica seu bem-estar espiritual, 1ª Co. 8. 8 “Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta”.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Leis de saúde ou impureza cerimonial?

   Dias atrás estava assistindo um programa na TV. Novo Tempo, se não me falha a memória o programa chama-se evidências, nele o apresentador estava destacando a localidade habitada pelos judeus e os filisteus, o apresentador fazia questão de enfatizar que no local da habitação dos judeus não foram encontradas ossadas de porco, sugerindo com isso que o povo de Deus deve se abster de tal carne, por ser considerada na bíblia ou mais propriamente no AT. Como sendo uma carne imunda.
   
   Que a localidade residida pelos judeus dos dias do AT. Não fosse encontradas ossadas de porcos é mais do que natural, visto que a lei proibia aos judeus de utilizarem de tal carne, mas sugerir que os cristãos da atualidade devem fazer o mesmo, pelo fato de não ter sido encontrado vestígio de carne de porco no arraial judaico é forçar um pouco a doutrina da denominação. Os que conhecem a bíblia sabem que entre os regulamentos que Deus deu aos antigos israelitas havia várias leis sobre limpeza e impureza. No entanto, o que não foi dito pelo apresentador e não é dito pelas denominações que ensinam tal doutrina é que essas leis não foram instituídas com o objetivo de evidenciar a higiene e nem mesmo com a questão da saúde, mas sim com o status puramente religioso, cerimonial. 

   Assim sendo as pessoas que não eram consideradas puras ou limpas não podiam participar das cerimônias religiosas. Baseado nisso pergunto: Essas leis se aplicam aos cristãos? Examinemos a evidência nos livros de Moisés e algumas passagens do Novo Testamento. Para obter um contexto para o conceito de alimentos limpos e sujos, discutiremos primeiro os outros tipos de impurezas. Isso pode parecer tedioso, mas nos ajudará a entender melhor o conceito de impureza do Antigo Testamento.

   Pureza religiosa: a palavra "limpo" ( tahôr ) também pode ser traduzida como "pura", como vemos em vários lugares no Êxodo. Os móveis e utensílios do tabernáculo tinham que ser feitos com ouro puro, por exemplo: Ex. 25. 11 “E cobri-la-á de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma coroa de ouro ao redor”.

   O mesmo ocorreu em um episódio anterior ao êxodo, com Jacó e sua família, Gn. 35. 2 “Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.” Jacó disse a sua casa para se livrar de seus ídolos e se "purificar" e mudar suas vestes, Não nos é dito como eles se purificaram, mas parece ter sido relacionado à adoração. Mais tarde, os levitas foram purificados com "a água da purificação"

   Nm. 8. 6-7 “Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão as suas vestes, e se purificarão”. De igual modo as partes de uma oferta para o pecado tinham que ser queimadas fora do acampamento em um lugar limpo, Lv. 4.12 “Enfim, o novilho todo levará fora do arraial a um lugar limpo, onde se lança a cinza, e o queimará com fogo sobre a lenha; onde se lança a cinza se queimará”. Mesmo as cinzas das ofertas tinham que ser levadas também para um lugar limpo, Lv. 6. 11 “Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza fora do arraial para um lugar limpo”.

   Os sacerdotes também deveriam comer a carne sacrificada em um lugar limpo Lv. 10.14 “Também o peito da oferta movida e a espádua da oferta alçada, comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos e tuas filhas contigo; porque foram dados por tua porção, e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos filhos de Israel”. Os sacerdotes jamais poderiam ministrar o seu trabalho estando imundo, Lv. 22. 3 “Dize-lhes: Todo o homem, que entre as vossas gerações, de toda a vossa descendência, se chegar às coisas santas que os filhos de Israel santificam ao Senhor, tendo sobre si a sua imundícia, aquela alma será extirpada de diante da minha face. Eu sou o Senhor”.

   De igual modo eles só poderiam comer a oferta que lhes era designada se estivessem limpos. Lv. 22. 4-5 “Ninguém da descendência de Arão, que for leproso, ou tiver fluxo, comerá das coisas santas, até que seja limpo; como também o que tocar alguma coisa imunda de cadáver, ou aquele de que sair sêmen da cópula, Ou qualquer que tocar a algum réptil, pelo qual se fez imundo, ou a algum homem, pelo qual se fez imundo, segundo toda a sua imundícia”.

   No entanto, pessoas impuras poderiam comer carne que não fazia parte de um sacrifício Dt. 12. 15 “Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, matarás e comerás carne, dentro das tuas portas, segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá em todas as tuas portas; o imundo e o limpo dela comerá, como do corço e do veado”. Fica evidente que a questão do puro e do impuro se restringia apenas para fins religiosos, em relação ao sistema levítico e sacrificial do antigo Israel.

   No sistema levítico a impureza era tida como contagiosa: "Qualquer coisa que um indivíduo impuro toque torna-se impura, e qualquer um que a toca fica impuro até a tarde" Nm. 19. 22 “E tudo o que tocar o imundo também será imundo; e a pessoa que o tocar será imunda até à tarde. Se as pessoas entrassem em uma casa em quarentena, eles seriam impuros. Mesmo que as pessoas tocassem acidentalmente qualquer coisa que os tornasse impuros, eles eram "culpados". Lv. 5. 2 “Ou, quando alguma pessoa tocar em alguma coisa imunda, seja corpo morto de fera imunda, seja corpo morto de animal imundo, seja corpo morto de réptil imundo, ainda que não soubesse, contudo será ele imundo e culpado.

   Não há qualquer verso bíblico dos quais foram lidos acima que trate da questão de saúde, não se fala de doenças, percebe-se claramente a questão cerimonial, ou seja, algo relacionado aos sacrifícios e ofertas. Se as impurezas relacionadas fossem tidas como algo contagioso, então as palavras “imundo até a tarde” deveriam ser suprimidas dos versos, no entanto, as mesmas palavras tem conotações de ritualismo. Assim sendo, aquilo que deveria ser dedicado a Deus, (as ofertas e ofertantes) não poderiam ser considerados como sendo impuros ou imundos. Dizer que os versos relacionados acima estão prevenindo alguém contra doenças, é um tanto demais.

quinta-feira, 1 de março de 2018

O capitalismo e sua influência no meio religioso.

O mundo contemporâneo com o seu modelo capitalista, tem influenciado a todos indistintamente, as instituições religiosas mais propriamente dita à cristã, tem sorvido dessa cisterna rota padronizada pelo mundo. Atualmente o sistema denominacional se vale do modelo capitalista, não só para atrair aos que a ela se achegam, como também para manter os seus que lhes são filiados. Em outras palavras existe uma propaganda enganosa no meio denominacional o qual estimulam os membros a barganharem com Deus.

Assim sendo, percebe-se uma explosão muito grande de adeptos com o intuito de se favorecerem, principalmente na concorrência secular; é o materialismo ditando as regras. Mas, o que dizer de tal pensamento e atitude? Com relação a este modelo “cristão” de auto-ajuda pode-se dizer que isso não passa de uma tática vazia, com o único intuito em angariar membros e consequentemente redundar em lucro financeiro aos líderes da instituição, ou a própria instituição em si, isto é conseguido por meio de dízimos, ofertas e doações.

A lógica dos números diz que, quanto maior o número de adeptos maior o caixa da instituição. Com relação ao povo leigo que em muitos casos são conduzidos devido à falta de informação e mesmo pela propaganda que vai de encontro a sua necessidade e tendência, pode-se dizer que cedo ou tarde a decepção lhe baterá na porta, Deus não faz barganhas. Alias, se o objetivo de alguém ao se filiar a alguma instituição que professa a Deus e a sua palavra for tentar obter lucro de alguma forma, tal pessoa está perdendo tempo.

Quando digo perda de tempo estou dizendo em duplo sentido, (1) você não irá prosperar em todos os sentidos em sua vida, visto esta não ser a promessa encontrada na bíblia, pelo contrário Fl. 4. 12 “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.  (2) se este for o intuito, a espiritualidade é zero, isto só confirma a perda de tempo.

O próprio Jesus nos diz isso em dois versos, o primeiro se encontra em Jo. 16. 33 “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E o outro se encontra no mesmo evangelho, Jo. 18. 36 “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.

Jesus estava dizendo a Pilatos, vocês os romanos estão se preocupando a toa, o fato de eu ser rei não significa que irei reinar neste momento, ou mesmo dar sequencia ao império. O termo (deste mundo) significa o atual sistema existente, o reino dos homens. Assim sendo, se nem mesmo o próprio Cristo lutou ou mesmo estimulou alguém para conquistar o reino dos homens, fica uma pergunta, alias duas: por que os líderes religiosos ensinam diferente? Por que as pessoas acreditam que irão prosperar, apenas por se dizer cristão?

O reino de Deus é algo diferente, o ter ou o não ter, não é o termômetro da espiritualidade de ninguém, quando digo espiritualidade estou me referindo a lei da atração, atração esta descrita pela bíblia, 1ª Jo. 4. 19 “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro”. Quando digo lei da atração me refiro ao fato de ir a Deus, só irei verdadeiramente buscar a Deus sem nenhum interesse mundano, se o próprio Deus me buscar primeiro, está é a regra bíblica, tudo o mais é invencionice para atrair os incautos com segundas intenções. Jo. 6. 44 “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. 

Como devemos entender o chamado de Deus para as nossas vidas? Algo como uma apólice de seguro? Algo como uma blindagem contra a enfermidade e mazelas da vida? Se este for o nosso entendimento, então estamos equivocados, se esta for a nossa intenção, então estamos fadados ao completo fracasso. O verdadeiro evangelho não promete glórias para esta vida, ao contrário, Lc. 9. 23 “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” Deve ficar entendido que tomar a cruz não significa uma vida só de lucros.

Assim sendo, quando presenciamos na mídia principalmente na televisiva o evangelho da prosperidade, estamos nos deparando com uma aberração camuflada de evangelho, e porque esses templos estão todos cheios de adeptos? Fruto do capitalismo, que tem promovido o materialismo, o qual tem publicado a viva voz que este trás felicidades. A despeito de muitos não saberem o real significado da palavra felicidade, confundem felicidade com tranquilidade o qual o dinheiro proporciona, no entanto a tranquilidade gerada pelo dinheiro não pode promover a felicidade duradoura em todas as suas formas.

Não que eu esteja propagandeando ou mesmo que seja adepto do ascetismo, (O ascetismo é uma prática da abstenção de prazeres e até do conforto material). Não é isto que estou dizendo, na verdade o que eu insisto segundo o ensino bíblico é que: Quando Deus chama alguém, o objetivo é puramente espiritual, não existem promessas para este período em que vivemos, se vamos a Deus com o objetivo puramente material significa que não fomos chamados por Ele.

E, a condição financeira de um indivíduo de um grupo ou mesmo de uma empresa, quer seja na bonança ou no revés, não é o resultado de ser ou não cristão, de crer ou não em Deus. Uma das maiores mazelas como dito acima é o evangelho da prosperidade esse “evangelho” distorcido, corrompido e manipulador, tem confundido a muitos, tem levados tantos outros a fazerem comparações; a falsificação apresentada pelos líderes no que se refere aos bens materiais que o adepto fiel consegue adquirir, quando digo fiel me refiro a $.

Portanto, ninguém que realmente foi chamado por Deus se deixe levar por propagandas estranha e principalmente enganosas, Deus não faz barganhas, não podemos comprar a Deus, Deus não precisa de dinheiro, fala-se dízimo e ofertas, o chamado de Deus não se refere a ter ou possuir algo nesta vida, Lc. 12. 15 “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Quem não é contra, naturalmente é a favor.

O conceito religioso derivado da bíblia tem demonstrado ao menos dois tipos de ensinamentos, ensino este que tem formado a religiosidade de nossos dias, uma dessas normas é genuína, ou seja, original, está embasada nos ditos de Jesus e dos apóstolos, e para infelicidade geral está praticamente em desuso. Já o outro ensinamento é o preceito que tem formado a cristandade em geral, ou mais basicamente o sistema denominacional existente.

Como dito acima, o conceito genuíno ensinado, principalmente nas páginas do NT. Tem como objetivo formar discípulos e estes naturalmente teriam uma missão, e segundo a bíblia qual missão seria? Divulgar o reino de Deus. Este sempre foi o objetivo, podemos ver isso nas próprias declarações de Jesus Mc. 1. 14-15 "E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho."

Após o discípulo se arrepender e crer, ou seja, ter uma visão daquilo que é espiritual e passar a vivenciá-lo, não por si só, mas pela graça de Deus em sua vida, deve pregar o evangelho do reino, isto é um mandamento. Vejam bem, ensinar o evangelho do reino, não podemos confundir com evangelho denominacional, Mt. 24. 14 “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim."

O evangelho denominacional o qual está em alta, e que tem predominado não só nos púlpitos dos templos religiosos, mas principalmente na mentalidade do cristão contemporâneo é um "evangelho" fracionado que se apresenta de vários modos, gostos e tendências. O modo como a muito ele tem sido apresentado refere-se não ao evangelho da conversão e da instalação do reino de Deus por meio de Jesus Cristo, mas sim ao do orgulho, do denominacionalismo.

Na atualidade pertencer a uma denominação religiosa é algo mais importante do que ser alguém que pregue o evangelho do reino, e o orgulho denominacional está tão em alta que existe até mesmo uma disputa psicológica entre as denominações, lá não existe consenso sobre o que disse Jesus e os discípulos, mas sim exaltação própria, dizem eles: pertenço à igreja verdadeira, e continuam dizendo, "se você não está congregando na minha denominação você é um coitado, está ausente da presença de Deus". Agindo assim estão testemunhando que desconhecem a realidade apresentada pela bíblia?

1ª Co 3. 3-4 “Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” Quando alguém, quem quer que seja, se valem das palavras acima, exaltando a sua igreja, está fazendo nada mais do que os cidadãos pertencentes a igreja de Corinto, sendo estritamente carnal, o denominacionalismo pode ser comparado a um time de futebol, cada qual tem o seu e o dele é o melhor, o mais importante.

O gosto pela denominação é bem variado, há aqueles que preferem o pentecostalismo acreditando que por presenciar certas práticas, Deus se faz presente, outros preferem as instituições mais tradicionais, o primeiro argumento é de que se ela é antiga logo ela é verdadeira, já existem aqueles que preferem seguir as instituições que se rotulam como sendo verdadeiras e que tem profetas e profetizas, e o seu surgimento foi previsto e determinado antes da fundação do mundo. Existem ainda aqueles que gostam do “evangelho” da prosperidade, onde é cultuado uma espécie de deus mago. 

A necessidade da denominação é tão grande que mesmo alguns não conseguem prestar culto a Deus fora de um templo religioso, acreditam que igreja se restringe a um lugar feito de alvenaria. Tudo isso e ainda mais existe no mundo religioso denominacional, todas elas sem exceção infla o ego do seguidor que uma vez cegado pela constante lavagem cerebral aderiu à ideia de que ele (a) é um escolhido a trilhar os caminhos da amada igreja.

Quando Israel foi chamado a ser o povo peculiar de Deus entre todas as nações, Dt. 7. 6 “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra.” Foi instituído um lugar exclusivo de culto, 2ª Cr. 6. 5-6 “Desde o dia em que tirei a meu povo da terra do Egito, não escolhi cidade alguma de todas as tribos de Israel, para edificar nela uma casa em que estivesse o meu nome; nem escolhi homem algum para ser líder do meu povo, Israel. Porém escolhi a Jerusalém para que ali estivesse o meu nome; e escolhi a Davi, para que estivesse sobre o meu povo Israel.” 

Nem por isso o lugar de culto ficou eternamente sendo exclusiva e unicamente sendo Jerusalém Jo. 4. 20-21 “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.” Antigamente os judeus diziam e com razão aos samaritanos, “vocês estão perdendo tempo Deus não habita neste lugar, portanto o seu culto é sem valor”, atualmente o meio denominacional cristão diz: se você não se converter a minha igreja... é perda de tempo.

Mc. 9. 38 “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.” Jesus não aprovou tal conduta e naturalmente não aprova a que vemos na atualidade. Na realidade o que temos percebido em meio a este crescente número de instituições denominadas cristãs onde cada qual diz ter um benefício que a destaca das demais é algo que a bíblia denomina como Babilônia. 

O termo babel expressa na verdade confusão, para aquele caso específico confusão de linguagem, a Babilônia que estou retratando é a Babilônia religiosa, ou mais precisamente confusão religiosa. Mc. 9. 39. 40 “Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós”. Qual denominação religiosa cristã preciso me filiar para não ser contra Cristo? Por isso o título da postagem, não é o fato de pertencer a uma denominação específica que me torna  favorável a Cristo.




 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Frases de auto ajuda, frustração e o hedonismo...

Dias desses me deparei com uma dessas frases que vemos estampadas nos para-brisas dos veículos, estava escrito: Crês em ti mesmo e prosperaras. A partir daquele momento Eu passei a imaginar o que levou alguém a escrever ou a estampar tal declaração. Naturalmente o ateísmo crescente tem contribuído para a proliferação de ideias um tanto temerárias, não que Eu me importe se alguém não acredita em Deus, não é isso, fato é também que eu não tenho nada com a crença a descrença ou com a declaração de uma pessoa, o que me chamou a atenção foi: realmente tal pessoa acredita no que estampou no vidro do seu carro?

Ela tem como certo realmente a declaração: "Crês em ti mesmo e prosperaras". O que tem levado tais pessoas a se portarem assim? Uma convicção estrita ou falta dela? O período do mundo em que estamos tem contribuído grandemente para isso, o pós-modernismo tem forçado as pessoas a se igualarem em suas práticas e tendências, ninguém quer ser deixado para trás, o materialismo tem prometido conforto, segurança e status, outra ideologia que não seja o materialismo, é ensinar a caminhar ao contrário, infelizmente tal tendência tem contaminado até mesmo aqueles que asseguram ter uma percepção espiritual.

Quando vemos por exemplo a declaração de Paulo encontrada na epístola de Coríntios não conseguimos assimilar como sendo uma realidade para os nossos dias, 2ª Co. 4. 18 "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas". O que temos visto em nossos dias é algo completamente contrário a esta afirmação, na verdade, temos presenciado por todos os meios e grupos uma crescente tendência ao hedonismo. O hedonismo é uma teoria ou doutrina que afirma ser o prazer, o supremo bem da vida humana.

Tal teoria Surgiu na Grécia, e a partir dos iluministas alguns deles diferenciaram a "doutrina" hedonista, e a diferenciação é demonstrada entre, egoísmo hedonista e hedonismo universalista, assim, diferenciam-se tal doutrina, o egoísmo hedonista é onde o indivíduo busca somente o seu próprio bem, e o hedonismo universalista ou utilitarismo, que busca o bem de todos, atualmente e talvez até mesmo por instinto, percebemos o hedonismo egoísta como o que mais bem representa a humanidade, e isso em todos os grupos e indivíduos, com raras exceções.

Mas como o meu objetivo não é dissolver crenças e nem mesmo dissuadir opiniões individuais e sim exaltar a palavra de Deus e a espiritualidade encontrada nela e nos que crêem, devo alertar que o egoísmo hedonista apesar de ser muito propagado e ser tido como uma religião, (pois tem muitos adeptos) ela só tem como objetivo proporcionar (e não sanar) momentos prazerosos, assim sendo as palavras de Paulo ainda são de grande valia, não atentando nas coisa que se vê, por quê isso? Paulo nos responde, 2ª Co. 4. 16 "Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia".

A vida humana pode ser comparada como um punhado de areia dentro de uma ampulheta, os prazeres proporcionados por aquilo que é material não são ruins; ter conquistar, possuir trás prazer para o ego, mas o que será do homem natural, além disso? o homem dos nossos dias está agindo instintivamente como o rico da parábola contada por Jesus, Lc. 12. 16-20 "E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"

Tentando entender a questão do adesivo ateísta no para-brisa do automóvel, percebe-se que o hedonismo e podemos dizer o hedonismo egoísta, visto que cada qual quer seu bem estar a despeito do outro, tem infiltrado também em nosso meio, devido a propaganda que temos ingerido diariamente e sem falar que a propaganda hedonista egoísta tem encontrado abrigo e aceitação em nossas mentes, assim sendo, mesmo no meio dito cristão a propagação do reino de Deus (algo que já não é propagado) ou podemos dizer a necessidade do reino de Deus passou a ser algo secundário, quando digo secundário quero dizer de menos importância.

Esta é a realidade encontrada no meio dito cristão, independente de denominação, lembrando sempre que a denominação se faz com indivíduos. Nos como seres humanos avaliamos muito pouco a nossa realidade, a bíblia está cheia de ilustrações daquilo que pode representar a realidade da vida humana, Jó. 14. 1-2 "O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece." Sl. 144. 4 "O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa." Quando se fala em homem quer dizer gênero humano.

A história tem nos comprovado que tais relatos não são uma simples teoria, mas uma realidade imutável, ao menos da perspectiva humana, e sendo isso uma realidade, a necessidade do reino de Deus deveria ser algo de primeira importância no meio daqueles que se intitulam cristãos, Mt. 6. 31-33 "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."

Os gentios na atualidade é o equivalente ao mundano que não tem conhecimento do espiritual. Assim sendo a frase crê em ti mesmo e prosperarás é cheia de falhas, alguém por si só pode se manter vivo? Pode alguém dizer que ficará para sempre isento de sofrer um acidente? pode alguém ainda que contribua com o bem estar de sua condição física dizer que nunca ficará doente? O que se percebe é que declaração como essa e outras similares, são produzidas por pessoas que de alguma forma ficaram frustradas com aquilo que eles compreendiam como fé e Deus.

A frustração começa a se desenvolver quando a pessoa não adquiri aquilo que ele (a) achava que era justo ter conseguido, principalmente nos nossos dias, onde as pessoas tem como prioridade aquilo que se vê. Ou mesmo em uma situação onde existe uma necessidade extrema, como um caso de vida ou morte, por exemplo, se tal petição não foi respondida, já é motivo para banir a existência de Deus, no entanto, tentar banir a existência de Deus e mesmo elevar o estado humano a uma onipotência tal, não muda a realidade dos fatos. A declaração dita por Jesus nos versos lidos acima, nos revela algo de suma importância e que muitas das vezes nós não atentamos.

Ele disse: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." O melhor para o ser humano, Deus já realizou, a sua promessa é a ressurreição dos mortos. No contexto humano que ora presenciamos Deus não fará um milagre para modificar o atual estado de coisas, salvo com exceções daquilo que é a sua vontade para cumprir os seus desígnios; nós não podemos acreditar em Deus baseado na perspectiva daquilo que queremos, ou mesmo daquilo que achamos ser justo merecermos, isto não é um ensinamento bíblico.

Outro fato pode ser descrito em ao menos duas questões de muita importância, 1º o mundo o qual pertencemos é regido pelo reino dos homens e por isso é extremamente injusto e sem misericórdia e sujeito a corrupção em todos os sentidos, portanto, não creia que irá prosperar em tudo. Já a segunda questão está na realidade de que apesar da existência de Deus ser comprovada por aquilo que presenciamos e sentimos, Ele Deus, não está obrigado a satisfazer a nossa vontade, o Deus ensinado pelo cristianismo contemporâneo é um deus servo, o qual está submisso a vontade humana, e por isso tem causado frustrações em muitas pessoas, longe disso, a bíblia tem nos revelado um Deus supremo, o qual não está sujeito ou obrigado a atender a vontade humana.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A tendência humana corruptível e as obras do diabo.

No que diz respeito à interpretação bíblica o estudante deve ficar atento ao menos em três questões as quais considero de muita importância: o contexto da época, a cultura e a linguagem. É comum ver nos relatos bíblicos os hebreus se valerem de parábolas, personificação e figuras de linguagens, vejamos este exemplo: Jo. 8.44 "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.”

A interpretação que é dada pelas instituições religiosas cristãs sobre este e outros versos similares e conjuntamente com a interpretação popular não cristã é que o Diabo é uma pessoa que tem filhos, e que são pessoas pecadoras. E tais pessoas lhe Obedecem em tudo o que ele diz para fazer. O cristianismo tem interpretado tal paternidade baseado no verso encontrado em Gênesis, Gn. 6. 2 e 4 “Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.”

Na verdade esta interpretação é tendenciosa e equivocada, os versos estão tratando de pessoas humanas não seres espirituais. O versos de João 8 diz que “Ele” o diabo foi homicida desde o princípio... No entanto, o uso do pronome "ele" não indica que o Diabo é uma pessoa. A "sabedoria" tem sido personificada como um construtor ou alguém Expert na arte de cozinhar Pv. 9. 1-2 “A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas. Já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, e já preparou a sua mesa.”

E mesmo o pecado é tido como um trabalhador que recebe salário, Rm. 6. 23 “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Em muitas ocorrências a bíblia faz o mesmo com o desejo e a tendência humana, isto é personifica-a e esta personificação é que um personagem extra-humano nos atrai e nos impulsiona em tentação. Mas, por outro lado à mesma bíblia trata de sua literalidade. Nós pecamos devido aos desejos que nascem dentro de nós.

Mc. 7. 21-23 “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.” Tg. 1.14 “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

Segundo a bíblia o nosso coração, referindo-se a mente, é completamente corrompido tornando-se assim o Diabo real que é o “pai” dos nossos desejos e pecados. "Os desejos de vosso pai" o diabo é, portanto, o mesmo que os maus desejos do nosso coração. É dito também que o Diabo é um assassino. 1ª João 3. 15 “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” Se o diabo é homicida naturalmente ele tem de morrer, visto que o homicida não tem vida eterna permanente nele mas, segundo a bíblia  os anjos não podem morrer Lc. 20. 36 “Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.”

Isso quer nos dizer que os Anjos são imortais e tem a vida eterna permanentemente neles, algo contrario daquilo que é ensinado pela cristandade em geral, onde é afirmado que o diabo um ser angélico irá morrer. Jo. 8. 38 “Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.” Quando Jesus disse que os judeus tinham visto algo que os identificava junto do pai deles não estava literalmente dizendo que uma pessoa chamada diabo era o pai daqueles que o rejeitavam, naturalmente isso foi uma figura de linguagem demonstrando a espécie de natureza regia aqueles.

Jo. 8. 41 “Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus.” Eles eram do Diabo, no sentido de que davam sequencia a obra “do vosso pai”. Ou seja, continuaram a semelhança familiar. A Própria bíblia se interpreta cito, por exemplo, a passagem de 1ª Co. 15.56 “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” Refere-se a picada da serpente no Éden, mas não significa que a morte é uma serpente literal, no entanto, tem as características de uma cobra. Ap. 12. 9 “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” O dragão de Apocalipse 12:9 é chamado de "a antiga serpente". Um dragão não pode ser uma serpente e um dragão ao mesmo tempo, no entanto tinha as características da serpente do Gênesis.

Da mesma forma, o Diabo, ou os desejos que estão em nossos corações formando e estimulando a tendência maligna, tem as características da cobra, mas não significa que a serpente era o próprio Diabo. Segundo o relato bíblico a serpente era "inteligente" Gn. 3.1 “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” 2ª Co. 11.3 “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.”       

Esta descrição retrata os judeus que estavam conspirando contra Jesus, Mt. 26.4 “E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem”. A serpente do Éden era o protótipo do judeu assassino, o assassinato de Jesus foi o cumprimento da profecia de que a semente da serpente (pecado manifestado nos judeus) picaria a semente da mulher que foi Cristo, no calcanhar Mt. 12.34 “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.”

João 8. 44  também é uma referência a Caim, o primeiro assassino ", ele foi homicida desde o princípio" Gn. 4.8 “E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou.” Ele também "não se firmou na verdade, como ele era o pai da semente da serpente que corrompeu o verdadeiro caminho para adorar a Deus Gn. 4. 16 “E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden.”  É através da palavra de Deus que os nossos maus desejos podem ser superados, aqueles que rejeitam a Palavra e vivem as suas vidas e tomam decisões regidas apenas por seus maus desejos, eles são de fato "o Diabo" .