domingo, 1 de julho de 2018

Estamos ligados a videira?

Jo. 15. 1-6 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.”  

Nos dias bíblicos as pessoas estavam familiarizadas com a questão da agricultura, portanto, eles não tiveram dificuldades em entender esta parábola. O verso dois, diz que simbolizado por um lavrador o dono da terra, Deus, limpa todo aquele que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. O interessante também é que todo aquele que se diz cristão é comparado com uma vara, vara esta que sustenta os frutos, contudo tal vara não pode por si só dá fruto, é preciso estar ligada a videira, que segundo o relato bíblico é Jesus Cristo.

Vemos então que Deus, como lavrador, amavelmente limpa, lava, purga e purifica os nascidos de novo de tudo aquilo que não contribui para sua maturidade espiritual Ou seja, “dar frutos”. Isto pode ocorrer de várias formas: disciplina, ensinamentos, provações, etc. Mas, o que acontecerá com as varas infrutíferas? Portanto, iremos atentar mais para essa questão. O que Deus irá fazer com as varas infrutíferas, e o que elas representam? Há ao menos dois pontos de vista que tentam interpretar essas passagens.

A interpretação popular ou mais aceita no mundo cristão vem daqueles que acreditam no livre arbítrio, para eles as “varas infrutíferas” são cristãos autênticos que, por causa de sua falta de frutos, perdem a salvação. Para eles é de suma importância o cristão produzir frutos, em outras palavras nós temos por nós mesmos, produzir frutos.

A outra opção e a que mais está em conformidade com a bíblia é aquela que diz que as “varas infrutíferas” são supostos “discípulos” que experimentam somente uma conexão externa e superficial com Jesus. Embora eles “creiam” e “sigam” a Jesus em algum sentido, sua ligação “não se encaixa com uma união interna, espiritual pela fé pessoal e regeneração” Portanto “as varas sem frutos são varas sem vida contrariando aquilo que Jesus diz, todos os que estão em mim, esses dão muitos frutos.

Vejamos como a bíblia apoia esta última interpretação como sendo a mais lógica e acima de tudo mais bíblica. Afirmar que de qualquer maneira precisam produzir frutos todos os que se dizem ou serão lançados fora é algo que não tem apoio bíblico, Jo. 10. 28-29 “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”. Aqui é dito que aqueles a quem ele dá a vida eterna nunca perecerão.

Mais decisivo ainda é a palavra usada em Jo. 15. 6 “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”. Jesus diz que as varas infrutíferas serão “lançadas fora”. Jo. 6. 37 “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”

Assim sendo dizer que todos os que se dizem ser cristão precisam a qualquer custo produzir frutos é contradizer as palavras de Jesus. O que Jesus disse nesses versos é que há pessoas que produzem frutos, há aqueles que irão produzir é outros que jamais produzirão, e esses serão lançados fora, As varas infrutíferas são “lançados fora” (v.2). A vara infrutífera é “lançada no fogo” e “queimará”  Mt. 3. 12 “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará”. Ap. 20. 15 “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

A realidade é que as varas infrutíferas são pessoas não-regenerados e é apoiada pelo que o Evangelho de João diz sobre “crentes” não-salvos. Em outras palavras, João frequentemente retrata pessoas como “crendo” em Jesus, que claramente não são nascidas de novo. Há crença e crenças. Jo. 2. 23-24 “E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia”.        

Mesmo entre aqueles que seguiam Jesus que se diziam ser seus discípulos, muitos não criam Jo. 6. 64 “Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar”. Portanto, deve haver uma distinção entre discípulos. Existe no Evangelho de João, portanto, uma “fé” ou “crença” superficial, transitória, que pode ser baseada unicamente em milagres vistos, mas não é fundamentada no fruto de um entendimento salvífico e a confiança em que Jesus realmente é. Pessoas como essas estão, de alguma forma, conectadas ou unidas a Jesus, o bastante para que elas possam ser chamadas de “discípulos”, ainda assim não são discípulos. Estas são as varas infrutíferas de João 15.

Permanecer em mim, o que significa? O permanecer em Cristo significa não só crer em Cristo, mas fazer o que ele ensinou. Assim sendo, não existem verdadeiros cristãos sem algum tipo de fruto. Frutificar é a marca infalível do verdadeiro Cristianismo; a alternativa é a madeira morta, e as exigências da metáfora da videira faz necessário que cada madeira esteja conectada com a videira. Não existe vida neles; eles nunca deram frutos, ou então eles seriam limpos, não lançados fora. Porque Jesus é a videira verdadeira, é impossível pensar que algum ramo que não dá fruto possa ser considerado parte dele.

A conclusão que se chega é que esta passagem não ensina que um cristão verdadeiro, nascido de novo, possa apostatar da fé e perder sua salvação. Ela ensina que é impossível dar frutos fora da união doadora de vida, salvífica, com Jesus, e é impossível não frutificar quando esta conexão com Jesus realmente existe. Também ensina que alguns (muitos) que professam estar “unidos” com Jesus, que afirmam “crer” nele, e que mesmo o “seguem” como “discípulos” serão revelados pelo tipo de fruto, como falsos, e, portanto serão lançados fora.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

É bíblico o congregar em uma denominação?

   Infelizmente nós como cristãos no que diz respeito aos assuntos religiosos absorvemos em nossas mentes muito daquilo que nos foi ensinado pela tradição e pouco ou quase nada do fato histórico propriamente dito; e assim, somos facilmente manipulados, tendentes a seguirmos as prescrições dos líderes (e isso em todas as esferas).
   
 Na questão religiosa ou mais propriamente a cristã, percebemos esta absorção principalmente na questão doutrinaria, seguindo de outros ensinamentos tidos como muletas do sistema denominacional, tais como: devemos obedecer ao líder religioso em tudo, visto ser ele o ungido do senhor; não devemos deixar de congregar, estou informado que a minha denominação é a verdadeira e etc.
   
  O assunto de hoje eu quero falar sobre onde devemos congregar. Não é incomum quando estamos conversando com alguém sobre religião e este faz a seguinte pergunta: onde, ou qual igreja você frequenta? Geralmente essa pergunta surge pelo fato de que tal pessoa, absorveu e muito os ensinamentos de sua congregação de que precisamos congregar em uma igreja, ou mais propriamente devemos nos reunir em um templo físico.
   
  E isso se dá naturalmente, devido a questão tratada nas linhas acima, ou seja, nós como povo basicamente só aprendemos ou assimilamos a tradição, não o fato histórico em si. Em outras palavras somos partidários do ensinamento de que Deus só se faz presente em um lugar denominado igreja ou instituição religiosa, a ideia ou o fato histórico de uma igreja no lar não nos soa muito interessante.
   
  Existe um texto que parece apoiar a ideia de que precisamos realmente congregarmos em uma denominação, mas devemos ter sempre em mente que tal parecer só é possível devido a lavagem tradicional que por anos recebemos. Hb. 10. 25 “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”.
   
 A palavra grega utilizada é episunagógé a frase poderia ser traduzida como “Não negligenciemos nossas reuniões congregacionais”, naturalmente a carta foi dirigida primariamente para os judeus convertidos e assim sendo, eles deveriam se reunir com aqueles que partilhavam a mesma fé; eis o problema que surge, onde essas pessoas se reuniram? 
   
  O templo de Jerusalém não era, devido ao fato de não ser permitido a entrada de pessoas que não fossem judeus no interior do mesmo, quanto alguns versos relatam Pedro e outros discípulos dentro do templo, não significa que os demais cristão estavam com eles. Outro fato é que quando eles começaram a pregar a Jesus e a ressurreição foram retirados do templo.
   
  At. 5. 26-28 “Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo). E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou,Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem”.
   
  Deve ser salientado também o fato de que seria impossível a igreja primitiva adquirir um terreno e implantar um templo físico, isso pelo fato do impedimento causado pelos poderes políticos e, sobretudo religiosos, não havia outro meio a não ser reunirem-se nas casas.
   
  Rm. 16. 3-5 “Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo”. Cl. 4. 15 “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa”. Fm. 1. 2 “E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa”.
   
  A história relatada na bíblia testifica com a realidade de que os primeiros cristãos não buscavam a Deus em templos físicos, isso se deu primeiramente pelo impedimento causado pelos poderes dominantes da época, conforme vimos acima e também pelo fato de que o NT. Trouxe uma realidade mais profunda, isto é, uma realidade espiritual. 
   
  No AT. A ordem de culto requereria todo um mecanismo que pudesse ser utilizado para as práticas necessárias que predominavam o rito, tais como: bacias, cálices, mesa, candelabro, altar, incensário, ofertas e etc. assim sendo, necessário seria também um local ideal, não só para abrigar todos os utensílios, como para realizar as práticas exigidas advindas dos ritos e cerimônias.
   
  Apesar de no AT. O local de culto ser instituído por Deus, não existe uma declaração bíblica que sugira que seja neste local o único lugar onde se encontrava Deus, pelo contrário, 2ª Cr. 6. 18 “Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?” At. 7. 49 “O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?”
   
  Isso nos demonstra claramente que não existe um lugar específico para cultuar a Deus, o que a bíblia ensina e estimula são as reuniões daqueles que creem, com o objetivo único de estimular a fé na palavra de Deus. Por isso hebreus 10. 25 estimula a prática da reunião, mas se filiar a um sistema denominacional com o intuito de encontrar Deus é ser guiado demais pelas tradições, Jo. 4. 23-24 “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
   
  Nunca podemos ser levados pela ideia de que o lugar para se encontrar com Deus é num templo feito por mãos humanas, isso é errado. Não devemos pensar que o fato de não pertencer a um corpo denominacional faz com que eu não seja um membro de Cristo, e errado pensar também pensar que o culto nas casas é algo sem valor, lembrem-se Deus é Espírito, talvez são as nossas atitudes e não o local que torna o culto impróprio.
   
  Portanto, a bíblia fala sim de reunião, mas não especifica o local, a bíblia não fala de ajuntamento desordenado ou mesmo em reuniões para se cumprir um ritualismo, o ritualismo cessou, a bíblia fala em congregar sim, no entanto não diz onde, diz também para buscarmos  a Deus e essa busca deve ser em espírito e em verdade,  Mt. 18. 20 “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.
 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Eleitos de Deus.

   A bíblia é clara em dizer que Deus concede salvação ao pecador arrependido. E ainda segundo os relatos da bíblia, a salvação se dá em uma esfera espiritual, logo tal acontecimento se materializa unicamente através da misericórdia de Deus. Porém ao longo dos séculos o cristianismo ao qual conhecemos tem se inclinado a propagar uma espécie de salvação total, ou seja, visto que a salvação se dá através da graça de Deus e Ele ama as suas criaturas, conclui-se então que todos são objetos da sua graça salvadora.

   Em todas as esferas de nossa existência devemos atentar para uma questão irrevogável. O simples fato de alguém querer que algo seja uma verdade não faz com que aquilo se torne uma verdade. Este conceito deve permear o nosso entendimento para a questão da salvação bíblica; em outras palavras o fato de vários ramos denominacionais assumirem o ensinamento da salvação total não autentica tal ensinamento, e nem mesmo torna isso uma realidade.

   Para o humanismo prevalecente e mesmo para a mentalidade cristã atual as palavras “Deus ama a todos” soa como um verdadeiro ensinamento bíblico, pois Deus não quer que ninguém pereça, antes, que todos cheguem ao arrependimento. Este conceito está equivocado e destoa completamente daquilo que a bíblia apresenta como graça salvadora de Deus, por exemplo: Jo. 17.2 “Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” Jo. 17.9É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.”

   A bíblia não diz o porquê Deus escolheu salvar alguns e não a todos, só diz que resolveu salvar alguns. Fato é que os versos acima citados e outros nos demonstram a salvação direcionada para alguns, não sabemos o porquê dessa escolha, assim também não sabemos explicar outros acontecimentos que nos são intrigantes, citarei um, por exemplo: por que algumas pessoas nascem em um lar de uma família extremamente rica ao passo que outras não. Alguém pode questionar dizendo: “ora, simplesmente os pais de tal pessoa eram ricos, herdaram a sua riqueza ou mesmo tiveram uma enorme herança e etc. e o filho se beneficiou disso”   

   Bem, isso pode até ser uma boa justificativa, mas não responde o porquê determinada pessoa teve que nascer nessa família e não em outra menos favorecida, o que esse filho (a) fez ou teve de melhor para ter tal privilégio? Essas são questões que raramente são tratadas e discutidas, fato é que não sabemos o porquê. Uns acreditam que o “destino autônomo” fez e faz isso, outros o acaso, eu acredito que o destino não é autônomo e muito menos que exista o acaso fortuito, não, não é uma redundância, aos nossos olhos pode parecer que exista o acaso, porém jamais devemos crer em algo ocorrendo de forma aleatória e sem propósito.   

  Uma coisa nós podemos ter certeza conforme nos é relatado na bíblia Pv. 16.4 Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.” O verso está nos dizendo que Deus não faz nada sem propósito, mesmo naquelas coisas as quais parecem insignificantes e sem importância. Assim sendo Deus pode muito bem em sua sabedoria eterna ter escolhido alguns para salvação e outros não, e com relação ao verso de provérbios descrito acima, não existe uma exceção a regra, isto claro analisando de uma forma ultra mundana. 

   Mas e com relação a salvação total? Muitos objetam usando mesmo a bíblia para “comprovar” a tese da salvação total, geralmente o verso utilizado e João 3.16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” O argumento se dá da seguinte maneira: “O verso por si só é bastante explícito, diz enfaticamente que Deus amou o mundo”.

   Isso é fato, diz realmente que Deus amou o mundo, o problema e não analisar o que acompanha o verso, por exemplo: o mesmo verso diz que todo o que Nele crer não irá perecer, mas se o amor é estendido ao mundo como alguns irão perecer? Objetarão dizendo: “ora esses escolheram crer em Deus, por isso serão salvos”. Na verdade esta é uma tese inválida, o amor de Deus não depende de uma via de mão dupla, ou seja, nós não iremos amar a Deus se antes Ele não nos amar primeiro, 1ª Jo. 4.19 “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

   Gl. 4.9 mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?” Mas a objeção pode continuar, “mas a bíblia diz que o mundo é objeto do amor de Deus”. Foi como disse acima, não podemos ignorar o todo da bíblia para abalizar um pensamento, nem sempre podemos interpretar um verso bíblico, baseado no nosso entendimento ou mesmo na disposição de entendê-lo.

   Primeiramente vimos Jesus rogando a Deus por aqueles que estavam no mundo mas não eram do mundo, e o verso a seguir repete o mesmo, Jo. 17.16 “Eles não são do mundo, como também eu não sou”. A bíblia no que diz respeito a salvação geralmente separa o mundo daqueles que estão no mundo, porém, em outros aspectos ela inclui o mundo fora do mundo, ou seja inclui o mundo dentro de uma localidade, At. 17.6 “Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.”

   Para os judeus que habitavam em Tessalônica “a mensagem que estava trastornado o mundo” chegou por lá também. Jo. 7.4 “Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. O mesmo disseram os irmãos de Jesus, ir a festa em Jerusalém seria manifestar os seus feitos para o mundo. Jo. 12.19 De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele” Neste caso aqui o mundo era os seus seguidores e mesmo os simpáticos aos seus ensinamentos.

   Com relação a salvação a bíblia separa os eleitos dentre o mundo, Ef. 1.4 “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”. Jesus faz uma separação nítida entre as suas ovelhas e os bodes que não lhe pertence, Jo. 10.26-27 “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”.

   Assim sendo fica claro que o mundo em sua totalidade não é objeto da salvação de Deus, e também não nos é dito o porquê que não é, dentro da visão bíblia só podemos dizer aquilo que já foi dito, o livro de apocalipse nos revela o por que o mundo como um todo não será salvo, Ap. 17.8 “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá”.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Afugentando o "poderoso" inimigo pela resistência.

   No que diz respeito à interpretação bíblica, quase sempre seguimos a interpretação popular, isso acontece devido ao fato de ouvirmos repetidas vezes que a interpretação real da bíblia está com os líderes da cristandade. Qual a interpretação que a cristandade como um todo tem dado acerca de Tiago capítulo 4 verso 7? “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” A interpretação popular acerca deste verso ensina que o diabo como um ser pessoal muito poderoso instiga as pessoas a cometerem pecados.

   No entanto, percebemos que não existe uma declaração bíblica neste verso dizendo que o diabo é um ser pessoal, porém se levarmos outras declarações ao pé da letra o diabo pode ser entendido de várias formas: como sendo um homem, Jo. 6. 70 “Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.” Ou mesmo como um leão, 1ª Pe. 5. 8 “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.”

   E é descrito também como sendo um dragão e uma serpente, Ap. 12. 9 “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Assim sendo, não podemos interpretar as passagens quando se referem ao diabo de uma forma literal ou teríamos que assumir que o diabo possui muitas faces, algo que não tem apoio bíblico.

   Só para fixarmos o que outrora já estudamos, vale a pena relembrarmos que o pecado reside dentro de nós e não fora, as tentações em muitos casos estão do lado externo, mas não o pecado, Rm. 7. 20 “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.”  Jr. 17. 9 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”  Tg. 1. 14 “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

   Estes e outros versos vêm confirmar o fato de que o diabo é a personificação da natureza humana corrompida e isso no que se refere a tentação e mesmo no que diz respeito à maldade humana. Assim sendo, a bíblia personifica a tendência humana caída, e dá vida a esta personificação por meio de símbolos, como dragão, serpente leão e etc. a cristandade como um todo tem declarado ser o diabo uma criatura tão “poderosa” a ponto de ser quase invencível, no entanto, o verso sete de Tiago quatro nos revela algo que seria impossível de acontecer no mundo literal, afugentar um ser muito poderoso.

   A resistência ao diabo, isso mesmo! Um ser super poderoso que pode ser vencido pela nossa resistência a ele, “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” Naturalmente a resistência não poderia ser um impedimento a um ser espiritual com grandes poderes a menos que este ser super poderoso esteja sendo representado de uma forma metafórica e essa representação é ilustrada pelo apostolo Pedro, 1ª Pe. 5. 8 “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.”

   Se entendermos o diabo como sendo literal teremos que admitir que ele literalmente virá ao nosso encontro com o objetivo de nos matar, ora, o permanecer firmes na fé não seria suficiente para fazer retroceder um adversário sobre humano que está ao nosso redor pronto para literalmente nos devorar, assim sendo a fé e a resistência oferecida por nós seria insuficiente para uma batalha contra um inimigo sobre humano o qual pode ser classificado por serpente, dragão, homem ou leão. 

   Volto a repetir, o diabo na bíblia, sobretudo no NT. Deve ser entendido de duas formas (1) os nossos desejos pecaminosos que fazem guerra na nossa mente (2) as autoridades contrárias aos ensinamentos bíblicos, sempre tendo em mente as autoridades do 1º século, isto é, autoridades judaicas e romanas, infelizmente o diabo em forma do poder civil e mesmo religioso sobreviveu e está presente também em nossos dias.

   Muitos poderão dizer:- Pedro está fazendo uma analogia demonstrando o poder do inimigo... Ora, uma vez que o ato de devorar não é literal, e nem mesmo a literalidade pode ser aplicada ao leão, podemos inserir nesta analogia o andar ao derredor, em outras palavras a analogia existe realmente, no entanto ela está representando não um inimigo espiritual, mas sim o sistema politico religiosa da época, portanto a ação do diabo literal aquele sobre humano também é figurativa.

   Na bíblia as característica de leão tem sido aplicadas para as pessoas, um exemplo são os judeus que crucificaram a Cristo, Sl. 22.  12-13 “Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam. Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge.”  Pv. 28. 15 “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre.” Paulo ao descrever a sua primeira apelação contra as acusações de que estava sendo julgado, diz que foi libertado da boca do leão, 2ª Tm 4. 17 “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.”

   Portanto, a expressão do diabo como sendo um leão que ruge procurando alguém para devorar se refere aos líderes judaicos e romanos que procuravam oportunidades para condenar os cristãos nos tribunais. Por outro lado Tiago 4. 7 vem retratando o diabo como sendo as nossas tendências pecaminosas ou como a bíblia descreve as tendências carnais, por isso ele diz: (resisti ao diabo e ele fugirá de vós). E isso pode ser confirmado lendo os versos anteriores.

   Tg. 3. 14-15 “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.” Reparem na analogia, (sabedoria terrena e diabólica) se é terrena é diabólica e vice versa. Outros versos vem nos confirmar exatamente a questão do diabo e a natureza pecaminosa, Tg. 4. 1-3 “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?  Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.”

   Reparem que não há nada que mencione a atuação de um ser espiritual nos instigando a pecar, pelo contrário, ele diz que tal tendência e comportamento surge nos nossos membros em outras palavras na nossa mente, e o próximo verso nos é dito também que o inimigo de Deus ao contrário do que é ensinado nas denominações cristãs não é espiritual, Tg. 4. 4 “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.

  O inimigo de Deus na verdade é aquele que vira-lhe as costas. Mc. 7. 20-23 “E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem”.

   Aqui existe um paralelo, entre a tendência humana pecadora e as obras do diabo, só conseguiremos resistir ao diabo tendo sempre em mente a palavra de Deus, na medida em que absorvemos os ensinamentos práticos da bíblia a tendência pecaminosa contrasta com a bíblia criando assim uma resistência natural, este é o ensinamento bíblico, daí o fato de podermos resistir ao diabo, ao contrário se dermos vazão para a nossa tendência carnal passamos a nos tornar inimigos de Deus e o diabo sobrepujara, ou seja as tendências predominarão e prevalecerão.
 







terça-feira, 1 de maio de 2018

A salvação universal existe?

   Talvez um dos maiores erros doutrinários divulgados por quase todas as vertentes do cristianismo seja a ideia de que Deus ama a todos, partindo do ponto de vista humano, pensamos ser certo e atraente o entendimento de que Deus ama a todos. Tal divulgação doutrinária se dá devido o fato de uma má interpretação do texto bíblico encontrado em João 3. 16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

   As pessoas interpretam esse texto dizendo: ora, dizer que Deus não ama o mundo é ir contrário ao ensino claro do verso. Realmente parece inevitável, mas será assim mesmo. Bem podemos tentar entender essa questão analisando-a mais de uma maneira, primeiramente devemos entender que o fato de Deus amar o mundo não deve causar nenhuma estranheza, isto é, a palavra mundo pode significar o mundo como um todo, podemos entender isso como sendo toda a sua criação.

   Assim sendo não existe nada de estranho em Deus amar a sua obra, mas daí dizer que o fato de Deus amar o mundo está incluso todas as pessoas que habitam sobre a terra é forçar um pouco aquilo que o verso quer nos dizer, e se torna mais impensável de acreditar que Deus quer que todos se salvem, isso se torna impossível, Jó. 42. 2 "Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido".

   Ora, acreditar que Deus amou a todos indistintamente a ponto de Ele, não querer que ninguém se perca é desacreditar nas palavras ditas por Jó, ou seja, se todos os propósitos de Deus não podem ser impedidos naturalmente o desejo de salvar a todos seria um propósito a ser realizado por Deus, e por que não será? Outra questão a ser analisada e entendida é: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito", até aqui parece realmente que a salvação é algo universal, no entanto, o restante do verso é que joga por terra tal ensinamento.

   O verso continua dizendo: "para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna". Aqui está a grande questão, o ponto diferencial, os que crerem não perecerão, mas então surge a pergunta: porque muitos não crerão para serem salvos? Vou dizer algo que parece ser contraditório, mas é bíblico, o fato de muitos não crerem se dá pelo fato de não terem sido alcançados pelo amor de Deus para a salvação, e a bíblia testifica isso. Jo. 17. 9 "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus"

   Outro fato de suma importância é que Deus não pode amar os homens exceto em e através de Jesus Cristo. Essa é a razão da eleição, o amor eterno de Deus por alguns, ser “em Cristo”. Somente nele somos perfeitos. Esse é também o motivo da palavra mundo em João 3. 16 não poder se referir a todas as pessoas sem exceção 1ª Jo. 4. 7-9 “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos".

   A palavra (para conosco) na última passagem vem confirmar que Deus não pode estabelecer um vínculo de perfeição com aqueles que estão fora de Cristo. Nem mesmo com aqueles que amam e praticam in justiças, Sl. 5. 4 "Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal". Caso fosse verdade que Deus ama a todos indistintamente este verso não poderia ser considerado bíblico. Não vamos entrar na questão da maldade do coração humano, visto que em muitos casos uma ação reprovada pode ser consequência e não uma causa em si, não que eu esteja justificando.

   Por outro lado vemos casos bem pensados ações realizadas por pessoas instruídas, que levam a efeito situações completamente reprovadas por Deus, por exemplo: A NASA tempos atrás enviou para o espaço o rover Curiosity, um veículo do tamanho aproximado de um carro médio destinado a explorar a superfície de Marte, mas só esse projeto para explorar outro planeta custou só $ 2, 5 bilhões, ao passo que no nosso planeta existe tudo o que é necessário para a subsistência da raça, então por que este é outros recursos não são utilizados aqui mesmo?

   Por que é uma ação reprovada por Deus? é proibido explorar outro planeta? Não o que é imoral aqui é gastar bilhões com pesquisas para procurar algo distante, enquanto que bilhões de pessoas estão morrendo aqui mesmo. Na verdade isso ocorre é porque Deus tem uma conta a acertar com o ímpio. Assim sendo dizer que Deus ama os homens sem salvá-los da sua impiedade e pecado, é dizer que o santo e justo Deus ama o mal.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Interpretação que gerou confusão.

   As mensagens dos Três Anjos de Apocalipse 14 e de Daniel capítulo 8 são altamente significativas para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Isso pelo fato de se valerem de tais versos bíblicos, objetivando com isso dar suporte ao surgimento profético da denominação. Ap. 14. 6-7 “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”.

   Neste assunto só irei analisar o primeiro Anjo de apocalipse 14, bem como alguns versos de Daniel capítulo 8. A igreja Adventista do Sétimo Dia ensina para os seus adeptos que ela perfaz com exatidão aquilo que é dito não só em apocalipse 14 como também em Daniel capítulo 8. Uma citação no livro O grande Conflito de Ellen White nos mostra que para eles a mensagem do primeiro Anjo de Ap. 14 teve seu cumprimento em 1844.

   (A Guilherme Miller e seus cooperadores coube a pregação desta advertência na América do Norte. Este país se tornou o centro da grande obra do advento. Foi aqui que a profecia da mensagem do primeiro anjo teve o cumprimento mais direto.) O grande Conflito pg. 368. Devemos relembrar o verso 7 de apocalipse 14 o que na realidade que ele está dizendo, “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo”.

   Inicialmente, os adventistas pensavam que o "julgamento" de Apocalipse 14: 6 se referia ao julgamento de Deus sobre os iníquos. Algo que a bíblia descreve claramente, seguindo o contexto vemos: Ap. 14. 10-11 “Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome”.

   No entanto, eles acabaram adotando uma postura diferente, dizendo que o "julgamento" era um julgamento dos justos, não dos perversos. Isso foi feito para acomodar essa nova visão, a Igreja Adventista do Sétimo Dia mudou o significado da mensagem do primeiro anjo e de Daniel 8. 14 para algo totalmente diferente, vejamos: (Tanto a profecia de Daniel 8:14 - "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado" - como a mensagem do primeiro anjo - "Temei a Deus e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo" - indicavam o ministério de Cristo no lugar santíssimo, o juízo investigativo, e não a vinda de Cristo para resgatar o Seu povo e destruir os ímpios. O engano fora, não na contagem dos períodos proféticos, mas no acontecimento a ocorrer no fim dos 2.300 dias). O grande Conflito pg. 424.

   A grande questão a ser debatida e entendida é: de que purificação se referiu Daniel? Para os adventistas ela se refere à expiação de todos aqueles que se tornam adventistas e com isso tem os seus pecados “transferidos” para o santuário celestial, diz E. G. W (Durante dezoito séculos este ministério continuou no primeiro compartimento do santuário. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. 
   
   Este é o serviço iniciado quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme fora predito pelo profeta Daniel, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra - purificar o santuário). O Grande Conflito Pg. 421. Será assim mesmo? Daniel previu realmente que o santuário seria purificado, no entanto, tal purificação seria limpar o santuário das transgressões causadas por ímpios e não os pecados do suposto povo de Deus. Dn. 8. 9 “E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa”.

   Na verdade este “chifre” = reino, cresceu e se dirigiu até a terra formosa, no entendimento bíblico significa Jerusalém, Dn. 8. 11 “E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra”. Contrariando a visão adventista o príncipe do exercito citado no verso não é Jesus como querem eles, mas sim o sumo sacerdote. Dn. 8. 13 “Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados”? 
  
   Aqui o verso é claro com relação a contaminação do santuário, a transgressão realizada por esse reino foi assoladora, e isso devido ao fato das transgressões operadas pelos judeus, na verdade a invasão no santuário e toda a sua profanação foi um castigo para aqueles que conheciam a vontade de Deus mas não praticavam. Assim sendo Antíoco IV Epifânio, instalou uma estátua de Zeus e sacrificou porcos no templo de Jerusalém, para os judeus foi realmente uma abominação desoladora Dn. 8. 14 “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”. Essas 2300 tarde e manhãs são na verdade 2300 dias literais, período este que levou para que o santuário voltasse a ser limpo.

   Resumo da seguinte maneira: (1) a mensagem do primeiro Anjo de apocalipse 14 é uma mensagem de advertência sim, porém não com o intuito em fazer proselitismo, mas sim despertar as pessoas para reconhecerem o criador, (2) Daniel 8. 14 não diz nem de longe que esteja tratando de outro santuário, que não seja o santuário de Jerusalém. Em suma baseado em cima de uma grande confusão a IASD. Formulou não só a sua aparição, mas também o seu corpo doutrinário.







domingo, 1 de abril de 2018

O regime alimentar apropriado.

   Os Adventistas do sétimo dia têm sido conhecidos como sendo os defensores de uma dieta vegetariana. A voz principal que promoveu o vegetarianismo na Igreja adventista foi a Profetiza Ellen G. White, que afirmou ter recebido uma visão sobre o assunto em 1863, Ela disse: "Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, 6 de junho de 1863, que o grande assunto da reforma da saúde foi aberto diante de mim em visão ... O Senhor  expôs perante mim um plano geral. Foi me mostrado que Deus daria ao seu povo que guarda os mandamentos uma reforma alimentar”. Conselhos sobre o regime alimentar pg. 481. 

   Nos anos que se seguiram à "visão", o casal White e outros líderes da IASD introduziram várias reformas de saúde na denominação. No entanto,ao invés de serem "inovadores" eles simplesmente apresentaram a seus seguidores muitas das reformas populares da saúde daquela época que tinham sido ministradas e ensinadas por pessoas não adventistas, tais como o Dr. James Jackson , John Wesley o fundador do metodismo, Sylvester Graham, e o profeta mórmon Joseph Smith .

   Uma das principais razões pelas quais Ellen White incentivou o vegetarianismo é porque ela acreditava que ao comer carne, as paixões inferiores, ou as paixões animalescas seriam despertadas. O grande problema e que a base para isso não é encontrada em nenhuma evidência bíblica ou científica. Em vez disso, a noção de que as paixões animais foram despertadas pela alimentação de animais foi popularizada nos anos 1800 pelo reformador da saúde, Sylvester Graham.

   Graham ensinou que o "uso da carne" despertaria o desejo sexual, assim sendo ele sugeriu que para evitar o estimulo sexual ou para não despertar a tentação, melhor seria não comer nenhum tipo de alimento animal. Foi isso que levou EGW a escrever as seguintes palavras: “Um regime de carne tende a desenvolver a sensualidade. O desenvolvimento da sensualidade diminui a espiritualidade, tornando a mente incapaz de compreender a verdade”. Conselhos sobre o regime alimentar pg. 382.

   Talvez a mais estranha de todas as declarações feitas por Ellen White são aqueles em que ela diz que comer carne é prejudicial ao crescimento espiritual de uma pessoa. Comparemos isso com o que a Bíblia diz: Mc. 7. 18-19 “E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?”

   Jesus teve todas as oportunidades para dizer aos discípulos sobre os perigos de comer carne e como isso poderia destruir sua saúde física, mental e espiritual. Mas ele não fez isso, em vez disso, Marcos nos diz que Cristo declarou todos os alimentos "aceitáveis". Examinemos alguns exemplos na Escritura para determinar se alguém teve sua vida espiritual prejudicada comendo carne.

   Gn. 18. 7-8 “E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la. E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram.” Ex. 29. 32 “E Arão e seus filhos comerão a carne deste carneiro, e o pão que está no cesto, à porta da tenda da congregação.” Nm. 18. 17-18 “Mas o primogênito de vaca, ou primogênito de ovelha, ou primogênito de cabra, não resgatarás, santos são; o seu sangue espargirás sobre o altar, e a sua gordura queimarás em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor. E a carne deles será tua; assim como o peito da oferta de movimento, e o ombro direito, teus serão.”
   
   Dn. 1. 8 e 12 “E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar”. “Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber”. Daniel é sustentado pelos adventistas como um grande exemplo de vegetariano, pelo fato dele não ter comido as iguarias oferecidas pelo rei, mas observe o que o Daniel disse estando mais velho, Dn. 10. 2-3 “Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas”. Se não fosse seu costume, ele Daniel não precisaria ter enfatizado que se absteve de comer carne por três semanas, será que ele era vegetariano e deixou de ser, ou nunca foi.

   Mt. 3. 4 “E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre”. Mesmo que os adventistas insistam em dizer que este gafanhoto do qual a bíblia diz que João se alimentava seja uma espécie de planta, isso não condiz com a realidade, sobre Mateus 3 verso 4 os eruditos tem afirmado que o gafanhoto se trata realmente do inseto voador que conhecemos, visto ser permitido para uso alimentar, Lv. 11. 22 “Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie”.

   Como parte da tradicional cerimônia da Páscoa, instituída por Deus, um cordeiro era comido. E como judeu, Jesus participou ativamente dessa tradição com seus discípulos, Lc. 22. 15 “E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça.” Jesus não apenas comeu carne com os discípulos, mas também alimentou milhares de pessoas com peixes, Mt. 14. 17-19 “Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-mos aqui.E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão”.

   Jesus também alimentou os discípulos com os peixes depois da ressurreição, Jo. 21. 9 e 12 “Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão”. “Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor”. Certamente, Jesus poderia ter alimentado os discípulos com outro tipo de alimento naquela manhã junto ao lago, instruindo-os assim sobre os perigos de comer carne, mas ele não fez.

   Estes exemplos nos mostram que o consumo de carne é perfeitamente apropriado para o povo de Deus e não prejudica seu bem-estar espiritual, 1ª Co. 8. 8 “Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta”.